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quinta-feira, fevereiro 14, 2013

Paulo Morais afirma que são colossais os encargos do Estado com as parcerias público-privadas (PPP). E acrescento: é forçoso extinguir os contratos e exterminar os criminosos que os forjaram.


Em baixo, seis membros de uma máfia que destruiu economicamente Portugal, enviando milhões para a miséria e o desemprego e muitas centenas para a morte, seja por cortes nos cuidados de saúde, por despejos, por desespero e por fome.


a) À esquerda, dois dos principais lacaios da Banca responsáveis por obras faraónicas e inúteis com o único objectivo de endidividar o país o máximo possível;

b) Ao centro, dois dos vampiros da Banca que proveram os empréstimos para a execução e exploração das ditas obras;

c) À direita, dois serviçais da Banca que têm como missão cobrar aos portugueses impostos colossais para pagar os juros agiotas e os lucros usurários que os vampiros financeiros embolsam à tripa forra.


Perante as exigências da renegociação dos contratos das Parcerias Público-Privadas (PPP’s), o governo veio rapidamente publicar um decreto-lei, o Decreto-Lei 111/2012, de 23 de Maio. Este documento garante aos privados das referidas parcerias lucros fabulosos para sempre (salvo seja, porque o povo não vai deixar que estes e outros roubos continuem).

O Decreto-Lei n.º 111/2012, de 23 de Maio, que tem por objecto a definição de normas gerais aplicáveis à intervenção do Estado na definição, concepção, preparação, lançamento, adjudicação, alteração, fiscalização e acompanhamento global das parcerias público-privadas determina que "da aplicação do presente diploma não podem resultar alterações aos contratos de parcerias já celebrados, ou derrogações [anulações] das regras nelas estabelecidas, nem modificações a procedimentos de parceria lançados até à data da sua entrada em vigor."


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Paulo Morais, professor universitário - Correio da Manhã – 12/2/2013


Parcerias? Patifaria


Aqui chegados, só há uma solução aceitável: extinguir os contratos e prender quem os forjou.

Os encargos do estado com as parcerias público-privadas (PPP) são colossais, comprometem as finanças públicas por toda uma geração e hipotecam o futuro da economia do país. Mas os governos continuam a ser cúmplices destes negócios ruinosos. O atual ministro das finanças nem sequer diminuiu a despesa com as PPP, a que estava obrigado pelo memorando de entendimento assinado com a troika. Pelo contrário, os custos não cessam de aumentar.

Nos últimos quatro anos, os encargos líquidos com as PPP quadruplicaram, atingindo por ano montantes da ordem dos dois mil milhões de euros. O valor dos compromissos futuros estima-se em mais de 24 mil milhões de euros, cerca de 15% do PIB anual. Uma calamidade!

Fingindo estar a cumprir o acordo com a troika, que obrigava a "reavaliar todas as PPP", as Finanças anunciam, aqui e além, poupanças de algumas centenas de milhões. Valores ridículos, pois representam apenas cerca de um por cento do valor dos contratos.

Mas, o que é pior, Vítor Gaspar continua a proteger os privados. Já em 2012 e por decreto-lei, determinou que da nova legislação que regulamenta as PPP, "não podem resultar alterações aos contratos de parcerias já celebrados". As rentabilidades milionárias para os privados e a sangria de recursos públicos continuam como dantes... para pior. No último relatório disponível pode apurar-se que em 2011 houve, só nas PPP rodoviárias, um desvio orçamental de 30%. Sendo as despesas correntes de cerca de oitocentos milhões de euros, os custos com pedidos de reequilíbrio financeiro são de… novecentos milhões. A variação é maior que o próprio custo! Só ao grupo Ascendi e seus financiadores foram pagos, a mais (!), quinhentos milhões de euros. Uma patifaria. As poupanças do estado com a redução salarial da função pública em 2011 foram, afinal, diretamente para os bolsos do senhor António Mota, seus associados e financiadores.

Aos acordos ruinosos das PPP, vieram, ao longo dos anos, acrescentar-se custos desmesurados, resultado de negociações conduzidas por responsáveis públicos corruptos. Aqui chegados, só há uma solução aceitável: extinguir os contratos e prender quem os forjou.


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Miguel Sousa Tavares - Expresso 07/01/2006

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos [Ota e o TGV], não apenas os directamente interessados - os empresários de obras públicas, os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos - mas também flutuantes figuras representativas dos principais escritórios da advocacia de negócios de Lisboa. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. E o grande dinheiro agradece e aproveita.»

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»

terça-feira, março 01, 2011

Reage Deolinda, não continues a permitir que te façam de parva!

01.03.2011 - Sócrates admite mais austeridade para atingir défice de 4,6 por cento.

01.03.2011 - Ministério das Obras Públicas anuncia investimentos de 12 mil milhões de euros.


O tratamento devido a assassinos que a Banca coloca no Poder

Cara Deolinda, manda à merda os estágios de merda; ganha coragem e sai de casa dos teus pais; encontra a tua alma gémea, casa-te e sê mãe; recusa-te terminantemente a ser escrava de empresas proxenetas. Para ti, esta é já uma questão de vida ou de morte. Não toleres que os assassinos que a Banca colocou no Poder te destruam a ti e a toda uma geração (ou várias gerações).


Revolta-te Deolinda! Há milhões que estão contigo.



(Que o 12 de Março de 2011 seja o início de um novo paradigma)


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Miguel Sousa Tavares - Expresso 07/01/2006

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»


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Fernando Madrinha - Jornal Expresso - 1/9/2007

[...] Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. [...] os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais.
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sábado, setembro 25, 2010

Os negócios sujos de um Governo assassino

O troço do TGV entre o Poceirão e a fronteira de Caia custa quase três mil milhões de euros: o dobro do anunciado. Para além deste valor, o Estado pagará, todos os anos, consoante o número de comboios que utilizarem a linha. E o pior: nestas contas não entram ainda a ligação a Lisboa, que inclui a terceira ponte sobre o Tejo, precisamente a parte mais cara da obra.

Para o economista João César das Neves, «os números são assustadores. Numa altura em que todos sabemos que é preciso cortar, que há gente a sofrer, que o desemprego aumenta e é difícil aguentar as prestações sociais para os desempregados, vamos alegremente assinar uma coisa destas. É difícil de entender como pode alguém entrar nisto».

A TVI consultou os anexos ao contrato, que revelam uma despesa pública substancialmente superior à divulgada nos documentos publicados pelo Ministério das Obras Públicas. O custo da construção anunciada era de 1.359 milhões de euros, mais 12 milhões por ano de manutenção. No contrato, a manutenção é afinal de 15 milhões e 680 mil euros por ano.

Só nessa rubrica, a Refer, empresa pública para a ferrovia, fica obrigada a pagar 580 milhões de euros. A isto acrescem pagamentos anuais entre os 20 e os 70 milhões de euros, num total de 1.347 milhões pela disponibilidade da linha. Mais 176 milhões de entrada, pagos pelo Estado e pela Refer e 662 milhões de euros de fundos comunitários. Contas feitas: 2.765 milhões de euros mais inflação.

«Estamos a falar de uma monstruosidade», diz César das Neves. «Há uns anos, quando analisei o assunto, o custo total da ligação de Lisboa a Madrid é o que eles agora contrataram para o troço do Poceirão a Caia. E a ligação a Lisboa, embora tenha menos quilómetros, é muito mais cara, porque tem terrenos urbanos, túneis e a terceira ponte sobre o Tejo. Já para não falar das derrapagens, mas à partida isto vai ficar muito mais caro».

Mas há mais: o Estado fica ainda obrigado a pagar 412 euros e meio por cada comboio que passar na linha para além do previsto, ou seja, cerca de 150 mil euros extra por ano. Por cada comboio de mercadorias, que passar na linha convencional a construir pelo concessionário, o Estado terá de desembolsar 230 euros: se num ano passarem 300 comboios a mais, a factura será de 69 mil euros.

Se alguma coisa correr mal, o concessionário privado, nos termos do contrato, tem garantida uma taxa interna de rentabilidade próxima dos 12 por cento. Ou seja, o concessionário tem o lucro garantido. E o Estado tem despesa garantida...


VÍDEO da TVI


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terça-feira, maio 18, 2010

Teixeira dos Santos sobre as medidas para cortar na despesa e aumentar a receita: «Não prevejo casos de violência»



Jornal Record - 12 Maio de 2010

O ministro das Finanças acha que o Governo vai "enfrentar a tensão social" devido aos cortes da despesa pública e afirmou que, sem o auxílio da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) o cenário no mercado de dívida seria muito difícil.

"Vamos enfrentar a tensão social", disse Fernando Teixeira dos Santos à Bloomberg, agência internacional de informação financeira, acrescentando que Portugal tem "de tomar medidas para cortar na despesa e aumentar a receita".

"Os sindicatos vão protestar e vão existir outras expressões de descontentamento em relação a estas medidas, mas não prevejo casos de violência, como vimos na Grécia", acrescentou. O ministro admitiu que as medidas de redução da despesa e aumento da receita são "impopulares por natureza", mas salientou que "os portugueses não têm tradição de violência".

"Vamos anunciar em breve medidas e estamos a completar um acordo político com o principal partido da oposição para ter condições políticas fortes para seguir em frente com este pacote fiscal", disse ainda Teixeira dos Santos.

O detentor das pasta das finanças considera que a dívida soberana portuguesa beneficia agora de melhores condições de mercado, depois do pacote de auxílio que a UE e o FMI aprovaram no passado fim-de-semana: "Os mercados estão a aceitar a dívida portuguesa em melhores condições que há dois ou três meses. Acredito que se a UE e o FMI não tivessem conseguido prosseguir com esta pacote, diria que estaríamos a viver um momento muito difícil nos mercados de dívida soberana."


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Cortar na despesa «investindo» em elefantes brancos
escandalosamente inúteis e pornograficamente dispendiosos



Diário Económico - 08.05.2010 - A Soares da Costa, em comunicado, confirmou hoje a assinatura do contrato de concessão do troço do TGV entre Poceirão e Caia, um projecto que envolve quase 1,5 mil milhões.


A Bola - 17.05.2010 - O Ministro, António Mendonça, garantiu que a construção de uma terceira travessia sobre o Tejo «é um processo para avançar». «Confirmo que a ideia é de retomar o processo e abrir um novo concurso. Não pode haver alta velocidade só até ao Poceirão sem a nova ponte e sem ponte não há novo aeroporto». (O troço entre Poceirão e Lisboa com a nova ponte rodoferroviária custarão mais cerca de 2 mil milhões de euros)
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domingo, maio 09, 2010

Os TGVs, à imagem dos 10 Estádios do Euro, na senda dos grandes desígnios nacionais

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TVI - 07.05.2010

O Governo prevê que linha do TGV para Madrid atinja mais de nove milhões de passageiros por ano. Um número de viagens superior ao que hoje existe entre Paris e Londres e também entre as principais cidades espanholas. Esta previsão é um dos pontos mais polémicos do projecto do TGV, Lisboa - Madrid.

A linha de alta velocidade Lisboa-Madrid passa a norte da cidade de Évora. Do lado português terá 203 quilómetros. A maioria do percurso, 437 quilómetros, fica em Espanha.Com estações garantidas em Mérida, Cáceres e Telavera de La Reina.

A nova ligação ferroviária servirá uma população de 2,8 milhões de pessoas na grande Lisboa, 50 mil na região de Évora, um milhão na Extremadura espanhola e tem como principal mercado Madrid, região mais povoada da Península com mais de 6 milhões de pessoas.

A linha servirá uma população de referência de cerca de 10 milhões de pessoas. Mas a RAVE, empresa pública para a alta velocidade, prevê que venham a ocorrer 9 milhões e 300 mil viagens por ano.

A maioria das viagens, a confirmar-se a previsão da empresa portuguesa, será feita em território espanhol. 5,7 milhões, o que corresponde a 61 por cento dos passageiros. Viagens internacionais não chegarão a 30 por cento: 2,7 milhões.

Em território nacional, entre Lisboa, Évora e Elvas a previsão fica-se pelas 820 mil viagens por ano, 9 por cento.

A RAVE acredita que a linha Madrid-Lisboa, que atravessa uma região com 10 milhões de pessoas atrairá 9 milhões e 300 mil passageiros por ano. A verdade é que a linha Madrid-Barcelona, que serve 15 milhões de pessoas com maior poder de compra, só gera, hoje, 5,7 milhões de viagens. E a linha Madrid-Málaga, para uma população de 9 milhões, não atinge os 2 milhões de viagens.

Os especialistas consultados pela TVI lembram: nem o comboio entre Paris e Londres, que só demora duas horas, atinge 9 milhões e meio de passageiros. [...]


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Mas o TGV não é o primeiro grande desígnio nacional de Sócrates

Em 1995, José Sócrates tornou-se membro do Primeiro Governo de António Guterres, ocupando o cargo de secretário de Estado-adjunto do Ministro do Ambiente. Dois anos depois, tornou-se ministro-adjunto do primeiro-ministro, com a tutela do Desporto. Foi, nessa qualidade, que se tornou no principal impulsionador da realização, em Portugal, do EURO 2004. Por ter sido um dos governantes com a tutela do Euro 2004 - quando foi ministro-adjunto do primeiro-ministro, durante o I Governo de António Guterres -, Sócrates foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

Tomada a grande decisão da realização do Euro-2004, avançou-se para a construção dos dez estádios de futebol que se traduziram em mais de mil milhões de euros de investimento público total, em nome de um amplo desígnio nacional. O Euro 2004, diziam, iria trazer muitos milhões de turistas a Portugal que constituiriam o pontapé de saída para o arranque decisivo da economia portuguesa.



AS - "Atendendo a que foi o ministro responsável pela realização em Portugal do Euro 2004, qual o seu comentário ao posicionamento ambivalente do Governo [PSD] face ao evento?"

Sócrates - "O Governo [PSD] aprendeu. Começou por ter as maiores dúvidas e reservas quanto ao Euro 2004, a fazer-lhe críticas muito pueris, próprias de quem não percebeu nada do que estava em causa. O Euro 2004 não é um torneio de futebol, é muito mais do que isso. É um grande acontecimento que projecta internacionalmente o nosso país. [...]


AS - "No entanto, passa a ideia que eles [o governo PSD] colhem os louros do Euro 2004 e passam para os governos do PS o odioso, nomeadamente a construção dos dez estádios."

Sócrates - "Pois, mas a construção dos dez estádios não é um odioso, é um bem necessário ao país. Portugal tinha que fazer este trabalho. É também uma das críticas mais infantis que tenho visto, a ideia de que se Portugal não tivesse o Euro não tinha gasto dinheiro nos estádios. Isso é uma argumentação própria de quem é ignorante. [...] Ouvi recentemente responsáveis pelo Euro dizerem que é já claro, em relação ao que o Estado gastou e ao que recebeu, que estamos perante um grande sucesso económico."


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O grande sucesso económico dos 10 Estádios de Futebol do Euro 2004

Jornal Público - 07.02.2010

Antigamente, na Índia e na Tailândia, o elefante branco era um animal sagrado que não podia ser usado em trabalho. Quando o rei oferecia um destes animais a um cortesão, este tinha de o alimentar, mas não retirava daí nenhum proveito, ou seja, possuía algo muito valioso, mas que só lhe dava despesas, conduzindo-o, muitas vezes, à ruína. É esta a origem da expressão "elefante branco", tantas vezes aplicada aos estádios construídos para o Europeu de futebol de 2004.

O Cidades visitou no último mês os cinco estádios públicos construídos para o Europeu e os autarcas, mesmo sem falarem em "elefantes brancos" olham para essas obras como uma fonte de problemas financeiros. Os números, aliás, não deixam dúvidas. Braga paga seis milhões de euros por ano à banca, Leiria paga cinco milhões anuais só em amortizações e juros, Aveiro despende quatro milhões no pagamento de empréstimos e na manutenção, enquanto Faro e Loulé gastam, em conjunto, 3,1 milhões por ano em empréstimos e manutenção. Coimbra é que menos paga e mesmo assim, este ano, vai transferir para a banca 1,8 milhões de euros. Somando estes valores (e em alguns casos a manutenção não está contabilizada), as seis câmaras que construíram os recintos para o Euro 2004 gastam anualmente 19,9 milhões de euros, ou 54.520 euros por dia, montante que terá tendência para aumentar com a subida das taxas de juro.

E se somarmos o que as câmaras de Porto e Guimarães pagam aos bancos pelos apoios que deram aos clubes locais nas obras dos estádios e acessos, a factura anual das autarquias com os empréstimos e manutenção de estádios do Europeu eleva-se para 26,1 milhões de euros. A autarquia portuense pagou 3,6 milhões de euros em 2009, tendo ainda pela frente 44,5 milhões até 2024. Em Guimarães, a câmara gastou 2,5 milhões de euros no ano passado. Já a Câmara de Lisboa afirma que não contraiu empréstimos por causa do Euro.

Na ronda pelos cinco estádios municipais, algo ficou à vista. Não há, ou pelo menos não houve até agora, soluções para rentabilizar os recintos, de forma a cobrir as despesas que a sua construção gerou. Todas as autarquias têm um pesado fardo anual e nenhuma encontrou "a galinha dos ovos de ouro". Umas invejam o Algarve, porque recebe o Rali de Portugal. Outras Coimbra, porque tem lojas na estrutura do estádio. Outras Braga, porque vendeu o nome do estádio a uma seguradora. E se umas (como Leiria) lamentam que o recinto tenha sido construído no centro da cidade, sem espaço para edificar mais equipamentos desportivos à volta, outras (como Braga e Aveiro) deparam-se com críticas da população, porque os estádios estão fora da cidade. E outras ainda (Algarve) lamentam não ter uma equipa da I Liga a utilizar o recinto.

[...] Carlos Encarnação, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, é o único autarca assumidamente contra a construção do estádio. "Nenhum país decente constrói dez estádios para um Europeu", critica aquele autarca do PSD. [...]

"Muitas cidades que queriam o Euro agora dão graças por não ter um estádio", desabafa Raul Castro, presidente da Câmara Municipal de Leiria. "Estes estádios foram pensados para uma realidade que não é a portuguesa. O Estádio de Aveiro leva metade dos [60.000] eleitores da cidade. Está sobredimensionado", acrescenta Pedro Ferreira, presidente da empresa que gere o recinto aveirense, ao que Alberto Souto, antigo presidente da Câmara de Aveiro, contrapõe que 30.000 lugares era a lotação mínima para receber jogos de Europeu.

Com o Europeu de futebol de 2004, o Estado português gastou, pelo menos, 1035 milhões de euros, o equivalente ao custo da Ponte Vasco da Gama. Apurado por uma auditoria do Tribunal de Contas, realizada em 2005, este valor inclui, por exemplo, os encargos com os estádios (384 milhões), acessibilidades (228 milhões), bem como os apoios indirectos das câmaras do Porto (152 milhões) e de Lisboa (59 milhões).

Nas últimas semanas, os gastos anuais com os pagamentos de empréstimos e os custos de manutenção dos estádios têm gerado discussão um pouco por todo o país. O economista Augusto Mateus, que foi ministro da Economia entre Março de 1996 e Novembro de 1997, sugeriu uma solução radical: DEMOLIR.


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Miguel Sousa Tavares - Jornal Expresso 07.01.2006

"Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre."
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quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Antes, a previsão da rentabilidade do TGV era negativa na ordem dos -1.097,3 milhões de euros. Agora já é positiva e da ordem dos 383 milhões...


João Duque - Professor Catedrático do ISEG

Texto publicado na edição do Expresso de 6 de Fevereiro de 2010


Duques e cenas tristes

Meu caro António de Almeida, Que esta o vá encontrar de melhor saúde são os meus mais sinceros desejos.

Por cá tudo na mesma: cada vez menos duques, cada vez mais cenas tristes...

Ainda andamos às voltas com o Orçamento e com a novidade de que o programa de obras públicas foi, ou melhor, vai ser revisto, em particular o TGV. Porém, desde que reli o recente estudo sobre a Alta Velocidade (AV) que a RAVE publicou em Setembro passado, que acho que a medida recentemente anunciada não faz qualquer sentido. Vejamos. Nos estudos iniciais, a RAVE projectava um tráfego de 1,8 milhões passageiros, para o início de exploração da linha de AV entre Lisboa e Madrid, processados no troço entre Lisboa e o Caia. Mais tarde provou-se que, para a obtenção de um VAL [Valor Actual Líquido] positivo do investimento, o número mínimo de passageiros neste percurso no primeiro ano de operação da linha era de 6,7 milhões passageiros (só 3,6 vezes mais). Claro que agora a previsão da RAVE é a de uma procura de 6,7 milhões em 2015...

Antes, já se valorizava uma hora poupada por um passageiro numa deslocação entre Lisboa e o Caia em 11,93 euros. Agora, o novo estudo assenta num valor/ hora poupada em viagem na casa dos 26 euros... Antes, a previsão do Valor Actual Líquido do investimento, já depois de se considerarem todos os efeitos económicos e sociais directos e indirectos do projecto, era negativo e da ordem dos -1.097,3 milhões de euros. Agora já é positivo e da ordem dos 383 milhões... Antes, dizia-se que o projecto seria ruinoso para qualquer operador que tentasse explorar a linha, uma vez que a diferença entre as receitas recebidas e os pagamentos realizados era negativa e da ordem dos 6372 milhões de euros. Agora diz-se que com a "... separação entre a operação e a gestão das infra-estruturas verifica-se que um operador independente obteria uma rentabilidade financeira positiva".

Só o TGV paga metade da dívida pública e nem é preciso pôr o país a fazer mais nada!


Claro que hoje a TIR [taxa interna de rendibilidade] cresceu! Passou de negativa para os +5,75%, muito embora tenham esquecido que o Estado ainda exige uma taxa real de 4% e uma taxa de inflação de 2% que se deve colocar sobre aquela... (Pst! Dá mais de 6%, cuidado!...). Mas a delícia final é a estimativa feita no novo estudo para a receita fiscal. Então não é que "este estudo concluiu que, ao fim de 30 anos, a receita fiscal do Estado tenha, em termos acumulados, aumentado 63,6 mil milhões de euros"? Agarrem-me o ministro das Finanças e não o deixem beliscar um centímetro, arrancar uma cavilha que seja ao TGV! Estava eu e as agências de rating preocupados com o saldo da dívida pública portuguesa! É simples! Só o TGV paga metade da dívida pública directa actual, e a coisa é de tal ordem que quase nem é preciso pôr o país a fazer mais nada! Já reparou, António, como será bom? Pomos uns banquinhos ao longo da linha e ficamos a ver passar os comboios! Se tivessem um pouco mais de coragem, estou certo de que ainda seriam capazes de fazer melhor...
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sábado, janeiro 16, 2010

O novo ministro das Obras Públicas, António Mendonça, que substituiu "Jamé" Lino, assevera que o TGV vai transformar Lisboa numa praia madrilena

Na imagem seguinte um exemplo dos 3.725 novos empregos que o ministro António Mendonça espera conseguir com um «investimento» superior a mil e quinhentos milhões de euros no TGV (Lisboa-Caia-[Madrid]) e que transformará Lisboa numa praia madrilena:

Os novos empregos que o TGV vai gerar


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Jornal de Negócios – 14/01/2010

A entrada em funcionamento da alta velocidade ferroviária (TGV) vai colocar Portugal num "patamar superior" em termos de competitividade e atractividade, disse hoje o ministro das Obras Públicas, António Mendonça, considerando que "Lisboa e toda a zona em redor será, provavelmente, a praia de Madrid".

[...] O ministro sublinhou a importância de "pensar com antecipação" nas mudanças que a concretização deste projecto vai trazer e afirmou que "está na altura de começar a preparar o plano de 'marketing' para a chegada da alta velocidade a Madrid". "Lisboa e Madrid vão estar ligadas por 02:45 e isso é uma mudança radical relativamente à nossa noção de tempo, à nossa noção de espaço", disse, acrescentando que, com a entrada em funcionamento da rede portuguesa de alta velocidade, Lisboa pode transformar-se na "capital atlântica da Europa".

"Quando estivermos ligados a Madrid, Lisboa e toda a zona em redor será, provavelmente, a praia de Madrid", afirmou António Mendonça.

[...] O Estudo sobre o Impacto da Rede de Alta Velocidade no Turismo Nacional, elaborado pela consultora Deloitte e hoje apresentado, conclui que a entrada em funcionamento da alta velocidade poderá gerar 3.725 novos empregos no turismo e aumentar o valor acrescentado gerado pelo sector em 57 milhões de euros em 2015.


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Vídeo das palavras do ministro António Mendonça (1:51m)


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sábado, dezembro 19, 2009

José Sócrates: a crise é apenas mais uma razão para fazermos o TGV [orçado em 3,3 mil milhões de euros e cujo bilhete vai custar 100 euros]

Jornal de Negócios: Só para pagar os custos de OPERAÇÃO do TGV que une as capitais ibéricas, seria preciso que todos os 8,3 milhões de portugueses que têm mais de 14 anos fossem a Madrid.


A viabilidade económica do TGV para Madrid


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Jornal de Negócios - 24 Julho de 2008:

[...] O Jornal de Negócios e a Antena 1 passaram os últimos dias a ir à Net, a pedir informação ao Governo, a confrontar fontes e a investigar as contas do TGV e do pacote de estradas. E a primeira conclusão é que nem um nem o outro são, por si só, rentáveis. Seria preciso que todos os 8,3 milhões de portugueses que têm mais de 14 anos fossem a Madrid para pagar os custos de operação (de operação!) do TGV que une as capitais ibéricas. Mas será esta a única discussão que queremos fazer sobre as obras públicas, a do debate financeiro? Evidentemente que não. Foi por causa da obsessão "tem de se pagar a si mesma" que a virtuosa Expo 98 degenerou no ladrilhado Parque das Nações.


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Texto de Miguel Sousa Tavares - Expresso 23/06/2007

O desvario dos socialistas

[...] O que me custa a entender é que se queiram gastar biliões num aeroporto novo cuja necessidade está por provar, e mais uns biliões num TGV para o qual se desconfia que não haverá utilizadores que o justifiquem [...]

Os nossos socialistas 'modernos' têm dois fascínios fatais: as obras públicas e os interesses privados. A simbiose que daqui resulta é a pior possível [...]

Anteontem, na apresentação do TGV, o Governo falou, não para o país ou os seus representantes, mas para uma plateia seleccionada dos grandes clientes privados dos negócios públicos: bancos, seguradoras, construtoras, empresas de estudos, gabinetes de engenharia e escritórios de advocacia. E o discurso foi lapidar: "Meus amigos: temos aqui 600 quilómetros de TGV a construir e dez mil milhões de euros a gastar. Cheguem-se à frente e tratem de os ganhar!".

Temos agora a questão dos TGV. [...] Ninguém sabe para que servirão. Não há estudos sobre a utilização prevista e a relação custo-benefício da sua construção. Depois de tranquilamente nos esclarecerem que, quanto aos custos de construção, a hipótese de a sua amortização ser realizada com as receitas de exploração é "totalmente para esquecer", a própria secretária de Estado dos Transportes duvida de que, por exemplo, a linha para Madrid consiga ser auto-sustentável. Ou seja, depois de um investimento de dez mil milhões de euros a fundo perdido, preparam-se para aceitar tranquilamente um défice permanente de exploração.

Quanto é que ele poderá vir a ser, ninguém sabe, porque não se estudou o mercado para saber se haverá passageiros que justifiquem três comboios diários para Madrid. Mas, para que os privados, que ficarão com a concessão por troços, não se assustem com a vulnerabilidade do negócio, o Governo garante-lhes antecipadamente o lucro, propondo-se pagar-lhes segundo a capacidade instalada e não segundo a capacidade utilizada. Isto é, se num comboio com trezentos lugares só trinta forem efectivamente ocupados, o Governo garante às concessionárias que lhes pagará pelos 270 lugares vazios. Todos os dias, três vezes ao dia para Madrid e eternamente, até eles estarem pagos e bem pagos. Eis o que os socialistas entendem por 'obras públicas' e 'iniciativa privada'!

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segunda-feira, julho 06, 2009

E se eu fosse cinco vezes mais rico que o Belmiro de Azevedo?

Sheldon Emry:

"Democratas, Republicanos e eleitores independentes sempre se perguntaram porque é que os políticos gastam sempre mais dinheiro do que aquele que recebem dos impostos… Quando se começa a estudar o nosso sistema monetário, apercebemo-nos rapidamente que estes políticos não são agentes do povo mas sim agentes dos banqueiros, para quem fazem planos para colocar as pessoas ainda mais endividadas."

"Os nossos dois principais partidos tornaram-se seus servos (dos banqueiros), os vários departamentos do governo tornaram-se as suas agências de despesas, e o Serviço da Receita Federal (IRS) é a sua agência de recolha de dinheiro."


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O Grupo Financeiro-Mediático-Construtor

Como muitos sabem, Belmiro de Azevedo é o único português a figurar na famosa lista da revista Forbes, com uma fortuna avaliada em 1,6 mil milhões de euros.

Vamos supor que o Euromilhões continuava a não ter limites para jackpots e, que na sequência de várias semanas sem totalistas, o 1º prémio atingia o valor de 8 mil milhões de euros (mil e seiscentos milhões de contos).

Imaginemos que nessa semana eu ganhava sozinho o 1º prémio: 8 mil milhões de euros e alguns trocos – cinco vezes a fortuna estimada de Belmiro de Azevedo.


Depois de estoirar os trocos na inevitável comemoração, compra de alfinetes, prendas aos amigos e viagem às Canárias, sentir-me-ia na obrigação de investir o capital tão afortunadamente ganho.

Começaria por comprar ou fundar um poderoso banco em Portugal, a que daria o nome de Banco Samaritano, por um valor que poderia rondar os 5.000 milhões de euros. Em termos de comparação, o famoso banco americano Bear Stearns valia cerca de 7.000 milhões de euros antes de estalar a "crise financeira". Depois disso foi vendido ao JP Morgan Chase por 236 milhões de dólares.


Depois de me tornar um banqueiro, dono e único accionista do Banco Samaritano, ainda me sobrariam 3.000 milhões de euros dos 8.000 milhões originais.

Algum tempo depois, já com o Banco Samaritano a funcionar em pleno, e uma muito razoável carteira de clientes, chegaria a altura de abordar os Meios de Comunicação Social (os Media). Trataria de comprar ou fundar um canal de televisão a que daria o nome de TV-TGV – "TeleVisão da Transparência, Globalização e Verdade". A aquisição deste canal televisivo dever-me-ia custar qualquer coisa como 500 milhões de euros (a SIC foi avaliada em 468 milhões de euros).


Ainda no campo mediático, a par da TV-TGV – TeleVisão da Transparência, Globalização e Verdade, também compraria ou fundaria dois jornais diários: "O Autónomo" e "O Fidedigno", e um semanário: "Progresso". Estas três operações deveriam somar cerca de trinta milhões de euros.


Por último, e ainda em termos empresariais, negociaria a compra ou criava de raiz uma sólida empresa de construção civil a que daria o nome de MegaObra. Este investimento custar-me-ia cerca de 200 milhões de euros.


A Intelligentsia

Após a edificação deste meu grupo Financeiro-Mediático-Construtor, constituído por um Banco, um Canal de Televisão, dois Jornais Diários, um Semanário e uma Empresa de Construção Civil, era chegada a fase de Relações Públicas.

Para tanto, fundaria um Instituto da Democracia e Desenvolvimento, um Think Tank da sociedade civil portuguesa que congregasse pessoas independentes e outras com filiação em partidos de todo o espectro político e que promovesse o debate sobre temas de importância nacional sobre assuntos relacionados com política, infra-estruturas, comércio, indústria, estratégia, ciência, tecnologia, educação, saúde, justiça ou mesmo assuntos militares.


Este grupo da sociedade civil incluiria políticos, editores, colunistas, gestores, sacerdotes, figuras prestigiadas de diferentes ordens profissionais, professores universitários, consultores, escritores, dirigentes sindicais, comentadores de televisão e rádio, etc.

Estas pessoas, algumas independentes e outras com filiação partidária, seriam financiadas pelo Instituto da Democracia e Desenvolvimento (por sua vez financiado pelo Banco Samaritano) para fomentar o diálogo e, de alguma forma, influenciar as várias instituições nacionais por forma à realização de objectivos considerados cruciais para o desenvolvimento e modernização do país.

Os elementos deste Think-Thank, dada a indeclinável excelência das suas teses, receberiam por norma o elogio dos jornalistas dos dois diários - "O Autónomo" e "O Fidedigno", e dos vários colunistas do semanário: "Progresso". Seriam, também, presença assídua no canal televisivo TV-TGV, que difundiria incessantemente o pensamento, as ideias, a reflexão e as concepções avançadas pelas distintas personalidades que integravam o Instituto da Democracia e Desenvolvimento.

Não seria, portanto, de estranhar que algumas destas individualidades com filiações partidárias, e dado o seu elevado grau de divulgação mediático, viessem a ocupar altos cargos na governação do país, alcançando, quiçá, posições ministeriais, de Primeiro-Ministro ou de Presidente da República. Outros chegariam, certamente, a presidentes e administradores de empresas públicas ou outras, onde o Estado Português possuísse uma posição accionista significativa.



A Obra

Tendo o Instituto da Democracia e Desenvolvimento posicionado alguns dos seus elementos em posições estratégicas tanto na governação como em instituições de peso na vida económica e social de Portugal, estariam reunidas as condições para levar a cabo a construção de determinadas infra-estruturas que, segundo julgo, seriam estruturantes para o país.

Assim, em minha opinião (e na do Instituto (e na do Governo, entretanto eleito)), seria de avançar com a máxima urgência com duas linhas ferroviárias de Alta velocidade (TGV), cobrindo todo o país em duas diagonais, tendo por objectivo dinamizar e prevenir a desertificação do interior, criar milhares de postos de trabalho, dotar o país de infra-estruturas e equipamentos modernos e limitar as emissões de CO2 e o Aquecimento Global.

As duas linhas de alta velocidade (TGV) a serem construídas teriam os seguintes trajectos:

Linha 1: Sagres, Monchique, Odemira, Grândola, Montargil, Abrantes, Sertã, Covilhã, Guarda, Mogadouro, Bragança.

Linha 2: Caminha, Braga, Amarante, Castro Daire, Viseu, Penacova, Sertã, Castelo de Vide, Estremoz, Mértola e Vila Real de Santo António.


Na vila da Sertã, situada no cruzamento das duas linhas de TGV, seria construído um grande aeroporto internacional, que serviria de plataforma giratória intercontinental com ligações não apenas às Américas do Norte e do Sul, mas também a África, Ásia e Oceânia.

Ponto central na estratégia ferroviária de Alta Velocidade (TGV), a vila da Sertã necessitaria de uma complexa malha de auto-estradas, umas radiais, outras circulares, que permitissem o acesso rápido e seguro por estrada de, e para qualquer ponto do país.

Esta densa malha de auto-estradas obrigaria à construção de diversos túneis e viadutos, alguns deles com vários quilómetros de comprimento, sobretudo no maciço Montejunto-Estrela, e nas serras dos Alvelos, Montemuro, Lousã e Gardunha.

Em face do exposto, faria igualmente todo o sentido a construção de uma linha ferroviária de Alta Velocidade (TGV) da Sertã à linha que liga a Madrid, com uma única paragem intermédia em Marvão.


Os Dividendos

A adjudicação destes empreendimentos, que incluiriam três linhas de alta velocidade (TGV), auto-estradas, túneis e viadutos, seria efectuada pelos ministros das Finanças e das Obras Públicas, à empresa de construção civil MegaObra, dadas as boas relações e o clima de confiança que existiria entre governantes e os altos quadros da empresa.

Por seu lado, o primeiro-ministro da altura consideraria que a adjudicação de todas estas obras seria "um acto de justiça e solidariedade para as pessoas que vivem no interior e que já esperaram tempo demais por acessos ferroviários e rodoviários dignos".


O primeiro-ministro afirmaria igualmente que "essa seria uma altura histórica para o país e que a construção destas linhas de alta velocidade associadas às auto-estradas significaria promover igualdade territorial, e dar a dar às pessoas do interior as mesmas condições e as mesmas oportunidades que todo o resto do território nacional que já possui Alta Velocidade e Auto-Estradas". Salientaria ainda o primeiro-ministro que "o interior ficaria mais atractivo e competitivo".

Sabendo-se que a linha ferroviária de alta velocidade Lisboa-Caia que ligará Lisboa a Madrid representará um investimento de cerca de 3,3 mil milhões de euros, e que a linha de alta velocidade ferroviária Lisboa-Porto está orçada em 3,8 mil milhões de euros, não será difícil prever que estas duas linhas: Sagres-Bragança e Caminha-Vila Real de Santo António, não deverão ficar por um custo inferior a 20 mil milhões de euros.

Se somarmos a este valor o troço de linha ferroviária de alta velocidade da Sertã até à fronteira (em direcção a Madrid), mais as auto-estradas radiais e circulares, os túneis, os viadutos e o aeroporto, verificamos que o custo total dos empreendimentos rondará os 30 mil milhões de euros. Como a média das derrapagens financeiras em obras públicas, segundo o Tribunal de Contas, é normalmente superior a 100%, o custo final para o contribuinte português poderá variar entre os 60 e os 70 mil milhões de euros.

O modelo de financiamento - uma parceria público-privada - agradaria à minha construtora MegaObra, cujos administradores considerariam este modelo "muito interessante, realista, e que seria, provavelmente, o melhor possível para Portugal".

A construtora MegaObra iria suportar cerca de 40 por cento do investimento global, cabendo à União Europeia (UE) comparticipar com 20 por cento do total, ficando os restantes 40 por cento a cargo do Estado.

A construtora MegaObra receberia uma taxa de uso, uma espécie de 'portagem' ferroviária, por cada comboio que passasse, acrescida de uma taxa do Estado, equivalente à diferença entre a receita assim obtida e o valor em falta para manter a capacidade máxima instalada (cash-flow).

Este modelo de negócio que tem proporcionado, e proporciona, aos bancos e aos grupos económicos, milhões em lucros, em adjudicações, em parcerias público/privadas, garantem sempre a privatização da receita e do lucro e a nacionalização do prejuízo e da factura.

Como a contribuição dos fundos comunitários para o investimento total seria de 20%, o Estado português, tendo de pagar a "taxa de uso" mais a "taxa de Estado", financiaria, de facto, os restantes 80 por cento, necessitando para o efeito de pedir o dinheiro emprestado ao Banco Samaritano, valor que teria de amortizar ao longo de muitos anos acrescido dos respectivos juros.



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Opinião de Miguel Sousa Tavares - Expresso 07/01/2006:

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita.»

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»
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sexta-feira, junho 26, 2009

O verdadeiro móbil da política que Sócrates e os seus patronos delinearam para o país

O abismo social como projecto político

Ao governo Sócrates junta-se todo o Centrão e boa parte dos políticos que navegam na órbita dessa galáxia de interesses e corrupção.

São auxílios a Bancos em "Crise", TGVs, Projectos PIN, Aeroportos, Auto-Estradas, Pontes, e toda a sorte da elefantíase albina que povoa a mente sôfrega destes parasitas profissionais.
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sexta-feira, abril 17, 2009

A avidez do banqueiro Ricardo Salgado pelas "grandes obras" de Sócrates


TVI - 16-04-2009

O presidente executivo do Banco Espírito Santo (BES) elogiou esta quarta-feira o projecto de obras públicas que contempla o novo aeroporto ou a rede de alta velocidade.

«O nosso país tem credibilidade. Precisamos de meios de transporte que possibilitem a integração europeia. A política de grandes obras não é nada exagerada», disse Ricardo Salgado em entrevista à SIC Notícias.




É perfeitamente natural que Ricardo Salgado, o dono do BES [Banco Espírito Santo], não veja qualquer exagero nas grandes obras de Sócrates. Qualquer sanguessuga que antecipasse ir lucrar tanto com elas seria da mesmíssima opinião:

Miguel Sousa Tavares - Expresso 07/01/2006

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»
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quarta-feira, dezembro 24, 2008

Vem aí o TGV, o empurrão que faltava para o abismo



Crise não vai parar TGV
Diário IOL - 20 Dez 2008
O ministro dos Negócios Estrangeiros assegurou, este sábado, que a crise não vai travar as grandes obras públicas, nomeadamente o comboio de alta de velocidade (TGV), diz a Lusa. «Não é este o momento de abrandar, não é essa a perspectiva. Pelo contrário», disse Luís Amado...

Luís Amado assegura que não haverá abrandamento em grandes ...
TSF Online - 20 Dez 2008
O ministro dos Negócios Estrangeiros garantiu que os grandes projectos entre Portugal e Espanha, incluindo o TGV, não vão ser afectados pela crise. ...

Crise não vai atrasar TGV
Correio da Manhã - 20 Dez 2008
Luís Amado garantiu este sábado que a crise que está a afectar toda a economia mundial não vai atrasar o investimento público nos grandes projectos comuns a Portugal e Espanha, nomeadamente o comboio de alta velocidade (TGV)...




JN - Paulo Morais - 24/12/2008

O TGV, que se anuncia, é talvez o investimento público mais estúpido de toda a história do nosso país. O enorme espírito de Natal dos portugueses, associado aos seus tradicionais brandos costumes, não chega para tolerar tão enorme disparate.

O TGV não cumpre qualquer regra mínima a que se deve submeter um investimento. Não é nem nunca será economicamente rentável. Não induz efeitos reprodutores positivos, não gera sinergias na actividade económica. E, por fim, não tem a mínima utilidade social.

Sem qualquer sustentabilidade económica, o projecto tem um custo previsto de cerca de 15 mil milhões de euros, valores da ordem de grandeza da colecta anual do IVA ou IRS (a que irão acrescer os crónicos desvios orçamentais das obras públicas). O investimento não é amortizável e, apesar da (pífia) comparticipação de fundos europeus, irá comprometer os impostos de três gerações. Além de que a exploração comercial deste comboio será deficitária, como já o é em todos os países e todas as linhas - com uma única excepção, no Japão.

O TGV também não aportará qualquer efeito positivo à economia nacional. Não serve para transporte de mercadorias, esta sim uma prioridade urgente e sempre adiada. Só de forma muito diminuta servirá o turismo. Nem a agricultura, as pescas ou as indústrias de qualquer tipo beneficiarão da sua existência. Este comboio será usado apenas pela oligarquia lisboeta, nas suas jornadas de vassalagem a Madrid e incursões colonialistas ao Porto.

Por último, o TGV não incorpora benefícios de ordem social. A maioria dos cidadãos nunca utilizará este transporte de ricos, que será pago pelos impostos dos pobres.

Então, para que serve? Para que Portugal não fique arredado das rotas do desenvolvimento, como nos querem fazer crer? Este é o mais falacioso dos argumentos. Se o TGV gera riqueza, então por que razão os países com os mais elevados índices de desenvolvimento humano - a Noruega, a Suécia, a Irlanda, ou até a Austrália e o Canadá - não têm alta velocidade ferroviária?

De facto, este megaprojecto interessa apenas aos construtores, a quem os políticos portugueses devem humilhante obediência. Aos fornecedores de tecnologia, que controlam a burocracia europeia. E aos bancos, que aqui garantem um negócio milionário, cujo risco está coberto por garantias estatais.

A grande velocidade, já hoje se encaminha o país para o abismo. Vem aí o TGV, o empurrão que faltava para o descalabro total.




Marão Oline - 9 de agosto de 2008

Os emigrantes na Europa optam cada vez mais pelo avião no regresso de férias a Portugal, embora a capacidade limitada e o preço dos bilhetes continuem a fazer do automóvel e do autocarro os transportes preferidos.

Beatriz Fernandez, directora comercial para a Península Ibérica da companhia aérea "low-cost" Easyjet, disse à Lusa ser notório o aumento de procura de voos para Portugal nesta altura do ano, sublinhando a importância dos mercados europeus da emigração na actividade da empresa.

"Cada vez mais os emigrantes optam pelo avião para se deslocar ao seu país natal, mas também os seus familiares que residem em Portugal passaram a viajar para França, Suíça e Espanha para os visitar", disse.

Exemplificou com a rota Lyon-Lisboa, que em apenas dois meses transportou aproximadamente 10 mil passageiros.

"Tanto as rotas Lyon-Porto, Lyon-Lisboa ou Genebra-Porto e Genebra-Lisboa são casos de sucesso", referiu, acrescentando que, se comprada com a devida antecedência, a passagem pode custar 32,99 euros por trajecto.
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terça-feira, julho 29, 2008

Os atentados ao contribuinte português


Diário Económico Online/Lusa - 20/05/2008:

O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, afirmou estimar que o plano de investimento em infra-estruturas para os próximos dez anos vá aumentar o nível de actividade no sector da construção de sete para 11 mil milhões de euros por ano.

(...) Os projectos de investimento em grandes infra-estruturas lançados pelo Governo para os próximos 10 anos ascendem a quase 40 mil milhões de euros.



Miguel Sousa Tavares (Expresso 07/01/2006)

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos [Ota e TGV], [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita.»

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»
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quarta-feira, maio 14, 2008

Miguel Sousa Tavares - "Sr. Sócrates, chega de jogadas feitas na sombra"


Miguel Sousa Tavares (Expresso 10/05/2008)

Por favor, não governem mais!

«(...) E quem sentiu a necessidade urgente de mais auto-estradas a rasgar todo o interior já deserto, de um novo aeroporto para Lisboa, de um TGV de Lisboa para Madrid, outro do Porto para Vigo e de uma nova ponte sobre o Tejo para o servir? Quem foi que andou a gritar “gastem-me o dinheiro dos meus impostos a fazer auto-estradas, pontes, aeroportos e comboios de que não precisamos”? Porque razão, então, o lóbi das obras públicas, os engenheiros, projectistas, banqueiros e advogados que os assessoram, mais a ilusão keynesiana do primeiro-ministro, nos hão-de impingir o que não pedimos?

Fomos nós, porventura - ou os autarcas, os especuladores imobiliários e os empresários do turismo - que reclamámos a legislação de excepção dos Projectos PIN para dar cabo da costa alentejana e do que resta do Algarve? Foi nossa a decisão que a Comissão Europeia classificou como uma batota para contornar as normas de protecção ambiental e ordenamento do território?

Fomos nós que reclamámos a privatização da electricidade para depois a pagarmos muito mais cara ou que, inversamente, protegemos até ao limite o monopólio da PT nos telefones fixos, em troca de termos o pior e o mais caro serviço telefónico da Europa?

Fomos nós que nos revoltámos contra o queijo da Serra feito em mesas de mármore, a galinha de cabidela ou o medronho da Serra de Monchique? É em nome da nossa vontade e da nossa cultura que o «ayatollah» Nunes e a sua ASAE aterrorizam e enfurecem meio país?

Fomos nós que estabelecemos uma sociedade policial contra os fumadores, que quisemos encher Lisboa de radares para controlar velocidades impossíveis e ajudar a fazer da caça à multa o objectivo principal da prevenção rodoviária?

Fomos nós que concordámos em que os agricultores fossem pagos para não produzir, os pescadores para não pescar, as empresas para fazer cursos de formação fantasmas ou inúteis, alguns escritores para terem ‘bolsas de criação literária’ para escrever livros que ninguém lê, os privados para gerir hospitais públicos com o dobro dos custos?

Fomos nós que aceitámos pagar por caças para a Força Aérea que caem todos sem nunca entrar em combate, helicópteros que não voam por falta de sobressalentes, submarinos que não servem para nada, carros de combate que avariam ao atravessar uma poça de água?

Fomos nós que decretámos que o Euro-2004 era “um desígnio nacional” e, para tal, desatámos a construir estádios habitados por moscas, onde jogam clubes que vegetam na segunda divisão ou se aguentam na primeira sem pagar aos jogadores, ao fisco e à Segurança Social? E é a nossa vontade colectiva que anda a animar uns espíritos inspirados que já por aí andam a reclamar um Mundial de Futebol ou mesmo uns Jogos Olímpicos?

Ah, e a regionalização, essa eterna bandeira de almas ingénuas ou melífluas, que confundem descentralização com jardinização? Esse último disparate nacional que falta fazer e com o qual nos ameaçam ciclicamente com o argumento de que está na Constituição, embora nós já tenhamos respondido, clara e amplamente, que dispensamos a experiência, muito obrigado?

Será que não se pode acalmar um bocadinho os nossos esforçados governantes? Pedir-lhes que parem com os “projectos estruturantes”, os “desígnios nacionais”, os “surtos de desenvolvimento”, os PIN, os aeroportos, pontes e auto-estradas, que deixem de se preocupar tanto com o que comemos, o que fumamos, o que fazemos em privado e o que temos de fazer em público? Eu hoje já só suspiro por um governo que me prometa ocupar-se do essencial e prescindir do grandioso: um governo que prometa apenas tentar que os hospitais públicos funcionem em condições dignas e que não haja filas de espera de meses ou anos para operações urgentes, que os professores e alunos vão à escola e uns ensinem e outros aprendam, que os tribunais estejam ao serviço das pessoas e da sua legítima esperança na justiça e não ao serviço dos magistrados ou dos advogados, que as estradas não tenham buracos nem a sinalização errada, que as cidades sejam habitáveis, que a burocracia estatal não sirva para nos fazer desesperar todos os dias. Um governo que me sossegue quanto ao essencial, que jure que não haverá leis de excepção nem invocados “interesses nacionais” que atentem contra o nosso património: a língua, a paisagem, os recursos naturais.

Mas não há dia que passe que não veja o eng.º Sócrates a inaugurar ou a lançar a primeira pedra de qualquer coisa. E encolho-me de terror perante esta saraivada de pedras, que ora ajuda a roubar mais frente de rio a Lisboa, ora entrega mais uma praia a um empreendimento turístico absolutamente necessário para o “desenvolvimento”, ora lança mais uma obra pública inútil e faraónica destinada a aliviar-me ainda mais do meu dinheiro para o dar a quem não precisa. Vivo no terror dos sonhos, dos projectos, das iniciativas de governantes, autarcas e sábios de várias especialidades. Apetece dizer: “Parem lá um pouco, ao menos para pensar no que andam a fazer!”

Além de mais, já não percebo muito bem o que justifica tanto frenesim. Já temos tudo o que são vias de transporte concessionado para as próximas gerações: auto-estradas, pontes, portos, aeroportos (só falta o comboio, mas os privados não são parvos, vejam lá se eles querem ficar com o negócio prometidamente ruinoso do TGV!). Já temos tudo o que é essencial privatizado (só falta a água e palpita-me que não tarda aí mais esse ‘imperativo nacional’). É verdade que ainda faltam alguns Parques Naturais, Redes Natura e REN por urbanizar, mas é por falta de clientes, não por falta de vontade de quem governa. Já faltou mais para chegarmos ao ponto em que os governos já não terão mais nada para distribuir. Talvez então se queiram ocupar dos hospitais, das escolas, dos tribunais. Valha-nos essa esperança.»


Comentário: Mas é o próprio Miguel Sousa Tavares que, numa lógica desassombrada, assenta uma forte machadada na esperança de um período de obras menos faraónicas, menos inúteis e menos ruinosas:

Miguel Sousa Tavares (Expresso 07/01/2006): «Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos [Ota e TGV], [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita.»

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»
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sábado, abril 12, 2008

Lá dentro, no «inner circle» do poder, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos




Miguel Sousa Tavares (Expresso 07/01/2006)

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos [Ota e TGV], [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita.»

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»


TSF Online: Um estudo da consultora PriceWaterCoopers indica que o preço da ligação em alta velocidade Lisboa-Porto-Madrid disparou para os 11 mil milhões de euros, mais 40,6 por cento que os 8 mil milhões de euros previstos em 2004.



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quarta-feira, março 05, 2008

Belmiro de Azevedo - TGV para quê?


Agência Financeira - 26/02/2008

O «chairman» da Sonae, Belmiro de Azevedo, criticou esta terça-feira o projecto do comboio de alta velocidade (TGV), assumindo que o mesmo não é uma necessidade estrutural para o País e implica um investimento gerador de «desestabilização orçamental».

«Para quê passar a ir de Lisboa a Madrid em quatro horas se já o posso fazer em 50 minutos? A aposta devia ser era nas (companhias aéreas) low-cost», disse o empresário, que acompanhou o I Encontro PME Inovação Cotec, que decorreu em Lisboa.


Que importância tem que o TGV constitua para o país um investimento gerador de «desestabilização orçamental»? Sócrates não está lá para isso mesmo?

Não foi Sócrates o principal impulsionador de um «investimento» de centenas de milhões de contos em estádios de futebol que «estão às moscas»? E que tem o descaramento de afirmar que a construção dos dez estádios é um bem necessário ao país. Que "estamos perante um grande sucesso económico."

Os empresários de obras públicas e os banqueiros já afiam os dentes:


Dinheiro Digital - 05-03-2008

Dois consórcios constituem-se para concurso do TGV

Empresas portuguesas estão a constituir dois agrupamentos para participar no projecto da Alta Velocidade (TGV), que começará a dar os primeiros passados no último semestre deste ano, destaca o Jornal de Negócios esta quarta-feira. Um dos agrupamentos «será co-liderado pela Brisa e pela Soares da Costa, enquanto o outro integrará a Somague, Teixeira Duarte e Mota-Engil», detalha o jornal.


Miguel Sousa Tavares - Expresso 07/01/2006

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos [Ota e TGV], [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»
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segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Até um idiota percebe que o TGV é um roubo


Diário Digital - 09-02-2008

«Já que houve o bom-senso de pensar o aeroporto e agora pensar a ponte, que haja também a sensatez de pensar globalmente o projecto de alta velocidade ferroviária», defendeu Luís Filipe Menezes.

Falando em Viana do Castelo, à margem da tomada de posse da nova Comissão Política Distrital, Menezes defendeu que um comboio de velocidade moderada, a 200 quilómetros por hora, «era mais do que suficiente» para a ligação Porto-Lisboa e significaria um investimento «muito menor».

Por isso, aconselhou o Governo a ponderar «um estudo independente» para aferir da necessidade de gastar «centenas de milhões de euros» numa ligação em alta velocidade para «retirar meia dúzia de minutos» ao tempo da viagem.

Para o líder do PSD, «está agora evidente que o Governo, do ponto de vista técnico, não consegue suportar uma decisão com base naquilo que é o seu 'staff' de acompanhamento. E os portugueses têm todas as razões para que, toda a vez que aparecer uma proposta, duvidarem da sua fiabilidade».


Comentário:

Meia dúzia de minutos poupados = Milhares de milhões de euros delapidados

Para Sócrates, tempo é dinheiro. Muito dinheiro...

sábado, novembro 24, 2007

Chávez vs. Bush vs. Sócrates

Miguel Sousa Tavares - Expresso 24/11/2007

«Se as coisas, como as pessoas, fossem sempre lineares, não me custaria nada reconhecer que Hugo Chávez não é o tipo de democrata que eu recomendaria nem a Venezuela é o tipo de democracia em que eu mais gostaria de viver. Mas as coisas não são lineares: se o fossem, ninguém concederia a George Bush o epíteto de democrata. Aliás, na comparação, ele só sai a perder

«Chávez chegou ao poder por golpe de Estado, mas fez-se eleger e reeleger em eleições cuja credibilidade ninguém contestou, assim como ninguém pode seriamente contestar que ele tem o apoio efectivo de uma maioria consolidada de venezuelanos. É certo que vai fazer plebiscitar uma emenda constitucional que lhe permitirá fazer-se reeleger e perpetuar indefinidamente no poder - coisa que não é bonita, mesmo se plebiscitada, mas que tantos outros fazem, sem necessidade de emendas constitucionais: veja-se Alberto João Jardim na Madeira ou Jardim Gonçalves no BCP. Também é verdade que fez com se calasse uma televisão privada que lhe era politicamente desafecta (não a mandou calar, como os críticos gostam de dizer, limitou-se a não renovar a licença) e que domina amplamente os meios de informação venezuelanos. Mas ainda funciona uma estação de televisão, jornais e rádios da oposição e não consta que haja presos políticos

«Em contrapartida, Bush não chegou ao poder por golpe de Estado - pelo menos com armas na mão - mas chegou por batota eleitoral (a menos que se queira acreditar que os negros da Florida votaram maciçamente por ele, contra Al Gore). A seguir, fabricou uma guerra e todas as ‘provas’ necessárias a arrastar para ela os Estados Unidos e os aliados, de modo a fazer valer a tradição americana de que ‘um Presidente em guerra’ é sempre reeleito. Não fechou órgãos de informação, mas falsificou a informação sempre que isso lhe conveio para esconder a verdade e conduzir políticas ocultas do Congresso e da opinião pública. Também não tem presos políticos internos, mas tem-nos, de outras nacionalidades, mantidos em prisão em Guantánamo, sem quaisquer direitos, nem prazo, nem acusações, naquela que é uma das situações mais vergonhosas de direitos humanos em vigor no mundo de hoje e a mais vergonhosa em qualquer democracia

«Odiado pelos Estados Unidos e por meio mundo, Chávez tem feito mais pelo seu povo do que muitos dos seus antecessores, enquanto que George W. Bush o que fez foi gastar o dinheiro que Clinton lhe deixou nos cofres a financiar os ricos e a tirar aos pobres, fez os Estados Unidos regredirem em todos os capítulos económicos, científicos e ambientais, desprestigiou a América aos olhos do mundo e tornou este um lugar bem mais perigoso para viver graças à sua irredutível ignorância e arrogância. Até já o amigo Durão Barroso, que nos tempos épicos da cimeira das Lages gostava que se soubesse que o tratava por ‘George’, acha mais prudente agora cavar distâncias e dizer-se ‘enganado’. Só mesmo o director do ‘Público’ - que tão entusiasta foi da ‘justa’ guerra do Iraque e que conseguiu ver nas imagens da estátua derrubada de Saddam uma espécie de reinvenção das imagens dos marines a desembarcar em Omaha Beach, em nome da liberdade - é que pode achar agora que perigoso é “ficar à mercê de demagogos mediáticos” como Hugo Chávez.»

«É verdade que um demagogo é sempre perigoso, mas um demagogo no poder num país como a Venezuela, mesmo com o petróleo, não pode fazer grande mal ao mundo. Um mentiroso, no poder num país como os Estados Unidos, pode fazer e faz

«Por uma vez, a nossa habitual diplomacia de não fazer ondas com ninguém até teve razão de ser. Por que razão, de facto, haveríamos de ter Chávez como inimigo ou alvo a abater? Porque isso agradaria ao embaixador dos Estados Unidos em Lisboa? É ele que está em condições de garantir que, se hostilizássemos Chávez, em nome de uma estúpida solidariedade ocidental de espécie confusa, os Estados Unidos estariam de braços abertos para acolher a comunidade lusa de 400.000 almas que vive na Venezuela? E em nome de que coerência de princípios disse Luís Filipe Menezes esperar que Sócrates não deixasse de “abordar o tema dos direitos humanos” com Chávez? Será que espera o mesmo nas relações com Angola ou com a China - essas, sim, verdadeiras ditaduras - onde o bloco central dos empresários tem ou espera vir a ter negócios milionários, garantidos pela cobertura do Estado e por relações sem ondas com as nomenclaturas locais? O dr. Menezes sente-se capaz de explicar ao sr. Américo Amorim que, se um dia for primeiro-ministro, vai pôr o tema dos direitos humanos no topo da agenda das relações com Angola

«Eu prefiro Hugo Chávez a George W. Bush. Para começar, porque se fosse venezuelano ou latino-americano e se houvesse um Bush na Casa Branca, eu também seria ferozmente antiamericano. Depois, porque acho mais saudável alguém que diz a verdade que lhe vem à boca, ainda que muitas vezes disparatada e inconveniente, do que alguém que lê frases feitas no teleponto e por trás dos microfones faz o oposto do que diz e promete. E, finalmente e não menos importante, porque preferia mil vezes jantar com Chávez do que com Bush. Mesmo que, a certa altura e cansado de o ouvir, tivesse de o mandar calar, como fez, e bem, o rei de Espanha.»


Comentário:

Miguel Sousa Tavares diz que prefere Hugo Chávez a George W. Bush. Pois eu prefiro Bush a Sócrates.


É verdade que Bush chegou ao poder por batota eleitoral. É verdade que Bush fabricou uma guerra e todas as ‘provas’ necessárias a arrastar para ela os Estados Unidos e os aliados. É verdade que Bush falsificou a informação sempre que isso lhe conveio para esconder a verdade e conduzir políticas ocultas do Congresso e da opinião pública. É verdade que Bush tem presos políticos em Guantánamo, sem quaisquer direitos, nem prazo, nem acusações, naquela que é uma das situações mais vergonhosas de direitos humanos em vigor no mundo de hoje e a mais vergonhosa em qualquer democracia. E também é verdade que Bush engendrou o 11 de Setembro, que causou cerca de 3 mil mortos nos EUA, para justificar uma guerra infinita «ao terrorismo».

Mas Bush fez tudo isso às claras. Toda a gente percebeu que as três torres de Manhattan só podiam ter caído por demolição controlada. Toda a gente compreendeu que o NORAD (Comando de Defesa Aeroespacial Norte-americano) teve todo o tempo do mundo para interceptar os aviões sequestrados e só não o fez por ordens superiores. Toda a gente soube que no buraquito que apareceu na fachada do Pentágono não cabia um Boeing 757. Bush pode não o ter dito directamente, mas deixou os indícios necessários para que qualquer pessoa, por bronca que seja, percebesse de imediato que se tratava de um "inside job". Bush, praticamente, gritou-nos aos ouvidos que era um simples funcionário do complexo militar-industrial e que estava ali unicamente para encher os bolsos às indústrias da defesa e do petróleo. Bush, na sua malvadez, foi franco nas pistas que espalhou por todo o lado.

Sócrates é mais sinistro. Sendo, embora, um declarado funcionário do lobby bancário-betoneiro, o Primeiro-Ministro faz a coisa pela calada. A coberto dos dez úteis estádios de futebol que mandou erigir para o Euro 2004, Sócrates quer impingir-nos agora um megalómano aeroporto que o país não precisa e TGVs desmedidamente dispendiosos de que Portugal não tem necessidade.

Como afirmou Miguel Sousa Tavares (Expresso 07/01/2006):

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita. [...] Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»



Não haja dúvida, entre a criminosa honestidade de Bush e a perversidade encapotada de Sócrates, prefiro de longe o primeiro.
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