sábado, maio 09, 2009

E se Hitler tivesse ganho a Segunda Guerra Mundial?

Eis um curto e bem conseguido vídeo em jeito de documentário, feito com muita ironia, que pretende demonstrar como a História é normalmente escrita pelos vencedores:

Excertos:

«1951 – Celebramos com o nosso amado Fuhrer o décimo aniversário da conquista da Grã-Bretanha. É uma ocasião para recordar e honrar os feitos da pátria, os homens da Wehrmacht , da LuftWaffe e da Kriegsmarine que derramaram o seu sangue por uma Europa Unida, grande e livre do jugo de imperialistas, comunistas, judeus e maçons.»

«O nosso Fuhrer foi aclamado pela multidão inglesa que recordava feliz a sua libertação da corrupta monarquia britânica… Adolf Hitler teve tempo para visitar a Universidade de Oxford onde recebeu o título de Doutor Honoris Causa. Aí, deu uma conferência intitulada «Os crimes das democracias» aos estudantes de ciências políticas…»

«Os inspectores de armamento da União das Nações continuam com as inspecções aos Estados Unidos da América, enquanto o ditador McCarthur nega estar a desenvolver armas de destruição massiva

«O marechal Rommel que, há algumas semanas, apresentou perante o Conselho de Segurança provas categóricas de ligações entre o Governo de Washington e os terroristas, assim como do seu programa secreto nuclear e de guerra bacteriológica, entregará aos governos de Espanha e de Itália uma nova e última resolução com carácter de ultimato aos Estados Unidos. O Reich exercerá o seu direito de legítima defesa e, como garante da paz e da liberdade mundial, usará as suas armas nucleares para erradicar da face da terra o último vestígio de imperialismo terrorista, assassino e cobarde que resta no mundo.»



Vídeo falado em espanhol - (5:25m):


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quarta-feira, maio 06, 2009

Jon Stewart – Num mês apenas, a CIA efectuou 183 simulações de afogamento a um único terrorista da Al-Qaeda

Water-boarding


Jon Stewart, do Daily Show, fala-nos na aplicação da tortura pelos EUA na «Guerra ao Terrorismo», e da divulgação aos quatro ventos dos suplícios infligidos aos terroristas:


Jon Stewart: Vamos directos ao assunto. A América onde estamos, é um país simples, governado por regras simples. Aliás, quanto mais simples, melhor.

George Bush: Não torturamos.

Jon Stewart: Não torturamos! Duas palavras que não são suficientemente repetidas, que simbolizam a América, como "amo-te" ou "onde está a carne?"

É completamente claro. Mesmo que as coisas se compliquem, mesmo que os nossos inimigos sejam impiedosos, não torturamos. A questão não é se a declaração é verdadeira ou não. A questão é que esta m… é preocupante. Claro que nada disto faz diferença aos admiradores do Sr. Sim, Podemos Mudar [Barack Obama].


Canal de TV: O presidente Obama divulgou os memorandos do governo Bush, expondo o seu manual de tortura.

Jon Stewart: Boa! Agora em vez de apreciar o facto de não torturarmos, temos de ver uma lista das coisas que não fazemos, numa tentativa gritante de magoar os nossos cérebros.


Sucessão de flashes televisivos:

CNN: Os métodos usados incluem simulação de afogamento…

Canal de TV: A face era regada com água de jarros ou mangueiras…

CNN: Tinham de ficar ajoelhados, enquanto eram forçados a inclinar-se direitos para trás…

Canal de TV: Confinavam os suspeitos numa caixa apertada com um insecto…

Canal de TV: Qualquer coisa como uma lagarta…


Jon Stewart: sendo mais específico, um prisioneiro da Al-Qaeda passou pela simulação de afogamento 183 vezes num mês, e esta é a pior parte: 185 simulações e recebe-se pão de alho de graça. É preciso passar pela simulação de afogamento 183 vezes? O grau de eficácia não diminui? Presumo que, depois de 90 simulações, ele pense: "Não me vão mesmo afogar, pois não?"

Michael Hayden, director da CIA na era de Bush, defendeu a utilização dessas tácticas contra sujeitos que já tinham dito tudo o que sabiam.


Pivot do um Canal de TV: Toda a informação que [Abu Zubaydah] revelou, surgiu antes de ter sido sujeito a simulações de afogamento, antes de ser esbofeteado, antes de ser atirado contra uma parede.

Michael Hayden da CIA: Devo corrigi-lo. Foi atirado contra uma parede falsa e flexível, com uma protecção no pescoço para que não se magoasse.

Jon Stewart: E, para sermos justos, se me permite, a água que usámos para as simulações era tépida e tinha um pH equilibrado. E as algemas das posições de tensão eram sempre as peludas da Spencer Gifts. Não somos nenhuns selvagens!

And goes on and on...


VÍDEO legendado em português:


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terça-feira, maio 05, 2009

La gripe porcina, la gripe aviar, el TAMIFLU y el negocio del miedo

Extracto de la Editorial del número 81 (Abril-2006) la revista DSALUD por José Antonio Campoy:

Sabes que el virus de la gripe aviar fue descubierto hace 9 años en Vietnam?

Sabes que desde entonces han muerto apenas 100 personas EN TODO EL MUNDO TODOS ESTOS AÑOS?

Sabes que los norteamericanos fueron los que alertaron de la eficacia del TAMIFLU (antiviral humano) como preventivo?

Sabes que el TAMIFLU apenas alivia algunos síntomas de la gripe común?

Sabes que su eficacia ante la gripe común está cuestionada por gran parte de la comunidad científica?

Sabes que ante un SUPUESTO virus mutante como el H5N1 el TAMIFLU apenas aliviara la enfermedad?

Sabes que la gripe aviar hasta la fecha solo afecta a las aves?

Sabes quien comercializa el TAMIFLU? LABORATORIOS ROCHE.

¿Sabes a quien compró ROCHE la patente del TAMIFLU en 1996? a GILEAD SCIENCES INC.

Sabes quien era el Presidente de GILEAD SCIENCES INC y aun hoy principal accionista? DONALD RUMSFELD, (ex) actual Secretario de Defensa de USA:

Sabes que la base del TAMIFLU es el anís estrellado?

Sabes quien se ha quedado con el 90% de la producción mundial de este árbol? ROCHE.

Sabes que las ventas del TAMIFLU pasaron de 254 millones en el 2004 a mas de 1000 millones en el 2005?

Sabes cuantos millones más puede ganar ROCHE en los próximos meses si sigue este negocio del miedo?

O sea que el resumen del cuento es el siguiente: Los amigos de Bush deciden que un fármaco como el TAMIFLU es la solución para una pandemia que aún no se ha producido y que ha causado en todo el mundo 100 muertos en 9 años. Este fármaco no cura ni la gripe común.

El virus no afecta al hombre en condiciones normales. Rumsfeld vende la patente del TAMIFLU a ROCHE y este le paga una fortuna. Roche adquiere el 90% de la producción del anís estrellado, base del antivírico. Los Gobiernos de todo el Mundo amenazan con una pandemia y compran a ROCHE cantidades industriales del producto. Nosotros acabamos pagando el medicamento y Rumsfeld, Cheney y Bush hacen el negocio...


ESTAMOS LOCOS, O SOMOS IDIOTAS?


Dr.Eneko LANDABURU PITARQUE - enekolan@arrakis.es
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domingo, maio 03, 2009

Barack Obama prometeu confrontar os negacionistas do Holocausto sem dar conta que estava sentado ao lado de um


Associated Free Press - 23 de Abril de 2009

WASHINGTON (AFP) – Numa cerimónia na quinta-feira que lembrou os seis milhões de judeus massacrados durante a Segunda Guerra Mundial, o presidente Barack Obama reafirmou os fortes laços que unem os Estados Unidos a Israel e prometeu confrontar os negacionistas do Holocausto.

"Existem aqueles que insistem que o Holocausto nunca ocorreu, aqueles que praticam todas as formas de intolerância – racismo, anti-semitismo, homofobia, xenofobia, sexismo e outras", disse Obama durante uma cerimónia no Plenário do Capitólio organizado pelo Museu Memorial dos Estados Unidos.

"Temos uma oportunidade e um dever de confrontar estes flagelos", afirmou Obama.

"Temos a oportunidade ... de nos comprometer-mos em resistir à injustiça, à intolerância e à indiferença sob qualquer forma que assuma, ou confrontando aqueles que dizem mentiras acerca da história ou fazendo tudo ao nosso alcance para impedir e acabar com as atrocidades como aquela que teve lugar no Ruanda, ou aquelas que estão a acontecer no Darfur", disse.

[...]

"A nação de Israel erguendo-se a partir da destruição do Holocausto", foi uma fonte de esperança para todos os que estão empenhados em combater a intolerância, afirmou Obama.

[...]

O Prémio Nobel da Paz Elie Wiesel, que sobreviveu aos campos de concentração nazis em Auschwitz e Buchenwald, utilizou o seu tempo no pódio do Plenário do Capitólio para criticar Ahmadinejad.

O líder iraniano é "o maior negacionista do Holocausto do mundo", disse Wiesel, cuja mãe e irmã morreram em Auschwitz, e o pai em Buchenwald.

"Ele utilizou novamente uma sessão solene das Nações Unidas para insultar o Estado de Israel duma forma que nenhuma pessoa civilizada nunca deveria fazer", afirmou Wiesel, agradecendo aos Estados Unidos por terem boicotado a sessão das Nações Unidas em Genebra.



O presidente Barack Obama e o prémio Nobel da Paz Elie Wiesel


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Se Barack Obama deseja, de facto, confrontar os negacionistas do Holocausto judeu, perdeu uma excelente oportunidade ao não ter colocado algumas questões pertinentes ao seu companheiro de pódio, Elie Wiesel.

Porque o Nobel da Paz Elie Wiesel, paladino da luta contra a intolerância e o anti-semitismo, no seu livro autobiográfico «Noite», onde descreve os dez meses em que esteve prisioneiro em Auschwitz, não refere uma única vez nenhuma das cinco enormes câmaras de gás que funcionaram em Auschwitz-Birkenau. Ele diz, realmente, que os Alemães executaram Judeus, mas... com fogo; atirando-os vivos para as chamas incandescentes, perante muitos olhos de deportados.

Excerto do livro «Noite» de Elie Wiesel:

«Não muito longe de nós, chamas elevavam-se dum fosso, gigantescas chamas. Eles estavam a queimar algo. Um camião aproximou-se da cova e descarregou a sua carga – crianças pequenas. Bebés! Sim, eu vi – vi-o com os meus próprios olhos... Aquelas crianças nas chamas. (É surpreendente que eu não tivesse conseguido dormir depois daquilo? Dormir era fugir dos meus olhos.)»

«Um pouco mais longe dali estava outra fogueira com chamas gigantescas onde as vítimas sofriam “uma lenta agonia nas chamas”. A coluna de Wiesel foi conduzida pelos Alemães a "três passos" da cova, depois a "dois passos." "A dois passos da cova foi-nos ordenado para virar à esquerda e ir-mos em direcção aos barracões."»


E quando os Russos estavam prestes a tomar conta de Auschwitz em Janeiro de 1945, Elie e o seu pai "escolheram" ir para ocidente com os Nazis e os SS em retirada em vez de serem "libertados" pelo maior aliado de América. Eles poderiam ter contado ao mundo inteiro tudo sobre Auschwitz dentro de poucos dias - mas, Elie e o pai escolheram, em vez disso, viajar para oeste com os Nazis, a pé, de noite, num Inverno particularmente frio e consequentemente continuarem a trabalhar para a defesa do Reich.

Outro excerto do livro «Noite» de Elie Wiesel:

- O que é fazemos, pai?
Ele estava perdido nos seus pensamentos. A escolha estava nas nossas mãos. Por uma vez, podíamos ser nós a decidir o nosso destino: ficarmos os dois no hospital, onde podia fazer com que ele desse entrada como doente ou como enfermeiro, graças ao meu médico, ou, então, seguir os outros.
Tinha decidido acompanhar o meu pai para onde quer que fosse.
- E então, o que é que fazemos pai?
Ele calou-se.
- Deixemo-nos ser evacuados juntamente com os outros – disse-lhe eu.
Ele não respondeu. Olhava para o meu pé.
- Achas que consegues andar?
- Sim, acho que sim.
- Espero que não nos arrependamos, Elizer!


As escolhas aqui feitas em Auschwitz por Elie Wiesel e o pai, em Janeiro de 1945, são extremamente importantes. Em toda a história do sofrimento judeu às mãos de gentios, que altura poderia ser mais dramática do que o precioso momento em que um judeu podia escolher, por um lado, a libertação pelos Soviéticos com a possibilidade de contar a todo o mundo sobre as malfeitorias Nazis e ajudar à sua derrota - ou então fugir com os assassinos em massa Nazis, continuando a trabalhar para eles e ajudando-os a preservar o seu regime demoníaco?


Não obstante as surpreendentes contradições entre o livro autobiográfico «Noite» e a versão oficial do Holocausto, o Prémio Nobel da Paz, Elie Wiesel, deixa-nos algumas palavras de fraternidade e de esperança:

«Todo o Judeu, algures no seu ser, deve separar uma zona de ódio – saudável, ódio viril – para aquilo que os Alemães personificam e para o que persiste na Alemanha. Fazer o contrário, é trair os mortos.»

(Wikiquote: Original inglês: "Every Jew, somewhere in his being, should set apart a zone of hate - healthy, virile hate - for what the German personifies and for what persists in the German. To do otherwise would be a betrayal of the dead.")
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quarta-feira, abril 29, 2009

Barack Obama repudiou o cristianismo e está a converter-se ao Islão

Jon Stewart, do Daily Show, explica-nos, com humor, como os Media nos EUA dão a entender que Barack Obama é um muçulmano encapotado.


Jon Stewart: Vamos começar a noite com Barack Obama. Como sabem, o Presidente é também o Adorador Supremo do país e, durante a campanha, houve alguma preocupação. Será que ele é muçulmano? Será que é meio muçulmano? Será que é muçulmano convertido ou, será que é muçulmano? Ficámos a saber que Obama é, na verdade, um cristão nacionalista militante negro. Satisfeita, a América elegeu-o presidente, mas, ultimamente têm surgido dúvidas:

Fox News: Deixem-me dizer-vos o que está a acontecer, o Presidente não vai à igreja desde que tomou posse. São quantos domingos? Contaram-nos? Onze domingos, até agora.

Jon Stewart: Ele não vai à igreja há onze domingos. Está perto da dúzia satânica. Isto significa que as orações na bênção interior e exterior dos dois dias da tomada de posse foram só fingimento? Se calhar, deixou de ir à igreja pela Quaresma.

Devia haver uma explicação. Tinha de ser uma coisa inocente e, depois, Obama dirigiu-se ao estrangeiro e foi à Turquia e vi o que só pode ser descrito assim:

Flashes televisivos:

Barack Obama: Os Estados Unidos não estão nem nunca estarão em guerra com o Islão...

Barack Obama: Vamos transmitir o nosso apreço pela fé islâmica...

Barack Obama: Estreitar a divisão entre o mundo muçulmano e o Ocidente...

Barack Obama: Aliás, a nossa parceria com o mundo muçulmano é essencial. Não nos consideramos uma nação cristã...

Jon Stewart: Sim! Estas declarações combinadas e descontextualizadas podem criar a impressão, junto dos predispostos a acreditar nisso, de que o Presidente dos Estados Unidos repudiou o cristianismo e está a converter-se ao Islão. De certeza que ele vai esclarecer tudo quando conhecer o rei saudita.

Vêm-se imagens de Barack Obama a fazer uma vénia ao rei saudita.

Jon Stewart: Nãããããoooooo! Não faça uma vénia. As pessoas vão ficar zangadas.

CNN: O presidente Obama está envolvido numa comoção real. Será que fez uma vénia ao rei da Arábia Saudita?

Fox News: A vénia controversa de Obama... Obama dobra-se até ao nível da cintura.

CNN: Foi inapropriado?

Fox News: Transmitiu a mensagem de que o Islão é superior a qualquer outro ministro ou presidente do mundo. Vejam como se baixa. Fica abaixo do ombro dele.

Jon Stewart: Está a fazer-lhe um br...! O que tem a realeza saudita que faz sobressair o lado bajulador dos nossos presidentes? Todos nos lembramos do presidente Bush a dar a mão a Abdullah em Crawford. Aliás, Jimmy Carter costumava ler histórias para adormecer ao rei Khalid. Eisenhower arranjou as mãos e os pés ao rei Saud. Até Roosevelt costumava levar Abdul Aziz às cavalitas.

O que é estranho é que, antes de haver carros, era assim que cumprimentávamos o rei saudita – com uma pancadinha na cabeça.

And goes on and on...


Vídeo lengendado em português:

segunda-feira, abril 27, 2009

Não inverter o ónus da prova para manter o bónus do enriquecimento ilícito



Jornal Expresso 20/04/2009




Diálogo com um excerto do artigo «Um mal profundo» de Miguel Sousa Tavares:


Miguel: Diferente é a questão da criminalização do enriquecimento ilícito. Para começar, o nome do novo crime que se pretende estabelecer é enganador: o que se vai punir não é o facto de alguém ter enriquecido por métodos ilícitos; é sim, o facto de alguém não ser capaz ou não querer explicar como é que enriqueceu - tenha sido ilícita ou licitamente.

Diogo: Falso! O que se pretende punir é precisamente o facto de alguém ter enriquecido por métodos ilícitos. Sicrano pode ter ganho muito dinheiro na bolsa, no euromilhões, num negócio ou numa herança. Há muita forma de enriquecer subitamente e legalmente. Mas se o fisco detecta um enriquecimento súbito e não encontra fundamento para esse enriquecimento, então o indivíduo deve ter a obrigação legal de explicar como é que enriqueceu. O enriquecimento súbito lícito estará, em princípio, bem documentado e será fácil de explicar. Com o enriquecimento ilícito passa-se precisamente o contrário.


Miguel: Sempre defendi que o súbito enriquecimento de tantos figurões que por aí andam, sem que se consiga entender como, deve ser objecto de escrutínio e crítica social e ética. Numa sociedade de valores, e não apenas de aparências, não devia bastar ter um Mercedes topo de gama, devia também ser preciso que no espírito dos outros não houvesse dúvidas de que o Mercedes tinha sido pago com dinheiro honestamente ganho. Mas nem tudo o que é objecto de crítica social legítima pode ser transformado em crime no Código Penal - ou não haveria prisões que chegassem.

Diogo: Miguel Sousa Tavares defende aqui uma tese surpreendente: é licito crucificar na praça pública um figurão por ter enriquecido subitamente sem que a sociedade entenda como, mas é imoral obrigá-lo a explicar ao fisco esse súbito enriquecimento (até porque, segundo Sousa Tavares, não haveria prisões que chegassem).


Miguel: Criminalizar o que se chama de enriquecimento ilícito envolve a derrogação de um princípio essencial da justiça e um direito fundamental dos indivíduos: o de que, quando alguém é acusado de um crime, cabe à acusação fazer prova de que o crime existiu mesmo, e não ao acusado fazer prova de que está inocente.

Diogo: mais um exemplo de raciocínio enviesado de Miguel Sousa Tavares.

Ninguém está a fazer uma acusação avulsa a um indivíduo obrigando-o a provar a sua inocência. Nos casos de enriquecimento súbito não explicados, o que acontece é que sabendo-se que Beltrano partindo de uma situação financeira X$ numa determinada data, chega a uma situação financeira X$ + Y$ num espaço de tempo que não pode explicar o acréscimo de Y$ em função dos seus rendimentos normais. Há aqui um indício de possível crime. E como em todas as suspeitas de crime, o caso deve ser investigado e Beltrano interrogado.

A inversão do ónus da prova deve aplicar-se aqui tal como se aplica a quem é apanhado com quantidades razoáveis de droga:


Acórdão de Supremo Tribunal Administrativo nº 040004, de 21 Junho 1989:

I - O artigo 23, n. 1 do Decreto-Lei 430/83 prevê o crime de tráfico de estupefacientes. Assim, quem detiver ilicitamente quantidades de droga que se não possam considerar diminutas, integra, pela sua conduta, aquele crime.

III - É o consumidor que tem o ónus da prova de que a droga que detém se destina a seu exclusivo uso pessoal.


Da mesma forma, quem enriquecer sem ter, aparentemente, motivo para tal, deverá ficar com o ónus de provar a proveniência legal desses proventos.


Miguel: Mas o problema aqui é o da porta que se abre e que nunca mais se fechará: amanhã, o dono do Mercedes terá de fazer prova de que não excedeu os limites de velocidade na auto-estrada, mesmo que nenhum radar o tenha detectado e apenas porque o carro é capaz de andar a 240.

Diogo: Com este argumento, Miguel Sousa Tavares bate no fundo!

A questão não está em pedir a um condutor de um Mercedes que prove que não andou a 240 km/h numa auto-estrada.

O que se pretende é que o condutor prove que não ultrapassou os limites de velocidade legais, sabendo-se que passou na portagem da Lisboa a uma determinada hora e chegou à portagem do Porto uma hora e um quarto depois, e que a distância entre as duas portagens é de 300 km (o que daria uma velocidade média de 240 km/h).


A seguir, Miguel Sousa Tavares entra numa diatribe de banalidades sobre as "verdadeiras causas da corrupção":

Miguel: problema profundo da corrupção tem que ver com uma sociedade em que os valores éticos e de cidadania se perderam ... vamos encontrar uma sociedade que abundantemente vive de fugir ao fisco ... gente que está disponível para se deixar comprar e vender ... começa nos pais que acham que educar os filhos é dar-lhes um computador, um ipod, uma televisão e uma play-station e deixá-los no quarto para que não incomodem ... a corrupção é apenas a ponta do icebergue da crise de valores e princípios que hoje nos caracteriza ... nenhuma lei, por melhor que seja, pode resolver este mal profundo.

Diogo: Esta lei da criminalização do enriquecimento ilícito poderia constituir um bom começo no combate à corrupção, mas graças a governos "desinteressados" e a escribas de opinião de perspicácia mediana, a lei ficará na gaveta para gáudio de um número crescente de novos-ricos.
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sábado, abril 25, 2009

Mais de um terço (250 mil) de todas as pessoas com mais de 65 anos que vivem em Israel são sobreviventes do Holocausto

Tatuagens do horror de Auschwitz reúnem prisioneiros dispersos


Associated Press - por ARON HELLER - 19 de Abril de 2009

Jerusalem – Como adolescentes aterrorizados há 65 anos atrás, Menachem Sholowicz e Anshel Sieradzki estiveram juntos na fila em Auschwitz, para lhes serem tatuados os números de série nos seus braços. Sholowicz foi o B-14594; Sieradzki foi o B-14595.

Os dois judeus polacos nunca se tinham encontrado, nunca se tinham falado e foram rapidamente separados. Cada um deles sobreviveu ao campo da morte nazi, foi para Israel, casou, e tornaram-se avós. Não se encontraram até há algumas semanas atrás, tendo-se encontrado por sorte através da Internet. Já tarde na vida, os dois homens falam diariamente, repentinamente parceiros que partilham os seus traumas mais escuros.

"Somos irmão de sangue", diz Sieradzki de 81 anos. "No momento em que eu encontro alguém que esteve lá comigo, que passou por aquilo que eu passei, que viu aquilo que eu vi, que sentiu aquilo que eu senti – nesse momento nós somos irmãos".

As voltas do destino não acabam aqui. Dois irmãos que estiveram com eles na fila para a tatuagem [em Auschwitz] entraram em contacto com eles assim que souberam da história.

Um dos irmãos juntou-se-lhes numa reunião no domingo no memorial do Holocausto Yad Vashem em Israel. Com lágrimas nos olhos, os três abraçaram-se calorosamente e puseram em dia as memórias dolorosas em Hebreu e em iídiche [Yiddish].

"Esta é a minha vitória", disse Sieradzki.

O encontro deu-se um dia antes de Israel assinalar o seu dia em memória às vítimas do Holocausto que começa segunda-feira feira à noite, comemorando os 6 milhões de judeus mortos na Segunda Guerra Mundial.

Os quatro sobreviventes, com números de série consecutivos, estão entre as centenas de milhares de sobreviventes que foram para Israel na altura do nascimento do estado judeu. Cerca de 250 mil estão ainda vivos em Israel, carregando as cicatrizes físicas e emocionais desse período.


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(AP Photo/Sebastian Scheiner)

Os sobreviventes do Holocausto Menachem Shulovitz, de 80 anos, à direita, Anshel Szieradzki, de 81 anos, ao centro, e Yaakov Zeretzki, de 82 anos, à esquerda, mostram os números de série que lhes foram tatuados nos braços no campo de concentração de Auschwitz. Sholowicz foi o B-14594; Sieradzki foi o B-14595; Zeretzki foi o B-14597 e o seu irmão, que não se vê na foto, foi o B-14596.


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Foi dito no artigo acima da Associated Press que cerca de 250 mil sobreviventes do Holocausto estão ainda vivos em Israel. A seguir, os dados populacionais de Israel em 2009 no site do U.S. Census Bureau, Population Division - International Data Base:



Consultando os dados do Departamento de Censos norte-americano relativos a Israel, pode observar-se que existem hoje 713,507 pessoas com 65 ou mais anos, a viver em Israel:

195,001 (65-69) + 174,256 (70-74) + 146,217 (75-79) + 198,033 (80+) = 713,507

A Segunda Guerra Mundial terminou em 1945, há 64 anos. Donde resulta que qualquer sobrevivente do Holocausto terá hoje de ter mais do que 64 anos. Sabendo-se que cerca de 250 mil sobreviventes do Holocausto estão ainda vivos em Israel, é forçoso concluir que mais de um terço (35%) de todas as pessoas com mais de 64 anos que vivem em Israel são sobreviventes do Holocausto:

250,000 / 713,507 = 35%



Comentário:

Com 250 mil sobreviventes do Holocausto ainda vivos em Israel, não será de estranhar que apareçam quatro antigos prisioneiros de campos de concentração com números de série tatuados consecutivos. O contrário é que seria surpreendente.

E também não será tão cedo que a Alemanha irá deixar de pagar indemnizações a Israel pelos sobreviventes do Holocausto:


Israel procura um novo acordo com a Alemanha para indemnizações do Holocausto

sexta-feira, abril 24, 2009

A Deportação dos Judeus Húngaros - Parte 2


Retirado de Scrapbookpages

(Tradução minha)


A fotografia acima, tirada a 26 de Maio de 1944, mostra um processo de selecção de um grupo de judeus húngaros que teve lugar imediatamente a seguir à saída do comboio que os levou para o campo de Birkenau (pertencente ao complexo de Auschwitz). Os homens e as mulheres tinham de formar duas filas separadas para serem examinados por um oficial das SS que decidia quem viveria e quem seria imediatamente enviado para a câmara de gás. Repare-se nas estrelas amarelas que os judeus húngaros eram forçados a usar nos seus casacos.

O campo de Auschwitz II, também conhecido por Birkenau, tinha pavilhões suficientes para acomodar 200 mil prisioneiros, e outra secção, chamada México pelos prisioneiros, estava em construção. Quando estivesse acabada, a nova secção iria fornecer alojamento a 50 mil prisioneiros.

Segundo Daniel Goldhagen, o autor do livro best-seller intitulado "Hitler's Willing Executioners" [Os solícitos Carrascos de Hitler], os nazis estavam num frenesim para completar o genocídio dos judeus antes do fim da guerra. Embora estivessem desesperados por mão-de-obra nas suas fábricas de munições, era mais importante para os nazis levar a cabo a Solução Final da Questão Judaica, segundo Goldhagen que escreveu o seguinte:

"Por fim, a devoção dos alemães ao seu projecto genocida era tão grande que parece desafiar a compreensão. O mundo deles estava a desintegrar-se à sua volta, e no entanto persistiram na matança genocida até ao fim."

Destruction of the Jewish People by David Olère


O comandante Rudolf Höss escreveu na sua autobiografia que o Reichsführer-SS Heinrich Himmler ordenou o extermínio de todos os judeus no verão de 1941, seis meses antes da Solução Final ter sido planeada na Conferência de Wannsee a 20 de Janeiro de 1942. A citação seguinte é retirada da autobiografia de Höss:

"A sub-secção (da RSHA) relacionada com os judeus, controlada por Eichmann e Gunther, não tinha dúvidas sobre o seu objectivo. De acordo com ordens dadas por Heinrich Himmler no verão de 1941, todos os judeus deviam ser exterminados. O Reich Security Head Office (RSHA) levantou fortes objecções quando Himmler, por sugestão de Oswald Pohl, ordenou que os judeus saudáveis fossem separados dos outros [e colocados a trabalhar em fábricas]."


Na fotografia abaixo estão membros das famílias Pinkas e Gutmann de Maramaros. Estão à espera da sua vez para a câmara de gás de Birkenau, segundo o museu Yad Vashem que possui o original desta foto do Álbum de Auschwitz:


Em Junho de 1944, Adolf Eichmann deportou 20 mil judeus húngaros para Auschwitz e depois transferiu-os para o campo de trabalho de Strasshof, perto de Viena. Isto foi uma tentativa para extorquir dinheiro da comunidade judaica na Hungria, segundo Laurence Rees que escreveu no seu livro "Auschwitz, a New History" [Auschwitz, uma História Nova], Eichmann convenceu os líderes judaicos que estava a ir contra as suas ordens ao abrir uma excepção para estes judeus e depois pediu dinheiro para comida e medicamentos porque tinha salvo 20 mil judeus das câmaras de gás de Auschwitz. David Cesarani escreveu em "The Last Days" [Os Últimos Dias], que o líder judaico Rudolf Kastner foi capaz de convencer Eichmann a enviar estes judeus para a Áustria onde três quartos deles sobreviveram à guerra.

O último transporte em massa de 14,491 judeus húngaros para Auschwitz chegou a 9 de Julho de 1944, segundo um livro intitulado "Die Zahl der Opfer von Auschwitz" [O número total de mortos em Auschwitz], de Franciszek Piper, o director do Museu de Auschwitz. Depois deste transporte de judeus ter deixado a Hungria a 8 de Julho de 1944, Horthy ordenou que a deportação de judeus húngaros terminasse.

Por essa altura, um mínimo de 435 mil judeus húngaros, a maior parte dos quais a viver em vilas e cidades pequenas, tinha sido levada para Auschwitz, segundo provas apresentadas no julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém em 1961, nas quais as listas de transporte compiladas por Laszlo Ferenczy, o chefe da polícia na Hungria, foram apresentadas.

Num telegrama enviado para o ministério dos negócios estrangeiros em Berlim, a 11 de Julho de 1944, por Edmund Veesenmayer, foi relatado que 55,741 judeus foram deportados da Zona V a 9 de Julho, como planeado, e que o total número de judeus deportados das Zonas I a V na Hungria foi de 437,402.

Num livro intitulado "The World Must Know" [o Mundo tem de saber], que constitui o livro oficial do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, Michael Birnbaum escreveu:

"Entre 14 de Maio e 8 de Julho de 1944, 437,402 judeus de cinquenta e cinco localidades húngaras foram deportados para Auschwitz em 147 comboios. A maior parte foi gaseada em Birkenau logo após a sua chegada. O sistema ferroviário foi esticado até aos limites para fazer face às capacidades do campo, onde cerca de 12 mil pessoas eram gaseadas diariamente."


Robert E. Conot escreveu no seu livro "Justice at Nuremberg" [Justiça em Nuremberga] que 330 mil judeus húngaros foram enviados directamente para as câmaras de gás de Auschwitz. A Enciclopédia do Holocausto estima em cerca de 550 mil o número total de judeus que morreram em Auschwitz-Birkenau entre Maio e Julho de 1944, a maioria deles gaseado. Raul Hilberg afirmou no seu livro "The Destruction of the European Jews" [A Destruição dos judeus europeus] que para cima de 180 mil judeus húngaros morreram em Auschwitz-Birkenau.

Segundo Francizek Piper, a maioria dos judeus húngaros que foram enviados para Auschwitz-Birkenau, foram gaseados imediatamente. Um folheto adquirido no Museu de Auschwitz afirma que 434,351 judeus húngaros foram mortos logo à chegada. Se estes números estiverem correctos, apenas 3,051 judeus húngaros, de um total de 437,402 que foram enviados para Auschwitz, foram registados no campo. Contudo, Francizek Piper escreveu que 28 mil judeus húngaros foram registados.


Judeus húngaros incluindo dois médicos com braçadeiras


Alguns dos mesmos homens depois de um duche e uma mudança de roupa


O site da Internet do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos confirma que mais de 100 mil húngaros foram usados para trabalhar, como fora acordado entre Hitler e Horthy a 18 de Março de 1944, e que alguns deles foram transferidos para outros campos de concentração poucas semanas depois da sua chegada a Birkenau.

O seguinte é uma citação do site da Internet do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos (USHMM)

"Entre Abril e princípios de Junho de 1944, aproximadamente 440 mil judeus húngaros foram deportados, e destes, 426 mil foram para Auschwitz. Os SS enviaram aproximadamente 320 mil deles para as câmaras de gás de Auschwitz-Birkenau e distribuíram aproximadamente 110 mil como força de trabalho forçado pelo complexo de campos de concentração de Auschwitz. As autoridades SS transferiram muitos destes judeus húngaros, poucas semanas depois da sua chegada a Auschwitz, para outros campos de concentração na Alemanha e na Áustria."

Se apenas 28 mil judeus húngaros tivessem sido registados em Auschwitz-Birkenau, tal como foi afirmado por Franciszek Piper, isto significaria que milhares de judeus húngaros foram transferidos de Auschwitz para campos de trabalho sem terem sido registados.


Segundo os registos guardados pelos alemães no campo de concentração de Dachau, entre 18 de Junho de 1944 e 9 de Março de 1945, um total de 28,838 judeus húngaros foram enviados de Auschwitz-Birkenau para Dachau e daí para Landsberg am Lech para trabalhar na construção de fábricas subterrâneas nos onze sub-campos de Kaufering de Dachau.

Nerin E. Gun foi um jornalista turco que esteve preso em Dachau em 1944; o seu trabalho era tomar nota dos nomes e informação vital de mulheres judias húngaras que iriam ser gaseadas na falsa câmara de gás no crematório de Dachau.

Na câmara de gás de Dachau pode ler-se num painel a seguinte frase em cinco línguas diferentes:

CÂMARA DE GÁS – disfarçada de "sala de chuveiros" – nunca foi usada como câmara de gás

A fotografia deste painel pode ser observada no site de "The Holocaust History Project" [O Projecto de História de Holocausto].


No seu livro intitulado "The Day of the Americans" [O Dia dos Americanos], publicado em 1966, Gun escreveu o seguinte em relação ao seu trabalho em Dachau:

"Eu pertencia à equipa de prisioneiros encarregue de seleccionar a desgraçada multidão de judias húngaras que eram levadas directamente para a câmara de gás. O meu papel era insignificante: eu fazia perguntas em húngaro e escrevia as respostas em alemão num grande livro de contabilidade. A administração do campo era meticulosa. Queriam registar o nome, a morada, o peso, a idade, a profissão, os certificados académicos, e por aí fora, de todas estas mulheres que daí a poucos minutos seriam cadáveres. Eu não tinha autorização para ir ao crematório, mas sabia por outros o que é que lá se passava."


Alguns do judeus que eram seleccionados para trabalho escravo eram enviados para o campo de concentração de Mauthausen na Áustria e para os seus sub-campos, onde trabalhavam em fábricas de aviões alemães.

Outros eram enviados para o campo de Stutthof, perto de Danzig, segundo Martin Gilbert, que escreveu o seguinte num livro da sua autoria intitulado "Holocaust":

"A 17 de Junho, Veesenmayer telegrafou para Berlim a dizer que 340,142 judeus húngaros já tinham sido deportados. Alguns poucos tiveram a sorte de serem seleccionados para os pavilhões ou enviados para fábricas e campos na Alemanha. A 19 de Junho, cerca de 500 judeus, e a 22 de Junho um milhar, foram enviados para trabalhar em fábricas na região de Munique […] Dez dias depois, os primeiros judeus, 2500 mulheres, foram deportadas de Birkenau para o campo de concentração de Stutthof. De Stutthof, foram enviadas para várias centenas de fábricas na região do Báltico. Mas a maior parte dos judeus enviados para Birkenau continuaram a ser gaseados."

Gassing by David Olère


Segundo o museu do antigo gueto de Theresienstadt, no que é agora a República Checa, 1,150 judeus húngaros foram enviados para Theresienstadt e desses, 1,138 continuavam lá em 9 de Maio de 1945. Outros judeus importantes que foram enviados para Theresienstadt foram transferidos para Auschwitz em Outubro de 1944, incluindo o famoso psiquiatra austríaco Victor Frankl, que não foi registado em Auschwitz, mas foi transferido novamente, depois de passar três dias no campo de Birkenau, para Dachau e depois para o sub-campo Kaufering III.

Os judeus que não eram gaseados nem registados à chegada a Auschwitz, mas que, em vez disso, eram transferidos para um campo de trabalho, eram chamados Durchgangsjuden [judeu de passagem] porque ficavam no campo de passagem na secção do México de Birkenau por um curto período. Este site na Web possui mais informação acerca dos judeus húngaros que estavam nesta categoria.
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quarta-feira, abril 22, 2009

A Deportação dos Judeus Húngaros - Parte I

Judeus húngaros à chegada a Auschwitz-Birkenau, 26 de Maio de 1944

Retirado de Scrapbookpages

(Tradução minha)


Foi só em Maio de 1944, quando os judeus húngaros foram deportados, que Auschwitz-Birkenau se tornou no maior lugar de assassínio em massa da história moderna e o epicentro da Solução Final. Quase metade de todos os judeus que foram mortos em Auschwitz eram judeus húngaros que foram gaseados num período de 10 semanas em 1944. Até à primavera de 1944, foram os três campos da Operação Reinhard - Treblinka, Belzec, Sobibor, e não Auschwitz - que constituíram os principais centros de matança de judeus pelos nazis.

Em 1942, os nazis já tinham assassinado 2,7 milhões de judeus, incluindo 1,6 milhões nos campos de concentração da Operação Reinhard (Treblinka, Belzec e Sobibor), mas apenas 200 mil judeus foram gaseados em Auschwitz nesse ano em duas velhas casas rurais convertidas para o efeito. Esta informação provém do livro "Auschwitz, a New History" [Auschwitz, uma Nova História] de Laurence Rees, publicada em 2005.

Em Outubro de 1940, a Hungria tinha-se tornado aliada das potências do Eixo ao juntar-se ao Acto Tripartido. Fazia parte do acordo que a Hungria recuperasse o norte da Transilvânia, uma província que tinha sido entregue à Roménia depois da Primeira Guerra Mundial. Soldados húngaros participaram na invasão alemã da União Soviética em Junho de 1941.

A 17 de Abril de 1943, depois da Bulgária, outro aliado da Alemanha, ter recusado permitir que os seus judeus fossem deportados, Hitler encontrou-se com o almirante Miklos Horthy, o líder húngaro, em Salzburgo, e tentou persuadi-lo a permitir que os judeus húngaros fossem "recolocados" na Polónia, segundo Martin Gilbert no seu livro intitulado "Never Again" [Nunca mais]. O almirante Horthy rejeitou o pedido de Hitler e recusou a deportação dos judeus húngaros.

Desde o princípio da perseguição aos judeus pelos nazis em 1933, até Março de 1944, a Hungria era um lugar relativamente seguro para os judeus e muitos judeus da Alemanha, Áustria, Eslováquia e Polónia procuraram refúgio nas suas fronteiras. Contudo, em 1938, a Hungria promulgou leis similares às leis nazis na Alemanha, que discriminavam os judeus.

A 3 de Setembro de 1943, a Itália assinou um armistício com os Aliados e virou-se contra a Alemanha, o seu ex-aliado. Horthy teve esperança de negociar um acordo semelhante com os Aliados Ocidentais para travar a invasão soviética da Hungria.

O "Sonderkommando Eichmann", um grupo especial de soldados SS sob o comando de Adolf Eichmann, foi constituído a 10 de Março de 1944 com o objectivo de deportar os judeus húngaros para Auschwitz; o pessoal deste Comando de Acção Especial foi reunido no campo de concentração de Mauthausen na Áustria e depois enviado para a Hungria a 19 de Março de 1944, durante a celebração do Purim, um feriado judeu.


As grandes deportações para os campos de concentração 1942-1944

Auschwitz, situado no coração da "Grande Alemanha", funcionava como centro distribuidor dos outros campos de concentração:


A 18 de Março de 1944, Hitler teve um segundo encontro com Horthy em Schloss Klessheim, um castelo próximo de Salzburgo na Áustria. Foi conseguido um acordo no qual Horthy prometeu deixar que 100 mil judeus fossem enviados para o Reich alemão para a construção de fábricas subterrâneas para a produção de aviões de caça. Estas fábricas estavam localizadas em Mauthausen e nos onze sub-campos de Dachau na região de Kaufering. Os judeus eram enviados para Auschwitz, e então transferidos para os campos na Alemanha e na Áustria.

Quando Horthy, o líder húngaro, regressou à Hungria, viu que Edmund Veesenmayer, um chefe de brigada SS, se tinha instalado como o efectivo administrador da Hungria, sob a responsabilidade directa dos Negócios Estrangeiros Alemães e de Hitler.

A 19 de Março de 1944, no mesmo dia em que o Sonderkommando Eichmann chegou, as tropas alemãs tomaram o poder na Hungria. A invasão da Hungria pela União Soviética estava iminente e Hitler suspeitava que Horthy estava a planear passar para o lado dos Aliados. À medida que se ia tornando cada vez mais previsível que a Alemanha ia perder a guerra, os seus aliados a começaram a desertar para o lado vencedor. A Roménia mudou-se para a parte Aliada a 23 de Março de 1944.

Depois da formação do Reich Central Security Office (RSHA) [Órgão Central de Segurança do Reich] em 1939, Adolf Eichmann foi colocado ao comando da secção IV B4, o departamento do RSHA que tratava da deportação dos judeus. Uma das suas primeiras missões foi desenvolver o plano nazi de enviar os judeus europeus para a ilha de Madagáscar junto à costa oriental de África. Este plano foi abandonado em 1940.

Segundo Rudolf Höss, o comandante de Auschwitz, "Eichmann tinha-se interessado pela questão judaica desde a sua juventude e possuía um extenso conhecimento da literatura sobre o assunto. Eichmann viveu durante muito tempo na Palestina de forma a aprender mais sobre os sionistas e o desenvolvimento do estado judeu".

Em 1937, Eichmann foi para o Médio Oriente investigar a possibilidade de uma emigração em massa dos judeus para a Palestina. Encontrou-se com Feival Polkes, um agente da Haganah (milícia judaica criada na década de 1930 com o objetivo de proteger os judeus da Palestina, mas também atacava a população árabe), com quem discutiu o plano sionista de criar um estado judeu. Segundo o seu testemunho, no seu julgamento em 1961, em Jerusalém, foi negada a Eichmann a entrada na Palestina pelos britânicos que se opunham a um estado judeu na Palestina, e assim a ideia de deportar todos os judeus europeus para a Palestina foi abandonada.

Na Conferência de Wannsee a 20 de Janeiro de 1942, na qual a Solução Final para a Questão Judaica foi planeada, foi atribuído a Eichmann a missão de organizar o "transporte para Leste" que era um eufemismo para enviar os judeus europeus para serem assassinados em Treblinka, Sobibor, Belzec, Majdanek e Auschwitz-Birkenau.


Crianças judias húngaras caminham para as câmaras de gás de Auschwitz-Birkenau


No dia seguinte à ocupação da Hungria pelas forças alemãs, Adolf Eichmann chegou para supervisionar o processo de deportação dos judeus húngaros. Havia 725 mil judeus a viver na Hungria em 1944, incluindo muitos que viviam antes na Roménia, segundo Laurence Rees, que escreveu "Auschwitz, a New History" [Auschwitz, uma Nova História]. Os judeus nas vilas e nas cidades pequenas foram imediatamente reunidos e concentrados em guetos.


Judeus húngaros caminham em direcção às câmaras de gás nos Crematórios IV e V


A foto acima mostra crianças judias húngaras, demasiado jovens para trabalhar, a caminho do gaseamento imediato após a sua chegada a Auschwitz, a 26 de Maio de 1944. Estão a caminhar ao longo de uma estrada interior que atravessa de norte a sul, pelo meio, o campo de Auschwitz, também conhecido como Birkenau. Nesta foto, tirada por um soldado das SS, as crianças viraram as suas caras para a máquina fotográfica; as câmaras de gás dos Crematórios IV e V estão do lado norte do campo, atrás deles ao fundo.

Os judeus que eram seleccionados para trabalhar no campo seguiam por esta mesma estrada interior para a Sauna Central onde os prisioneiros recém-chegados tomavam um duche, as suas cabeças eram rapadas e um número era tatuado nos seus braços.


Mulheres húngaras que acabaram de chegar num transporte ferroviário


Mulheres húngaras que foram seleccionadas para trabalhar em Auschwitz-Birkenau


A foto acima mostra mulheres húngaras caminhando para a secção de mulheres no lado sul do campo de Auschwitz-Birkenau depois de terem tomado um duche e mudado de roupa. Atrás delas está um comboio de transportes e ao fundo à esquerda encontra-se um dos guardas do campo. A mulher com o cabelo preto no centro da foto é Ella Hart Gutmann que está na linha exterior olhando para dentro. Ao lado dela está Lida Hausler Leibovics; ambas as mulheres eram de Uzhgorod. As suas cabeças foram rapadas num esforço para controlar os piolhos que propagavam o tifo.

Rudolf Höss deixou de ser comandante do complexo de Auschwitz em Novembro de 1943 e foi promovido para a Direcção Geral de Administração Económica em Oranienburg. A 8 de Maio de 1944, voltou novamente a Auschwitz para supervisar o gaseamento dos judeus húngaros. Höss escreveu o seguinte na sua autobiografia, a respeito da deportação dos judeus húngaros:

"Por ordens de Pohl fiz três visitas a Budapeste de forma a obter uma estimativa do número de judeus saudáveis que poderiam ser esperados [...] Eichmann estava completamente obcecado com a sua missão e também convencido que a acção de extermínio era necessária para preservar o povo alemão no futuro das intenções destrutivas dos judeus. Eichmann era também um oponente determinado da ideia de não seleccionar para as câmaras de gás os judeus que estavam aptos para trabalhar. Ele considerava isso como um perigo como um perigo constante para o seu plano de uma "solução final", porque a possibilidade de fugas em massa ou qualquer outro acontecimento poderia fazer com que esses judeus sobrevivessem. "


Eichmann fez aparentemente uma mudança de 180 graus desde os dias em que viajou para a Palestina e estudou hebreu de forma a implementar o seu plano de transportar os judeus para o seu próprio estado judeu na Palestina.

Apesar da desaprovação de Eichmann, "dezenas de milhares de judeus foram retirados de Auschwitz para trabalhar em projectos de armamento", segundo o que Höss escreveu na sua autobiografia.

Höss queixou-se do processo de selecção em Auschwitz, no qual judeus que não eram suficientemente fortes para trabalhar, na sua opinião, eram salvos da câmara de gás. Escreveu o seguinte na sua autobiografia:

"Se Auschwitz tivesse seguido os meus conselhos constantemente repetidos, e tivesse apenas seleccionado para trabalhar os judeus mais saudáveis e vigorosos, então o campo teria obtido uma verdadeira força de trabalho útil que teria durado mais, embora seja verdade que seria numericamente inferior."


Segundo Höss:

"Os doentes pejavam os campos de concentração, privando os saudáveis de comida e espaço e não fazendo trabalho nenhum, e, de facto, a sua presença fez com que muitos dos que podiam trabalhar fossem incapazes de o fazer."
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