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quinta-feira, junho 17, 2010

Jon Stewart do Daily Show – Os abusos sexuais na Igreja Católica e o papel do Cardeal-Papa Ratzinger

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Jon Stewart: Vamos começar hoje com uma actualização no escândalo que está a abalar a Igreja Católica. Tem havido mais revelações de abuso sexual, incluindo relatos de abusos neste mosteiro bávaro. Mas para ser justo nada de bom pode acontecer por detrás de portas com cabeças de "frangos-bestas" que parecem abrir-se automaticamente. Não pode ser bom. "É aqui que vamos fazer o Bris (cerimónia de circuncisão judaica)?"

O escândalo tem sido tão devastador em parte devido a alegações de que os "dedos manhosos" chegam ao topo do Vaticano. Mas não há provas que liguem directamente o Papa Bento XVI, antigo Cardeal Ratzinger, ao tratamento brando dado aos padres pederastas até agora.

Esta carta de 1985 mostra que o Cardeal Ratzinger rejeitou um pedido do Bispo de Oakland, John Cummins, para despadrar um padre pedófilo. Ratzinger reconhece em Latim que era um caso gravíssimo. Mas recusou tomar medidas. Esta carta está assinada pelo então Cardeal Ratzinger.

Isso não são provas! Sabem a quantidade de tretas que os cardinais têm de assinar? Os formulários de renúncia, as anulações de casamentos… as fotos para os fãs.



Como poderia a Igreja Católica voltar ao caminho certo? Felizmente para eles, o nosso perito residente John Hodgman está aqui para ajudar, com o segmento: "Não Tem de Quê".

John Hodgman, muito obrigado por estares connosco. Quero falar já sobre isto. Este parece um problema profundamente difuso. Como é que a igreja católica pode começar a abordá-lo?

John Hodgman: Há que começar com as coisas mais simples. A minha primeira recomendação é concentrarem-se na prevenção. Temos de encontrar um modo de evitar estes crimes antes que eles aconteçam. Por exemplo, vejam o vestuário dos padres. Batinas largas, leves, abertas... são uma brecha de confiança iminente. Juntar uma braguilha de botões pode parecer insignificante, mas daria a todos um pouco mais de tempo para se acalmarem, e, ou fugirem.

Jon Stewart: A braguilha de botões é um labirinto complicado. É só isso?

John Hodgman: Não Jon. Prepara-te para as duas palavras mais importantes na prevenção de escândalos na Igreja: acólitos chimpanzés.

Jon Stewart: Estás a sugerir a substituição dos meninos acólitos por chimpanzés?

John Hodgman: Vejo que estás a perceber o conceito. Os chimpanzés e os humanos partilham 96% do ADN, mas o mais importante é que não partilham os 4% que são sexualmente atraentes para os padres. Já vi chimpanzés. São perfeitamente capazes de apagar velas, recolher livros dos cânticos, passar a bandeja das esmolas e, no caso improvável de uma tentativa de abuso, sabem defender-se sozinhos. Podem atirar fezes aos padres ou arrancarem-lhes a cara à dentada.

Jon Stewart: Pelo que vejo, essas mudanças são sobretudo superficiais e umas são obviamente mais prováveis do que outras. Este é um problema sistémico.



John Hodgman: Sim, odeio admiti-lo, mas tens razão. É essencial que haja mudanças de base no modo como a Igreja actua. É aí que entra a minha segunda solução: acabar com a disposição. A igreja católica é um local demasiado sexy. São locais extremamente sensuais. A música suave, as velas, vinho, incenso. Toda aquela dança sedutora gera um clima em que os católicos só conseguem pensar em sexo e depois odiarem-se a eles próprios. Por isso...

Em vez de vinho da comunhão, obriguem as pessoas a beberem 5 litros de leite gordo. Em vez de espalharem o aroma estonteante do incenso, pulverizem-nos na cara com um ambientador.

E finalmente a música. Se tem de ter música, tem de ser o oposto sonoro de sedução. Sem ofensa, Jon, mas talvez possamos utilizar das tuas tradições religiosas (ouve-se música judaica). Não me interpretes mal, Jon. Klezmer é óptimo para afugentar cossacos. Mas não é... não é música para dar beijinhos, acho que deves concordar.

Jon Stewart: A prevenção é uma excelente medida, John. Mas e se, apesar destas precauções, e são boas sugestões, e se voltar a acontecer?

John Hodgman: Isso leva-nos à terceira solução, Jon: a responsabilização. Finalmente. Tem de haver um sistema em que os padres culpados possam desabafar, em que vão para uma sala pequena para falarem em privado e terem uma hipótese de se redimirem pelo que fizeram.

Jon Stewart: Acho que sei do que estás a falar e acredito que a Igreja Católica já tem isso. Chama-se confessionário e acredito que...

John Hodgman: Não, não é disso que estou a falar. A minha ideia é ligeiramente diferente. Em vez de paredes com painéis de madeira, utilizaríamos betão reforçado. Em vez de uma divisória de confessionário tradicional, podemos aumentar a transparência na igreja com um vidro à prova de bala de 12,5 cm de espessura. E para assegurar que este é um espaço seguro para padres, porque não colocar guardas armados junto deles?



Jon Stewart: Estou a ver. Pareces estar a dizer que devem ser colocados numa prisão.

John Hodgman: Podes chamar-lhe isso. Prefiro chamar-lhe um mosteiro de alta segurança...


terça-feira, abril 26, 2005

Comentários para quê?

No Editorial do 1º Caderno do Expresso de 23 de Abril de 2005 vem esta pérola. «Comento-o entre aspas e a bold».

TODA a gente se pronunciou sobre a eleição do novo Papa. De Francisco Louçã a Mário Soares, de José Saramago a José Sócrates, não houve quem não desse opinião sobre a escolha de Joseph Ratzinger para chefe da Igreja Católica. «Até eu, imaginem!».

Personalidades do PS, do BE, do PCP, do PSD e do CDS disseram o que entenderam a propósito dos «desafios» de Bento XVI e das «reformas» que deve ou não introduzir na Igreja. «Pessoalmente, senti-me mais inclinidado para os desafios, mas, sem querer, de forma nenhuma, desdenhar as reformas».

Como era de esperar, o aborto, a eutanásia, o sacerdócio das mulheres, a adopção por casais homossexuais vieram de novo à baila. «Quem diria!».

O que ninguém quer perceber é que a Igreja não escolheu um chefe para cumprir o programa do Bloco de Esquerda ou para agradar aos comunistas ou aos socialistas. «Se não foi para para agradar aos comunistas ou aos socialistas, para quem diabo terá sido?».

A FUNÇÃO da Igreja não é satisfazer os anseios de Louçã ou Soares, Sócrates ou Saramago. «Para esses há o álcool, as drogas e as mulheres de vida fácil!».

A força da Igreja consiste exactamente em não seguir as modas, os partidos, as ideias-feitas em determinadas conjunturas. «A Igreja é de uma solidez a toda a prova. Daí vem a sua força. Não segue coisíssima nenhuma!».

A força da Igreja reside em ter outra noção do tempo, em dar certezas às pessoas num mundo marcado pelo relativismo e pelo efémero. «Hitler e Staline deram também certezas às pessoas. Foi isso que os fortaleceu. Efémeras foram, também, as vidas das suas vítimas!».

Se a Igreja começasse a mudar de opinião ao sabor das estações, a relativizar a vida, a ceder nos valores e nos princípios, deixaria de ser o que é - tornar-se-ia outra coisa. «E ninguém deseja que a Igreja mude. Deus nos proteja da reforma, essa asquerosa transfiguração!».

AO ELEGER o cardeal Ratzinger, os bispos reunidos em Roma não fizeram a escolha que os comunistas, os bloquistas ou os socialistas fariam: fizeram a escolha que, do seu ponto de vista, mais convém à Igreja Católica. «Os socialistas não sei. Mas os comunistas e os bloquistas estão encantados com Ratzinger!».

E não se vê que a opção tenha sido polémica: o conclave durou umas breves vinte e quatro horas, mostrando que Ratzinger reunia à partida um amplo consenso. «Foi um conclave breve, não controverso, conciso e absolutamente opaco. Quanto ao consenso extravasou largamente as paredes do Vaticano».

É evidente que o novo Papa será muito diferente do anterior. «E infelizmente menos bem apessoado».

Onde tínhamos um Papa peregrino e aberto ao mundo vamos ter um Papa intelectual, fechado no Vaticano, a pôr ordem na casa. «Um bicho do mato, portanto!».

Uma espécie de «governanta». «Uma aventesma, acrescento eu!».

Basta olhar para os rostos de um e de outro para se perceber isso: enquanto João Paulo II tinha um rosto franco, virado para fora, Ratzinger tem uma expressão sibilina, uns olhos que parecem mais centrados no que se passa dentro da sua cabeça do que no exterior. «E o importante é precisamente o que vai na cabeça de um sibilino, de um enigmático, de um não se sabe exactamente o quê!».

MAS a Igreja é que sabe o que neste momento lhe interessa. «Isso é por demais evidente!».

Quando os bispos começarem a fazer o que os não-católicos (ou mesmo os anticatólicos) e os jornalistas aconselham é que haverá razões para preocupação. «Porque, todos o sabemos, todos os jornalistas, todos os não-católicos e todos os anticatólicos, partilham as mesmas crenças, as mesmas convicções e os mesmos valores!».

Mal vai uma instituição quando é elogiada pelos seus adversários ou faz o que dizem os «media». «Essa é uma grande verdade senhor "jornalista"!».

Sofocleto:
Quem será este editorialista do Expresso, tão inteligente, tão lúcido, tão perspicaz e de apelido Saraiva?

quarta-feira, abril 20, 2005

Too late!

Os teólogos da Libertação, pouco antes das volutas de fumo saírem pela chaminé do Vaticano, oravam fervorosamente:

Pai nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.

Bolas!




Outros houve que ficaram mais optimistas. D. Manuel Martins, Bispo de Setúbal afirmou ao Jornal Destak de 20/04/2005:
«Tenho esperança que morra o Cardeal Ratzinger para nascer Bento XVI».

Sofocleto:
Contudo, segundo sei, a maioria dos católicos não vai tão longe: «Bento XVI nem precisaria de nascer» - afirmam.



Quem é afinal Bento XVI?

Joseph Ratzinger, alemão, 78 anos, foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, órgão do Vaticano que substituiu a Santa Inquisição. Sua função é salvaguardar os conceitos morais do mundo católico.

Ratzinger é um dos mais poderosos integrantes da Cúria. Ele era um velho amigo de João Paulo II e compartilhava das posições ortodoxas do Papa. O cargo de prefeito é muito importante, o que tornou Ratzinger o flagelo dos liberais, que já o acusaram de usar seu poder para calar dissidentes. O ex-frei Leonardo Boff, um dos expoentes da Teologia da Libertação, teve voto de silêncio imposto por Ratzinger em 1985.

A Teologia da Libertação, que vem dividindo a Igreja na América Latina, é uma doutrina que prega que as pessoas sejam libertadas da opressão económica. O Vaticano ficou alarmado com as nuances marxistas dessas ideias.

Tido como ultraconservador, Ratzinger é contrário à ordenação de mulheres e defende ardorosamente a necessidade de moralidade sexual. Para ele, "a única forma clinicamente segura de prevenir a Sida é ter um comportamento de acordo com a lei de Deus".