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segunda-feira, outubro 22, 2012

Financial Markets For Dummies ou, como quem diz, os Mercados Financeiros explicado a Idiotas


Expresso - 27-12-2010: O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, apelou aos líderes europeus para estarem "mais calados em relação à crise da dívida soberana" e "perceberem que os mercados financeiros estão a ouvir".

Cavaco Silva colocou-se ao lado de Durão Barroso no apelo ao silêncio sobre a crise, não fosse dar-se o caso, o Diabo seja surdo, de os "mercados" ouvirem as lamechices dos dirigentes europeus...


O Sr. Aníbal, de Boliqueime


A Bola.PT - 27.12.2010:

O Presidente da República, Cavaco Silva, considerou esta noite «muito sensato» o apelo de Durão Barroso para a contenção nos discursos sobre a crise financeira na Europa.

«Há pessoas em Portugal que parecem não saber que os nossos credores são as companhias de seguros, os fundos de pensões, os fundos soberanos, os bancos internacionais e os cidadãos espalhados por esse mundo fora», acrescentou Cavaco Silva, para quem as «palavras de insulto» terão como única consequência «mais desemprego para Portugal.»

O Presidente da República espera agora que o «bom senso» de Durão Barroso chegue «a alguns políticos portugueses». «Esses políticos têm, acima de tudo, falta de conhecimento quanto ao comportamento dos nossos credores, ou seja, daqueles que nos emprestam dinheiro», ressalvou Cavaco Silva.


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Vicenç Navarro López


Vicenç Navarro López é um sociólogo e politólogo espanhol. É especialista em economia política, foi professor catedrático de Economia Aplicada na Universidade de Barcelona, onde é actualmente professor catedrático de Ciências Políticas e Sociais na Universidade Pompeu Fabra. É também professor na Universidade Johns Hopkins de Baltimore [EUA].

Artigo publicado por Vicenç Navarro no diário PÚBLICO, 20 de Maio de 2010

Tradução de Paula Sequeiros


Que mercados financeiros?

Na realidade, os mal denominados mercados têm muito pouco de mercado. São bancos com muito lucro e poucos riscos. Se os mercados financeiros fossem mercados de verdade, os bancos teriam de absorver as perdas em investimentos financeiros falidos.

Este artigo assinala que os mal denominados mercados financeiros não correspondem às características que definem os mercados, pois os seus agentes – os bancos – gozam dum grande proteccionismo fornecido pelos estados, assim como por instituições internacionais – como o Fundo Monetário Internacional – que garantem os seus exuberantes lucros à custa de enormes reduções dos gastos públicos e da protecção social das populações. O artigo mostra exemplos deste proteccionismo no caso dos EUA e na mal denominada "ajuda" do FMI-Euro aos países com elevados défices e dívida pública, como a Grécia, que constitui na realidade uma ajuda primordialmente aos bancos europeus.

A linguagem que se utiliza para explicar a crise é uma linguagem que aparenta ser neutra, meramente técnica, quando, na realidade, é profundamente política. Assim, dizem-nos que os "mercados financeiros" estão a forçar os países da União Europeia e, muito em especial, os países mediterrânicos – Grécia, Portugal e Espanha – e Irlanda, a seguir políticas de grande austeridade, reduzindo os seus défices e dívida públicos, com o objectivo de recuperar a confiança dos mercados, condição necessária para alcançar a recuperação económica. Como disse há uns dias Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE): "A condição para a recuperação económica é a disciplina fiscal, sem a qual os mercados financeiros não certificam a credibilidade dos estados" (Financial Times, 15-05-10).

A realidade, contudo, é muito diferente. Estas medidas de austeridade, promovidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela União Europeia (UE), estão a criar uma grande deterioração da qualidade de vida das classes populares, pois estão a afectar negativamente a sua protecção social e estão a destruir emprego, dificultando a sua recuperação económica. Assim aconteceu na Lituânia, onde o PIB diminuiu 17% e o desemprego alcançou 22% da população activa (veja-se o meu artigo Quién paga los costes del euro ?). Uma situação semelhante ocorrerá nos países citados anteriormente.



Pareceria, pois, que são os mercados financeiros que estão a impor estas políticas aos governos. Ora bem, que quer dizer “os mercados financeiros”? Em teoria, na dogmática liberal que domina os establishments europeus (o Conselho Europeu, o BCE e a Comissão Europeu, assim como nos governos da maioria dos países da UE), os mercados são um processo de livre comércio entre agentes financeiros – os bancos – que obtêm benefícios para compensar os seus riscos, pois que se assume que existem riscos em tais mercados. Mas tal retórica não define a realidade, pois tais entidades – os bancos – operam em âmbitos e instituições enormemente proteccionistas dos seus interesses, nos quais o risco, em geral, brilha pela ausência. Na realidade, os mal denominados mercados têm muito pouco de mercado. São bancos com muito lucro e poucos riscos. E o que está a acontecer mostra a certeza deste diagnóstico.

Nos EUA, onde existe amplo consenso sobre o facto de que a crise financeira foi iniciada pelos comportamentos de Wall Street, a crise bancária foi resolvida com a entrega aos bancos de quase um bilião de dólares pagos pelo Estado, que beneficiou enormemente os banqueiros e os seus accionistas, conseguindo inclusive mais benefícios do que os que tinham antes da crise. A obscenidade de tais benefícios e as práticas desonestas e criminosas dos banqueiros (causadores da crise) explicam a sua enorme impopularidade e a de tais medidas, que não se repercutiram favoravelmente sobre a população, que viu como os seus padrões de vida diminuíram devido à crise provocada pelos bancos. Não foram os mercados, mas os bancos e os seus políticos no Congresso (com nomes e apelidos conhecidos) e nas administrações Clinton, Bush e Obama (também com nomes e apelidos conhecidos) que criaram a crise, salvaram os bancos e agora apelam à austeridade.

Uma situação quase idêntica está a acontecer na UE. Os comportamentos especulativos da banca europeia foram consequência de decisões políticas que desregularam a banca, decisões que se tomaram particularmente, não apenas em Wall Street, mas também nos centros financeiros, principalmente a City de Londres e Frankfurt, consequência da enorme influência da banca sobre os governos britânico e alemão. A mal denominada “ajuda” do FMI-EU (de 750.000 milhões de euros) aos países com dificuldades não é uma ajuda às populações daqueles países, mas sim aos bancos (e muito em especial aos alemães e franceses) para assegurar-lhes que os Estados lhes pagarão as dívidas com os juros confiscatórios que exigiram. Na realidade, se os mercados financeiros fossem mercados de verdade (e, portanto, houvesse competitividade e risco no seu comportamento), os bancos teriam de absorver as perdas em investimentos financeiros falidos. Se o Governo da Grécia, por exemplo, fosse à bancarrota, a banca alemã teria de absorver as perdas por ter tomado a decisão de comprar cupões do Estado grego.


ENCONTRE AS DIFERENÇAS
Dez anos após a aplicação de um programa de ajustamento estrutural do FMI

Ora bem, isto não acontece nos mal denominados mercados financeiros devido a haver toda uma série de instituições que protege os bancos. E a mais importante é o FMI, que empresta dinheiro aos Estados para que o paguem aos bancos. Daí que, como nos EUA, os bancos nunca perdem. Quem perde são as classes populares, pois o FMI exige aos governos que extraiam o dinheiro dos serviços públicos das tais classes populares para pagar aos bancos. O que o FMI faz é a transferência de fundos das classes populares para os bancos. Isto é o que se chama "conseguir a credibilidade dos Estados face aos mercados".

Estas transferências, contudo, além de serem profundamente injustas, são enormemente ineficientes. O fracasso das políticas de austeridade propostas pelo FMI nos países em crise é bem conhecido, o que explica o descrédito de tal instituição. O FMI, desde a era Reagan, é a organização financeira que impôs mais sacrifícios às classes populares dos países que receberam a "sua ajuda", com resultados económicos altamente negativos, tal como denunciou correctamente Joseph Stiglitz. Não são os mercados, mas os interesses bancários e seus aliados – entre os quais se destacam o FMI e o BCE – que estão a impor estes sacrifícios. Ao menos, chamemos os culpados pelo nome.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Cavaco Silva pede silêncio sobre a rapina ao nosso país cometida por agiotas internacionais

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Expresso - 27-12-2010: O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, apelou aos líderes europeus para estarem "mais calados em relação à crise da dívida soberana" e "perceberem que os mercados financeiros estão a ouvir".


Cavaco Silva ao lado de Durão Barroso no silêncio sobre a crise

O Sr. Aníbal, de Boliqueime

A Bola.PT - 27.12.2010:

O Presidente da República, Cavaco Silva, considerou esta noite «muito sensato» o apelo de Durão Barroso para a contenção nos discursos sobre a crise financeira na Europa.

«Há pessoas em Portugal que parecem não saber que os nossos credores são as companhias de seguros, os fundos de pensões, os fundos soberanos, os bancos internacionais e os cidadãos espalhados por esse mundo fora», acrescentou Cavaco Silva, para quem as «palavras de insulto» terão como única consequência «mais desemprego para Portugal.»

O Presidente da República espera agora que o «bom senso» de Durão Barroso chegue «a alguns políticos portugueses».

«Esses políticos têm, acima de tudo, falta de conhecimento quanto ao comportamento dos nossos credores, ou seja, daqueles que nos emprestam dinheiro», ressalvou Cavaco Silva.




Comentário

Afirma o Sr. Aníbal haver gente ingrata em Portugal que parece desconhecer quem são os nossos beneméritos credores financeiros e que se mostra mal-agradecida pelas imensas benfeitorias que, da parte deles, temos sido alvo.

E o Sr. Aníbal enumera essas entidades notáveis:

1Companhias de Seguros (que estão nas mãos dos bancos).

2 - Fundos de Pensões - geridos por Companhias de Seguros ou Sociedades Gestoras de Fundos de Pensões (que estão, umas e outras, nas mãos dos bancos).

3 - Fundos Soberanos - Instrumentos Financeiros adoptados por alguns países que utilizam parte das suas imensas reservas de divisas para adquirir participações em empresas estrangeiras, com objectivos financeiros (obter os maiores dividendos possíveis) e estratégicos.

4 - Bancos Internacionais.

5 - Cidadãos espalhados por esse mundo fora (como são os casos de Barker, Maalouf, Raymond, Bauer, Ortiz, Hiroyuki, Blomqvist, Mendoza, Krüger, Espírito Santo, Ryzhkov, Barnes, Dąbrowski e tantos outros).


Como não concordar de alma e coração com o Sr. Aníbal (e o Barroso, da Cimeira dos Açores), quando estes barafustam, e com razão, pela nossa ingratidão para com todos estes admiráveis benfeitores que se atropelam para nos emprestar dinheiro com juros a 7% por forma a que possamos sair da crise?
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domingo, dezembro 13, 2009

Tony Blair, um filho da puta a quem uma larga percentagem da população mundial teria todo o gosto em enfiar uma bala na cabeça

Blair defende decisão de invadir Iraque

A invasão do Iraque justificou-se apesar de não estar provada a existência de armas de destruição maciça naquele país, considerou hoje, sábado, o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair, que envolveu a Grã-Bretanha na guerra em 2003.

"A convicção era que representava uma ameaça para a região, sobretudo pela suposta existência de armas de destruição maciça (ADM), mas é certo que [Saddam Hussein] utilizou armas químicas contra a sua própria população", justificou Blair numa entrevista à cadeia televisiva BBC1.

Interrogado sobre o envolvimento do seu país na guerra do Iraque em Março de 2003, apesar de Saddam Hussein não possuir armas de destruição maciça, Blair continua a pensar que "foi justo derrubá-lo" devido à ameaça que constituía para a região.


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O jornal Los Angeles Times, já em Setembro de 2007, falava em mais de um milhão de civis iraquianos mortos em função da invasão americana. Entretanto, já passaram mais de dois anos desde essa contagem:



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Crianças iraquianas assassinadas em resultado da suposta existência de armas de destruição maciça inventadas por Blair, Bush e outros escroques que trabalham para o complexo-militar-petrolífero, propriedade da Banca Internacional:



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Durão Barroso, outro escroque «convicto» da existência de armas de destruição maciça no Iraque, faz igualmente parte do grupo de genocidas merecedor de uma pena capital:

O CHERNE

Em entrevista ao SEMANÁRIO (2/1/2006), Daniel Estulin diz que as suas fontes lhe confirmaram que Henry Kissinger terá dito o seguinte sobre Durão Barroso: é "indiscutivelmente o pior primeiro-ministro na recente história política. Mas será o nosso homem na Europa".


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Sílvio Berlusconi, outro mafioso com responsabilidades na destruição do Iraque, foi hoje agredido na cara com uma pequena réplica da catedral do Duomo que lhe partiu dois dentes e fracturou o nariz. Uma pequena migalha de justiça divina:

IL CAVALIERI
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quinta-feira, abril 24, 2008

O Sr. Silva e o Jardim além-mar plantado



Texto de Miguel Sousa Tavares (Expresso 19/04/2008)

Cavaco no estrangeiro

«Os relatos da longa visita de Cavaco Silva à Madeira - uma semana inteira, que a agenda divulgada está longe de justificar - deixaram-me a estranha sensação de que o Presidente está de visita a um país estrangeiro: uma espécie de Palop, só que um Palop muito especial onde pagamos um alto preço por a bandeira nacional ainda flutuar onde o governo local consente.

A visita começou mal antes mesmo de começar. Primeiro, porque foi antecedida de uma outra da segunda figura do Estado - essa anémona política que é Jaime Gama - que resolveu entronizar o dr. Jardim como símbolo supremo da vida democrática: o presidente do Parlamento nacional propondo como exemplo alguém que trata o parlamento regional como um lugar onde coabitam um bando de eunucos às suas ordens e “um bando de loucos” que se atreve a pôr em causa os ensinamentos do querido líder. Depois, porque antes mesmo de embarcar, já Cavaco tinha feito divulgar um comunicado anunciando ao que ia: elogiar a ‘obra’ do dito líder. E, enfim, porque, à partida, já o Presidente sabia que a sua agenda era determinada pelo dr. Jardim e de acordo com os seus desejos: estava afastado da Assembleia Regional, para que os “loucos” não envergonhassem a Região; estava afastado das traseiras da obra de sucesso do querido líder, onde entre 20 a 30% da população vivem abaixo do limiar de pobreza e em condições que deveriam obrigar o Presidente da República a perguntar alto e bom som para onde foi o dinheiro, além dos túneis e viadutos para encher o olho; e, finalmente, porque apenas lhe era consentido - e ele aceitou - receber a oposição representada no parlamento regional em “encontros informais”, no hotel onde Sua Excelência se hospedava, tal qual como receberia amigos ou conhecidos locais. E Cavaco Silva - o “sr. Silva” de Alberto João Jardim - aceitou tudo isto, muito mais do que é normal aceitar numa visita ao estrangeiro.

A visita de Cavaco à Madeira é uma nódoa que não sairá tão cedo, um momento de vergonha e capitulação que veio manchar uma Presidência até aqui pacífica, louvada e isenta de riscos. Mas, na primeira vez em que tinha de correr riscos políticos e assumir-se como representante primeiro da nação portuguesa, Cavaco Silva mostrou a massa de que é feito. E deixou muitas saudades de Presidentes com coragem e capazes de distinguir aquilo que, às vezes, é essencial e de que não há forma de fugir. Tivemos dois desses: Eanes e Mário Soares. Cavaco não tem esse instinto democrático inato: é um democrata por educação, não por natureza. Já o sabíamos, mas foi penoso ter de o recordar e logo a pretexto desta fantochada interminável e menor que é a longa chantagem de trinta anos que o dr. Jardim exerce sobre os órgãos de soberania e a política portuguesa.

O que eu gostava que um Presidente da República do meu país fosse fazer à Madeira era que, em lugar de se juntar ao coro dos elogios à ‘obra’ do dr. Jardim, tivesse um elogio para os portugueses que, trabalhando e pagando impostos ao longo de trinta anos, contribuíram para que a ‘obra’ se fizesse e para que o dr. Jardim fosse sucessivamente reeleito à conta disso. Que tivesse a coragem de resgatar a dívida de gratidão que a Madeira tem para com Portugal e que tem sido paga pelo dr. Jardim com intermináveis insultos e provocações, como se fosse nosso dever pagar e calar em troca do privilégio de a Madeira continuar portuguesa. Gostava que o Presidente explicasse aos madeirenses que ser português não é o resultado de uma conta de merceeiro, em que se pesa o deve e o haver e em que se reivindicam todos os direitos e se exige isenção de todos os deveres. E que, a continuar por este caminho, chegará o dia em que os portugueses vão exigir, não a “autonomia sem limites” de que falava o infeliz Luís Filipe Menezes, mas sim a independência da Madeira: a independência declarada por Portugal, entenda-se; não a independência declarada pela Madeira. Que chegará o dia em que os portugueses se vão perguntar por que é que hão-de continuar a sustentar o poder, os negócios e o exibicionismo mediático daquelas figuras patibulares que esperavam Cavaco no aeroporto do Funchal. A mim, se me perguntarem se quero continuar a pagar impostos para sustentar esta ‘autonomia’ da Madeira, representada e usufruída por aquela gente, eu respondo já que não. Que vão à vida deles e que arranjem quem lhes pague as contas, porque a mim nunca me pagaram para ser português nem eu aceitaria.

Cavaco Silva deveria ter mais cuidado, mais sensibilidade política e mais noção de Estado ao afirmar que “nenhum português contesta hoje a autonomia regional”. Qual autonomia: a que custa 60, a que custa 90 ou a que custa 120 milhões por ano?

Eu faço parte de um grupo, só aparentemente minoritário, dos que não acham o dr. Alberto João Jardim “engraçadíssimo”. Não lhe acho mesmo piada nenhuma. Portugal já não é, felizmente, aquela tristíssima gente que vimos nas reportagens televisivas desta semana à espera da comitiva dos drs. Cavaco e Jardim. Aquilo é o Portugal no seu pior - inculto, ignaro, subserviente perante o poder, mendicante, reverente, alimentado a ‘sopas de cavalo cansado’ e vendendo o voto por um chafariz. E também não sou sensível àqueles supostos esgares de humor de Cavaco Silva, debitando banalidades grandiloquentes, quando desce ao ‘povo’, protegido por um eterno esquadrão de gorilas que jamais dispensa. Acho tudo aquilo uma fantochada, o Américo Tomás revisitado num país que eu desejo para sempre defunto e sepultado.

Esta viagem de Cavaco à Madeira serviu para me explicar, se eu não soubesse já, a razão pela qual jamais votei ou votarei neste homem. Porque, ao contrário do que ele parece pensar, não é o cargo que está ao serviço dele, mas ele que deveria estar ao serviço do cargo. E não esteve.
»


Comentário:

Mas o Expresso não gosta de deixar assim maltratados os seus políticos favoritos por escritorzecos tão «out of the main stream».

Para compensar o mau génio de Sousa Tavares, o jornalista do Expresso João Garcia, o das fotografias e dos comentários do «Altos & Baixos», não faz a coisa por menos: dá um Alto a um cúmplice de genocídio e um Altíssimo a uma nódoa presidencial:

João Garcia: «Cavaco Silva Presidente da República - O "sr. Silva" deve estar a ter uma das visitas de Estado mais divertidas desta República. Surpreendido com o dislate sobre o "bando de loucos", o chefe de Estado não tem perdido a oportunidade para elogiar o bom senso, a dignidade, a moderação, a serenidade e a sobriedade das diferentes personalidades com que se cruza na Madeira. Só se tem esquecido do líder».

Garcia coloca ainda, para contraste, as caras de Menezes e de Avelino Ferreira Torres na secção dos «Baixos». Em vão! Nódoa por nódoa, assassino por assassino, os «Baixos» pecam apenas por ingenuidade e benevolência.

Tal pasquim, tal «democracia», tal merda.
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sábado, novembro 24, 2007

Chávez vs. Bush vs. Sócrates

Miguel Sousa Tavares - Expresso 24/11/2007

«Se as coisas, como as pessoas, fossem sempre lineares, não me custaria nada reconhecer que Hugo Chávez não é o tipo de democrata que eu recomendaria nem a Venezuela é o tipo de democracia em que eu mais gostaria de viver. Mas as coisas não são lineares: se o fossem, ninguém concederia a George Bush o epíteto de democrata. Aliás, na comparação, ele só sai a perder

«Chávez chegou ao poder por golpe de Estado, mas fez-se eleger e reeleger em eleições cuja credibilidade ninguém contestou, assim como ninguém pode seriamente contestar que ele tem o apoio efectivo de uma maioria consolidada de venezuelanos. É certo que vai fazer plebiscitar uma emenda constitucional que lhe permitirá fazer-se reeleger e perpetuar indefinidamente no poder - coisa que não é bonita, mesmo se plebiscitada, mas que tantos outros fazem, sem necessidade de emendas constitucionais: veja-se Alberto João Jardim na Madeira ou Jardim Gonçalves no BCP. Também é verdade que fez com se calasse uma televisão privada que lhe era politicamente desafecta (não a mandou calar, como os críticos gostam de dizer, limitou-se a não renovar a licença) e que domina amplamente os meios de informação venezuelanos. Mas ainda funciona uma estação de televisão, jornais e rádios da oposição e não consta que haja presos políticos

«Em contrapartida, Bush não chegou ao poder por golpe de Estado - pelo menos com armas na mão - mas chegou por batota eleitoral (a menos que se queira acreditar que os negros da Florida votaram maciçamente por ele, contra Al Gore). A seguir, fabricou uma guerra e todas as ‘provas’ necessárias a arrastar para ela os Estados Unidos e os aliados, de modo a fazer valer a tradição americana de que ‘um Presidente em guerra’ é sempre reeleito. Não fechou órgãos de informação, mas falsificou a informação sempre que isso lhe conveio para esconder a verdade e conduzir políticas ocultas do Congresso e da opinião pública. Também não tem presos políticos internos, mas tem-nos, de outras nacionalidades, mantidos em prisão em Guantánamo, sem quaisquer direitos, nem prazo, nem acusações, naquela que é uma das situações mais vergonhosas de direitos humanos em vigor no mundo de hoje e a mais vergonhosa em qualquer democracia

«Odiado pelos Estados Unidos e por meio mundo, Chávez tem feito mais pelo seu povo do que muitos dos seus antecessores, enquanto que George W. Bush o que fez foi gastar o dinheiro que Clinton lhe deixou nos cofres a financiar os ricos e a tirar aos pobres, fez os Estados Unidos regredirem em todos os capítulos económicos, científicos e ambientais, desprestigiou a América aos olhos do mundo e tornou este um lugar bem mais perigoso para viver graças à sua irredutível ignorância e arrogância. Até já o amigo Durão Barroso, que nos tempos épicos da cimeira das Lages gostava que se soubesse que o tratava por ‘George’, acha mais prudente agora cavar distâncias e dizer-se ‘enganado’. Só mesmo o director do ‘Público’ - que tão entusiasta foi da ‘justa’ guerra do Iraque e que conseguiu ver nas imagens da estátua derrubada de Saddam uma espécie de reinvenção das imagens dos marines a desembarcar em Omaha Beach, em nome da liberdade - é que pode achar agora que perigoso é “ficar à mercê de demagogos mediáticos” como Hugo Chávez.»

«É verdade que um demagogo é sempre perigoso, mas um demagogo no poder num país como a Venezuela, mesmo com o petróleo, não pode fazer grande mal ao mundo. Um mentiroso, no poder num país como os Estados Unidos, pode fazer e faz

«Por uma vez, a nossa habitual diplomacia de não fazer ondas com ninguém até teve razão de ser. Por que razão, de facto, haveríamos de ter Chávez como inimigo ou alvo a abater? Porque isso agradaria ao embaixador dos Estados Unidos em Lisboa? É ele que está em condições de garantir que, se hostilizássemos Chávez, em nome de uma estúpida solidariedade ocidental de espécie confusa, os Estados Unidos estariam de braços abertos para acolher a comunidade lusa de 400.000 almas que vive na Venezuela? E em nome de que coerência de princípios disse Luís Filipe Menezes esperar que Sócrates não deixasse de “abordar o tema dos direitos humanos” com Chávez? Será que espera o mesmo nas relações com Angola ou com a China - essas, sim, verdadeiras ditaduras - onde o bloco central dos empresários tem ou espera vir a ter negócios milionários, garantidos pela cobertura do Estado e por relações sem ondas com as nomenclaturas locais? O dr. Menezes sente-se capaz de explicar ao sr. Américo Amorim que, se um dia for primeiro-ministro, vai pôr o tema dos direitos humanos no topo da agenda das relações com Angola

«Eu prefiro Hugo Chávez a George W. Bush. Para começar, porque se fosse venezuelano ou latino-americano e se houvesse um Bush na Casa Branca, eu também seria ferozmente antiamericano. Depois, porque acho mais saudável alguém que diz a verdade que lhe vem à boca, ainda que muitas vezes disparatada e inconveniente, do que alguém que lê frases feitas no teleponto e por trás dos microfones faz o oposto do que diz e promete. E, finalmente e não menos importante, porque preferia mil vezes jantar com Chávez do que com Bush. Mesmo que, a certa altura e cansado de o ouvir, tivesse de o mandar calar, como fez, e bem, o rei de Espanha.»


Comentário:

Miguel Sousa Tavares diz que prefere Hugo Chávez a George W. Bush. Pois eu prefiro Bush a Sócrates.


É verdade que Bush chegou ao poder por batota eleitoral. É verdade que Bush fabricou uma guerra e todas as ‘provas’ necessárias a arrastar para ela os Estados Unidos e os aliados. É verdade que Bush falsificou a informação sempre que isso lhe conveio para esconder a verdade e conduzir políticas ocultas do Congresso e da opinião pública. É verdade que Bush tem presos políticos em Guantánamo, sem quaisquer direitos, nem prazo, nem acusações, naquela que é uma das situações mais vergonhosas de direitos humanos em vigor no mundo de hoje e a mais vergonhosa em qualquer democracia. E também é verdade que Bush engendrou o 11 de Setembro, que causou cerca de 3 mil mortos nos EUA, para justificar uma guerra infinita «ao terrorismo».

Mas Bush fez tudo isso às claras. Toda a gente percebeu que as três torres de Manhattan só podiam ter caído por demolição controlada. Toda a gente compreendeu que o NORAD (Comando de Defesa Aeroespacial Norte-americano) teve todo o tempo do mundo para interceptar os aviões sequestrados e só não o fez por ordens superiores. Toda a gente soube que no buraquito que apareceu na fachada do Pentágono não cabia um Boeing 757. Bush pode não o ter dito directamente, mas deixou os indícios necessários para que qualquer pessoa, por bronca que seja, percebesse de imediato que se tratava de um "inside job". Bush, praticamente, gritou-nos aos ouvidos que era um simples funcionário do complexo militar-industrial e que estava ali unicamente para encher os bolsos às indústrias da defesa e do petróleo. Bush, na sua malvadez, foi franco nas pistas que espalhou por todo o lado.

Sócrates é mais sinistro. Sendo, embora, um declarado funcionário do lobby bancário-betoneiro, o Primeiro-Ministro faz a coisa pela calada. A coberto dos dez úteis estádios de futebol que mandou erigir para o Euro 2004, Sócrates quer impingir-nos agora um megalómano aeroporto que o país não precisa e TGVs desmedidamente dispendiosos de que Portugal não tem necessidade.

Como afirmou Miguel Sousa Tavares (Expresso 07/01/2006):

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita. [...] Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»



Não haja dúvida, entre a criminosa honestidade de Bush e a perversidade encapotada de Sócrates, prefiro de longe o primeiro.
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domingo, novembro 18, 2007

Durão Barroso - o homem de mão de Bush na Europa

Numa entrevista à TSF e ao Diário de Notícias, Durão Barroso afirma que recebeu informações sobre o Iraque que não eram verdadeiras, recordando a célebre Cimeira dos Açores.

"Houve informações que me foram dadas, a mim e a outros, que não corresponderam à verdade. Tive documentos na minha frente dizendo que o Iraque tinha armas de destruição maciça. Isso não correspondeu à verdade", disse.

Apesar de tudo, Durão Barroso acha que Portugal nada tem a lamentar sobre o papel que assumiu e a prova disso é a sua própria situação. "Portugal, ao dizer que sim ao seu aliado norte-americano, não perdeu espaço com isso, nem tem que estar arrependido. Eu fui, depois dessas decisões, convidado a ser Presidente da Comissão Europeia, e tive o consenso de todos os países europeus."

Durão lembra que o Presidente Bush teve um apoio quase unânime nos Estados Unidos quando decidiu invadir o Iraque. Simplesmente, como a operação correu muito mal, muitos tentam agora fugir às responsabilidades.

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"Eu fui, depois dessas decisões, convidado a ser Presidente da Comissão Europeia, e tive o consenso de todos os países europeus", disse o «nosso» Barroso. Daniel Estulin, em entrevista ao SEMANÁRIO, dá outra explicação para o brilhante trajecto político do "CHERNE" Barroso:

Estulin diz que as suas fontes lhe confirmaram que Henry Kissinger, um membro permanente de Bilderberg, terá dito o seguinte sobre Durão Barroso: é "indiscutivelmente o pior primeiro-ministro na recente história política. Mas será o nosso homem na Europa".

Como nota de referência, Estulin acrescenta que tem relatórios de várias fontes internas da reunião de Bilderberg que referem a fraca capacidade oral e a fraca personalidade de Barroso.


terça-feira, julho 10, 2007

José Manuel Fernandes - As inquietações de Sócrates e Barroso com a «independência» do Banco Central Europeu

Segundo José Manuel Fernandes, director do Público, o presidente francês Nicolas Sarkozy tem apresentado propostas que deveriam inquietar José Sócrates e Durão Barroso. A principal, segundo Fernandes, é o ataque à independência do Banco Central Europeu:

Jornal Público – 10 de Julho de 2007

«A primeira [proposta], formalmente descartada pela maioria dos Governos, mas apoiada à boca pequena por alguns dos líderes europeus (incluindo José Sócrates), é a do estatuto de independência do Banco Central Europeu.»

«Neste domínio devemos distinguir dois aspectos: uma coisa é querer discutir as suas prioridades consagradas nos estatutos, outra é querer submetê-lo às orientações de um quimérico "governo económico europeu"

«É possível discutir os estatutos: os do BCE apenas consagram o seu dever de controlar a inflação, mas não é impossível que também incluam como prioridade o crescimento económico, formando o binómio que orienta a Reserva Federal dos Estados Unidos.»

«Mas já não é possível querer que os banqueiros manipulem as taxas de juro ou mesmo as de câmbio em função de directrizes políticas, muitas vezes conjunturais e politiqueiras até ao limite do razoável.»


Comentário:

Estando a inflação controlada abaixo dos 2% e com tendência a diminuir, e com os analistas económicos a afirmar que é difícil entender os motivos que levam o Banco Central Europeu a continuar a subir os juros, é compreensível a preocupação de José Manuel Fernandes com a manipulação das taxas de juro por parte dos banqueiros em função de directrizes políticas.

O conceituado editorialista do Público defende uma manipulação das taxas de juro em função de objectivos mais nobres:

O lucro do Millennium BCP atingiu 191 milhões de euros no primeiro trimestre do ano. Os resultados em base recorrente cresceram 16% nos primeiros três meses do ano.

O Banco Espírito Santo divulgou quinta-feira um lucro de 139,8 milhões de euros no primeiro trimestre, mais 33% que no período homólogo...

O BPI obteve um resultado líquido de 96,8 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, um valor que corresponde a uma subida de 30 por cento face a igual período do ano anterior.

O resultado do Banco Bilbao Viscaya y Argentaria (BBVA) subiu para pouco mais de 1,25 mil milhões de euros, mais 23% no resultado líquido no primeiro trimestre de 2007.

O Banco Santander Central Hispano obteve um resultado líquido de 1,8 mil milhões de euros, no primeiro trimestre do ano. Este valor representa mais 21% que no período homólogo...


As sanguessugas partilham das preocupações de Sócrates e Barroso no tocante à «independência» do Banco Central Europeu

terça-feira, julho 03, 2007

Durão Barroso - um indivíduo com as mãos sujas de sangue


A 18 de Março de 2003, na intervenção com que abriu o debate mensal no Parlamento, Durão Barroso responsabilizou o regime iraquiano por ter assumido uma «estratégia de confronto e de desprezo pela comunidade internacional»

«Mas caso uma intervenção militar venha a ter lugar, Portugal vai estar, no plano político e dos princípios, ao lado dos seus amigos e aliados contra uma ditadura que ameaça a paz e a segurança dos povos», ressalvou Durão Barroso. Para isso, há que «garantir a integridade territorial» do país, «auxiliar o povo iraquiano a reintegrar-se na nossa comunidade global» e «apoiar o estabelecimento de um regime democrático no respeito pelos direitos humanos e pela legalidade internacional».

Referindo-se à cimeira dos Açores, realizada a 16 de Março de 2003, o primeiro-ministro afirmou que Portugal se identifica totalmente com a «mensagem transatlântica» saída do encontro que reuniu George W. Bush, e os primeiros-ministros da Grã Bretanha, Espanha e Portugal.


Em Outubro de 2006, a BBC estimava que já tivessem morrido 655 mil iraquianos em resultado da invasão, entre os quais uma grande percentagem de mulheres e crianças. Desde esta data a violência aumentou de forma drástica. Provou-se que as armas de destruição maciça de Saddam só existiram na cabeça de Bush e Barroso. Dois responsáveis de um Holocausto sem nome:


TV Blogo - Durão Barroso e o Iraque

TV Blogo - Barroso

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