Segunda-feira, Junho 29, 2009

Biliões para os Banqueiros – Dívidas para as pessoas - Parte I

Parte I


Por
Sheldon Emry

[Tradução minha]

Parte I

Introdução

Em 1901 a dívida nacional dos Estados Unidos era inferior a mil milhões de dólares. Continuou inferior a mil milhões de dólares até os Estados Unidos terem entrada na Primeira Guerra Mundial. Então a dívida saltou para 25 mil milhões de dólares.

A dívida nacional americana quase duplicou entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, aumentando de 25 para 49 mil milhões de dólares.

Entre 1942 e 1952 (que apanhou a Segunda Guerra Mundial), a dívida aumentou rapidamente de 72 para 265 mil milhões de dólares. Em 1962 estava em 303 mil milhões de dólares. Em 1970, a dívida tinha aumentado para 383 mil milhões de dólares.

Entre 1971 e 1976 a dívida subiu de 409 para 631 mil milhões de dólares. A dívida teve o seu maior crescimento, contudo, durante os anos 1980, alimentada por uma despesa militar sem precedentes em tempos de paz. Em 1998, a espantosa dívida pública ultrapassará estrondosamente os 5,5 biliões de dólares ($5.500.000. 000.000).

A "fatia" inconstitucional desta dívida a cada homem, mulher e criança é correntemente de 20.594, 86 dólares e continuará a aumentar a uma média de 630 milhões de dólares todos os dias, não incluindo os 26 biliões em dívidas de cartões créditos individuais, hipotecas, leasing de automóveis e por aí fora.


A Dívida Nacional dos Estados Unidos

A assombrosa Dívida Pública americana era, em 25 de Agosto de 1998, de: 5.516.699.306.752,93 dólares (hoje, Junho de 2009, supera os 11 biliões).

A população estimada dos Estados Unidos é de 270.347.497 (hoje, superior a 306 milhões), portanto a parte de cada cidadão na dívida é de 20.403,90 dólares (hoje, superior a 37 mil dólares).

Hoje, que estamos perante a madrugada de uma Nova Ordem Mundial dirigida por financeiros internacionais, a maior parte das receitas recolhidas pelo governo federal sob a forma de impostos individuais vão direitinhas para apenas pagar os juros da Dívida. À velocidade que a Dívida está a aumentar, acabaremos por chegar a um ponto onde, mesmo que o governo ficasse com todos os cêntimos dos cidadãos através de impostos, não conseguiria reunir o suficiente para continuara a pagar os juros da Dívida.

O governo não possuirá nada, as pessoas não possuirão nada, e os bancos possuirão tudo. A Nova Ordem Mundial tomará conta da América.

Se a tendência actual continuar, e não há quaisquer provas de que não continue, podemos esperar que a dívida nacional quase duplique novamente nos próximos seis a oito anos. Nessa altura, o juro da Dívida será de 400 mil milhões de dólares por ano.


Prólogo: Três Tipos de Conquista

A História mostra que as nações podem ser conquistadas por um ou vários dos seguintes métodos.

O mais comum é a conquista pela guerra. Com o tempo, este método normalmente falha, porque os conquistados odeiam os conquistadores e sublevam-se e correm com eles se puderem. É necessária muita força para manter o controlo, tornando-se dispendioso para a nação conquistadora.

Um segundo método é pela religião, em que os homens são persuadidos a dar aos seus conquistadores uma parte dos seus ganhos em "obediência a Deus." Um cativeiro deste tipo é vulnerável à denúncia filosófica ou a serem corridos pela força das armas porque a religião necessita de força militar para recuperar o controlo logo que os conquistados se desenganam.

O terceiro método pode ser chamado a conquista económica. Acontece quando as nações se tornam "tributárias" sem o uso visível da força ou da coerção, de tal forma que as vítimas não percebem que foram conquistadas. O "Tributo" é-lhes colectado sob a forma de dívidas "legais" e impostos, e os conquistados acreditam que estão a pagá-los para seu próprio bem, para o bem de outros, ou para proteger a nação de algum inimigo. Os seus conquistadores tornam-se os seus "benfeitores" e "protectores".

Embora este método seja o mais lento a impor-se, é muitas vezes o mais duradouro, porque os conquistados não vêem nenhuma força militar a investir contra eles, a sua religião é deixada mais ou menos intacta, têm liberdade para falar e viajar, e participam em "eleições" para os seus "dirigentes". Sem darem conta disso, são conquistados, e os instrumentos da sua própria sociedade são usados para transferir a sua riqueza para os conquistadores e tornar a conquista total.

Em 1900, o trabalhador americano médio pagava poucos impostos e tinha poucas dívidas. No ano passado, os pagamentos das dívidas e dos impostos levaram mais de metade do que ele ganhou. É possível que uma forma de conquista tenha sido imposta à América?


A Verdadeira História do Controlo do Dinheiro na América


Os americanos, vivendo naquela que é considerada a nação mais rica do planeta, parecem estar sempre com falta de dinheiro. É impossível a muitas famílias subsistir a não ser que os dois progenitores trabalhem.

Homens e mulheres anseiam por horas extraordinárias ou arranjar trabalhos em part-time è noite ou aos fins de semana; as crianças procuram biscates para terem algum dinheiro, a dívida da família continua a aumentar.

Psicólogos dizem que uma das principais causas das quezílias familiares e das separações são resultado de "discussões sobre dinheiro". Muita desta confusão pode remontar ao nosso sistema actual de "dinheiro como dívida".

Muito poucos americanos sabem porque é que os Fundadores da América escreveram no Artigo I da Constituição Americana:

"O Congresso terá o poder de cunhar moeda e regular o seu valor". - Thomas Jefferson

Fizeram-no, como veremos, na esperança de que evitaria que o "amor ao dinheiro" destruísse a República que eles fundaram.


O Dinheiro é "Criado", não Cultivado ou Construído

Os economistas usam o termo "criar" quando falam do processo pelo qual o dinheiro aparece. A "Criação" significa fazer alguma coisa que não existia antes. Os madeireiros fazem tábuas a partir de árvores, trabalhadores constroem casas com tábuas, e as fábricas produzem automóveis a partir de metal, vidro e outros materiais. Mas em todos este casos eles não "criaram" realmente.

Apenas alteraram materiais existentes para uma forma mais utilizável e, portanto, mais valiosa. Não acontece o mesmo com o dinheiro. Aqui, e apenas aqui, o homem "cria" alguma coisa a partir do nada. Um bocado de papel de pouco valor é impresso de forma a valer tanto como uma tábua. Com números diferentes pode servir para comprar um automóvel ou até uma casa. O seu valor foi "criado" no verdadeiro sentido da palavra.


"Criar" Dinheiro é muito Lucrativo!

Como já vimos, fazer dinheiro é muito barato, e quem quer que proceda à "criação" de dinheiro numa nação pode obter um lucro fabuloso. Os construtores trabalham arduamente para terem um lucro de 5 por cento acima do custo de construção de uma casa.

Os construtores de automóveis vendem os seus carros 1 a 2 por cento acima do custo de fabrico e é considerado um bom negócio. Mas os "fabricantes" de dinheiro não têm limite para os seus lucros, porque com alguns cêntimos imprimem uma nota de 1 dólar ou uma nota de 10.000 dólares.


Esse lucro é parte da nossa história, mas primeiro vamos examinar outra característica única do dinheiro:


Numa Economia é necessária uma adequada Disponibilidade de Moeda

Uma disponibilidade de moeda adequada é indispensável a uma sociedade civilizada. Podemos privar-nos de muitas outras coisa, mas sem dinheiro, a indústria paralisava, as propriedades rurais tornar-se-iam unidades auto-sustentadas, excedentes de alimentos desapareceriam, trabalhos que precisem mais do que um homem ou uma família fixariam por fazer, remessas e grandes movimentos de produtos cessariam, pessoas com fome dedicar-se-iam à pilhagem e matariam para permanecer vivas, e todo o governo, excepto a família ou a tribo, deixaria de funcionar.

Um exagero, dirão? Nada disso. O dinheiro é o sangue da sociedade civilizada, o meio pelo qual é feito todas as transacções comerciais excepto a simples troca directa. É a medida e o instrumento pelo qual um produto é vendido e outro comprado. Removam o dinheiro ou reduzam a disponibilidade de moeda abaixo do que é necessário para levar a cabo os níveis correntes de comércio, e os resultados são catastróficos.

Como exemplo, bastará debruçarmo-nos sobre a Depressão Americana nos princípios dos anos 30 do século XX.


Depressão Bancária de 1930

Em 1930 os Estados Unidos não tinham falta de capacidade industrial, propriedades rurais férteis, trabalhadores experientes e determinados e famílias laboriosas. Tinham um amplo e eficiente sistema de transportes ferroviários, redes de estradas, e canais e rotas marítimas. As comunicações entre regiões e localidades eram as melhores do mundo, utilizando telefone, teletipo, rádio e um sistema de correios governamental perfeitamente operacional.

Nenhuma guerra destruiu as cidades do interior, nenhuma epidemia dizimou, nem nenhuma fome se aproximou do campo. Só faltava uma coisa aos Estados Unidos da América em 1930: Uma adequada disponibilidade de moeda para negociar e para o comércio.

No princípio dos anos 30 do século XX, os banqueiros, a única fonte de dinheiro novo e crédito, recusaram deliberadamente empréstimos às indústrias, às lojas e às propriedades rurais. Contudo, eram exigidos os pagamentos dos empréstimos existentes, e o dinheiro desapareceu rapidamente de circulação. As mercadorias estavam disponíveis para serem transaccionadas, os empregos à espera para serem criados, mas a falta de dinheiro paralisou a nação.


Com este simples estratagema a América foi colocada em "depressão" e os banqueiros apropriaram-se de centenas e centenas de propriedades rurais, casas e propriedades comerciais. Foi dito às pessoas, "os tempos estão difíceis" e "o dinheiro é pouco". Não compreendendo o sistema, as pessoas foram cruelmente roubadas dos seus ganhos, das suas poupanças e das suas propriedades.


Sem Dinheiro para a Paz, mas com muito Dinheiro para a Guerra

A Segunda Guerra Mundial acabou com a "Depressão". Os mesmos banqueiros que no início dos anos trinta não faziam empréstimos em tempos de paz para a compra de casas, comida e roupas, de repente tinham biliões ilimitados para emprestar para aquartelamentos militares, rações de combate e uniformes.

Uma nação que em 1934 não conseguia produzir alimentos para venda, repentinamente podia produzir milhões de bombas para enviar para a Alemanha e para o Japão.

Com o súbito aumento da quantidade de dinheiro, as pessoas eram contratadas, as propriedades rurais vendiam os seus produtos, as fábricas começaram a funcionar em dois turnos, as minas foram reabertas, e "A Grande Depressão" acabou!

Alguns políticos foram considerados culpados pela depressão e outros ficaram com os méritos por ter acabado com ela. A verdade é que a falta de dinheiro causada pelos bancos trouxe a depressão, e a quantidade adequada de dinheiro acabou com ela. Nunca foi dito às pessoas a simples verdade de que os banqueiros que controlam o nosso dinheiro e crédito usaram esse controlo para saquear a América e colocá-los a todos na escravidão.


Poder para Imprimir e Regular o Dinheiro

Quando observamos os desastrosos resultados de uma carência de dinheiro criada artificialmente, podemos entender melhor porque é que os Pais Fundadores da América, que percebiam de dinheiro, insistiram em colocar o poder de "criar" dinheiro e o poder de controlá-lo APENAS nas mão do Congresso Federal.

Eles acreditavam que TODOS os cidadãos deviam ter a sua parte nos lucros da sua "criação", e portanto o governo federal devia ser o único criador de dinheiro. Acreditavam ainda que todos os cidadãos, de qualquer estado, território ou condição social, beneficiariam de uma moeda adequada e estável. Portanto, o governo federal deve também ser, por lei, o único regulador do valor do dinheiro.

Já que o Congresso Federal era o único corpo legislativo sujeito ao escrutínio de todos os cidadão, era, segundo pensavam, o único sítio seguro para tanto lucro e tanto poder. Escreveram de forma simples mas de maneira perfeitamente compreensível: "o Congresso terá o poder de Imprimir e Regular o Dinheiro."


Como é que Perdemos o Controlo da Reserva Federal

Em vez do método constitucional de criar o nosso dinheiro e colocá-lo em circulação, temos agora um sistema completamente inconstitucional. Este facto trouxe o nosso país à beira do desastre, como veremos.

Como o nosso dinheiro era tratado tanto legalmente como ilegalmente antes de 1913, vamos considerar apenas os anos posteriores a 1913, porque a partir desse ano, todo o nosso dinheiro foi criado e impresso por um método ilegal, que se não for alterado acabará por destruir os Estados Unidos. Antes de 1913, a América era uma nação próspera, poderosa e em crescimento, em paz com os seus vizinhos e a inveja do mundo. Mas em Dezembro de 1913, o Congresso, com muitos dos seus membros fora em férias de natal, faz aprovar o que desde então se chamou a Lei da Reserva Federal.

Omitindo os pormenores mais fastidiosos, esta lei autorizava o estabelecimento de uma Corporação da Reserva Federal, gerida por um Conselho Director (o Conselho Director da Reserva Federal). A lei dividia os Estados Unidos em 12 "Distritos" da Reserva Federal.

Esta lei simples, mas terrível, removia completamente do Congresso o direito de "criar" dinheiro ou ter qualquer controlo sobre a sua "criação", e dar essa função à Corporação da Reserva Federal. A aprovação da lei foi acompanhada pela fanfarra apropriada. A propaganda invocou que esta lei iria "retirar o dinheiro dos políticos" (não disseram "e portanto do controlo dos cidadãos") e prevenir que os altos e baixos da actividade económica prejudicassem os nossos cidadãos.

Às pessoas não foi dito na altura, e a maior parte não o sabe hoje, que a Corporação da Reserva Federal é uma corporação privada controlada por banqueiros e portanto é operada para o ganho financeiro dos banqueiros sobre o povo em vez de o ser em benefício do povo. O termo "Federal" foi apenas usado para enganar o povo.


Mais Catastrófico que Pearl Harbor

Desde desse "dia da infâmia", mais desastroso para nós do que Pearl Harbor, o pequeno grupo de pessoas "privilegiadas" que nos emprestam o "nosso" dinheiro acumularam para eles os lucros da impressão do nosso dinheiro – e mais! Desde 1913 criaram dezenas de milhares de milhões de dólares em dinheiro e crédito, que, como sua propriedade, podem emprestar ao nosso governo e ao nosso povo com juros.


"Os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres" tornou-se a política secreta do governo federal. Um exemplo do processo de "criação" de dinheiro e da sua conversão em "dívida" das pessoas ajudará à compreensão do processo.


Milhares de Milhões em Juros Devidos a Bancos Privados

Vamos começar com a necessidade de dinheiro. O governo federal, tendo gasto mais do que aquilo que arrecadou em impostos aos cidadãos, precisa, a título de exemplo, de mil milhões de dólares. Como não possui esse dinheiro, e o Congresso lhe retirou a autoridade para o "criar", o governo tem de ir pedir aos "criadores" mil milhões de dólares.

Mas, a Reserva Federal, uma corporação privada, não dá assim o dinheiro de qualquer maneira! Os banqueiros estão desejosos de entregar mil milhões de dólares em dinheiro ou crédito ao Governo Federal em troca da aceitação por parte de governo em pagar o empréstimo – com juros. Portanto, o Congresso autoriza o Departamento do Tesouro a imprimir mil milhões de dólares em títulos do tesouro, que são então entregues aos Banqueiros da Reserva Federal.

A Reserva Federal paga então os custos da impressão de mil milhões de dólares (cerca de mil dólares) e procede à troca dessas notas pelos títulos do tesouro. O governo utiliza então o dinheiro para pagar os seus encargos. Quais são os resultados desta fantástica transacção? O governo endividou o povo perante os banqueiros em mil milhões de dólares, sobre os quais o povo terá de pagar juros!

Dezenas de milhares deste tipo de transacções tiveram lugar desde 1913, de tal forma que em 1996, o governo americano deve aos banqueiros mais do que cinco biliões de dólares (trillions). A maior parte dos impostos sobre o rendimento que hoje pagamos como indivíduos vai direitinho para as mãos dos banqueiros, só para pagar os juros, sem esperanças de pagar o capital dos empréstimos. Os nossos filhos serão forçados a viver na escravidão.


Mas esperem! Há mais!

Dizemos, "Isto é terrível!". Pois é, mas mostrámos apenas uma parte desta história sórdida. Sob este sistema horrível, estes Títulos do Tesouro [Obrigações – Bonds] dos Estados Unidos tornaram-se agora "activos" dos bancos do Sistema de Reserva que eles agora utilizam como "reservas" para "criarem" mais "crédito" para emprestar. As actuais exigências de "reservas" permite-lhes utilizar esses mil milhões de dólares em Títulos do Tesouro para "criar" 15 mil milhões de dólares em "crédito" novo para emprestar aos estados, aos municípios, aos indivíduos e às empresas.

A somar aos mil milhões de dólares originais, eles podem acrescentar 16 mil milhões de dólares de "crédito criado" em empréstimos a pagar juros, sendo o seu único custo os mil dólares para imprimir os originais mil milhões de dólares! Como o Congresso Americano não emite dinheiro constitucional desde 1863, de forma que as pessoas tivessem esse dinheiro para usar nos negócios e no comércio, estas são forçadas a pedir emprestado o "crédito criado" pelo Monopólio dos Banqueiros e pagar-lhes juros usurários!



Manipular Acções por Divertimento e Lucro

A somar a uma usura quase ilimitada, os banqueiros têm outro método de arrecadar grandes quantidades de riqueza. Os bancos que controlam o dinheiro têm a capacidade de aprovar grandes empréstimos a grandes empresas de sucesso de tal forma que a recusa de um empréstimo traz consigo uma redução do valor das acções dessa empresa.

Depois de causarem a baixa do valor das acções dessa empresa, os agentes dos banqueiros compram grandes quantidades das acções da companhia. Então, se o banco aprovar subitamente um empréstimo milionário à companhia, os preços das acções sobem e são então vendidas com lucro. Desta forma, milhares de milhões de dólares são ganhos e com os quais se pode comprar mais acções. Esta prática está tão refinada hoje que o Conselho de Directores da Reserva Federal só precisa de anunciar nos jornais um aumento ou descida da taxa de desconto para fazer com que o valor das acções disparem ou se afundem.

Usando este método desde 1913, os banqueiros e os seus agentes compraram o controlo secreto ou às claras de quase todas as grandes corporações na América. Usando esta influência económica, forçam as corporações a pedirem emprestadas largas somas de dinheiro de tal forma que os lucros das empresas são transformados em juros dos bancos. Isto deixa poucos lucros às empresas que possam ser pagos como dividendos e explica porque é que os bancos conseguem obter milhões em juros de empréstimos a empresas mesmo quando o valor das acções está em baixo. Com efeito, os banqueiros conseguem uma grossa fatia dos lucros, enquanto os accionistas individuais ficam com os restos.

Os milhões de famílias trabalhadoras da América estão agora endividados a poucos milhares de famílias bancárias pelo dobro do estimado valor de todos os Estados Unidos. E estas famílias bancárias obtêm essas dívidas a troco do custo do papel, da tinta e da contabilidade!


O dinheiro dos Juros nunca é Criado

A única maneira pela qual o novo dinheiro (que não é dinheiro verdadeiro, mas antes crédito representando uma dívida), entra em circulação na América, é quando é emprestado pelos banqueiros. Quando o Estado e o povo pedem emprestadas largas somas, parecemos prosperar. Contudo, os banqueiros "criam" apenas a quantidade de dinheiro de cada empréstimo, nunca a quantidade extra necessária para pagar os juros. Por isso, o novo dinheiro nunca é igual à nova dívida. O dinheiro necessário para pagar os juros do empréstimo não é "criado", e portanto não existe!

Neste sistema, em que a nova dívida excede sempre o novo dinheiro, não interessa quanto seja emprestado, a dívida total ultrapassa progressivamente a quantidade de dinheiro disponível para pagar a dívida. As pessoas não conseguem nunca sair da dívida!

O exemplo seguinte mostra a brutalidade do sistema de juro-dívida através da sua intrínseca escassez de dinheiro.


A Tirania do Juro Composto

Quando um cidadão vai ter com um banqueiro para lhe pedir emprestado cem mil dólares para comprar uma casa ou uma quinta, o funcionário do banco tem o consentimento daquele que pede emprestado (o mutuário) em pagar o empréstimo mais os juros. A 8,25% de juros durante 30 anos, o mutuário tem de aceitar pagar 751,27 dólares por mês num total de 270.456,00 dólares.

O funcionário do banco exige ao cidadão que ceda o direito de posse da propriedade ao banqueiro se o mutuário não fizer os pagamentos estipulados. O funcionário do banco passa então ao mutuário um cheque ou um comprovativo de depósito de cem mil dólares, creditando a conta de depósitos à ordem do mutuário em cem mil dólares.

O mutuário (aquele que pede emprestado) passa então um cheque ao construtor ou a quem lhe vendeu a propriedade, que, por seu turno, passará cheques a outras pessoas sobre este dinheiro. Cem mil dólares de novo dinheiro "em forma de cheque" é portanto acrescentado ao "dinheiro em circulação".

Contudo, esta é a grande falha do sistema: o único dinheiro novo criado e colocado em circulação é o valor do empréstimo, cem mil dólares. O dinheiro para pagar os juros NÃO é criado, e por isso não é acrescentado ao "dinheiro em circulação".

Mesmo assim, este mutuário (e os que se lhe seguirem na posse da propriedade) têm de ganhar e tirar de circulação 270.456,00 dólares, mais 170.456,00 dólares do que ele colocou em circulação quando pediu os cem mil dólares originais. (Este juro vigariza todas as famílias que compram casas. Não é porque não tenham dinheiro para pagar; é porque os juros dos banqueiros forçam-nos a pagar quase três casas para poderem ter uma).

Cada novo empréstimo põe o mesmo processo em marcha. Cada mutuário acrescenta uma pequena soma à oferta total de dinheiro quando pede emprestado, mas os pagamentos do empréstimo (por causa dos juros) subtraem uma soma muito maior à oferta total de dinheiro.

Não há portanto nenhuma maneira de todos os devedores poderem pagar aos seus emprestadores. À medida que vão pagando o capital do empréstimo e os juros, o dinheiro em circulação vai desaparecendo. A única coisa que podem fazer é lutar uns com os outros, pedindo emprestado mais e mais dinheiro dos banqueiros a cada geração. Os banqueiros, que nada produzem de valor, vão gradualmente tomando posse da terra, dos edifícios, e dos salários actuais e futuros de toda a população trabalhadora. O rico manda no pobre e o devedor é servo do emprestador.
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11 comentários:

xatoo disse...

boa explicação numa perspectiva apenas do Capital.
Mas a criação e acumulação do Capital não esgota a vida: Esta começa no Homem e na Natureza e no Trabalho para a modificar por forma a torná-la fonte de subsistência (para todos, no caso do Socialismo).
Nesta concepção é o trabalho vivo, não o capital que é reconhecido como fonte de riqueza enquanto os ricos e a classe dominante no Capitalismo tendem a induzir a opinião pública que o ciclo normal será Capital-Trabalho-Capital, mas não é, é o contrário que é verdade; Confundem a maioria de ouvintes despreocupados com aquilo a que Marx designou de "fetiches opacificantes" que são as diversas remunerações do capital, juros, rendas, lucro, criação ficticia de moeda, etc.
É relativamente fácil descobrir que o Capital só por si nada produz. E pode parecer paradoxal mas o capitalismo não se interessa pelas riquezas. Com efeito no valor de troca das mercadorias não se mede a quantidade de riquezas produzidas, muito menos a sua capacidade de satisfazer as necessidades humanas (vidé a actual crise de sobreprodução, sem que existam compradores). Apenas se mede a quantidade de trabalho social aplicada ao processo produtivo. Mesmo que um certo número de operários produzam em 8 horas 1.000 ou 2.000 carros, o que interessa ao capital é o valor global produzido, que não mudou, e não a quantidade de bens que foi o dobro. Que estes carros desperdicem petróleo, causem danos de poluição, matem em acidentes, (em dobro) isso pouco lhes importa, desde que os prejuizos não provoquem protestos e não ameacem a produção. Claro que os prejuizos, ou "externalidades" como lhes chamam são expelidos para a conta corrente da sociedade mediada pelo Estado para serem pagos por todos
.

Anónimo disse...

Caro Diogo
Muito bom.
Vou fazer a ligação, lá na minha tasca. Tenho lá coisa sobre o mesmo assunto.
Carlos

Zorze disse...

Diogo,

Um post muito, muito bom.
Condensa a tremenda manipulação em que vivemos.
Ao nível manipulativo em que vivemos, julgo até, que este post estudado em aulas de universidades de economia e finanças, não seria entendido na sua plenitude.

Abraço,
Zorze

Ana Camarra disse...

Diogo

Li ontem mas tgive de ler outra vez com muita calma.
Está de uma clareza alucinante.

Obrigado

alf disse...

Meu caro, você decida-se: a crise de 1930 foi porque os banqueiros cortaram o crédito, a de 2008 porque não o cortaram. Em que é que ficamos?

Parece um pouco a história do cordeiro e do lobo. Tem de culpar os banqueiros e ponto final.

Já lhe dei a minha opinião e ainda não vi nada que me levasse a alterá-la: o sistema capitalista conduz ao crescimento da desigualdade e esta faz estancar o fluxo económico. A crise é a redução do fluxo.

Mas a culpa não é do sistema «capitalista», é da ambição humana. O que precisamos é de melhorar as regras que controlem o desiquilíbrio nas distribuições de riqueza e de poder.


Muito certo o que diz em relação à conquista económica das nações.

Diogo disse...

Xatoo, Quando se fala em capital misturam-se muitas vezes os conceitos de dinheiro e de tecnologia (suma sociedade capitalista). O post revela toda a aberração da apropriação do capital por meia dúzia. Mas discordo contigo no seguinte: não é só o trabalho que produz. A tecnologia está a produzir cada vez mais e em pouco substituirá totalmente o homem. Esta facto, também estoira com o sistema capitalista, como é bom de ver.


Anónimo, você não deixou nenhum link para a sua tasca.


Zorze, também considero este texto excepcional. Nas universidades não ensinam isto. Pior, mais de 90% dos professores universitários de economia não sabem disto. Continuam a guiar-se pelas velhas cartilhas do Keynes, do Friedman e do Samuelson, talvez com algumas variantes.


Ana, eu sei que o texto é longo. Mas considero-o dos mais profundos que tenho encontrado. Beijo.


Alf, o que é que você não percebeu no texto? Tanto as «crises» de 1930 como a de 2008 foram fruto da retirada de dinheiro de circulação (corte do crédito). Lei novamente o post por favor. E desta vez, como olhos de ver.

Anónimo disse...

Caro Diogo
“Anónimo, você não deixou nenhum link para a sua tasca.”
:):) o link é, da sua publicação, numa publicação que fiz lá na tasca, e não o contrário:):)
Carlos

PS
Rothschild e Freshfields: impérios ligados à escravatura
http://www.ionline.pt/conteudo/10720-rothschild-e-freshfields-imperios-ligados--escravatura

http://www.youtube.com/watch?v=8F4IGwuKdUQ&feature=player_embedded

Fed Reserve Cannot Account for $9 Trillion
http://www.youtube.com/watch?v=OwTlSOeElLU

E como estas coisas não devem andar a ser sabidas, o sr Rockefeller é da opinião que se deve dizer...
Bye, Bye Internet!
http://www.youtube.com/watch?v=tzfwApI0GkU

Anónimo disse...

Já me tinha esquecido
“Biliões para Banqueiros – Dívidas para as pessoas”
Porreiro (para uns poucos) – Pá (prá maralha, a do costume, claro)
Já descobriu porque o 1º, auto-intitulado eng, disse porreiro pá. Desta forma serviu um futuro confortável para ele.
Carlos

Anónimo disse...

Caro Diogo
Caso queira correr o risco de fazer publicidade à tasca, corra-o.
Carlos

xatoo disse...

Esse fetiche das "máquinas" já vem desde a década de 20 com a obra de ficção "Metropolis" - e essa perspectiva, (ainda que fosse válida) será um progresso para o sapiens? o que tenho visto até aqui, como brilhantemente previu Fritz Lang, é a utilização da tecnologia para explorar ainda mais o Homem

E cá estás tu de novo com a velha e relha rábula que não tem ponta por onde se lhe pegue:
"não é só o trabalho que produz. A tecnologia está a produzir cada vez mais"
então e para produzir "a tecnologia" (seja lá o que isso for, porque a ciência tem limites materiais) também não é preciso trabalho?
Cai do céu? quem tem o trabalho de a conceber sem trabalho? é Deus? ou a maquinaria dos "silicon valleys" que injecta valor acrescentado nas glândulas mamárias das gajas?

alf disse...

Diogo

o fluxo do dinheiro bloqueou em ambos os casos, mas a causa, em ambos os casos, foi a desigualdade na distribuição de riqueza, não teve nada a ver com crédito ou com banqueiros.

A atribuição de crédito fácil permitiu agora disfarçar essa desigualdade, mas apenas adiou o estoiranço.

Os banqueiros dão a sua contribuição importante para o crescimento da desigualdade quando deviam exactamente promover a igualdade e, nesse sentido, são culpados; mas é por isso e não por fazerem ou deixarem de fazer dinheiro ou crédito - estas medidas visam disfarçar a desigualdade, mas não são elas que a criam.