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RTP - 12.05.2010
Sem confirmar as medidas que estão a ser discutidas com o primeiro-ministro, para redução do défice, o líder do PSD, Passos Coelho, apontou o que estará a ser analisado.
O corte de cinco por cento nos salários em Espanha é um sinal do que pode estar a ser preparado para Portugal. "Não quero, nesta altura, fixar uma meta para o sacrifício que vai ter de ser feito, mas não há dúvida que nós vamos ter de fazer sacrifícios", afirmou.
RTP - 12.05.2010Sem confirmar as medidas que estão a ser discutidas com o primeiro-ministro, para redução do défice, o líder do PSD, Passos Coelho, apontou o que estará a ser analisado.
O corte de cinco por cento nos salários em Espanha é um sinal do que pode estar a ser preparado para Portugal. "Não quero, nesta altura, fixar uma meta para o sacrifício que vai ter de ser feito, mas não há dúvida que nós vamos ter de fazer sacrifícios", afirmou.
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Que se procedam então aos cortes e aos sacrifícios que a crise já vai longa
Que se procedam então aos cortes e aos sacrifícios que a crise já vai longa
Sobre uma pedra larga, metade fincada no chão, no alto, acima da escadaria, um grupo de desempregados segura um político a soldo da Banca, e armados de uma pedra, um ferro ou uma navalha, abrem-lhe o peito, muito tenso, e arrancam-lhe o coração, erguendo-o pulsante em direção a Bruxelas:
Um ajuntamento de cidadãos, afogados em dívidas aos Bancos, desfolha sobre a mesa um naipe de facas, cutelos, e machados que irão utilizar na operação. De entre os insolventes, escolhem-se aqueles que irão apanhar um banqueiro [escandalosamente engordado durante a "crise financeira"]. Cinco deles irão segurá-lo em cada um dos membros e um outro pela cabeça. Um deles desfere então o golpe fatal que se quer rápido e certeiro. E enquanto lhe extirpa energicamente o coração e o sangue jorra, o usurário oscila em espasmos violentos na sua luta derradeira. Em jorros de dor, o agiota atroa os ares. E é tamanha a força com que o órgão pulsa e palpita, que chega a levantar do chão três ou quatros vezes até esfriar:
Fernando Madrinha - Jornal Expresso 01.09.2007Para um breve retrato deste nosso país singular onde cada vez mais mulheres dão à luz em ambulâncias - e assim ajudam o ministro Correia de Campos a poupanças significativas nas maternidades que ainda não foram encerradas -, basta retomar três ou quatro notícias fortes das últimas semanas. Esta, por exemplo: centenas e centenas de famílias pedem conselho à Deco porque estão afogadas em dívidas à banca. São pessoas que ainda têm vontade e esperança de cumprir os seus compromissos. Mas há milhares que já não pagam o que devem e outras que já só vivem para a prestação da casa. Com o aumento sustentado dos juros, uma crise muito séria vem aí a galope.
Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. Daí que os manda-chuvas do Millenium BCP se permitam andar há meses numa guerra para ver quem manda mais, coisa que já custou ao banco a quantia obscena de 2,3 mil milhões de euros em capitalização bolsista. Ninguém se rala porque, num país em que os bancos são donos e senhores de quase tudo, esse dinheirinho acabará por voltar às suas mãos.
Na aparência, nem o endividamento das famílias nem a obesidade da banca têm nada a ver com os ajustes de contas na noite do Porto. Porém, os negócios que essa noite propicia - do álcool que se vende à droga que se trafica mais ou menos às claras em bares e discotecas, segundo os jornais - dão milhões que também passam pelos bancos. E quanto mais precária a situação das tais famílias endividadas e a daquelas que só não têm dívidas porque não têm crédito, mais fácil será o recrutamento de matadores, de traficantes e operacionais para todo o tipo de negócios e acções das máfias que se vão instalando entre nós.
Quer dizer, as notícias fortes das últimas semanas - as da tal «silly season», em que os jornalistas estão sempre a dizer que nada acontece - são notícias de mau augúrio. Remetem-nos para uma sociedade cada vez mais vulnerável e sob ameaça de desestrutruração, indicam-nos que os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais. Quem pode voltar optimista das férias?
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