domingo, setembro 14, 2008

Konzentrationslager Palestina - Arbeit Macht Frei

Cartoon de Derkaoui Abdellah


Entrevista de Ronnie Kasrils ao The Mail & Guardian, 21/5/2007 no Esquerda.NET

Ronnie Kasrils, ministro de Segurança da África do Sul, esteve recentemente nos territórios ocupados palestinianos:

(...) «O muro da vergonha, a "barreira de segurança", como lhe chamam os israelitas, tem tanto o objectivo de moer o espírito humano como de encerrar os palestinianos em guetos. Como um réptil, [o muro] muda de forma e atravessa terras agrícolas transformada em barreira de aço e arame farpado, com torres de vigia, valas, estradas de patrulha e sistemas de alarme. Vai ter 700 km de comprimento, com uma altura de oito a nove metros, fazendo o Muro de Berlim parecer anão.»

«O objectivo da barreira torna-se mais claro em terreno aberto. O seu percurso corta grandes faixas de terra na Cisjordânia para incorporar em Israel os ilegais colonatos judeus – alguns dos quais são grandes cidades - e anexa mais e mais território palestiniano.» (...)

(...) «Como a Faixa de Gaza, a Cisjordânia é efectivamente uma prisão hermeticamente selada. É chocante descobrir que certas estradas estão barradas aos palestinianos e reservadas aos colonos judeus. Tento em vão recordar algo tão obsceno no apartheid da África do Sul. (...)
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quinta-feira, setembro 11, 2008

O ciclo do petróleo por Jon Stewart

Jon Stewart do Daily Show explica-nos, de forma concisa e com extraordinário sentido de humor, o ciclo do petróleo. Uma alfinetada de mestre no capitalismo de mercado:

«O Congresso americano deu às indústrias petrolíferas 500 milhões de dólares para pesquisa. E deu 2.7 biliões de dólares em perdões fiscais. Embora uma empresa como a Exxon Mobil tenha 7.6 biliões de puro lucro apenas no último trimestre, ou seja três meses!

Poderão achar a ideia do governo usar biliões de dólares dos contribuintes para subsidiar estas indústrias como a antítese do capitalismo de mercado livre e privado. Estão enganados!

Há uma explicação muito simples para as companhias de petróleo já tão obscenamente ricas, receberem dinheiro do governo. Chama-se o “ciclo do petróleo”.

Começamos com a família americana. Gente trabalhadora que adquiriu uma inclinação para motores poderosos e televisões plasma. Através de um processo natural chamado “pagamento de impostos”, os vencimentos destas pessoas são desintegrados e reabsorvidos por uma entidade chamada “governo”. O governo consome estes fundos e transforma-os em “subsídios", alguns dos quais vão para gigantescas e lucrativas companhias petrolíferas. Esses fundos são usados para procurar novas fontes de petróleo e tirar partido da dependência do petróleo destas pessoas para assim obter lucros. Estes lucros são então armazenados em contas “offshore” nas ilhas Caimão de modo a evitar um processo chamado “pagamento de impostos”, o qual foi discutido anteriormente. O governo dá, então, às petrolíferas mais dinheiro.»


Vídeo (legendado em português) – 3:40m

quarta-feira, setembro 10, 2008

O valor da (des)informação no Expresso

O valor da informação

A informação deve estar associada a um valor social, ou simplesmente valer por si mesma? A questão, que parece académica, tem, nestes dias, especial pertinência


A revista francesa ‘Paris Match’ chocou parte da opinião pública do seu país com uma reportagem que quase todos os jornalistas considerariam, «a priori», um grande «scoop»: entrevistou os guerrilheiros talibãs que há cerca de três semanas mataram, numa emboscada, 10 soldados franceses, além de ferir 21. Os guerrilheiros, que se deixaram fotografar com os rostos encobertos por lenços, nas fotos das páginas da revista vestem fardas dos soldados mortos e ostentam objectos pessoais dos militares assassinados.

Naturalmente, as famílias dos soldados mortos reagiram emotivamente. E o ministro francês da Defesa, Hervé Morin, disse qualquer coisa como ‘é na retaguarda que a guerra corre pior, pois é aí que órgãos de comunicação promovem os nossos inimigos’.

A questão é pertinente. Até à guerra do Vietname, onde havia batalhas, existia censura militar. Hoje, embora ela continue infelizmente a existir sob certas condições, é praticamente impossível fazê-la. E isso, sendo óptimo, deve obrigar a uma responsabilidade acrescida para a informação.

A guerra deixou de ser um clássico embate de exércitos. Agora, as batalhas ganham-se e perdem-se na opinião pública, na frente da comunicação.

Assim sendo, não pode a comunicação social continuar a agir como se não fosse ela própria arma de guerra. Os mesmos motivos éticos que levaram - com bons resultados - a que não fossem relatados raptos em certos países da América Latina, justamente para não os incentivar, deverão levar os editores dos órgãos de comunicação a pensar maduramente no modo de enfrentar as realidades modernas da guerra.

O valor da comunicação livre é inestimável, mas não pode ser infinito. Como para tudo, há que criar regras.



O Editor do Expresso não poderia estar mais de acordo com o Professor canadiano Michel Chossudovsky: «a comunicação social é ela própria uma arma de guerra».

Texto de Michel Chossudovsky, professor de Economia na Universidade de Ottawa:

Os arquitectos militares do Pentágono estão perfeitamente conscientes do papel central da propaganda de guerra. Engendrada pelo Pentágono, pelo Departamento de Estado e pela CIA, já foi lançada uma Campanha de medo e desinformação [fear and disinformation campaign (FDC)] . A distorção grosseira da verdade e a manipulação sistemática de todas as fontes de informação constituem uma parte integral da estratégia de guerra. Em consequência do 11 de Setembro, o secretário da Defesa Donald Rumsfeld criou o Gabinete de Influência Estratégia [Office of Strategic Influence (OSI)] , ou Gabinete de Desinformação" ["Office of Desinformation"] como foi rotulado pelos seus críticos:

"O Departamento da Defesa afirmou ter necessidade de fazer isso, e estavam realmente a caminho de espalhar histórias falsas em países estrangeiros — num esforço para influenciar a opinião pública por todo o mundo. (Entrevista com Steve Adubato, Fox News, 26 Dezembro de 2002.)

Para sustentar a agenda de guerra, estas "realidades fabricadas", canalizadas numa base diária para o interior das cadeias noticiosas devem tornar-se verdades indeléveis, tornando-se parte de um vasto consenso político e dos meios de comunicação. Desta forma, os media corporativos - embora actuando independentemente do aparelho militar de informações - são um instrumento desta evolução totalitária do regime.

Trabalhando em ligação com o Pentágono, Charlotte Beers, uma figura poderosa na indústria da publicidade, foi nomeado para chefe da unidade de propaganda do Departamento de Estado logo após o 11 de Setembro. O seu mandato é "para actuar contra o anti-americanismo no exterior" (Sunday Times, Londres 5 de Janeiro de 2003). O seu gabinete no Departamento de Estado destina-se a:

"assegurar que a diplomacia pública (cativar, informar e influenciar audiências públicas internacionais) seja praticada em harmonia com os negócios públicos (estendendo-se a americanos) e com a diplomacia tradicional para promover os interesses e a segurança dos EUA e proporcionar a base moral para a liderança americana no mundo".

A componente mais poderosa da Campanha de Medo e Desinformação (FDI) pertence à CIA, a qual secretamente subsidia autores, jornalistas e críticos por intermédio de uma rede de fundações privadas e organizações patrocinadas pela CIA.

A desinformação é rotineiramente "espalhada" pelos operacionais da CIA nas redacções do principais diários, revistas e canais de TV. Firmas de relações públicas externas são frequentemente utilizadas para criar "falsas histórias". Isso foi cuidadosamente documentado por Chaim Kupferbert em relação aos acontecimentos do 11 de Setembro.

Iniciativas de desinformação encoberta, sob os auspícios da CIA, também são canalizadas através de vários "procuradores" de informação noutros países. Desde o 11 de Setembro essas iniciativas resultaram numa disseminação diária de informação falsa referente a alegados "ataques terroristas".


Comentário:

Basta passar os olhos pelos artigos semanais do Monjardino, do Cutileiro, do Espada, do Coutinho, do Monteiro e de outros para concordarmos imediatamente com o editor de Expresso e com Chossudovsky: «a comunicação social, Jornal Expresso incluído, é ela própria uma arma de guerra». E é esta perspectiva que os leitores do jornal nunca devem perder de vista. Estas armas de guerra vomitam interminavelmente propaganda, desinformação, mentira, manipulação, medo e ódio.

O Paris Match ao entrevistar e mostrar as fotos dos talibãs que mataram, numa emboscada, 10 soldados franceses e os fotografaram com as fardas e com os objectos pessoais dos soldados mortos, pretende unicamente incitar o cólera da população francesa para a tornar mais maleável a uma maior intervenção militar da França e a uma cooperação mais estreita com o governo americano no envio de mais tropas para o Afeganistão (Obama Quer Mais Tropas no Afeganistão).

A manipulação mediática começa a ser tão transparente…
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terça-feira, setembro 09, 2008

Truman e Bush, de bestas a bestiais? - por João Pereira Coutinho do Expresso


Expresso - 30/08/2008


Texto de João Pereira Coutinho

Só o tempo permitirá um juízo informado sobre Bush. Mas brindo à inteligência de Luttwak em remar contra um rebanho que dispara sem pensar.

Bush prepara-se para sair do palco em Novembro. Quem lhe sucede? Mantenho a minha aposta: McCain, naturalmente. Mas o interessante é auscultar as opiniões do mundo sobre George: opiniões que oscilam entre a risota e a náusea.

Curiosamente, em artigo para a revista «Prospect» (uma revista de esquerda), o analista Edward Luttwak discorda. E discorda citando Truman: em 1952, quando o Presidente declinou candidatar-se à Casa Branca, a América e o mundo eram unânimes em condenar Truman. Perder 54 mil americanos na Coreia e perder a China para o comunismo não eram propriamente medalhas que orgulhassem alguém.
Meio século depois, com a Coreia remetida para os livros de História, Truman é estimado precisamente pela sua política externa: uma doutrina de «contenção» que contribuiu para o declínio e implosão pacíficas da União Soviética.

O mesmo tratamento é dedicado a Bush: para Luttwak, o Iraque será um dia visto como um mero capítulo de uma longa guerra contra o terrorismo islamita que o 11 de Setembro inaugurou. E Bush venceu essa guerra: em termos ideológicos, conseguiu que antigas potências que toleravam ou apoiavam organizações terroristas começassem a pensar duas vezes (o Paquistão é o melhor exemplo); e, em termos humanos e operacionais, a destruição das bases de treino da Al-Qaeda no Afeganistão e a morte ou captura de uma parcela generosa dos seus membros fizeram o resto. A coroar tudo isto, os Estados Unidos não voltaram a acordar com nenhuma outra torre em chamas.

Luttwak tem razão? A questão é absurda porque, precisamente, só o tempo permitirá um juízo informado. Mas brindo à coragem e inteligência de Luttwak em remar contra os plumitivos que, em rebanho, disparam sem pensar. Os exactos plumitivos que, coisa curiosa, nunca mais voltaram a falar na guerra «perdida» do Iraque. Porque será?

Suspeita minha: porque com a debandada da Al-Qaeda e a relativa pacificação das tribos xiita e sunita, talvez o Iraque não esteja assim tão «perdido». Era a suprema ironia.



Comentário:

Eu não brindo à inteligência de Luttwak nem à de João Pereira Coutinho. Ambos pretendem branquear as acções de dois dos maiores criminosos da história mundial (Truman e Bush), e fazem-no de forma desastrada e incompetente. Nada que o rebanho de plumitivos do Jornal Expresso não nos tenha já habituado. Mas passemos aos factos:

Quanto à política externa do estimado Harry Truman (nas palavras de Pereira Coutinho), que foi Presidente dos Estados Unidos desde 12 de abril de 1945 (até 1953), convém lembrar o seguinte:

O jornalista Walter Trohan do Chicago Tribune publicou, no domingo seguinte à vitória sobre o Japão, a 19 de Agosto de 1945, nas primeiras páginas tanto do Chicago Tribune como do Times-Herald de Washington, a recusa pelos Estados Unidos da oferta de paz do Japão em Janeiro de 1945, sete meses antes de terminar a II Guerra Mundial.

O artigo de Trohan revelou como dois dias antes da partida de Roosevelt para a Conferência de Yalta, que teve lugar a 4 de Fevereiro de 1945, o presidente recebeu um memorando de quarenta páginas do general Douglas MacArthur descrevendo cinco propostas diferentes de altas autoridades japonesas a oferecer os termos da rendição que eram virtualmente idênticos àqueles que foram mais tarde ditados pelos Aliados aos japoneses em Agosto de 1945.

O significado das declarações do general MacArthur ao presidente Roosevelt é colossal. O artigo de Trohan mostra que a guerra no Pacífico podia ter terminado no começo da Primavera e que Roosevelt e Truman (este, a apartir de Abril de 1945) enviaram milhares de rapazes americanos para uma morte desnecessária em Iwo Jima e Okinawa. E, pelo mesmo motivo, também desnecessáriamente, Truman incinerou, em Agosto de 1945, centenas de milhares de civis japoneses em Hiroxima e Nagasáqui com o lançamento de duas bombas atómicas.


Quanto à política externa (e interna) do "estimado" George Bush há tanto, mas tanto para dizer:

A principal justificação de George W. Bush para a guerra do Iraque foi de que o Iraque estava a desenvolver armas de destruição maciça. Estas armas, argumentava-se, ameaçavam os Estados Unidos, os seus aliados e os seus interesses. No discurso do estado da União de 2003, Bush defendeu que os Estados Unidos não poderiam esperar até que a ameaça do líder iraquiano Saddam Hussein se tornasse eminente. Após a invasão, no entanto não foram encontradas nenhumas provas da existência de tais armas. Outra justificação para a guerra foi de que existiam indicações de que havia uma ligação entre Saddam Hussein e a Al-Qaeda. Apesar disso não foram encontradas provas de nenhuma ligação à Al-Qaeda.

Quanto a vítimas iraquianas da invasão americana, o Los Angeles Times apontava em Setembro de 2007 para mais de um milhão e duzentos mil mortos iraquianos.

Isto para não falar dos massacres de Faluja, Haditha e de outras localidades iraquianas e das vergonhas civilizacionais das prisões de Abu Ghraib e Guantánamo.

Quanto aos soldados americanos, já morreram até hoje 4.152 militares, e se os "Estados Unidos não voltaram a acordar com nenhuma outra torre em chamas" (como diz acertadamente Coutinho), o número de soldados americanos mortos no Iraque equivale ao número de vítimas que resultaria do desabamento de três torres semelhantes às do World Trade Center.


E quanto ao próprio 11 de Setembro há demasiada coisa a explicar: é importante perceber como é que quatro aviões são desviados da rota delimitada e se dirigem em direcção a Washington e a Nova Iorque. Onde estava o FBI, a CIA e a Força Aérea? Há demasiadas interrogações. Quem está por trás? Porque é que os computadores estiveram avariados meia-hora na altura do ataque? Porque é que não interceptaram os aviões? Porque desabaram as três torres do WTC?

E como afirma o Professor Boaventura de Sousa Santos: "A acumulação recente de mentiras e a revolução nas tecnologias da informação e da comunicação explica o que, à primeira vista, seria impensável: o intenso debate em curso sobre a verdadeira causa do ataque às Torres Gémeas (estaria o governo envolvido?), sobre o colapso das Torres (resultado do impacto ou de explosivos pré-posicionados nos andares inferiores?) sobre o ataque ao Pentágono (avião ou míssil?). O debate envolve cientistas credíveis e cidadãos do "movimento para a verdade do 11 de Setembro", e ocorre quase totalmente fora dos grandes media e sem a participação de jornalistas. Será que a internet, os vídeos e os telemóveis tornam a mentira dos governos mais difícil?"
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segunda-feira, setembro 08, 2008

Sionismo e Anti-Semitismo: uma estranha aliança através da história

Zionism and Anti-Semitism: A Strange Alliance Through History

[The Washington Report On Middle East Affairs, July/August 1998, pp. 48 50]

[Allan C. Brownfeld é um colunista e editor associado do Lincoln Review, um jornal publicado pelo Lincoln Institute for Research and Education, e editor do Issues, um jornal trimestral do American Council for Judaism].


(Tradução minha)

O que poucos americanos percebem é que tem havido desde há muito uma aliança histórica – desde o fim do século dezanove até hoje – entre Sionismo e verdadeiros anti-semitas – desde aqueles que planearam progroms na Rússia czarista até à própria Alemanha nazi. A razão para a afinidade que muitos líderes sionistas sentem pelos anti-semitas torna-se clara à medida que a história vem ao de cima.

Quando Theodor Herzl, o fundador do sionismo político moderno, trabalhou em Paris como correspondente para um jornal vienense, esteve em estreito contacto com os líderes anti-semitas da altura. Na sua biografia sobre Herzl, The Labyrinth of Exile [O Labirinto do Exílio], Ernst Pawel conta que as pessoas que financiaram e editaram a La Libre Parole [A Palavra Livre] , um semanário dedicado “à defesa da Igreja Francesa contra os ateístas, republicanos, mações livres e judeus, convidavam Herzl para as suas casas regularmente.

Aludindo a esses conservadores e às suas publicações, Pawel escreve que Herzl “sentiu-se cativado” por estes homens e pelas suas ideias: “La France Juive”“[A França Judaica] surpreendeu-o como uma realização brilhante e – da mesma forma que o famoso “Jewish Question” [Questão Judaica] dez anos mais tarde – provocaram-lhe poderosas e contraditórias emoções… A 12 de Junho de 1895, enquanto estava a trabalhar no Der Judenstaat [O Estado Judeu], Herzl anotou no seu diário, ‘muita da minha liberdade conceptual devo-a a Edouard Drumont, porque ele é um artista.’ O elogio parece extravagante, mas Drumont retribui-o no ano seguinte com uma crítica inflamada ao livro de Herzl “A Palavra Livre”.

No final, Pawel argumenta, “Paris mudou Herzl e os anti-semitas franceses puseram em causa a complacência irónica do judeu pretensamente não-judeu.” No entanto, Herzl não estava inteiramente descontente com o anti-semitismo. Numa carta privada a Moritz Benedikt, escrita nos finais de 1892, Herzl escreve: “Não considero o movimento anti-semita no seu todo prejudicial. Inibe a ostentação exibicionista da riqueza extravagante, coloca um travão no comportamento pouco escrupuloso dos financeiros judeus, e contribui de várias formas para a educação dos judeus… Nesse aspecto parecemos estar de acordo.”

O livro de Herzl “Der Judenstaat” [O Estado Judeu], foi largamente menosprezado pelos judeus mais importantes da época, que se viam a si próprios como franceses, alemães, ingleses ou austríacos. Os anti-semitas, por outro lado, saudaram entusiasticamente o trabalho de Herzl. Pawel salienta que os argumentos de Herzl eram “completamente indistinguíveis dos usados pelos anti-semitas.” Uma das primeiras críticas surgiu no Westungarischer Grenzbote, um jornal anti-semita publicado em Bratislava por Ivan von Simonyi, um membro do parlamento húngaro. Ele elogiou tanto Herzl como o seu livro e ficou tão entusiasmado que pagou a Herzl para lhe fazer uma visita pessoal. Herzl escreveu no seu diário: “O meu estranho simpatizante, o anti-semita Ivan von Simonyi de Bratislava veio visitar-me. Um vivíssimo, super-falador sexagenário com uma misteriosa simpatia pelos judeus. Muda constantemente entre uma conversa perfeitamente racional e o disparate absoluto, acredita em sacrifícios humanos e ao mesmo tempo vem com as mais sensíveis ideias modernas. Adora-me.”

Depois do bárbaro progrom de Kishinev em Abril de 1901, quando centenas de judeus foram mortos ou feridos, Herzl veio à Rússia para falar com V.K. Plehve, o ministro do interior russo que tinha incitado o progrom. Herzl disse ao líder cultural judeu Chaim Zhitlovsky: “tenho absolutamente de arrancar uma promessa a Plehve de que ele obtenha uma concessão para nós na Palestina em 15 anos no máximo. Há no entanto uma condição, os revolucionários (judeus)têm de parar a sua luta contra o governo russo.”

Zhitlovsky, ficou irritado por Herzl negociar com um assassino de judeus, e percebendo que Herzl tinha sido enganado, persuadiu-o a abandonar a ideia. No entanto, os líderes sionistas na Rússia concordaram com o governo que a verdadeira responsabilidade pelos progroms era da União Judaica., um grupo socialista que apelava a reformas democráticas no regime czarista. Os sionistas queriam que os judeus ficassem afastados da política russa até chegar a altura de partir para a Palestina.

O chefe da polícia secreta em Moscovo, S.V. Zubatov, era receptivo ao sionismo como uma forma de silenciar os oponentes judeus do repressivo regime czarista. No seu livro The Fate of the Jews [O Destino dos Judeus], Roberta Strauss Feuerlicht afirmou que, “O sionismo recorreu muitas vezes ao chefe da polícia Zubatov, tal como fez com todos os anti-semitas, porque desviava o problema judeu. Tanto Zubatov como os sionistas queriam destruir a União Judaica, Zubatov para proteger o seu país, e os sionistas para proteger o deles. O sucesso do sionismo baseia-se no nível de miséria judeu, quanto mais a miséria, maior o desejo de emigrar. A última coisa que os sionistas queriam era melhorar as condições dos judeus na Rússia. Os sionistas funcionaram como espiões da polícia e subversores da União Judaica…”

No seu livro “Jewish History, Jewish Religion” [História Judaica, Religião Judaica], Israel Shahak salientou que, “Existiram sempre relações próximas entre sionistas e anti-semitas; exactamente como alguns conservadores europeus, os sionistas pensavam que podiam ignorar o ‘demoníaco’ carácter do anti-semitismo e usar os anti-semitas para os seus próprios fins… O próprio Herzl aliou-se com o famoso Count von Plehve, o ministro anti-semita do Czar Nicolau II; Jabotinsky fez um pacto com Petlyura, o líder ucraniano reaccionário cujas forças massacraram cerca de 100,000 judeus em 1918-1921… Talvez o mais chocante exemplo deste tipo foi a alegria com que os líderes sionistas na Alemanha acolheram a ascensão de Hitler ao poder, porque eles partilhavam a crença da primazia da raça e a hostilidade à assimilação dos judeus entre os arianos. Congratularam Hitler pelo seu triunfo sobre o inimigo comum – as forças do liberalismo.”

O Dr. Joachim Prinz, um rabi sionista alemão que mais tarde emigrou para os Estados Unidos, onde se tornou vice-presidente do Congresso Judaico Mundial [World Jewish Congress] e um líder da Organização Sionista Mundial [World Zionist Organization], publicou em 1934 um livro “Wir Juden” [Nós Judeus] para comemorar a chamada revolução alemã e a derrota do liberalismo por Hitler. Prinz escreveu: “O significado da revolução alemã para a nação alemã acabará por se tornar clara para aqueles que a criaram e formaram a sua imagem. O seu significado para nós terá de ser exposto lá: o destino do liberalismo está perdido. A única forma de vida política que tem ajudado a assimilação dos judeus acabou-se.”

A vitória do nazismo acabou com a assimilação e o casamento inter-religioso como uma opção para os judeus. “Nós não estamos insatisfeitos com isto,” disse o Dr. Prinz. No facto dos judeus serem forçados a identificarem-se a si próprios como judeus, ele viu “o cumprimento dos nossos desejos.” Mais ainda, Prinz afirma, “Queremos que a assimilação seja substituída por uma nova lei: a declaração de pertença à nação judaica e à raça judaica. Um estado construído sobre o princípio da pureza da nação e da raça só pode ser honrado e respeitado por um judeu que afirme a sua pertença aos da sua espécie. Tendo-se declarado assim, um judeu nunca será capaz de não ser leal a um estado. O estado não pode querer outros judeus excepto os que se declarem como pertencentes à sua nação…”

O Dr. Shahak compara a precoce simpatia de Prinz pelos Nazis com os muitos que adoptaram a visão sionista, não compreendendo completamente os possíveis implicações: “Claro, o Dr. Prinz, tal como muitos outros precoces simpatizantes e aliados do nazismo, não perceberam para onde é que o movimento estava a ir…”

No entanto, em fins de Janeiro de 1941, um dos líderes do grupo sionista LEHI (Lutadores para a Liberdade de Israel), Yitzhak Shamir, que mais tarde se tornou primeiro-ministro de Israel, aproximou-se dos nazis, usando o nome da sua organização superior, o Irgun (NMO). O adido militar na embaixada alemã na Turquia transmitiu a proposta do LEHI aos seus superiores ma Alemanha. A proposta dizia a dada altura: “É muita vezes afirmado nos discursos e as expressões dos principais estadistas da Alemanha nacional socialista que a nova ordem na Europa precisa como pré-requisito a solução radical da questão judaica através da evacuação. A evacuação das pessoas judias da Europa é uma pré-condição para resolver a questão judaica. Isto só pode ser possível e total através do estabelecimento destas pessoas na casa do povo judeu, a Palestina, e através do organização de um estado judeu com as suas fronteiras históricas.

E continua o adido militar, “O NMO… está bem ciente da boa vontade do governo do Reich alemão e das suas autoridades em relação à actividade sionista dentro da Alemanha e sobre os planos de emigração sionista… A instituição de um estado judaico histórico numa base nacional e totalitária e ligado por um tratado ao Reich alemão seria do interesse de reforçar a futura posição de poder alemã no Próximo Oriente… O NMO na Palestina oferece-se para tomar uma parte activa na guerra ao lado da Alemanha… A cooperação com o movimento de libertação de Israel estaria também em consonância com os discursos recentes do Chanceler do Reich Alemão, nos quais Herr Hitler sublinhou que qualquer pacto e qualquer aliança seria aceite de forma a isolar e a derrotar a Inglaterra.”

Os nazis rejeitaram esta proposta de aliança porque, foi noticiado, consideraram o poder militar do LEHI negligenciável.

O rabi David J. Goldberg, no seu livro “To the Promised Land: A History of Zionist Thought” [Em direcção à Terra Prometida: Uma História do pensamento Sionista], examina a vida e pensamento do líder do revisionismo sionista, Vladimir Jabotinsky, que foi quem teve maior influência em Menachem Begin.

“O princípio básico da filosofia politica de Jabotinsky,” escreveu Glodberg, “é a subserviência ao predominante conceito de terra natal: lealdade a um líder carismático, e a subordinação do conflito de classes aos objectivos nacionais. Jabotinsky irritou-se quando, mais de 20 anos depois, foi acusado de ter imitado Mussolini e Hitler. A sua irritação era justificada: ele tinha-os precedido… Supondo que Jabotinsky repetiu Garibaldi ‘não existe maior valor no mundo do que a nação e a pátria,’ não é de todo surpreendente que ele tenha recomendado uma aliança com um ucraniano nacionalista anti-semita. Em 1911, num artigo intitulado o jubileu de Schevenko, elogiou o poeta xenófobo ucraniano pelo seu espírito nacionalista, não obstante as explosões de raiva contra os polacos, os judeus e outros vizinhos,’ e por mostrar que a alma ucraniana tem um ‘talento para a criatividade cultural independente, atingindo as esferas mais altas e sublimes.”

Numa crítica ao livro “In Memory's Kitchen: A Legacy From The Women of Terezen [Theresienstadt, gueto judeu]”, Lore Dickstein, escrevendo no The New York Times Book Review, salientou que, "Anny Stern foi uma das mulheres que teve mais sorte. Em 1939, depois de meses de problemas com a burocracia nazi, com o exército ocupante alemão nos seus calcanhares, Anny fugiu para a Checoslováquia com o seu filho mais novo e daí emigrou para a Palestina. Na altura da partida de Anny, a política nazi encorajava a emigração. Adolph Eichmann, o especialista de Hitler em assuntos judaicos perguntou-lhe: ‘É sionista?’ . 'Ja wohl,' respondeu ela. ‘Bom’, disse Eichmann, ‘eu também sou sionista’. Quero que todos os judeus partam para a Palestina.’”

Ficou claro por muitos comentadores que o sionismo tem uma relação estreita com o nazismo. Ambas as ideologias pensam nos judeus duma maneira étnica e nacionalística. De facto, o teórico nazi Alfred Rosenberg citava frequentemente escritores sionistas para provar a tese de que os judeus não podiam ser alemães.

No seu estudo “The Meaning of Jewish History” [O Sentido da História Judaica], o rabi Jacob Agus faz esta avaliação: “Na sua formulação mais extrema, os sionistas políticos concordam com o ressurgimento do anti-semitismo nas seguintes questões:

1Que a emancipação dos judeus na Europa era um erro.

2Que os judeus só podem funcionar nos países da Europa como uma influência divisória (disruptiva).

3Que todos os judeus do mundo constituíam um povo não obstante as suas diversas lealdades políticas.

4Que todos os judeus, ao contrário dos outros povos da Europa, eram únicos e não integráveis.

5Que o anti-semitismo era a expressão natural dos sentimentos dos povos das nações europeias, e portanto, inextirpável.


O teórico nazi Rosenberg, que foi executado em resultado da sua condenação por crimes de guerra nos julgamentos de Nuremberga, declarou ao ser interrogado: “Eu estudei literatura judaica e mesmo historiadores (judeus). Pareceu-me que depois de um época de generosa emancipação no seguimento dos movimentos nacionais do século dezanove, uma parte importante da nação judaica encontrou o seu caminho de regresso às suas próprias tradições e natureza, e cada vez se segregaram mais das outras nações. Foi uma questão que foi discutida em muitos congressos internacionais, e Buber, em particular, um dos líderes espirituais dos judeus europeus, afirmou que os judeus regressariam ao solo da Ásia, pois só aí se poderiam encontrar as raízes do sangue judeu e do carácter nacional judeu.”

Em 1941 o nazi Feyenwald reimprimiu a seguinte declaração de Simon Dubnow, um historiador sionista e autor: “A assimilação é traição contra a bandeira e os ideais do povo judeu… Nunca poderemos ser um membro de um grupo nacional, como uma família, tribo ou nação. Podemos alcançar direitos e privilégios de cidadania numa nação estrangeira, mas não nos podemos apropriar também da sua nacionalidade. O judeu emancipado em França considera-se francês com uma fé judaica. Quererá isso dizer que ele se tornou parte da nação francesa, professando a fé judaica? De forma nenhuma… Um judeu… mesmo que tenha nascido em França e ainda lá viva, não obstante tudo isto, continua a ser um membro da nação judaica.”

Os sionistas enfatizaram repetidamente – e continuam a fazê-lo – que, do seu ponto de vista, os judeus estão exilados fora do estado judeu. Jacob Klatzkin, um escritor sionista de primeiro plano, declarou: “Somos simplesmente estrangeiros, somos pessoas estranhas no vosso meio, e sublinhamo-lo, queremos continuar assim,” Esta perspectiva sionista tem sido um ponto de vista minoritário entre os judeus desde o tempo em que foi formulada até hoje.

Quando o termo “anti-semitismo” é casualmente usado para silenciar aqueles que são críticos do governo de Israel e das suas políticas, deve ser realçado que a história da aliança do sionismo com o verdadeiro anti-semitismo já tem muitos anos e tem sido assim porque precisamente o sionismo e o anti-semitismo partilham uma visão dos judeus que a grande maioria dos judeus nos Estados Unidos e em todo o mundo sempre rejeitaram.

Este capítulo raramente discutido da história merece estudo, porque faz luz sobre muitas verdades relevantes para um contínuo debate, tanto em relação à política do Médio Oriente como à natureza dos judeus e do judaísmo.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Bancos assaltam clientes


Texto de Álvaro Arranja

Esquerda.NET - 03 de Setembro de 2008

Ao contrário do que nos quer fazer crer uma comunicação social que tem como agenda política, exacerbar sentimentos de insegurança ou de racismo, repetindo os cenários que garantiram a vitória de Sarkozy ou de Berlusconi, os "assaltos" que mais preocupam os portugueses são os efectuados todos os dias pela banca ao bolso dos seus clientes.

Que o digam os milhares de famílias esmagadas pelo peso do crédito à habitação em constante aumento, justificado com decisões de um Banco Central Europeu cuja única preocupação é aumentar os lucros da banca. O famoso "Euribor" funciona frequentemente como desculpa para os mais variados aumentos decididos internamente pela banca portuguesa. Famílias que ficam sem casa ou que cortam nas despesas básicas para poderem pagar o empréstimo à banca, são detalhes que não constam no relatório e contas dos Conselhos de Administração.

Mas o furto (como nos esclarece o Código Penal, não se trata de um roubo porque geralmente a banca não ameaça explicitamente os seus clientes com armas e até conta com a total cobertura das autoridades) continua atingindo elevados requintes...

É o caso das famosas taxas de manutenção de conta. Temos de pagar taxas cada vez mais elevadas para ter o privilégio de ter conta no banco. Como quase todos os portugueses só recebem o seu salário se tiverem conta num banco e as taxas são mais elevadas para os mais pobres com uma conta de baixo valor... é óbvio que não é necessário usar armas para assaltar os clientes...

E se tivermos a ousadia de pedir um livro de cheques, hão-de reparar que se trata do papel mais caro do mercado, valendo cada pequeno rectângulo quantias apreciáveis.

Um conceituado banco chega mesmo a cobrar uma taxa aos clientes que se dirigem ao banco para trocar dinheiro (notas pequenas por grandes ou vice-versa).

A quem pedir um crédito automóvel, vários bancos cobram uma "taxa de abertura de crédito". Vejam o engenho e arte da nossa banca, para além do produto comprado (o crédito automóvel), paga-se uma taxa de acesso ao produto. E se o padeiro da esquina resolve cobrar uma taxa de acesso ao pão?

O mesmo princípio se aplica a muitos pequenos empresários. De "empresários" passam a meros empregados dos bancos, já que a sua principal preocupação é cumprir com as prestações de créditos sempre em constante aumento.

É com esta gestão rigorosa que os nossos banqueiros conseguem as verbas que lhes permitem conceder empréstimos a fundo perdido... aos filhos.

Obviamente nenhum destes assaltos abre telejornais ou motiva títulos de primeira página. Se isso acontecesse as verbas da publicidade dos bancos cessavam e os jornalistas iriam engrossar os números do desemprego...


Opinião semelhante tem Fernando Madrinha - Jornal Expresso - 3 de Fevereiro de 2007:

E que esses lucros colossais [da banca] são, afinal, uma expressão da dependência cada vez maior das famílias e das empresas em relação ao capital financeiro. Daí que, em lugar de aplauso e regozijo geral, o que o seu anúncio provoca é o mal-estar de quem sente que Portugal inteiro trabalha para engordar a banca. Ganha força essa ideia de que os bancos sugam a riqueza do país mais do que a fomentam.


Comentário:

Não estará na altura dos milhares de famílias esmagadas pelo peso do crédito à habitação e dos milhares de pequenos empresários que já só trabalham para engordar os bancos, irem dar uma palavrinha simpática ao ladrão Jean Claude Trichet, presidente do Banco central Europeu (BCE), e aos seus apaniguados nacionais? E espetarem com essa corja, que engorda com o trabalho de Portugal inteiro, na choça?

quarta-feira, setembro 03, 2008

Sionismo versus Bolchevismo - Uma batalha pela alma do Povo Judeu

Winston Churchill, que foi primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial, é considerado o último romântico Sionista não-judeu [the last romantic ZIONIST gentile] como é referido no Site http://www.winstonchurchill.org/, (na realidade, a mãe de Churchill era judia). Em 1920 Winston Churchill escreveu este texto no Illustrated Sunday Herald:




A Struggle for the Soul of the Jewish People


[Uma batalha pela alma do Povo Judeu]


Artigo de Winston Churchill

No Illustrated Sunday Herald

8 de Fevereiro de 1920




(Tradução minha)

Algumas pessoas gostam de judeus e outras não; mas nenhum homem ponderado pode colocar em causa o facto inquestionável de que eles são a raça mais extraordinária que já surgiu à face da Terra.

Disraeli, o Primeiro-Ministro Judeu de Inglaterra, e líder do Partido Conservador, que foi sempre fiel à sua raça e orgulhoso das suas origens, afirmou numa célebre ocasião: "O Senhor lida com as nações tal como as nações lidam com os judeus." Certamente, quando vemos o estado miserável da Rússia, onde de entre todos os países do mundo os judeus foram mais cruelmente tratados, e comparamos com as riquezas do nosso próprio país, que parecem ter sido providencialmente preservadas entre os terríveis perigos dos nossos tempos, temos de reconhecer que nada do que desde então aconteceu na história do mundo refutou a verdade da afirmação confiante de Disraeli.


Bons e Maus Judeus

A luta entre o bem e o mal que se desenvolve incessantemente no coração do homem não atinge maior intensidade que na raça Judia. Em nenhuma outra raça a dupla natureza da espécie humana é mais fortemente ou mais terrivelmente exemplificada. Devemos aos judeus na revelação Cristã um sistema de princípios no qual, mesmo se inteiramente separado do sobrenatural, é incomparavelmente o mais precioso bem da humanidade, valendo de facto a totalidade de toda a outra sabedoria e conhecimento juntos. Nesse sistema e por essa fé foi construída nas ruínas do Império Romano a totalidade da nossa civilização.

E pode muito bem acontecer que esta raça impressionante pode estar neste momento num processo de produção de um outro sistema de moral e filosofia tão malévolo como o Cristianismo foi benévolo, o qual, se não for travado, destruirá irreparavelmente tudo o que o Cristianismo tornou possível. Quase parece que o Evangelho de Cristo e o Evangelho do Anticristo estavam destinados a surgir entre as mesmas pessoas; e que esta raça mística e misteriosa foi escolhida para a suprema expressão, tanto no divino como no diabólico.


Judeus "nacionais"

Não pode haver maior erro do que atribuir a cada indivíduo uma parte reconhecível das qualidades que constituem o carácter nacional.

Existem todo o tipo de homens – bons, maus, e na maioria das vezes, indiferentes – em todos os países e em todas as raças. Nada é mais errado do que negar a um indivíduo, por causa da sua raça ou da sua origem, o seu direito a ser julgado pelos seus méritos pessoais e pela sua conduta. Num povo de especial talento como os judeus, os contrastes são mais vívidos, os extremos estão mais amplamente separados, as consequências resultantes são mais decisivas.

Na presente e funesta época existem três grandes linhas de concepções políticas entre os judeus, duas delas são generosas e promissoras num elevado grau de humanidade, e a terceira absolutamente destrutiva.

Em primeiro lugar existem os judeus que, residindo em qualquer país através do mundo, identificam-se com esse país, participam na sua vida nacional, e, embora aderindo fielmente à sua própria religião, vêem-se a si próprios como cidadãos em sentido absoluto do Estado que os recebeu. Um tal judeu vivendo em Inglaterra diria, “Sou um inglês que pratica a fé judia.” Esta é uma concepção digna e útil ao mais alto grau. Nós, na Grã-Bretanha sabemos bem que durante a Grande Guerra a influência do que pode ser chamado “Judeus Nacionais” foi lançada com grande relevância em muitos lugares ao lado dos Aliados; e no nosso próprio exército, os soldados judeus tiveram um papel notável, alguns chegando ao comando de exércitos, outros obtendo a condecoração Victoria Cross pelo seu valor.

Os judeus nacionais russos, apesar das agruras que os fizeram sofrer, conseguiram ter um papel meritório e útil na vida nacional, mesmo de um país como a Rússia. Como banqueiros e industriais promoveram energicamente o desenvolvimento dos recursos económicos russos e foram os pioneiros na criação destas extraordinárias organizações, as Sociedades Cooperativas Russas. Na política deram o seu apoio, na maior parte dos casos , aos movimentos liberais e progressistas, e estiveram entre os mais acérrimos apoiantes da amizade entre a França e a Grã-Bretanha.


Os Judeus Internacionais

Em violenta oposição a todo este esforço desta esfera de judeus, elevaram-se os planos dos Judeus Internacionais. Os partidários desta sinistra confederação são sobretudo homens que surgiram entre as mais infelizes populações dos países onde os judeus eram perseguidos por causa da sua raça. A maioria, se não todos eles, renegaram a religião dos seus antepassados e divorciaram-se nas suas mentes da esperança espiritual da outra vida. Este movimento entre os judeus não é novo. Desde os tempos de Spartacus-Weishaupt, Karl Marx, Trotsky (Rússia), Bela Kun (Hungria), Rosa Luxemburgo (Alemanha) e Emma Goldman (Estados Unidos), esta conspiração universal para derrubar a civilização e para a reconstituição da sociedade na base da regressão do desenvolvimento, da malevolência invejosa e igualdade impossível, foi crescendo continuamente. Representou, como uma moderna escritora, Sra. Webster, mostrou habilmente, um papel claramente reconhecível na tragédia da Revolução Francesa. Constituiu o motivo principal de todos os movimentos subversivos durante o século dezanove, e agora, por fim, este grupo de personalidades extraordinárias do sub-mundo das grandes cidades da Europa e da América agarraram o povo russo pelos cabelos e tornaram-se praticamente os senhores indiscutíveis desse império enorme.


Judeus Terroristas

Não é necessário exagerar o papel que estes judeus internacionais e na maior parte ateístas desempenharam na criação do Bolchevismo e na execução da Revolução Russa. Foi certamente muito importante; seguramente que pesou mais do que todos os outros. Com a excepção notável de Lenine, a maioria das mais destacadas figuras são judeus. Mais ainda, a inspiração principal e impulsionadora veio de líderes judeus. Portanto, Tchitcherin, um russo autêntico, foi ultrapassado pelo seu subordinado nominal Litvinoff, e a influência dos russos como Bukarine ou Lunacharski não podem ser comparados com o poder de Trotsky, ou de Zinovieff, o ditador da Cidadela vermelha (Petrogrado), ou por Krasin ou Radek – todos judeus. Nas instituições soviéticas a predominância de judeus é ainda mais surpreendente. E a proeminente, senão mesmo a principal parte no sistema de terrorismo aplicado pela Comissão Extraordinária para combater a Contra-Revolução foi ocupada por judeus e em casos excepcionais por judias. A mesma proeminência diabólica foi obtida por judeus no breve período de terror em que Bela Kun governou a Hungria. O mesmo fenómeno aconteceu na Alemanha (especialmente na Bavária), no que concerne a esta loucura que aconteceu durante a prostração temporária do povo alemão. Embora em todos estes países existam muitos não-judeus tão maus ou piores que os revolucionários judeus, proporcionalmente o papel desempenhado por estes últimos é impressionante.


Protector dos Judeus

Obviamente, os mais intensos desejos de vingança surgiram nos corações do povo russo. Até onde a autoridade do General Denikin pudesse chegar, a protecção era sempre dada à população judia, e grandes esforços eram feitos pelos seus oficiais para evitar represálias e para punir os culpados. Era de tal forma que a propaganda de Petlurist contra o General Denikin denunciou-o como um protector dos judeus. As meninas Healy, sobrinhas do Sr. Tim Healy, ao falar sobre a sua experiência pessoal em Kiev, declararam que, segundo era do seu conhecimento, em mais de uma ocasião em que oficiais ofenderam judeus, aqueles eram despromovidos e enviados para a frente de guerra. Mas as hordas de bandidos que se estavam a expandir e a infestar todo o Império Russo não hesitavam em satisfazer a sua sede de sangue à custa da população judia inocente sempre que se deparava uma oportunidade. O bandido Makhno, as hordas de Petlura e de Gregorieff, que marcavam os seus êxitos com os massacres mais brutais, encontravam em todo o lado numa população estupidificada e enraivecida uma resposta ávida ao anti-semitismo na sua pior e mais asquerosa forma.

O facto de em muitos casos os interesses judeus e os lugares santos judeus terem sido deixados em paz pelos Bolcheviques na sua hostilidade geral tendem cada vez mais a associar a raça judia às atrocidades que estão agora a ser perpetradas. Isto é uma injustiça para milhões de pessoas indefesas, muitas delas a sofrerem com o regime revolucionário. Torna-se, portanto, especialmente importante encorajar e desenvolver um movimento marcadamente judeu que se afaste directamente destas associações perniciosas. E é aqui que o Sionismo tem um significado tão profundo para todo o mundo nos tempos que correm.


Um Lar para os Judeus

O Sionismo oferece a terceira via para as concepções políticas de uma raça judia. Em violento contraste com o comunismo internacional, uma ideia nacional de uma natureza de comando. Coube ao Governo britânico, como resultado da conquista da Palestina, ter a oportunidade e a responsabilidade de assegurar para a raça judia um lar no mundo e um centro de uma vida nacional. A habilidade política e o sentido histórico do Sr. Balfour estava pronto para agarrar esta oportunidade. Foram feitas declarações que decidiram irrevogavelmente a política da Grã-Bretanha. A ardente energia do Dr. Weissman, o chefe, por razões práticas, do projecto Sionista, apoiado por muitos dos mais proeminentes judeus britânicos, e apoiada pela total autoridade de Lord Allenby, estão todos direccionados para alcançar o sucesso deste movimento inspirador.

Evidentemente, a Palestina é demasiado pequena para acomodar mais do que uma fracção da raça judia, nem a maior parte dos judeus nacionais deseja ir para lá. Mas se, como pode acontecer, for criada ainda na nossa vida nas margens do Jordão um Estado Judeu sob a protecção da Coroa Britânica, que possa acomodar três ou quatro milhões de judeus, um acontecimento terá ocorrido na história do mundo que, seja qual for o ponto de vista, será benéfico e estará em harmonia com os verdadeiros interesses do Império Britânico.

O Sionismo já se tornou um factor de convulsão política da Rússia, como um competidor poderoso e influente nos círculos bolcheviques com o sistema comunista internacional. Nada poderia ter mais significado do que a raiva com que Trotsky atacou os Sionistas em geral e o Dr. Weissmann em particular. O cruel entendimento no seu espírito não lhe deixa qualquer dúvida que os seus planos de um Estado comunista mundial sob dominação judia estão directamente frustrados e impedidos por este novo ideal, um objectivo mais verdadeiro e muito mais fácil de alcançar. A luta que está agora a começar entre o Sionismo e os judeus Bolcheviques é nada mais do que uma luta pela alma do povo judeu.


O Dever dos Judeus Leais

É particularmente importante nestas circunstâncias que todos os judeus nacionais em qualquer país que são leais à terra que os adoptou se ofereçam em todas as ocasiões, como muitos já o fizeram em Inglaterra, e tomem um papel de relevo em qualquer medida para combater a conspiração Bolchevique. Desta forma poderão reivindicar a honra do nome judeu e tornar claro a todo o mundo que o movimento Bolchevique não é um movimento judeu, mas que é veementemente repudiado pela grande massa da raça judia.

Mas uma resistência negativa ao Bolchevismo em qualquer campo não é suficiente. Alternativas práticas e positivas são necessárias na esfera moral bem como na esfera social; e na construção com a maior rapidez possível de um centro judaico nacional na Palestina que vir a tornar-se não apenas um refúgio para os oprimidos das tristes terras da Europa Central, mas que será também um símbolo da unidade judia e o templo da glória judia, uma tarefa que se apresenta e na qual muitas bênçãos repousam.


Comentário:

E, desta forma, os Sionistas encaminharam os oprimidos e contrariados judeus das tristes terras da Europa Central para os territórios da Palestina, onde (os Sionistas) edificaram uma sólida base militar na forma de um Estado Judaico, controlando o Canal de Suez e próximo das maiores reservas energéticas do planeta:

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segunda-feira, setembro 01, 2008

O Hamas é uma criação da Mossad e está ao serviço de Israel

Global Research - Hassane Zerouky (2002)

(Tradução minha)


Graças à Mossad, "Instituto de Informações e Operações Especiais" de Israel (Serviços Secretos Israelitas), foi permitido ao Hamas reforçar a sua presença nos territórios ocupados. Entretanto, o Movimento Fatah de Libertação Nacional da Palestina de Arafat assim como a esquerda Palestiniana foram sujeitos à mais brutal forma de repressão e intimidação.

Não esqueçamos que foi Israel que de facto criou o Hamas. Segundo Zeev Sternell, historiador da Universidade Hebraica de Jerusalém, "Israel pensou que era uma táctica astuciosa para empurrar os islamistas contra a Organização de Libertação da Palestina (OLP). "

Ahmed Yassin, o líder espiritual do movimento islamista na Palestina, ao regressar do Cairo nos anos setenta, fundou uma associação de caridade islâmica. A Primeira Ministra de Israel, Golda Meir, viu nisto uma oportunidade para contrabalançar o crescimento do movimento Fatah de Arafat. Segundo o semanário israelita Koteret Rashit (Outubro de 1987), "As associações islâmicas tal como a universidade foram apoiadas e encorajadas pela autoridade militar israelita" responsável pela administração civil da Cisjordânia [West Bank] e pela Faixa de Gaza. "As associações islâmicas e a universidade foram autorizadas a receber dinheiro do estrangeiro."

Os islamistas organizaram orfanatos e clínicas de saúde, bem como uma rede de escolas, fábricas que criaram emprego para mulheres bem como um sistema de ajuda financeira aos mais pobres. E em 1978, criaram uma "Universidade Islâmica" em Gaza. "A autoridade militar israelita estava convencida que estas actividades iriam enfraquecer tanto a OLP como a organizações esquerdistas em Gaza." Nos finais de 1992, existiam seiscentas mesquitas em Gaza. Graças à Mossad israelita, foi permitido aos islamistas reforçarem a sua presença nos territórios ocupados. Entretanto, os membros da Fatah (Movimento para a Libertação Nacional da Palestina) e a esquerda palestiniana foram sujeitas às mais brutais formas de repressão.

Em 1984, Ahmed Yassin foi preso e condenado a doze anos de prisão, depois da descoberta de um depósito de armas escondido. Mas um ano depois, foi colocado em liberdade e retomou as suas actividades. E quando a Intifada (insurreição) começou, em Outubro de 1978, que apanhou os islamistas de surpresa, o Xeque Ahmed Yassin respondeu criando o Hamas (O Movimento de Resistência Islâmico): "Deus é o nosso princípio, o Profeta o nosso modelo, o Corão a nossa constituição", declara o artigo 7 dos estatutos da organização.

Ahmed Yassin estava na prisão quando os acordos de Oslo (Declaração de Princípios de um Governo Interino) foram assinados em Setembro de 1993. O Hamas rejeitou os acordos completamente. Mas nesse tempo, 70 % dos palestinianos condenaram os ataques aos civis israelitas. Ahmed Yassin fez tudo quanto estava ao seu alcance para sabotar os acordos de Oslo. Ainda antes da morte do Primeiro Ministro israelita Yitzhak Rabin (1995), Yassin tinha o suporte do governo israelita. Yassin estava muito relutante em implementar os acordos de paz.

O Hamas lançou então uma campanha de ataques contra civis israelitas, um dia antes do encontro entre os negociadores palestinianos e israelitas, relativamente ao reconhecimento formal por Israel do Concelho Nacional Palestiniano. Estes acontecimentos contribuíram largamente para a formação para a formação do governo israelita de direita que se seguiu às eleições israelitas de Maio de 1996.

Inesperadamente, o Primeiro Ministro Netanyahu deu ordens para que o Xeque Ahmed Yassin fosse libertado da prisão ("por motivos humanitários") onde estava a cumprir uma pena de prisão perpétua. Entretanto, Netanyahu, com o Presidente Clinton exerciam pressão sobre Arafat para controlar o Hamas. Na realidade, Netanyahu sabia que podia contar, mais uma vez, com os islamistas para sabotarem os acordos de Oslo. Pior ainda: depois de ter expulso Ahmed Yassin para a Jordânia, o Primeiro Ministro Netanyahu permitiu o seu regresso a Gaza, onde foi recebido triunfalmente como um herói em Outubro de 1997.

Arafat estava impotente face a estes acontecimentos. Mais ainda, como tinha apoiado Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo de 1991, (enquanto o Hamas prudentemente se absteve de tomar posição), os Estados do Golfo decidiram cortar o financiamento à Autoridade Palestiniana. Entretanto, entre Fevereiro e Abril de 1998, O Xeque Ahmad Yassin foi capaz de recolher centenas de milhões de dólares, desses mesmos países. Diz-se que o orçamento do Hamas era maior do que o da Autoridade Palestiniana. Estas novas fontes de financiamento permitiram aos islamistas continuar efectivamente as suas actividades caritativas. Estima-se que cada um em três palestinianos recebe ajuda financeira do Hamas. E neste aspecto, Israel não fez nada para travar o fluxo de dinheiro para os territórios ocupados.

O Hamas conseguiu tornar-se forte através dos seus vários actos de sabotagem do processo de paz, de uma forma que era compatível com os interesses do governo israelita. Por seu lado, este último procurou de várias formas impedir a aplicação dos acordos de Oslo. Por outras palavras, o Hamas estava a cumprir as funções para as quais foi originariamente criado: impedir a criação de um Estado palestiniano. E sobre isto, o Hamas e Ariel Sharon, estão absolutamente de acordo; estão exactamente no mesmo comprimento de onda.


Israel, o maior e único porta-aviões americano que é impossível afundar

Nalguns aspectos claramente demarcados, o actual apoio dos Estados Unidos ao governo israelita corresponde aos interesses próprios americanos. Numa região onde o nacionalismo árabe pode ameaçar o controle de petróleo pelos americanos assim como outros interesses estratégicos, Israel tem desempenhado um papel fundamental evitando vitórias de movimentos árabes, não apenas na Palestina como também no Líbano e na Jordânia. Israel manteve a Síria, com o seu governo nacionalista que já foi aliado da União Soviética, sob controlo, e a força aérea israelita é preponderante na região.

Como foi descrito por um analista israelita durante o escândalo Irão-Contras, onde Israel teve um papel crucial como intermediário, "É como se Israel se tivesse tornado noutra agência federal [americana], uma que é conveniente utilizar quando se quer algo feito sem muito barulho."

O ex-ministro de Estado americano, Alexander Haig, descreveu Israel como o maior e o único porta-aviões americano que é impossível afundar.

O alto nível continuado de ajuda dos EUA a Israel deriva menos da preocupação pela sobrevivência de Israel mas antes do desejo de que Israel continue o seu domínio político sobre os Palestinianos e que mantenha o seu domínio militar da região.

Na realidade, um Estado israelita em constante pé de guerra - tecnologicamente sofisticado e militarmente avançado, mas com uma economia dependente dos Estados Unidos - está muito mais disposto a executar operações que outros aliados considerariam inaceitáveis, do que um Estado Israelita que estivesse em paz com os seus vizinhos.

Israel recebe actualmente três mil milhões de dólares por ano em ajuda militar dos Estados Unidos.
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sexta-feira, agosto 29, 2008

Ladrão que rouba a ladrão



À esquerda o presidente do Banco central Europeu (BCE) – o serviçal Jean Claude Trichet – um corsário ao serviço dos International Bankers.


Diário Económico - Crédito à habitação 2008-08-29

Juros da prestação da casa atingem máximo histórico. Desde 1999 que a Euribor não estava tão alta. BCE continua a dizer que a principal preocupação é controlar a inflação.

As famílias com crédito à habitação têm motivos para começar a fazer contas à vida. A partir de Setembro, quem solicitar um empréstimo para a compra de casa, ou estiver próximo da data de revisão do contrato, vai pagar mais 73 euros (para um empréstimo de 150 mil euros) do que pagava este mês. Este aumento deve-se à subida das taxas Euribor, em Agosto, mês que serve de referência para os contratos de Setembro.

A média mensal da Euribor a seis meses, a mais utilizada para o cálculo da prestação da casa em Portugal, atingiu o máximo histórico em Agosto ao fixar-se nos 5,160%. Quer isto dizer que os portugueses vão pagar o valor mais elevado de sempre pelos juros do empréstimo à habitação.

A Euribor a três meses, que tem sido a mais utilizada pelos bancos para os novos contratos de crédito à habitação, seguiu a mesma tendência e atingiu os 4,965%, o valor mais elevado desde Novembro de 2000.

Estas subidas vão ter efeitos já no próximo mês na prestação da casa de muitas famílias.

De acordo com os cálculos do Diário Económico, para um empréstimo de 150 mil euros, a 30 anos, indexado à Euribor a seis meses (acrescido de um ‘spread’ de 1%), a prestação era de 748,17 euros em Fevereiro (sem contabilizar as comissões). A partir de Setembro, a prestação mensal para o mesmo empréstimo vai ser de 820,87 euros, ou seja, mais 72,69 euros. Isto significa que até à próxima revisão em Março, uma família com este crédito terá pago no total dos seis meses mais 436 euros.


Entretanto:

Desde o início do ano, assaltos a caixas de Multibanco ocorrem dia sim dia não.

Jornal Público - 12.08.2008

Desde o início do ano, houve em média um assalto a caixas de Multibanco a cada dois dias, disse hoje à agência Lusa fonte da directoria de Lisboa da PJ.

"Desde Janeiro foram registados 96 assaltos a caixas ATM e detidas 14 pessoas. O montante roubado ascende a 850 mil euros", disse a mesma fonte.

Das 14 pessoas detidas, oito foram indiciadas por "crimes instrumentais", isto é, crimes que funcionam em conexão com o furto de máquinas Multibanco, nomeadamente carjacking, onde os assaltantes ameaçam as vítimas com armas de fogo.

Porém, segundo a mesma fonte, "são raras as vezes que há violência contra as pessoas".

"Os assaltantes aproveitam locais com pouca vigilância ou fáceis de penetrar por arrombamento", referiu.

O "carjacking" e o furto de caixas de Multibanco foram duas das ocorrências que aumentaram em 2007 por comparação com 2006.



Comentário:

Bem sabemos que por cada tostão roubado a uma caixa Multibanco corresponde um milhão roubado pela banca. Os roubos de proporções colossais perpetrados pelos bancos contra as famílias não tem obviamente nenhuma comparação com os centavos subtraídos a uma caixa multibanco. Está na hora de os cidadãos compreenderem como funciona de facto a BANCA, o maior parasita do planeta.

Vídeo:

Em Inglês: Money as Debt

Em Espanhol: El dinero es deuda
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terça-feira, agosto 26, 2008

Quatro pessoas já foram assassinadas na linha do Tua em ano e meio - Quid Bono? Quem beneficia?

Raquel Ramalho Lopes, RTP - 2008-08-24

Isto não é um acidente ferroviário”, declarou o maquinista Fernando Pires à RTP.

O maquinista cita técnicos que referem que um acidente ferroviário deveria implicar falhas na via, no material circulante ou existência de obstáculos. “Não tinha nada disso. A via estava boa, o material óptimo e não tinha obstáculo nenhum. Só pode ser uma coisa muito estranha”, comenta.

Fernando Pires sustenta que os acidentes começaram desde que teve início o debate para a construção da barragem do Foz Tua. No período de ano e meio ocorreram quatro acidentes. “Eu estive em dois. Os mais recentes”. Nestes acidentes faleceram quatro pessoas.

O desastre de sexta-feira, a um quilómetro da Estação da Brunheda, concelho de Carrazeda de Ansiães, provocou um morto e 43 feridos, um dos quais em estado grave. Viajavam 47 pessoas na composição.

O acidente mais grave ocorreu a 12 de Fevereiro de 2007, em que três pessoas perderam a vida.


Conclusões de inquéritos estão por divulgar

O maquinista acredita que a Linha do Tua é segura e que o material se encontra em boas condições. Fernando Pires está curioso por saber as conclusões do inquérito em curso pela CP, REFER, Metro de Mirandela e Instituto da Mobilidade e Transportes Terrestres.

Uma curiosidade partilhada com o presidente da Câmara Municipal de Mirandela. José Silvano, que também preside à Metro de Mirandela, lamenta que só tenham sido divulgadas as conclusões do inquérito ao primeiro acidente, em Fevereiro do ano passado. O documento apontava causas naturais, como o desabamento de terras e pedras, para o acidente.

Para o autarca “ao não haver divulgação dos resultados dos inquéritos, está-se a alimentar a teoria da conspiração em que muitos transmontanos já acreditam, de alguém querer fechar a Linha do Tua”.

O Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) também manifestou “tristeza e estranheza” pela “sucessão de acidentes na Linha do Tua, ora por uma razão ora por outra”. “O PEV vai esperar pelo resultado do inquérito que com toda a certeza se realizará com a maior celeridade” e renovou a sua oposição à construção da barragem do Foz Tua.

Os resultados preliminares do inquérito ao último acidente devem chegar ao conhecimento do ministro dos Transportes, Mário Lino, na próxima terça-feira.


Jovens retiraram parafusos com as mãos

Com as nossas próprias mãos conseguimos desapertar os parafusos. Como é possível? Alguns estavam completamente soltos”, disse uma jovem, que integra o grupo de 40 pessoas, entre os 15 e os 17 anos, que entregaram na Estação do Tua parafusos recolhidos junto ao local do acidente da passada sexta-feira.


Governo garante que Linha do Tua tem vistorias frequentes

A REFER analisa o estado de conservação da via ferroviária de 15 em 15 dias, garantiu a secretária de Estado dos Transportes, sexta-feira, aquando de uma deslocação ao local do acidente.

A CP tinha vistoriado na semana passada a composição que esteve envolvida no acidente e concluiu este não poderia ter origem em problemas mecânicos da composição.


Barragem envolta em polémica

O PEV e os autarcas da região do Tua têm-se manifestado contra a construção da barragem da Foz do Tua. Os autarcas de Mirandela, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Alijó e Murça quiseram criar um programa de desenvolvimento do Vale do Tua, antes de negociarem as compensações com a EDP (empresa que irá construir a barragem).

O início dos trabalhos de construção desta barragem está previsto para o início do próximo ano. A barragem deverá ser construída na junção do Tua com o Douro, local onde se cruzam as linhas ferroviárias do Tua e do Douro. As obras implicam colocar debaixo de água parte da Linha do Tua, com 120 anos.

O PEV pediu a intervenção da UNESCO, com a argumentação que a construção da barragem vai afectar o Alto Douro Património Mundial. “Os Verdes” alegam ainda que a barragem vai submergir “uma das mais belas linhas ferroviárias do mundo”.

A Quercus também saiu em defesa da continuidade do rio e da via férrea, alertando para a fauna, flora, geologia, paisagem e património que poderá impulsionar o desenvolvimento económico e turístico da região.

“Os Verdes acusaram mesmo o Governo de fugir ao debate sobre o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctico, após o PS ter inviabilizado a comparência do ministro do Ambiente no Parlamento.

O Programa Nacional de Barragens, aprovado a 7 de Dezembro do ano passado, prevê a construção de 10 barragens: Foz do Rio Tua, Pinhosão (Rio Vouga), Padroselos, Vidago, Daivões, Fridão e Gouvães (Rio Tâmega), Girabolhos (Rio Mondego), Alvito (Rio Ocreza) Almourol (Rio Tejo).

O plano define o investimento de 1.140 milhões de euros e estima o aumento da capacidade hídrica em 1.100 megawatts.


Diário de Notícias:

O presidente da Metro de Mirandela, José Silvano, diz desconhecer as conclusões dos relatórios dos dois anteriores acidentes.

Ao DN, José Silvano afiança que a empresa não recebeu os referidos relatórios. "Nunca tivemos conhecimento deles", adianta. Já em relação ao do primeiro acidente, elaborado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil, lembra que "apontava como causa do acidente o deslizamento de pedras". Face a tudo isto, José Silvano assegura que, por si, não vai "permitir a circulação na linha enquanto não forem conhecidas publicamente as causas deste acidente".

O porta-voz da Refer, Santos Lopes, não comenta estas afirmações e diz que "os relatórios são enviados às entidades envolvidas". Quanto ao pedido para que a empresa divulgue as causas deste acidente, lembra que a esta "não toma a iniciativa de divulgar os relatórios".

O Partido Os Verdes defende que o Governo "deve explicações claras e convincentes sobre os acidentes ocorridos na Linha do Tua, no espaço de um ano e meio" e lamenta que "quatro meses depois da ocorrência do segundo [acidente] e dois meses depois do terceiro acidente, as causas dos mesmos ainda não são publicamente conhecidas". Os Verdes estranham ainda o facto dos acidentes terem ocorrido "numa zona da linha que ficará sempre submersa em qualquer das cotas propostas para esta Barragem". José Silvano não acredita em sabotagem mas teme que este acidente venha contribuir para "um encerramento definitivo da Linha do Tua".


Comentário:

Diz o Procurador-Geral da República (PGR) que vai pedir um reforço à investigação da criminalidade violenta. Ele que dê a máxima prioridade a estes "acidentes". Assassinam-se pessoas para construir barragens. Os suspeitos estão bem à vista.
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