domingo, setembro 23, 2007

AUSCHWITZ – O Centro de Extermínio

No Site official de Auschwitz:

Mulheres e crianças judias, depois da selecção, a caminho das câmaras de gás de Auschwitz-Birkenau.

Em princípios de 1942, Auschwitz começou a funcionar de outro modo. Tornou-se o centro de destruição em massa dos judeus europeus. Os Nazis marcaram todos os judeus que viviam na Europa para exterminação total, qualquer que fosse a sua idade, sexo, ocupação, cidadania ou opiniões políticas. Morreram apenas porque eram os judeus.

Depois das selecções feitas na plataforma da via férrea, ou rampa, as pessoas recém-chegadas classificadas pelos médicos das SS como impróprias para o trabalho eram enviadas para as câmaras de gás: o doente, o idoso, mulheres grávidas, crianças. Na maioria dos casos, 70-75% de cada transporte era enviado para a morte imediata. Estas pessoas não eram inscritas nos registros do campo; ou seja, não receberam nenhum número de série e não eram registradas. É por isso que só é possível estimar o número total de vítimas.

Em Auschwitz as crianças eram mortas frequentemente à chegada. Crianças nascidas no campo eram geralmente mortas imediatamente. Perto do fim da guerra para cortar custos e poupar gás, considerações contabilísticas conduziram a uma ordem para colocar as crianças vivas directamente nos fornos ou lançá-los em valas à arder a céu aberto.


Comentário:

Dadas as explicações oficiais sobre o tratamento que era reservado às crianças (impróprias para o trabalho) no campo de extermínio de Auschwitz, é impossível não estranhar estas fotografias mostrando as crianças libertadas no campo de concentração de Auschwitz em 27 de Janeiro de 1945. As fotos foram tiradas pelos soviéticos imediatamente após a libertação do campo:
















sexta-feira, setembro 21, 2007

Osama, afinal, ainda mexe e remexe

Jornal de Notícias - 21 de Setembro de 2007

«Com as eleições presidenciais no Paquistão marcadas para o próximo dia 6 de Outubro em pano de fundo, Osama bin Laden apelou a uma "guerra santa" ("jhiad") contra o actual presidente, Pervez Musharraf, principal aliado dos EUA na tentativa de controlo da investida taliban na zona de fronteira com o Afeganistão.

Numa gravação áudio, o líder da Al-Qaeda pede vingança pelo sangue vertido pelos "campeões do islamismo", numa alusão aos militantes mortos pelo Exército paquistanês durante o assalto à Mesquita Vermelha. A tomada da mesquita pelas forças de segurança, diz bin Laden, "demonstrou a insistência de Musharraf em manter a sua lealdade, submissão e ajuda à América contra os muçulmanos(...) e torna obrigatória a rebelião armada contra ele e o seu afastamento".

A gravação - emanada pela As-Sahab, o braço da rede terrorista ligado aos média, segundo o SITE, organismo especializado na vigilância de sítios electrónicos islamitas - é acompanhada por imagens que mostram sequências antigas de Osama bin Laden, o homem mais procurado do Mundo, e do seu braço direito, Ayman al-Zawahiri, de visita a um campo de treino numa região montanhosa. De acordo com o SITE, o ecrã é emoldurado com fotografias de militantes islamitas mortos.»


Não obstante as terríveis ameaças do líder incontestado da Al-Qaeda, o Presidente George W. Bush, um dos poucos políticos mundiais ainda com eles no sítio, deve continuar a manter a mesma postura de serenidade a que já nos habituou.


George W. Bush numa conferência de imprensa na Casa Branca, em Março de 2002:


Jornalista: Mas não acha que a ameaça que bin Laden coloca não será completamente eliminada enquanto ele não for encontrado morto ou vivo?

Bush: Bom, como eu disse, não temos ouvido falar muito dele e eu não sei onde é que ele está...

Bush: Repito o que disse, não estou verdadeiramente muito preocupado com ele...


Vídeo legendado em português – 51 segundos:

quarta-feira, setembro 19, 2007

O dilema dos Judeus de Auschwitz em Janeiro de 1945 - Liberdade ou Extermínio?

Friedrich Paul Berg

No livro que tornou mais famoso Elie Wiesel, «Die Nacht» "A Noite", que é uma leitura recomendada em escolas públicas em todo o país, Wiesel pinta um quadro horroroso de vida em Auschwitz de Abril de 1944 a Janeiro de 1945, quando ele lá esteve. Embora muitas centenas de milhares de judeus tivessem supostamente sido gaseados durante este período, Wiesel não faz nenhuma menção aos gaseamentos ou a câmaras de gás em qualquer parte do livro, como Jürgen Graf e Robert Faurisson salientaram. Reivindica contudo ter visto chamas a sair das chaminés e o Dr. Mengele a usar um monóculo.

Quando os Russos estavam prestes a tomar conta de Auschwitz em Janeiro de 1945, Elie e o seu pai "escolheram" ir para ocidente com os Nazis e os SS em retirada em vez de serem "libertados" pelo maior aliado de América. Eles poderiam ter contado ao mundo inteiro tudo sobre Auschwitz dentro de poucos dias - mas, Elie e o pai, assim como incontáveis milhares de outros judeus escolheram, em vez disso, viajar para oeste com os Nazis, a pé, de noite, num Inverno particularmente frio e consequentemente continuarem a trabalhar para a defesa do Reich. De facto, escolheram colaborar.

Algumas das exactas palavras de Wiesel no seu livro «Die Nacht» "A Noite":

"A escolha estava nas nossas mãos. Por uma vez podíamos decidir o nosso próprio destino. Podíamos ter ficado ambos no hospital onde eu tinha a possibilidade de, graças ao meu médico, colocar o meu pai como paciente ou enfermeiro. Ou então podíamos seguir os outros. 'Bem, o que é que vamos fazer, pai?' Ele ficou calado. 'Vamos ser evacuados com os outros,' disse-lhe."

A história de Elie a este respeito é confirmada pelas de outros "sobreviventes" que incluem o testemunho de Primo Levi. No livro de Levi «Sobreviver em Auschwitz», o autor escreve sobre o dia 17 de Janeiro de 1945:

"Não era uma questão de raciocínio: Eu teria provavelmente seguido também o instinto de rebanho se não estivesse tão fraco: o medo é extremamente contagioso, e a reacção mais imediata era fugir dali para fora."

Levi está a falar de fugir com os Nazis – e não dos Nazis, que não eram apenas soldados comuns mas supostamente os piores dos Nazis. Levi está a falar de fugir com os mesmos Nazis e SS que supostamente tinham levado a cabo o maior assassínio em massa de judeus em toda a história universal.

Levi está a falar sobre fugir com as pessoas que supostamente fizeram matanças de milhares diariamente durante vários anos. Mas, de acordo com as suas próprias palavras, ele teria fugido provavelmente com eles [Nazis], e só não o fez porque não se estava a sentir bem naquele dia; sentia-se fraco. O "medo" que Levi superou era claramente o medo dos russos e não dos Nazis; não há nenhuma referência ao medo daquilo que os Nazis e os SS pudessem fazer quando os evacuado entrassem na floresta ou o que pudesse acontecer alguns dias depois.

As escolhas que foram feitas aqui em Auschwitz em Janeiro de 1945 são extremamente importantes. Em toda a história do sofrimento judeu às mãos de gentios, que altura poderia ser mais dramática do que o precioso momento em que os Judeus podiam escolher, por um lado, a libertação pelos Soviéticos com a possibilidade de contar a todo o mundo sobre as malfeitorias Nazis e ajudar à sua derrota - ou então fugir com os assassinos em massa Nazis, continuando a trabalhar para eles e ajudando-os a preservar o seu regime demoníaco. Na grande maioria dos casos, escolheram ir com os Nazis. De acordo com Levi, 800 escolheram ficar em Auschwitz, mas 20.000 preferiram ir e colaborar com os assassinos em massa Nazis.

Todos os Judeus que vieram para ocidente [a fugir dos russos para a Alemanha Nazi] negaram o Holocausto embora o tenham feito apenas com os pés. Os Judeus foram, eles próprios, os primeiros verdadeiros negacionistas do Holocausto.
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segunda-feira, setembro 17, 2007

Simon Wiesenthal confirma: "não existiam campos de extermínio em solo alemão"


Em 1995, as placas de Auschwitz, que João Paulo II abençoou em 1979, e que indicavam terem morrido 4 milhões de pessoas naquele campo de concentração, foram substituídas por outras placas que indicam que em Auschwitz morreram aproximadamente 1.5 milhões de pessoas. As novas placas foram abençoadas por Bento XVI:



'Provas' de gaseamentos em Dachau:

"Provas" abundantes de que os prisioneiros eram gaseados em Dachau foram fornecidas durante anos, particularmante no julgamento principal de Nuremberga de 1945-1946. Antigo prisioneiro, o Dr. Franz Blaha, por exemplo, forneceu um testemunho ocular em Nuremberga sobre os assassínios em câmaras de gás de "muitos prisioneiros" em Dachau.

De acordo com um documento do governo americano de Maio de 1945, que foi aceite como prova pelo Tribunal de Nuremberga como documento L-159 (E.U.A. - 222), "uma característica distintiva do Campo de Dachau era a câmara de gás para a execução de prisioneiros." O relatório oficial descreveu a alegada operação de gaseamentos com grande detalhe.


'Provas' de Extermínio em Buchenwald:

Provas impressionantes foram igualmente apresentadas durante anos para "provar" que o campo de Buchenwald era um centro de "extermínio." Por exemplo, em Abril de 1945 um relatório do Exército dos EUA sobre Buchenwald preparado para o Supremo Quartel-General Aliado na Europa declarou que a "missão do campo" era operar como "uma fábrica de extermínio."

Em Maio de 1945 o governo americano publicou um relatório sobre os campos de concentração alemães, que foi aceite como prova pelo Tribunal de Nuremberga como documento L-159, onde Buchenwald é similarmente descrito como uma "fábrica de extermínio". Um relatório oficial do governo francês aceite pelo Tribunal como prova RF-301 (documento 274-F) acusou:

Tudo tinha sido providenciado até ao mínimo detalhe. Em 1944, em Buchenwald, eles até tinham prolongado uma linha de caminho de ferro de forma que os deportados poderiam ser conduzidos directamente à câmara de gás. Certas [câmaras de gás] tinham um pavimento que se inclinava e encaminhava imediatamente os corpos da câmara para o forno crematório.


Mas, ao que parece, Simon Wiesenthal, o célebre "caçador de Nazis", coloca em dúvida todas as provas e testemunhos que atestavam a existência de câmaras de gás em campos de concentração situados na Alemanha, como são os casos de Dachau, Buchenwald, Bergen-Belsen e outros:

Simon Wiesenthal:

Numa carta publicada em Janeiro de 1993 no The Stars and Stripes, um jornal para o pessoal do serviço militar dos EUA, Simon Wiesenthal reconfirmou, de passagem, que não houve nenhum campo de extermínio em território alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Ele fez uma declaração idêntica numa carta publicada sobre o assunto em Abril de 1975 no periódico britânico «Books and Bookmen».

Sendo certo que a verdade das palavras de Wiesenthal são conhecidas há anos, esta declaração é significativa, em primeiro lugar, porque é feita por uma figura internacionalmente reputada e supostamente entendida e respeitável, e, segundo, porque confirma uma vez mais um ponto que os revisionistas têm defendido há anos. O que Wiesenthal não menciona e o que não é amplamente entendido, é que ele implicitamente confirma também a mudança drástica que aconteceu durante anos na história de extermínio do Holocausto.

O que o "caçador de Nazis" diz agora contrasta nitidamente com o que foi reivindicado autoritariamente nas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial. No grande Tribunal de Nuremberga de 1945-1946, por exemplo, funcionários de governos aliados apresentaram provas aparentemente conclusivas que atestavam que campos de concentração "em solo alemão" - como Dachau e Buchenwald - eram centros de "extermínio". Sir Hartley Shawcross, promotor chefe britânico no julgamento principal de Nuremberga, declarou utilizando o mesmo critério no seu discurso final no dia 26 de Julho de 1946, aqueles "assassinatos [eram] conduzidos como uma indústria de produção de massa nas câmaras de gás e nos fornos "de Buchenwald, Dachau, Oranienburg - tudo "solo alemão” – assim como nos outros campos fora da Alemanha dirigidos por alemães.


A mesma opinião [de Wiesenthal] é também expressa numa carta de 1960 do Dr. Martin Broszat, traduzida do semanário de Hamburgo Die Zeit com a manchete "Keine Vergasung em Dachau ("Não houve gaseamentos em Dachau")." A carta apareceu na edição alemã de 19 de Agosto de 1960, e na edição americana de 26 de Agosto de 1960 (p. 14). O Dr. Broszat escreve em nome do prestigioso Instituto para a História Contemporânea (Institut fuer Zeitgeschichte). Serviu depois como director do arquivo e centro de pesquisa de Munique:

«Nem em Dachau nem em Bergen-Belsen nem em Buchenwald foram alguma vez gaseados judeus ou outros prisioneiros. A câmara de gás em Dachau nunca foi finalizada ou posta "em operação." Centenas de milhares de prisioneiros que morreram em Dachau e noutros campos de concentração no velho Reich [quer dizer, na Alemanha com as suas fronteiras de 1937] foram vítimas, acima de tudo, das condições higiénicas e de abastecimento catastróficas: de acordo com estatísticas oficiais das SS, durante os doze meses de 1942 de Julho a Junho 1943, 110.812 pessoas morreram de doença e de fome em todos campos de concentração do Reich.»


Comentário:

Contudo, nem esta redução de dois milhões e meio no número de mortes em Auschwitz, nem o reconhecimento oficial de que não existiam câmaras de gás nos campos de concentração em território alemão, influenciaram o número global de SEIS MILHÕES de mortos do Holocausto.

A quantas mais reduções do número de vítimas vamos assistir e quantas mais "provas e testemunhos irrefutáveis do holocausto" vamos ainda ver desmentidos?
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domingo, setembro 16, 2007

Osama bin Laden explica finalmente tudo

Vídeo gamado ao Mote para Motim que o gamou, por sua vez, ao Realidade Oculta.

Bin Laden coloca várias questões pertinentes à comunidade de língua portuguesa. Convida-nos, de alguma forma, a uma reflexão sobre a propaganda mediática que ingurgitamos diariamente nos meios de comunicação (sobretudo nos de referência). Em suma, um terrorista desassombrado e sem papas na língua, que assume sem falsos pudores o ódio que sente pelo nosso modo de vida.


Falado em português

sexta-feira, setembro 14, 2007

Robert Fisk, correspondente do «The Independent», "questiona" a verdade sobre o 11 de Setembro

Num artigo publicado no "The Independent" em 25/8/2007 por Robert Fisk, o jornalista questiona a verdade sobre o 11 de Setembro (artigo no www.esquerda.net), mas queixa-se de que nas palestras que profere, por esse mundo fora, sobre o Oriente Médio, surgem sempre os «delirantes».

Os «delirantes», para Fisk, são os que colocam irritantemente sempre a mesma questão: «A pergunta dele - ou dela - é mais ou menos assim: se você se considera um jornalista livre, por que é que não diz o que sabe realmente sobre o 11 de Setembro? Por que não conta a verdade - que a administração Bush (ou a CIA, a Mossad, sabe-se lá o quê) explodiu as torres gémeas? Por que não revela os segredos por trás do 11 de Setembro?»

E, embora Fisk reconheça que «jornalisticamente, existem muitas coisas estranhas sobre o 11 de Setembro», recusa-se terminantemente em enveredar por «teorias da conspiração» - «Não sou um teórico da conspiração. Poupem-me dos "delirantes". Poupem-me das maquinações. Mas, como toda a gente, gostaria de conhecer a história completa do 11 de Setembro»

E Robert Fisk tira da cartola os seus dois grandes trunfos contra as teorias dos "delirantes":

1 - «O meu argumento final - como é que alguma vez essa mesma administração [que estragou - do ponto de vista militar, político e diplomático - tudo o que tentou fazer no Médio Oriente] poderia realizar com sucesso aqueles crimes contra a humanidade nos Estados Unidos em 11 de Setembro de 2001

2 - «Qualquer militar [que diga - como os americanos fizeram dois dias depois - que a Al-Qaeda está desbaratada,] não é capaz de fazer algo na escala do que aconteceu em 11 de Setembro


Comentário:

O aparente «bom-senso» de Robert Fisk, ao dar uma no prego e outra na ferradura, é perfeitamente falacioso. Os seus «argumentos», assentes na «incompetência» da administração Bush para levar a cabo os atentados, têm tanto de enganadores como de néscios.

Ao pretender dar uma imagem pseudo-equidistante em relação aos atentados, Fisk pretende instilar nos seus leitores e ouvintes uma dúvida razoável sobre a autoria do 11 de Setembro (cujas provas contra a administração Bush são actualmente esmagadoras).

O «agnosticismo» de Fisk é falso. O seu objectivo é perpetuar a incerteza quando já não há dúvida possível. Tal tem sido a política dos monopólios mediáticos que, em conjunto, têm apoiado a política imperial neoconservadora desta Administração. O "The Independent" pertence ao grupo Independent News & Media PLC, dono de mais de duzentas publicações no Reino Unido, Irlanda, Austrália, África do Sul e Nova Zelândia.
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quarta-feira, setembro 12, 2007

Fernando Madrinha sobre a engorda criminosa da Banca – estará o Governo a soldo de quem lhe paga as campanhas eleitorais?

Fernando Madrinha - Jornal Expresso - 1/9/2007:

Para um breve retrato deste nosso país singular onde cada vez mais mulheres dão à luz em ambulâncias - e assim ajudam o ministro Correia de Campos a poupanças significativas nas maternidades que ainda não foram encerradas -, basta retomar três ou quatro notícias fortes das últimas semanas. Esta, por exemplo: centenas e centenas de famílias pedem conselho à Deco porque estão afogadas em dívidas à banca. São pessoas que ainda têm vontade e esperança de cumprir os seus compromissos. Mas há milhares que já não pagam o que devem e outras que já só vivem para a prestação da casa. Com o aumento sustentado dos juros, uma crise muito séria vem aí a galope.

Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. Daí que os manda-chuvas do Millenium BCP se permitam andar há meses numa guerra para ver quem manda mais, coisa que já custou ao banco a quantia obscena de 2,3 mil milhões de euros em capitalização bolsista. Ninguém se rala porque, num país em que os bancos são donos e senhores de quase tudo, esse dinheirinho acabará por voltar às suas mãos.

Na aparência, nem o endividamento das famílias nem a obesidade da banca têm nada a ver com os ajustes de contas na noite do Porto. Porém, os negócios que essa noite propicia - do álcool que se vende à droga que se trafica mais ou menos às claras em bares e discotecas, segundo os jornais - dão milhões que também passam pelos bancos. E quanto mais precária a situação das tais famílias endividadas e a daquelas que só não têm dívidas porque não têm crédito, mais fácil será o recrutamento de matadores, de traficantes e operacionais para todo o tipo de negócios e acções das máfias que se vão instalando entre nós.

Quer dizer, as notícias fortes das últimas semanas - as da tal «silly season», em que os jornalistas estão sempre a dizer que nada acontece - são notícias de mau augúrio. Remetem-nos para uma sociedade cada vez mais vulnerável e sob ameaça de desestrutruração, indicam-nos que os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais. Quem pode voltar optimista das férias?


Comentário (palavras de Fernando Madrinha):

«O poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais







«Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles»:

O lucro do Millennium BCP atingiu 191 milhões de euros no primeiro trimestre do ano. Os resultados em base recorrente cresceram 16% nos primeiros três meses do ano.

O Banco Espírito Santo divulgou quinta-feira um lucro de 139,8 milhões de euros no primeiro trimestre, mais 33% que no período homólogo...

O BPI obteve um resultado líquido de 96,8 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, um valor que corresponde a uma subida de 30 por cento face a igual período do ano anterior.

O resultado do Banco Bilbao Viscaya y Argentaria (BBVA) subiu para pouco mais de 1,25 mil milhões de euros, mais 23% no resultado líquido no primeiro trimestre de 2007.

O Banco Santander Central Hispano obteve um resultado líquido de 1,8 mil milhões de euros, no primeiro trimestre do ano. Este valor representa mais 21% que no período homólogo...
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segunda-feira, setembro 10, 2007

Até já o Paulinho Portas (pasme-se) questiona o Governo sobre o endividamento das famílias (causado pelas subidas das taxas de juros do BCE)

Paulo Portas questiona Governo na Internet sobre o endividamento das famílias

Jornal Público - 02.09.2007 - Margarida Gomes

Sete workshops juntam hoje, no Porto, figuras independentes e dirigentes nacionais do CDS. A subida das taxas de juro e o endividamento das famílias portuguesas vão estar no centro de todas as preocupações do CDS-PP na reabertura do novo ano parlamentar.

Quem o garante é o próprio líder do partido, Paulo Portas, que desafia o primeiro-ministro, José Sócrates, a esclarecer quais as medidas que pretende apresentar para travar a escalada dos juros, ditada pelo Banco Central Europeu (BCE), e que deixa "milhares de famílias com a corda na garganta".

Num vídeo divulgado ontem no YouTube e no Sapo e que assinala o novo ano político do CDS, Paulo Portas desafia também o governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, a pronunciar-se sobre as repercussões da crise nos EUA.

"Há centenas de famílias com a corda na garganta por causa da subida sistemática do dinheiro", afirma o líder do CDS-PP, alertando para as consequências que "a subida das taxas de juro na zona euro vai ter para as famílias, sobre o rendimento e o crescimento das economias". Sublinhando que "a economia portuguesa cresce pouco e que os últimos dados são muito preocupantes", Portas entende que existem razões para as autoridades portuguesas estarem preocupadas e dispara: "Alguém sabe o que pensa o primeiro-ministro de Portugal e presidente do Conselho Europeu em exercício sobre a questão das taxas de juro e o efeito no crescimento económico? Ninguém sabe, mas devíamos saber. E o governador do Banco de Portugal, que em nome de todos nós está no BCE, tem um pensamento sobre o assunto? Era importante conhecê-lo".

Jean-Claude Trichet

No vídeo, o líder do partido deixa uma crítica ao Governo pelo facto de não ter aberto um debate relativamente à política do BCE e elogia o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, que recentemente criticou o banco liderado por Jean-Claude Trichet por ter como única preocupação o controlo da inflação, elevando as taxas de juro para níveis excessivos.

"O Presidente Sarkozy trouxe uma lufada de ar fresco e de autenticidade à Europa, ao afirmar que a inflação está bastante controlada na zona euro, mas que o preço do dinheiro está muitos pontos acima e, se continuar a subir indefinidamente, isso vai ter consequências sobre as famílias, sobre o rendimento, mas também sobre o crescimento das economias", declarou, revelando, desde já, que vai usar todos os meios na Assembleia da República para exigir do Governo medidas que estimulem o crescimento económico, controlem a subida das taxas de juro e limitem os danos das famílias endividadas.


Comentário:

O líder do CDS-PP, Paulo Portas (quem diria, o Paulinho dos submarinos e das fragatas), surge a mostrar profunda preocupação com as incompreensíveis subidas dos juros do Banco Central Europeu (BCE), mantendo-se a inflação estável nos 2%. Se um populista e demagogo inveterado, como Paulo Portas, pegou neste tema, é bom sinalsignifica que existe uma percentagem crescente da população que se questiona porque sobem escandalosamente as suas prestações à banca e porque engorda esta, de trimestre para trimestre, de forma criminosa.
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quinta-feira, setembro 06, 2007

O escandaloso roubo perpetrado pelos bancos contra às pessoas e as empresas com o beneplácito de Sócrates, Constâncio e Cia.


Jornal de Notícias - 3 de Setembro de 2007

Texto do deputado Honório Novo do PCP

A espiral dos juros!

Nos últimos dois anos os juros aumentaram mais de dez vezes. Cada vez mais as famílias não conseguem pagar as prestações dos seus empréstimos, que aumentaram 20% a 30%, enquanto os ordenados permaneceram quase congelados ou desapareceram com o desemprego. São mais de 15 000 as famílias atingidas pelas mais recentes subidas dos juros, drama que, aliás, não parece preocupar minimamente o último relatório do Banco de Portugal (pudera, o dr. Vítor Constâncio e os seus amigos continuam a não ter qualquer dificuldade para fazer face às prestações dos respectivos créditos…).

Por outro lado, agravou-se no segundo trimestre deste ano a tendência de queda na construção. O sector parece ter caído cerca de 23% - na construção de edifícios mais de 12%, nas restantes obras de engenharia acima dos 40% -, reflectindo com nitidez as dificuldades acrescidas que a subida dos juros provocam nas decisões de compra e de investimento.

Entretanto, o Banco Central Europeu (BCE) ameaça aumentar este mês as taxas de juro! Mais uma vez! Para o BCE nada conta, nem que os juros tenham já superado os valores do início do século, que os aumentos provoquem o descalabro de cada vez mais famílias, que a actividade produtiva se confronte com condições de financiamento cada vez mais difíceis ou que os baixos níveis de crescimento económico sejam incapazes de criar emprego - muito em particular em países como o nosso, que está há anos com crescimentos bem abaixo dos ritmos já de si moderados dos seus parceiros europeus.

Mas então não há ninguém que ponha o BCE na ordem, que diga ao sr. Trichet, ao sr. Constâncio e a outros que tais que deveriam dedicar mais atenção à economia real e às pessoas? Sócrates e o Governo Português, que presidem neste semestre aos destinos da UE, podiam e deviam ter já dito e feito alguma coisa para travar esta espiral (quase) suicida de subida dos juros. Só que se calam que nem ratos, não querem perturbar a pretensa independência do banco central nem querem admitir que o BCE tem que passar a trabalhar orientações que promovam o crescimento e o emprego em vez de se dedicar apenas aos malabarismos germanófilos para controlar uma inflação que há muito não preocupa. Na verdade, o que Sócrates não quer é introduzir qualquer debate que o faça desviar do seu objectivo de fazer aprovar um tratado contranatura que (não por acaso) pretende consagrar a "tal independência" do BCE. Depois é capaz de nos vir dizer que não tem nada a ver com as subidas de juros nem pode fazer nada para as evitar...


Comentário:

Em baixo, alguns dos grandes usufrutuários da "tal independência" do BCE. A actividade de sanguessuga continua a render biliões todos os meses:


segunda-feira, setembro 03, 2007

Boaventura de Sousa Santos – FlexInsegurança

Boaventura de Sousa Santos é doutor em sociologia do direito pela Universidade de Yale e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

A FlexInsegurança

Publicado na Visão em 2 de Agosto de 2007

Vivemos um tempo em que a estabilidade da economia só é possível à custa da instabilidade dos trabalhadores, em que a sustentabilidade das políticas sociais exige a vulnerabilidade crescente dos cidadãos em caso de acidente, doença ou desemprego. Esta discrepância entre as necessidades do "sistema" e a vida das pessoas nunca foi tão disfarçada por conceitos que ora desprezam o que os cidadãos sempre prezaram ou ora prezam o que a grande maioria dos cidadãos não tem condições de prezar. Entre os primeiros, cito emprego estável, pensão segura e assistência médica gratuita.

De repente, o que antes era prezado é agora demonizado: a estabilidade no emprego torna-se rigidez das relações laborais; as pensões transformam-se na metáfora da falência do Estado; o serviço nacional de saúde deixa de ser um benefício justo para ser um custo insuportável. Entre os conceitos agora prezados, menciono o da autonomia individual. Este conceito, promovido em abstracto para poder surtir os efeitos desejados pelo "sistema", esconde, de facto, dois contextos muito distintos: os cidadãos para quem a autonomia individual é uma condição de florescimento pessoal, a busca incessante de novas realizações pessoais; e os cidadãos para quem a autonomia individual é um fardo insuportável, que os deixa totalmente vulneráveis perante a adversidade do desemprego ou da doença, e que, em casos extremos, lhes dá opção de escolher entre os contentores do lixo do bairro rico ou pedir esmola nas portas do metro.

No domínio das relações laborais está a emergir uma variante de conceito de autonomia. Chama-se flexigurança. Trata-se de aplicar entre nós um modelo que tem sido adoptado com êxito num dos países com maior protecção social da Europa, a Dinamarca. Em teoria, trata-se de conferir mais flexibilidade às relações laborais sem pôr em causa a segurança do emprego e do rendimento dos trabalhadores. Na prática, vai aumentar a precarização dos contratos de trabalho num dos países na Europa onde, na prática, é já mais fácil despedir. Não vai haver segurança de rendimentos, porque, enquanto o Estado providência da Dinamarca é um dos mais fortes da Europa, o nosso é o mais fraco; porque o subsídio de desemprego é baixo e termina antes que o novo emprego surja; porque o carácter semiperiférico da nossa economia e o pouco investimento em ciência e tecnologia vai levar a que as mudanças de emprego sejam, em geral, para piores, não para melhores, empregos; porque a percentagem dos trabalhadores portugueses que, apesar de trabalharem, estão abaixo do nível de pobreza, é já a mais alta da Europa; porque o factor de maior vulnerabilidade na vida dos trabalhadores, a doença, está a aumentar através da política de destruição do serviço nacional de saúde levada a cabo pelo Ministro da Saúde; porque os empresários portugueses sabem que dos acordos de concertação social só são "obrigados" a cumprir as cláusulas que lhes são favoráveis, deixando incumpridas todas as restantes com a cumplicidade do Estado. Enfim, com a flexigurança que, de facto, é uma flexinsegurança, os trabalhadores portugueses estarão, em teoria, muito próximos dos trabalhadores dinamarqueses e, na prática, muito próximos dos trabalhadores indianos.


Comentário:

Que importância tem que as pessoas vivam próximas da miséria e em constante sobressalto? Desde que os grandes financiadores dos partidos e dos políticos tenham garantido o seu ganha-pão. Não é para isso que os políticos são financiados? Não é por isso que as Somagues prosperam?
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