terça-feira, outubro 09, 2007

Os sobreviventes do Holocausto


O rabino Israel Rosenfeld falou pela primeira vez da sua experiência em Auschwitz ao jornal Intermountain Jewish News, a 27 de Janeiro de 2005, exactamente 60 anos depois do dia em que foi libertado de Auschwitz:

«... o trabalho duro, combinado com tudo o resto, conjugaram-se para fazer de Rosenfeld um jovem muito doente. Uma bolha não tratada no pé cresceu e piorou até que se tornou numa infecção debilitante na parte de trás da perna. Por fim, já não podia estar de pé, ou andar sozinho, diz ele, enquanto levanta a perna das calças para mostrar a cicatriz deixada pela infecção de há seis décadas atrás. Na altura, a meio do Inverno de 1944-45, foi colocado na enfermaria de Auschwitz, incapaz de trabalhar. Isto provavelmente salvou-lhe a jovem vida


Dos registros do Julgamento de Auschwitz em Frankfurt (Letter to Auschwitz Comité, Oct. 20, 1958; vol. 2, p. 226):

Aleksander Gorecki - Este prisioneiro contou como Boger (Wilhelm Boger, membro da Gestapo) entrou nas instalações da enfermaria do campo principal de Auschwitz para ir buscar um prisioneiro que tinha sofrido há pouco uma cirurgia à bexiga e já tinha programada uma cirurgia à próstata.


Elie Wiesel - Nobel da Literatura em 1986

Janeiro de 1945 - Elie Wiesel foi operado na enfermaria de Auschwitz (15 dias antes da chegada do Exército Vermelho). Elie Wiesel e Chlomo (pai de Elie) foram com os evacuados para Gleiwitz onde subiram com os outros para camionetas abertas de transporte de gado para uma viagem de dez dias até Buchenwald na Alemanha Central.



Em suma:

No campo de concentração de Auschwitz, que, segundo fontes oficiais, tinha capacidade para exterminar 6.000 pessoas por dia, aconteceu o seguinte:

- O jovem Israel Rosenfeld foi colocado na enfermaria de Auschwitz, incapaz de trabalhar, facto que provavelmente lhe salvou a jovem vida.

- Boger (da Gestapo) foi buscar um prisioneiro que tinha sofrido há pouco uma cirurgia à bexiga e já tinha programada uma cirurgia à próstata.

- O Nobel da Literatura de 1986, Elie Wiesel, foi operado na enfermaria de Auschwitz (a duas semanas da libertação do campo pelo Exército Vermelho), e foi mais tarde evacuado para Buchenwald.

Não há algo de bizarro em tudo isto?
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segunda-feira, outubro 08, 2007

João Cravinho - A apropriação do «Governo» por parte dos lóbis privados.

Parte da entrevista de João Cravinho à Revista Visão – 4/10/2007

Via «Pedra do Homem»

Sobre o combate à corrupção - "(...) Fui até ao limite do que podia. Após um processo longo e muitas discussões, formei uma ideia sobre as razões das divergências profundas (...) entre mim e a direcção do grupo parlamentar em questões fulcrais. A primeira tem que ver com um juízo político e ético sobre a situação da corrupção em Portugal e o seu efeito corrosivo sobre o funcionamento das instituições democráticas. Penso que é um fenómeno grave, extenso e sem mecanismos de contenção à altura.(...) Mas também não estávamos de acordo sobre a natureza do fenómeno. Prevaleceu no debate uma noção eminentemente policial da corrupção.(...) Só que a corrupção como fenómeno novo, associado à globalização, torna a concepção policial obsoleta. Um dos nossos grandes problemas é a corrupção de Estado, a apropriação de órgãos vitais de decisão ou de preparação da decisão por parte de lóbis.(...) Foi um dos maiores choques da minha vida ver que aquela matéria causava um profundo mal-estar, era como que um corpo estranho no corpo ético do PS.(...)"

Sobre a actuação do Governo - "(...) Há anos que a governação em Portugal é neoliberal, com mais ou menos consciência social. O problema não está nas políticas sociais, mas na adopção da ideologia neoliberal como matriz.(...) Não pode estar a promover-se uma pseuso-economia de mercado, em que o Estado serve de muleta aos grandes e até aos pequenos negócios. Muitos acham que deve ser essa a originalidade do neoliberalismo à portuguesa.(...)"

Sobre as relações Governo-Presidente da República. - "(...) O regime está de tal modo fragilizado que, em certo sentido, o Prof. Cavaco Silva, em conjugação com o Eng.º Sócrates, funcionam como uma cavilha de segurança suplementar da granada em que está a transformar-se o nosso sistema político.(...) Mas o que está a perguntar é se existe uma nova forma de bloco central. De certo modo, sim.(...)"


Ainda sobre a apropriação do Estado por parte dos lóbis privados, temos as palavras de Miguel Sousa Tavares no Expresso:

Miguel Sousa Tavares - Expresso 07/01/2006

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos [Ota e TGV], [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»


E ainda sobre o mesmo tema, a opinião de Fernando Madrinha no Expresso:

Fernando Madrinha - Jornal Expresso - 1/9/2007:

(…) Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. (…)

(…) Remetem-nos para uma sociedade cada vez mais vulnerável e sob ameaça de desestrutruração, indicam-nos que os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais.


Comentário:

Embora concorde com João Cravinho na tese da apropriação do Estado pelo grande dinheiro, noto-lhe ainda uma tentativa inglória de isentar de responsabilidades o «nosso» Primeiro-Ministro:

Diz Cravinho que «[Cavaco] e Sócrates funcionam como uma cavilha de segurança suplementar da granada em que está a transformar-se o nosso sistema político».

Mas Sócrates está longe de ser uma cavilha de segurança. Pelo contrário, o actual Primeiro-Ministro tem servido como espoleta de poderosos interesses financeiros apostados em estilhaçar a sociedade e o país, tranformando-o numa coutada de pilhagem privada.
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sexta-feira, outubro 05, 2007

Bergen-Belsen - Um campo de convalescença nazi para judeus demasiado doentes para trabalhar

Campo de concentração de Bergen-Belsen


O campo de concentração de Bergen-Belsen tal como é descrito no site judaico-americano - Jewish Virtual Library:

«As condições no campo [de Bergen-Belsen] eram boas atendendo aos padrões dos campos de concentração e a maioria dos prisioneiros não era sujeita a trabalhos forçados. Porém, no começo da primavera de 1944 a situação deteriorou-se rapidamente. Em Março, Belsen foi renomeado um Ehrholungslager [Campo de Convalescença], para onde os prisioneiros de outros campos de concentração, demasiado doentes para trabalhar, eram trazidos, embora nenhum recebesse tratamento médico.»

«À medida que o Exército alemão retirava em face do avanço Aliado, os campos de concentração foram evacuados e os prisioneiros enviados para Belsen. As instalações do campo não podiam acomodar a súbita afluência de milhares de prisioneiros e os serviços - comida, água e sanitários – desmoronaram-se, levando à eclosão de doenças. Anne Frank e a irmã, Margot, morreram de tifo em Março de 1945, assim como outros prisioneiros numa epidemia de tifo.»


Entretanto, o site Deutsche Welle - World descreve desta forma o campo de concentração de Auschwitz:

«Auschwitz foi o maior e mais terrível campo de extermínio do regime de Hitler. Nas suas câmaras de gás e crematórios, foram mortas pelo menos um milhão de pessoas. No auge do Holocausto, em 1944, eram assassinadas seis mil pessoas por dia. Auschwitz tornou-se sinónimo do genocídio contra os judeus, ciganos e outros tantos grupos perseguidos pelos nazis.»

«À chegada ao campo de concentração, um médico e um comandante perguntavam a idade e o estado de saúde dos prisioneiros que chegavam, contou Anita Lasker, uma das sobreviventes. Depois disso, as pessoas eram encaminhadas para a esquerda ou para a direita, ou seja, para o campo ou directamente para o crematório. Quem alegasse qualquer problema estava, na realidade, assinando a sua sentença de morte


Comentário:

Em suma, enquanto o campo de concentração de Auschwitz se afadigava no extermínio do maior número possível de judeus, o campo de concentração de Bergen-Belsen recebia prisioneiros demasiado doentes para trabalhar, de forma a poderem restabelecer a saúde.

Não há algo de bizarro em tudo isto?
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quinta-feira, outubro 04, 2007

A incompreensível rotação dos prisioneiros judeus pelos diversos campos de extermínio nazis

Anne Frank

A história de Anne Frank começa na Alemanha dos anos 20. Os seus pais, Otto Frank e Edith Holländer casaram-se numa sinagoga no dia 12 de Maio de 1925. Nove meses depois, no dia 16 de Fevereiro de 1926, a primeira filha do casal, Margot, nasceu em Frankfurt am Main. No dia 12 de Junho de 1929, nasceu Annelise Frank (Anne Frank).

Em 1933, com a subida ao poder de Adolf Hitler, a família Frank decidiu mudar-se para a relativamente segura Amesterdão, na Holanda. Para tanto no verão Edith, Margot e Anne foram morar com a avó materna Holländer, em Aachen, enquanto Otto partiu para Amsterdão para organizar as coisas. No dia 5 de dezembro de 1933, Edith e Margot mudaram-se para Amesterdão. Em Fevereiro de 1934, Anne Frank juntou-se aos pais em Amesterdão.

No verão de 1937, a família Van Pels trocou Osnabrück na Alemanha, por Amesterdão. No dia 1 de Junho de 1938, Otto Frank em parceria com Hermann van Pels inaugurou a Pectacon B.V., especializada na produção de ervas utilizadas no tempero de carne. No dia 8 de Dezembro do mesmo ano, Fritz Pfeffer trocou a Alemanha pela Holanda. Em Março de 1939, a situação dos judeus na Alemanha começou a ficar intolerável.

Mesmo com muitos membros do Partido Nazi presentes no seu território, a Holanda tratava muito bem os seus refugiados judeus e os Frank sentiram-se seguros juntamente com seus vizinhos judeus.

No dia 5 de Julho de 1942, Edith Frank recebeu um documento registrado convocando Margot Frank para ir para o campo de trabalhos forçados de Westerbork, na Alemanha.

Diante de tal facto, Otto Frank (o pai de Anne Frank) decidiu antecipar a ida da família para o esconderijo localizado na Prinsengracht, 263 (local onde funcionava seu escritório e que desde o ano anterior estava sendo preparado para se tornar esconderijo da família caso fosse necessário).

A 13 de Julho de 1942, a família Van Pels (Hermann, Auguste e Peter) mudaram-se para o Anexo Secreto. No dia 16 de Novembro, Fritz Pfeffer chegou ao esconderijo como o oitavo clandestino.

Durante dois anos os moradores do Anexo Secreto fizeram parte de uma grande família, morando num confinado espaço e vivendo sob o constante medo de serem descobertos pelos nazis e pelos seus simpatizantes. Foi durante este período que Anne Frank escreveu o seu famoso diário.

A 4 de Agosto de 1944 o Anexo Secreto foi invadido de surpresa pela polícia nazi e os moradores foram presos.

Depois de presos, os oito moradores do Anexo Secreto foram levados para uma prisão em Amesterdão e no dia 8 de Agosto foram transferidos para Westerbork, um campo de triagem para judeus no norte da Holanda. A 3 de Setembro de 1944 foram todos deportados para Auschwitz (Polónia), onde chegaram no dia 6 de Setembro de 1944. À chegada ao campo de concentração de Auschwitz, Anne Frank e os outros 7 residentes do Anexo foram poupados à morte nas câmaras de gás.


Otto Heinrich Frank (pai de Anne Frank), foi o único dos oito moradores do Anexo a sobreviver, sendo libertado de Auschwitz pelo Exército Vermelho no dia 27 de Janeiro de 1945. Otto Frank morreu em Basileia (Suiça) no dia 19 de Agosto de 1980 com 91 anos.





Edith Hollander Frank (mãe de Anne Frank), morreu (com 44 anos) na enfermaria de Auschwitz-Birkenau no dia 6 de Janeiro de 1945, vítima de inanição.



Margot Frank (irmã mais velha de Anne Frank), por volta de 28 de Outubro de 1944 foi transferida com Anne Frank e Auguste van Pels de Auschwitz para Bergen Belsen, campo de concentração perto de Hannover (Alemanha), onde morreu (com 18 anos) possivelmente no final de Fevereiro de 1945, vítima da epidemia de tifo que matou milhares de prisioneiros no local. O seu corpo foi provavelmente enterrado nas valas comuns de Bergen Belsen.

Anne Frank por volta de 28 de Outubro de 1944 foi transferida com a irmã e Auguste van Pels de Auschwitz para Bergen Belsen onde morreu (com 16 anos) possivelmente no final de Fevereiro ou início de Março de 1945, vítima de tifo. Provavelmente o seu corpo também foi enterrado nas valas comuns do campo que foi libertado por tropas inglesas em 12 de Abril de 1945.



Hermann van Pels, segundo o testemunho de Otto Frank, Hermann, morreu nas câmaras de gás de Auschwitz em Outubro ou Novembro de 1944 (com 55 anos). Pouco depois as câmaras de gás foram desactivadas.




Auguste van Pels (esposa de Hermann van Pels), por volta de 28 de Outubro de 1944 foi transferida de Auschwitz com Anne e Margot para Bergen Belsen. Em Fevereiro de 1945 foi transferida para Buchenwald, depois para Theresienstadt (em 9 de Abril de 1945), e aparentemente para outro campo de concentração depois disso. É certo que não sobreviveu, mas não se sabe a data de sua morte.



Peter van Pels (filho dos Pels), foi forçado a participar da marcha da morte de Auschwitz a16 de Janeiro de 1945 até ao campo de concentração de Mauthausen (Áustria), onde, segundo a Cruz Vermelha, morreu no dia 5 de Maio de 1945 (com 18 anos), três dias antes do campo ser libertado pelas tropas americanas.



Fritz Pfeffer foi transferido de Auschwitz para Sachesenhausen e novamente transferido paro o campo de concentração de Neuengamme, onde morreu no dia 20 de Dezembro de 1944 (com 55 anos) com uma inflamação nos intestinos.





Comentário:

Em suma, dos oito prisioneiros judeus, principais personagens do diário de Anne Frank, apenas três permaneceram em Auschwitz:

1 - Hermann Pels foi «gaseado» segundo o «testemunho» de Otto Frank.

2 - Edith Frank (mãe de Anne Frank), morreu na enfermaria vítima de inanição.

3 - Otto Frank (pai de Anne Frank), sobreviveu a Auschwitz, sendo libertado pelo Exército Vermelho.


Os outros cinco elementos foram transferidos, alguns por diversas vezes:

4 e 5 - As irmãs Margot e Anne Frank foram transferidas de Auschwitz para o campo de concentração de Bergen Belsen, onde morreram de tifo.

6 - Peter Pels foi transferido de Auschwitz para Mauthausen onde morreu três dias antes do campo ser libertado pelas tropas americanas.

7 - Fritz Pfeffer foi transferido de Auschwitz para Sachesenhausen e depois para Neuengamme, onde morreu com uma inflamação nos intestinos.

8 - Auguste Pels foi transferida de Auschwitz para Bergen Belsen, depois para Buchenwald, depois para Theresienstadt, e aparentemente para outro campo de concentração depois disso. Pensa-se que não sobreviveu.


Se o objectivo dos nazis era exterminar judeus, porque é que deste grupo de oito judeus, apenas um foi «gaseado», segundo o «testemunho» de Otto Frank? E porque andaram os outros a saltar de campo em campo (a senhora Auguste Pels passou por quatro campos de extermínio diferentes)?
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terça-feira, outubro 02, 2007

O Lobby Israelita: quão poderoso é de facto?



Quando se discute a política norte-americana em relação a Israel e à Palestina, grupos como o Comité de Negócios Públicos Americano-Israelita (American Israel Public Affairs Committee (AIPAC) e comités relacionados de acção política (PACs) influenciaram decerto alguns membros de Congresso Americano, assim como alguns decisores tanto em Administrações Republicanas como Democratas. Além disso, organizações judaicas democratas e conservadoras mobilizaram recursos de lobby consideráveis, contribuições financeiras da comunidade judia, e pressões de cidadãos nos media e outros fóruns de discussão pública em defesa do governo israelita. Às vezes, criaram até um clima de intimidação contra muitos dos que falam em paz e direitos humanos ou que apoiam o direito dos Palestinianos à autodeterminação. Mas daí a afirmar que o lobby israelita é o principal responsável pela política norte-americana no Médio Oriente, mesmo quando se trata de Israel, vai uma enorme distância.


O que é que motiva o apoio norte-americano ao governo israelita?

A triste realidade é que o governo dos EUA é perfeitamente capaz de apoiar as alas mais à direita de países aliados, de forma a invadir, reprimir e colonizar vizinhos mais fracos, sem que aqueles possuam uma minoria étnica bem organizada nos EUA, que de alguma forma force o Congresso ou a administração a fazer isso. Afirmar o contrário seria assumir que sem o lobby pró-israelita, os Estados Unidos seriam incentivadores do direito internacional e dos direitos humanos na sua política externa. Dado que a política externa americana raramente encorajou a lei internacional e os direitos humanos, excepto quando correspondem aos seus próprios interesses políticos de curto prazo, porque é que o Oriente Médio deveria ser uma excepção? Nunca existiu um lobby indonésio-americano responsável pelo apoio da ocupação brutal de Timor Leste pela Indonésia durante um quarto de século, nem existe um lobby marroquino-americano responsável pelo apoio da actual ocupação marroquina do Saara Ocidental.

É certamente verdade que os Estados Unidos, nas palavras de Mearsheimer e Walt, "não estão sintonizados" com a grande maioria da comunidade internacional na questão entre Israel e a Palestina. Todavia os Estados Unidos também estão "não estão sintonizados" em relação à grande maioria da comunidade internacional no que toca ao tratado que proíbe minas terrestres, ao Tribunal Penal Internacional, ao Protocolo de Kyoto sobre o efeito de estufa, e ao embargo contra Cuba. De igual forma, duas décadas atrás, os Estados Unidos estiveram também "não estiveram sintonizados"com a vasta maioria da comunidade internacional a respeito da colocação de minas nos portos nicaraguanos e no apoio aos Contra terroristas, bem como na oposição às sanções contra o regime do apartheid na África do Sul e aliando-se a Pretória no apoio aos rebeldes de UNITA em Angola.

A observação Mearsheimer e de Walt de que o apoio dos EUA a Israel é contrário aos interesses estratégicos americanos porque estimulam o anti-americanismo no mundo árabe / islâmico não é uma posição dissidente sem precedentes. Em qualquer administração americana, há elementos nos círculos da elite governante que chegam a conclusões que desafiam o pensamento dominante. Por exemplo, Mearsheimer e Walt juntaram-se a Zbigniew Brzezinski, Jacek Krugler e outros «pragmáticos» que reconheceram que a invasão de Iraque foi contrária aos interesses da segurança nacional dos EUA, mas a administração Bush e uma boa parte do Congresso (incluindo a liderança dos dois partidos) foram de opinião contrária. De igual modo, alguns líderes «pragmáticos» dos anos sessenta, como Hans Morgenthau, opuseram-se à Guerra do Vietname, mas isso não travou uma esmagadora maioria bipartidária em Washington de acreditar erradamente, pelo menos até finais de 1960, que a guerra servia melhor os interesses de América. Por outras palavras, administrações de ambos os partidos já provaram ser capazes repetidamente de agir contra os interesses nacionais americanos a longo prazo sem que o lobby israelita os force a tanto.

Nalguns aspectos claramente demarcados, o apoio dos Estados Unidos ao governo israelita corresponde aos interesses próprios americanos. Numa região onde o nacionalismo árabe pode ameaçar o controle de petróleo pelos americanos assim como outros interesses estratégicos, Israel tem desempenhado um papel fundamental evitando vitórias de movimentos árabes, não apenas na Palestina como também no Líbano e na Jordânia. Israel manteve a Síria, com o seu governo nacionalista que já foi aliado da União Soviética, sob controlo, e a força aérea israelita é preponderante na região.

As frequentes guerras de Israel têm proporcionado o teste no campo de batalha das novas armas americanas e a indústria de armamento israelita tem fornecido armas e munições aos governos e movimentos de oposição apoiados pelos Estados Unidos. Além disso, durante os anos oitenta, Israel serviu como um canal para o escoamento de armamento americano para governos e movimentos impopulares nos Estados Unidos que receberam ajuda militar evidente, inclusive a África do Sul sob o regime do apartheid, a República islâmica de Irão, as juntas do exército de direita da Guatemala e os Contras da Nicarágua.

Conselheiros militares israelitas ajudaram os Contra da Nicarágua, a junta Salvadorenha e outros movimentos e governos apoiados pelos Estados Unidos. A agência de serviços secretos israelita Mossad cooperou com a CIA e com outras agências de informações americanas colhendo informações secretas e liderando operações secretas. Israel possui mísseis capazes de atingir alvos a milhares de milhas das suas fronteiras e colaborou com o complexo militar-industrial americano em pesquisa e desenvolvimento para os lutadores de novos caças e sistemas defensivos anti-mísseis, uma relação que cresce de ano para ano.

Como foi descrito por um analista israelita durante o escândalo Irão-Contras, onde Israel teve um papel crucial como intermediário, "É como se Israel se tivesse tornado noutra agência federal, uma que é conveniente utilizar quando se quer algo feito sem muito barulho." O ex-ministro de Estado americano, Alexander Haig, descreveu Israel como o maior e o único porta-aviões americano que é impossível de afundar.

Um dos princípios mais fundamentais na teoria de relações internacionais é que a relação militar mais estável entre adversários (além do desarmamento) é a paridade estratégica. Tal relação proporciona a cada oponente um dissuasor efectivo contra a possibilidade do outro lançar um ataque preventivo. Se os Estados Unidos estivessem simplesmente preocupados com a segurança de Israel, Washington deveria manter as defesas israelitas num nível aproximadamente igual a qualquer combinação de forças armadas árabes. Em vez disso, líderes de dos dois partidos políticos dos EUA exigiram assegurar a superioridade qualitativa militar israelita. Quando Israel era militarmente menos dominante, havia menos consenso em Washington para apoiar o Israel. O alto nível continuado de ajuda dos EUA a Israel deriva menos da preocupação pela sobrevivência de Israel mas antes do desejo de que Israel continue o seu domínio político sobre os Palestinianos e que mantenha o seu domínio militar da região.

A enorme quantia de ajuda militar recebida anualmente por Israel foi citada por Mearsheimer e Walt, entre outros, como indicador do poder do lobby israelita. Contudo este modelo de ajuda reflecte a importância de Israel para os próprios interesses americanos. Imediatamente a seguir à vitória espectacular de Israel na guerra de 1967, quando demonstrou a sua superioridade militar na região, a ajuda americana aumentou abruptamente 450%.

Parte deste aumento, segundo o New York Times, estava aparentemente relacionado com a vontade de Israel de fornecer aos Estados Unidos exemplos das novas armas soviéticas que capturou durante a guerra. A seguir à guerra civil na Jordânia de 1970-71, quando o Israel exibiu sua capacidade para deter a intervenção síria em defesa da insurreição contra a monarquia pró-ocidental jordana e assim manter os movimentos revolucionários fora das suas fronteiras, os EUA aumentaram ainda mais a sua ajuda.

Quando Israel provou a sua força ao opor-se com sucesso a uma agressão surpreendentemente forte do exército árabe em Outubro de 1973, a ajuda militar dos EUA aumentou uma vez mais. Estes aumentos de ajuda aconteceram em simultâneo com a decisão britânica de retirar as suas forças das áreas a leste do Canal de Suez. Conjuntamente com o Xá de Irão que também recebeu massiva cooperação em armamento e logística como um componente fundamental da Doutrina Nixon, Israel emergiu como uma importante força aliada após a retirada britânica.

Este padrão continuou quando a ajuda disparou novamente em 1977, a seguir à eleição do primeiro governo da ala direita do Likud em Israel. Aumentos subsequentes de ajuda coincidiram com a queda do Xá e a ratificação do tratado de Camp David com o Egipto. A ajuda americana cresceu ainda mais logo a seguir à invasão israelita de Líbano em 1982.

Em 1983 e 1984, quando os Estados Unidos e Israel assinaram um memorando de acordo em cooperação estratégica e planeamento militar e conduziram os primeiros exercícios navais e aéreos conjuntos, Israel foi recompensado com uma ajuda económica adicional de 1.5 mil milhões de dólares e mais 500 milhões de dólares para o desenvolvimento de um novo caça. Durante e imediatamente após a Guerra de Golfo, a ajuda americana aumentou em 650 milhões de dólares.

Na década seguinte, quando começaram a surgir preocupações relativas à ameaça de grupos terroristas, extremistas islâmicos, e os denominados "Estados párias", a ajuda americana a Israel aumentou ainda mais. Um tratado de paz com a Jordânia e uma série de acordos rompidos com os Palestinianos conduziram a transferências adicionais de armas para Israel.

Em lugar de ser uma despesa, como Mearsheimer e Walt reivindicaram, a Guerra do Golfo de 1991 provou uma vez mais que Israel constitui um recurso estratégico: Desenvolvimentos israelitas em tecnologia militar ar-solo foram integrados em raides de bombardeamento aliados contra bases de mísseis iraquianas e outros objectivos; Tanques de gasolina projectados por Israelitas para aviões de combate F-15 aumentaram grandemente o seu alcance; fornecimentos de minas israelitas foram utilizados durante os ataques finais às posições iraquianas; Pontes móveis israelitas foram usadas pelo marines americanos.

Sistemas de mira e dispositivos de prevenção de baixa altitude israelitas foram empregados pelos helicópteros americanos; e Israel desenvolveu componentes fundamentais para os muito utilizados mísseis Tomahawk. Israel é também o 5ª maior fornecedor de material militar de alta tecnologia ao Estados Unidos. Não surpreendentemente, a ajuda dos EUA a Israel intensificou-se ainda mais nos anos noventa, embora o apoio militar aos adversários árabes tenha decaído devido ao colapso do União Soviética.

Desde o 11 de Setembro de 2001, a percepção de Israel como um aliado natural na "guerra ao terrorismo" do Presidente George W. Bush cimentou ainda mais a aliança estratégica, à medida que o Pentágono posiciona equipamento militar em Israel de forma a aumentar a prontidão militar para outras intervenções no Oriente Médio. Israel também apoiou as operações militares dos EUA no Iraque ajudando a treinar as Forças Especiais americanas em técnicas de contra-insurgência agressiva e enviando especialistas de guerra urbana para Fort Bragg dar instrução a esquadrões da morte que têm por alvo líderes suspeitos de guerrilha iraquianos. A administração civil americana no Iraque, estabelecida no seguimento da invasão ema 2003, seguiu o modelo da administração civil de Israel nos territórios árabes ocupados após a invasão israelitade 1967. Oficiais americanos viajaram para Israel e oficiais israelitas viajaram para o Iraque para consultas adicionais.

Ainda por cima, os israelitas ajudaram a armar e a treinar milícias curdas pró-americanas e ajudaram funcionários americanos em centros de interrogatório para insurgentes suspeitos detidos perto de Bagdade. Conselheiros israelitas compartilharam conselhos úteis no levantamento de obstáculos em estrada operacionais e postos de controlo, forneceu treino na destruição de minas métodos de arrombamento de barreiras e sugeriram técnicas para localizar insurgentes suspeitos usando drones (aviões não tripulados). Israel também forneceu equipamento de vigilância aérea, drones de engodo e equipamento de construção blindada. Em troca, Israel recolheu ainda mais apoio dos EUA.

Em suma, quanto mais forte, mais agressivo e mais aquiescente com os interesses dos EUA, Israel se tornar, maior o nível de ajuda e cooperação estratégica que recebe. Um Estado de Israel militante é visto como promotor de interesses americanos. Na realidade, um Estado israelita em constante estado de guerra - tecnologicamente sofisticado e militarmente avançado, mas com uma economia dependente dos Estados Unidos, está muito mais disposto a executar operações que outros aliados considerariam inaceitáveis, do que um Estado Israelita que estivesse em paz com os seus vizinhos.

Como o ex-Ministro de Estado de Henry Kissinger disse uma vez, em referência à relutância de Israel em fazer paz, "a obstinação de Israel… serve melhor os propósitos dos nossos dois países."

domingo, setembro 30, 2007

O jornal Expresso, a propaganda, a mentira e as guerras do petróleo

A Invasão do Iraque em 2003 teve inicio a 20 de Março através de uma aliança entre os Estados Unidos da América, Reino Unido e muitas outras nações (unidade conhecida como a Coligação). O pretexto da ocupação, inicialmente, foi encontrar as armas de destruição em massa que, supostamente, o governo iraquiano teria em stock e que, segundo Bush, representavam um risco ao seu país, abalado pelos atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001. As supostas armas de destruição massiva que o Iraque possuiria jamais foram encontradas pelas forças de ocupação. As também alegadas ligações de Saddam com grupos terroristas islamistas nunca foram comprovadas.

Os EUA forneceram entre 1981 e 2001 cerca de 50% das importações de armas de Saddam Hussein. A dívida de Saddam aos americanos atingiu no período 1988-1998 um montante entre 7 e 8 biliões de dólares. A intervenção dos EUA no Iraque resulta de uma sequência de mentiras. Entretanto já morreram no Iraque 3.800 soldados americanos e mais de 1 milhão de civis iraquianos (Los Angeles Times - September 14, 2007).

Como no Iraque, o motivo principal por detrás das ameaças de guerra contra o Irão não são as armas de destruição em massa, mas o petróleo. O programa nuclear iraniano não é, na realidade, visto por Washington como uma grande ameaça. Assim como no Iraque, as armas de destruição em massa funcionam como casus belli para uma acção militar com outros objectivos.

Não existem quaisquer provas que o Irão tenha um programa de armas nucleares. As inspecções nos últimos três anos não encontraram qualquer programa de armamento nuclear. Já tiveram lugar mais de 2.200 pessoas/horas de inspecções das instalações nucleares do Irão pela Agência Internacional de Energia Atómica (IAEA), e Mohammed El Baradei já afirmou que não há qualquer evidência que o Irão tenha um programa de armas nucleares. Até o relatório oficial da CIA de 2005 concluiu que o Irão precisaria de pelo menos 10 anos para ter capacidade para produzir uma arma nuclear.

O Irão detém as terceiras maiores reservas de petróleo do mundo, depois da Arábia Saudita e Iraque, e conjuntamente possui mais petróleo e gás natural que qualquer outro país do planeta.


A Propaganda

As escaladas militares são precedidas nos nossos tempos por uma ofensiva ideológica e propagandística. Os meios de comunicação social, nas mãos de umas poucas transnacionais, difundem fielmente e sem questionar muitas das falsificações enviesadas lançadas pelos governos beligerantes com o objectivo de diabolizar culturas e os seus lideres. Aqueles preparam assim o terreno para a aceitação pelas populações de acções militares e da mortalidade que estas implicam.

O jornal Expresso alberga (pelo menos) três destes propagandistas profissionais, que semana sim, semana sim, difundem nas suas «crónicas» a demonização, o ódio, a mentira e a distorção que lhes são encomendadas por governos beligerantes nos seus preparos para o genocídio e a rapina:

Jornal Expresso - 29 de Setembro de 2007


Meter o Irão nos eixos

Os russos, em maré de reafirmação nacional, têm tido um posição equívoca quanto aos desmandos nucleares iranianos, parecendo às vezes entenderem a gravidade da questão e estarem dispostos a colaborar com americanos, franceses e ingleses no Conselho de Segurança para lhe por cobro. Outras vezes, o Kremlin parece mais interessado em contrariar americanos e europeus para melhor se afirmar no Médio-Oriente, na Ásia Central e na própria Rússia, onde haverá eleições presidenciais no ano que vem, do que em se opor à proliferação nuclear. Putin fará visita de Estado ao Irão em Outubro.

Oxalá o Irão seja capaz de ir ao sítio, uma vez convencido de que se o não fizer os ocidentais começarão por lhe cortar a colecta e irão mais longe se for preciso. Em 2003, Saddam não cedeu antes da invasão em boa parte por estar convencido que franceses e alemães teriam peso político suficiente para impedir um ataque ao Iraque. Talvez Ahmadinejad comece a perceber (...) Com ou sem bomba, o Eixo do Mal sempre é capaz de existir...


Filmes pornográficos

"A universidade de Columbia entendeu convidar para um «rendez-vous» cultural o Presidente do Irão. Escusado será dizer que Mahmoud Ahmadinejad compareceu à chamada e, depois de uma apresentação pouco simpática, onde foi definido como ‘um ditador insignificante e cruel’ (a alegada ‘insignificância’ do homem mostra bem a ignorância dos anfitriões), o nosso Mahmoud aproveitou o momento para partilhar com o mundo as suas respeitáveis ficções: o Irão não deseja destruir Israel; o Irão não procura armamento nuclear; o Irão não tem homossexuais dentro de portas."

"E a universidade? Que nos disse Columbia deste filme pornográfico? De acordo com o reitor, o encontro serviu para mostrar a loucura de Ahmadinejad e a liberdade de opinião que reina nos Estados Unidos, duas novidades que o mundo recebeu de boca aberta. Infelizmente, não passou pela cabeça do senhor que este não foi um encontro cultural. Na verdade, a Universidade de Columbia ofereceu palco a um terrorista, responsável pela matança de americanos no Iraque e que, num mundo normal, já estaria a ser julgado, ou preso, por simpatias genocidas. Convidá-lo não foi um gesto de superioridade; foi um empréstimo de propaganda e respeitabilidade. A falência do liberalismo não começa quando toleramos a opinião contrária dos outros. Começa quando toleramos a opinião daqueles que de bom grado acabariam com a nossa. "


O teste de Nicolas Sarkozy

"A resposta à pergunta é crucial para avaliar até onde é que os países europeus estão realmente dispostos a ir para tentarem ajudar a solucionar o actual impasse iraniano. A existir, a solução não deixará de incluir a coerção. Aqui os músculos dos países europeus não serão militares mas sim comerciais e financeiros (...) Todavia, até muito recentemente, os governos europeus mostraram sempre uma enorme relutância em usar o seu enorme poder comercial, bancário e financeiro para pressionar Teerão. "

"Nas últimas semanas tudo parece ter mudado neste capítulo. Na ausência de um consenso rápido com a Rússia e a China no Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o programa nuclear iraniano, o Presidente da França, Nicolas Sarkozy, propôs aos seus parceiros europeus a participação numa coligação de voluntários que inclui também os EUA e o Japão. O objectivo desta coligação é punir seriamente o regime iraniano através de restrições no seu acesso ao sistema bancário e financeiro internacional. "

"Punir desta maneira só será possível se os governos, bancos e empresas europeias forem mesmo capazes de fazer grandes sacrifícios durante bastante tempo. Até agora este triângulo foi totalmente incapaz de o fazer. Por isso mesmo, o mundo está cheio de gente desagradável que, muito naturalmente, duvida da credibilidade das políticas externas dos países europeus. Ar quente, pensam e dizem alto estas pessoas. A proposta de Sarkozy é um teste decisivo para a credibilidade internacional dos países europeus e para o futuro do euro-atlantismo."


Comentário:

Estes propagandistas não são apenas mentirosos profissionais. Ao participarem, mesmo que apenas com a caneta, nas guerras de pilhagem efectuadas por governos rapaces, estes publicistas embusteiros colaboram activamente no assassínio de milhões de pessoas.

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sábado, setembro 29, 2007

Rússia adverte EUA sobre militarização do espaço



Agência EFE - 27/09/2007

A Rússia advertiu hoje os Estados Unidos e outros países contra os planos de militarizar o espaço, o que, em sua opinião, "multiplicaria o risco de uma guerra mundial", segundo a agência "Interfax".

"Não queremos uma guerra no espaço, mas também não permitiremos que nenhum outro país se apodere do universo", disse à imprensa em Moscou o coronel-general Vladimir Popovkin, comandante das Forças Espaciais da Rússia.

A instalação de meios de ataque no espaço aberto "teria consequências muito perigosas para o mundo", afirmou Popovkin, em uma clara referência aos Estados Unidos, cujos planos de militarizar o espaço são denunciados pela Rússia há anos.

Segundo ele, em caso de falha de um satélite espião russo, o país poderia interpretar o ocorrido como "o começo de um ataque para 'cegar e ensurdecer' seus sistemas de detecção de operações com mísseis".

"Neste caso, naturalmente, tomaríamos medidas de resposta", ressaltou.

O general lembrou que, "actualmente, apenas os EUA e a Rússia são capazes de colocar armas no espaço", mas alertou que "a este nível também se aproximam rapidamente China, países da Europa e outras nações".

O general disse que a Rússia preparou junto com a China uma série de acordos internacionais voltados a proibir a militarização do espaço.

Ele acrescentou que colaborou para esta iniciativa conjunta o teste do primeiro míssil anti-satélite balístico chinês em Janeiro, fato criticado por Estados Unidos, Japão e Austrália, mas que teve sua importância minimizada pela Rússia.

"O espaço é actualmente o único âmbito onde ainda não há armamento, e é preciso legalizar isto mediante um acordo internacional", acrescentou.

As críticas da Rússia às tentativas dos EUA de militarizar o espaço aumentaram após o Pentágono anunciar seu projecto de um escudo antimísseis global e os planos de instalar um radar e foguetes interceptores no Leste Europeu, perto da fronteira russa.

Popovkin reiterou a posição que Moscovo mantém sobre o início da corrida armamentista no espaço desde os tempos da "Guerra nas Estrelas", do então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan: a Rússia preferiria evitá-la, mas, se não houver alternativa, também está pronta para enfrentá-la.

A resposta "assimétrica" que a Rússia defende passa pela renovação, ainda pendente, da frota de satélites e pela modernização do arsenal nuclear do país, com a incorporação de mísseis balísticos intercontinentais de ogivas múltiplas capazes de burlar defesas antimísseis.



Comentário:

Os russos têm boas razões para estar preocupados. A militarização e controlo do Espaço é, de há muito, uma obsessão do complexo militar-industrial americano.

Visão para 2020 (Vision for 2020), é um documento que foi publicado pelo Comando Espacial dos Estados Unidos, e trata-se de um plano para a dominação da Terra a partir do Espaço pelos EUA. Na primeira página exige-se: "o domínio da dimensão espacial das operações militares de forma a proteger os interesses e os investimentos americanos." No documento, podem ainda ler-se frases como, "full spectrum dominance" [total controlo militar terrestre, marítimo, aéreo e espacial], e "o controlo do espaço é a capacidade para assegurar o acesso ao espaço… e a capacidade para negar aos outros o uso de espaço"


Controle do Espaço (CoS - Control of Space) é a capacidade para assegurar acesso ininterrupto ao Espaço pelas forças dos Estados Unidos e dos nossos aliados, liberdade de operações no meio espacial e a capacidade para negar outros o uso do Espaço [an ability to deny others the use of space], se preciso for. A capacidade para ganhar e manter a superioridade espacial será crítica... Com acesso ininterrupto ao Espaço, os Estados Unidos podem lançar e reconstituir constelações de satélite à medida das suas necessidades e sem impedimento por parte dos nossos adversários.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Ahmadinejad e as teorias da conspiraçao

Veja - Terça-feira, 25 de Setembro de 2007

O presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, participou de um tenso encontro com estudantes e académicos americanos na noite de segunda-feira, em Nova Iorque. Durante a palestra, na Universidade de Columbia, o líder iraniano tentou esclarecer algumas das polémicas em que se envolveu nos últimos anos -- mas não deixou de se envolver em novas controvérsias. Nesta terça-feira, Ahmadinejad falaria à Assembleia-geral da ONU.

Criticado por muitos nos EUA por dar voz a Ahmadinejad, o presidente da universidade, Lee Bollinger, abriu o encontro com Ahmadinejad apresentando o visitante como um "ditador cruel e mesquinho". Na imprensa iraniana, a introdução foi classificada de "mal-educada". Ahmadinejad negou as principais acusações contra seu país -- de que tem um programa nuclear perigoso e tenta desestabilizar o Iraque -- e tentou mostrar moderação.

O iraniano insistiu em dizer que o Irão é pacífico e que seu governo respeita o bom senso e a ciência. Mas apesar da tentativa de parecer um intelectual, Ahmadinejad disse ter ficado irritado com os "insultos" do anfitrião da palestra e logo retomou a retórica raivosa dos discursos realizados em Teerão. Ele questionou, por exemplo, se a rede Al-Qaeda foi mesmo responsável pelos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 nos EUA.

Ahmadinejad disse que é preciso "examinar adequadamente as causas do ataque", inclusive em relação a "quem de facto estava envolvido".


Estas teses conspiracionistas de Ahmadinejad já vêm de longe. Em Maio de 2006, numa carta enviada a Bush o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad já aventava um inside job.Na carta a George W. Bush, de dezoito páginas, o presidente iraniano refere o 11 de Setembro:

Sr. Presidente [Bush],

O 11 de Setembro foi um acontecimento horrível. A morte de inocentes é deplorável e aterrador em qualquer parte do mundo. O nosso governo declarou imediatamente a sua repulsa contra os criminosos e ofereceu condolências às pessoas enlutadas e exprimiu os seus pêsames.

Todos os governos têm o dever de proteger as vidas, a propriedade e os bens dos seus cidadãos. Supostamente o seu governo empregou medidas de segurança abrangentes, sistemas de protecção e informações – e até perseguiu os seus inimigos no estrangeiro.

O 11 de Setembro não foi uma operação simples. Poderia ela ter sido planeada e executada sem a coordenação dos serviços secretos – ou sem estes terem sido infiltrados em larga escala? Claro que isto é apenas uma pergunta educada. Porque é que vários aspectos do ataque foram mantidos em segredo? Porque é que não nos é dito quem descartou as suas responsabilidades? E, porque é que esses responsáveis e os culpados não são identificados e levados a julgamento?
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quarta-feira, setembro 26, 2007

Holocausto – um segredo por demais anunciado

Hitler declarou as suas intenções francamente. Os Nazis cometeram atrocidades abertamente. Porquê escamotear os gaseamentos?

Os historiadores convencionais explicam a falta de fotografias e documentos [dos gaseamentos dos prisioneiros] invocando que o Holocausto era tão secreto que nenhumas fotografias foram tiradas, e que não seria permitida a existência de nenhuns documentos incriminatórios. Acredita-se que isto seria verdade quando a Solução Final estava ainda na fase de projecto em 1941.

Hitler falou sobre o extermínio ou o aniquilamento dos judeus em muitas ocasiões. Por exemplo, esta é uma frase de Mein Kampf. (página 338 de Houghton-Mifflin edição de capa dura. Outras referências podem ser encontradas nas páginas 169 e 679.) Hitler escreveu: a consolidação do nosso povo enquanto nação só terá sucesso quando, à parte toda a luta explícita pelo espírito do nosso povo, os seus envenenadores internacionais forem exterminados.

É suposto acreditar que Hitler anunciou ao mundo que os judeus seriam aniquilados, e que simultaneamente tempo se esforçou para manter a pretensão que eles não estavam sendo aniquilados? A intenção do Holocausto foi declarada abertamente, mas a própria operação em si era tão secreta que os Nazis nunca discutiram o assunto mesmo entre eles.

Na página 679 Hitler diz:

"Se no começo e durante a Guerra doze ou quinze mil destes corruptores hebreus tivesse sido sujeita a gás tóxico, como aconteceu a centenas de milhares dos nossos melhores trabalhadores alemães, o sacrifício de milhões na frente não teria sido em vão. Pelo contrário: doze mil salafrários eliminados a tempo poderiam ter poupado as vidas de milhões de alemães."

Nessa altura já não havia segredo nenhum. Tendo levantado a questão de suprimir os judeus com gás no Mein Kampf, não faria sentido nenhum Hitler fingir que tal não estava a acontecer, se ele na verdade o estivesse a fazer. Mas não há nenhuma outra referência sobre eliminar com gás em nada que ele tenha dito ou escrito. Existem registros de tudo que Hitler, Himmler e os outros Nazis disseram em público e muito do que eles disseram em privado e não existe nenhuma alusão, em lado nenhum, sobre gaseamentos, mesmo em ocasiões em que falavam sobre como verem-se livres dos judeus.

Existe uma cópia de um discurso (de Poznan) no qual Himmler discursou numa reunião privada dos oficiais seniores das SS. Mesmo se ele não quisesse mencionar os gaseamentos publicamente, Himmler sentir-se-ia livre para falar abertamente numa reunião privada das SS. (Ele teria que falar abertamente nalgum momento. Eles teriam que discutir isso entre eles). Mas Himmler nada disse sobre gaseamentos, embora estivesse a falar sobre enviar judeus para campos de concentração. Não disse "estou-me a referir ao gaseamento de judeus, ao «Ausrottung» das pessoas judias." Pelo contrário, Himmler disse:

"Estou-me a referir à evacuação dos judeus, ao «Ausrottung» do povo judeu."


Até mesmo na conferência de Wannsee, nada foi dito sobre gaseamentos. Em 1941, os Nazis estavam a ganhar a guerra. Julgamentos de crimes de guerra eram a última coisa que lhes passaria pela cabeça. (Na realidade não existia esse conceito até 1945. Julgamentos de crimes de guerra não tinham sido uma norma nas guerras do passado.) Os Nazis não tinham nenhuma razão para criar uma ilusão por posteridade. Eles julgaram que iam ser a posteridade. Nunca pensaram que tivessem de responder por aquilo que tivessem feito. E, mesmo assim, é suposto que acreditemos que já em 1941 eles estivessem a antecipar um período pós-guerra em que seria necessário encobrir as suas acções?

Os Nazis não eram tímidos quando se tratava de assassinar pessoas. Cometeram atrocidades abertamente. Ostentaram isso. Existem fotografias de soldados Nazis matando a tiro judeus a sangue frio e rindo-se disso. Essas fotografias não foram tiradas secretamente por outras pessoas, foram tiradas directamente pelos Nazis. Mas é suposto acreditarmos que as câmaras de gás eram tão secretas que nenhuma fotografia foi alguma vez tirada lá.


Também é suposto acreditarmos que seria possível encobrir uma operação que envolveu seis milhões de pessoas.

Aparentemente os gaseamentos processavam-se desta forma: um comboio carregado de judeus chega a Auschwitz. São separados em dois grupos, os que são aptos para trabalho e outros que não o são. Este segundo grupo é então levado directamente para os crematórios. Primeiro vão para uma sala onde se despem. Depois são conduzidos a outra sala que é suposto ser um chuveiro ou uma sala de desparasitação. Quando chegam a essa sala, são trancados e gaseados. Alguns minutos depois os guardas entram e arrastam os corpos para os fornos onde serão cremados.

Se seis milhões de judeus foram gaseados, este cenário deve-se ter repetido milhares de vezes, em vários campos diferentes, durante vários anos. Esta cena macabra é algo que qualquer fotógrafo gostaria de fotografar. Mas supostamente era proibido tirar fotos, e assim nenhuma foto foi tirada lá. Isto é um disparate. Os guardas da prisão eram a lei. Ninguém os proibiria de tirar fotografias.

Pergunte-se a Lynndie England na prisão iraquiana de Abu Ghraib.
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terça-feira, setembro 25, 2007

A Declaração de Guerra dos Judeus à Alemanha Nazi

The Daily Express of London - 24 de Março de 1933


O Boicote Económico de 1933


Article from The Barnes Review, Jan./Feb. 2001 - By M. Raphael Johnson

Muito antes do governo de Hitler ter começado a restringir os direitos dos judeus alemães, os líderes da comunidade judia mundial declararam formalmente guerra à "Nova Alemanha" numa altura em que o Governo Americano e até mesmo os líderes judeus na Alemanha estavam a aconselhar prudência na forma de como lidar com o novo regime de Hitler.

A guerra dos líderes da comunidade internacional judia contra a Alemanha não só provocou represálias por parte do governo alemão mas também preparou o terreno para uma aliança económica e política entre o governo de Hitler e os líderes do movimento sionista que esperou que a tensão entre os alemães e os judeus conduzisse à emigração maciça dos judeus para a Palestina. Em suma, o resultado foi uma aliança táctica entre os Nazis e os fundadores do moderno estado de Israel - um facto que muitos hoje prefeririam ver esquecido.

Até hoje, é geralmente (embora incorrectamente) aceite que quando Adolf Hitler foi nomeado Chanceler Alemão, em Janeiro de 1933, o governo alemão adoptou políticas para suprimir os judeus de Alemanha, inclusive reunindo-os e colocando-os em campos de concentração e lançando campanhas de terror e violência contra a população judia doméstica.

Embora houvesse erupções esporádicas de violência contra judeus na Alemanha depois de Hitler subir ao poder, estas não eram oficialmente sancionadas ou encorajadas. E a verdade é que os sentimentos anti-judeus na Alemanha (ou em qualquer lugar na Europa) não eram nada de novo. Como todos os historiadores judeus atestam com veemência, insurreições anti-semitas de várias intensidades foram uma constante na história europeia.

Em todo caso, nos princípios de 1933, Hitler não era o líder indiscutível da Alemanha, nem tinha o pleno comando das forças armadas. Hitler era uma figura importante num governo de coligação, mas estava longe de ser o próprio governo. Isso aconteceu após um processo de consolidação que só evoluiu mais tarde.

Até mesmo a Associação Central Judia de Alemanha, conhecida como Verein, protestou contra a sugestão (feita por alguns líderes judeus fora da Alemanha) que o novo governo estava a provocar deliberadamente insurreições anti-judaicas.

A Verein emitiu uma declaração onde afirmava que "as autoridades responsáveis do governo [isto é, o regime de Hitler] não estão a par da ameaçadora situação", e acrescentava, "não acreditamos que nossos concidadãos alemães comecem a cometer violências contra os judeus."

Apesar disto, líderes judeus nos Estados Unidos e Inglaterra determinaram por sua própria iniciativa que era necessário lançar uma guerra contra o governo de Hitler.

No dia 12 de Março de 1933 o Congresso Judeu Americano anunciou um protesto maciço em Madison Square Gardens para o dia 27 de Março. Naquela altura o chefe máximo dos Veteranos de Guerra Judia (Jewish War Veterans) apelou a um boicote americano aos produtos alemães. Enquanto isso, no dia 23 de Março, 20,000 judeus protestaram na Câmara Municipal de Nova Iorque, e foram também foram organizadas manifestações junto ao North German Lloyd e à companhia mercante Hamburg-American e foram preparados boicotes contra produtos alemães nas lojas e empresas da cidade de Nova Iorque.

Protesto em Madison Square Gardens



De acordo com "The Daily Express" de Londres de 24 de Março de 1933, os judeus tinham lançado já um boicote contra a Alemanha e o seu governo eleito. Na manchete lia-se "Judeia declara Guerra à Alemanha (Judea Declares War on Germany ) - os judeus de todo o Mundo Unidos - Boicote de Bens alemães – Manifestações em Massa." O artigo descreveu uma próxima "guerra santa" e solicitou a todos os judeus em todos lugares para boicotarem os produtos alemães e para participarem em demonstrações massivas contra interesses económicos alemães. De acordo com o Express:

"Todo o Israel através do mundo está-se a unir para declarar uma guerra económica e financeira contra a Alemanha. O aparecimento da Suástica como símbolo da nova Alemanha reavivou o símbolo de guerra velho de Judas. Quatorze milhões de judeus espalhados pelo mundo inteiro estão unidos como se fossem um só homem, de forma a declarar guerra contra os opressores alemães e os seus seguidores. O negociante judeu deixará a sua casa, o banqueiro a sua bolsa de valores, o comerciante o seu negócio e o mendigo a sua cabana humilde para se unir à guerra santa contra o povo de Hitler."

O Express afirmou que a Alemanha foi agora confrontada com "um boicote internacional ao seu comércio, às suas finanças e à sua indústria.... Em Londres, Nova Iorque, Paris e Varsóvia, homens de negócios judeus estão unidos para uma cruzada económica."
O artigo afirmou que "por todo o mundo estão a ser feitos preparativos para organizar manifestações de protesto," e informou que "a velha e reunida nação de Israel entrou em formação com armas novas e modernas para lutar combater na sua velha batalha contra os seus perseguidores."

Isto poderia verdadeiramente ser descrito como "o disparo do primeiro tiro na Segunda Guerra Mundial."

Num estilo semelhante, o jornal judeu Natscha Retsch escreveu:

"A guerra contra a Alemanha será empreendida por todas as comunidades judias, conferências, congressos... por todo o judeu individualmente. Assim, a guerra contra a Alemanha estimulará ideologicamente e promoverá os nossos interesses, os quais requerem que a Alemanha seja destruída completamente. O perigo para nós, judeus, assenta em todo o povo alemão, na Alemanha como um todo assim como individualmente. Deve ser tornada inofensiva para sempre.... Nesta guerra nós, os judeus, temos que participar com toda a força e poder que temos à nossa disposição."

Porém, note-se que a Associação Sionista da Alemanha enviou um telegrama a 26 de Março que rejeita muitas das alegações feitas contra os Nacionais Socialistas como "propaganda", "desonestidade" e "sensacionalismo."

Na realidade, a facção sionista tinha todas as razões para assegurar a permanência da ideologia Nacional Socialista na Alemanha. Klaus Polkehn, escrevendo no Diário de Estudos de Palestina (Journal of Palestine Studies ) ("Os Contactos Secretos: Sionismo e Alemanha Nazi, 1933-1941"; JPS v. 3/4, Primavera / Verão 1976), afirma que a atitude moderada dos Sionistas era devida ao interesse próprio vendo que a vitória do Nacional Socialismo forçaria a imigração para a Palestina. Este factor mal conhecido viria a ter um papel decisivo na relação entre a Alemanha Nazi e os judeus.

Enquanto isso, Neurath von Konstantin, Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão reclamou da "campanha de difamação" e disse:

"No que diz respeito aos judeus, eu só posso dizer que os seus propagandista no estrangeiro estão fazendo aos seus correligionários na Alemanha um mau serviço dando ao público alemão, através de notícias mentirosas e distorcidas sobre a perseguição e tortura de judeus, a impressão que eles não recuam perante nada, nem mesmo através de mentiras e calúnias, para combater o presente governo alemão."

O governo de Hitler estava claramente a tentar conter a tensão crescente - tanto na Alemanha como no exterior. Nos Estados Unidos, até o Secretário de Estado Cordell Hull telegrafou ao Rabino Stephen Wise do Congresso Judeu Americano a pedir prudência:

"Apesar de ter havido por um curto período maus tratos físicos aos judeus, essa fase pode ser considerada virtualmente acabada.... Parece ter sido alcançada uma estabilização no que toca a maus tratos pessoais.... Eu tenho esperança de que a situação que causou tão vasta preocupação por todo o país voltará à normalidade."

Apesar de tudo, os líderes da comunidade judia recusaram ceder. No dia 27 de Março houve manifestações de protesto simultâneas em Madison Square Garden, em Chicago, Boston, Filadélfia, Baltimore, Cleveland e outros 70 locais. A manifestação de Nova Iorque foi radiodifunda mundialmente. A razão fundamental era que "a Nova Alemanha " foi declarada um inimigo dos interesses judeus e portanto precisava de ser estrangulada economicamente. Isto aconteceu antes de Hitler decidir boicotar os produtos judeus.

Foi numa resposta directa a isto que o governo alemão anunciou um boicote de um dia aos negócios judeus na Alemanha no dia 1 de Abril. O Ministro de Propaganda alemã, Dr. Joseph Goebbels, anunciou que se, depois do boicote de um dia, não houvesse mais ataques à Alemanha, o boicote seria interrompido. O próprio Hitler respondeu ao boicote judeu e às ameaças num discurso no dia 28 de Março - quatro dias depois da declaração original judia de guerra - dizendo:

"Agora que os inimigos domésticos da nação foram eliminados pelo próprio Povo, aquilo que nós temos esperado há muito não acontecerá. Os criminosos Comunistas e marxistas e os seus instigadores Judeus-intelectuais que, tendo fugido a tempo para o estrangeiro com as suas acções de capital, estão desdobrando-se agora como um todo numa campanha traidora e sem escrúpulos de ataque contra o Povo alemão... Estão perversamente a ser lançadas mentiras e difamações positivamente horripilantes sobre a Alemanha. Histórias de horror de corpos de judeus desmembrados, olhos arrancados e mãos cortadas estão a circular com a finalidade de difamar o Povo alemão no mundo pela segunda vez, tal como já tinham feito com sucesso antes de 1914."

Portanto, o facto - convenientemente omitido de quase toda a História sobre o assunto – é que a ordem de boicote de Hitler a 28 de Março de 1933 foi uma resposta directa à declaração de guerra à Alemanha pela liderança judia mundial apenas quatro dias antes. Hoje, a ordem de boicote de Hitler é descrita como um ato nu de agressão, contudo raramente são descritas as circunstâncias que conduziram à ordem de Hitler, nem mesmo as histórias mais ponderosas e detalhadas sobre "o Holocausto."

Nem mesmo Saul Friedlander na sua, de alguma forma, compreensiva avaliação da política alemã, “A Alemanha Nazi e os judeus”, menciona o facto de que a declaração de guerra judia e o boicote judeu precedeu o discurso de Hitler de 28 de Março de 1933. Aos leitores perspicazes seria inteligente perguntar por que é que Friedlander sentiu este pormenor da História tão irrelevante.

Muito simplesmente é que tudo foi organizado pela Judiaria como uma entidade política - e nem mesmo a comunidade judia alemã por si mesma - que realmente deu o primeiro tiro na guerra com a Alemanha.

A resposta de Alemanha foi uma medida defensiva e não ofensiva -. Fosse esse facto melhor conhecido hoje, e lançaria uma nova luz nos eventos subsequentes que por fim conduziram à conflagração mundial que se seguiu.


Texto no cartaz: "Alemães! Defendam-se! Não façam compras em lojas judias"
Para entender a reacção de Hitler à declaração judia de guerra, é vital entender o estado crítico da economia alemã nessa altura. Em 1933, a economia alemã estava em ruínas. Cerca de 3 milhões de alemães viviam da assistência pública num total de 6 milhões de desempregados. A hiper-inflação tinha destruído a vitalidade económica da nação alemã. Além disso, a propaganda desenfreada anti-alemã despejada pela imprensa global fortaleceu a resolução dos inimigos de Alemanha, especialmente os polacos e os seus falcões militares.

Os líderes judeus não estavam a fazer bluff. O boicote não era somente um acto de guerra metafórico: era um meio, feito com habilidade, para destruir a Alemanha como uma entidade política, social e económica. O objectivo a longo prazo do boicote judeu contra a Alemanha era causar falência dela no que dizia respeito aos pagamentos de reparação impostos à Alemanha depois de Primeira Guerra Mundial e manter a Alemanha desmilitarizada e vulnerável.

Na realidade, o boicote estava a incapacitar totalmente a Alemanha. Estudantes judeus como Edwin Black informaram que, com respeito ao boicote, as exportações alemãs caíram 10 por cento, e muitos queriam confiscar bens alemães em países estrangeiros (Edwin Black, O Acordo de Tranferência - A História não contada do Pacto Secreto entre o Terceiro Reich e a Palestina judia, Nova Iorque, 1984 - The Transfer Agreement - The Untold Story of the Secret Pact between the Third Reich and Jewish Palestine).

Os ataques à Alemanha não cessaram. A liderança judia mundial tornou-se cada vez mais agressiva e trabalhava num frenesim. Uma Conferência judia de Boicote Internacional (International Jewish Boycott Conference) teve lugar em Amesterdão para coordenar a campanha de boicote. Teve o patrocínio da pretensa Federação judia Económica Mundial (World Jewish Economic Federation) da qual foi eleito presidente o famoso advogado de Nova Iorque, Samuel Untermyer.

Samuel Untermyer
Ao regressar aos Estados Unidos após a conferência, Untermyer fez um discurso na Rádio WABC (Nova Iorque), uma cópia do qual foi impresso no The New York Times no dia 7 de Agosto de 1933.

O discurso inflamatório de Untermyer pediu uma "guerra sagrada" contra a Alemanha, alegando sem rodeios que a Alemanha estava envolvida num plano para "exterminar os judeus." Untermyer disse (transcrição parcial):

"... A Alemanha [tem] vindo a ser convertida de uma nação de cultura num verdadeiro inferno de bestas cruéis e selvagens.

Nós não devemos apenas isto aos nossos irmãos perseguidos mas o mundo inteiro deve golpear agora em autodefesa que livrará a humanidade de uma repetição desta afronta incrível....

Agora ou nunca devem todas as nações da terra fazerem uma causa comum causar contra a... matança, fome e aniquilação... tortura diabólica, crueldade e perseguição que estão a ser sendo infligidas diariamente a estes homens, mulheres e crianças…

Quando a história for contada... o mundo confrontará um quadro tão terrível na sua crueldade bárbara que o inferno da guerra e as atrocidades alegadas belgas empalidecem insignificantes quando comparadas ao diabolicamente, deliberadamente, friamente planeada e já parcialmente executada campanha para a exterminação de pessoas orgulhosas, gentis, leais, obedientes à lei...

Os judeus são os aristocratas do mundo. Desde tempos imemoriais eles têm vindo a ser perseguidos e viram os perseguidores chegar e partir. Eles sobreviveram sozinhos. E assim a história vai-se repetindo, mas isso não fornece razão nenhuma para que nós devamos permitir esta reversão do que foi uma grande nação para a Idade da Trevas ou salvar estas 600,000 almas humanas das torturas de inferno....

O que estamos a propor e já avançámos bastante nesse caminho, é accionar um boicote económico puramente defensivo que arruinará o regime de Hitler e trará as pessoas alemãs à razão destruindo o seu comércio de exportação do qual a sua existência depende. ... Propomos e estamos a organizar a opinião mundial para se expressar do único modo que a Alemanha pode entender...."

Untermyer prosseguiu dando aos seus ouvintes uma história completamente fraudulenta das circunstâncias do boicote alemão e de como foi originado. Ele também proclamou que os alemães estavam empenhado num plano para "exterminar os judeus":

"O regime de Hitler originou e está prosseguindo um boicote para exterminar diabolicamente os judeus colocando cartazes em lojas judias, advertindo os alemães para não comprarem nas suas lojas, prendendo os lojistas judeus e fazendo-os desfilar pelas ruas às centenas sob a guarda de tropas Nazis pelo único crime de serem judeus, retirando-os das profissões instruídas nas quais muitos deles tinham atingido relevo, excluindo as crianças judias das escolas, os homens dos sindicatos, fechando-lhes qualquer possibilidade de sustento, prendendo-os em ignóbeis campos de concentração e fazendo-os passar fome e torturá-los sem motivo recorrendo a todas as formas concebíveis de tortura, desumana para além do que se possa imaginar, até que suicídio se tornou o único meios de fuga e tudo somente porque eles são ou os antepassados remotos eram judeus e tudo com o objectivo declarado dos exterminar."

Que as alegações de Untermyer contra a Alemanha foram feitas muito tempo antes de até mesmo actuais historiadores judeus reivindicarem que havia qualquer câmara de gás ou até mesmo um plano para "exterminar" os judeus, exibe a natureza da campanha de propaganda que confronta a Alemanha.

Porém, durante este mesmo período havia alguns desenvolvimentos incomuns em preparação: A primavera de 1933 também testemunhou o começo de um período de cooperação privada entre o governo alemão e o movimento sionista na Alemanha e na Palestina (e mundialmente) aumentar o fluxo de imigrantes judeus-alemães e dinheiro para a Palestina.

Os partidários do Israel moderno sionista e muitos historiadores tiveram sucesso em manter este pacto Nazi-sionista em segredo para o público em geral durante décadas e enquanto a maioria dos americanos não faz ideia nenhuma da possibilidade de que pode ter havido colaboração sincera entre o Nazi liderança e os fundadores do que se tornou o estado de Israel, a verdade começa emergir.

A obra do escritor dissidente judeu Lenni Brennar «Sionismo Na Idade dos Ditadores» (Zionism In the Age of the Dictators), publicou numa pequena editora e sem a publicidade que merece pelos media correntes (que, pelo contrário, está obcecada com o Holocausto)", foi talvez o primeiro grande esforço neste domínio.

Em resposta a Brennar e outros, a reacção sionista tem consistido em declarações de que a sua colaboração com a Alemanha Nazi foi empreendida somente para economizar as vidas de judeus. Mas a colaboração era ainda mais notável porque acontecia cada vez que muitos judeus e organizações judias exigirem um boicote de Alemanha.

Para os líderes sionistas, a tomada do poder por Hitler ofereceu a possibilidade de um fluxo de imigrantes para a Palestina. Antes, a maioria dos judeus alemães que se identificavam como alemães tinham pouca afinidade com a causa sionista causa de promover o agrupamento da Judiaria mundial na Palestina. Mas os Sionistas compreenderam que só um Hitler anti-semítico tinha capacidade para empurrar os judeus alemães anti-sionistas para os braços do Sionismo.

O actual lamento mundial dos partidários de Israel (já para não mencionar os próprios israelitas) sobre "o Holocausto", não ousam mencionar que tornar a situação na Alemanha insustentável para os judeus - em cooperação com Nacional Socialismo alemão - fazia parte do plano.

Este foi a génese do denominado Acordo de Transferência (Transfer Agreement), o acordo entre os judeus sionistas e o governo Nacional Socialista para transferir a Judiaria alemã para a Palestina.

De acordo com historiador judeu Walter Laqueur e muitos outros, os judeus alemães estavam longe de estar convencidos de que a imigração para a Palestina era a resposta. Além disso, embora a maioria dos judeus alemães tenha recusado considerar os Sionistas como seus líderes políticos, é certo que Hitler cooperou com os Sionistas com a finalidade de implementar a solução final: a transferência em massa de judeus para o Oriente Médio.

Edwin Black, no volumoso livro «O Acordo de Transferência» (The Transfer Agreement) (Macmillan, 1984), declarou que embora a maioria dos judeus não quisesse de forma nenhuma ir para a Palestina, devido à influência do movimento sionista dentro da Alemanha Nazi a melhor forma de um judeu de sair de Alemanha era emigrando para a Palestina. Por outras palavras, o próprio Acordo de Transferência ordenou que o capital judeu só poderia ir para a Palestina.

A grande dificuldade com o Acordo de Transferência (ou até mesmo com a ideia de tal um acordo) era que os ingleses estavam a exigir, como condição de imigração, que cada imigrante pagasse 1,000 libras esterlinas à chegada a Haifa ou outro lugar. A dificuldade é que era quase impossível arranjar tal moeda numa Alemanha radicalmente inflacionária. Esta era a ideia principal por trás do Acordo de Transferência final. Laqueur escreveu:

"Um grande banco alemão congelaria fundos pagos por imigrantes em contas bloqueadas por exportadores alemães, enquanto um banco na Palestina controlaria a venda de bens alemães para a Palestina, portanto proporcionando aos imigrantes a moeda corrente estrangeira necessária. Sam Cohen, dono da Hanoaiah Ltd. e dirigente dos encargos de transferência, foi porém sujeito a objecções por parte das próprias pessoas e finalmente teve que conceder que tal acordo de transferência só poderia ser concluída num nível mais elevado com um banco próprio em lugar de uma companhia privada. O reputado Anglo-Palestine Bank em Londres seria incluído nesta transacção de transferência e seria criado uma companhia companhia fiduciária para este fim."

Claro que, isto é da maior importância histórica sobre a relação entre Sionismo e Nacional Socialismo na Alemanha nos anos trinta. A relação somente não era apenas de interesse mútuo e favoritismo político da parte de Hitler, mas igualmente uma relação financeira íntima com famílias bancárias alemãs e instituições financeiras. Black escreve:

"Era uma forma dos Sionistas subverterem o boicote anti-Nazi. O Sionismo precisava de transferir o capital de judeus alemães e as mercadorias eram o único meio disponível. Mas os líderes sionistas depressa perceberam que o sucesso da futura economia palestina judia ficaria inextrincavelmente amarrada à sobrevivência da economia Nazi. Então a liderança sionista foi compelida a ir mais longe. A economia alemã teria que ser salvaguardada, estabilizada, e se necessário reforçada. Consequentemente, o partido Nazi e os organizadores sionistas compartilharam um interesse comum na recuperação de Alemanha."

Desta forma percebe-se uma fractura radical ao redor em Judiaria mundial em 1933 e depois disso. Havia, primeiro, os judeus não sionistas (especificamente o Congresso judeu Mundial fundado em 1933) que, por um lado, exigiu o boicote e a destruição eventual da Alemanha. Black realça que muitas destas pessoas não estavam só em Nova Iorque e Amesterdão, mas uma boa parte vinha da própria Palestina.

Por outro lado, percebe-se o uso judicioso de tais sentimentos pelo Sionistas para o restabelecimento eventual na Palestina. Por outras palavras, pode-se dizer (e Black chama a atenção para isso) que Sionismo acreditou que, desde que os judeus estivessem mudando-se para o Levante (Palestina), a fuga de capitais seria necessária para qualquer nova economia funcionar.

O resultado foi que a percepção de que Sionismo teria que se aliar com Nacional Socialismo, de forma que o governo alemão não impediria o fluxo de capitais judeus para fora do país.

As denúncias das práticas alemãs contra os judeus para os assustar e obrigarem-nos a ir para a Palestina serviu os interesses sionistas, mas, por outro lado, Laqueur declara que "Os Sionistas estavam interessados em não colocar em risco a economia alemã ou a sua moeda corrente." Por outras palavras, a liderança sionista da Diáspora judaica foi um de subterfúgio, porque só com o advento de hostilidade alemã para com a Judiaria se poderia convencer os judeus do mundo que imigração [para a Palestina] era o único escape.

O facto é que o decisivo estabelecimento do estado de Israel foi baseado numa fraude. Os Sionistas não representavam nada mais que uma pequena minoria de judeus alemães em 1933. Por um lado, os sionistas, pais de Israel quiseram denúncias das "crueldades" da Alemanha contra os judeus do mundo enquanto, ao mesmo tempo, pediam moderação de forma a que o governo Nacional Socialista permanecesse estável, financeira e politicamente. Assim o Sionismo boicotou o boicote.

Para todos os propósitos, o governo Nacional Socialista foi a melhor coisa que podia acontecer ao Sionismo na história, pois "provou" a muitos judeus que os europeus eram irreprimivelmente anti-judeus e que a Palestina era a única resposta: o Sionismo veio a representar a grande maioria dos judeus somente por artifício e cooperação com Adolf Hitler.

Para os Sionistas, tanto as denúncias de políticas alemãs contra os judeus (para manter os judeus amedrontados), como o fortalecimento da economia alemã (por causa de restabelecimento final na Palestina) eram imperativos para o movimento sionista. Ironicamente, hoje os líderes sionistas de Israel queixam-se amargamente do regime horroroso e desumano dos Nacionais Socialistas. Deste modo a fraude continua.


Comentário:

Aquilo a que o autor deste artigo, Raphael Johnson, apelida de Sionistas, eu apelido «The Money Masters» - Os Senhores do Dinheiro.

Embora alguns sejam de origem judaica, outros não o são. Nem acredito que tenham alguma religião senão a do dinheiro e do poder. Cito alguns nomes:

Rothschild, Lazard, Morgan, Mantagu, Harriman, Kuhn Loeb, Warburg, Lehman, Schiff, Rockefeller, Pyne, Sterling, Stillman, etc.

Estou convencido que foram estes senhores os grandes obreiros da maior parte dos conflitos mundiais desde os finais do século XIX até hoje. Porque as guerras rendem dinheiro e asseguram poder político.

Como tal, penso que na II Grande Guerra, estes cavalheiros manobraram os alemães, manobraram os judeus dentro e fora da Alemanha (como o autor do artigo bem descreve) e manobraram os aliados. Esta Guerra provocou 50 milhões de mortos e um número incontável de feridos.

O conflito específico entre judeus e alemães foi provocado e orientado no sentido da construção e povoação do «Estado de Israel», que julgo que não é mais do que uma sólida base militar, pertença dos «Money Masters», junto das maiores reservas energéticas do planeta.

Para a edificação desta base militar (Israel), centenas de milhares de judeus foram, durante a II Guerra, arrebanhados pelos nazis e levados para campos de concentração, onde uma boa parte morreu de doenças, fome, trabalhos forçados, condições desumanas e execuções arbitrárias. Ainda não vi até hoje nenhuma prova concludente de que tenham existido câmaras de gás e genocídio deliberado.