terça-feira, março 24, 2009

Um imbecil de nome Nicolau

Presidente Thomas Jefferson:
"Se o povo Americano alguma vez permitir que os bancos controlem a emissão do seu dinheiro, primeiro por inflação e depois por deflação, os bancos e as corporações que nascerem à sua volta, privarão o povo da sua propriedade até que os seus filhos acordem sem tecto no continente que os seus pais conquistaram."


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O novo mundo que aí vem

Segue-se um diálogo imaginário entre mim e um excerto de um artigo de Nicolau Santos no Expresso de 21/03/2009:


Nicolau: «O mundo de abundância e prosperidade em que vivemos desde a II Guerra Mundial está a ruir fragorosamente. Há, contudo, quem pense que, passada a tempestade, tudo voltará ao mesmo. Pois a má notícia é que não voltará. A boa é que, mesmo sendo um mundo mais pobre, aquele que aí vem, pode ser um mundo melhor. Explico-me

Diogo: Vamos, portanto e doravante, segundo o jornalista Nicolau Santos, começar a viver pior que no passado. Nunca na história tal aconteceu. Mas atentemos nos seus argumentos:


Nicolau: «O que se está a passar é o empobrecimento das sociedades ocidentais. Os nossos padrões de consumo serão inferiores àqueles que temos praticado até agora. Haverá menos emprego nos sectores da agricultura, indústria e serviços. E será insustentável que se mantenham e agravem as fortíssimas desigualdades sociais que se criaram desde os anos 80.»

Diogo: Porquê o empobrecimento anunciado? Que calamidade terá sobrevindo? O emprego vai diminuir e eventualmente acabar? E isso é mau?

Nunca, como hoje, a tecnologia esteve tão desenvolvida, e nunca, como hoje, a evolução da tecnologia foi tão rápida. A evolução tecnológica é exponencial. Não sei em que ponto nos encontramos, hoje, de uma curva que tende para mais infinito, mas é sabido que houve mais evolução tecnológica nos últimos 100 anos dos que nos mil anos anteriores. E haverá, seguramente, mais evolução tecnológica nos próximos vinte anos do que nos últimos 100.

A tecnologia é o conjunto de máquinas, ferramentas, técnicas, conhecimentos, métodos e processos utilizados na resolução de um trabalho. A evolução deste conjunto permite-nos produzir cada vez mais bens e serviços com cada vez menos esforço humano directo.

De forma simplista, na agricultura - cem homens munidos de uma enxada substituíram mil homens que plantavam sementes à mão. Dez homens com arados de tracção animal substituíram cem cavadores de enxada. Um homem com um tractor agrícola substituiu dez homens com arados. A diminuição do trabalho humano na agricultura, aconteceu, e será cada vez mais visível em todos os campos da economia, desde produção industrial aos serviços. Não será isto uma excelente notícia?


O problema é que o Nicolau continua a raciocinar tal como lhe ensinaram na escola: a economia implica forçosamente «Emprego». Não lhe passa pelo córtex cerebral que o emprego esteja em vias de desaparecimento, substituído progressivamente pela tecnologia. Não percebe que a evolução tecnológica está a substituir o homem na produção. É incapaz de imaginar uma economia sem emprego e parece desconhecer que o emprego surgiu paulatinamente apenas nos últimos 250 anos. Não concebe um mundo onde o homem possa trabalhar cada vez menos e usufruir cada vez mais. Nicolau assemelha-se a um míope, para quem, tudo o que esteja para lá dos apontamentos de economia que fotocopiou na faculdade, se mostra nebuloso e confuso.


Nicolau: «É bom que ninguém se esqueça que o que começou por ser uma crise imobiliária, passou para uma crise financeira, tornou-se uma crise da economia real, está já a transformar-se numa enorme crise social e vai descambar inevitavelmente em crises políticas, cujos desfechos são completas incógnitas.»

Diogo: O cândido Nicolau não entende que toda esta «crise» é deliberada e planeada com antecedência. O chamado «lixo tóxico», resultado da venda de imóveis sem qualquer garantia (só possível numa banca a funcionar em cartel), serviu para justificar o suposto «crash» de alguns bancos (que mais não são que balcões desse cartel a transferir activos de uns para outros), o que, por sua vez, serviu para desencadear a badalada «crise financeira» global.


Nicolau: «Por isso, não podemos cair nos vários erros que nos conduziram até aqui. Não podemos pedir às pessoas que se endividem para aumentar o consumo - foi precisamente o excesso de endividamento das pessoas, das famílias, das empresas, dos bancos, dos Estados que nos conduziu ao beco em que nos encontramos. Não podemos pedir aos bancos que emprestem dinheiro a tudo e a todos para manter as economias a funcionar - porque a probabilidade de grande parte desse dinheiro não ser recuperado é agora muito maior. Não podemos pedir às empresas que invistam para aumentar a produção - quando os mercados não conseguem absorver a produção existente. Não podemos pedir às autarquias que façam obras desnecessárias porque é preciso que o dinheiro chegue à economia - sob pena de agravarmos o seu desequilíbrio financeiro. Não podemos pedir aos Governos que deitem dinheiro para cima de todos os problemas - porque estamos a agravar os défices excessivos e os desequilíbrios comerciais fortíssimos e a passar uma factura pesadíssima para os nossos filhos.»

Diogo: Não há dinheiro para emprestar? O escriba do Expresso parece não saber que o sistema de reservas fraccionárias possibilita que mais de 90% do dinheiro que os bancos emprestam com juros é criado a partir do nada. Nicolau não compreende que os bancos criam o dinheiro que emprestam, não dos ganhos do próprio banco, não do dinheiro depositado, mas directamente das promessas de pagamento das pessoas que pedem emprestado. Nicolau, embora tendo conhecimento dos actuais lucros da banca (conseguidos em plena «crise»), mostra-se incapaz de os interpretar.

Por outro lado, Nicolau desconhece o mecanismo que leva os bancos a criarem deliberadamente depressões económicas, restringindo o crédito e portanto o dinheiro em circulação e, no processo, auferirem lucros fabulosos.

[Excerto de Sheldon Emry] - Numa economia é necessária uma adequada disponibilidade de moeda (moeda em poder do público mais depósitos à ordem no sistema bancário). O dinheiro é o sangue da economia, o meio pelo qual são feitas todas as transacções comerciais excepto a simples troca directa. Remova-se o dinheiro ou reduza-se a disponibilidade de moeda abaixo do que é necessário para levar a cabo os níveis correntes de comércio, e os resultados são catastróficos.

No princípio dos anos 30 do século passado, os banqueiros, a única fonte de dinheiro novo e crédito, recusaram deliberadamente empréstimos às indústrias, às lojas e às propriedades rurais dos EUA. Contudo, foram exigidos os pagamentos dos empréstimos existentes, e o dinheiro desapareceu rapidamente de circulação. As mercadorias estavam disponíveis para serem transaccionadas, os empregos à espera para serem criados, mas a falta de dinheiro paralisou a nação.

Com este simples estratagema a América foi colocada em "depressão" e os banqueiros apropriaram-se de centenas e centenas de propriedades rurais, casas e propriedades comerciais. Foi dito às pessoas, "os tempos estão difíceis" e "o dinheiro é pouco". Não compreendendo o sistema, as pessoas foram cruelmente roubadas dos seus ganhos, das suas poupanças e das suas propriedades.

Bancos agravam restrições ao crédito à chegada da crise

RTP - 6 de Fevereiro de 2009

[...] O sector da banca voltou a acentuar, no último trimestre do ano passado, as restrições para a concessão de empréstimos. [...] O aperto das restrições à concessão de empréstimos é explicado com o argumento de que a crise financeira agravou os custos de financiamento dos próprios bancos, a somar ao aumento da percepção de risco e à consequente degradação dos balanços.

O primeiro reflexo prático da estratégia das instituições bancárias é a subida do ónus dos empréstimos para famílias e entidades empresariais, em resultado do aumento dos spreads (margens de lucro dos bancos). Ao mesmo tempo, as verbas a emprestar encolhem, assim como os prazos dos créditos.


Nicolau: «O que precisamos é de algo que não se compra mas que tem um valor incalculável: bom senso. O bom senso que se espera dos que ganham mais é que reduzam os seus salários para evitar despedimentos. O bom senso que se espera dos gestores é que abdiquem de bónus que, na fase que atravessamos, são ofensivos. O bom senso que se espera dos banqueiros é que não apresentem lucros pornográficos nem tenham remunerações indecorosas. O bom senso que se espera dos trabalhadores é que não agravem o problema das empresas com reivindicações irrealistas.»

Excerto de Viviane Forrester: Dizem sempre que temos de nos adaptar. Digo que não há razão para se adaptar ao insuportável. Falam do desemprego como se fosse algo natural e inevitável. Na verdade, se se escutar boa parte dos discursos sobre a situação mundial tem-se a impressão de que estamos a sair de uma catástrofe mundial, de que estamos numa situação trágica à qual temos de nos adaptar. Mas onde está a catástrofe?

Reivindicações irrealistas? O que é a economia? A organização, a distribuição da produção em função das populações, do seu bem-estar? Ou a utilização ou a marginalização das populações em função de flutuações financeiras anárquicas, sem ligação com as pessoas, mas exclusivamente ligadas ao lucro, e em detrimento delas? Estaremos numa verdadeira economia ou, pelo contrário, na sua negação?

Não faz sentido mandar desempregados procurar emprego num mundo onde o trabalho já não existe e, mais do que isso, já não interessa.

Está na hora de a sociedade pensar noutra forma de viver, uma forma que não dependa de emprego. Os homens e o seu trabalho são hoje absolutamente desnecessários à economia. Não é mais o trabalho que gera o lucro, é a economia virtual (as aplicações, os papéis, um mundo globalizado que ignora o trabalhador). Os empregos não existem, tampouco passarão a existir no futuro.



Nicolau: «É por tudo isto que é um bálsamo para a alma a decisão do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de taxar a 90% os bónus dos administradores de empresas que recorreram a empréstimos do Estado. Se os próprios administradores não tiveram o bom senso de recusar esses bónus (o que diz muito da estupidez da natureza humana), que haja, da parte do poder político, decisões que moralizem a sociedade. Esperemos que o exemplo se espalhe e frutifique. Porque a alternativa é um mundo a caminho de convulsões sociais cada vez mais violentas.»


Obama aceitou dinheiro da AIG para a campanha eleitoral


AOL News - 19 de Março de 2009

No seguimento de toda a indignação vinda da Casa Branca sobre os bónus pagos aos executivos do grupo de Seguros AIG, a Casa Branca poder-se-á sentir algo embaraçada em admitir que como senador, o presidente Obama recebeu muito dinheiro da AIG sob a forma de contribuições para a campanha eleitoral. Segundo o OpenSecrets.org [uma organização que monitoriza os dinheiros recebidos pelos candidatos nas campanhas eleitorais], o senador Obama foi o segundo maior receptor de dinheiro da AIG, no valor de 101,332 dólares. Obama só foi ultrapassado pelo senador democrata pelo Connecticut, Chris Dodd, que, soube-se, é responsável pelo expediente que permitiu que os bónus fossem pagos aos executivos da AIG.
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sexta-feira, março 20, 2009

Jon Stewart - a guerra do Iraque vai acabar. A afirmação é de Obama, que emprega textualmente as mesmas palavras que Bush utilizou uns anos antes

Jon Stewart, do Daily Show, fala-nos, com humor cáustico, do plano de retirada de Barack Obama do Iraque, plano curiosamente retirado a papel químico do plano de retirada de George Bush:


Jon Stewart: Já não falamos do Iraque há algum tempo. Todavia, isso mudou a semana passada quando o presidente Obama falou aos Marines.

Barack Obama: Vou ser tão directo quanto possível. Dia 31 de Agosto de 2010, a nossa missão de combate no Iraque terminará.

Jon Stewart (exultante): A guerra acabou… Acabou… A guerra acabou!

Barack Obama: Vamos manter uma força de transição com três funções. Esta força terá de 35 a 50 mil tropas americanas.

Jon Stewart: F***-se! É isso mesmo. Ao que parece, toda a gente vem para casa, excepto várias dezenas de milhares de soldados. Mas o combate vai acabar, não é?

Barack Obama: A nossa missão vai mudar de combate para apoio ao governo do Iraque e às suas forças de segurança. Treinar, equipar e aconselhar as forças de segurança do Iraque. Levar a cabo missões de contra-terrorismo.

Jon Stewart: Isso é incrível. É bem diferente da missão antiga.

George Bush (alguns anos antes): À medida que tem lugar esta transição na nossa missão, as nossas tropas terão tarefas mais limitadas, incluindo operações de contra-terrorismo e treinar, equipar e apoiar as forças iraquianas.

Jon Stewart: É tão parecido! Tem de haver uma diferença entre estes dois homens. Parece que a única diferença entre as tropas de combate que estão lá agora e as tropas de combate que lá estarão daqui a um ano é estarmos a chamar-lhes outra coisa, mas não pode ser verdade.

Robert Gates (ministro da defesa): As unidades que lá ficarão serão caracterizadas de forma diferente. Não serão chamadas brigadas de combate. Serão chamadas "brigadas de aconselhamento e apoio."

Jon Stewart: Não é para nos dizerem isso! “Brigadas de aconselhamento e apoio.” Por momentos, achei que ainda iam correr perigo. Vão só ser um pelotão de cromos no Iraque. Digam-me objectivamente, sem rodeios, quando vamos sair do Iraque?

Barack Obama: Pretendo retirar todas as tropas americanas do Iraque até ao fim de 2011.

Jon Stewart: Tem a certeza disso? Não vai lá deixar a brigada de limpeza e desinfecção? 30 mil soldados do pelotão de instalação da televisão por cabo? Talvez vá reclassificar as tropas como árvores para nunca terem de sair?


Vídeo legendado em português:


@ Yahoo! Video

quarta-feira, março 18, 2009

A fraternidade maçónica é useira em beneficiar apenas os próprios 'irmãos'


A maçonaria tem por regra recrutar para membros das suas 'lojas' apenas os mais bem sucedidos socialmente, especialmente entre as classes profissionais mais ricas - financeiros, médicos, advogados, jornalistas, empresários, oficiais militares, magistrados e políticos nacionais e locais - que a financiam generosamente.

Os maçons angariam para as suas hostes as pessoas influentes e em postos chave, e persuadem-nos com promessas de prestígio social. Em contrapartida, os recrutados podem contar com o apoio da poderosa 'fraternidade' sempre que dela necessitarem, seja por motivos profissionais, económicos, políticos, judiciais, etc. Desta forma, toda a 'fraternidade' beneficia.


A TVI fez uma grande reportagem sobre a maçonaria. Seguem-se alguns excertos do 2º vídeo:

António Reis, grão mestre do Grande Oriente Lusitano: "Diz-se que a maçonaria é uma forma de se conseguir contactos com vista a encontrar melhores empregos, ou para progredir melhor numa carreira profissional e política. A minha experiência aqui dentro [da maçonaria] diz-me que sucede muito mais vezes o contrário".

O mesmo António Reis: "A maçonaria pretende reunir uma elite. Haverá necessariamente uma zona de coincidência entre quem está no poder económico, empresarial, político, cultural, cívico e quem está numa obediência maçónica. Mas é apenas uma coincidência parcelar. Não há, como é óbvio, nem todo o poder está na maçonaria, nem todos os maçons estão no poder".

Nandim de Carvalho, ex-grão mestre da Grande Loja Regular de Portugal, ex-governante do executivo do PSD, tem uma opinião diferente. Ele vê uma linha de separação entre as maçonarias Regular e Liberal: "É uma visão de ultra-maçonaria, considerada como liberal ou como irregular. É o contrário, essa maçonaria, reivindica mesmo postos na política. Estou recordado de um antigo grão-mestre do Grande Oriente, o arquitecto Rosado Correia, que interpelou na altura o primeiro-ministro, António Guterres, no sentido de ter mais ministros maçons. E de o criticar porque tinha muitos ministros católicos".

O maçon João Soares, o rechonchudo rebento do ex-presidente e também maçon, Mário soares, afirma: "Eu acho que há sobre isso [a maçonaria] um mito que não corresponde à realidade de facto. E a minha esperança é que, a mesma imagem que também existe sobre uma organização com outras conotações e com outros valores como é a Opus Dei, também corresponda, também aconteça exactamente aquilo que acontece com a maçonaria, que é, a fama seja muitíssimo maior que o proveito".


Maçonaria - Grande Reportagem TVI - Parte 1 de 3:




Maçonaria - Grande Reportagem TVI - Parte 2 de 3:




Maçonaria - Grande Reportagem TVI - Parte 3 de 3:

segunda-feira, março 16, 2009

A alucinante trajectória profissional de Armando Vara, um amigo do peito de José Sócrates

O factor Vara

[...] Por exemplo: a história de Armando Vara, promovido ao nível máximo de vencimento na Caixa Geral de Depósitos e para efeitos de reforma futura, depois de já estar há dois meses a trabalhar na concorrência do BCP, é uma história que me deprime. Não, não, acreditem que, apesar de isto envolver o dinheiro que pago em impostos, esta história não me revolta nem me indigna, apenas me deprime. E de forma leve. Eu explico.

Toda a 'carreira', se assim lhe podemos chamar, de Armando Vara, é uma história que, quando não possa ser explicada pelo mérito (o que, aparentemente, é regra), tem de ser levada à conta da sorte. Uma sorte extraordinária. Teve a sorte de, ainda bem novo, ter sentido uma irresistível vocação de militante socialista, que para sempre lhe mudaria o destino traçado de humilde empregado bancário da CGD lá na terra. Teve o mérito de ter dedicado vinte anos da sua vida ao exaltante trabalho político no PS, cimentando um currículo de que, todavia, a nação não conhece, em tantos anos de deputado ou dirigente político, acto, ideia ou obra que fique na memória. Culminou tão profícua carreira com o prestigiado cargo de ministro da Administração Interna - em cuja pasta congeminou a genial ideia de transformar as directorias e as próprias funções do Ministério em Fundações, de direito privado e dinheiros públicos. Um ovo de Colombo que, como seria fácil de prever, conduziria à multiplicação de despesa e de "tachos" a distribuir pela "gente de bem" do costume. Injustamente, a ideia causou escândalo público, motivou a irritação de Jorge Sampaio e forçou Guterres a dispensar os seus dedicados serviços. E assim acabou - "voluntariamente", como diz o próprio - a sua fase de dedicação à causa pública. Emergiu, vinte anos depois, no seu guardado lugar de funcionário da CGD, mas agora promovido por antiguidade ao lugar de director, com a misteriosa pasta da "segurança". E assim se manteve um par de anos, até aparecer também subitamente licenciado em Relações Qualquer Coisa por uma também súbita Universidade, entretanto fechada por ostensiva fraude académica. Poucos dias após a obtenção do "canudo", o agora dr. Armado Vara viu-se promovido - por mérito, certamente, e por nomeação política, inevitavelmente - ao lugar de administrador da CGD: assim nasceu um banqueiro. Mas a sua sorte não acabou aí: ainda não tinha aquecido o lugar no banco público, e rebentava a barraca do BCP, proporcionando ao Governo socialista a extraordinária oportunidade de domesticar o maior banco privado do país, sem sequer ter de o nacionalizar, limitando-se a nomear os seus escolhidos para a administração, em lugar dos desacreditados administradores de "sucesso". A escolha caiu em Santos Ferreira, presidente da CGD, que para lá levou dois homens de confiança sua, entre os quais o sortudo dr. Vara. E, para que o PSD acalmasse a sua fúria, Sócrates deu-lhes a presidência da CGD e assim a meteórica ascensão do dr. Vara na banca nacional acabou por ser assumida com um sorriso e um tom "leve".

Podia ter acabado aí a sorte do homem, mas não. E, desta vez, sem que ele tenha sido tido ou achado, por pura sorte, descobriu-se que, mesmo depois de ter saído da CGD, conseguiu ser promovido ao escalão máximo de vencimento, no qual vencerá a sua tão merecida reforma, a seu tempo. Porque, como explicou fonte da "instituição" ao jornal "Público", é prática comum do "grupo" promover todos os seus administradores-quadros ao escalão máximo quando deixam de lá trabalhar. Fico feliz por saber que o banco público, onde os contribuintes injectaram nos últimos seis meses mil milhões de euros para, entre outros coisas, cobrir os riscos do dinheiro emprestado ao sr. comendador Berardo para ele lançar um raide sobre o BCP, onde se pratica actualmente o maior spread no crédito à habitação, tem uma política tão generosa de recompensa aos seus administradores - mesmo que por lá não tenham passado mais do que um par de anos. Ah, se todas as empresas, públicas e privadas, fossem assim, isto seria verdadeiramente o paraíso dos trabalhadores!



Eu bem tento sorrir apenas e encarar estas coisas de forma leve. Mas o 'factor Vara' deixa-me vagamente deprimido. Penso em tantos e tantos jovens com carreiras académicas de mérito e esforço, cujos pais se mataram a trabalhar para lhes pagar estudos e que hoje concorrem a lugares de carteiros nos CTT ou de vendedores porta a porta e, não sei porquê, sinto-me deprimido. Este país não é para todos.

P.S. - Para que as coisas fiquem claras, informo que o sr. (ou dr.) Armando Vara tem a correr contra mim uma acção cível em que me pede 250.000 euros de indemnização por "ofensas ao seu bom nome". Porque, algures, eu disse o seguinte: "Quando entra em cena Armando Vara, fico logo desconfiado por princípio, porque há muitas coisas no passado político dele de que sou altamente crítico". Aparentemente, o queixoso pensa que por "passado político" eu quis insinuar outras coisas, que a sua consciência ou o seu invocado "bom nome" lhe sugerem. Eu sei que o Código Civil diz que todos têm direito ao bom nome e que o bom nome se presume. Mas eu cá continuo a acreditar noutros valores: o bom nome, para mim, não se presume, não se apregoa, não se compra, nem se fabrica em série - ou se tem ou não se tem. O tribunal dirá, mas, até lá e mesmo depois disso, não estou cativo do "bom nome" do sr. Armando Vara. Era o que faltava!


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Outras apostas de sucesso do (Dr.) Armando Vara

(Dr.) Vara duplicou salário no BCP


Correio da Manhã - 18 de Março de 2009

Armando Vara duplicou o rendimento ao passar de vogal do conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) para vice-presidente do Millennium/BCP.

De acordo com o Relatório do Bom Governo da CGD referente a 2007, Armando Vara recebeu uma remuneração-base de 244 441 euros/ano. Um montante que fica muito aquém daquele que foi pago pelo BCP em 2008: mais de 480 mil euros. Trata-se, no entanto, de um valor que é mais de cinco vezes inferior àquele que ganhava a administração liderada por Paulo Teixeira Pinto.



(Dr.) Vara deposita confiança total em [Fátima] Felgueiras


Correio da Manhã - 9 de Abril de 2008

'Por norma, o cabeça de lista não é ocupado com funções de recolha ou gestão directa de fundos para a campanha, para se poder dedicar mais a assuntos de natureza política e também para se resguardar de eventuais conflitos de interesses pós-eleitorais', defendeu o ex-coordenador nacional do PS e actual administrador do BCP, Armando Vara, numa sessão em que as virtudes da autarca Fátima Felgueiras foram efusivamente realçadas.

Em causa está a gestão de dinheiros de uma conta do PS de Felgueiras supostamente financiada por verbas resultantes de negócios lucrativos de empresas com o município.

[...] Apesar disso, Vara garantiu não ter 'quaisquer dúvidas sobre o carácter e a honestidade' de Felgueiras, que 'tinha um grande capital de confiança do partido que não era passível de ser posto em causa'. Por isso, o então coordenador nacional do PS para as autárquicas entende que tomou a decisão correcta ao recandidatar Fátima Felgueiras.

José Sócrates foi também arrolado como testemunha de Fátima Felgueiras. O primeiro-ministro deverá utilizar a prerrogativa de responder por escrito às perguntas feitas pelo colectivo.

A presidente da Câmara Municipal de Felgueiras, Fátima Felgueiras, vai responder, neste processo, pela alegada prática de 23 crimes e por ter lesado o município em cerca de 785 349 euros.
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quarta-feira, março 11, 2009

Monty Python – Um ataque devastador à postura da Igreja Católica sobre o uso do preservativo

Os criadores e intérpretes britânicos da série cómica Monty Python's Flying Circus brindam-nos, neste sketch do filme "The Meaning of Life" [O Sentido da Vida], com os pontos de vista antagónicos de Católicos e Protestantes em relação à procriação:


O pai, católico, após mais um dia de extenuante trabalho, chega a casa, cheia de filhos, e onde acaba de nascer mais uma criança.

O Pai: Tenho algo a dizer a toda família. A fábrica fechou. Não há mais trabalho. Estamos paupérrimos. Não tenho outra opção, senão vender-vos a todos para experiências científicas. É assim que tem que ser. Culpem a Igreja Católica por não me deixar usar uma coisinha de borracha. A Igreja fez coisas maravilhosas, mas se me tivesse deixado usar uma coisinha de borracha na ponta da pila, não estaríamos nesta situação.

Um dos filhos: A mãe não podia ter usado uma espécie de diafragma?

O Pai: Não, se continuarmos a ser membros da religião de mais rápido crescimento do mundo. Porque, todo o esperma é sagrado e todo o esperma é bestial, se o esperma for desperdiçado então Deus fica muito irado.

Uma filha (que não terá mais de seis anos): Deixem os pagãos derramar o [sémen] deles no chão poeirento, Deus fá-los-á pagar por cada esperma que não for encontrado.

O Pai: Portanto, já perceberam qual é o meu problema. Não vos posso manter a todos por mais tempo. Deus abençoou-nos tanto que não vos posso alimentar mais.

Outro dos filhos: Não podia ter cortado os tomates?

O Pai: Não é assim tão simples, Nigel. Deus sabe tudo. Ele veria esse golpe baixo. O que fazemos a nós mesmos, fazemos a Ele.

Outro das filhas: Podia tê-los arrancado num acidente.

O Pai: Não. Crianças, sei que querem ajudar, mas acreditem, estou decidido. Pensei muito seriamente sobre isto e a maioria de vocês servirá para experiências médicas.


Entretanto, na casa em frente, vive um casal de protestantes.

O marido protestante diz, enquanto espreita pela janela: Olha para eles. Católicos dum raio. Enchem o mundo de gente que não podem alimentar.

A mulher protestante: Porque têm tantos filhos?

O marido protestante: Porque, cada vez que têm relações sexuais, têm de fazer um filho.

A mulher protestante: Mas connosco é igual, Harry. Temos dois filhos e tivemos relações sexuais duas vezes.

O marido protestante: Não é essa a questão. Podíamos ter tido sempre que queríamos. E como não acreditamos em todas as tretas papistas, podemos tomar precauções. Podemos usar borrachinhas para evitar a descendência. Eu podia, se quisesse, ter tido relações contigo. E, por usar uma borrachinha no meu coiso, podia estar certo de que quando me viesse, tu não serias fecundada. É esse o fulcro de ser Protestante.

E a conversa entre o casal protestante vai subindo de tom, em acesa censura a uma Igreja Católica que não parece não ter sabido ultrapassar a Idade Média...


Vídeo legendado em português:

MP - Catolicos e Protestantes Short @ Yahoo! Video


Ou numa versão um pouco mais alargada do mesmo Vídeo, também legendado em português:

MP - Catolicos e Protestantes @ Yahoo! Video

segunda-feira, março 09, 2009

Monty Python - A mais extraordinária aula de educação sexual já leccionada num secundário


Os criadores e intérpretes britânicos da série cómica Monty Python's Flying Circus oferecem-nos neste sketch do filme "The Meaning of Life" [O Sentido da Vida], uma aula de educação sexual inesquecível:


Professor: Bom, sexo. Sexo, sexo, sexo. Onde ficámos na última aula? Bem, já tinha chegado à parte em que o pénis entra na vagina?

Os alunos após alguma hesitação: Não senhor.

Professor: Já dei os preliminares?

Os alunos após alguma hesitação: Sim senhor.

Professor: Já que todos sabem tudo sobre preliminares, podem dizer-me qual o propósito dos preliminares. Higgs?

Aluno Higgs, [após grande hesitação]: Não sei. Desculpe.

Professor: Carter?

Aluno Carter: Era tirar a roupa?

Professor: E depois disso? O propósito dos preliminares é causar a lubrificação da vagina, para que o pénis possa penetrar mais facilmente. E, obviamente, causar a erecção e rigidez do pénis. Bom, dei os sucos vaginais na semana passada?

Professor: Presta atenção Wadsworth! Sei que é sexta-feira. Posso decidir fazer um teste este período.

Ouve-se um burburinho de desagrado entre os alunos.

Professor: Ouçam com atenção. Dei ou não dei os sucos vaginais? Digam-me dois modos de os fazer fluir, Watson?

Aluno Watson: Esfregando o clitóris?

Professor: ... Que mal tem um beijo? Porque não começar a excitá-la com um beijo? Não tens de saltar directamente para o clitóris como uma besta. Dá-lhe um beijo!

Um Aluno: Chupar o mamilo?

Professor: Sim, bem, pode ser...

Outro Aluno: Acariciar as coxas?

Professor: Sim. Acho que sim...

Um terceiro Aluno: Morder o pescoço.

Professor: Sim, bem. Mordiscar a orelha, massajar o traseiro e por aí adiante. Temos todas estas possibilidades antes de atacar o clitóris.


E a lição sexual continua num crescendo de humor até atingir um clímax inesperado...


Vídeo legendado em português:


MP - Aula de Educacao Sexual @ Yahoo! Video

quinta-feira, março 05, 2009

O dinheiro enquanto dívida - a finança explicada a Armandos, Armindos, Frangos e Arturinhos

Donde é que vem o Dinheiro?

O que é o dinheiro?

Para a maioria de nós, a questão "Donde é que vem o dinheiro?" lembra-nos uma imagem da casa da moeda a imprimir notas e a cunhar moedas. O dinheiro, a maioria acredita, é criado pelo governo.

É verdade, mas só até um certo ponto. Esses símbolos de valor de metal e de papel que costumamos pensar como dinheiro são, na verdade, produzidos por uma agência do governo federal chamada Casa da Moeda.

Mas a grande maioria do dinheiro não é criado pela Casa da Moeda. É criado em grandes quantidades todos os dias por empresas privadas chamadas bancos.

A maioria de nós acredita que os bancos emprestam dinheiro que lhes foi confiado por depositantes. É fácil de imaginar. Mas não é verdade.

De facto, os bancos criam o dinheiro que emprestam, não dos ganhos do próprio banco, não do dinheiro depositado, mas directamente da promessa de pagamento da pessoa que pede emprestado.

A assinatura da pessoa que pede emprestado nos papéis do empréstimo é uma obrigação para pagar ao banco o empréstimo mais o juro, ou, perde a casa, o carro, qualquer bem que tenha dado como garantia. É um grande compromisso para o devedor.

O que é que essa assinatura requer do banco? O banco faz surgir do nada a quantidade do empréstimo e inscreve-o na conta do devedor.

Parece absurdo?

De certeza que não pode ser verdade. Mas é!

Para demonstrar como é que este milagre da banca moderna acontece, considerem esta simples história:


A história do ourives

Antigamente, quase qualquer coisa era utilizada como dinheiro.

Tinha apenas de ser portátil e que houvesse gente suficiente que acreditasse que o poderia trocar mais tarde por coisas de valor real como comida, roupa ou abrigo. Conchas, grãos de cacau, pedras bonitas, mesmo penas foram usadas como dinheiro.

Ouro e prata eram atraentes, flexíveis e fáceis de trabalhar, portanto algumas culturas tornaram-se especialistas nestes metais. Os ourives comerciavam mais facilmente moldando moedas, unidades estandardizadas destes metais cujo peso e pureza eram certificados.

Para proteger este ouro o ourives precisava de um cofre.

Depressa os outros habitantes estavam a bater à sua porta querendo alugar um espaço para guardar em lugar seguro as suas moedas e valores.

Passado pouco tempo, o ourives estava a alugar cada prateleira do seu cofre e ganhava um pequeno rendimento pelo seu negócio de aluguer de espaço no cofre.

Os anos passaram e o ourives fez uma observação astuta. Os depositantes raramente vinham retirar o seu ouro físico e nunca vinham todos ao mesmo tempo.

Isto acontecia porque os cheques que o ourives passava como recibos do ouro depositado, estavam a ser trocados no mercado como se fossem o próprio ouro.

Este papel-moeda era muito mais cómodo do que moedas pesadas, e somas de dinheiro podiam ser simplesmente escritas, em vez de laboriosamente contadas uma a uma em cada transacção.

Entretanto, o ourives desenvolvera outro negócio. Ele emprestava o seu ouro cobrando juros.

Bem, à medida que os cheques fáceis de utilizar foram sendo aceites, as pessoas que pediam empréstimos queriam o valor em forma de cheques em vez de metal. À medida que a indústria se expandia, mais e mais pessoas pediam empréstimos aos ourives.

Este facto deu ao ourives uma ideia ainda melhor.

Ele sabia que muito poucos dos seus depositantes alguma vez retiravam o seu ouro. Portanto, o ourives pensou que poderia facilmente emprestar cheques sobre o ouro dos seus depositantes, a somar ao seu próprio ouro.

Desde que os empréstimos fossem reembolsados, os depositantes nunca saberiam e não seriam prejudicados. E o ourives, agora mais banqueiro que artesão, conseguiria um lucro muito maior do que se emprestasse apenas o seu ouro.

Durante anos o ourives aproveitou secretamente um bom rendimento dos juros ganhos com os depósitos dos outros.

Agora um importante emprestador, ele foi enriquecendo mais que os outros habitantes e exibia a sua fortuna. As suspeitas aumentaram de que ele estava a gastar o dinheiro dos seus depositantes. Estes juntaram-se e ameaçaram retirar o seu ouro se o ourives não explicasse a sua riqueza recente.

Contrariamente ao que se poderia esperar, isto não foi um desastre para o ourives. Não obstante a duplicidade do seu esquema, a sua ideia resultou. Os depositantes não tinham perdido nada. O seu ouro ainda estava seguro no cofre do ourives.

Em vez de retirarem o seu ouro, os depositantes exigiram que o ourives, agora o seu banqueiro, lhes pagasse uma parte dos juros dos seus depósitos.

E isto foi o princípio do sistema bancário. O banqueiro pagava uma pequena taxa de juros pelos depósitos de dinheiro das pessoas, e então emprestava-o a uma taxa de juro maior.

A diferença cobria os custos de operação do banco e o seu lucro. A lógica deste sistema era simples. E parecia uma forma razoável de satisfazer a procura de crédito.

Contudo esta não é a forma como a banca trabalha hoje.

O nosso ourives-banqueiro não estava satisfeito com o rendimento que restava depois de partilhar os ganhos dos juros com os seus depositantes.

E a procura por crédito estava a crescer depressa, à medida que os Europeus se espalhavam através do mundo. Mas os seus empréstimos estavam limitados à quantidade de ouro que os seus depositantes tinham no seu cofre.

Foi quando ele teve uma ideia ainda mais arrojada. Já que só ele é que sabia a quantidade de ouro que estava nos seus cofres, então podia emprestar cheques sobre ouro que nem sequer estava lá!

Desde que os detentores dos cheques não aparecessem todos ao mesmo tempo a reclamar o ouro que estava no seu cofre, como é que alguém descobriria?

Este novo esquema funcionou muito bem, e o banqueiro tornou-se tremendamente rico com os juros pagos por ouro que nem sequer existia!

A ideia de que o banqueiro podia criar dinheiro a partir do nada era demasiada escandalosa para acreditar, por isso, por muito tempo, esse pensamento nem sequer ocorreu às pessoas.

Mas, o poder de inventar dinheiro subiu à cabeça do banqueiro, como podem imaginar. Com o tempo, a magnitude dos empréstimos e a ostentação da riqueza do banqueiro levantou novamente suspeitas.

Algumas pessoas que pediam empréstimos começaram a exigir ouro em vez de representações em papel. Rumores espalharam-se.

Subitamente, vários depositantes ricos apareceram para retirar o seu ouro. O jogo tinha acabado!

Uma multidão de possuidores de cheques apareceu junto às portas fechadas do banco. O banqueiro não tinha ouro e prata suficiente para cobrir todo o papel que tinha distribuído.

Isto chama-se uma "corrida ao banco" e é o que qualquer banqueiro mais teme.

Este fenómeno da "corrida ao banco" arruinou bancos individuais e, sem surpresa, danificou a confiança do público em todos os banqueiros.



Os primeiros oito minutos e vinte segundos (8:20m) do vídeo 'Money as Debt' - 'O dinheiro enquanto dívida' - legendados em português:



O dinheiro enquanto dívida - Money as Debt @ Yahoo! Video


A versão completo do vídeo em inglês (47m): Money as Debt

E a versão completa do vídeo em espanhol (47m): El Dinero es Deuda.
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terça-feira, março 03, 2009

Jon Stewart - o apoio de Barack Obama aos bancos no valor de um bilião de dólares

Jon Stewart, do Daily Show, pergunta-se, com excelente humor, se será boa idéia salvar os bancos com um bilião de dólares (que, entretanto, já subiu para dois biliões e meio):


Durante a conferência de imprensa de segunda-feira à noite, o presidente Barack Obama delineou o seu plano de estímulo económico. Mas evitou entrar em pormenores sobre a segunda metade do plano de recuperação, o apoio aos bancos. Deixou isso para o seu secretário do tesouro, Tim Geithner:

Tim Geithner: Este fundo destinar-se-á aos empréstimos a bens que estão a sobrecarregar muitas instituições financeiras, fornecendo o financiamento que os mercados privados não podem agora garantir. Acreditamos que este programa deverá disponibilizar até um bilião de dólares [$1 trillion] de capacidade de financiamento...

Jon Stewart: Um bilião de dólares! Olhem, não sou economista e não trabalho em Wall Street, por isso acredito que as pessoas que nos meteram neste sarilho, ao menos, reconheçam o esforço do governo.

Canal de Televisão: Wall Street não gostou do anúncio de ontem...

CNN: Wall Street rejeitou o plano...

Fox News: Wall Street não mostrou agrado. Acha má idéia…

CNN Live: Wall Street detestou o que ouviu hoje...

Jon Stewart: Deixem-me ver se percebi. Wall Street não gosta dos pormenores dos apoios de um bilião de dólares para Wall Street? Não gostam da forma como um bilião de dólares vos será distribuído? Um bilião que vos vamos dar para substituir o bilião de dólares que perderam?

Deixem-me explicar rapidamente a relação entre quem salva e quem é salvo. Vocês, meus amigos, vocês estão a afogar-se, portanto sugiro que não se queixem se não forem à janela do barco de salvamento. Isto, porque já agora, o que é que estão a fazer na água? Vocês não são vítimas inocentes... Vocês são como um palerma que acha graça andar de parapente durante um furacão. E sabem qual é o mal dos tipos assim? Nunca têm seguro!


Vídeo legendado em português:


DS @ Yahoo! Video

domingo, março 01, 2009

Uma maternidade em Auschwitz



No Wikipedia:

O objetivo principal do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau não era o de manter prisioneiros como força de trabalho (casos de Auschwitz I e III) mas sim de exterminá-los. Para cumprir esse objetivo, equipou-se o campo com quatro crematórios e câmaras de gás. Cada câmara de gás podia receber até 2.500 prisioneiros por turno. O extermínio em grande escala começou na Primavera de 1942.

Os prisioneiros eram trazidos de comboio de toda a Europa ocupada pelos alemães, chegando a Auschwitz-Birkenau diariamente. Na chegada ao campo, os prisioneiros eram separados em dois grandes grupos – aqueles marcados para a exterminação imediata, e os que fiavam registados como prisioneiros. O primeiro grupo, cerca de três quartos do total, era levado para as câmaras de gás de Auschwitz-Birkenau em questão de horas; este grupo incluía todas as crianças, todas as mulheres com crianças, todos os idosos, e todos aqueles que, após uma breve e superficial inspecção pelo pessoal das SS, não se mostravam em condições de trabalhar.


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Contudo, existiam crianças prisioneiras em Auschwitz

Cerca de 700 crianças foram libertadas do campo de Auschwitz pelas tropas soviéticas em Janeiro de 1945:

Logo após a libertação, a 27 de Janeiro de 1945, crianças sobreviventes do campo de Auschwitz saem das barracas das crianças [children's barracks]:

Pintura Mural na parede esquerda da área comum da barraca das crianças de Auschwitz-Birkenau:



Pintura Mural na parede direita da área comum da barraca das crianças de Auschwitz-Birkenau:



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No Jornal Seattle Catholic - Por Matthew M. Anger


Parteira em Auschwitz

A história de Stanislawa Leszczynska




[Tradução minha]

O texto seguinte é uma versão resumida de um estudo do professor polaco Maciej Giertych que fornece alguns sinais dos horrores que católicos polacos e católicos de toda a Europa, sofreram durante a Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, tais testemunhos – apesar de numerosos – são geralmente negligenciados pelos meios académicos e pelos órgãos de comunicação social.


A escravatura nas fábricas da Alemanha nazi

Auschwitz possuía todo o tipo de instalações, tais como dormitórios, escritórios, cozinhas e latrinas. Tinha também uma "secção de doentes" onde, em condições atrozes, prisioneiros doentes eram observados por médicos que eram eles próprios prisioneiros. Quem não parecesse poder vir a melhorar era morto. Desta forma, os médicos estavam constantemente a esconder situações mais complicadas falsificando registos para permitir uma estadia mais longa àqueles que de outra forma seriam mandados para o crematório. Quase todos os sobreviventes de Auschwitz sofriam de febre tifóide, uma doença que qualificava os prisioneiros para serem liquidados, mas que nunca era colocada nos relatórios graças à coragem dos médicos. Estavam a arriscar a vida porque o castigo para a quebra de qualquer regra no campo de concentração era a morte. Auschwitz tinha também uma "maternidade" [maternity-ward]. Muitas das mulheres que chegavam ao campo estavam grávidas. Eram necessárias para o trabalho; os seus bebés não eram. Uma das parteiras que trabalhava na maternidade era Stanislawa Leszczynska.


A Vida de Stanislawa

Stanislawa Zambrzyska nasceu em 1896, casou com Bronislaw Leszczynski em 1916 e juntos tiveram dois filhos e uma filha. Em 1992, diplomou-se numa escola para parteiras e começou a trabalhar nos distritos mais pobres de Lodz. Na Polónia anterior à Guerra, os partos eram normalmente feitos em casa. Stanislawa estava sempre disponível, percorrendo muitos quilómetros até às casas das mulheres que ajudou a dar à luz. Os seus filhos recordam que ela trabalhava muitas vezes durante a noite mas nunca dormia durante o dia.

Depois da Guerra, ela voltou à sua profissão de parteira em Lodz. O seu marido tinha sido morto na revolta dos polacos de Varsóvia contra as tropas alemãs em 1944, mas todos os seus filhos sobreviveram e, inspirados pelo exemplo da sua mãe, tornaram-se médicos. Stanislawa sustentou a educação dos filhos, ganhando o sustento da família através de um trabalho dedicado ao nascimento de crianças.

Em Março de 1957, já próxima da reforma, foi-lhe organizada uma recepção para comemorar os seus 35 anos de profissão. O seu filho. Dr. Bronislaw Leszczynski, lembrou-lhe que antes da recepção alguém lhe poderia fazer perguntas sobre Auschwitz. Até essa altura, ela não tinha dito nada sobre o seu trabalho no campo de concentração. O filho começou a tirar notas e mais tarde, durante a recepção quando todos os discursos tinham acabado, ele levantou-se e contou a história da sua mãe. O que se segue é retirado de Maternal Love of Life [O Amor Maternal da Vida]: Texts About Stanislawa Leszczynska, edited by Bishop Bejz, 1988.


Introdução ao Inferno

Stanislawa foi presa em Lodz a 18 de Fevereiro de 1943, com a sua filha e os dois filhos. Os filhos foram enviados para o campo de trabalho de Mathausen e Gusen para trabalhar em pedreiras. Ela e a filha, Sylvia, foram enviadas para Auschwitz onde chegaram a 17 de Abril de 1943. Foram-lhes atribuídos os números 41335 e 41336, tatuados nos antebraços. Ficariam como lembranças do campo.

Foram-lhes retirados todos os haveres, despidas, raparam-lhes o cabelo, e foi-lhes dado os uniformes do campo – fatos listrados e alguma roupa interior. Sylvia recorda que recebeu dois chinelos do pé esquerdo e umas cuecas. Toda a roupa estava infestada de piolhos. Stanislawa passou dois anos nas instalações das mulheres de Auschwitz, trabalhando como parteira em três blocos. As "secções de doentes" em todas elas eram iguais: barracas de madeira vazias com 40 metros de comprimento aquecidas por um único aquecedor de tijolo. Como o campo estava situado numa zona baixa, as barracas eram frequentemente inundadas por 5 a 8 centímetros de água. Dentro das secções de doentes existiam 3 camadas de tarimbas, alinhadas em ambos os lados do edifício. Cerca de três ou quatro mulheres dormiam ao mesmo tempo nas tarimbas cobertas de porcaria. Os "colchões" de palha infestados de insectos, tinham há muito sido desfeitos e pouco conforto proporcionavam. A maior parte das mulheres eram deixadas morrer em nada mais que pranchas de madeira.

Stanislawa lembra as condições que os prisioneiros doentes tinham de enfrentar: "No Inverno, quando as temperaturas eram muito baixas, formavam-se pendentes de gelo no teto provenientes da respiração e do suor – varas prateadas umas atrás das outras. Quando, ao fim da tarde, se acendiam as luzes, cintilavam graciosamente. Pareciam um grande candelabro de cristal. Mas sob estes pendentes de gelo, dormiam pessoas e mulheres doentes davam à luz".

O lugar junto ao aquecedor de tijolo, diz Stanislawa, "era o único sítio para os partos, porque nenhuma outra... acomodação para esse fim estava disponível. O forno só era aceso algumas vezes durante o ano... Trinta tarimbas [estrados de madeira para dormir] perto do forno constituíam a suposta maternidade".

Stanislawa continua a descrever a miséria da vida no campo: "Geralmente o bloco estava dominado por infecções, fedor e todos os tipos de insectos. Os ratos eram abundantes… As vítimas dos ratos não eram só as mulheres doentes mas também os recém-nascidos". Havia em média 1000 a 1200 doentes em cada secção de doentes. Destes, pelo menos uma dúzia morria todos os dias.

"Nestas condições", explica Stanislawa, "o destino das mulheres em trabalho de parto era trágico, e o papel da parteira extremamente difícil. Não havia antisépticos, roupas, e não havia medicamentos a não ser uma pequena quantidade de aspirina. A comida consistia principalmente de verduras podres cozidas". Inicialmente, Stanislawa teve de se haver sozinha, com a ajuda ocasional da sua irmã mais nova. "Os médicos alemães do campo - Rhode, Koenig e Mengele – não podiam, evidentemente, 'manchar' as suas vocações médicas a ajudar os não-alemães… "Mais tarde, foi ajudada por médicas que também eram prisioneiras. Como prova da profunda humildade de Stanislawa, ela pouco ênfase deu ao seu trabalho extraordinário. Em vez disso, falou da "grandeza dos médicos, da sua devoção, [a qual] ficou gravada nos olhos daqueles que, atormentados com o cativeiro do sofrimento, nunca mais voltarão a falar... Os médicos não trabalhavam lá por fama, aprovação, ou para a concretização das suas ambições profissionais. Todos estes motivos eram postos de lado. Ficava apenas o dever médico de salvar vidas em todos os casos e situações, combinado com a compaixão pelo sofrimento humano".

A doença que afligia a maior parte dos prisioneiros era a disenteria. O tifo também varreu o campo e, por uma vez, Stanislawa adoeceu dessa doença. Ela conta que "o incidente da febre tifóide foi, na medida do possível, escondida do Lagerarzt [o médico SS do campo] escrevendo habitualmente na lista dos doentes que o enfermo tinha 'gripe', porque os doentes com febre tifóide eram imediatamente liquidados...".


Pequenos Milagres entre a Imundície

Durante o seu cativeiro [em Auschwitz], Stanislawa ajudou a dar à luz 3,000 bebés. Mas havia uma coisa ainda mais extraordinária do que ela tentar fazê-lo no meio de condições tão desfavoráveis. Como explicou ao filho, o médico SS do campo deu-lhe ordens para ela fazer um relatório das infecções e das taxa de mortalidade das mães e das crianças. Ela respondeu, "Não tenho um único caso de morte, nem entre as mães nem entre os recém-nascidos". A resposta do médico SS foi um olhar de incredulidade. "Ele disse que mesmo nas melhores clínicas das universidades alemãs havia tais casos de sucesso. Nos seus olhos vi ódio e inveja". De uma forma auto-depreciativa, Stanislawa atribuiu isto ao facto de que "os organismos mal nutridos eram um meio demasiado árido para as bactérias". Contudo, as suas crianças e os seus amigos prisioneiros atribuem este registo miraculoso a causas que ultrapassam o natural.


Maternidade planeada em Auschwitz

Na imagem à esquerda - Pintura Mural de querubins nos lavatórios do bloco 7 de Auschwitz.

Quando se aproximava a altura do parto, a já esfomeada mãe tinha de abdicar da sua ração de pão durante um tempo de forma a obter um lençol que seria usado para fazer fraldas e roupa para o bebé. Nem é preciso acrescentar que os nazis não forneciam estas coisas. Para piorar as coisas, não havia água corrente nas barracas o que tornava a lavagem de fraldas uma experiência arriscada, porque aos prisioneiros não era permitido moverem-se livremente no campo. Qualquer lavagem teria de ser feita sub-repticiamente. Por último, não existia comida ou leite a mais de reserva para os bebés. Mas a negligência pura e simples aparentemente não eram suficientes para os administradores do campo. Deste modo, prisioneiros criminosos eram empregues em desfazer-se dos incómodos bebés.

Até Maio de 1943, todas as crianças nascidas em Auschwitz eram afogadas num barril de água. Esta actividade eram executadas pela Schwester [irmã] Klara, uma parteira alemã que fora presa por infanticídio. "Na qualidade de criminosa profissional e por isso proibida de praticar a sua profissão", diz Stanislawa, "foi-lhe confiada uma função para a qual estava melhor talhada". Mais tarde, Klara foi ajudada por uma prostituta alemã, a ruiva Schwester Pfani. "Depois de cada parto, as mães eram capazes de ouvir o característico gorgolejar e o chapinhar da água" resultado do afogamento dos bebés.

A situação alterou-se um pouco em Maio de 1943. Os bebés com aspecto ariano, com olhos azuis e cabelo claro, eram poupados ao tratamento da irmã Klara e enviados para um centro na cidade de Naklo para serem "desnacionalizados". Aí, ou eram colocados em orfanatos ou em casas de casais alemães.

"Na esperança de no futuro ser possível recuperar estas crianças, para as trazer para as suas mães", explica Stanislawa, "arranjei um método de marcar as crianças com uma tatuagem que não seria reconhecida pelos guardas SS. Muitas mães foram confortadas pelo pensamento de que algum dia seria capaz de encontrar a sua felicidade perdida". Entretanto, o destino das que ficaram no campo pouco melhorou. As crianças morriam lentamente de má nutrição. Entre as inúmeras tragédias testemunhadas por Stanislawa, destaca-se uma em particular.

Na imagem à esquerda - Esboço de David Olère, de 1946, mostrando mulheres e crianças imediatamente antes de serem exterminadas na câmara de gás do crematório III.

"Recordo perfeitamente uma mulher de Vilno enviada para Auschwitz por ter ajudado os partisans. Imediatamente a seguir a ter dado à luz uma criança, o seu número [de prisioneira] foi chamado... Eu fui tentar desculpá-la. Isto não ajudou mas apenas redobrou a ira [dos alemães]. Compreendi que ela tinha sido seleccionada para o crematório. Ela envolveu a criança num pedaço sujo de papel, apertou-o contra o peito... Os seus lábios moviam-se silenciosamente. Tentou cantar uma cantiga ao seu bebé, como muitas mães faziam ali, murmurando às suas crianças várias canções de embalar para os tentar compensar do frio cortante da fome e do sofrimento. Contudo, não teve a força... ela foi incapaz de emitir um som... apenas lhe caíam grandes lágrimas abundantes das pálpebras, escorrendo pelas suas faces extraordinariamente pálidas e caindo na cabeça da pequenina criança condenada à morte."

Stanislawa Leszczynska termina a breve mas terrível história da sua vida com as seguintes observações: "todos os bebés nasceram vivos. A sua finalidade era viver". Das crianças que ficaram em Auschwitz, "dificilmente trinta terão sobrevivido ao campo. Várias centenas foram enviadas para Naklo... Cerca de 1,500 foram afogadas por Schwester Klara e Pfani. Mais de 1,000 morreram de frio e de fome". Estes números cobrem o período de Abril de 1943, quando Stanislawa chegou, até à libertação do campo em Janeiro de 1945.


Outros testemunhos

Em vista das reservas de Stanislawa, temos de confiar em membros da família e em camaradas da prisão para nos dar uma imagem mais completa das suas actividades heróicas. O seu filho. Bronislaw, conta que à sua chegada do campo ela não tentou esconder o seu documento de identidade de parteira. "Com o cartão na mão, ela barrou a passagem a um médico alemão no campo, o que era em si mesmo um acto de coragem, punível com a morte. Mostrou-lhe o documento... Ele meditou durante alguns momentos e decidiu que ela iria exercer as funções de parteira na chamada 'maternidade'. Aí encontrou a já mencionada Schwester Klara que a informou que cada criança nascida seria declarada um "nado-morto", ficando ela com a responsabilidade de se desfazer do corpo. Bronislaw continua, "mais tarde bateu na cabeça da minha mãe... por esta não ter seguido as suas instruções... A minha mãe foi então chamada ao médico SS e este ordenou-lhe que praticasse infanticídios se quisesse sobreviver. O médico SS ficou surpreendido quando esta mulher pequena e fraca, que ele podia esmagar com a bota, lhe replicou: 'Não, nunca.' Porque é que ele não a matou na altura, ninguém sabe."

O filho de Stanislawa recorda o encontro da sua mãe com o famoso Dr. Mengele (que executou experiências médicas em prisioneiros). Não obstante o ambiente aterrorizador, a descrição seguinte não está isenta de humor. "Quando a minha mãe se opôs a Mengele, que lhe ordenara que matasse os bebés nascidos em Auschwitz, ele ficou furioso. Ao descrever a cena, a minha mãe disse: 'Eu só vi as suas grandes botas a andar para a frente e para trás… e ouvi-o gritar: 'Befehl ist befehl' [uma ordem é uma ordem]. "Ao recordar estas palavras tantos anos depois, percebi que sendo a minha mãe muito baixa e tendo o hábito de olhar para baixo quando estava a pensar nalguma coisa... ficou de olhos baixos a ver as botas de Mengele a andarem nervosamente em frente dela… Estaria este terrível assassino (no fim de contas ele era um médico) a tentar justificar a sua ordem para matar bebés recém-nascidos? Em qualquer caso, nem nessa altura nem depois, levantou ele a sua mão homicida contra a minha mãe." Noutra ocasião, o Dr. Mengele entrou na sala da maternidade. Vendo Stanislawa ocupada com os partos, disse: "Mutti [Mãe], você ganhou uma data de dinheiro hoje. Tem de pagar uma cerveja." "Como é que se pode compreender esta piada?" pergunta Bronislaw. "Sem dúvida que Mengele sabia que as prisioneiras em sofrimento tratavam Stanislawa Leszczynska como uma mãe e referiam-se normalmente a ela como 'Mãe'. Se conscientemente ou inconscientemente, Mengele se referia a isto, ao mesmo tempo ele mostrava algum respeito pelo amor maternal e pela força moral que Stanislawa personificava."

Uma das mais afortunadas prisioneiras, Maria Saloman, dá-nos as suas impressões sobre Stanislawa: "Durante semanas nunca teve uma oportunidade para se deitar. Às vezes sentava-se perto de uma paciente ao pé do forno, dormitava por um momento, mas logo se levantava e corria para uma das mulheres que gemiam... Quando as Sra. Leszczynska se aproximou de mim pela primeira vez, eu soube que tudo iria correr bem. Não sei porquê, mas era assim. A minha bebé conseguiu sobreviver durante três meses no campo, mas parecia condenada a morrer de fome. Eu estava totalmente sem leite. A 'Mãe', de alguma forma, encontrou duas mulheres para amamentarem a minha bebé, uma estoniana e uma russa. Até hoje ainda não sei a que preço [ela conseguiu isso]. A minha filha Liz deve a vida a Stanislawa Leszczynska. Não consigo pensar nela sem que as lágrimas me venham aos olhos".

Stanislawa mostrava tanto bom senso como coragem. Uma sobrevivente conta como ela conseguia obter água e, quando era necessário, uma mistura de ervas que usava para lavar os bebés. Tendo de usar a mesma água para todos os bebés, Stanislawa lavava primeiro as crianças saudáveis e depois as enfermas para não contaminar as primeiras. Kazimera Bogdanska explicou que não era capaz de amamentar a sua pequena filha. Todavia, Stanislawa disse-lhe que mesmo assim devia dar à criança um seio vazio "para que as glândulas não parassem de produzir leite. A Mãe tinha razão", diz Kazimera, "Que sorte que tive em ter acreditado nela. Quando chegou a liberdade em 1945 e fui levada para um verdadeiro hospital (porque eu estava com febre tifóide) o médico deixou-me continuar a dar à minha filha o meu peito vazio. Após algum tempo o leite regressou. A minha filha começou a ganhar peso... Começou a engordar e a ficar com as faces rosadas... A sabedoria da Mãe e a fé salvaram a minha única filha".

Na imagem à esquerda - Esboço de David Olère, de 1947, mostrando a selecção de uma mulher e dos seus filhos para as câmaras de gás.

Acima de tudo era a grande piedade de Stanislawa que a sustentava e que ela sempre tentou transmitir aos outros. Segundo Maria Saloman: "Antes de fazer um parto, Stanislawa fazia o sinal da cruz e rezava. Murmurava uma oração na qual pedia não apenas ajuda e esperança, mas onde encontrava força para a sustentar no seu trabalho desumano. Só trabalhava para nós, dia após dia, noite após noite. Sem um momento de descanso, sem nenhuma substituta". Uma das médicas, Elzbieta Pawlowska, lembra-se que Stanislawa "era capaz de organizar as suas preces de forma que as outras participassem... Devíamo-nos sentar nas tarimbas. A 'Mãe' começava uma oração e nós devíamos cantar. Cantávamos muito baixinho. Não era possível de outra forma. Eram apenas poucos momentos – cerca de 15 a 30 minutos – mas tudo estava em paz. Era uma atmosfera que ela conseguia criar. Lembro-me de mulher russas de 'maternidades' próximas que vinham participar".

Maria Oyrzynska disse que um dia, enquanto estava a ajudar a Stanislawa num parto, esta pegou no bebé, lavou-o, embrulhou-o num papel e num cobertor e disse: "Agora o mais importante. Vamos baptizar a criança". "Eu era a madrinha" recorda Maria, "era o meu primeiro afilhado... Stanislawa deitou alguma água na cabeça do bebé e disse: 'Eu te baptizo Adam, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ámen'. Como madrinha levei a minha responsabilidade muito a sério e tomei conta de Adam. Tendo em conta as condições do campo ele viveu ainda bastante tempo. Três semanas inteiras".


Devoção Crescente à Parteira Polaca

Desde que faleceu em 1974, tem havido uma devoção crescente a Stanislawa Leszczynska na Polónia. São organizadas peregrinações à sua campa, enquanto alguns materiais estão a ser compilados como prova para o seu processo de beatificação. Ela foi celebrada no "Cálice da Vida", oferecido ao famoso santuário da Padroeira Czestochowa no mosteiro de Jasna Gora por mulheres polacas em Maio de 1982, e em 1983 a Escola de Obstetrícia de Cracóvia recebeu o seu nome em sua honra. Muita gente confirmou os pedidos obtidos através da sua intercessão, particularmente os ligados a problemas com partos. Como o Prof. Giertych conclui, "A vida de Stanislawa Leszczynska é a de uma mãe exemplar e de uma parteira dedicada. Deste modo, ela é particularmente apropriada para ser a patrona da luta da vida contra os assassinos de crianças que, tal como nos campos de concentração, continuam a fazer carreira no seu negócio mortal".



Imagem de Stanisława Leszczyńska no interior da Igreja de Santa Anne em Wilanów próximo de Varsóvia [Inside the St. Anne’s Church in Wilanów near Warsaw. Polska Służebnica Boża, położna w obozie koncentracyjnym Auschwitz-Birkenau].