O objectivo supremo da propaganda é conseguir que milhões de pessoas forjem entusiasticamente as grilhetas da sua própria servidão [Emil Maier-Dorn].
segunda-feira, setembro 14, 2015
As voltas que o «Terrorismo» dá…
quinta-feira, novembro 18, 2010
Sobre a Cimeira da NATO [um tentáculo do Pentágono] e das suas «guerras ao terrorismo»
«(...) Exploremos os contactos que a Al-Qaeda parece ter com o mundo obscuro das finanças - dos «off-shores» e dos «paraísos fiscais» - com o «dinheiro sujo», com a criminalidade organizada, com o tráfico ilegal de armas, incluindo atómicas, com o mercado da droga. Há franjas desse sub-mundo que, seguramente, serviços secretos, mesmo os minimamente secretos, mesmo os minimamente organizados, podem penetrar e conhecer. Já o devem ter feito. Mas será que os grandes responsáveis querem tomar conhecimento dessa negra realidade e das pistas que indica?»
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sábado, setembro 11, 2010
Há males que vêm por bem...

Em Setembro de 2000, poucos meses antes do acesso de George W. Bush à Casa Branca, o "Project for a New American Century" (PNAC) publicou o seu projecto para a dominação global sob o título: "Reconstruindo as defesas da América" ("Rebuilding American Defenses").
O PNAC esboça um roteiro da conquista. Apela à "imposição directa de bases avançadas americanas em toda a Ásia Central e no Médio Oriente" tendo em vista assegurar a dominação económica do mundo, e ao mesmo tempo estrangular qualquer potencial "rival" ou qualquer alternativa viável à visão americana de uma economia de mercado”.
O projecto do PNAC também esboça uma estrutura consistente de propaganda de guerra. Um ano antes do 11 de Setembro, o PNAC fazia apelo a "algum evento catastrófico e catalisador, como um novo Pearl Harbor", o qual serviria para galvanizar a opinião pública americana em apoio a uma agenda de guerra (pág 51)":

"Further, the process of transformation, even if it brings revolutionary change, is likely to be a long one, absent some catastrophic and catalyzing event – like a new Pearl Harbor."
«Além disso, o processo de transformação, mesmo que traga transformações revolucionárias, será provavelmente longo, excepto se se produzir algum evento catastrófico e catalizador – como um novo Pearl Harbor.»
Os arquitectos do PNAC parecem ter antecipado com cínica precisão a utilização dos ataques do 11 de Setembro como "um pretexto para a guerra".
"... it may find it more difficult to fashion a consensus on foreign policy issues, except in the circumstances of a truly massive and widely perceived direct external threat."
"... pode considerar-se mais difícil conseguir um consenso [na América] sobre questões de política externa, a não ser nas circunstâncias de uma ameaça externa directa verdadeiramente maciça e amplamente percebida."
Zbigniew Brzezinski, que foi Conselheiro de Segurança Nacional do presidente Jimmy Carter, foi um dos arquitectos da rede Al-Qaeda, criada pela CIA para combater os soviéticos na guerra afegã (1979-1989).
"We try to get our arms around Al-Qaeda, the organization — or maybe the movement — associated with bin Laden (...) now, putting aside whether it was possible to actually topple the North Tower onto the South Tower and kill 60,000 people, consider the goal (...)"
"Estamos a tentar fazer um cerco à Al-Qaeda, a organização - ou talvez o movimento - associada a bin Laden (...) bom, não discutindo agora se era realmente possível fazer cair a Torre Norte sobre a Torre Sul e matar 60.000 pessoas, considerem tal objectivo (...)"
Na sequência do 11 de Setembro as despesas militares dispararam, e por consequência os chorudos contratos do complexo militar-indústrial. De 2001 até hoje, o orçamento anual americano da defesa passou de 404 mil milhões para quase 900 mil milhões de dólares, um aumento de cerca de 120% em nove anos. Abençoado Bin Laden!
Aumento da Depesa militar norte-americana desde 2001 até hojeem milhares de milhões de dólares
Cujos grandes beneficiários têm sido:
Os 100 maiores fornecedores da Defesa (dos EUA)(As verbas referem-se apenas ao ano 15.08.2008 - 15.08.2009)
Comentário
O diagrama seguinte é perfeitamente explícito: as empresas da defesa controlam as televisões, rádios, jornais e, portanto, as campanhas políticas. Estas, por sua vez, fazem eleger para presidentes, senadores e congressistas, os homens de mão da indústria da defesa. Estes agentes, por seu turno, votam sucessivos aumentos nos orçamentos da Defesa. E quando perante a opinião pública se torna impossível justificar tais aumentos em tempo de paz, organizam-se imaginativos eventos catastróficos e catalizadores:
. sábado, janeiro 09, 2010
A Al-Qaeda aposta cada vez mais na juventude e na simpatia
Jornal «The Times», 1 de Janeiro de 2010
Título do «The Times»
A vida dupla do 'dotado e simpático' suspeito terrorista Umar Farouk Abdulmutallab
O miúdo, aparentemente, não se terá apercebido que seria mais fácil estoirar com explosivos uma redacção de um jornal (por exemplo, o The Times, com todos os principais accionistas presentes), do que enfrentar o temível NORAD (Comando de Defesa Aeroespacial Norte-americano).
Temem os mais fanáticos seguidores do Profeta que, a enveredar por estratégias deste tipo, o terrorismo islâmico não passará de uma brincadeira.
sexta-feira, junho 19, 2009
Jon Stewart – «Guerra ao Terrorismo» ou a interminável propaganda do medo nos EUA

Jon Stewart: Aqui em Nova Iorque, foi travado um atentado terrorista na cidade. Quatro homens foram presos porque iam fazer explodir sinagogas no Bronx. Onde teve origem este plano diabólico? No Iraque? No Irão? Não, em Newburgh, Nova Iorque. Newburgh! Sabem o que isso significa?
Flashes televisivos: Plano terrorista interno… Terroristas internos… Um plano terrorista interno… Terroristas internos…
Jon Stewart: Internos? Fazem um plano terrorista parecer erva de m… São internos. Não é como o plano terrorista de qualidade de Humboldt County. Porquê uma sinagoga no Bronx?
Canal televisivo: Afirmaram que era uma Jihad. Ficaram perturbados com o que está a acontecer no Afeganistão e no Paquistão, onde há muçulmanos a morrer.
Jon Stewart: Então, porquê uma sinagoga no Bronx? Devia ser isso ou um restaurante Jamba Juice em Schenectady. Por favor! "Vamos ver como os infiéis se safam sem os preciosos Femme Boosts." Mas as sinagogas não eram os únicos alvos.
CNN: Os quatro planeavam abater aviões militares a partir de uma base da Air national Guard em Nova Iorque.
Jon Stewart: Embora os suspeitos de terrorismo tenham podido iniciar o plano antes de serem presos, o público nunca esteve em perigo.
CNN: As autoridades infiltraram-se neste grupo terrorista há um ano forneceram-lhes armas falsas.
Fox News: As bombas foram feitas com o que os terroristas pensavam ser C-4, mas era só uma mistela que técnicos do FBI criaram.
Jon Stewart: Deviam ser terroristas muito experientes. "Este C-4 parece uma mistela. Está óptimo." Uma grande vitória contra o terrorismo também para a Fox News que pôde usar as capturas como prova de que o presidente Obama está a pôr a América em perigo.
Fox News: Estamos a falar com o que faremos com os prisioneiros de Guantánamo e de talvez os trazer para prisões americanas. Ao que parece, três deles estiveram presos e congeminaram este plano na prisão. As pessoas pensam que essas coisas não podem acontecer se trouxermos estes terroristas para território americano. Isto não provará que acontecem?
Jon Stewart: Não! Na verdade acabou de argumentar que não se deve mandar ninguém para a prisão. Os prisioneiros de Guantánamo ainda não chegaram cá...
quarta-feira, maio 06, 2009
Jon Stewart – Num mês apenas, a CIA efectuou 183 simulações de afogamento a um único terrorista da Al-Qaeda
Jon Stewart: Vamos directos ao assunto. A América onde estamos, é um país simples, governado por regras simples. Aliás, quanto mais simples, melhor.
George Bush: Não torturamos.
Jon Stewart: Não torturamos! Duas palavras que não são suficientemente repetidas, que simbolizam a América, como "amo-te" ou "onde está a carne?"
É completamente claro. Mesmo que as coisas se compliquem, mesmo que os nossos inimigos sejam impiedosos, não torturamos. A questão não é se a declaração é verdadeira ou não. A questão é que esta m… é preocupante. Claro que nada disto faz diferença aos admiradores do Sr. Sim, Podemos Mudar [Barack Obama].
Canal de TV: O presidente Obama divulgou os memorandos do governo Bush, expondo o seu manual de tortura.
Jon Stewart: Boa! Agora em vez de apreciar o facto de não torturarmos, temos de ver uma lista das coisas que não fazemos, numa tentativa gritante de magoar os nossos cérebros.
Sucessão de flashes televisivos:
CNN: Os métodos usados incluem simulação de afogamento…
Canal de TV: A face era regada com água de jarros ou mangueiras…
CNN: Tinham de ficar ajoelhados, enquanto eram forçados a inclinar-se direitos para trás…
Canal de TV: Confinavam os suspeitos numa caixa apertada com um insecto…
Canal de TV: Qualquer coisa como uma lagarta…
Jon Stewart: sendo mais específico, um prisioneiro da Al-Qaeda passou pela simulação de afogamento 183 vezes num mês, e esta é a pior parte: 185 simulações e recebe-se pão de alho de graça. É preciso passar pela simulação de afogamento 183 vezes? O grau de eficácia não diminui? Presumo que, depois de 90 simulações, ele pense: "Não me vão mesmo afogar, pois não?"
Michael Hayden, director da CIA na era de Bush, defendeu a utilização dessas tácticas contra sujeitos que já tinham dito tudo o que sabiam.
Pivot do um Canal de TV: Toda a informação que [Abu Zubaydah] revelou, surgiu antes de ter sido sujeito a simulações de afogamento, antes de ser esbofeteado, antes de ser atirado contra uma parede.
Michael Hayden da CIA: Devo corrigi-lo. Foi atirado contra uma parede falsa e flexível, com uma protecção no pescoço para que não se magoasse.
Jon Stewart: E, para sermos justos, se me permite, a água que usámos para as simulações era tépida e tinha um pH equilibrado. E as algemas das posições de tensão eram sempre as peludas da Spencer Gifts. Não somos nenhuns selvagens!
And goes on and on...
VÍDEO legendado em português:
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domingo, dezembro 14, 2008
Jon Stewart – Os terroristas são um grupo de sacanas, que trabalham em conjunto com idiotas
Jon Stewart - A grande notícia da semana passada foi o que aconteceu em Mumbai, na Índia. Morreram perto de 200 pessoas num ataque terrorista concertado que parece ter sido perpetrado por um grupo radical islâmico. Para mais informações, Oliver junta-se a nós, de Washington. Oliver, obrigado pela tua presença. Oliver este foi um acontecimento terrível e uma terrível tragédia. Já se tem alguma ideia sobre quem fez isto?
Oliver - Neste momento, Jon, há poucos pormenores. Embora ainda não saibamos o nome concreto, há uma coisa bastante clara: é que parece ser um grupo de uns sacanas incríveis, que trabalham em conjunto com idiotas de primeira.
Jon Stewart - É interessante que digas isso, Oliver, porque foi isso mesmo que gritei para a minha televisão quando vi a notícia pela primeira vez..
Oliver - Pronto, aí tens. O teu primeiro instinto estava certo.
Jon Stewart - Estes grupos, Oliver, a Al-Qaeda, os sacanas e os idiotas… O que pretendem?
Oliver - Transformar o mundo inteiro num califado islâmico.
Jon Stewart - Estou a ver. Estou a ver. E a forma de fazerem isso, Oliver, é…
Oliver - É matarem aleatoriamente o máximo de inocentes possível, sem qualquer remorso, compaixão ou consideração pela vida humana.
Jon Stewart - De que forma é que isso os ajuda a alcançar o seu objectivo?
Oliver - Ora aí está, Jon! Exactamente! Salientaste o defeito quase imperceptível da lógica destes malandros poderosos. “Odiamos e matamos tudo aquilo que vocês defendem. Juntem-se a nós!”
Jon Stewart - Oliver, isso parece muito estúpido.
Oliver - E é. É estúpido, Jon. Aliás, a estupidez está entre as menos negativas das suas muitas falhas de carácter. Aparentemente acham que não há nenhum problema que não possa ser resolvido senão infligindo um enorme sofrimento sobre civis inocentes.
Jon Stewart - Qual a sua resposta ao que pensam ser o imperialismo dos EUA?
Oliver - Seria destruir um hotel.
Jon Stewart - E à pobreza?
Oliver - Acham que a melhor solução é fazer explodir um estádio de futebol. Mas eles têm um plano para erradicar a epidemia de difteria a nível mundial.
Jon Stewart - E qual seria?
Oliver - Atirar um autocarro contra um circo. Não estou a dizer que faz sentido, Jon. Mas quando se tem uma ideologia corrompida e se persegue uma estratégia corrompida, a única solução é fazer uma jogada parva.
Jon Stewart - Obrigado, Oliver. Uma última pergunta. Quando é que estes sacanas desaparecem?
Oliver - Provavelmente não vão desaparecer, Jon. Sempre houve sacanas. Sempre haverá sacanas. O que não podemos é deixar que controlem a put* da nossa vida.
VÍDEO legendado em português – 3:10m
DS - Mumbai - os terroristas sao idiotas @ Yahoo! Video
quinta-feira, dezembro 04, 2008
terça-feira, julho 15, 2008
Ben-Gurion - Devemos usar o terror, o assassínio e a confiscação da terra para libertar a Galileia da sua população árabe
Figura 1 – A Palestina em 1946.
Figura 2 – A Palestina em 1947, após a partilha do território pelas Nações Unidas.
Figura 3 – A Palestina em 1967.
Figura 4 – A Palestina em 2000.
(Clicar para ampliar a imagem):
Para melhor compreensão da «evolução na redistribuição» da Palestina entre palestinianos e israelitas, atente-se na opinião de alguns dos principais dirigentes israelitas:
Moshe Dayan (1915 — 1981), foi responsável pelas mais importantes vitórias de Israel nas guerras contra seus vizinhos árabes.- "Se se tem o Livro da Bíblia, e o Povo do Livro, então tem-se também a Terra da Bíblia – dos Juízes e dos Patriarcas em Jerusalém, Hebron, Jericó e das terras em redor." [If you have the Book of the Bible, and the People of the Book, then you also have the Land of the Bible -- of the Judges and of the Patriarchs in Jerusalem, Hebron, Jericho and thereabouts] - Moshe Dayan, Jerusalem Post, August 10, 1967.
- "Reparem na Declaração de Independência Americana. Não contém qualquer menção a limites territoriais. Nós não somos obrigados a fixar os limites do Estado." [Take the American Declaration of Independence. It contains no mention of territorial limits. We are not obliged to fix the limits of the State.] - Moshe Dayan, Jerusalem Post, August 10, 1967
Menachem Begin (1913-1922) foi um politico israelita, Prémio Nobel da Paz e Primeiro Ministro de Israel.- "Esta terra foi-nos prometida e nós temos direito a ela." [This land has been promised to us and we have a right to it.] – Afirmação de Menachem Begin em Oslo, Jornal Davar, 12 de Dezembro de 1978.
- "A Terra de Israel será devolvida ao povo de Israel. Toda ela. E para sempre." [Eretz Israel will be restored to the people of Israel. All of it. And for ever.] - Menachem Begin, The Revolt: The History of Irgun, p. 33.
- "O povo Judeu possui um incontestável, eterno, direito histórico à Terra de Israel, a herança dos seus antepassados..." [the Jewish people have unchallengeable, eternal, historic right to the Land of Israel, the inheritance of their forefathers] - (Iron Wall, p. 354-355)
David Ben-Gurion (1886 — 1973), judeu polaco, foi o primeiro chefe de governo de Israel.- "O status quo não será mantido. Fundámos um Estado dinâmico, empenhado na expansão." [To maintain the status quo will not do. We have set up a dynamic state, bent on expansion.] - Ben-Gurion, Rebirth and Destiny of Israel, p. 419 [Renascimento e Destino de Israel].
- "Devemos usar o terror, o assassínio, a intimidação, a confiscação da terra, e o corte de todos os serviços sociais para libertar a Galileia da sua população árabe." [We must use terror, assassination, intimidation, land confiscation, and the cutting of all social services to rid the Galilee of its Arab population.] - David Ben-Gurion, May 1948, to the General Staff. From Ben-Gurion, A Biography, by Michael Ben-Zohar, Delacorte, New York 1978.
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segunda-feira, maio 19, 2008
Pacheco Pereira - A relevância do Terrorismo na imensa irrelevância mediática
Excerto de um artigo de José Pacheco Pereira no Blogue Abrupto e no jornal Público - 17 de Maio de 2008:
FUTEBOL, FUMEI, PEQUEI, VOU DEIXAR DE FUMAR, FUTEBOL, ESMERALDA ENTRE O PAI AFECTIVO E O PAI BIOLÓGICO, FUTEBOL, FUTEBOL, DIRECTO DO ACIDENTE NA A1 QUE PROVOCOU TRÊS FERIDOS, FUTEBOL, OS PAIS DA PEQUENA MADDIE, FUTEBOL, FUTEBOL, TENHO UM CANCRO - TIVE UM CANCRO - VOU TER UM CANCRO, FUTEBOL, FUTEBOL, FUTEBOL, FUTEBOL, FUTEBOL, FUTEBOL.
«(…) O sítio do noticiário político são os programas de humor, o sítio de "sociedade" são os programas da manhã e os do jet set, o sítio da economia é o Preço Certo (…).»
«(…) [Isto] É um sinal de descontrolo cívico, de atraso político e social, de retrocesso da nossa democracia e da nossa vida pública. Não é só na economia que estamos a andar par atrás, é na cabeça. A cultura da irrelevância está a crescer exponencialmente e todos já esperam que o mesmo aconteça nos próximos meses, em que mais uma vez o país vai parar porque há um Campeonato.»
«(…) Mas não é só as vezes em que directos do futebol são o telejornal, é que durante três, quatro dias não nos conseguimos ver livres daquilo. Até aparecer outro directo mais saboroso, temos que assistir a "noticiários" que repetem ad nauseam as mesmas imagens, as mesmas declarações, seguidas por milhões de palavras "escalpelizando" os "factos", em tudo o que é programa de actualidade pela noite fora. O circo está montado na nossa cabeça e nele fazemos o papel do urso amestrado ou dos macaquinhos. Nem sequer o do palhaço pobre.»
«Mas não é só o futebol, é tudo o resto. É o mundo das telenovelas, com o seu sangue, suor e lágrimas, transformado em "casos", o caso Maddie, uma coisa abstracta e virtual, sem corpo real, já sem a violência do crime, já transformado numa soap opera de plástico, o caso Esmeralda, uma competição absurda à volta de uma menina imaterial, tão abstracta e morta na virtualidade como a "pequena Maddie" (…)»
«A cultura da irrelevância está impante como nunca, espectáculo e pathos brilham no sítio que anteriormente ainda era frequentado, de vez em quando, pela razão, pelo bom senso, pela virtude. Esta é, obviamente, a melhor comunicação social, a melhor televisão para os governos, e o actual cuida bem que não lhe falte dinheiro para as suas quinhentas horas de futebol. Compreende-se: a bola não pensa, é para ser chutada.»
Queixa-se, com razão, Pacheco Pereira, da total irrelevância da "informação" que nos é facultada pelos media: Futebol, a pequena Esmeralda, Futebol, fumei no avião, Futebol, a pequena Maddie, Futebol, acidente na A1, Futebol, Futebol e Futebol.
Mas, nesta lista, Pacheco esquece um tópico recente que nos tem sido martelado até à medula nos últimos sete anos: o Terrorismo. Eis as parangonas diárias nos jornais e televisões:«20 Jan 2008 ... José Sócrates admite que ameaça terrorista é para levar a sério».
«A Comissão Executiva da União Europeia aconselhou o aumento do controle nos aeroportos, após o alarme de atentados terroristas em voos entre a Inglaterra».
«As autoridades suíças e austríacas estão sob alerta perante a ameaça de eventuais atentados terroristas durante o Euro 2008».
«11 Jan 2008 ... Os controladores aéreos portugueses interceptaram uma conversa onde foi detectada uma ameaça terrorista contra a Torre Eiffel».
«09 de Fevereiro de 2007 - Portimão debate impacto da ameaça terrorista no turismo».
Et Cetera...
Embora Pacheco Pereira tenha cuidadosamente evitado referir a lavagem cerebral «terrorista», que é diariamente notícia de primeira página dos jornais e televisões, Pacheco abraça-a com paixão e martela-a com o mesmo entusiasmo de um jornalista imberme ao escrever um artigo de página inteira sobre um treino do Vitória de Guimarães.
Excerto de um texto de Pacheco Pereira sobre a ameaça terrorista no seu blogue Abrupto - 15/7/2005:
«Algures, perto de si, acabará por explodir uma bomba, flutuar uma doença, fluir um veneno.»«É por isso que não basta bater no peito e dizer que “somos todos londrinos” e na volta da esquina já estar a discutir as tenebrosas propostas do Sr. Blair para limitar direitos de privacidade das mensagens porque isso facilita a vida aos terroristas. Na volta da memória, escarnecer o Patriot Act, essa “fascização da América” como já lhe ouvi falar, atacada por tudo que é burocracia bruxelense e suas extensões nacionais, como se, sobre a dupla pressão dos autocarros que explodem, e da insegurança popular, não se tenha também que ir por aí, com a prudência e as cautelas que as democracias têm que ter por tal caminho.»
«É também por isso que poucas vezes como nos dias de hoje se vê o grau de demissão do pensamento ocidental como nestes momentos. Mário Soares é entre nós o principal “justificador”, introduzindo com displicência, dele, e complacência de muitos, todos os temas dessa culpa auto-punitiva e demissionista.»
«As únicas explicações que me interessavam, as únicas “causas” que eu queria perceber, eram aquelas que me permitiam derrotá-lo funcionalmente, as que eram instrumentais para acabar com ele e com os seus.»
«É importante perceber que, mesmo nas questões onde o meu pensamento lhe admitia “razão”, essa razão só pode ser defrontada depois da eliminação dele - válido para Hitler, ou Estaline, ou Bin Laden.»
«Voltemos à questão da guerra. Eu bem sei que há quem ache que não está em guerra, e que a expressão “guerra” para caracterizar o que se está passar é enganadora. Talvez valha a pena discutir a terminologia, porque ela tem claras desadequações, como aliás, o quadro legal no direito internacional da guerra, para defrontar este tipo de combate. Mas a mim não me choca chamar guerra a um conflito que tem as características de ser global, da Indonésia, à Índia, á China, às antigas republicas soviéticas da Ásia Central, da Europa toda, aos EUA, que tem objectivos “não negociáveis” por incompatibilidade total de visões do mundo culturais e civilizacionais.»
«Acima de tudo, não compreendo porque razão um terrorismo apocalíptico, que tenta por todos os meios ter as armas mais pesadas, nucleares, químicas e bacteriológicas, para garantir o seu Armagedão sacrificial, que tem como objectivo a guerra total, ou seja a aniquilação de milhões dos seus adversários, haja os meios para isso, não tem que ser combatido com tudo o que tenho à mão: tropas, polícias, agentes de informações, à dentada diria um velho inglês da Home Guard, daqueles que esperava a invasão da sua ilha e achava que sempre podia levar um “boche” consigo. E aí o “não se limpam armas”, é de um simplicidade brutal. Ou nós ou eles.»
O que Pacheco Pereira critica na cultura da irrelevância jornalística, não critica na cultura da propaganda. E esta propaganda, arquitectada para justificar guerras genocidas pelo controlo do petróleo e coarctar direitos civis, é infinitamente mais maligna do que uma entrevista de três páginas ao treinador do Trofense. Porque, na realidade, os títulos dos nossos meios de comunicação assemelham-se mais a isto:
FUTEBOL, FUMEI, PEQUEI, VOU DEIXAR DE FUMAR, AMEAÇA TERRORISTA, ESMERALDA ENTRE O PAI AFECTIVO E O PAI BIOLÓGICO, BIN LADEN, FUTEBOL, DIRECTO DO ACIDENTE NA A1 QUE PROVOCOU TRÊS FERIDOS, AL ZAWIRI, OS PAIS DA PEQUENA MADDIE, FUTEBOL, ATENTADO TERRORISTA, TENHO UM CANCRO - TIVE UM CANCRO - VOU TER UM CANCRO, FUTEBOL, BOMBISTA SUICIDA, FUTEBOL, ISLAMOFASCISMO, FUTEBOL, TERRORISMO.
É compreensível. Para Pacheco o terrorismo não é para ser pensado, é para ser entranhado. Nem que seja «à dentada»!
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segunda-feira, abril 14, 2008
A catástrofe financeira vista por Bush
Bush: Venho aqui como um camarada optimista. Quero lembrar-vos que não é a primeira vez desde que sou Presidente que enfrentamos desafios económicos.
Bush: Herdámos recessão...
Bush: E houve os ataques de 11 de Setembro de 2001...
Bush: E depois tivemos escândalos empresariais...
Bush: E tomei as difíceis decisões de enfrentar os terroristas e os extremistas em duas frentes: Afeganistão e Iraque.
Bush: E depois tivemos... desastres naturais devastadores...
Jon Stewart: Eis a maior loucura disto tudo: a sua Presidência é ainda pior do que eu me lembrava! E eu tenho prestado muita atenção! Mas quando ouvimos isso tudo junto... you sucks!
Vídeo legendado em português:
quinta-feira, abril 03, 2008
Terror no aeroporto
Os funcionários são destemperados e malcriados, embirram com o tamanho da bagagem de cabine, o salto das botas rasas, a lentidão com que se despe o portátil da sua «skin», o saquinho selado com os frasquinhos até 100 ml. «I am going to keep this, darling!», diz a funcionária estendendo a garra para um gel de banho de senhora. A senhora tenta desrolhar a coisa e é manietada como se o líquido fosse nitroglicerina. «Não Discuta Comigo!» Um homem é obrigado a ficar em tronco nu devido a misteriosas dúvidas sobre o seu revestimento mortal, e pedem-lhe que dispa as calças. O homem começa aos berros e recusa-se a ser humilhado em público. Dois gigantes fardados aproximam-se com ar ameaçador.
Devemos à Al-Qaeda e em especial ao senhor Richard Reid, o terrorista que tentou explodir uma bomba escondida no salto do sapato num avião para Miami, a liturgia securitária. O mais curioso é que o senhor Reid, antes da sua tentativa abortada por duas hospedeiras que se atiraram a ele, tinha passeado o passaporte britânico por lugares tão escrupulosos como Israel. Reid andou a passear em Telavive, e noutras cidades, provavelmente planeando a surpresa no sapatinho.Os ingleses têm boas razões para se sentirem inseguros, vários atentados terroristas foram evitados em Heathrow, mas nem toda a segurança pensada impediu um lunático de se atirar para uma das pistas com uma mochila às costas, há umas semanas. Não se percebe o que fez e por que razão o fez. A mochila não continha explosivos. A segurança voltou a dobrar e redobrar e, no meio do centro comercial em que se tornou cada um dos terminais de Heathrow, passeiam forças especiais armadas até aos dentes, como se estivéssemos na Zona Verde de Bagdade. Um saquinho abandonado num banco é olhado como um engenho nuclear, malas esquecidas são explodidas, e a confiança não reina ali. O aeroporto mais movimentado do mundo, servindo 180 países, tornou-se um pesadelo.»
Comentário:
CNN: «Suspeito visitou Israel durante 10 dias. Os Serviços de Segurança Israelitas, em conjunto com o FBI, estão a investigar o que Reid fez durante a viagem de dez dias a Israel, afirmaram fontes do Governo Israelita.
Reid levantou suspeitas quando viajou de um país não identificado para Israel na companhia aérea nacional, El Al, de acordo com o porta-voz da companhia Nahman Klaiman.»
Numa simpática sapataria no centro de Telavive, Richard Reid compra uns ténis novos, equipados com uma embalagem de plástico explosivo C4:

Na foto, os ténis-bomba que Richard Reid adquiriu por aproximadamente 500 shekeis, um roubo, mesmo por padrões judaicos:
segunda-feira, março 31, 2008
Richard Perle - Não há fases. Isto é guerra total

Richard N. Perle é um conselheiro político e lobista americano que trabalhou para a Administração Reagan como assistente do ministro da Defesa e, também, no Conselho do Comité Consultivo da Política da Defesa [Defense Policy Board Advisory Committee] de 1987 a 2004. Foi igualmente Presidente desse Conselho de 2001 a 2003 sob a Administração Bush.
O jornalista John Pilger entrevistou Richard Perle em 1987, quando este era conselheiro do presidente Reagan e falava sobre guerra total. Nessa altura, Pilger pensou que ele era louco. Recentemente Perle usou novamente esse termo sobre a «guerra ao terrorismo»
Richard Perle, presidente do Conselho do Comité Consultivo da Política de Defesa do Pentágono, comentou, em finais de 2002, os planos da administração Bush na guerra ao terrorismo:
- «Não há fases. Isto é guerra total. Estamos a lutar contra uma série de inimigos. São imensos. Esta conversa toda acerca de irmos primeiro tratar do Afeganistão, depois, do Iraque, de seguida olharmos em volta e vermos em que pé estão as coisas. Esta é a maneira mais errada de fazer as coisas... se deixarmos a nossa visão do mundo ir para a frente, se nos dedicarmos totalmente a ela, e se deixarmos de nos preocupar em praticar diplomacia elegante, mas simplesmente desencadearmos uma guerra total... daqui a uns anos os nossos filhos cantarão hinos em nosso louvor.»
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sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Bush: «o povo americano está mais seguro»
Em 2006, George Bush, num discurso de 32 minutos, repetiu oito vezes a frase: «o povo americano está mais seguro».
Bush: «Hoje, e porque a América e a nossa coligação ajudaram a derrubar o violento regime de Saddam Hussein e porque tentamos fundar uma democracia pacífica que o substitua, o povo americano está mais seguro.»

Jon Stewart: «A estratégia da administração Bush no combate ao terrorismo é a repetição».
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
A História Secreta do Sionismo

Ralph Schoenman: Se a colonização da palestina tem sido caracterizada por uma série de depredações, devemos examinar a atitude do movimento Sionista não apenas contra as vítimas palestinianas mas também contra os próprios judeus.
Esta história sórdida tem origem na desmoralização dos fundadores do Sionismo, que rejeitaram a possibilidade de ultrapassar o anti-semitismo através da luta popular e revolução social. Moses Hess, Theodor Herzl e Chaim Weizmann escolheram o lugar errado da barricada – o do poder do estado, da dominação de classe e da regra exploradora. Propuseram uma disjunção putativa entre emancipação da perseguição e a necessidade de mudança social. A total compreensão de que o cultivo do anti-semitismo e a perseguição dos judeus eram o trabalho da mesma classe dominante a quem eles bajulavam e pediam favores.
Ao procurarem eles próprios o patrocínio dos anti-semitas, revelaram vários motivos: o culto do poder ao qual associam força: um desejo de acabar com a "fraqueza" e vulnerabilidade judaica, deixando de ser os eternos intrusos.Esta sensibilidade foi um curto passo para a assimilação de valores e ideias dos que odiavam os judeus. Os judeus, escreveram os Sionistas, eram na verdade indisciplinados, subversivos, gente dissidente e merecedores do desprezo que receberam. Os Sionistas alimentaram desavergonhadamente o racismo dos que odiavam os judeus. Venerando o poder, apelaram ao desejo anti-semita de von Plehves e de Himmler de se verem livres de um povo vítima, há muito radicalizados pela perseguição, um povo que encheu as fileiras dos movimentos revolucionários e cujo sofrimento conduziu as suas melhores mentes para a ofensiva intelectual contra os valores estabelecidos.
O sujo segredo da história Sionista é que o Sionismo foi ameaçado pelos judeus. Defender o povo judeu das perseguições significou organizar resistência contra os regimes que os ameaçavam. Mas estes regimes incorporavam a ordem imperial que abrangia a única força social com vontade ou apta a impor uma colónia estrangeira sobre o povo palestiniano. Portanto, os Sionista precisaram de perseguir os judeus para persuadi-los a serem colonizadores numa terra distante, e precisavam de perseguidores que patrocinassem a iniciativa.
Mas os judeus europeus nunca manifestaram qualquer interesse em colonizar a Palestina. O Sionismo foi sempre um movimento marginal entre os judeus, os quais aspiravam a viver nos países de nascimento livres de descriminação ou escapar às perseguições emigrando para democracias burguesas vistas como mais tolerantes.
O Sionismo, portanto, nunca pôde responder às necessidades ou aspirações dos judeus. O momento da verdade chegou quando a perseguição deu lugar à exterminação física. Em face do maior e único teste da sua relação com a sobrevivência judaica, os Sionistas não somente falharam em liderar a resistência ou defender os judeus, mas sabotaram activamente os esforços judaicos para sabotar a economia nazi. Eles procuraram, mais ainda, a responsabilidade dos assassínios em massa, não somente porque o Terceiro Reich parecia suficientemente poderoso para impor uma colónia Sionista, mas porque as práticas nazis estavam em consonância com as concepções Sionistas.
Existia um denominador comum entre os nazis e os Sionistas, expressa não apenas na proposta na Organização Militar Nacional (NMO) de Shamir para formar um estado na Palestina numa "base nacional totalitária".
Vladimir Jabotinsky, no seu ultimo trabalho, «A Frente de Guerra Judaica» (1940), escreveu acerca dos seus planos para o povo palestiniano:"Visto que temos esta grande autoridade moral para encarar calmamente o êxodo dos árabes, não precisamos de observar a possível partida de 900.000 com horror. Herr Hitler tem recentemente promovido a popularidade de transferência de população." [Brenner, The Iron Wall, p.107]
A extraordinária declaração de Vladimir Jabotinsky em «A Frente de Guerra Judaica» sintetiza o pensamento Sionista e a sua falência moral. O massacre dos judeus forneceu ao sionismo "grande autoridade moral". Para quê? - "para encarar calmamente o êxodo dos árabes." A lição da destruição dos judeus pelos nazis foi que era permissível agora aos Sionistas submeter ao mesmo destino a inteira população palestiniana.
Sete anos depois, os Sionistas seguiram os passos dos nazis, cujo apoio procuraram e às vezes conseguiram, e cobriram a sangria na Palestina com múltiplos Lidices (Lídice é uma pequena cidade da antiga Checoslováquia, que foi totalmente destruída e a grande maioria de seus habitantes assassinados pelos alemães como vingança pela morte de seu comandante, o SS nazi, Reinhard Heydrich), conduzindo 800.000 pessoas para o exílio.
Os Sionistas aproximaram-se dos nazis no mesmo espírito de Von Plehve, agindo com a noção perversa de que o ódio aos judeus era útil. O seu objectivo não era salvar, mas forçar a conscrição de alguns seleccionados (para a Palestina) – e os restantes abandonados à sua sorte agonizante.
Os Sionistas quiseram pessoas para colonizar a Palestina e preferiram cadáveres judeus aos milhões do que qualquer salvamento que pudesse instalar os judeus em qualquer outro lado.
Se alguma vez se esperar que um povo possa entender o sentido da perseguição, o sofrimento de ser refugiado perpétuo e a humilhação da calúnia, esse povo só pode ser o judeu.
Em lugar da misericórdia, os Sionistas celebraram a perseguição de outros, ao mesmo tempo que primeiro traíram os judeus e depois os humilharam. Seleccionaram as vítimas do seu próprio povo às quais infligiram um propósito de conquista. Colocaram os judeus sobreviventes face a um novo genocídio contra o povo palestiniano, escondendo-se a si próprios, com selvagem ironia, na mortalha colectiva do Holocausto.

Comentário:
Em suma, não obstante o sofrimento e a morte causados a um incontável número de pessoas de todas os credos e raças, um pequeno grupo de famílias: Rothschild, Rockefeller, Morgan, Montagu, Harriman, Kuhn, Loeb, Warburg, Lehman, Schiff, Pyne, Sterling, Stillman, Lazard, etc, que dominam há mais de um século a alta finança mundial, edificaram uma sólida base militar, na forma de um Estado Judaico, junto das maiores reservas energéticas do planeta.
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domingo, fevereiro 10, 2008
Bin Laden, a Exxon e o petróleo a 100 dólares o barril


Jerusalem Center for Public Affairs: «A 15 de Dezembro de 2004, numa gravação áudio,
Osama bin Laden afirmou "os preços do petróleo deviam estar pelo menos a 100 dólares o barril," e apelou aos militantes do Golfo Pérsico para que fizessem um esforço para evitar que o Ocidente recebesse petróleo árabe, atacando instalações petrolíferas em toda a região. Esta foi a primeira vez que a liderança da Al-Qaeda divulgou abertamente a sua estratégia de atingir a economia ocidental desorganizando os abastecimentos de petróleo e fazendo os preços dispararem. No dia seguinte, no NYMEX (bolsa de petróleo de Nova Iorque), o crude subiu 5% para 46.28 dólares o barril.»
Mas, como diz o ditado: «não há mal que bem não traga». Paradoxalmente, o terrorismo de Osama bin Laden trouxe lucros descomunais às quatro grandes irmãs do petróleo - Exxon, Chevron, BP e Shell. Vejamos, em particular, o caso da Exxon:

«Exxon bate recorde de lucros»:
«Nova Iorque (CNNMoney.com) – a Exxon Mobil fez história na Sexta-Feira reportando os maiores lucros trimestrais e anuais de sempre de uma companhia norte-americana, aumentados em grande parte pela subida dos preços do crude.»
«A Exxon, a muito publicitada maior empresa comercial de petróleo do mundo, informou que os resultados líquidos do quarto trimestre de 2007 aumentaram 14%, para 11,66 mil milhões de dólares, ou 2,13 dólares por acção. A companhia ganhou 10,25 mil milhões de dólares, ou 1,76 dólares por acção no período de um ano (2007).»
«O lucro ultrapassou o prévio recorde trimestral da Exxon de 10,7 mil milhões de dólares, alcançado no quarto trimestre de 2005, que foi também o maior de sempre de uma empresa americana.»
«"A Exxon pode distribuir alguns valores espantosos e este é um desses casos," afirmou Jason Gammel, analista sénior da Macquarie Securities de Nova Iorque.»
«A Exxon alcançou também um recorde anual de lucros ganhando 40,61 mil milhões de dólares no ano passado – ou cerca de 1300 dólares por segundo em 2007. Isto excedeu o anterior recorde de 39,5 mil milhões de dólares em 2006.»
Comentário:
Se bem que o terrorismo global, e sobretudo a partir dos funestos atentados de Setembro de 2001, se tenha revelado em muitos aspectos uma tragédia para o Ocidente, certos nichos económicos, mormente as indústrias americanas do armamento e do petróleo, dificilmente terão razões de queixa:
domingo, fevereiro 03, 2008
The War on Terror, ou como há males que vêm por bem

Em Setembro de 2000, poucos meses antes do acesso de George W. Bush à Casa Branca, o "Project for a New American Century" (PNAC) publicou o seu projecto para a dominação global sob o título: "Reconstruindo as defesas da América" ("Rebuilding American Defenses").
O vice-secretário da Defesa Paul Wolfowitz, o vice-presidente Dick Cheney e o secretário da Defesa Donald Rumsfeld adoptaram o projecto PNAC antes das eleições presidenciais de 2000.O PNAC esboça um roteiro da conquista. Apela à "imposição directa de bases avançadas americanas em toda a Ásia Central e no Médio Oriente" tendo em vista assegurar a dominação económica do mundo, e ao mesmo tempo estrangular qualquer potencial "rival" ou qualquer alternativa viável à visão americana de uma economia de mercado”.
O projecto do PNAC também esboça uma estrutura consistente de propaganda de guerra. Um ano antes do 11 de Setembro, o PNAC fazia apelo a "algum evento catastrófico e catalisador, como um novo Pearl Harbor", o qual serviria para galvanizar a opinião pública americana em apoio a uma agenda de guerra (pág 51)":

"Further, the process of transformation, even if it brings revolutionary change, is likely to be a long one, absent some catastrophic and catalyzing event – like a new Pearl Harbor." - «Mais ainda, o processo de transformação, mesmo que traga transformações revolucionárias, será provavelmente longo, excepto se se produzir algum evento catastrófico e catalizador – como um novo Pearl Harbor.»
Os arquitectos do PNAC parecem ter antecipado com cínica precisão a utilização dos ataque do 11 de Setembro como "um pretexto para a guerra".
De modo análogo, nas palavras de Zbigniew Brzezinski, no seu livro The Grand Chessboard (1997):"... it may find it more difficult to fashion a consensus on foreign policy issues, except in the circumstances of a truly massive and widely perceived direct external threat" - "... pode considerar-se mais difícil moldar um consenso [na América] sobre questões de política externa, excepto nas circunstâncias de uma ameaça externa directa verdadeiramente maciça e amplamente percebida".
Zbigniew Brzezinski, que foi Conselheiro de Segurança Nacional do presidente Jimmy Carter, foi um dos arquitectos chave da rede Al-Qaeda, criada pela CIA para o assalto aos soviéticos na guerra afegã (1979-1989).
Bruce Hoffman, vice-presidente da Rand Corporation (o mais importante centro privado de pesquisas em matéria de estratégia e de organização militar em todo o mundo, e a expressão prestigiada do lobby militar-industrial americano), numa conferência publicada pela US Air Force Academy em Março de 2001 (ou seja, seis meses antes dos atentados de 11 de Setembro de 2001), dirigindo-se a uma audiência de oficiais superiores da força aérea norte-americana, afirmou:"Estamos a tentar preparar as nossas armas contra a Al-Qaeda, a organização - ou talvez o movimento - associada a Bin Laden (...) Agora, considerem que é possível fazer cair a Torre Norte sobre a Torre Sul e matar 60.000 pessoas [Now, putting aside whether it was possible to actually topple the North Tower onto the South Tower and kill 60,000 people] (...) .
Na sequência do 11 de Setembro as despesas militares dispararam, e por consequência os chorudos contratos do complexo militar-industrial. De 2001 até 2007 o orçamento americano da defesa passou de 404 mil milhões para 626 mil milhões de dólares, um aumento de 55% em seis anos. Abençoado Bin Laden!

Cujos grandes beneficiários foram:

Comentário:
O Complexo Militar-Industrial Americano, graças ao evento catastrófico e catalizador do 11 de Setembro, tem bons motivos para sorrir.
O diagrama seguinte é perfeitamente explícito: as empresas da defesa controlam as televisões, rádios, jornais e, portanto, as campanhas políticas. Estas, por sua vez, fazem eleger para presidentes, senadores e congressistas, os homens de mão da indústria da defesa. Estes agentes, por seu turno, votam sucessivos aumentos nos orçamentos da Defesa. E quando perante a opinião pública se torna impossível justificar tais aumentos em tempo de paz, organizam-se imaginativos eventos catastróficos e catalizadores:
segunda-feira, janeiro 28, 2008
No Expresso - Henrique Monteiro reconhece que a política securitária é a única forma de fazer face ao terrorismo islâmico
Monteiro: «A notícia de que alguns terroristas suicidas islâmicos poderiam estar, ou ter passado, por Portugal chamou a atenção sobre estes episódios. Em si, eles revelam algo de positivo - a preocupação e seriedade com que estes assuntos são tratados por quem tem autoridade para fazê-lo, ainda que as suspeitas sejam vagas.»«No entanto, estas reacções mostram outra coisa, mais escondida, mas muito mais grave: o medo latente que todos temos de que um dia um qualquer suicida, com o qual nada temos a ver, chegue a uma estação de metro ou a um restaurante movimentado e mate, indiscriminadamente, amigos, familiares, vizinhos, conhecidos, quem sabe se nós mesmos.»
Osama: Lamentavelmente, o prezado colega Monteiro, na divulgação que faz da ameaça terrorista islâmica, está ainda longe da sofisticação da - CNN Fear Factor - vídeo legendado em português e apresentado no Daily Show por Jon Stewart:
Monteiro: «Este sentimento (o medo do terrorismo), que começou na década de 90 - ainda antes do ataque às Torres Gémeas em 2001, antes de Bush ser presidente (há quem se esqueça deste facto comezinho) - tem vindo a agravar-se à medida que não sabemos como responder a esta escalada, a esta autêntica guerra que os radicais islâmicos nos movem. A invasão do Iraque revelou-se desastrosa; uma invasão do Irão seria, seguramente, mais desastrosa ainda. Não fazer nada será, também, totalmente desastroso.»«Acresce que o Ocidente (ou a sua intelectualidade bem pensante) ainda gosta de se culpabilizar pela situação que o mundo vive. Tudo junto, isto resulta nesta espécie de esquizofrenia em que vivemos: temos medo deles, mas não sabemos exactamente como prevenir esse medo, senão reforçando a nossa segurança e a nossa desconfiança.»
Osama: A intelectualidade bem pensante ocidental não tem tem nada de que se culpabilizar, caríssimo Monteiro. Basta estar atento às declarações dos seus dirigentes: o ex-Presidente Italiano, o homem que revelou a existência da Operação Gládio, Francesco Cossiga, veio a público falar sobre os atentados do 11 de Setembro, afirmando, no Corriere della Sera, que os ataques foram executados pela CIA e pela Mossad e que esse facto era do conhecimento geral entre os serviços de informações a nível global.A tendência de Cossiga para ser honesto preocupou a elite governante italiana e foi forçado a demitir-se após ter revelado a existência, e a sua participação na criação, da Operação Gládio, uma rede de operações secretas sob os auspícios da NATO que executou atentados bombistas por toda a Europa nos anos 60, 70 e 80. A especialidade da Gládio era executar o que se chama "false flag operations," ataques terroristas que eram imputados à oposição doméstica e geopolítica. As revelações de Cossiga contribuíram para uma investigação do parlamento italiano em 2000 sobre a Gládio, durante a qual foram reveladas provas de que os ataques foram administrados pelo aparelho de inteligência americano.
Monteiro: «Aos poucos tornamo-nos mais securitários, mais adeptos do fecho das fronteiras, mais adeptos da vigilância electrónica, mais adeptos de uma série de medidas que contradizem a enorme marcha da nossa civilização para uma sociedade mais livre.»«Essa é a guerra que estamos a perder. Em nome da nossa segurança e por via da nossa incapacidade derrotamo-nos a nós próprios. E eles, para quem a morte é a glória, sabem-no muito bem.»
Osama: Essa é a guerra que estamos a perder ou a ganhar, Monteirito? Não é, afinal, esse furacão de medidas liberticidas adoptadas pelos Estados Unidos que todos nós, terroristas, desejamos?Logo após os atentados do 11 de Setembro, foi criada uma justiça de excepção. O ministro da Justiça, John Ashcroft, impôs a adopção de uma lei antiterrorista – a chamada "Lei Patriótica" (Patriot Act) – que permite às autoridades prender suspeitos por um período quase indefinido, deportá-los, encarcerá-los em celas incomunicáveis, censurar a sua correspondência, as suas conversas telefónicas, as suas mensagens pela Internet, e revistar as suas casas sem autorização judicial... George W. Bush decidiu também criar tribunais militares, de instâncias especiais, para julgar estrangeiros acusados de terrorismo. Esses julgamentos secretos poderão realizar-se em navios de guerra ou em bases militares; a sentença será pronunciada por uma comissão composta por oficiais militares; não será necessária a unanimidade para condenar um acusado à morte; a pena não terá apelo; as conversas entre o acusado e seu advogado poderão ser gravadas clandestinamente; o procedimento judicial será mantido sigiloso e os detalhes do processo somente serão tornados públicos várias décadas depois...
Também em apoio à "guerra mundial contra o terrorismo", outros países – Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, Espanha, França... – reforçaram as suas legislações repressivas. Os defensores dos direitos públicos têm razão para estar preocupados. O movimento geral de nossas sociedades, que tendia para um respeito cada vez maior pelo indivíduo, acaba de ser brutalmente interrompido. E, actualmente, tudo indica que se caminha para um Estado cada vez mais policial... incluindo aqui, em Portugal.
Comentário:
Nunca será demais enaltecer o papel fundamental que os media internacionais têm tido na «Guerra ao Terrorismo»:A componente mais poderosa da Campanha de Medo e Desinformação está a cargo da CIA, a qual secretamente subsidia autores, jornalistas e críticos mediáticos por meio de uma teia de fundações privadas e organizações patrocinadas pela CIA.
Iniciativas de desinformação encoberta, sob os auspícios da CIA, são também canalizadas através de vários "procuradores" (proxies) de inteligência noutros países. Desde o 11 de Setembro elas resultaram numa disseminação diária de informação falsa referente a alegados "ataques terroristas". Em virtualmente todos os casos relatados (na Grã Bretanha, França, Indonésia, Índia, Filipinas, etc), afirmam que os "supostos grupos terroristas" têm "ligações à Al-Qaeda de Osama bin Laden", sem naturalmente admitir o facto (amplamente documentado por relatórios de inteligência e documentos oficiais) que a Al-Qaeda é uma criação da CIA.
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