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segunda-feira, maio 25, 2009

A reintrodução do Escudo na economia portuguesa funcionando em paralelo com o Euro

Murray N. Rothbard [liberal da Escola Austríaca] fala da gigantesca fraude bancária que se vem praticando até hoje:

"Desde então, os bancos têm criado habitualmente recibos de depósitos (originalmente notas de banco e hoje depósitos) a partir do nada [out of thin air]. Essencialmente, são contrafactores de falsos recibos de depósitos, de activos líquidos ou dinheiro padrão, que circulam como se fossem genuínos, como as notas ou contas de cheques completamente assegurados."

"Os bancos criam dinheiro literalmente a partir do nada, hoje em dia exclusivamente depósitos em vez de notas de banco. Este tipo de fraude ou contrafacção é dignificado pelo termo reservas mínimas bancárias [fractional-reserve banking], o que significa que os depósitos bancários são apoiados por apenas uma pequena fracção de activos líquidos que prometem ter à mão para redimir os seus depósitos."


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Caros visitantes habituais deste Blog, visitantes esporádicos, comentadores e internautas em geral:

Neste post proponho a criação de uma moeda nacional – o Escudo, paralela à moeda europeia já existente (o Euro), cuja existência dependeria totalmente do débito (da dívida dos empréstimos).

Este modelo pretende combater a cobrança de juros por empréstimos efectuados por bancos privados com dinheiro que não existe e evitar as contracções e expansões monetárias executadas deliberadamente pela banca privada com o objectivo de criar depressões económicas ou períodos inflacionários, que conduzem à rapina da riqueza nacional por parte dos cartéis dos grandes banqueiros nacionais e internacionais.

Gostaria, por isso, de ouvir, na caixa de comentários, as vossas opiniões fundamentadas sobre a exequibilidade, ou não, deste projecto:


I

Por intermédio da Caixa Geral de Depósitos, o Estado português procederia à introdução de uma nova moeda – o Escudo, que manteria sempre uma paridade de 1 em relação Euro (o valor das duas moedas seria sempre igual), e que seria uma moeda totalmente electrónica: não existiriam notas ou moedas de Escudo em circulação. Todas as transacções seriam feitas por via electrónica – multibanco, Home Banking - computador ou telefone em casa, e também por cheque.


II

O Escudo não teria curso legal para privados, ou seja, ninguém poderia ser obrigado a receber o Escudo em pagamento por quaisquer bens ou serviços. Esta moeda não teria de ser obrigatoriamente aceite como tal pelos agentes económicos. Apenas o Estado Português teria, por lei, de aceitar o Escudo para todo o tipo de pagamentos que lhe fossem devidos (impostos, taxas, etc.).


III

A SIBS - Sociedade Interbancária de Serviços, que disponibiliza o sistema Multibanco, aceitaria efectuar todas as transacções em que Euros fossem transferidos para contas em Escudos na Caixa Geral de Depósitos. Estes Euros seriam, de imediato, substituídos por Escudos nestas contas. Também os cheques em Euros que fossem depositados nas contas em Escudos na Caixa Geral de Depósitos, seriam substituídos por Escudos.


IV

A Caixa Geral de Depósitos cobraria sempre apenas 1% de juros pelos empréstimos que efectuasse em Escudos, percentagem necessária para cobrir os custos operacionais do Banco (balcões, salários, hardware e software, etc.). A Caixa Geral de Depósitos não cobraria quaisquer outras taxas ou spreads. A Caixa Geral de Depósitos não pagaria nenhuns juros pelos depósitos em Escudos ou Euros.


Funcionamento da moeda Escudo

1 - João pretende comprar uma casa a Afonso no valor de 100,000 Euros. Para tal precisa de um empréstimo.

2 - João prefere pedir um empréstimo à Caixa Geral de Depósitos no valor de 100,000 Escudos, pelo qual ficará a pagar apenas amortizações e juros (1%) do montante emprestado, ao invés de pedir um empréstimo em Euros a um banco privado onde ficaria sujeito às flutuações dos juros e aos spreads (taxas de lucro dos bancos), substancialmente mais elevados.

3 - João vai falar com Afonso para saber se este aceita o pagamento em Escudos.

4 - Se Afonso aceitar o pagamento em Escudos, então cada um deles abre uma conta à ordem, em Escudos, na Caixa Geral de Depósitos.


5 - João terá de dar todas as garantias actualmente em vigor neste tipo de transacção à Caixa Geral de Depósitos. A casa ficará hipotecada à Caixa Geral de Depósitos até ao pagamento integral da dívida por parte do João.

6 - João fica com uma dívida de 100,000 Escudos à Caixa Geral de Depósitos e Afonso fica com 100,000 Escudos disponíveis na sua conta à ordem na Caixa Geral de Depósitos.


Repare-se que a Caixa Geral de Depósitos não desembolsou dinheiro algum. Limitou-se a abrir duas contas, uma que creditou – a de Afonso – em 100,000 Escudos, e outra que debitou – a de João – em 100,000 Escudos. A Caixa Geral de Depósitos procedeu apenas a um movimento contabilístico.


7 - João irá pagar, durante todo o período contratado no empréstimo, as respectivas amortizações e juros (1%) à Caixa Geral de Depósitos. Estes pagamentos poderão ser feitos em Escudos, em Euros ou noutra moeda válida. Estas últimas moedas serão substituídas por Escudos.

8 - Agora, Afonso, que possui uma conta com 100,000 Escudos na Caixa Geral de Depósitos, pretende comprar um automóvel a prestações no Stand Autocar no valor de 20,000 Euros.

9 - Afonso vai falar com Jorge, o dono do stand Autocar, para saber se este aceita o pagamento em Escudos.

10 - Se Jorge aceitar, então abre uma conta na Caixa Geral de Depósitos. Este banco credita a conta de Jorge em 20,000 Escudos e debita à conta do Afonso a mesma importância.


Atente-se, uma vez mais, que a Caixa Geral de Depósitos não desembolsa dinheiro nenhum. Procedeu novamente apenas a um simples movimento contabilístico.


11 - Afonso, com os 80,000 Escudos que lhe restam na conta na Caixa Geral de Depósitos, continuará, eventualmente, comprando ou pagando bens e serviços da mesma forma, recrutando, no processo, novos clientes para contas à ordem em Escudos na Caixa Geral de Depósitos.

[...]

12 - Uma altura chegará em que Sicrano pagará em Escudos, através do Multibanco, um almoço num restaurante que terá necessariamente de possuir uma conta em Escudos na Caixa Geral de Depósitos, e que Beltrano pagará um par de calças, em Escudos, por intermédio de cheque, a uma loja de roupas que terá obrigatoriamente de dispôr de uma conta em Escudos na Caixa Geral de Depósitos.



Conclusão:

Dado a pequeno valor da taxa de juros nos empréstimos, as famílias e as empresas teriam clara preferência pelo Escudo da Caixa Geral de Depósitos como agente financiador. O número de contas à ordem de compradores e vendedores neste Banco cresceria exponencialmente, bem como a quantidade e o valor dos movimentos financeiros.

A prazo dar-se-ia a falência dos bancos comerciais privados e o Escudo impunha-se como a moeda preponderante neste país.



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Já alguma vez pensaram porque é que os bancos têm tanto dinheiro, enquanto os países, as empresas e os indivíduos estão tão endividados?

No vídeo, «Money as Debt» [Dinheiro sob a forma de Dívida], Paul Grignon pega num assunto tabu e, de forma inteligente e divertida, torna-o num tópico inteligível. Costuma dizer-se que a verdade liberta, mas que primeiro costuma deixar-nos zangados. Depois de se conhecer a verdadeira história do sistema bancário já não é possível voltar à crença mística da banca privada como um elemento válido da sociedade. Muito pelo contrário!

O vídeo revela os mitos e os conceitos relativos à história do dinheiro. Toda a gente gosta de dinheiro, toda a gente o deseja, toda a gente precisa e depende dele. O que quase ninguém percebe são os fundamentos do dinheiro. O que é o dinheiro e donde é que ele vem? Estas são algumas das difíceis realidades que Grignon expõe em linguagem simples.


Os primeiros oito minutos e vinte segundos (8:20m) do vídeo 'Money as Debt' - legendados em português.




A versão completo do vídeo em inglês (47m): Money as Debt

E a versão completa do vídeo em espanhol (47m): El Dinero es Deuda.
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