terça-feira, dezembro 18, 2007

André Rogerie - um corrupio entre campos de extermínio nazis e blocos hospitalares em Auschwitz

André Rogerie, tinha 21 anos quando foi preso pela Gestapo a 3 de Julho de 1943, quando tentava juntar-se às tropas francesas no Norte de África. Passou pelos campos de Buchenwald, Dora, Maïdanek, Auschwitz, Gross-Rosen, Nordhausen e Harzungen.

Em 1945, escreveu uma obra intitulada "Vivre c’est Vaincre" [Viver é Vencer]. Este livro foi escrito após o regresso da sua deportação, porque desde 1943, André estava animado pela convicção de que era necessário fazer saber ao mundo o que ele lá viveu e o que ele lá viu.

No prefácio da reedição do seu livro, em 1988, escreveu: "Tendo assistido pessoalmente ao que se chama hoje «Holocausto», creio ser o meu dever, como testemunha ocular, de imprimir novamente este documento histórico para que aqueles que procuram a verdade sobre este período encontrem um testemunho autêntico". Contra os negacionistas, André Rogerie traz-nos o testemunho de um deportado que viu o genocídio dos Judeus.

Tendo subido ao posto de General, André Rogerie recebeu em 1994 o prémio "Mémoire de la Shoah" [Memória do Holocausto Judeu] da Fundação Bushmann. A 16 de Janeiro de 2005, no Hôtel de Ville em Paris, por ocasião da comemoração da libertação do campo de extermínio de Auschwitz, André foi, a par com a senhora Simone Veil, um de dois sobreviventes dos campos a testemunhar.

André Rogerie foi deportado para Dora, adoeceu, foi considerado inapto para o trabalho e, depois de algumas peripécias, chega a Auschwitz-Birkenau em Abril de 1944, nessa altura ele não pesa mais de quarenta quilos.

«Os prisioneiros com fatos às riscas estão lá para nos receber. É um comando especial. Em geral são muito simpáticos e ajudam-nos a descer, e depois a subir para os camiões. Estamos muito cansados, chegamos extenuados e a ajuda que nos deram não foi inútil» (pág. 63).

André Rogerie depois de passar pela desinfecção vai para um bloco de quarentena. Ao fim de cinco semanas, pesa 43 kg. Ao ver o seu estado de magreza, o médico envia-o para o campo-hospital (pág. 69): «fomos colocados num bloco muito simpático. O chão está coberto com um pavimento, há janelas, as camas estão espaçadas umas das outras, os cobertores são bons. A sopa é abundante e pela primeira vez desde há uns tempos eu comia o suficiente» (pág. 69).

Ao verificar-se que tinha sarna, foi enviado para o bloco 15, «reservado às doenças de pele» (pág. 70). «Todos os dias, o suplemento de sopa é distribuído àqueles que estão mais magros […] vou portanto para a fila (sempre em camisa) para o meu suplemento». «Em poucos dias, voltei a ter cinquenta quilos. Graças às pomadas do doutor Landemann, a minha pele está completamente sarada» (pág. 71).

No dia em que devia finalmente sair do hospital para trabalhar, André Rogerie ficou com febre: «Os médicos auscultaram-me uns após outros e desconfiaram que eu tinha malária. O doutor Herz recolheu uma gota do meu sangue para que fosse estudada no microscópio […] o laboratório respondeu na manhã seguinte a dizer que a malária não foi detectada. Eu tenho o sangue muito puro […]. Continuo portanto a viver no bloco 15 com a minha pequena febre semanal […]. Pouco a pouco, graças aos bons cuidados de Piccos, a agulha da balança sobe e em Julho eu já peso 56 quilos» (pág. 72).

«Eis que, ainda por cima, eu contraio uma doença do couro cabeludo que é tratada por depilação. É necessário rapar todo o cabelo, pêlo a pêlo. Para isso, sou levado para o campo das mulheres para ir ao aparelho de raios X, porque não falta nada em Birkenau».

Pouco depois, André Rogerie seria inscrito num comando de trabalho.


Comentário:

Poucos deportados terão tido tanta sorte como o prisioneiro André Rogerie. Não só passou incólume por sete campos de extermínio - Buchenwald, Dora, Maïdanek, Auschwitz, Gross-Rosen, Nordhausen e Harzungen, como, dentro do campo de extermínio de Auschwitz, correu quase todos os blocos hospitalares do campo:

André Rogerie depois de passar pela desinfecção foi para um bloco de quarentena. Cinco semanas depois o médico envia-o para o campo-hospital. Ao verificar-se que tinha sarna, foi enviado para o bloco 15, reservado às doenças de pele. Ao contrair uma doença no couro cabeludo tem de ir ao aparelho de raios X que fica situado no campo das mulheres.

Em face da existência de tantos blocos hospitalares no campo de extermínio de Auschwitz, é difícil discordar de André Rogerie: «não falta nada em Auschwitz-Birkenau».
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domingo, dezembro 16, 2007

Viva Sócrates, viva a presidência portuguesa, viva a frontalidade do Expresso

Henrique Monteiro - Expresso 16/12/2007

O orgulho de Portugal

«Nesta, que foi a última presidência portuguesa da União Europeia (...) simbolicamente, Portugal voltava aos destinos que dele fizeram uma nação decisiva há 500 anos

«Contra todas as expectativas, não só a presidência portuguesa se saiu bem de todas as iniciativas, como conseguiu surpreender pelo rigor com que as organizou.»

«Como muitos afirmam, é cedo para avaliar o real impacto destas iniciativas. Porém, à presidência exigia-se que congregasse esforços, quebrasse o gelo ou articulasse vontades. E nesse aspecto, José Sócrates, Luís Amado e todos os que colaboraram para o sucesso da presidência (sem esquecer Durão Barroso) merecem o nosso reconhecimento

«O Expresso, com a mesma frontalidade com que os critica, manifesta-lhes o orgulho que sentiu no papel de Portugal na Europa e no mundo nestes últimos seis meses.»


Miguel Sousa Tavares (no mesmo jornal):

«Vivemos dias de verdadeiro circo político. Eu sei que esta é a época dos circos descerem à cidade, mas ao menos que tragam leões e trapezistas, elefantes e malabaristas, e não este estendal de vazio e demagogia que por aí tem andado à solta entre os nossos queridos dirigentes europeus.»

«José Sócrates tem vivido noutro planeta - lá onde ele é um grande estadista e onde, de braço dado com Durão Barroso, representou uma Europa onde já ninguém se revê, o lugar do menor denominador comum da política. No fim-de-semana passado tivemos a Cimeira UE-África e a pomposa ‘Declaração de Lisboa’ - coisa ‘histórica’ para Sócrates, que se vê a fazer História a cada passo, e na realidade uma Magna Carta de inutilidades e hipocrisias


Comentário:

Qual destas duas frontalidades, a de Henrique Monteiro ou a de Sousa Tavares, já que opostas, apresentará um coeficiente menor de enviesamento?

sábado, dezembro 15, 2007

O Blogue-Chat


O Blogue-Chat consiste num Site na Internet onde são colocados assuntos, mais ou menos elaborados, sob a forma de Posts, e numa Caixa de Comentários onde as pessoas, em tom ameno, imergem em diálogos que primam pela simplicidade e nada têm a ver com o assunto do Post.

Um excelente exemplo do tipo Blogue-Chat é o Site do Pedro Arroja, que dá pelo nome de Portugal Contemporâneo, e que no dia 14 de Dezembro de 2007 apresentava o seguinte artigo:


14 Dezembro 2007

leitura recomendada

Joaquim Sá Couto, O Sonho Americano e o Pesadelo Europeu, Porto: Vida Económica, 2003 (Prefácio meu).

Ler Mais...

Publicada por Pedro Arroja em 20:07 Comments (59) Trackback Hiperligações para esta mensagem



De seguida, uma sequência de 12 comentários ao referido Post (tirados da respectiva caixa de comentários), que espelham o nível de aprofundamento a que o assunto foi sujeito:

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Isto está um verdadeiro chat! Disto, só mesmo no PC (marketing).

rui a. 12.15.07 - 12:30 am #
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Já me cai muito melhor.

rui a. 12.15.07 - 12:29 am #
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No meu caso, Rui, é a FDC.

Lololinhazinha 12.15.07 - 12:29 am #
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Eu a falar na FDL e você obcecado com mulheres.

rui a. 12.15.07 - 12:28 am #
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Afinal de contas, as meninas de hoje, em comparação com as mulheres de ontem, são muito voláteis, não é?

P. Arroja

Anonymous 12.15.07 - 12:27 am #
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Ó Pedro, vamos fazer uns postezinhos sobre a FDL? Acho que estão a pedi-las.

rui a. 12.15.07 - 12:27 am #
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Tenha juízo, Pedro!

Lololinhazinha 12.15.07 - 12:26 am #
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E a reconhecerem que têm muito a aprender com a zazie, a quem ainda hão-de chamar mamã. Tudo neste blogue.

P. Arroja

Anonymous 12.15.07 - 12:26 am #
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Ainda hei-de vê-las a prestar homenagem ao Euroliberal. E neste blogue.

P. Arroja


Anonymous 12.15.07 - 12:25 am #
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Que elas haviam de cair na rede, eu nunca tive dúvidas. A prazo, as mulheres querem a companhia de homens a sério. Eu considero um triunfo a lololinhazinha e a tina terem finalmente assumido a sua condição de comentadoras neste blogue. Sinal de decadência para outros blogues...

P. Arroja


Anonymous 12.15.07 - 12:21 am #
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«as mulheres são responsáveis pelo fundamentalismo religioso.» Ó Lóló, olhe que por algumas que conheço, ia a Fátima a pé.

rui a. 12.15.07 - 12:20 am #
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235 comentários? Só você!

rui a. 12.15.07 - 12:19 am #



Comentário:

E o prémio para o melhor comentário vai para o próprio autor do post, Pedro Arroja, com o seguinte aforismo:

«Que elas haviam de cair na rede, eu nunca tive dúvidas. A prazo, as mulheres querem a companhia de homens a sério. Eu considero um triunfo a lololinhazinha e a tina terem finalmente assumido a sua condição de comentadoras neste blogue. Sinal de decadência para outros blogues...»

quinta-feira, dezembro 13, 2007

O Fim do Emprego


O Fim do Emprego - Célia Berleze, Gisabele Parize

Texto em português do Brasil:

É preocupante pensar no futuro em relação ao emprego pois, a sociedade está caminhando para um declínio dos empregos. Esta nova fase é resultado do surgimento de novas tecnologias, como o processamento de dados, a robótica, as telecomunicações e as demais tecnologias que aos poucos vão repondo máquinas nas actividades anteriormente efectuadas por seres humanos. De facto, o que vemos hoje é a automatização de escritórios, comércio e indústria a níveis nunca antes observados. Computadores fazem o trabalho de dezenas de seres humanos; robôs, de milhares e a custos infinitamente inferiores, sem férias, dores de cabeça, TPM ou benefícios.

Uma previsão é que os trabalhos perdidos pelo ser humano para as máquinas nunca mais serão feitos por homens. Jeremy Rifkin , autor do livro “O Fim do Emprego”, desmistifica no seu livro todos os paradigmas promovidos pelos interesses de empresários, que garantem que a automatização de seus empreendimentos, apenas irá estimular o crescimento económico.

O autor afirma que a automatização proveniente de máquinas e computadores oferece um ganho em produtividade e uma redução de custos, que a princípio dá a falsa visão de que mais pessoas poderão entrar no mercado de consumo e adquirir bens. O mesmo produto que era inatingível para alguns consumidores, décadas atrás, está hoje em dia nas prateleiras a preços muito acessíveis. Mas a questão é que as pessoas estarão sendo desempregadas.

A teoria - automatização gera maior produção, o que gera a produtividade, que gera preços baixos, os quais aumentam a procura, aumentando por sua vez a produção que aumenta o nível dos empregos - é rejeitada por Rifkin, já que a cadeia é correcta a não ser na sua conclusão: a produção, hoje, não aumenta o nível dos empregos, mas sim traz mais automatização reduzindo o trabalho dos seres humanos.

Cada nova inovação traz um aumento de produtividade. Cada inovação, no entanto, tem colocado à margem do trabalho milhares de operários cujas funções eram redundantes com o que a nova tecnologia trouxe.

No passado, afirma Rifkin, estas "vítimas" do desemprego causado por novas tecnologias eram absorvidas por outros sectores do ciclo laboral. Desempregados da indústria de alta tecnologia iam para a indústria de baixa, os de baixa para os serviços, os de serviços para a construção, os de construção para a agricultura e assim sucessivamente. Hoje em dia, com tecnologias de ponta até na agricultura, como ceifeiras-debulhadoras automáticas, milhares de trabalhadores estão sendo substituídos por máquinas que fazem o mesmo trabalho a um custo inferior e em turnos ininterruptos.

Uma realidade, no entanto, está prevista por Rifkin: por mais que o nível de empregos decline, nem todos estarão desempregados na nova sociedade baseada na informação. Para ele, um pequeno número de trabalhadores no sector da informação e do conhecimento irá prosperar, já que o seu "know-how" será cada vez mais necessário em criação, desenvolvimento e manutenção dos equipamentos necessários à automação. Os profissionais da tecnologia se constituirão em uma nova elite da sociedade. Outro segmento que irá sobreviver na nova economia global será o da alta administração. Rifkin oferece-nos dados e afirma que os altos executivos actuais são o segmento que mais tiveram os seus rendimentos aumentados nos últimos 50 anos.

As vagas que estão desaparecendo, principalmente nos níveis mais baixos da produção, poderão afectar as taxas de criminalidade nos países mais desenvolvidos, já que o desempregado sem esperança afluirá às ruas em atitudes de descontentamento e violência.

O resultado da introdução da tecnologia tem possibilitado às empresas demitir trabalhadores criando um verdadeiro exército de desempregados. Os que permanecem nos empregos, no entanto, sentem-se obrigados a trabalhar cada vez mais, por salários cada vez menores. As empresas que se auto denominam "competitivas" têm optado por trabalhar com uma folha de pagamento cada vez menor, obrigando os trabalhadores a produzir mais.

Uma solução para contra atacar os impactos criados pela tecnologia cabe aos governos. Consiste em que eles criem um maior apoio para o que Rifkin chama de "Terceiro Sector" ou sector social, onde, diferentemente dos sectores comerciais, as mudanças de ganhos e perdas são menos importantes, e o que importa no fim é o aspecto social.




Comentários de Viviane Forrester:

«Dizem sempre que temos de nos adaptar. Digo que não há razão para se adaptar ao insuportável. Falam do desemprego como se fosse algo natural e inevitável. Na verdade, se se escutar boa parte dos discursos sobre a situação mundial tem-se a impressão de que estamos a sair de uma catástrofe mundial, de que estamos numa situação trágica à qual temos de nos adaptar. Mas onde está a catástrofe? Por que é que na França, que é a quarta economia do mundo, é natural que existam 2 milhões de desempregados e 1,3 de trabalhadores pobres? A estas questões a política ultraliberal não tem resposta

«Mas isso é esquecer que essa empresa já era próspera quando empregava os que actualmente manda embora. Não é o seu volume de negócios que deseja aumentar, mas, justamente porque está próspera, quer aumentar o lucro que tira e que os seus accionistas tiram desse volume de negócios. E não é criando empregos que lá chega, mas expulsando empregados

«Somos intimados a combater 'défices públicos' que são, de facto, 'benefícios para o público': essas despesas consideradas supérfluas, mesmo nocivas, cujo único defeito é não serem rentáveis e serem perdidas para a economia privada, representarem cessações de lucros, insuportáveis para ela. Ora essas despesas são vitais para os sectores essenciais da sociedade, em particular os da educação e da saúde. Não são 'úteis' nem sequer 'necessárias': são indispensáveis, delas dependem o futuro e a sobrevivência de toda a civilização.»

«O que é a economia? A organização, a distribuição da produção em função das populações, do seu bem-estar? Ou a utilização ou a marginalização das populações em função de flutuações financeiras anárquicas, sem ligação com as pessoas, mas exclusivamente ligadas ao lucro, e em detrimento delas? Estaremos numa verdadeira economia ou, pelo contrário, na sua negação

«Não faz sentido mandar desempregados procurar emprego num mundo onde o trabalho já não existe e, mais do que isso, já não interessa.»

«Está na hora de a sociedade pensar noutra forma de viver, uma forma que não dependa de emprego. Os homens e o seu trabalho são hoje absolutamente desnecessários à economia. Não é mais o trabalho que gera o lucro, é a economia virtual (as aplicações, os papéis, um mundo globalizado que ignora o trabalhador). Os empregos não existem, tampouco passarão a existir no futuro.»

«Está instalada a era do liberalismo, que soube impor a sua filosofia sem ter realmente que formulá-la e nem mesmo elaborar qualquer doutrina, de tal modo estava ela encarnada e activa antes mesmo de ser notada. O seu domínio anima um sistema imperioso, totalitário em suma, mas, por enquanto, em torno da democracia e, portanto, temperado, limitado, sussurrado, calafetado, sem nada de ostentatório, de proclamado. Estamos realmente na violência da calma
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quarta-feira, dezembro 12, 2007

O novo paradigma do «faça-você-mesmo» numa nova base tecnológica


Rádio Renascença - 7/12/2007:

O presidente da Portugal Telecom (PT), Henrique Granadeiro, avisa que no próximo ano os despedimentos vão continuar na empresa.

Em entrevista à SIC Notícias, Henrique Granadeiro adianta que deverão ser dispensadas mais de 600 pessoas.

"Este ano despedimos 600 pessoas. Corta o coração dizer isto, mas para o ano, provavelmente, despediremos um pouco mais. As tecnologias não criam um desenvolvimento de emprego, criam empregos mais qualificados", disse.


Tese:

Não obstante a "sincera tristeza" com que Henrique Granadeiro encara o despedimento de mais algumas centenas de pessoas, o presidente da PT fez uma afirmação muito curiosa: "as tecnologias não criam um desenvolvimento de emprego, criam empregos mais qualificados", querendo significar com isto que as novas tecnologias, podendo embora produzir um número cada vez menor de empregos muito especializados, vão crescentemente acabar com o emprego. E, neste ponto, estou absolutamente de acordo com ele:

Façamos um recuo de 10.000 anos na história e voltemos ao pré-neolítico (anterior à agricultura). Para o objectivo desta tese vamos subestimar o peso da tecnologia desse tempo. Nessa altura existiam duas grandes forças de trabalho: o homem e a natureza.

Por um lado, a natureza produzia as plantas (árvores que forneciam madeira, frutos, cereais, legumes, erva para os animais, etc.); a natureza produzia os animais (reproduzia-os, alimentava-os e desenvolvia-os); e a natureza produzia os minerais (rochas, metais, cristais, etc.). O homem nada tem a ver com esta produção. É uma produção totalmente autónoma. É a natureza que coloca o fruto na árvore, que faz crescer o cereal, que põe o coelho na toca e o veado na floresta. Tudo isto aconteceria mesmo que o homem não existisse.

Por outro lado temos o trabalho do homem. O homem pega na madeira das árvores e nas pedras e constrói a sua casa. O homem caça o coelho, o veado, o javali e alimenta-se. O homem colhe o fruto, o cereal, o legume e alimenta-se. Com peles de animais e com determinadas plantas tece as suas roupas e cose os seus sapatos. Com madeira e minérios diversos produz os seus utensílios e as suas armas.

Em suma, a natureza produz, de forma totalmente autónoma, determinados bens e o homem recolhe-os e, com mais ou menos alterações, consome-os.

Com o passar da História, a estas duas forças de trabalho (a natureza e o homem), junta-se uma terceira que ganha peso a cada século que passa: a tecnologia.

A civilização vai evoluindo com a tecnologia e surge a escrita, a roda, o moinho, o barco à vela, a carroça, a imprensa, a caldeira a vapor, o caminho de ferro, o motor de combustão interna, as ferramentas eléctricas, o avião, o computador, o software, as telecomunicações e a automação.

Na soma do trabalho total (natureza + homem + tecnologia), esta última entidade vai ganhando cada vez mais peso e autonomia.

Da espada que tinha de ser empunhada e brandida pelo homem, passou-se para o míssil que dispara automaticamente assim que percebe uma ameaça. Da conta feita à mão passou-se ao bilião de cálculos por segundo em computador. Da manufactura básica passou-se à fábrica crescentemente automatizada. Em qualquer processo produtivo a tecnologia tem ganho um peso exponencialmente maior.

A automação e a inteligência artificial têm tido um desenvolvimento avassalador. A máquina, cada vez mais, possui mais dados, tem mais conhecimento e melhor capacidade de decisão. Cada vez é mais inteligente e mais autónoma. E cada vez menos precisa de ser dirigida pelo homem.

Tal como a natureza produzia sozinha há 10.000 anos (e ainda o faz em muitos produtos que hoje utilizamos), também a tecnologia está cada vez mais próxima de produzir sozinha. O desenvolvimento tecnológico é exponencial em todos os campos que se considere. Donde, no binómio homem-máquina na produção, o homem tem cada vez menos peso. Em breve não terá praticamente nenhum e a máquina produzirá sozinha.

Nessa altura, a fábrica totalmente automatizada não poderá ser privada. Porque não existirão trabalhadores com salários, e sem salários não há poder de compra. Sem poder de compra não há vendas. Sem vendas não há lucros. Sem lucros não há empresas privadas. Qualquer empresa automatizada, seja o que for que produza, terá de pertencer ao grupo, à sociedade.

Este novo paradigma será um «faça-você-mesmo» numa nova base tecnológica. A cada indivíduo será atribuído um determinado crédito para um certo período e ele poderá servir-se da tecnologia dentro desses parâmetros. Poderá chegar ao pé uma máquina que serve bebidas, pagar e pedir um café. Ou poderá escolher e personalizar a planta da sua futura casa num programa avançado de CAD.


Três exemplos do paradigma «faça-você-mesmo» numa nova base tecnológica:

Exemplo 1 - Há uns anos, se alguém queria meter gasolina, parava o carro na bomba, vinha o empregado, o condutor dizia-lhe quanto queria, o empregado atestava, o condutor pagava-lhe (e dava-lhe uma gorjeta), e arrancava. Tudo sem se levantar do assento.

Agora, o condutor sai do carro, atesta, dirige-se à caixa, paga e arranca. Melhor, com a via verde o condutor sai do carro, digita o código do seu cartão, atesta, tira o recibo e arranca.

Note-se que numa bomba de gasolina (de dimensões médias), foram substituídos vários funcionários por um caixa. A via verde, por seu turno, eliminou a necessidade do caixa.


Exemplo 2 – Há uns anos, dirigíamo-nos a uma mercearia e pedíamos ao merceeiro todos os produtos que necessitávamos. Era o merceeiro que ia buscar os produtos às prateleiras.

Hoje, pegamos num carrinho e vamos nós próprios buscar os produtos de que temos necessidade. Só temos de passar pelo caixa para pagar. Recentemente surgiram métodos que eliminam a necessidade do caixa (Jumbo de Alfragide).


Exemplo 3 – O Multibanco será talvez o caso mais paradigmático desta nova realidade. Para levantar, depositar, fazer transferências, pagamentos e centenas de outras operações, somos agora nós próprios que as realizamos sem recurso ao caixa do banco. Mais uma vez, a empresa (neste caso um banco) automatizou procedimentos e transferiu para o cliente certas tarefas. Mais uma vez temos o «faça-você-mesmo» numa nova base tecnológica.


Isto não é ficção científica. O número crescente de desempregados a par do desenvolvimento exponencial do hardware e do software estão aí para prová-lo. Vamos acelerar a transição ou vamos permanecer agarrados a um passado de emprego que cada vez existe menos? Vamos rumar à mudança ou vamos continuar a apostar no desastre?

É a tecnologia que está a substituir o homem no trabalho. É por isso que o velho paradigma do emprego está moribundo. Vamos criar, com o auxílio da tecnologia, um mundo mais justo, mais redistributivo e mais humano.




Nota 1

Wikipedia - Problemáticas sociais da automação (Social issues of automation)

Uma ironia é que em anos recentes, o outsourcing tem sido considerado culpado pela perda de empregos pelos quais a automação é a mais provável culpada. Este argumento é apoiado pelo facto de que nos EUA, o número de empregos insourced (utilização do pessoal próprio) está a aumentar a uma maior taxa do que o outsourcing (utilização do pessoal externo à empresa). Mais, a taxa de declínio nos EUA do emprego industrial não é maior que a média mundial: 11 por cento entre 1995 e 2002. No mesmo período, a China que frequentemente foi criticada por "roubar" empregos industriais americanos, perdeu internamente 15 milhões de trabalhos industriais (aproximadamente 15% do seu total), comparados com os 2 milhões perdidos nos EUA.

Milhões de telefonistas humanos e respondedores, através do mundo, foram substituídos completamente (ou quase completamente) por painéis de comando de telefone automatizados e secretárias electrónicas (não por trabalhadores indianos ou chineses).

Milhares de investigadores médicos foram substituídos por sistemas automatizados em muitas tarefas médicas de classificadores (screeners) 'primários' em eletrocardiografia ou radiografia, para análises de laboratório de genes humanos, células e tecidos. Até mesmo médicos foram parcialmente substituídos por robots remotos e automatizados e por robots cirúrgicos altamente sofisticados que lhes permitem executar remotamente e com níveis de exatidão e precisão de outra forma não possíveis para o médico comum.
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segunda-feira, dezembro 10, 2007

Judeus e Sionistas – duas faces de duas moedas distintas


Judaism versus Israel


Uriel Zimmer

Depois da catástrofe da II Guerra (…) os judeus encontraram uma multidão de intrometidos arrogantes auto-nomeados líderes e porta-vozes do Mundo Judeu, na maioria dos casos com motivos ulteriores adicionais e muito duvidosos.

Nunca durante o holocausto Nazi, e desde então, os líderes Sionistas deixaram de manobrar os cordelinhos. Quando todo o povo Judeu estava esmagado em agonia com o terrível destino dos seus irmãos, que só furaram a cortina de silêncio forjada pelos Sionistas quando já era demasiado tarde para ajudar, a altura foi considerada oportuna para continuar o processo de "cirurgia geral" segundo o qual o povo Judeu seria transformado numa "nação normal", impondo através da força "um fim do Exílio [Galuth]" através do estabelecimento de um Estado Judeu. A "manobra dos cordelinhos" dos Sionistas durante a era do massacre e depois disso contém vários capítulos que deveriam ter sido, e certamente serão um dia, documentados e discutidos.

Alguns destes factos vieram ao de cima durante o julgamento de Kastner que teve lugar já há uns anos. A discussão pública sobre eles ainda permanece. Por muito interessante e vital que este assunto possa ser, não faz parte do nosso tópico. Não obstante, talvez valha a pena relatar aqui um "pequeno" mas típico exemplo que eu próprio ouvi do mais tarde Rabi Michael Ber Weissmandl, uma testemunha credível de toda a tragédia (Um homem que foi considerado "o justo" [the righteous one] até pelo Procurador Geral de Israel Mr. Chaim Cohen, ver "Criminal File 124" ed. Yediot Acharonot, Tel Aviv).

O Sr. Rabi Weissmandl contou-me o seguinte:

A primeira informação acerca da existência e natureza do campo de extermínio de Auschwitz-Bierkenau foi recebida nos princípios de 1942, através de dois jovens judeus eslovacos (o denominado "Protectorado" da Eslováquia foi o primeiro país situado na órbita Nazi a enviar Judeus para campos de extermínio) que conseguiram escapar milagrosamente para a Eslováquia. Os dois homens apresentaram testemunhos detalhados, números, mapas, diagramas e muitas outras coisas, os testemunhos registados foram feitos na presença de um oficial Consular neutral (o documento já foi em parte publicado em várias revistas, e foi agora publicado na totalidade nas memórias de Rabi Weissmandl). Através de vários artifícios, com risco da sua própria vida e segurança, o Rabi Weissmandl conseguiu enviar este documento aos representantes da "Judiaria Mundial", (a Agência Judia, a JCD [American Jewish Joint Distribution Committee], etc.) na Suíça. Uma resposta foi finalmente recebida depois de uma longa espera: "Entreguei a sua carta a Chayim Weitzman, e ele vai ficar muito satisfeito com ela. Vai ajudar-nos a conseguir o Estado de Israel. ["I have handed your letter over to Chayim (Weitzman), and he will greatly enjoy it. It will help us get the State"]

Nas suas memórias (recentemente publicadas), Rabi Weissmandl menciona o texto original de uma carta recebida da mesma representação Sionista na Suíça, em resposta a um pedido de ajuda que lhes foi dirigido pela Sra. Gizella Fleischman, uma Sionista veterana e uma activa trabalhadora de salvamento durante a guerra. O pedido de ajuda da Sra. Fleischman continha igualmente directivas explícitas de como a ajuda podia ser dada, etc. A resposta foi "Todas as nações aliadas derramaram o sangue dos seus filhos neste esforço de guerra. O que nós queremos é um Estado Judeu, e ("rak b'dam tih'ye lanu ha'aretz") só com sangue poderemos ter um país".

Aqueles que tão eloquentemente acusam outros de difamação sanguinária [blood-libel] por mencionarem estes factos, seria melhor lerem o livro de Rabi Weissmandl e a documentação que ele contém. Mas, repetimos, não é nossa intenção avançar neste assunto. Os exemplos acima são apenas citados de forma a ilustrar o rumo do pensamento Sionista.

O representante acima mencionado de Agência Judaica tinha razão, afinal. O grande desastre na Europa e a desesperada situação dos restantes (judeus) em campos de refugiados depois da guerra foram um trunfo nas mãos da liderança Sionista nas negociações nos corredores da ONU, na Casa Branca em Washington e nas principais capitais. Em 29 de Novembro de 1947, a Assembleia Geral das Nações Unidas com uma maioria de dois terços dos votos ratificou as resoluções que exigiam a divisão da Palestina, envolvendo o estabelecimento de um Estado soberano Judeu na parte do território da ex-Palestina [former Palestine Mandate].


Comentário:

As palavras de Rabi Weissmandl parecem confirmar que o povo Judeu foi utilizado, por uma classe de gente muito poderosa, para estabelecer uma base militar permanente, chamada Israel, no coração dos países produtores de petróleo do Médio Oriente. Os Sionistas são, por conseguinte, homens de mão dessa plutocracia planetária e nada têm a ver com Judaísmo. A sua única religião é servir o dinheiro e o poder.

Uma prova de que é a plutocracia planetária quem controla as operações, consiste na Declaração de Balfour, dirigida precisamente a Lord Walther Rothschild:

A Inglaterra expressou o seu apoio ao sionismo com a Declaração de Balfour, que colocou em prática com a aquisição do mandato sobre a região por ocasião da perda dos territórios pelo Império Otomano como consequência da Primeira Guerra Mundial, dando início a um aumento substancial da migração de judeus para lá durante duas décadas até 1945, migração esta que se acentuou com a "solução final" que levou os nazis a «exterminarem mais de seis milhões de judeus» durante a Segunda Guerra Mundial sob o governo de Hitler.

A Declaração de Balfour consta de uma carta escrita a 2 de novembro de 1917 pelo então ministro britânico dos Assuntos Estrangeiros, Arthur James Balfour, dirigida a Lord Rothschild comunicando-lhe o seu empenho em conceder ao povo judeu facilidades na povoamento da Palestina no caso da Inglaterra conseguir derrotar o Império Otomano, que, até então, dominava aquela região.


Israel, o maior e único porta-aviões americano que é impossível afundar

Nalguns aspectos claramente demarcados, o actual apoio dos Estados Unidos ao governo israelita corresponde aos interesses próprios americanos. Numa região onde o nacionalismo árabe pode ameaçar o controle de petróleo pelos americanos assim como outros interesses estratégicos, Israel tem desempenhado um papel fundamental evitando vitórias de movimentos árabes, não apenas na Palestina como também no Líbano e na Jordânia. Israel manteve a Síria, com o seu governo nacionalista que já foi aliado da União Soviética, sob controlo, e a força aérea israelita é preponderante na região.

Como foi descrito por um analista israelita durante o escândalo Irão-Contras, onde Israel teve um papel crucial como intermediário, "É como se Israel se tivesse tornado noutra agência federal [americana], uma que é conveniente utilizar quando se quer algo feito sem muito barulho." O ex-ministro de Estado americano, Alexander Haig, descreveu Israel como o maior e o único porta-aviões americano que é impossível afundar.

O alto nível continuado de ajuda dos EUA a Israel deriva menos da preocupação pela sobrevivência de Israel mas antes do desejo de que Israel continue o seu domínio político sobre os Palestinianos e que mantenha o seu domínio militar da região.

Na realidade, um Estado israelita em constante estado de guerra - tecnologicamente sofisticado e militarmente avançado, mas com uma economia dependente dos Estados Unidos, está muito mais disposto a executar operações que outros aliados considerariam inaceitáveis, do que um Estado Israelita que estivesse em paz com os seus vizinhos.

Israel recebe actualmente três mil milhões de dólares por ano em ajuda militar dos Estados Unidos.

Tal como o contribuinte americano, também o contribuinte alemão tem feito o jeito aos Sionistas: o Presidente Congresso Mundial Judaico, Nahum Goldmann, afirmou que metade das infra-estruturas de Israel foram pagas pelos alemães, que todos os comboios de Israel foram pagos pelos alemães, assim como uma grande parte da marinha mercante israelita.

E da Alemanha, o pinga-pinga não pára: no Herald Tribune de 21 de Abril de 2005: Israel calcula os prejuízos do Holocausto em 240 mil milhões de dólares [Israel sets Holocaust damages at $240 billion].


Em suma, não obstante o sofrimento e a morte causados a um incontável número de pessoas de todas os credos e raças, um pequeno grupo de famílias: Rothschild, Rockefeller, Morgan, Mantagu, Harriman, Kuhn, Loeb, Warburg, Lehman, Schiff, Pyne, Sterling, Stillman, Lazard, etc, que dominam há mais de um século a alta finança mundial, edificaram uma sólida base militar, na forma de um Estado Judaico, junto das maiores reservas energéticas do planeta.
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sábado, dezembro 08, 2007

Cimeira União Europeia-África ou como as multinacionais sacam tudo o que podem sacar

Miguel Sousa Tavares – Jornal Expresso 08/12/2007

Excerto sobre a Cimeira União Europeia-África:

«Para que serve este imenso ‘bazaar’? Principalmente, para nada, como dizem os alentejanos. Tudo o que havia a discutir e a assinar, como a tão desejada por Sócrates ‘Declaração de Lisboa’, já está acordado e escrito. Mas os grandes do mundo precisam e adoram estas oportunidades mediáticas e, afinal de contas, um fim-de-semana em Lisboa, com dois banquetes e um concerto com a Marisa e a Cesária Évora pelo meio, nem é nada desagradável: os europeus aproveitam para ver sol e os africanos para ver mundo e mandarem as «madames» às compras. Não é Paris nem Londres, mas sempre é um país hospitaleiro, que gosta de receber bem e cuja política externa não incomoda ninguém e se contenta em que lhe dêem coisas inócuas e que soam bem, como a ‘Declaração de Lisboa’

«Em concreto, a cimeira vai custar umas dezenas de milhões de euros aos portugueses, a Europa rica vai dar à África miserável 1,2 mil milhões de euros até 2010 - dos quais, como de costume, apenas cerca de 10% chegarão ao destino e terão utilidade concreta. Destarte, a Europa sacode os seus problemas de consciência, como um pai que passa um cheque ao filho ‘com problemas’ e não se preocupa mais com o assunto. Mas os produtos agrícolas de África - a sua melhor hipótese de sair da miséria - continuarão fechados aos mercados europeus para proteger a sagrada PAC e os agricultores ricos da França e outros mais e o comércio em geral continuará a ser ditado por relações de desigualdade e batota. A Europa continuará a dar peixes, mas não a ensinar a pescar. Quanto à África e aos seus ditadores de opereta, com as mãos manchadas de um sangue que não sai e os bolsos atulhados de dinheiro roubado às suas populações, limita-se a estender a mão a mais uma esmola e a agradecer a oportunidade de reconhecimento internacional por que a diplomacia portuguesa tanto se esforçou nos últimos meses.»

«Esta é a triste história das relações da Europa com África de há cinco décadas para cá: os governos europeus dão umas esmolas e, em troca, avançam a seguir as multinacionais que sacam tudo o que podem sacar e enchem as contas bancárias dos governantes africanos na Suíça. Quando as cenas de miséria do continente negro se começam a tornar outra vez incómodas nas televisões ocidentais, convoca-se nova cimeira com os corruptos e dá-se-lhes mais uma esmola para aliviar as consciências ou produz-se mais uma grandiosa Declaração de Lisboa ou de Reiquejavique para enganar os tontos. Mas nunca os ricos se atrevem a exigir aos pobres que roubem menos e que matem menos - isso estragaria os negócios. Assim, a ‘Declaração de Lisboa’ não deixará, certamente, de conter uma referência ‘muito forte’ aos direitos humanos e à democracia, a qual será tranquilamente apoiada por gente estimável como Mugabe, do Zimbabwe, José Eduardo dos Santos, de Angola, ou Omar Bongo, do Gabão - que, juntos, perfazem oitenta e oito anos de poder, de arbitrariedades de toda a ordem e de negócios, mais uma sempre bem-vinda e inestimável factura de hotel em Lisboa.»


Comentário:

sexta-feira, dezembro 07, 2007

O ex-Presidente Italiano, Francesco Cossiga, confirma que foram a CIA e a Mossad que executaram os atentados do 11 de Setembro de 2001

Via Revisionismo em Linha by Paul Joseph Watson:

O ex-Presidente Italiano, o homem que revelou a existência da Operação Gládio, Francesco Cossiga, veio a público falar sobre os atentados do 11 de Setembro, afirmando, num dos mais respeitados jornais italianos, que os ataques foram executados pela CIA e pela Mossad e que esse facto era do conhecimento geral entre os serviços de informações a nível global.

Cossiga foi eleito Presidente do Senado Italiano em Julho de 1983 antes de obter uma maioria decisiva nas eleições de 1985 tornando-se Presidente de Itália nesse ano. Francesco Cossiga ganhou o respeito dos partidos da oposição com a reputação de um político honesto e conduziu o país durante sete anos até Abril de 1992.

A tendência de Cossiga para ser honesto preocupou a elite governante italiana e foi forçado a demitir-se após ter revelado a existência, e a sua participação na criação, da Operação Gládiouma rede de operações secretas sob os auspícios da NATO que executou atentados bombistas por toda a Europa nos anos 60, 70 e 80. A especialidade da Gládio era executar o que se chama "false flag operations," ataques terroristas que eram imputados à oposição doméstica e geopolítica.

As revelações de Cossiga contribuíram para uma investigação do parlamento italiano em 2000 sobre a Gládio, durante a qual foram reveladas provas de que os ataques foram administrados pelo aparelho de inteligência americano.

Em Março de 2001, o agente da Gládio Vincenzo Vinciguerra afirmou, em testemunho sob juramento, "Vocês têm de atacar civis, pessoas, mulheres, crianças, pessoas inocentes, gente anónima arredada da política. A razão é muito simples: forçar... o povo a virar-se para o estado a pedir mais segurança."

As recentes revelações de Francesco Cossiga apareceram a semana passada no mais antigo e mais lido jornal de Itália, o Corriere della Sera. Abaixo a tradução:

Osama bin Laden ter [no vídeo] 'confessado' que a Al-Qaeda teria sido a autora dos atentados do 11 de Setembro às duas torres em Nova Iorque, enquanto todos os círculos democráticos da América e da Europa, com destaque para o centro-esquerda italiano, sabem bem agora que o desastroso atentado foi planeado e realizado pela CIA americana e pela Mossad com a ajuda do mundo sionista para acusarem os países árabes e para induzir as potências ocidentais a intervir quer no Iraque quer no Afeganistão.

«Osama Bin Laden in esso 'confessa' che Al Qaeda sarebbe stato l'autore dell'attentato dell'11 settembre alle due torri in New York, mentre tutti gli ambienti democratici d'America e d'Europa, con in prima linea quelli del centrosinistra italiano, sanno ormai bene che il disastroso attentato è stato pianificato e realizzato dalla Cia americana e dal Mossad con l'aiuto del mondo sionista per mettere sotto accusa i Paesi arabi e per indurre le potenze occidentali ad intervenire sia in Iraq sia in Afghanistan»


quarta-feira, dezembro 05, 2007

Eça de Queiroz (110 anos depois) - Os interesses do País

Não resisti a transcrever um pequeno excerto da crónica «HABILITAÇÕES NECESSÁRIAS PARA SER MINISTRO» publicado nas Farpas e escrito por Eça de Queiroz.

"Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este singular estado:

Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente, possuem o poder, perdem o poder, reconquistam o poder, trocam o poder...

O poder não sai de uns certos grupos como uma péla que quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.

Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no poder, esses homens são, segundo a opinião e os dizeres de todos os outros que lá não estão - os corruptos, os esbanjadores da fazenda, a ruína do País!

Os outros, os que não estão no poder, são, segundo sua própria opinião e os seus jornais - os verdadeiros liberais, os salvadores da causa pública, os amigos do povo, e dos interesses do País.

Mas, coisa notável - os cinco que estão no poder fazem tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da fazenda e a ruína do País, durante o mais tempo possível! E os que não estão no poder movem-se, conspiram, cansam-se, para deixar de ser o mais depressa que puderem – os verdadeiros liberais, e os interesses do País!

Até que enfim caem os cinco do poder, e os outros, os verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação herdada de esbanjadores da fazenda e ruína do País; entanto que os que caíram do poder se resignam, cheios de fel e de tédio – a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País."


Os corruptos, os esbanjadores da fazenda, a ruína do País...



Os que caíram do poder se resignam, cheios de fel e de tédio...
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segunda-feira, dezembro 03, 2007

Banco Alimentar - Há médicos e professores a pedirem-nos ajuda para dar de comer aos filhos



Jornal Expresso - Raquel Moleiro, com Isabel Vicente, 1/12/2007

A denúncia parte de Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar. São os ‘novos pobres’: a classe média sobreendividada

Manuela, 33 anos, hesitou antes de escrever aquele «e-mail» para o Banco Alimentar Contra a Fome (BACF). E mesmo enquanto o redigia, não tinha ainda a certeza de, no fim, ter coragem de carregar no botão de enviar. Ela, bacharel em Relações Internacionais, quadro de um ministério, casada com um professor de educação física ex-atleta olímpico. Ela, mãe de uma bebé com cinco meses, tinha agora de pedir ajuda para alimentar a família. O marido que ficou sem emprego, um salário de €2000 que desapareceu no mês em que festejaram a gravidez, a renda da casa que foi falhando vezes de mais, o cartão de crédito gasto até ao limite, o apartamento trocado por um quarto, e nem assim a comida chegava à mesa. "No dia em que enviei o «e-mail» faltavam três semanas para receber e só tinha €80", explica. "Havia para a bebé, mas nós íamos passar fome".

O caso tem um mês. Ana Vara, assistente social do BACF, ligou a Manuela mal leu o pedido. E disse-lhe o que tanto tem repetido ultimamente: não tenha vergonha, não é a única. "Nos últimos quatro meses, mais que duplicaram os pedidos directos ao banco alimentar. E há cada vez mais casos de classe média", garante Isabel Jonet. A directora do BACF chama-lhes "os novos pobres": empregados, instruídos, socialmente integrados, mas, ainda assim, vítimas da pobreza e até da fome. Nos últimos três meses, chegaram ao banco alimentar de Alcântara 250 casos, 30% dos quais se enquadram nesta nova categoria. E em todos há pontos transversais: mais mulheres, muitas mães, desemprego inesperado, rupturas familiares, e sempre sobreendividamento.

(...) As famílias tradicionalmente carenciadas aparecem no banco alimentar, pedem olhos nos olhos. Os novos pobres gritam por ajuda, envergonhadamente, através do correio electrónico. Como Luciana, médica, cujo desemprego súbito do marido fez ruir a estrutura económica do lar de nove filhos. Sem ele saber, sem o magoar de vergonha, pediu apoio alimentar para um casa onde nunca tinha faltado nada.


Entretanto, nem tudo são lágrimas:

O lucro do Millennium BCP atingiu 191 milhões de euros no primeiro trimestre do ano. Os resultados em base recorrente cresceram 16% nos primeiros três meses do ano.

O Banco Espírito Santo divulgou quinta-feira um lucro de 139,8 milhões de euros no primeiro trimestre, mais 33% que no período homólogo...

O BPI obteve um resultado líquido de 96,8 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, um valor que corresponde a uma subida de 30 por cento face a igual período do ano anterior.

O resultado do Banco Bilbao Viscaya y Argentaria (BBVA) subiu para pouco mais de 1,25 mil milhões de euros, mais 23% no resultado líquido no primeiro trimestre de 2007.

O Banco Santander Central Hispano obteve um resultado líquido de 1,8 mil milhões de euros, no primeiro trimestre do ano. Este valor representa mais 21% que no período homólogo...



Fernando Madrinha - Jornal Expresso - 1/9/2007:

«Centenas e centenas de famílias pedem conselho à Deco porque estão afogadas em dívidas à banca. São pessoas que ainda têm vontade e esperança de cumprir os seus compromissos. Mas há milhares que já não pagam o que devem e outras que já só vivem para a prestação da casa. Com o aumento sustentado dos juros, uma crise muito séria vem aí a galope.»

«Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. Daí que os manda-chuvas do Millenium BCP se permitam andar há meses numa guerra para ver quem manda mais, coisa que já custou ao banco a quantia obscena de 2,3 mil milhões de euros em capitalização bolsista. Ninguém se rala porque, num país em que os bancos são donos e senhores de quase tudo, esse dinheirinho acabará por voltar às suas mãos.»

«Quer dizer, as notícias fortes das últimas semanas - as da tal «silly season», em que os jornalistas estão sempre a dizer que nada acontece - são notícias de mau augúrio. Remetem-nos para uma sociedade cada vez mais vulnerável e sob ameaça de desestrutruração, indicam-nos que os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais


N'est ce pas, monsieurs les politiques?