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quinta-feira, março 25, 2010

The End of Work



Introdução à edição de 2000 do livro «O FIM DO TRABALHO [The End of Work]»

Por Jeremy Rifkin


Durante os cinco anos que passaram desde que publiquei "O Fim do Trabalho", o desemprego estrutural manteve-se perigosamente elevado na Europa e noutros países do mundo, não obstante ganhos tanto na produtividade global como no produto interno bruto. Em 1995, 800 milhões de pessoas estavam desempregadas ou subempregadas. Hoje [2000], mais de mil milhões de pessoas encontram-se numa destas duas categorias.

Paradoxalmente, nos Estados Unidos, falando numa das maiores nações industriais, o desemprego baixou para um recorde de 4%, levantando a questão se o país teria sozinho encontrado a fórmula do sucesso na nova economia. Na realidade, os ganhos de emprego nos Estados Unidos têm menos a ver com razões económicas e mais com uma combinação de remendos a curto prazo que podem dar a aparência de uma economia robusta, mas que escondem uma negra realidade.

Para começar, os Estados Unidos contam os seus trabalhadores desempregados de uma forma muito limitada. Se os benefícios de um trabalhador desempregado acabam e ele ou ela desistem de procurar trabalho, são considerados como trabalhadores "desistentes" e não contam para os números oficiais do desemprego. Pode-se caminhar pelas ruas de qualquer cidade americana e encontrar um grande número de homens e mulheres desempregados. No entanto, poucos deles são considerados "desempregados" pelo ministério do trabalho norte-americano. Em segundo lugar, por incrível que possa parecer, 2% de toda a força de trabalho masculina nos Estados Unidos está actualmente na prisão, de longe a maior percentagem de trabalhadores encarcerados em qualquer país do mundo. Em terceiro lugar, a economia americana trouxe de volta ao trabalho um número recorde de desempregados americanos nos últimos oito anos, criando uma inédita força de trabalho "just in time". Hoje, milhões de trabalhadores americanos são alugados aos empregadores por organizações de trabalho temporário. Milhões deles que outrora tiveram trabalhos a tempo inteiro com os benefícios inerentes, estão agora a trabalhar com contratos a prazo como consultores ou freelancers. Enquanto os níveis de desempregados diminuíram, o número de trabalhadores subempregados aumentou significativamente.



Finalmente, o milagre americano tem, em larga medida, sido comprado a crédito. É impossível compreender a redução dramática do desemprego nos Estados Unidos nos anos mais recentes sem examinar a estreita relação entre a criação de emprego e o crescimento recorde do crédito ao consumo. Este tem vindo a crescer quase há uma década. Companhias de cartões de crédito estão a conceder crédito a níveis sem precedentes. Milhões de consumidores americanos estão a comprar a crédito – e, por isso, milhões de outros americanos regressaram ao trabalho para fabricar os bens e serviços que são comprados.

[...]

A substituição a curto prazo de crédito barato em vez de uma larga redistribuição dos frutos de novos ganhos de produtividade na forma de aumentos de rendimentos e benefícios é um assunto que tem recebido pouca, se alguma, atenção entre os economistas. Até agora, mantém-se o facto de grandes revoluções tecnológicas – como a substituição da máquina a vapor pela electricidade – se espalharem em regra rapidamente, logo que todos os factores críticos estejam presentes. (É bom lembrar que levou várias décadas até o electro-dínamo entrar em operação e obter êxito. Logo que, contudo, todas as condições necessárias se concretizaram, o novo paradigma tecnológico mudou em todas as indústrias em menos de uma década). O problema é que é necessária pelo menos uma geração ou mais até uma nova tecnologia ter começado a operar, para que os movimentos sociais ganhem a devida consistência e força para exigir uma parte justa nos vastos ganhos de produtividade proporcionados pela nova tecnologia. O mesmo fenómeno está a ocorrer hoje. Os ganhos de produtividade trazidos pelas revoluções nas tecnologias de informação e telecomunicações estão finalmente a ser sentidas e, no processo, virtualmente todas as grandes indústrias estão a sentir uma subutilização global da sua capacidade e procura insuficiente pelos consumidores.

[...]

Escondendo os números do desemprego, encarcerando um grande número de trabalhadores masculinos, criando uma força de trabalho "just in time", e aumentando o crédito ao consumo para lubrificar o motor económico, são tudo medidas débeis e temporárias que, no fim de contas, se mostrarão ineficazes a lidar com o desemprego estrutural a longo prazo causado pelo avanço tecnológico e o deslocamento organizacional dos trabalhadores na nova economia. O século XXI será crescentemente caracterizado por uma transição de um emprego de massas para um emprego de elites à medida que mais e mais trabalho na agricultura, indústria e serviços forem executados por tecnologia inteligente. O resultado será que os trabalhadores mais baratos do mundo – desde as linhas de produção da fábrica aos gabinetes profissionais – não serão tão baratos e eficientes como o software inteligente e o wet-ware [software com capacidade lógica humana] que estão aí a chegar para os substituir.



Em meados do século vinte e um, computadores, robotização, biotecnologias e nano-tecnologias serão capazes de produzir bens e serviços baratos e em abundância para a população humana mundial, empregando uma fracção desse trabalho humano mundial no processo. Baseados nas tendências actuais e futuras, na agricultura, na indústria e nos sectores de serviços, no ano 2050, será necessário menos de cinco por cento da população humana do planeta – trabalhando a par de tecnologia inteligente – para produzir todos os bens e serviços necessários à raça humana. Só uma pequena minoria dos CEO (diretores-executivos) com quem falei está convencida que serão necessárias grandes quantidades de trabalho humano para produzir os convencionais bens e serviços daqui a 50 anos. Praticamente todos os outros acreditam que a tecnologia inteligente será a força de trabalho do futuro.

A grande questão será redefinir o papel do ser humano num mundo que não necessitará de quase nenhum trabalho físico e mental humano. Temos ainda de criar uma nova visão social e um novo contrato social suficientemente forte para corresponder ao potencial das novas tecnologias que vão ser introduzidas nas nossas vidas. Até que ponto vamos ser capazes de o fazer, determinará em larga medida se iremos experimentar uma nova renascença ou um período de grande revolta social neste século que agora começou.
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quinta-feira, dezembro 13, 2007

O Fim do Emprego


O Fim do Emprego - Célia Berleze, Gisabele Parize

Texto em português do Brasil:

É preocupante pensar no futuro em relação ao emprego pois, a sociedade está caminhando para um declínio dos empregos. Esta nova fase é resultado do surgimento de novas tecnologias, como o processamento de dados, a robótica, as telecomunicações e as demais tecnologias que aos poucos vão repondo máquinas nas actividades anteriormente efectuadas por seres humanos. De facto, o que vemos hoje é a automatização de escritórios, comércio e indústria a níveis nunca antes observados. Computadores fazem o trabalho de dezenas de seres humanos; robôs, de milhares e a custos infinitamente inferiores, sem férias, dores de cabeça, TPM ou benefícios.

Uma previsão é que os trabalhos perdidos pelo ser humano para as máquinas nunca mais serão feitos por homens. Jeremy Rifkin , autor do livro “O Fim do Emprego”, desmistifica no seu livro todos os paradigmas promovidos pelos interesses de empresários, que garantem que a automatização de seus empreendimentos, apenas irá estimular o crescimento económico.

O autor afirma que a automatização proveniente de máquinas e computadores oferece um ganho em produtividade e uma redução de custos, que a princípio dá a falsa visão de que mais pessoas poderão entrar no mercado de consumo e adquirir bens. O mesmo produto que era inatingível para alguns consumidores, décadas atrás, está hoje em dia nas prateleiras a preços muito acessíveis. Mas a questão é que as pessoas estarão sendo desempregadas.

A teoria - automatização gera maior produção, o que gera a produtividade, que gera preços baixos, os quais aumentam a procura, aumentando por sua vez a produção que aumenta o nível dos empregos - é rejeitada por Rifkin, já que a cadeia é correcta a não ser na sua conclusão: a produção, hoje, não aumenta o nível dos empregos, mas sim traz mais automatização reduzindo o trabalho dos seres humanos.

Cada nova inovação traz um aumento de produtividade. Cada inovação, no entanto, tem colocado à margem do trabalho milhares de operários cujas funções eram redundantes com o que a nova tecnologia trouxe.

No passado, afirma Rifkin, estas "vítimas" do desemprego causado por novas tecnologias eram absorvidas por outros sectores do ciclo laboral. Desempregados da indústria de alta tecnologia iam para a indústria de baixa, os de baixa para os serviços, os de serviços para a construção, os de construção para a agricultura e assim sucessivamente. Hoje em dia, com tecnologias de ponta até na agricultura, como ceifeiras-debulhadoras automáticas, milhares de trabalhadores estão sendo substituídos por máquinas que fazem o mesmo trabalho a um custo inferior e em turnos ininterruptos.

Uma realidade, no entanto, está prevista por Rifkin: por mais que o nível de empregos decline, nem todos estarão desempregados na nova sociedade baseada na informação. Para ele, um pequeno número de trabalhadores no sector da informação e do conhecimento irá prosperar, já que o seu "know-how" será cada vez mais necessário em criação, desenvolvimento e manutenção dos equipamentos necessários à automação. Os profissionais da tecnologia se constituirão em uma nova elite da sociedade. Outro segmento que irá sobreviver na nova economia global será o da alta administração. Rifkin oferece-nos dados e afirma que os altos executivos actuais são o segmento que mais tiveram os seus rendimentos aumentados nos últimos 50 anos.

As vagas que estão desaparecendo, principalmente nos níveis mais baixos da produção, poderão afectar as taxas de criminalidade nos países mais desenvolvidos, já que o desempregado sem esperança afluirá às ruas em atitudes de descontentamento e violência.

O resultado da introdução da tecnologia tem possibilitado às empresas demitir trabalhadores criando um verdadeiro exército de desempregados. Os que permanecem nos empregos, no entanto, sentem-se obrigados a trabalhar cada vez mais, por salários cada vez menores. As empresas que se auto denominam "competitivas" têm optado por trabalhar com uma folha de pagamento cada vez menor, obrigando os trabalhadores a produzir mais.

Uma solução para contra atacar os impactos criados pela tecnologia cabe aos governos. Consiste em que eles criem um maior apoio para o que Rifkin chama de "Terceiro Sector" ou sector social, onde, diferentemente dos sectores comerciais, as mudanças de ganhos e perdas são menos importantes, e o que importa no fim é o aspecto social.




Comentários de Viviane Forrester:

«Dizem sempre que temos de nos adaptar. Digo que não há razão para se adaptar ao insuportável. Falam do desemprego como se fosse algo natural e inevitável. Na verdade, se se escutar boa parte dos discursos sobre a situação mundial tem-se a impressão de que estamos a sair de uma catástrofe mundial, de que estamos numa situação trágica à qual temos de nos adaptar. Mas onde está a catástrofe? Por que é que na França, que é a quarta economia do mundo, é natural que existam 2 milhões de desempregados e 1,3 de trabalhadores pobres? A estas questões a política ultraliberal não tem resposta

«Mas isso é esquecer que essa empresa já era próspera quando empregava os que actualmente manda embora. Não é o seu volume de negócios que deseja aumentar, mas, justamente porque está próspera, quer aumentar o lucro que tira e que os seus accionistas tiram desse volume de negócios. E não é criando empregos que lá chega, mas expulsando empregados

«Somos intimados a combater 'défices públicos' que são, de facto, 'benefícios para o público': essas despesas consideradas supérfluas, mesmo nocivas, cujo único defeito é não serem rentáveis e serem perdidas para a economia privada, representarem cessações de lucros, insuportáveis para ela. Ora essas despesas são vitais para os sectores essenciais da sociedade, em particular os da educação e da saúde. Não são 'úteis' nem sequer 'necessárias': são indispensáveis, delas dependem o futuro e a sobrevivência de toda a civilização.»

«O que é a economia? A organização, a distribuição da produção em função das populações, do seu bem-estar? Ou a utilização ou a marginalização das populações em função de flutuações financeiras anárquicas, sem ligação com as pessoas, mas exclusivamente ligadas ao lucro, e em detrimento delas? Estaremos numa verdadeira economia ou, pelo contrário, na sua negação

«Não faz sentido mandar desempregados procurar emprego num mundo onde o trabalho já não existe e, mais do que isso, já não interessa.»

«Está na hora de a sociedade pensar noutra forma de viver, uma forma que não dependa de emprego. Os homens e o seu trabalho são hoje absolutamente desnecessários à economia. Não é mais o trabalho que gera o lucro, é a economia virtual (as aplicações, os papéis, um mundo globalizado que ignora o trabalhador). Os empregos não existem, tampouco passarão a existir no futuro.»

«Está instalada a era do liberalismo, que soube impor a sua filosofia sem ter realmente que formulá-la e nem mesmo elaborar qualquer doutrina, de tal modo estava ela encarnada e activa antes mesmo de ser notada. O seu domínio anima um sistema imperioso, totalitário em suma, mas, por enquanto, em torno da democracia e, portanto, temperado, limitado, sussurrado, calafetado, sem nada de ostentatório, de proclamado. Estamos realmente na violência da calma
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