quarta-feira, outubro 17, 2007

Parabéns Engenheiro, os sinais animadores para a economia portuguesa continuam a multiplicar-se

Jornal de Notícias - 10 de Março de 2007

Há sinais animadores para a economia portuguesa, defendeu o primeiro-ministro, José Sócrates, ao afirmar que os números "confirmam a recuperação da economia portuguesa", cujo "motor" são as exportações.



Jornalismo Porto Net - 16 de Outubro 2007

Portugal: trinta e dois por cento da população activa vive no limiar da pobreza

Os actuais números sobre a pobreza em Portugal colocam o país entre os países da União Europeia onde existe um maior fosso entre pobres e ricos. Em 2005, um terço da população activa portuguesa (entre os 16 e os 64 anos) vivia com um rendimento de cerca de 360 euros por mês, ou seja, no limiar da pobreza.

O fosso entre pobres e ricos existente em Portugal também aumentou. Segundo João José Fernandes, da Oikos, “o novo Orçamento de Estado vai penalizar ainda mais esta situação”.


Esquerda - 16 de Outubro 2007

No Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza, existem em Portugal mais de dois milhões de pobres e o país apresenta o mais elevado nível de desigualdades sociais entre os países da União Europeia.

Em Portugal, uma em cada cinco pessoas vive em situação de pobreza. Segundo os dados conhecidos, estes 19% da população vivem com rendimentos mensais inferiores a 360€, havendo mais de 700 mil pessoas (7% da população) com rendimento inferior a 240€. Este ano, a taxa de desemprego apresentou em Portugal o seu valor mais alto dos últimos 30 anos.

Estudos recentes divulgados pelo Eurostat e pelo PNUD (Nações Unidas) referem que Portugal é dos países europeus onde a desigualdade social é maior. A diferença de rendimentos entre a classe mais alta e a mais pobre tem vindo a aumentar e em 2003 os rendimentos dos 20% mais ricos de Portugal eram 7,4 vezes superiores aos dos 20% mais pobres. Na União Europeia, o rendimento dos mais ricos é 5 vezes superior ao dos mais pobres.


Correio da Manhã - 17 de Outubro de 2007

De acordo com os dados divulgados esta terça-feira pelo Eurostat, o departamento de estatísticas das comunidades europeias, Portugal foi o país que sofreu o maior agravamento na taxa mensal de desemprego, que saltou de 7,5 por cento em Julho, para 8,3 por cento em Agosto.

Pela primeira vez em mais de 20 anos, Portugal registou uma taxa de desemprego superior à da vizinha Espanha, que apresentou uma taxa de 8,0 por cento em Agosto. Pior do que o nosso país, ficaram apenas quatro países: Eslováquia (11,1%), Polónia (9,1%), França (8,6%) e Grécia (8,4%).


Comentário:

Para animar ainda mais a economia, Sr. Engenheiro, precisamos de investir, com urgência, muitos milhares de milhões de euros na OTA e em (muitos) TGVs. Se, por manifesta ignorância, a sociedade civil se revoltar contra estes investimentos tão necessários, o Sr. Engenheiro pode voltar a apostar na construção de estádios de futebol. Cernache do Bonjardim, Amiais de Baixo, Charneca de Caparica e Fermentelos já mostraram alguma receptividade à construção desse tipo de recintos desportivos nas respectivas localidades, na condição de possuírem uma capacidade mínima não inferior a 60.000 espectadores.
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segunda-feira, outubro 15, 2007

O risível namoro dos candidatos republicanos ao National Rifle Association

A corrida dos Republicanos à Casa Branca passa por um namoro descarado ao National Rifle Association (NRA), um dos lobbies políticos mais poderosos de Washington. A NRA é uma organização conservadora que defende o direito dos americanos usarem armas sem restrições.

Mas alguns senadores meteram o pé na argola. Jon Stewart tem os hilariantes pormenores. Vejam o vídeo e soltem uma valente gargalhada:

Vídeo – 4:37m (legendado em português)

domingo, outubro 14, 2007

The hollow steel shaft - O poço de aço vazio



O Relatório Final da Comissão do 11 de Setembro negou a existência de 47 colunas centrais de cada uma das Torres do Wold Trade Center, afirmando:

"O núcleo interior dos edifícios era um poço de aço vazio, no qual foram agrupados elevadores e escadas."

«The interior core of the buildings was a hollow steel shaft, in which elevators and stairwells were grouped






No entanto, a verdade é um pouco mais complexa:

No núcleo central de cada uma das torres gémeas do World Trade Center existiam 47 colunas em caixa de aço maciças conectadas umas às outras por vigas de aço dentro de uma área rectangular de piso de aproximadamente 26,5 x 41,8 metros. Cada coluna, além de ter pelo menos 91 por 41 cm, tinha paredes que eram de pelo menos de 10 cm de espessura na base, estreitando-se nos andares superiores, os quais tinham menos peso para suportar.


Partes das colunas em aço temperado encontradas no Ground Zero




Estes edifícios de 110 andares colapsaram em pilhas de entulho com apenas uns poucos andares de altura. Como foi isto possível? O núcleo de cada torre continha 47 colunas em caixa de aço maciças. De acordo com a teoria da panqueca, os suportes horizontais de aço escaparam das colunas verticais. Mas se foi isto que aconteceu, as 47 colunas centrais teriam permanecido de pé. A Comissão do 11 de Setembro sugeriu uma solução ousada para este problema. A Comissão simplesmente negou a existência das 47 colunas centrais, afirmando: "O núcleo interior dos edifícios era um poço de aço vazio, no qual foram agrupados elevadores e escadas [The interior core of the buildings was a hollow steel shaft, in which elevators and stairwells were grouped] - (Kean e Hamilton, 2004, 541 note 1).



Voilà! Sem quaisquer 47 colunas centrais de aço maciço, o principal problema da versão oficial sobre o colapso das torres está removido.

Sem coluna vertebral, como se infere do Relatório Final da Comissão do 11 de Setembro, as Torres do Wold Trade Center ruíram desamparadas ao fim de 1 hora.

sábado, outubro 13, 2007

Aquecimento Global - a maior negociata do século XXI



By Dr. Timothy Ball & Tom Harris

Imaginem o que seria basear toda a política económica e energética de um país numa teoria incompleta e não provada – uma teoria baseada inteiramente em modelos de computador nos quais uma variável menor é considerada a única determinante de todo o sistema climático global. É isto precisamente que Al Gore, a presidente do comité de ambiente do Senado norte-americano Barbara Boxer, e outros querem que a América faça. Esperam que os americanos concordem com uma fé cega na tese de que emissões humanas de gás carbónico (CO2) estão a causar uma mudança de clima catastrófica. Barbara Boxer, Gore e os seus aliados apelam prontamente à intimidação emocional contra quem quer que ouse questionar este dogma.

As suas declarações – Barbara Boxer: "os americanos têm a vontade para reduzir, parar e inverter o efeito estufa" – são meras exibições de arrogância que expõem a sua falta de compreensão de ciência básica (ou o total desrespeito pela inteligência do público). As políticas que defendem são totalmente injustificadas cientificamente e têm implicações económicas extraordinariamente prejudiciais para o mundo desenvolvido.

A ciência avança através de hipóteses baseadas num conjunto de suposições. Outros cientistas desafiam e testam essas suposições no que o filósofo Karl Popper chamou a prática da ‘falibilidade’. Tentar contestar a hipótese é o que constitui a verdadeira ciência. No entanto, a hipótese de que o acréscimo humano de CO2 conduziria a um aumento significativo do efeito de estufa foi rapidamente aceite sem este normal desafio científico. Como afirmou o Dr. Richard S. Lindzen, Professor de Meteorologia no Departamento de Ciências da Terra, Atmosféricas e Planetárias do MIT (MIT’s Department of Earth, Atmospheric and Planetary Sciences), o consenso foi alcançado antes que a investigação tivesse começado. Partidários dessa hipótese começaram a defender o indefensável lançando ataques pessoais e a silenciar oponentes científicos amedrontados.

Contudo, para frustração dos alarmistas, as evidências científicas continuam a desmontar a noção viciada de que as emissões humanas de CO2 são um problema.

Por exemplo, no mês passado o Goddard Institute para Estudos Espaciais da Nasa (GISS), fez alterações significativas aos seus registros de temperatura, minimizando a magnitude das subidas recentes. Estas alterações foram causadas pela descoberta do investigador canadiano Steve McIntyre de erros nas metodologias da NASA, investigador já famoso pela desmistificação do agora infame gráfico de temperatura 'stick de hóquei', que era um pilar fundamental do Relatório da 2001 do Painel Intergovernamental de Mudança de Clima da ONU (IPCC).

O Dr. James Hansen, como Director de GISS, é responsável pelos registros de temperatura da NASA. Um ardente partidário de Gore, Hansen desempenha frequentemente papéis contraditórios em simultâneo - apenas uma semana depois da mudança dos registros da NASA postou uma diatribe num Blog, não pelos canais oficiais da NASA, mas como um cidadão comum. Nela reivindicou que as mudanças de temperatura dos registros eram insignificantes (quando na realidade, são altamente significantes) e comparou os cépticos do aquecimento climático a "bobos da corte" a soldo da indústria. Hanson também representou este jogo fraudulento quando fez uma apresentação sensacionalista da mudança climática ao Congresso Americano como um cidadão comum. Tais pontos de vista são incoerentes com as suas actividades como cientista / executivo da NASA.

Antes da descoberta de McIntyre, a NASA considerava 1998 o ano mais quente da parte continental dos EUA; agora, tal como foi explicado por Paul Driessen no Canada Free Press, é 1934 o ano mais quente, com 1998 em segundo lugar e 1921 em terceiro. Quando a produção humana de CO2 era mínima, nos anos trinta, aconteceram quatro dos 10 anos mais quentes. Agora, a última década inclui apenas três dos dez anos mais quentes. Será que Gore procederá às correcções necessárias no seu «Uma Verdade Inconveniente»?

Uma segunda 'prova' do aquecimento global causado pela emissão humana de CO2, de acordo com o IPCC, era um reivindicado aumento das temperaturas globais em cerca de 1° Fahrenheit (0,55 graus Celsius) em 130 anos. Foi considerado que este facto estava fora de variabilidade natural. Mas a incerteza nas medições andavam à volta de ± 0.3° Fahrenheit (0,16 graus Celsius), significando isto que os valores possíveis poderiam variar até 66% da mudança total. A fonte deste cálculo da temperatura, o Professor Phil Jones da University of East Anglia, recusou revelar quais os registros de temperatura que foram usados e como é que ele os 'ajustou'. Claramente, as conclusões do IPCC devem ser vistas com considerável suspeita até que revelem totalmente a proveniência dos dados de Phil Jones.

Modelos de computador são a base de todas as previsões usada pelos alarmistas. E estes modelos usaram dados de temperatura que são agora reconhecidamente suspeitos ou completamente errados. Será que Gore, Barbara Boxer e o IPCC vão proceder a uma reavaliação do alarme do efeito estufa? A ciência exacta nunca foi timbre oficial desta cruzada.


Na BBC:

Um relatório do economista Sir Nicholas Stern sugere que efeito de estufa pode reduzir a economia global em 20%. Mas agindo imediatamente (contra o efeito de estufa) tal custaria apenas 1% de produto interno bruto global, afirma o estudo de 700 páginas. Tony Blair disse que o Estudo de Stern demonstrou que a evidência científica do efeito estufa é “esmagadora” e as suas consequências "desastrosas".


Comentário:

Se dúvidas houvesse quanto à verdade do «Aquecimento Global», a atribuição simultânea do Nobel da Paz ao Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas (IPCC) e a Al Gore, produtor do filme «An Inconvenient Truth» que o Supremo Tribunal da Grã-Bretanha considerou conter nove erros (mentiras) graves, sugere que existe uma agenda política evidente por trás do «Global Warming» que nada tem a ver com ciência.

Como prescreve Sir Nicholas Stern, se todos os países gastarem 1% do seu Produto Interno Bruto no combate ao «Aquecimento Global» a situação poderia ainda ser «reversível». Só os Estados Unidos têm um Produto Interno Bruto de 13 .000.000.000.000 de dólares (US$13 trillion.). Não é difícil imaginar a saliva a escorrer pela boca dos principais accionistas das empresas especializadas no «Arrefecimento Global».
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quinta-feira, outubro 11, 2007

O Estado de Israel, ou a edificação de uma base militar junto das ricas jazidas petrolíferas do Oriente Médio


A geopolítica do petróleo tem estado patente nas relações internacionais desde o início do século XX. A indústria petrolífera, a motorização de veículos terrestres e navais e a indústria aeronáutica tinham-se desenvolvido notavelmente nos EUA. As potencialidade militares destas inovações eram evidentes. A actuação das potências industriais ao longo do século XX foi fortemente determinada ou condicionada pelo acesso e controlo dos recursos de hidrocarbonetos, sobretudo o petróleo. A intervenção da Grã-Bretanha no Médio Oriente antes e após a Primeira Guerra Mundial (ocupação da Pérsia e da Mesopotâmia, protectorado do Kuwait); o desenvolvimento de frentes de batalha durante a Segunda Guerra Mundial, na Europa Oriental e no Pacífico, a progressão da presença norte-americana no Golfo Pérsico-Arábico e na Ásia Central (Arábia Saudita, Iraque, etc.), são manifestações da mesma ambição de controlar um bem económico essencial e de elevado valor militar.



Desde a Primeira Guerra Mundial, a prospecção de petróleo e o controlo das correspondentes reservas passou a ter importância estratégica. O Médio Oriente e a Ásia Central, com a bacia do Mar Cáspio e o Golfo Arábico-Persa, acabaram progressivamente por se revelar de longe como a região geográfica mais dotada em recursos petrolíferos.

Com o desencadear da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a corrida ao petróleo acelerou e todas as potências procuraram obter posições vantajosa nesse negócio. A Grã-Bretanha, que antes da Guerra já controlava o petróleo recentemente descoberto na Pérsia (Companhia Petrolífera Anglo-Persa), suspeitava que, por correlação geológica, a vizinha província da Mesopotâmia do império Otomano (Turco), seria igualmente rica em petróleo. Com o fim da Guerra e o colapso do império Otomano, a Grã-Bretanha obteve mandato da Sociedade das Nações para administrar a Pérsia, a Península Arábica e a Palestina. Pôde então determinar que a província da Mesopotâmia (actual Iraque) se tornasse um reino sob protecção britânica.

Na Conferência de Paz de Versailles, os primeiros-ministros da Grã-Bretanha e da França, Lloyd George e Georges Clemenceau, discutiram sobre a partilha do petróleo da Mesopotâmia; mas estando a Alemanha e a Turquia derrotadas, chegaram secretamente a acordo (Acordo de San Remo, 1920), recebendo a França a parcela anteriormente detida pela Alemanha. Os EUA, por seu lado, exigiram partilhar os despojos da guerra no Médio Oriente, até que finalmente a Grã-Bretanha cedeu (Acordo da Linha Vermelha, 1928).

A existência de petróleo na Mesopotâmia era conhecido desde o princípio do século XX mas só começaria a ser explorado em 1927. A organização da sua exploração foi obra do arménio turco Calouste Gulbenkian, geólogo competente e talentoso homem de negócios, que para o efeito constituiu a Companhia Turca do Petróleo, ainda no tempo do império Otomano (em 1912), com capitais alemães e turcos, a qual não chegaria a operar, mercê do imediato inicio e das vicissitudes da guerra. Após intricadas negociações, a Companhia foi reestruturada para dar lugar à Companhia de Petróleo do Iraque (1928), agora com capitais da Shell (anglo-holandesa), BP (britânica), CFP (francesa, actualmente a Total-Fina- Elf), cada qual com 23,75%, e da Exxon e Móbil (norte-americanas) com 11, 875% cada. Gulbenkian foi premiado pelo seu trabalho com a titularidade de 5% do capital, sendo desde então conhecido por "senhor cinco por cento".




Obtendo o seu nome de Sião (Sion, Zion) que é o nome de um monte nos arredores de Jerusalém, o Sionismo é um movimento político que defende o direito à autodeterminação do povo judeu e à existência de um Estado Judaico.

Em 1896, o livro "Judenstaat" ("O estado judaico") de Theodor Herzl, líder do Movimento Sionista, foi traduzido para inglês. Herzl pregava que o problema do anti-semitismo só seria resolvido quando os judeus dispersos pelo mundo pudessem reunir-se e estabelecer-se num Estado nacional independente.

Fundado formalmente em 1897, o sionismo abarcava uma grande diversidade de opiniões sobre onde deveria ser fundada a nação judaica, tendo-se pensado de início estabelecê-la no Chipre, na Argentina e até no Congo, entre outros locais julgados apropriados.

A chamada diáspora judaica, ou seja a dispersão dos judeus pelo mundo, foi o principal argumento de ordem religiosa a reivindicar o estabelecimento da pátria judaica na Palestina. No entanto, o argumento da expulsão [dos judeus da Palestina], é contestado por alguns sionistas, porque que não coincide com os registros históricos que dão como certo que, muito antes das deportações romanas, a grande maioria do povo judeu já se tinha helenizado e migrado espontaneamente ou que nem sequer teria retornado à Palestina após o cativeiro na Babilónia.

A Inglaterra expressou o seu apoio ao sionismo com a Declaração de Balfour, que colocou em prática com a aquisição do mandato sobre a região por ocasião da perda dos territórios pelo Império Otomano como consequência da Primeira Guerra Mundial, dando início a um aumento substancial da migração de judeus para lá durante duas décadas até 1945, migração esta que se acentuou com a "solução final" que levou os nazis a «exterminarem mais de seis milhões de judeus» durante a Segunda Guerra Mundial sob o governo de Hitler.

A Declaração de Balfour


"Caro Lord Rothschild,

Tenho muito prazer em lhe comunicar, em nome do Governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de concordância quanto às aspirações Sionistas Judaicas, que foi submetida e aprovada pelo Gabinete (Conselho de Ministros).

O governo de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento, na Palestina, de uma pátria para o Povo Judeu, e envidará todos os esforços no sentido de facilitar a realização desse objectivo, entendendo-se claramente que nada será feito que possa atentar contra os direitos civis e religiosos das colectividades não-judaicas existentes na Palestina, nem contra os direitos e o estatuto político de que gozam os judeus em qualquer outro país.

Ficaria extremamente grato se encaminhasse esta declaração ao conhecimento da Federação Sionista.

Atenciosamente
Arthur James Balfour"


A Declaração de Balfour consta de uma carta escrita a 2 de novembro de 1917 pelo então ministro britânico dos Assuntos Estrangeiros, Arthur James Balfour, dirigida a Lord Rothschild comunicando-lhe o seu empenho em conceder ao povo judeu facilidades na povoamento da Palestina no caso da Inglaterra conseguir derrotar o Império Otomano, que, até então, dominava aquela região.

A França e a Itália, aliadas de Londres na Primeira Guerra Mundial ratificaram voluntariamente a Declaração de Balfour, evitando que o Oriente ficasse sob administração exclusiva do Império Britânico. Os Estados Unidos aprovaram-na somente em Agosto de 1918.

Observe-se que o objectivo primordial do sionismo, que consistia no estabelecimento de uma pátria judaica, sempre foi bem visto pelos organismos internacionais, de tal forma que a Liga das Nações (Mandato de 1922) assim como a ONU aprovaram desde logo os princípios básicos do sionismo, aliás extensível a qualquer povo da terra. Esta simpatia aumentou, e muito, após a descoberta do genocídio de judeus praticado pelos nazis alemães, sobretudo a partir de 1944, até ao final da Segunda Guerra Mundial.




Muito antes do governo de Hitler ter começado a restringir os direitos dos judeus alemães, os líderes da comunidade judia mundial declararam formalmente guerra à "Nova Alemanha" numa altura em que o Governo Americano e até mesmo os líderes judeus na Alemanha estavam a aconselhar prudência na forma de como lidar com o novo regime de Hitler.



A guerra dos líderes da comunidade internacional judia contra a Alemanha não só provocou represálias por parte do governo alemão mas também preparou o terreno para uma aliança económica e política entre o governo de Hitler e os líderes do movimento sionista que esperou que a tensão entre os alemães e os judeus conduzisse à emigração maciça dos judeus para a Palestina. Em suma, o resultado foi uma aliança táctica entre os Nazis e os fundadores do moderno estado de Israel - um facto que muitos hoje prefeririam ver esquecido.

A primavera de 1933 testemunhou o começo de um período de cooperação privada entre o governo alemão e o movimento sionista na Alemanha e na Palestina (e mundialmente) de forma a aumentar o fluxo de imigrantes judeus-alemães e dinheiro para a Palestina.

Para os líderes sionistas, a tomada do poder por Hitler ofereceu a possibilidade de um fluxo de imigrantes para a Palestina. Antes, a maioria dos judeus alemães que se identificavam como alemães tinham pouca afinidade com a causa sionista de promover o agrupamento da Judiaria mundial na Palestina. Mas os Sionistas compreenderam que só um Hitler anti-semita tinha capacidade para empurrar os judeus alemães anti-sionistas para os braços do Sionismo.

O actual lamento mundial dos partidários de Israel (já para não mencionar os próprios israelitas) sobre "o Holocausto", não ousam mencionar que tornar a situação na Alemanha insustentável para os judeus - em cooperação com Nacional Socialismo alemão - fazia parte do plano.

Este foi a génese do denominado Acordo de Transferência (Transfer Agreement), acordo negociado em 1933 entre os judeus sionistas e o governo Nazi para transferir 60 mil judeus alemães e 100 milhões de dólares para a Palestina Judaica, em troca do fim do boicote mundial judeu que ameaçava derrubar o regime de Hitler.

De acordo com historiador judeu Walter Laqueur e muitos outros, os judeus alemães estavam longe de estar convencidos de que a imigração para a Palestina era a resposta. Além disso, embora a maioria dos judeus alemães tenha recusado considerar os Sionistas como seus líderes políticos, é certo que Hitler cooperou com os Sionistas com a finalidade de implementar a solução final: a transferência em massa de judeus para o Oriente Médio.

Edwin Black, no volumoso livro «O Acordo de Transferência» (The Transfer Agreement) (Macmillan, 1984), declarou que embora a maioria dos judeus não quisesse de forma nenhuma ir para a Palestina, devido à influência do movimento sionista dentro da Alemanha Nazi a melhor forma de um judeu de sair de Alemanha era emigrando para a Palestina.

As denúncias das práticas alemãs contra os judeus para os assustar e obrigarem-nos a ir para a Palestina serviu os interesses sionistas, porque só com o advento de hostilidade alemã para com a Judiaria se poderia convencer os judeus do mundo que a imigração [para a Palestina] era o único escape.

Para todos os propósitos, o governo Nacional Socialista foi a melhor coisa que podia acontecer ao Sionismo na história, pois "provou" a muitos judeus que os europeus eram irreprimivelmente anti-judeus e que a Palestina era a única resposta: o Sionismo veio a representar a grande maioria dos judeus somente por artifício e cooperação com Adolf Hitler.


Israel, o maior e único porta-aviões americano que é impossível afundar

Nalguns aspectos claramente demarcados, o actual apoio dos Estados Unidos ao governo israelita corresponde aos interesses próprios americanos. Numa região onde o nacionalismo árabe pode ameaçar o controle de petróleo pelos americanos assim como outros interesses estratégicos, Israel tem desempenhado um papel fundamental evitando vitórias de movimentos árabes, não apenas na Palestina como também no Líbano e na Jordânia. Israel manteve a Síria, com o seu governo nacionalista que já foi aliado da União Soviética, sob controlo, e a força aérea israelita é preponderante na região.

Como foi descrito por um analista israelita durante o escândalo Irão-Contras, onde Israel teve um papel crucial como intermediário, "É como se Israel se tivesse tornado noutra agência federal [americana], uma que é conveniente utilizar quando se quer algo feito sem muito barulho." O ex-ministro de Estado americano, Alexander Haig, descreveu Israel como o maior e o único porta-aviões americano que é impossível afundar.

O alto nível continuado de ajuda dos EUA a Israel deriva menos da preocupação pela sobrevivência de Israel mas antes do desejo de que Israel continue o seu domínio político sobre os Palestinianos e que mantenha o seu domínio militar da região.

Na realidade, um Estado israelita em constante estado de guerra - tecnologicamente sofisticado e militarmente avançado, mas com uma economia dependente dos Estados Unidos, está muito mais disposto a executar operações que outros aliados considerariam inaceitáveis, do que um Estado Israelita que estivesse em paz com os seus vizinhos.

Israel recebe actualmente três mil milhões de dólares por ano em ajuda militar dos Estados Unidos.


Em suma, não obstante o sofrimento e a morte causados a um incontável número de pessoas de todas os credos e raças, um pequeno grupo de famílias: Rothschild, Rockefeller, Morgan, Mantagu, Harriman, Kuhn, Loeb, Warburg, Lehman, Schiff, Pyne, Sterling, Stillman, Lazard, etc, que dominam há mais de um século a alta finança mundial, edificaram uma sólida base militar, na forma de um Estado Judaico, junto das maiores reservas energéticas do planeta.
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terça-feira, outubro 09, 2007

Os sobreviventes do Holocausto


O rabino Israel Rosenfeld falou pela primeira vez da sua experiência em Auschwitz ao jornal Intermountain Jewish News, a 27 de Janeiro de 2005, exactamente 60 anos depois do dia em que foi libertado de Auschwitz:

«... o trabalho duro, combinado com tudo o resto, conjugaram-se para fazer de Rosenfeld um jovem muito doente. Uma bolha não tratada no pé cresceu e piorou até que se tornou numa infecção debilitante na parte de trás da perna. Por fim, já não podia estar de pé, ou andar sozinho, diz ele, enquanto levanta a perna das calças para mostrar a cicatriz deixada pela infecção de há seis décadas atrás. Na altura, a meio do Inverno de 1944-45, foi colocado na enfermaria de Auschwitz, incapaz de trabalhar. Isto provavelmente salvou-lhe a jovem vida


Dos registros do Julgamento de Auschwitz em Frankfurt (Letter to Auschwitz Comité, Oct. 20, 1958; vol. 2, p. 226):

Aleksander Gorecki - Este prisioneiro contou como Boger (Wilhelm Boger, membro da Gestapo) entrou nas instalações da enfermaria do campo principal de Auschwitz para ir buscar um prisioneiro que tinha sofrido há pouco uma cirurgia à bexiga e já tinha programada uma cirurgia à próstata.


Elie Wiesel - Nobel da Literatura em 1986

Janeiro de 1945 - Elie Wiesel foi operado na enfermaria de Auschwitz (15 dias antes da chegada do Exército Vermelho). Elie Wiesel e Chlomo (pai de Elie) foram com os evacuados para Gleiwitz onde subiram com os outros para camionetas abertas de transporte de gado para uma viagem de dez dias até Buchenwald na Alemanha Central.



Em suma:

No campo de concentração de Auschwitz, que, segundo fontes oficiais, tinha capacidade para exterminar 6.000 pessoas por dia, aconteceu o seguinte:

- O jovem Israel Rosenfeld foi colocado na enfermaria de Auschwitz, incapaz de trabalhar, facto que provavelmente lhe salvou a jovem vida.

- Boger (da Gestapo) foi buscar um prisioneiro que tinha sofrido há pouco uma cirurgia à bexiga e já tinha programada uma cirurgia à próstata.

- O Nobel da Literatura de 1986, Elie Wiesel, foi operado na enfermaria de Auschwitz (a duas semanas da libertação do campo pelo Exército Vermelho), e foi mais tarde evacuado para Buchenwald.

Não há algo de bizarro em tudo isto?
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segunda-feira, outubro 08, 2007

João Cravinho - A apropriação do «Governo» por parte dos lóbis privados.

Parte da entrevista de João Cravinho à Revista Visão – 4/10/2007

Via «Pedra do Homem»

Sobre o combate à corrupção - "(...) Fui até ao limite do que podia. Após um processo longo e muitas discussões, formei uma ideia sobre as razões das divergências profundas (...) entre mim e a direcção do grupo parlamentar em questões fulcrais. A primeira tem que ver com um juízo político e ético sobre a situação da corrupção em Portugal e o seu efeito corrosivo sobre o funcionamento das instituições democráticas. Penso que é um fenómeno grave, extenso e sem mecanismos de contenção à altura.(...) Mas também não estávamos de acordo sobre a natureza do fenómeno. Prevaleceu no debate uma noção eminentemente policial da corrupção.(...) Só que a corrupção como fenómeno novo, associado à globalização, torna a concepção policial obsoleta. Um dos nossos grandes problemas é a corrupção de Estado, a apropriação de órgãos vitais de decisão ou de preparação da decisão por parte de lóbis.(...) Foi um dos maiores choques da minha vida ver que aquela matéria causava um profundo mal-estar, era como que um corpo estranho no corpo ético do PS.(...)"

Sobre a actuação do Governo - "(...) Há anos que a governação em Portugal é neoliberal, com mais ou menos consciência social. O problema não está nas políticas sociais, mas na adopção da ideologia neoliberal como matriz.(...) Não pode estar a promover-se uma pseuso-economia de mercado, em que o Estado serve de muleta aos grandes e até aos pequenos negócios. Muitos acham que deve ser essa a originalidade do neoliberalismo à portuguesa.(...)"

Sobre as relações Governo-Presidente da República. - "(...) O regime está de tal modo fragilizado que, em certo sentido, o Prof. Cavaco Silva, em conjugação com o Eng.º Sócrates, funcionam como uma cavilha de segurança suplementar da granada em que está a transformar-se o nosso sistema político.(...) Mas o que está a perguntar é se existe uma nova forma de bloco central. De certo modo, sim.(...)"


Ainda sobre a apropriação do Estado por parte dos lóbis privados, temos as palavras de Miguel Sousa Tavares no Expresso:

Miguel Sousa Tavares - Expresso 07/01/2006

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos [Ota e TGV], [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»


E ainda sobre o mesmo tema, a opinião de Fernando Madrinha no Expresso:

Fernando Madrinha - Jornal Expresso - 1/9/2007:

(…) Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. (…)

(…) Remetem-nos para uma sociedade cada vez mais vulnerável e sob ameaça de desestrutruração, indicam-nos que os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais.


Comentário:

Embora concorde com João Cravinho na tese da apropriação do Estado pelo grande dinheiro, noto-lhe ainda uma tentativa inglória de isentar de responsabilidades o «nosso» Primeiro-Ministro:

Diz Cravinho que «[Cavaco] e Sócrates funcionam como uma cavilha de segurança suplementar da granada em que está a transformar-se o nosso sistema político».

Mas Sócrates está longe de ser uma cavilha de segurança. Pelo contrário, o actual Primeiro-Ministro tem servido como espoleta de poderosos interesses financeiros apostados em estilhaçar a sociedade e o país, tranformando-o numa coutada de pilhagem privada.
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sexta-feira, outubro 05, 2007

Bergen-Belsen - Um campo de convalescença nazi para judeus demasiado doentes para trabalhar

Campo de concentração de Bergen-Belsen


O campo de concentração de Bergen-Belsen tal como é descrito no site judaico-americano - Jewish Virtual Library:

«As condições no campo [de Bergen-Belsen] eram boas atendendo aos padrões dos campos de concentração e a maioria dos prisioneiros não era sujeita a trabalhos forçados. Porém, no começo da primavera de 1944 a situação deteriorou-se rapidamente. Em Março, Belsen foi renomeado um Ehrholungslager [Campo de Convalescença], para onde os prisioneiros de outros campos de concentração, demasiado doentes para trabalhar, eram trazidos, embora nenhum recebesse tratamento médico.»

«À medida que o Exército alemão retirava em face do avanço Aliado, os campos de concentração foram evacuados e os prisioneiros enviados para Belsen. As instalações do campo não podiam acomodar a súbita afluência de milhares de prisioneiros e os serviços - comida, água e sanitários – desmoronaram-se, levando à eclosão de doenças. Anne Frank e a irmã, Margot, morreram de tifo em Março de 1945, assim como outros prisioneiros numa epidemia de tifo.»


Entretanto, o site Deutsche Welle - World descreve desta forma o campo de concentração de Auschwitz:

«Auschwitz foi o maior e mais terrível campo de extermínio do regime de Hitler. Nas suas câmaras de gás e crematórios, foram mortas pelo menos um milhão de pessoas. No auge do Holocausto, em 1944, eram assassinadas seis mil pessoas por dia. Auschwitz tornou-se sinónimo do genocídio contra os judeus, ciganos e outros tantos grupos perseguidos pelos nazis.»

«À chegada ao campo de concentração, um médico e um comandante perguntavam a idade e o estado de saúde dos prisioneiros que chegavam, contou Anita Lasker, uma das sobreviventes. Depois disso, as pessoas eram encaminhadas para a esquerda ou para a direita, ou seja, para o campo ou directamente para o crematório. Quem alegasse qualquer problema estava, na realidade, assinando a sua sentença de morte


Comentário:

Em suma, enquanto o campo de concentração de Auschwitz se afadigava no extermínio do maior número possível de judeus, o campo de concentração de Bergen-Belsen recebia prisioneiros demasiado doentes para trabalhar, de forma a poderem restabelecer a saúde.

Não há algo de bizarro em tudo isto?
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quinta-feira, outubro 04, 2007

A incompreensível rotação dos prisioneiros judeus pelos diversos campos de extermínio nazis

Anne Frank

A história de Anne Frank começa na Alemanha dos anos 20. Os seus pais, Otto Frank e Edith Holländer casaram-se numa sinagoga no dia 12 de Maio de 1925. Nove meses depois, no dia 16 de Fevereiro de 1926, a primeira filha do casal, Margot, nasceu em Frankfurt am Main. No dia 12 de Junho de 1929, nasceu Annelise Frank (Anne Frank).

Em 1933, com a subida ao poder de Adolf Hitler, a família Frank decidiu mudar-se para a relativamente segura Amesterdão, na Holanda. Para tanto no verão Edith, Margot e Anne foram morar com a avó materna Holländer, em Aachen, enquanto Otto partiu para Amsterdão para organizar as coisas. No dia 5 de dezembro de 1933, Edith e Margot mudaram-se para Amesterdão. Em Fevereiro de 1934, Anne Frank juntou-se aos pais em Amesterdão.

No verão de 1937, a família Van Pels trocou Osnabrück na Alemanha, por Amesterdão. No dia 1 de Junho de 1938, Otto Frank em parceria com Hermann van Pels inaugurou a Pectacon B.V., especializada na produção de ervas utilizadas no tempero de carne. No dia 8 de Dezembro do mesmo ano, Fritz Pfeffer trocou a Alemanha pela Holanda. Em Março de 1939, a situação dos judeus na Alemanha começou a ficar intolerável.

Mesmo com muitos membros do Partido Nazi presentes no seu território, a Holanda tratava muito bem os seus refugiados judeus e os Frank sentiram-se seguros juntamente com seus vizinhos judeus.

No dia 5 de Julho de 1942, Edith Frank recebeu um documento registrado convocando Margot Frank para ir para o campo de trabalhos forçados de Westerbork, na Alemanha.

Diante de tal facto, Otto Frank (o pai de Anne Frank) decidiu antecipar a ida da família para o esconderijo localizado na Prinsengracht, 263 (local onde funcionava seu escritório e que desde o ano anterior estava sendo preparado para se tornar esconderijo da família caso fosse necessário).

A 13 de Julho de 1942, a família Van Pels (Hermann, Auguste e Peter) mudaram-se para o Anexo Secreto. No dia 16 de Novembro, Fritz Pfeffer chegou ao esconderijo como o oitavo clandestino.

Durante dois anos os moradores do Anexo Secreto fizeram parte de uma grande família, morando num confinado espaço e vivendo sob o constante medo de serem descobertos pelos nazis e pelos seus simpatizantes. Foi durante este período que Anne Frank escreveu o seu famoso diário.

A 4 de Agosto de 1944 o Anexo Secreto foi invadido de surpresa pela polícia nazi e os moradores foram presos.

Depois de presos, os oito moradores do Anexo Secreto foram levados para uma prisão em Amesterdão e no dia 8 de Agosto foram transferidos para Westerbork, um campo de triagem para judeus no norte da Holanda. A 3 de Setembro de 1944 foram todos deportados para Auschwitz (Polónia), onde chegaram no dia 6 de Setembro de 1944. À chegada ao campo de concentração de Auschwitz, Anne Frank e os outros 7 residentes do Anexo foram poupados à morte nas câmaras de gás.


Otto Heinrich Frank (pai de Anne Frank), foi o único dos oito moradores do Anexo a sobreviver, sendo libertado de Auschwitz pelo Exército Vermelho no dia 27 de Janeiro de 1945. Otto Frank morreu em Basileia (Suiça) no dia 19 de Agosto de 1980 com 91 anos.





Edith Hollander Frank (mãe de Anne Frank), morreu (com 44 anos) na enfermaria de Auschwitz-Birkenau no dia 6 de Janeiro de 1945, vítima de inanição.



Margot Frank (irmã mais velha de Anne Frank), por volta de 28 de Outubro de 1944 foi transferida com Anne Frank e Auguste van Pels de Auschwitz para Bergen Belsen, campo de concentração perto de Hannover (Alemanha), onde morreu (com 18 anos) possivelmente no final de Fevereiro de 1945, vítima da epidemia de tifo que matou milhares de prisioneiros no local. O seu corpo foi provavelmente enterrado nas valas comuns de Bergen Belsen.

Anne Frank por volta de 28 de Outubro de 1944 foi transferida com a irmã e Auguste van Pels de Auschwitz para Bergen Belsen onde morreu (com 16 anos) possivelmente no final de Fevereiro ou início de Março de 1945, vítima de tifo. Provavelmente o seu corpo também foi enterrado nas valas comuns do campo que foi libertado por tropas inglesas em 12 de Abril de 1945.



Hermann van Pels, segundo o testemunho de Otto Frank, Hermann, morreu nas câmaras de gás de Auschwitz em Outubro ou Novembro de 1944 (com 55 anos). Pouco depois as câmaras de gás foram desactivadas.




Auguste van Pels (esposa de Hermann van Pels), por volta de 28 de Outubro de 1944 foi transferida de Auschwitz com Anne e Margot para Bergen Belsen. Em Fevereiro de 1945 foi transferida para Buchenwald, depois para Theresienstadt (em 9 de Abril de 1945), e aparentemente para outro campo de concentração depois disso. É certo que não sobreviveu, mas não se sabe a data de sua morte.



Peter van Pels (filho dos Pels), foi forçado a participar da marcha da morte de Auschwitz a16 de Janeiro de 1945 até ao campo de concentração de Mauthausen (Áustria), onde, segundo a Cruz Vermelha, morreu no dia 5 de Maio de 1945 (com 18 anos), três dias antes do campo ser libertado pelas tropas americanas.



Fritz Pfeffer foi transferido de Auschwitz para Sachesenhausen e novamente transferido paro o campo de concentração de Neuengamme, onde morreu no dia 20 de Dezembro de 1944 (com 55 anos) com uma inflamação nos intestinos.





Comentário:

Em suma, dos oito prisioneiros judeus, principais personagens do diário de Anne Frank, apenas três permaneceram em Auschwitz:

1 - Hermann Pels foi «gaseado» segundo o «testemunho» de Otto Frank.

2 - Edith Frank (mãe de Anne Frank), morreu na enfermaria vítima de inanição.

3 - Otto Frank (pai de Anne Frank), sobreviveu a Auschwitz, sendo libertado pelo Exército Vermelho.


Os outros cinco elementos foram transferidos, alguns por diversas vezes:

4 e 5 - As irmãs Margot e Anne Frank foram transferidas de Auschwitz para o campo de concentração de Bergen Belsen, onde morreram de tifo.

6 - Peter Pels foi transferido de Auschwitz para Mauthausen onde morreu três dias antes do campo ser libertado pelas tropas americanas.

7 - Fritz Pfeffer foi transferido de Auschwitz para Sachesenhausen e depois para Neuengamme, onde morreu com uma inflamação nos intestinos.

8 - Auguste Pels foi transferida de Auschwitz para Bergen Belsen, depois para Buchenwald, depois para Theresienstadt, e aparentemente para outro campo de concentração depois disso. Pensa-se que não sobreviveu.


Se o objectivo dos nazis era exterminar judeus, porque é que deste grupo de oito judeus, apenas um foi «gaseado», segundo o «testemunho» de Otto Frank? E porque andaram os outros a saltar de campo em campo (a senhora Auguste Pels passou por quatro campos de extermínio diferentes)?
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terça-feira, outubro 02, 2007

O Lobby Israelita: quão poderoso é de facto?



Quando se discute a política norte-americana em relação a Israel e à Palestina, grupos como o Comité de Negócios Públicos Americano-Israelita (American Israel Public Affairs Committee (AIPAC) e comités relacionados de acção política (PACs) influenciaram decerto alguns membros de Congresso Americano, assim como alguns decisores tanto em Administrações Republicanas como Democratas. Além disso, organizações judaicas democratas e conservadoras mobilizaram recursos de lobby consideráveis, contribuições financeiras da comunidade judia, e pressões de cidadãos nos media e outros fóruns de discussão pública em defesa do governo israelita. Às vezes, criaram até um clima de intimidação contra muitos dos que falam em paz e direitos humanos ou que apoiam o direito dos Palestinianos à autodeterminação. Mas daí a afirmar que o lobby israelita é o principal responsável pela política norte-americana no Médio Oriente, mesmo quando se trata de Israel, vai uma enorme distância.


O que é que motiva o apoio norte-americano ao governo israelita?

A triste realidade é que o governo dos EUA é perfeitamente capaz de apoiar as alas mais à direita de países aliados, de forma a invadir, reprimir e colonizar vizinhos mais fracos, sem que aqueles possuam uma minoria étnica bem organizada nos EUA, que de alguma forma force o Congresso ou a administração a fazer isso. Afirmar o contrário seria assumir que sem o lobby pró-israelita, os Estados Unidos seriam incentivadores do direito internacional e dos direitos humanos na sua política externa. Dado que a política externa americana raramente encorajou a lei internacional e os direitos humanos, excepto quando correspondem aos seus próprios interesses políticos de curto prazo, porque é que o Oriente Médio deveria ser uma excepção? Nunca existiu um lobby indonésio-americano responsável pelo apoio da ocupação brutal de Timor Leste pela Indonésia durante um quarto de século, nem existe um lobby marroquino-americano responsável pelo apoio da actual ocupação marroquina do Saara Ocidental.

É certamente verdade que os Estados Unidos, nas palavras de Mearsheimer e Walt, "não estão sintonizados" com a grande maioria da comunidade internacional na questão entre Israel e a Palestina. Todavia os Estados Unidos também estão "não estão sintonizados" em relação à grande maioria da comunidade internacional no que toca ao tratado que proíbe minas terrestres, ao Tribunal Penal Internacional, ao Protocolo de Kyoto sobre o efeito de estufa, e ao embargo contra Cuba. De igual forma, duas décadas atrás, os Estados Unidos estiveram também "não estiveram sintonizados"com a vasta maioria da comunidade internacional a respeito da colocação de minas nos portos nicaraguanos e no apoio aos Contra terroristas, bem como na oposição às sanções contra o regime do apartheid na África do Sul e aliando-se a Pretória no apoio aos rebeldes de UNITA em Angola.

A observação Mearsheimer e de Walt de que o apoio dos EUA a Israel é contrário aos interesses estratégicos americanos porque estimulam o anti-americanismo no mundo árabe / islâmico não é uma posição dissidente sem precedentes. Em qualquer administração americana, há elementos nos círculos da elite governante que chegam a conclusões que desafiam o pensamento dominante. Por exemplo, Mearsheimer e Walt juntaram-se a Zbigniew Brzezinski, Jacek Krugler e outros «pragmáticos» que reconheceram que a invasão de Iraque foi contrária aos interesses da segurança nacional dos EUA, mas a administração Bush e uma boa parte do Congresso (incluindo a liderança dos dois partidos) foram de opinião contrária. De igual modo, alguns líderes «pragmáticos» dos anos sessenta, como Hans Morgenthau, opuseram-se à Guerra do Vietname, mas isso não travou uma esmagadora maioria bipartidária em Washington de acreditar erradamente, pelo menos até finais de 1960, que a guerra servia melhor os interesses de América. Por outras palavras, administrações de ambos os partidos já provaram ser capazes repetidamente de agir contra os interesses nacionais americanos a longo prazo sem que o lobby israelita os force a tanto.

Nalguns aspectos claramente demarcados, o apoio dos Estados Unidos ao governo israelita corresponde aos interesses próprios americanos. Numa região onde o nacionalismo árabe pode ameaçar o controle de petróleo pelos americanos assim como outros interesses estratégicos, Israel tem desempenhado um papel fundamental evitando vitórias de movimentos árabes, não apenas na Palestina como também no Líbano e na Jordânia. Israel manteve a Síria, com o seu governo nacionalista que já foi aliado da União Soviética, sob controlo, e a força aérea israelita é preponderante na região.

As frequentes guerras de Israel têm proporcionado o teste no campo de batalha das novas armas americanas e a indústria de armamento israelita tem fornecido armas e munições aos governos e movimentos de oposição apoiados pelos Estados Unidos. Além disso, durante os anos oitenta, Israel serviu como um canal para o escoamento de armamento americano para governos e movimentos impopulares nos Estados Unidos que receberam ajuda militar evidente, inclusive a África do Sul sob o regime do apartheid, a República islâmica de Irão, as juntas do exército de direita da Guatemala e os Contras da Nicarágua.

Conselheiros militares israelitas ajudaram os Contra da Nicarágua, a junta Salvadorenha e outros movimentos e governos apoiados pelos Estados Unidos. A agência de serviços secretos israelita Mossad cooperou com a CIA e com outras agências de informações americanas colhendo informações secretas e liderando operações secretas. Israel possui mísseis capazes de atingir alvos a milhares de milhas das suas fronteiras e colaborou com o complexo militar-industrial americano em pesquisa e desenvolvimento para os lutadores de novos caças e sistemas defensivos anti-mísseis, uma relação que cresce de ano para ano.

Como foi descrito por um analista israelita durante o escândalo Irão-Contras, onde Israel teve um papel crucial como intermediário, "É como se Israel se tivesse tornado noutra agência federal, uma que é conveniente utilizar quando se quer algo feito sem muito barulho." O ex-ministro de Estado americano, Alexander Haig, descreveu Israel como o maior e o único porta-aviões americano que é impossível de afundar.

Um dos princípios mais fundamentais na teoria de relações internacionais é que a relação militar mais estável entre adversários (além do desarmamento) é a paridade estratégica. Tal relação proporciona a cada oponente um dissuasor efectivo contra a possibilidade do outro lançar um ataque preventivo. Se os Estados Unidos estivessem simplesmente preocupados com a segurança de Israel, Washington deveria manter as defesas israelitas num nível aproximadamente igual a qualquer combinação de forças armadas árabes. Em vez disso, líderes de dos dois partidos políticos dos EUA exigiram assegurar a superioridade qualitativa militar israelita. Quando Israel era militarmente menos dominante, havia menos consenso em Washington para apoiar o Israel. O alto nível continuado de ajuda dos EUA a Israel deriva menos da preocupação pela sobrevivência de Israel mas antes do desejo de que Israel continue o seu domínio político sobre os Palestinianos e que mantenha o seu domínio militar da região.

A enorme quantia de ajuda militar recebida anualmente por Israel foi citada por Mearsheimer e Walt, entre outros, como indicador do poder do lobby israelita. Contudo este modelo de ajuda reflecte a importância de Israel para os próprios interesses americanos. Imediatamente a seguir à vitória espectacular de Israel na guerra de 1967, quando demonstrou a sua superioridade militar na região, a ajuda americana aumentou abruptamente 450%.

Parte deste aumento, segundo o New York Times, estava aparentemente relacionado com a vontade de Israel de fornecer aos Estados Unidos exemplos das novas armas soviéticas que capturou durante a guerra. A seguir à guerra civil na Jordânia de 1970-71, quando o Israel exibiu sua capacidade para deter a intervenção síria em defesa da insurreição contra a monarquia pró-ocidental jordana e assim manter os movimentos revolucionários fora das suas fronteiras, os EUA aumentaram ainda mais a sua ajuda.

Quando Israel provou a sua força ao opor-se com sucesso a uma agressão surpreendentemente forte do exército árabe em Outubro de 1973, a ajuda militar dos EUA aumentou uma vez mais. Estes aumentos de ajuda aconteceram em simultâneo com a decisão britânica de retirar as suas forças das áreas a leste do Canal de Suez. Conjuntamente com o Xá de Irão que também recebeu massiva cooperação em armamento e logística como um componente fundamental da Doutrina Nixon, Israel emergiu como uma importante força aliada após a retirada britânica.

Este padrão continuou quando a ajuda disparou novamente em 1977, a seguir à eleição do primeiro governo da ala direita do Likud em Israel. Aumentos subsequentes de ajuda coincidiram com a queda do Xá e a ratificação do tratado de Camp David com o Egipto. A ajuda americana cresceu ainda mais logo a seguir à invasão israelita de Líbano em 1982.

Em 1983 e 1984, quando os Estados Unidos e Israel assinaram um memorando de acordo em cooperação estratégica e planeamento militar e conduziram os primeiros exercícios navais e aéreos conjuntos, Israel foi recompensado com uma ajuda económica adicional de 1.5 mil milhões de dólares e mais 500 milhões de dólares para o desenvolvimento de um novo caça. Durante e imediatamente após a Guerra de Golfo, a ajuda americana aumentou em 650 milhões de dólares.

Na década seguinte, quando começaram a surgir preocupações relativas à ameaça de grupos terroristas, extremistas islâmicos, e os denominados "Estados párias", a ajuda americana a Israel aumentou ainda mais. Um tratado de paz com a Jordânia e uma série de acordos rompidos com os Palestinianos conduziram a transferências adicionais de armas para Israel.

Em lugar de ser uma despesa, como Mearsheimer e Walt reivindicaram, a Guerra do Golfo de 1991 provou uma vez mais que Israel constitui um recurso estratégico: Desenvolvimentos israelitas em tecnologia militar ar-solo foram integrados em raides de bombardeamento aliados contra bases de mísseis iraquianas e outros objectivos; Tanques de gasolina projectados por Israelitas para aviões de combate F-15 aumentaram grandemente o seu alcance; fornecimentos de minas israelitas foram utilizados durante os ataques finais às posições iraquianas; Pontes móveis israelitas foram usadas pelo marines americanos.

Sistemas de mira e dispositivos de prevenção de baixa altitude israelitas foram empregados pelos helicópteros americanos; e Israel desenvolveu componentes fundamentais para os muito utilizados mísseis Tomahawk. Israel é também o 5ª maior fornecedor de material militar de alta tecnologia ao Estados Unidos. Não surpreendentemente, a ajuda dos EUA a Israel intensificou-se ainda mais nos anos noventa, embora o apoio militar aos adversários árabes tenha decaído devido ao colapso do União Soviética.

Desde o 11 de Setembro de 2001, a percepção de Israel como um aliado natural na "guerra ao terrorismo" do Presidente George W. Bush cimentou ainda mais a aliança estratégica, à medida que o Pentágono posiciona equipamento militar em Israel de forma a aumentar a prontidão militar para outras intervenções no Oriente Médio. Israel também apoiou as operações militares dos EUA no Iraque ajudando a treinar as Forças Especiais americanas em técnicas de contra-insurgência agressiva e enviando especialistas de guerra urbana para Fort Bragg dar instrução a esquadrões da morte que têm por alvo líderes suspeitos de guerrilha iraquianos. A administração civil americana no Iraque, estabelecida no seguimento da invasão ema 2003, seguiu o modelo da administração civil de Israel nos territórios árabes ocupados após a invasão israelitade 1967. Oficiais americanos viajaram para Israel e oficiais israelitas viajaram para o Iraque para consultas adicionais.

Ainda por cima, os israelitas ajudaram a armar e a treinar milícias curdas pró-americanas e ajudaram funcionários americanos em centros de interrogatório para insurgentes suspeitos detidos perto de Bagdade. Conselheiros israelitas compartilharam conselhos úteis no levantamento de obstáculos em estrada operacionais e postos de controlo, forneceu treino na destruição de minas métodos de arrombamento de barreiras e sugeriram técnicas para localizar insurgentes suspeitos usando drones (aviões não tripulados). Israel também forneceu equipamento de vigilância aérea, drones de engodo e equipamento de construção blindada. Em troca, Israel recolheu ainda mais apoio dos EUA.

Em suma, quanto mais forte, mais agressivo e mais aquiescente com os interesses dos EUA, Israel se tornar, maior o nível de ajuda e cooperação estratégica que recebe. Um Estado de Israel militante é visto como promotor de interesses americanos. Na realidade, um Estado israelita em constante estado de guerra - tecnologicamente sofisticado e militarmente avançado, mas com uma economia dependente dos Estados Unidos, está muito mais disposto a executar operações que outros aliados considerariam inaceitáveis, do que um Estado Israelita que estivesse em paz com os seus vizinhos.

Como o ex-Ministro de Estado de Henry Kissinger disse uma vez, em referência à relutância de Israel em fazer paz, "a obstinação de Israel… serve melhor os propósitos dos nossos dois países."