quarta-feira, novembro 21, 2007

Elie Wiesel - uma testemunha-chave do Holocausto Judeu

Elizer Wiesel, mais conhecido como Elie Wiesel, é um judeu nascido na Roménia a 30 de Setembro de 1928. Aos 15 anos é deportado para Auschwitz e depois para Buchenwald. Sobrevivente dos campos de concentração nazis, torna-se cidadão americano em 1963 e obtém uma cátedra de ciências humanas na universidade de Boston. Em 1980 Elie Wiesel funda o Conselho para o Holocausto americano. Condecorado em França com a Legião de Honra, recebeu a Medalha do Congresso americano, recebeu o título de doutor honoris causa em mais de cem universidades e recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1986. O Comité norueguês do Nobel denominou-o "mensageiro para a humanidade."

As suas obras, quase 40 livros, edificadas para resgatar a memória do Holocausto e defender outros grupos vítimas de perseguições receberam igualmente vários prémios literários. Em Outubro de 2006, o Primeiro-ministro israelita Ehud Olmert propôs-lhe o cargo de Presidente do Estado de Israel. Elie Wiesel recusou a oferta explicando que não era mais do «que um escritor». Elie Wiesel preside, desde 1993, à academia Universal de Culturas.


Excertos de Robert Faurisson:

Elie Wiesel ganhou o Prémio Nobel da Paz em 1986. Ele é normalmente aceite como uma testemunha do Holocausto Judeu e, mais especificamente, como uma testemunha do extermínio Nazi pelas câmaras de gás. O diário Parisiense Le Monde enfatizou na altura que Wiesel foi galardoado com o Prémio Nobel porque:

«Nestes últimos anos temos visto, em nome do chamado “revisionismo histórico”, a criação de, especialmente em França, inúmeras questões, duvidando da existência das câmaras de gás Nazis e, talvez por detrás disso, do próprio genocídio dos Judeus


Num livro autobiográfico [Noite] que supostamente descreve as suas experiências em Auschwitz e Buchenwald, Wiesel não menciona em parte alguma as câmaras de gás. Ele diz, realmente, que os Alemães executaram Judeus, mas... com fogo; atirando-os vivos para as chamas incandescentes, perante muitos olhos de deportados!

«Não muito longe de nós, chamas elevavam-se dum fosso, gigantescas chamas. Eles estavam a queimar algo. Um camião aproximou-se da cova e descarregou a sua carga – crianças pequenas. Bebés! Sim, eu vi – vi-o com os meus próprios olhos... Aquelas crianças nas chamas. (É surpreendente que eu não tivesse conseguido dormir depois daquilo? Dormir era fugir dos meus olhos.)»

«Um pouco mais longe dali estava outra fogueira com chamas gigantescas onde as vítimas sofriam “uma lenta agonia nas chamas”. A coluna de Wiesel foi conduzida pelos Alemães a "três passos" da cova, depois a "dois passos." "A dois passos da cova foi-nos ordenado para virar à esquerda e ir-mos em direcção aos barracões."»


Quando os Russos estavam prestes a tomar conta de Auschwitz em Janeiro de 1945, Elie e o seu pai "escolheram" ir para ocidente com os Nazis e os SS em retirada em vez de serem "libertados" pelo maior aliado de América. Eles poderiam ter contado ao mundo inteiro tudo sobre Auschwitz dentro de poucos dias - mas, Elie e o pai, assim como incontáveis milhares de outros judeus escolheram, em vez disso, viajar para oeste com os Nazis, a pé, de noite, num Inverno particularmente frio e consequentemente continuarem a trabalhar para a defesa do Reich.

Algumas das exactas palavras de Wiesel no seu livro «Noite»:

- O que é fazemos, pai?
Ele estava perdido nos seus pensamentos. A escolha estava nas nossas mãos. Por uma vez, podíamos ser nós a decidir o nosso destino: ficarmos os dois no hospital, onde podia fazer com que ele desse entrada como doente ou como enfermeiro, graças ao meu médico, ou, então, seguir os outros.
Tinha decidido acompanhar o meu pai para onde quer que fosse.
- E então, o que é que fazemos pai?
Ele calou-se.
- Deixemo-nos ser evacuados juntamente com os outros – disse-lhe eu.
Ele não respondeu. Olhava para o meu pé.
- Achas que consegues andar?
- Sim, acho que sim.
- Espero que não nos arrependamos, Elizer!

As escolhas que foram feitas aqui em Auschwitz em Janeiro de 1945 são extremamente importantes. Em toda a história do sofrimento judeu às mãos de gentios, que altura poderia ser mais dramática do que o precioso momento em que os Judeus podiam escolher, por um lado, a libertação pelos Soviéticos com a possibilidade de contar a todo o mundo sobre as malfeitorias Nazis e ajudar à sua derrota - ou então fugir com os assassinos em massa Nazis, continuando a trabalhar para eles e ajudando-os a preservar o seu regime demoníaco?


Como testemunha excepcional que é, Wiesel assegura-nos que encontrou outras testemunhas excepcionais. Olhando para Babi Yar, um local na Ucrânia onde os Alemães executavam cidadãos Soviéticos, além dos Judeus, Wiesel escreve [Paroles d'étranger (Editions du Seuil, 1982), p. 86.]:

«Mais tarde, aprendi com uma testemunha que, mês após mês, o chão nunca parava de tremer; e que, de tempos a tempos, “geyser” de sangue esguichavam de lá


A personalidade de Wiesel ter sobrevivido foi, evidentemente, o resultado de um milagre. Ele diz que:

«Em Buchenwald eles enviavam 10,000 pessoas para a morte todos os dias. Eu estava sempre nas últimas centenas junto ao portão. Eles paravam. Porquê?»

No Wikipedia: Buchenwald - embora não tenha sido um campo de extermínio, a exemplo de Auschwitz, na Polónia, onde existiam câmaras de gás, estima-se que aqui pereceram mais de cinquenta mil pessoas, vítimas de fome, doenças, assassinatos e violência arbitrária. [A fazer fé no número de mortes diárias avançado por Wiesel, o campo terá funcionado apenas durante 5 dias].


No início de 1986, 83 deputados do "Bundestag" Alemão tiveram a iniciativa de proporem Wiesel para Prémio Nóbel da Paz. Isso seria , diziam eles, "um grande encorajamento para aqueles que estão envolvidos directamente no processo de reconciliação." Wiesel clama ser alguém cheio de amor pela humanidade. No entanto, ele não se refere ao apelo ao ódio. Na sua opinião:

«Todo o Judeu, algures na sua existência, deve separar uma zona de ódio – saudável, ódio viril – para aquilo que os Alemães personificam e para o que persiste na Alemanha. Fazer o contrário, é trair os mortos.»

(Wikiquote: Original engl.: "Every Jew, somewhere in his being, should set apart a zone of hate - healthy, virile hate - for what the German personifies and for what persists in the German. To do otherwise would be a betrayal of the dead.")


O jornal Le Monde foi obrigado a referir-se à característica teatral que certas pessoas deploravam em Wiesel:

«Naturalmente, mesmo entre aqueles que aprovam a luta deste escritor Judeu Americano, que foi descoberto pelo Católico François Mauriac, alguns outros dão-lhe descrédito por ter demasiado a tendência para alterar a tristeza Judaica em "morbidade" ou em transformar-se num alto sacerdote de uma "gerência planeada do Holocausto."»


Comentário:

Elie Wiesel, o Nobel da Paz, revelou-se um homem de grande idoneidade moral, credor de uma integridade inabalável e testemunha incontornável do Holocausto Judeu. Pena é, que, ao contrário de muitos outros testemunhos, durante os dez meses em que esteve internado no campo de concentração de Auschwitz, Wiesel não se tivesse apercebido da existência das cinco enormes câmaras de gás, onde supostamente foram assassinadas mais de um milhão de pessoas.
.

domingo, novembro 18, 2007

Durão Barroso - o homem de mão de Bush na Europa

Numa entrevista à TSF e ao Diário de Notícias, Durão Barroso afirma que recebeu informações sobre o Iraque que não eram verdadeiras, recordando a célebre Cimeira dos Açores.

"Houve informações que me foram dadas, a mim e a outros, que não corresponderam à verdade. Tive documentos na minha frente dizendo que o Iraque tinha armas de destruição maciça. Isso não correspondeu à verdade", disse.

Apesar de tudo, Durão Barroso acha que Portugal nada tem a lamentar sobre o papel que assumiu e a prova disso é a sua própria situação. "Portugal, ao dizer que sim ao seu aliado norte-americano, não perdeu espaço com isso, nem tem que estar arrependido. Eu fui, depois dessas decisões, convidado a ser Presidente da Comissão Europeia, e tive o consenso de todos os países europeus."

Durão lembra que o Presidente Bush teve um apoio quase unânime nos Estados Unidos quando decidiu invadir o Iraque. Simplesmente, como a operação correu muito mal, muitos tentam agora fugir às responsabilidades.

******

"Eu fui, depois dessas decisões, convidado a ser Presidente da Comissão Europeia, e tive o consenso de todos os países europeus", disse o «nosso» Barroso. Daniel Estulin, em entrevista ao SEMANÁRIO, dá outra explicação para o brilhante trajecto político do "CHERNE" Barroso:

Estulin diz que as suas fontes lhe confirmaram que Henry Kissinger, um membro permanente de Bilderberg, terá dito o seguinte sobre Durão Barroso: é "indiscutivelmente o pior primeiro-ministro na recente história política. Mas será o nosso homem na Europa".

Como nota de referência, Estulin acrescenta que tem relatórios de várias fontes internas da reunião de Bilderberg que referem a fraca capacidade oral e a fraca personalidade de Barroso.


sexta-feira, novembro 16, 2007

Os slots disponíveis na Portela e as jogadas pouco claras do Governo Sócrates

A gigantesca fraude do "esgotamento" do aeroporto da Portela


SLOTS NA PORTELA

Excerto de um texto de Rui Rodrigues - Site: www.maquinistas.org


Tem surgido na imprensa um argumento relativo à recusa de 'slots' na Portela (direitos de aterragem e descolagem) no período do Verão. O número de slots em causa corresponde a apenas 6,8% do total disponível no aeroporto de Lisboa para todo o ano. Os pedidos de slots podem ser rejeitados às horas de pico, contudo, as aeronaves podem aterrar ou descolar em Lisboa noutra altura do dia de menor tráfego. Esta situação também ocorre nos principais aeroportos da Europa como Paris, Londres e em todos esses casos a situação é muito mais grave.

A informação sobre slots disponíveis nos aeroportos já é possível obter através da Internet bastando, para isso, Ir ao site da ANA-Aeroportos em www.ana.pt e, no final da página, onde se lê "coordenação de slots". Fazer aí um clique e depois podemos ler:

"Ter toda a informação sobre a coordenação de slots ficou mais fácil. Na nova ferramenta do portal ANA pode consultar os slots disponíveis, os slots atribuídos por transportadora e por aeroporto, a legislação nacional e europeia e muito mais fácil".

Sobre os slots disponíveis na Portela. A grande surpresa é verificar que só há limitação de slots das 7h às 8h e das 17 às 18h:



Após se ter visualizado a situação na Portela podemos observar o que se passa no aeroporto de Gatwick, em Londres. Neste, a situação é muito mais grave pois desde as 6 h até às 18 horas os slots ou estão esgotados ou existe ainda 1 ou 2 disponíveis:



Seguidamente, poderemos ver o que se passa no aeroporto de Heathrow. Este aeroporto também tem os slots quase sempre completos e, além disso, o números de voos nocturnos é limitado. Será que estes dois aeroportos vão ser destruídos e encerrados como se pretende fazer na Portela? Evidentemente que não:



Uma das questões que podem ocorrer relativamente à Portela é saber porque é que em determinadas faixas horárias existem poucos slots e nas restantes, que são a maioria, não há qualquer problema. Este problema deve-se essencialmente ao facto da TAP adoptar uma estratégia de hubing, isto é, faz coincidir chegadas e partidas em faixas horárias coincidentes, para potenciar os voos de ligação entre diferentes destinos.


Comentário:

Se, como é facilmente demonstrável, o aeroporto da Portela está positivamente às moscas durante todo o dia, excepto nas duas horas (7h às 8h e das 17 às 18h) em que a TAP faz coincidir chegadas e partidas em faixas horárias coincidentes, para potenciar os voos de ligação entre diversos destinos, para que diabo é necessário um novo aeroporto de Lisboa no valor de vários milhares de milhões de contos?

Será simplesmente para contentar abastados patrocinadores da política como tem sugerido Miguel Sousa Tavares (Expresso 07/01/2006)?

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»


Os croupiers de um casino que o grande dinheiro agradece e aproveita:


.

quarta-feira, novembro 14, 2007

José Cutileiro avisa – devemos incinerar já o Irão com armas atómicas e sem sentimentalismos hipócritas

José Cutileiro

Expresso – 10/11/2007



In Memoriam

«Paul Tibbets, 1915-2007, Piloto do B29 que lançou a primeira bomba atómica sobre Hiroxima disse ao Presidente Truman que cumprira o seu dever sem uma dúvida. E redisse-o depois muitas vezes»

«O brigadeiro-general Paul Warfield Tibbets Jr., que morreu na sua casa de Columbus, Ohio, no passado Dia de Todos os Santos, pilotou a superfortaleza voadora B-29 que às oito e um quarto da manhã soalheira de 6 de Agosto de 1945 deitou sobre Hiroxima a primeira bomba atómica usada em tempo de guerra contra um alvo inimigo (a segunda foi deitada três dias depois sobre Nagasáqui, levando à rendição incondicional do Japão em menos de uma semana, pondo assim fim à II Guerra Mundial - até hoje não foi usada mais nenhuma), que matou imediatamente cerca de cem mil pessoas e foi causa da morte de muitas mais nos dias, meses e anos que se seguiram. (…) Toda a tripulação foi condecorada assim que pôs pé em terra, recebendo Tibbets a Distinguished Flying Cross.»

«Tibbets (...) disse a Truman que cumprira o seu dever sem uma dúvida e redisse-o depois muitas vezes. As bombas atómicas tinham abreviado a guerra seis meses e poupado centenas de milhares de vidas americanas e japonesas. Não fora ele quem bombardeara Pearl Harbor, começando a guerra; pelo contrário, o que ele fizera fora acelerar o seu fim. Era atroz terem morrido tantos civis mas guerras são sempre atrozes; dever-se-ia acabar com elas. Enquanto durarem, porém, é melhor ganhá-las do que perdê-las.»

«Tal fôlego patriótico, sem o qual o totalitarismo da Alemanha e do Japão não teria sido derrotado, vinha embebido em ingenuidade provinciana e familiar. Tripulação e pessoal de terra tinham chamado à primeira bomba atómica o ‘Rapazinho’ («Little Boy») e Tibbets baptizara a superfortaleza ‘Enola Gay’ - nomes próprios da mãe que apoiara, contra o pai, a sua vontade adolescente de vir a ser piloto-aviador - numa espécie de inconsciência do horror subjacente da vida, a lembrar pinturas de Norman Rockwell. A nazis nessa altura, a soviéticos e intelectuais do Café de Flore depois, a fundamentalistas islâmicos hoje, coisas assim parecem hipocrisia e sinal de fraqueza. Engano que, até agora, todos têm pago caro


Embora se reconheça alguma substância na prosa de Cutileiro, o ex-diplomata, por provável ignorância, parece desconhecer que existem outros «enganos» ainda mais caros e infinitamente mais hipócritas:


Talvez o aspecto mais notável da ortodoxia histórica da Segunda Guerra Mundial tenha sido a sua perspectiva unidimensional dos criminosos de guerra; pela actual definição os criminosos são os que perderam a guerra. Os vencedores decidem o grau de culpabilidade e perversidade dos derrotados.

Para além deste jogo moral dos vencedores há também a dificuldade de conceber a criminalidade de guerra desses tão louvados heróis da democracia como Franklin D. Roosevelt e Truman, assim como daqueles que, como "bons americanos", levaram a cabo as suas deliberadas e desnecessárias politicas de assassínios em massa.

Algumas provas destas políticas foram expressas pelo jornalista Walter Trohan do Chicago Tribune. Devido à censura em tempo de guerra, Trohan foi forçado a reter durante sete meses a maior história da guerra da América no Pacífico. Foi finalmente publicada no domingo seguinte à vitória sobre o Japão, a 19 de Agosto de 1945, nas primeiras páginas tanto do Chicago Tribune como do Times-Herald de Washington.


Nos arquivos do Chicago Tribune

Bare Peace Bid U.S. Rebuffed 7 Months Ago

Exposta a recusa pelos Estados Unidos da oferta de paz [do Japão] há 7 meses atrás

O artigo de Trohan revelou como dois dias antes da partida de Roosevelt para a Conferência de Yalta, que teve lugar a 4 de Fevereiro de 1945, o presidente recebeu um memorando de quarenta páginas do general Douglas MacArthur descrevendo cinco propostas diferentes de altas autoridades japonesas a oferecer os termos da rendição que eram virtualmente idênticos àqueles que foram mais tarde ditados pelos Aliados aos japoneses em Agosto de 1945.

A comunicação de MacArthur foi confidenciada a Trohan no princípio de 1945 pelo almirante William D. Leahy, Chefe do Estado-Maior de Roosevelt, que receou que o documento fosse classificado ultra-secreto durante décadas ou então destruído. A autenticidade do artigo de Trohan (que não foi republicado em nenhum outro grande jornal dos Estados Unidos), nunca foi posto em causa pela Casa Branca. O antigo presidente Herbert Hoover questionou pessoalmente o general MacArthur sobre a história do Chicago Tribune e o general reconheceu a sua exactidão em todos os detalhes.

De acordo com Harry Elmer Barnes, o presidente Truman estava a par da oferta de rendição oferecida pelos japoneses e confessou em privado que tanto a guerra atómica como as operações militares convencionais eram desnecessáras para acabar com a guerra no Pacífico.

O significado das declarações do general MacArthur ao presidente Roosevelt é colossal. O artigo de Trohan mostra que a guerra no Pacífico podia ter terminado no começo da Primavera e que Roosevelt enviou milhares de rapazes americanos para uma morte desnecessária em Iwo Jima e Okinawa, tal como Truman fez mais tarde com centenas de milhares de civis em Hiroxima e Nagasáqui.

O comportamento de Roosevelt pode ser melhor avaliado se compreendermos que ele pôs de lado o relatório de MacArthur após apenas uma «leitura rápida» e descreveu o general como um «político fraco». Na verdade, as políticas de assassínios em massa não eram o forte de MacArthur. Os experientes Roosevelt, Truman e os Secretário da Guerra Henry L. Stimson testaram o seu novo «brinquedo» militar, como Barnes descreveu a bomba atómica, sem um mínimo de justificação.
.

terça-feira, novembro 13, 2007

Porque eles temem Michael Moore

No Resistir.Info - por John Pilger

Em Sicko, o novo filme de Michael Moore, aparece um jovem Ronald Reagan apelando à classe trabalhadora americana para rejeitar a "medicina socializada" como subversão comunista. Nas décadas de 1940 e 1950 Reagan foi empregado pela American Medical Association e pela grande indústria como o amável porta-voz de uma tendência neo-fascista a fim de persuadir os americanos comuns de que os seus verdadeiros interesses, tais como cuidados universais de saúde, eram "anti-americanos".

Ao ver isto, encontrei-me a recordar os efusivos adeuses a Reagan quando morreu três anos atrás. "Muitas pessoas acreditam", disse Gavin Esler na Newsnight da BBC, "que ele restaurou a fé na acção militar americana [e] era amado até pelos seus adversários políticos". No Daily Mail, Esler escreveu que Reagan "corporificava o melhor do espírito americano — a crença optimista de que os problemas podem ser resolvidos, de que amanhã será melhor do que hoje, e de que os nossos filhos serão mais ricos e mais felizes do que nós somos".

Tantas idiotices acerca de um homem que, como presidente, foi responsável pelo banho de sangue na América Central durante a década de 80, e pela ascensão do próprio terrorismo que produziu a al-Qaeda, tornaram-se uma mentira acreditada e propagada por todos os meios. A participação de Reagan em Sicko é um raro vislumbre da verdade da sua traição ao país dos colarinhos azuis que ele dizia representar. As trafulhices de um outro presidente, Richard Nixon, e de uma aspirante a presidente, Hillary Clinton, são igualmente reveladas por Moore.

Exactamente quando parecia que pouco restava a dizer acerca do grande trafulha do Watergate, Moore extrai das fitas da Casa Branca de 1971 uma conversação entre Nixon e John Erlichman, seu ajudante que acabou na prisão. Um rico apoiante do Partido Republicano, Edgar Kaiser, chefe de uma das maiores companhias de seguro de saúde, está na Casa Branca com um plano para "uma indústria nacional de cuidados de saúde". Erlichman remete-o para Nixon, o qual está aborrecido até que a palavra "lucro" é pronunciada.

"Todos os incentivos", diz Erlichman, "correm do modo certo: quanto menos cuidados [médicos] eles lhes derem, mais dinheiro eles fazem". Ao qual Nixon replica sem hesitação: "Boa!" A cena seguinte mostra o presidente a anunciar à nação um grupo de trabalho que fará um sistema "dos melhores cuidados de saúde". Na verdade, é um dos piores e mais corruptos do mundo, como mostra Sicko, negando a humanidade comum a uns 50 milhões de americanos e, para muitos deles, o direito à vida.

A sequência mais assombrosa é capturada por uma câmara de segurança numa rua de Los Angeles. Uma mulher, ainda com o seu avental de hospital, cambaleia através do tráfego, para onde foi atirada pela companhia (aquela fundada pelo apoiante de Nixon) que dirige o hospital ao qual estava autorizada. Ela ainda está mal e assustada e não tem seguro de saúde. Ainda usar a sua pulseira de admissão, embora o nome do hospital tenha sido cuidadosamente apagado.

Mais tarde encontramos este fascinante casal liberal, Bill e Hillary Clinton. É o ano de 1993 e o novo presidente está a anunciar a designação da primeira dama como aquela que cumprirá a sua promessa de dar à América um cuidado de saúde universal. E aqui está a própria "encantadora e inteligente" Hillary, quando um senador chama-a, lançando a sua "visão" para o Congresso. O retrato de Moore da loquaz, trocista e sinistra Hillary recorda Bob Roberts , a soberba sátira política de Tim Robbins. Você sabe que o seu cinismo já está na sua garganta. "Hillary", informa a voz de Moore, "foi premiada pelo seu silêncio [em 2007] como a segunda maior receptora do Senado de contribuições da indústria de cuidados de saúde".


Moore disse que Harvey Weinstein, cuja companhia produziu Sicko e que é amigo dos Clintons, quis cortar esta parte, mas ele recusou. O assalto ao candidato do Partido Democrático que provavelmente será o próximo presidente é um desvio de Mooore que, na sua campanha pessoal de 2004 contra George Bush, apoiou a candidatura presidencial de general Wesley Clark, que bombardeou a Sérvia, e defendeu o próprio Bill Clinton, afirmando que "nunca ninguém morreu devido ao sexo oral". (Talvez não, mas meio milhão de crianças iraquianas morreu devido ao sítio medieval de Clinton ao seu país, assim como milhares de haitianos, sérvios, sudaneses e outras vítimas das suas incontáveis invasões).

Com esta aparente nova independência, a destreza de Moore e o humor negro em Sicko, que é um brilhante trabalho de jornalismo, sátira e feitura de filmes, explica – talvez ainda melhor do que os filmes que lhe deram fama, Roger and Me, Bowling for Columbine e Fahrenheit 9/11 – sua popularidade e influência, assim como seus inimigos. Sicko é tão bom que você esquece os seus viéses, nomeadamente a romantização de Moore do Serviço Nacional de Saúde britânico, ignorando um sistema de dois níveis que negligencia os idosos e os doentes mentais.

O filme abre com um amargo carpinteiro a descrever como teve de fazer uma escolha depois de dois dedos serem cortados por uma serra eléctrica. A escolha era US$60.000 para restaurar um dedo indicador ou US$12.000 para restaurar um dedo médio. Ele não podia permitir-se arcar com as despesas de ambos, e não tinha seguro. "Sendo um romântico irremediável", diz Moore, "ele escolheu o dedo anular" no qual usa a sua aliança de casamento. O talento de Moore conduz-nos a cenas abrasadoras, ainda que não sentimentais, tais como a ira eloquente de uma mulher a cuja filha pequena foi negado cuidado hospitalar e morreu de um ataque. Poucos dias depois de Sicko ser lançado nos Estados Unidos, mais de 25 mil pessoas inundaram o sítio web de Moore com histórias semelhantes.

A Associação dos Enfermeiros da Califórnia e o Comité Organizador Nacional dos Enfermeiros enviaram voluntários para viajar com o filme. "No meu entender", diz Jan Rodolfo, um enfermeiro de oncologia, "ele demonstra o potencial para um verdadeiro movimento nacional porque obviamente está a inspirar muitas pessoas em muitos lugares".

A "ameaça" de Moore é a sua visão certeira a partir da base. Ele elimina a satisfação com a qual a elite da América e os media entretêm as pessoas comuns. Isto é um assunto tabú entre muitos jornalistas, especialmente aqueles que afirmam terem ascendido ao nirvana da "imparcialidade" e outros que declaram ensinar jornalismo. Se Moore simplesmente apresentasse vítimas como de costume, com corridas de ambulância, deixando os espectadores chorosos mas paralisados, ele teria poucos inimigos. Não seria encarado como um polemista e auto-promotor e todas as outras etiquetas pejorativas que aguardam aqueles que dão um passo para além das fronteiras invisíveis em sociedades onde se diz que a riqueza equivale à liberdade. Os poucos que escavam mais fundo na natureza de uma ideologia liberal que se considera a si própria como superior, ainda que seja responsável por crimes em proporções enormes e geralmente não reconhecidos, arriscam-se a serem eliminados do jornalismo "de referência", especialmente se forem jovens — um processo que um antigo editor certa vez descreveu-me como "uma espécie de defenestração gentil".

Ninguém avançou tanto como Moore, e os seus detractores são perversos ao dizer que ele não é um "jornalista profissional" quando o papel do jornalista profissional é tantas vezes o de servir com zelo, ainda que subrepticiamente, o status quo. Sem a lealdade destes profissionais no New York Times e outras augustas instituições mediáticas "de registo" (a maior parte delas liberal), a invasão criminosa do Iraque poderia não ter acontecido e um milhão de pessoas hoje estariam vivas. Posicionado no lugar sagrado de Hollywood – o cinema – o Fahrenheit 9/11 de Moore lançou uma luz nos seus olhos, penetrou no buraco da memória, e contou a verdade. Eis porque audiências por todo o mundo aplaudiram-no de pé e com entusiasmo.

O que me impressionou quando vi pela primeira vez Roger and Me, o primeiro grande filme de Moore, foi que éramos convidados a gostar de americanos comuns pela sua luta e resistência e política que ia para além da barulhenta e falsificada indústria da democracia americana. Além disso, é claro que eles "captavam-no": que apesar de ser rico e famoso ele é, no fundo, um deles. Um estrangeiro a fazer algo semelhante arriscar-se-ia a ser atacado como "anti-americano", uma expressão que Moore utiliza muitas vezes como ironia a fim de demonstrar a sua desonestidade. De repente, ele despede-se da espécie de asneiradas sem sentido, como aquela de uma série da Radio 4 da BBC que apresentou a humanidade como pro- ou anti-americana enquanto o repórter extasiava-se acerca da América, "a cidade sobre a colina".

Igualmente tendencioso é um documentário chamado Manufacturing Dissent, o qual parece ter sido produzido para desacreditar, se não o Sicko, o próprio Moore. Feito pelos canadianos Debbie Melnyk e Rick Caine, ele diz mais acerca de liberais que gostam de ver os dois lados e os ciúmes invejosos dos presunçosos. Melnyk conta-nos ad nauseam o quanto ela admira os filmes e a política de Moore e é por eles inspirada, a segue procede a uma tentativa de assassínio do seu carácter com uma enxurrada de afirmações e boatos acerca dos seus "métodos", juntamente com abuso pessoa, tal como aquele do crítico que objectou quanto ao caminhar "balouçante" de Moore e mais alguém que disse considerar que Moore realmente odiava a América — era anti-americano, nada menos!

Melnyk critica Moore ao perguntar-lhe porque, na sua tentativa de obter uma entrevista de Roger Smith da General Motors, deixou de mencionar que já havia falado com ele. Moore disse que entrevistou Smith muito antes de começar a filmar. Quando ela por duas vezes intercepta o caminho de Moore, é certamente porque está envergonhada com a sua resposta afável. Se há um renascimento dos documentários, ele não é beneficiado por filmes como este.

Isto não significa sugerir que Moore não deveria ser criticado e desafiado sobre se ele, sim ou não, "excedeu-se" quanto às normas aceites, assim como o trabalho do reverenciado pai do documentário britânico, John Grierson, tem sido reexaminado e questionado. Mas a paródia irresponsável não é o caminho. Rodar a câmara em torno, como tem feito Moore, e revelar o "governo invisível" dos grandes poderes de manipulação e muitas vezes de propaganda subtil certamente é um caminho. Ao fazer assim, o autor de documentários rompe o silêncio e cumplicidade descritos por Günter Grass na sua confissão autobiográfica, Peeling the Onion, tal como a mantida por aqueles que "fingem a sua própria ignorância e atestam a de outro... distraindo a atenção de algo que se pretende esquecer, algo que no entanto recusa-se a ir embora".

Para mim, um Michel Moore anterior foi aquele outro grande denunciante "anti-americano", Tom Paine, que incorreu nas iras do poder corrupto quando advertiu que se à maioria do povo estava a ser recusada "as ideias da verdade", era tempo de derrubar o que chamou a "Bastilha das palavras" e que nós chamamos "os media". Esse tempo está mais que ultrapassado.
.

domingo, novembro 11, 2007

O pacto proposto por Menezes a Sócrates para a satisfação dos clientes e financiadores de ambos

Miguel Sousa Tavares - Expresso 11/11/2007

«Pacheco Pereira tem toda a razão: o pacto de dez anos proposto por Luís Filipe Menezes a José Sócrates, quanto às grandes obras públicas, é uma proposta indecorosa. Traduzida por miúdos, quer dizer o seguinte: “Independentemente de saber quem vai ganhar as eleições nos próximos dez anos, vamos pôr-nos de acordo em satisfazer os nossos comuns clientes e financiadores, para que eles tenham a segurança de saber que, seja quem for, os seus negócios estão seguros com qualquer um de nós”. Justamente o que seria de esperar de um partido que quer liderar a oposição e ser a principal alternativa de governo era que tivesse uma atitude diferente perante esse regabofe dos grandes negócios com o Estado. Se assim não for, as eleições servirão apenas para mudar o titular da conta no livro de cheques».



Sócrates – Menezes: uma dupla apostada em satisfazer os seus clientes e financiadores, para que estes tenham a segurança de saber que, seja com qual deles for (Sócrates ou Menezes), os seus negócios estarão sempre seguros.


sexta-feira, novembro 09, 2007

Usama Bin Laden não é procurado pelo FBI pelos atentados do 11 de Setembro de 2001

Se entrarmos na página do FBI onde estão referidos os dez criminosos mais procurados por esta polícia federal americana, surge-nos, no topo da página, esta imagem:




Se clicarmos em Usama Bin Laden surge esta página:



No topo da página:

Os dez fugitivos mais procurados pelo FBI

Assassínio de cidadãos norte-americanos fora do Estados Unidos;
conspiração para assassinar cidadãos norte-americanos fora do Estados
Unidos; ataque a instalações federais que resultaram em mortes





Na parte inferior da página:

Aviso

Usama Bin Laden é procurado relativamente aos atentados bombistas de 7 de Agosto de 1998 contra as embaixadas norte-americanas em Dar-es-Salaam na Tanzânia, e em Nairobi no Quénia. Estes ataques mataram para cima de 200 pessoas. Para além disso, Bin Laden é suspeito de outros ataques terroristas através do mundo.






A 5 de Junho de 2006, Paul V. Sheridan do Muckraker Report (site americano que denuncia escândalos) contactou o Quartel General do FBI, para saber porque é que o cartaz de Bin Laden não indicava que Usama também era procurado pela sua ligação aos atentados do 11 de Setembro. O Muckraker Report falou com Rex Tomb, Chefe das Relações Públicas da Investigação do FBI. Quando inquirido sobre porque é que não existia nenhuma menção aos atentados do 11 de Setembro na página de Usama Bin Laden, Tomb respondeu, "A razão de não serem mencionados os atentados do 11 de Setembro na página de Usama é porque o FBI não possui provas concretas que liguem Bin Laden aos atentados do 11 de Setembro."

Surpreendido pela facilidade com que o porta-voz do FBI fez uma declaração tão surpreendente, Paul V. Sheridan perguntou, "Como é possível?". Tomb continuou, "Bin Laden não foi formalmente acusado em relação aos atentados do 11 de Setembro." Sheridan perguntou, "Como é que é isso?". Tomb continuou, "O FBI recolhe provas. Assim que as provas são recolhidas, são entregues ao Departamento de Justiça. O Departamento de Justiça decide então se existem provas suficientes para apresentar a um júri de acusação (que determina se as provas são suficientes para uma acusação). No caso dos atentados bombistas às embaixadas americanas em 1998, Bin Laden foi formalmente indiciado e acusado por um grande júri. Não foi formalmente indiciado e acusado no caso dos atentados do 11 de Setembro porque o FBI não tem provas concretas que liguem os atentados a Bin Laden."


Comentário:

Em suma, as provas sobre a relação entre Bin Laden e os atentados do 11 de Setembro não são suficientemente fortes para levar o caso a tribunal, mas são inteiramente satisfatórias para justificar a invasão e o bombardeamento do Afeganistão e do Iraque, causando a morte de mais de um milhão de pessoas.
.

quinta-feira, novembro 08, 2007

O Sócrates do lado di lá, o Sócrates do lado di cá, e as jogadas feitas na sombra, tanto lá como cá

Miguel Sousa Tavares - Expresso 07/01/2006

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»



CartaCapital - O Campeonato Mundial de futebol de 2014 foi atribuído ao Brasil. Eis o que o antigo internacional brasileiro Sócrates tem a dizer sobre a futura Copa do Mundo de 2014 no Brasil:

O ex-internacional brasileiro Sócrates

"Pelo que eu conheço de quem está organizando esse evento, a Copa no Brasil será um carnaval de um mês, com muitos gastos e sem sobrar nada que se aproveite", disse o ex-jogador. "Não dá para acreditar em nada muito diferente disso."

"Agora que o compromisso foi assumido, a Copa terá de ser realizada, seja com o dinheiro de quem for, e muito provavelmente será do contribuinte. Pode ter certeza que essa Copa vai tomar muito dinheiro de todos."

Sócrates também é contra a construção de novos estádios para receber as partidas do Campeonato Mundial de Futebol. Isso porque, para o ex-jogador, as novas arenas só serviriam como "mausoléus".

"Para quê construir mais estádios se nem os que estão aí são bem administrados?", questiona Sócrates. "Para desperdiçar mais dinheiro, para ficarmos com mais elefantes brancos, para termos mais campos abandonados e sem uso? Não faz sentido."



Do lado de cá do Atlântico, temos a sorte de ter um Sócrates com "vistas mais largas":

Público - 4 de Fevereiro de 2005

A 12 de Fevereiro de 2005 António José Seguro lembrou as responsabilidades de Sócrates na realização do Euro-2004: "Hoje, como no Euro-2004, houve um homem que lançou a semente, a semente de uma força que ninguém pode parar. Esse homem chama-se José Sócrates, futuro primeiro-ministro de Portugal", acentuou.


Contudo, depois de terminado o campeonato Europeu, a 21/05/2004, o Correio da Manhã avaliava o impacto do Euro 2004:

E o dinheiro investido neste espectáculo de grande escala também não teve grande retorno. Quase seis meses depois do Euro 2004, alguns estádios onde foram investidos milhões de euros para receber a prova estão «às moscas». Dos recintos do Euro2004, só os dos «três grandes» tiveram sucesso comercial.

Numa auditoria desenvolvida pelo Tribunal de Contas junto dos estádios de Guimarães, Braga, Leiria, Coimbra, Aveiro, Loulé e Faro, ficou claro que todos custaram mais do que o orçamentado, e que as autarquias se endividaram para os próximos 20 anos. As sete autarquias que receberam jogos do Euro 2004 contraíram empréstimos bancários no valor global de 290 milhões de euros para financiar obras relacionadas com o campeonato. Na sequência destes empréstimos, as câmaras terão que pagar juros no montante de 69,1 milhões de euros, nos próximos 20 anos, refere o relatório de auditoria do Tribunal de Contas.



O Estádio do Algarve, imagem de marca do Eng.º Sócrates, um mausoléu tão inútil como ruinoso, prenunciador das OTAS e dos TGVs em que o Primeiro Ministro português se mostra tão fortemente empenhado. Como diz Miguel Sousa Tavares, vai custar caro, muito caro, aos portugueses, enquanto o grande dinheiro agradece e aproveita.
.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Simon Wiesenthal, um negacionista do Holocausto disfarçado de caçador de nazis?




A propósito das incontáveis testemunhas do Holocausto


O Site scrapbookpages.com (Páginas_do_Álbum_de_Recortes.com) é um site com bastante informação sobre o Holocausto. Na secção «About Us» informam-nos:

«Este website não está ligado a nenhuma organização e não tem nenhuma agenda política. O nosso objectivo é fornecer informações aos turistas sobre o que podem esperar sobre lugares com interesse histórico como os campos de concentração de Dachau, Auschwitz e Theresienstadt.»


No último parágrafo da página Survivors (Sobreviventes) do campo de concentração de Mauthausen do site scrapbookpages.com, temos o paradoxal testemunho de um dos mais célebres sobreviventes do Holocausto:

Simon Wiesenthal

Simon Wiesenthal, um judeu nascido na Áustria em 1908, é talvez o mais conhecido sobrevivente do campo de concentração de Mauthausen. Wiesenthal chegou a Mauthausen em Fevereiro de 1945, após ter sido evacuado do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Wiesenthal é um dos poucos sobreviventes de Mauthausen que afirma que não existiam câmaras de gás nesse campo. Wiesenthal trabalhou para o Gabinete de Crimes de Guerra norte-americano de 1945 até 1947 e fundou o Centro de Documentação Judaico em Linz (na Áustria) em 1947. Mudou-se para Viena em 1961 e tem trabalhado incansavelmente na caça de criminosos de guerra nazis. O Simon Wiesenthal Center em Los Angeles é assim chamado em sua honra.


Mas a negação, por parte de Simon Wiesenthal, da existência de câmara de gás em Mauthausen vem contrariar centenas de testemunhas, incluindo o próprio comandante do campo, Frank Ziereis:

Segundo a versão oficial, poucos dias depois de 3 de Maio de 1945, o comandante do campo Frank Ziereis deixou o campo de Mauthausen, na companhia da sua mulher, mas foi perseguido por soldados americanos que o encontraram na sua cabana de caça no monte Phyrn na Upper Austria (um Estado da Áustria) a 23 de Maio de 1945. Segundo o seu biógrafo, Ziereis foi alvejado três vezes e ficou gravemente ferido enquanto tentava escapar. Depois da sua morte, um ou dois dias depois fruto dos ferimentos, os soldados americanos entregaram o seu corpo aos ex-prisioneiros, que enforcaram o cadáver numa cerca do campo de Gusen, onde o corpo foi deixado várias semanas. Nesta versão da história, Ziereis foi interrogado por Hans Marsalek e Francisco Boix (ex-prisioneiros) enquanto esteve moribundo.

Frank Ziereis, o comandante do campo de concentração de Mauthausen já moribundo depois de ter sido alvejado

Na sua confissão, que foi escrita de memória dez meses depois por Hans Marsalek, um dos prisioneiros que o interrogou, Frank Ziereis nomeou o Dr. Krebsbach como o homem responsável para colocar em funcionamento a câmara de gás em Mauthausen. Também confessou ter pessoalmente conduzido uma «Gas Van» (camioneta de caixa fechada onde as vítimas morriam envenenadas com o monóxido de carbono proveniente do motor) entre Mauthausen e Gusen, matando prisioneiros com monóxido de carbono pelo caminho.


E ainda tantas outras testemunhas:

Quando o Terceiro Exército libertou o infame Campo de Concentração Nazi de Mauthausen a 5 de Maio de 1945, encontraram corpos de vários prisioneiros mortos na câmara de gás. De acordo com o Museu de Mauthausen o ultimo gaseamento de prisioneiros no campo principal aconteceu a 28 de Abril de 1945, a semanas apenas da libertação.

A 21 de Abril de 1945, a Cruz Vermelha começou a evacuar prisioneiros do campo, mas a operação de gaseamentos ainda continuou durante o tempo em que o representante da Cruz Vermelha, Louis Haeflig, esteve no campo. Uma marca na câmara de gás diz-nos hoje que Ludwig Haider foi gaseado a 23 de Abril de 1945, no mesmo dia em que uma camioneta da Cruz Vermelha levou alguns prisioneiros seleccionados para fora do campo, com a permissão do comandante.


A câmara de gás em Mauthausen disfarçada de chuveiros


Um prisioneiro de guerra americano, o tenente Jack Taylor, disse aos libertadores que esteve marcado quatro vezes para morrer na câmara de gás, mas que foi salvo por outros prisioneiros. A próxima data para o seu gaseamento seria 6 de Maio de 1945, mas os libertadores americanos salvaram-no no momento exacto.

Pierre-Serge Choumoff, um "Nacht und Nebel" (“Noite e Nevoeiro” - activista contra o regime nazi) prisioneiro do sub-campo Gusen, escreveu num dos seus livros que a câmara de gás de Mauthausen foi colocada em funcionamento em Março ou Maio de 1942 e que 3.455 prisioneiros foram gaseados. Escreveu também que os guardas SS removeram o equipamento de gaseamento da câmara a 29 de Abril de 1945, no dia em que o comandante Franz Ziereis entregou o campo à polícia de Viena. Uma marca na câmara confirma que os instrumentos de gaseamento foram retirados a 29 de Abril de 1945.

O narrador de um filme mostrado no Museu de Mauthausen confirma que as SS saíram a 3 de Maio de 1945 depois de removerem os instrumentos de gaseamento a 2 de Maio. O narrador explica que os prisioneiros eram gaseados “porque as metralhadoras eram demasiado barulhentas”. Contudo, o local das execuções onde os prisioneiros condenados eram mortos em Mauthausen era no mesmo edifício que a câmara de gás, e muito próximo desta.

De acrordo com o livro «Mauthausen: A história de um Campo da Morte» ("Mauthausen: The History of a Death Camp") de Evelyn Le Chene, calcula-se que um número combinado de 10.000 pessoas foram executadas por gaseamento na câmara de gás de Mauthausen, na camioneta Gas Van que circulava entre Mauthausen e Gusen, e nas câmaras de gás do castelo de Hartheim.

Paul Berben, um prisioneiro de Dachau, escreveu no seu livro «Dachau: a história oficial» ("Dachau: the Official History") que o médico chefe do campo de Dachau, o Dr. Julius Muthig, confessou o gaseamento de prisioneiros de Dachau na câmara de gás no campo de Mauthausen. Na confissão do médico, Berben escreveu que o Dr. Muthig afirmou que “os prisioneiros que não serviam para trabalhar eram sujeitos a eutanásia e transferidos para Mauthausen para serem gaseados”.

Um cano de água entra na câmara de gás através da parede sul


De acordo com o Museu Memorial do Holocausto Norte-Americano em Washington DC, uma câmara de gás foi construída no campo de concentração de Mauthausen, “provavelmente em 1941”. Disfarçada de chuveiro, a câmara de gás estava localizada no subsolo por baixo do edifício do hospital, que é agora o Museu no Site do Memorial de Mauthausen. Em relação à câmara de gás, o website do Museu Americano tem a seguinte informação:

"Enquanto a maior parte dos prisioneiros eram mortos a tiro, enforcados, espancados, com fome e por doença, Mauthausen tinha uma câmara de gás capaz de matar cerca de 120 pessoas de cada vez. A câmara de gás era normalmente utilizada quando transportes de prisioneiros chegavam. Demonstrações especiais de assassínios em massa eram organizados em honra da visita de dignitários nazis, tais como Heinrich Himmler, Ernst Kaltenbrunner, e Baldur von Schirach, que tinham oportunidade de observar os assassínios através de uma pequena vigia na porta de entrada."

"Periodicamente, prisioneiros do sistema de campos de Mauthausen submetiam-se a selecções. Aqueles que os nazis consideram demasiado fracos ou doentes para trabalhar eram separados dos outros prisioneiros e mortos na própria câmara de gás de Mauthausen, em camionetas «Gas Van» ou no vizinho centro de morte por eutanásia de Hartheim. Os médicos do campo na enfermaria usavam injecções de fenol para matar doentes demasiado fracos para andarem."


Comentário:

E agora viveremos eternamente na dúvida: existia de facto uma câmara de gás no campo de concentração de Mauthausen, como atestam centenas de testemunhas, ou não existia nenhuma câmara de gás, como assevera Simon Wiesenthal, o caçador de nazis que lá esteve internado?
.

sábado, novembro 03, 2007

Será Portugal apenas uma reserva privada da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP)?

Fernando Madrinha - Jornal Expresso - 3/11/2007:

O país da CIP

Mais fácil de construir e de mais rápida construção, mais prático, mais perto de Lisboa, mais amigo do ambiente, menos três mil milhões de euros. Pelo mapa do ministro Mário Lino, Alcochete fica à beira do deserto, mas, depois de tudo o que já foi dito e escrito sobre as vantagens que oferece para a construção do novo aeroporto, quem vai ainda defender a Ota? De repente, dois estudos feitos no prazo de poucos meses esmagam toda a argumentação e pulverizam todos os trabalhos dos últimos 40 anos que culminaram na opção Ota. Dúvida primeira: como é que, em tantos anos, ninguém foi a Alcochete? Os dois estudos foram elaborados em tempo-recorde pelos mais reputados especialistas de todas as áreas, pagos por um grupo de empresários inteiramente desinteressados, como jura Francisco Van Zeller, e tão humildes que nem querem ser conhecidos. Dúvida segunda: isto passa-se em Portugal, ou é outro o país da CIP?


Existem ainda outros estudos que Madrinha não refere:


Associação Comercial do Porto diz que Portela+Montijo é viável

Ricardo David Lopes - Jornal de Notícias - 27/10/2007

A viabilidade da solução Portela+Montijo deverá ser a principal conclusão do estudo promovido pela Associação Comercial do Porto (ACP), que estará concluído ainda em Novembro e que aponta a infra-estrutura da Margem Sul como base para voos "low cost" para Lisboa.

Ao que o JN apurou, são vários os argumentos a favor do Montijo como solução complementar à Portela que, aliás, o presidente da ACP, Rui Moreira, já defendeu várias vezes publicamente. O facto de já haver pistas, de não ser preciso fazer terraplanagens nem expropriações, e de também já existirem infra-estruturas para o abastecimento de combustíveis às aeronaves são algumas das razões que tornam esta solução económica e competitiva.

Acessibilidades garantidas

Mas também nas acessibilidades o Montijo apresenta mais-valias a futura linha de alta velocidade deverá passar pelo Pinhal Novo, à qual pode fazer-se uma ligação ferroviária aproveitando uma linha convencional que, apesar de estar desactivada, pode ser retomada. Ora, através do Pinhal Novo, pode fazer-se também a ligação aos comboios da Fertagus, para Lisboa, assim como para o Algarve a Alentejo. E há, também ligações fluviais do Montijo ao Cais do Sodré, em Lisboa.

O investimento na adaptação do Montijo para receber "low cost", garantiram fontes do sector dos transportes ao JN, é reduzido e seguramente inferior ao que está previsto para o Aeroporto de Beja (32 milhões de euros), permitindo criar uma infra-estrutura simples capaz de oferecer aquilo de que as "low cost" precisam baixas taxas aeroportuárias. Os espanhóis, lembram as fontes, vão abrir em 2009 um aeroporto só para "low cost" em Badajoz, cujo investimento foi de apenas 12 milhões de euros.

O Governo, recorde-se, tem insistido que é inviável haver duas infra-estruturas a funcionar em simultâneo, mas a verdade é que as projecções oficiais para o aeroporto de Beja demonstram que viabilizar uma infra-estrutura para "low cost" não é difícil. Segundo as projecções, realizadas pela empresa para o Desenvolvimento do Aeroporto de Beja (que abre em 2008 como apoio a Faro e implica um investimento de 32 milhões), a infra-estrutura pode estar "paga" em 2026. Como? Partindo do princípio de que receberá um milhão de passageiros/ano a partir de 2015 e que as taxas aeroportuárias por passageiro evoluem de 6 a 8 euros entre 2015 e 2025.

Taxas pagam Montijo

A Portela - onde as taxas rondas os 30 euros - recebe actualmente dois milhões de passageiros/ano de "low cost" (17% do tráfego total), lembram as fontes. Ora, sendo o investimento no Montijo inferior ao de Beja e havendo a garantia de que, logo à partida, há muito mais passageiros que na capital do Baixo Alentejo, "cai por terra" o argumento da inviabilidade económico-financeira do Montijo, dizem as fontes.

Sem "low cost" na Portela, a TAP teria espaço para crescer, assim como outras companhias que usam o aeroporto nas suas rotas regulares. Se, por outro lado, se optar por um aeroporto de raiz, seja na Ota ou Alcochete, as taxas não serão competitivas para o crescimento das "low cost", que poderão "fugir" para Badajoz. Ou, ainda, para o aeroporto Madrid-Sur, para "low-cost", em Ciudad Real que vai "competir" com Barajas, oferecendo taxas mais baixas para estas companhias.

O Montijo, recorde-se, foi também dado como viável por um estudo da ANA - Aeroportos de Portugal em 1994.
.