quarta-feira, junho 29, 2011

A censura, a meia-verdade, a mentira, a omissão e a propaganda, explicitamente inscritas no estatuto editorial do Jornal Expresso

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Jornal Expresso - Estatuto Editorial



Lendo-se o que está escrito no novo estatuto editorial do Expresso, chama a atenção o ponto 7:

7 - O Expresso sabe, também, que em casos muito excepcionais, há notícias que mereciam ser publicadas em lugar de destaque, mas que não devem ser referidas, não por auto-censura ou censura interna, mas porque a sua divulgação seria eventualmente nociva ao interesse nacional. O jornal reserva-se, como é óbvio, o direito de definir, caso a caso, a aplicação deste critério.


Manuel António Pina - Jornal de Notícias [28.06.2011]

«Chegou, pois, a altura de um jornal declarar, sem rebuço, que não publicará notícias "que mereciam ser publicadas em lugar de destaque" se entender que a sua divulgação pode "eventualmente" ser "nociva ao interesse nacional". O jornal ponderará, caso a caso, o "interesse nacional" das notícias, mas algo fica, desde já, claro: para esse jornal, a verdade factual deixou de ter por si só, mesmo dentro da lei, "interesse nacional"; e mais: o jornal passará a substituir-se ao poder político e a definir o que é, ou não, de "interesse nacional", podendo decidir não dar a conhecer verdades se as achar inconvenientes ou inoportunas. A bem da Nação.»

«Se ainda havia algum pudor, deixou de haver: um jornal assume às claras que se rege por critérios de oportunidade (políticos por excelência) e não exclusivamente por critérios jornalísticos.»


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Mário Soares acerca dos Media no Programa "Prós e Contras" [27.04.2009]:

Mário Soares: [...] «Pois bem, agora um jornal, não há! Uma pessoa não pode formar um jornal, precisa de milhares de contos para formar hoje um jornal e, então, para uma rádio ou uma televisão, muito mais. Quer dizer, toda a concentração da comunicação social foi feita e está na mão de meia dúzia de pessoas, não mais do que meia dúzia de pessoas

Fátima Campos Ferreira: «Grupos económicos, é

Mário Soares: «Grupos económicos, claro, grupos económicos. Bem, e isso é complicado, porque os jornalistas têm medo. Os jornalistas fazem o que lhes mandam, duma maneira geral. Não quer dizer que não haja muitas excepções e honrosas mas, a verdade é que fazem o que lhes mandam, porque sabem que se não fizerem aquilo que lhe mandam, por uma razão ou por outra, são despedidos, e não têm depois para onde ir.» [...]


Comentário

Ficamos deste modo a saber que os grupos económicos (dos quais, os mais poderosos são incomparavelmente os Bancos), não apenas trazem o cidadão deste país dependente pelo capital, mas, afronta derradeira, pelas voz dos seus jornais e televisões - que censuram, expressam meias-verdades, omitem, mentem e propagandeiam - ordenam ao português o que há-de pensar, o que há-de fazer, como se há-de governar e os montantes de dívidas e juros que vai ter de pagar!
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sexta-feira, junho 24, 2011

Dívidas ilegais, ilegítimas, odiosas ou simplesmente insustentáveis

Não seria razoável e justo pegar naqueles que nos levaram a este estado ruinoso – os que nos têm "governado" deixando-nos totalmente à mercê dos mercados financeiros - e chegar-lhes a roupa ao pêlo?




Rapinado ao Álvaro do blogue PSICANÁLISES (Junho 23, 2011)


"Por uma auditoria à dívida portuguesa"

A petição, intitulada "Por uma auditoria à dívida portuguesa", é assinada por 38 figuras ligadas ao movimento sindical, associativo e ao ensino universitário e defende uma auditoria da dívida "com participação da sociedade civil e do movimento dos trabalhadores", como forma de "determinar que partes da dívida são ilegais, ilegítimas, odiosas ou simplesmente insustentáveis".

"É urgente, neste contexto, a constituição de uma comissão popular, aberta e de convergência unitária, para uma auditoria à dívida portuguesa", refere o documento, acrescentando que uma auditoria nestes moldes "oferece aos trabalhadores o conhecimento e a autoridade necessários para a definição democrática de políticas nacionais perante a dívida".

Segundo os peticionários, esta auditoria "incentiva igualmente a responsabilidade, a prestação de contas e a transparência da administração do Estado".

"A austeridade e as medidas de privatização pressionam em primeiro lugar os mais pobres, enquanto as 'ajudas' são para quem está na origem da crise. Se as medidas de austeridade anti-populares não forem postas em causa, terão um impacto considerável na Europa durante muitos anos, modificando de forma drástica a relação de forças em favor do capital e em prejuízo do trabalho", conclui a petição. publico.pt


Nota

Aqui temos uma forma bastante reducionista, ainda que lógica, de expôr as coisas. Quem esbanjou os cofres do Estado são os principais responsáveis pelo estado a que chegamos. Esses deveriam ser os primeiros a ser julgados. Depois vieram os especuladores, claro. Mas se o Estado não tivesse sido totalmente desbaratado, a margem de actuação dos especuladores seria pelo menos muito reduzida.




Quer dizer: andaram-se a fazer PPP's e concessões ruinosas para o Estado que por outro lado enriqueceram os privados a quem foram oferecidas. Andaram-se a desbaratar milhões em estudos, assessorias, consultadorias, etc, para coisas que não tinham pernas para andar dado o estado do país (TGV, novo aeroporto). Encheu-se a administração pública e as EP's de boys e girls, equiparados a chefes de serviço sem ninguém para chefiar. Andaram-se a comprar carros e mais carros, chegando-se ao ponto de não se conseguir contabilizar quantos carros o Estado comprou e quantos mantém. E depois de tudo isto quer-se atribuir a responsabilidade exclusivamente aos especuladores internacionais, essa figura abstracta que ninguém sabe exactamente onde agarrar? Não seria mais fácil, razoável e justo pegar naqueles que nos levaram a este estado ruinoso - deixando-nos totalmente à mercê dos tais especuladores - e dar-lhes no "pêlo"? Desculpem o mau jeito mas só assino essa petição depois de lançarem outra a exigir a detenção e julgamento de quem nos conduziu ao estado em que nos encontramos. Despois sim, assino essa contra os especuladores internacionais, esses velhacos.

Mas há aqui qualquer coisa de verdade e é isso que vai acabar por fazer implodir o actual sistema enquanto entidade genérica: as ajudas têm ido parar ás mãos daqueles que estiveram na origem da crise.

No caso de Portugal a responsabilidade é em primeiro lugar de quem nos tem governado. Seguidamente é dos bancos e empresas (contam-se pelos dedos de uma só mão) que participaram activa e consistentemente na delapidação do Estado.

Basicamente, e apesar da primeira parte do meu comentário, uma auditoria à dívida portuguesa é uma ideia que não só tem pernas para andar como é imperativa para se conhecer o estado em que nos encontramos de facto. Mas se não se tirarem consequências (legais e eventualmente criminais) dessa auditoria, o acto não passará de mais um gesto simbólico desprovido de exemplaridade. Seja como fôr, a dimensão e a qualidade da dívida tem de ser conhecida.



Se se tirarem consequências legais e eventualmente criminais...
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segunda-feira, junho 20, 2011

Daily Show com Jon Stewart – Como os senadores americanos estão mais preocupados em baixar os impostos aos ricos do que em salvar a vida aos bombeiros do 11 de Setembro

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Jon Stewart - Quero-vos falar da Lei Zadroga. Zadroga era um polícia de Nova Iorque que morreu em 2006 de doença respiratória que se presume ter sido causada pelo seu trabalho no meio da poeira do "Ground Zero" [lugar onde caíram as Torres do WTC no 11 de Setembro], em 2001.

Esta lei atribuiria 7 mil milhões de dólares em benefícios médicos e financeiros aos trabalhadores do Ground Zero que adoecerem. A lei já passou na Câmara de Representantes mas o Senado está reticente em aprovar a lei.


Canal televisivo - Os Republicanos do Senado bloquearam a votação da Lei Zadroga mas aprovaram a lei para estender os cortes fiscais a todos os americanos, incluindo os mais ricos por uma votação esmagadora de 81 contra 19.




Jon Stewart - Boa! Isso são notícias extraordinárias para os bombeiros que ganham mais de 200 mil dólares por ano. Claro que todos os bombeiros não milionários estão com um azar do caraças! E nenhum dos canais generalistas mencionou isso nos noticiários da noite durante dois meses e meio. É uma abdicação escandalosa das nossas responsabilidades para com aqueles que foram mais heróicos no 11 de Setembro.

Mas houve uma estação de TV que deu aos socorristas do 11 de Setembro 22 minutos da cobertura intensa que mereciam. Infelizmente, essa estação foi a Al Jazeera. As nossas estações foram ultrapassadas com uma história apelativa da Lei Zadroga pela mesma estação para onde o Bin Laden manda as suas cassetes.

Gostaria de ver um destes senadores ter tomates para explicar porque é que uma extensão de cortes fiscais para os ricos é mais importante do que os trabalhadores doentes do Ground Zero.


Senador - Precisamos de abordar a questão dos bombeiros e vítimas do 11 de Setembro e iremos fazê-lo. Acho que a diferença da lei fiscal é que existe um prazo – 1 de Janeiro. Os impostos sobem a 1 de Janeiro. Temos de ter esta lei fiscal aprovada antes de 1 de Janeiro.


Jon Stewart - Sim, só há duas certezas na vida: a morte e os impostos. Aparentemente, a única que interessa a este marmelo são os impostos.


And so on


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quarta-feira, junho 15, 2011

«Crise Financeira» - A escumalha política do Parlamento Catalão, assim como de outros parlamentos europeus, está à rasca

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Esta informação está vetada à população portuguesa. Não se está a passar nada em Espanha. Não se está a passar nada na Grécia. Não se está a passar nada em França. Não se está a passar nada na Macedónia. Não se está a passar nada na Europa. Não se está a passar nada no Mundo. Cuidado com os pepinos assassinos.



Indignados de Barcelona cercam Parlamento Catalão


Tal como acontece na Grécia há vários dias, na Praça Syntagma, frente ao Parlamento grego, milhares de "indignados" espanhóis encontram-se concentrados junto às portas da Cidadela de Barcelona. Assim, a Cidadela de Barcelona está protegida por um cordão de várias centenas de polícias. No exterior concentraram-se milhares de pessoas, decididas a não deixar os deputados entrar no Parlamento.

Os manifestantes estão decididos a não deixar que esta 4ª feira os deputados entrem para votar novos cortes nos serviços sociais. O mote: "Nós não entraremos, mas eles também não..."

Em Assembleia Popular debateram-se as formas de evitar a entrada dos 135 deputados, sob a égide do grito 'no pasarán'. O Ministério do Interior mandou avisar os manifestantes que o impedimento de deixar os deputados entrar no Parlamento é um delito, mas os "acampados" consideraram, a uma só voz, que nem sempre o que é justo é legal, juntando que o seu protesto é "não violento, pacífico e massivo".

Os indignados dirigiram-se publicamente aos deputados para que não viessem ao Parlamento esta manhã, boicotando as medidas de austeridade. Instaram ainda os parlamentares a título individual: "se estão conscientes do que farão estes cortes sociais à maioria da população, não venham ao Parlamento". "Se vierem e nos encontrarem à porta, terão duas opções: voltar para trás ou unir-se a nós".


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Pelo menos 40 deputados chegaram em carros da polícia, outros 24 aterraram de helicóptero. Os protestos em frente ao Parlamento da Catalunha, em Barcelona, intensificaram-se hoje cedo quando centenas de pessoas pertencentes ao movimento dos "indignados" espanhóis quiseram impedir a entrada dos deputados.

O cordão policial desta manhã não conseguiu evitar cenas de alguma violência. Os manifestantes conseguiram pintar com spray vermelho o deputado Joan Boada, atirar cascas de banana ao secretário-geral do partido Iniciativa per Catalunya (ICV), Joan Herrera, e pintar uma cruz negra na gabardina da ex-conselheira de Justiça Montserrat Tura.

A maioria dos deputados que entrou a pé foi recebida com gritos, insultos e empurrões, tendo entrado sob escolta policial no parlamento. Segundo conta o jornal La Vanguardia, para tentar passar despercebidos por entre a multidão, muitos deputados tiraram as gravatas, mas alguns foram reconhecidos pelos cerca de 2000 manifestantes no local.

No Parlamento estava agendado um debate sobre o orçamento da Catalunha que prevê uma redução em cerca de 10 por cento das despesas públicas e de prestações sociais e na área da saude, o que conta com a oposição dos "indignados", também conhecidos por movimento 15M, que se tem manifestado em diversas cidades espanholas.

De cada vez que entra um deputado, ouvem-se gritos como "Vocês não nos representam!", avança ainda o "La Vanguardia".


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Grécia: cinquenta mil indignados bloqueiam as saídas do parlamento


Segundo informam meios locais, cerca de 50.000 manifestantes têm-se congregado em frente ao edifício durante a noite desta terça-feira, impedindo a saída de deputadas e jornalistas que se encontravam no interior. A poucos minutos da meia-noite, os membros do parlamento conseguiram sair através de um corredor aberto pela Polícia.

Este é o sétimo dia consecutivo de protestos do movimento de Indignados, que acamparam na mesma praça do Parlamento, a praça Sintagma de Atenas.


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Comentário

E toda esta informação está vetada à população portuguesa porque a Escumalha Mediática, outro braço do Cartel Financeiro Internacional, se cala sobre o que é relevante e repete-nos, ad nauseum, as desgraças "inelutáveis" que se avizinham, com o objectivo de nos amolecer a vontade e entorpecer a indignação:

«É preciso honrar os compromissos assumidos com os mercados»

«Vivemos acima das nossas possibilidades»

«Todos os portugueses vão precisar de muita coragem para os próximos anos
e percebem que temos de fazer sacrifícios»

«Vêm aí dois anos terríveis para Portugal,
de recessão económica e de taxas de desemprego recorde»


E isto porque, como afirmou Mário Soares num momento de rara franqueza no «Prós e Contras»: «... toda a concentração da comunicação social foi feita e está na mão de meia dúzia de pessoas, de Grupos Económicos, onde os jornalistas escrevem e dizem apenas o que lhes mandam ...»


A «informação» veiculada pelos jornais e televisões nada mais é que um somatório de mentiras, meias-verdades, omissões e propaganda, cujo objectivo é confundir, embotar e estupidificar.
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segunda-feira, junho 13, 2011

Ano 2045 - O Homem tornado Deus graças à tecnologia

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Raymond Kurzweil (Nova Iorque, 12 de Fevereiro de 1948) é um inventor e futurista norte-americano, pioneiro nos campos de reconhecimento óptico de caracteres, síntese de voz, reconhecimento da fala e teclados electrónicos. É, igualmente, autor de livros sobre saúde, inteligência artificial, transumanismo, singularidade tecnológica e futurologia. Raymond Kurzweil defende que, graças à evolução tecnológica exponencial, tornar-nos-emos imortais a partir de 2045.


Entrevista a Raymond Kurzweil
em 3 curtos vídeos legendados em português


A singularidade está próxima por Raymond Kurzweil [Parte 1 de 3] - 7:07m









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quarta-feira, junho 08, 2011

Este é o mais excepcional documentário que já vi sobre a utilização do anti-semitismo para proporcionar dinheiro, poder e influência às organizações judaico-sionistas

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Um documentário extraordinário realizado por um judeu, Yoav Shamir, que nos mostra vários judeus-sionistas, extremamente influentes, a admitir candidamente que constituem o grupo mais poderoso do planeta, que fazem chantagem através do anti-semitismo sobre os grandes líderes mundiais para obter mais poder, que utilizam esse anti-semitismo para deflectir críticas a Israel, e como procedem à lavagem cerebral da juventude israelita com o Holocausto.

Assim como Norman Finkelstein, um professor norte-americano (e judeu), escreveu um livro no qual expõe como funciona o que ele denomina "A Indústria do Holocausto", Yoav Shamir, um cineasta israelita (e judeu), realizou o filme documentário "Defamation" (Difamação) que revela aquilo que poderíamos designar como "A indústria do anti-semitismo".




Trata-se de um filme imprescindível para entender os interesses que movimentam esta "indústria". A verdade, como podemos depreender deste documentário, é que o anti-semitismo passou a ser a fonte de riqueza e poder para muitos grupos oriundos das comunidades judaicas norte-americanos que, aliados aos interesses da extrema-direita israelita, não desejam o seu fim, nem seu enfraquecimento (anti-semitismo). Muito pelo contrário, para desfrutar dos seus privilégios (e para justificar a política anti-palestiniana de Israel), esses grupos procuram fazer tudo para que o anti-semitismo nunca deixe de estar omnipresente nos meios de comunicação.

Se já não existisse nenhum perigo real de anti-semitismo (como o documentário nos dá a entender que é o que ocorre na prática), era necessário recriá-lo através de todos os mecanismos emocionais possíveis. O documentário deixa claro também que há muitos judeus, religiosos ou não, que não concordam com a manipulação do sofrimento de seus antepassados para o benefício espúrio de grupos sionistas actuais.


Vídeo "Defamation" - legendado em português

Um vídeo que ninguém deve perder!


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domingo, maio 29, 2011

The Economic Horror

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A tese (1997) defendida por Viviane Forrester é de que o emprego, tal como o conhecemos durante três séculos no Ocidente, tem os dias contados e tornou-se menos plausível, a cada ano que passa, de ser a forma de distribuir a riqueza.

O "O Horror Económico" ataca também as actuais políticas dos governos ocidentais que fazem tentativas cada vez mais desesperadas para manter vivo o sistema de trabalhos e salários. Forrester cita a constante redução de números cada vez maiores das classes trabalhadoras e, agora, das classes médias; o atrito constante, a nível internacional, da assistência social e dos direitos sindicais, por um lado, e a crescente desestabilização dos que trabalham, já para não falar dos desempregados.

Tudo isto criou uma cultura de emprego e desemprego (e subemprego) que não é apenas stressante, lamentável e desagradável mas também, segundo Forrester, "gerou uma economia mundial que é uma obscenidade, uma afronta à natureza humana" e, usando as palavras do título do livro, um "Horror":


Excertos de "O HORROR ECONÓMICO" de Viviane Forrester

«Penso que cada um de nós, qualquer que seja o nosso trajecto de vida, deveria sentir-se preocupado com a actual situação do mundo, o qual é inteiramente governado por economistas. Se Shakespeare voltasse hoje à vida, julgo que ficaria fascinado pela trágica interacção das poderosas forças económicas que estão furtivamente a transformar os destinos dos cidadãos ou melhor das populações de todos os países.

Em minha opinião estamos a testemunhar uma mudança profunda, uma transformação da sociedade e da civilização, e estamos a ter muita dificuldade em aceitá-lo. Como é que podemos dizer adeus a uma sociedade que estava baseada em empregos estáveis que forneciam uma rede segura e os fundamentos de uma existência decente? A segurança no emprego está de saída.

Pela primeira vez na história, a grande maioria dos seres humanos já não são indispensáveis ao pequeno número daqueles que dirigem a economia mundial. A economia está de forma crescente envolvida com especulação pura. As massas trabalhadoras e os seus custos estão a tornar-se supérfluas. Por outras palavras, existe uma coisa ainda pior do que ser explorado e que consiste em já nem sequer valer ser explorado!

É verdade que a forma como as coisas estão não estão a ser escondidas, mas existe uma tendência para evitar falar sobre isso claramente. Em sociedades democráticas, em qualquer caso, não se diz às pessoas que estão a ser consideradas como supérfluas. Sob os totalitarismos pode existir um perigo ainda pior do que o desemprego e a pobreza. Uma vez desaparecidos os assalariados, porque é que um regime totalitário não elimina simplesmente essas forças que se tornaram inúteis.

Em países democráticos existe uma necessidade urgente de vigilância. É muitas vezes invocado de que a era industrial, quando um salário regular fornecia os meios de subsistência, pode de alguma forma reacender-se. Mas esses dias acabaram. Os rendimentos salariais estão a desaparecer e a panóplia de esmolas temporárias e pensões concebidas para os substituir estão a minguar, algo que não pode ser considerado senão criminoso.




Os gestores da máquina económica exploram esta situação. O pleno emprego é uma coisa do passado, mas ainda o utilizamos como padrão que era corrente no século dezanove, ou há vinte ou trinta anos, quando ainda existia. Entre outras coisas, este facto encoraja a que muitos desempregados sintam vergonha de si próprios. Esta vergonha sempre foi absurda mas é-o ainda mais hoje.

Isto ocorre de mãos dadas com o receio sentido pelos privilegiados que ainda possuem um emprego pago e têm medo de o perder. Eu sustento que esta vergonha e este medo deviam ser cotadas na bolsa de valores, porque constituem inputs importantes no lucro. Há uns anos as pessoas condenavam a alienação causada pelo trabalho. Hoje, a redução dos custos do trabalho contribuem para os lucros das grandes companhias, cuja ferramenta de gestão favorita é despedir trabalhadores; quando despedem, o valor das suas acções disparam.

Hoje, ouvimos muito falar acerca da “criação de riqueza”. Dantes, esta expressão era simplesmente conhecida como lucro. Hoje, as pessoas falam desta riqueza como se ela fosse automática e directamente para a comunidade e criasse empregos, e, contudo, vemos empresas altamente lucrativas a reduzir drasticamente a sua força de trabalho.

Quando as pessoas falam dos poderosos, não estão a falar do grosso da população do seu país mas acerca dos manda-chuvas que relocalizam num piscar de olhos. Os políticos fazem do emprego a sua prioridade, mas a Bolsa de Valores fica deliciada sempre que um grande complexo industrial despede trabalhadores e fica preocupada sempre que exista qualquer melhoria nos números do emprego. Gostava de chamar a atenção das pessoas para este paradoxo. A cotação do valor em bolsa de uma empresa depende em grande parte dos custos do trabalho, e o lucro é gerado em última análise pela redução do número daqueles que têm trabalho.

A presente situação levanta uma questão vital para o futuro das pessoas deste planeta, sobretudo para os mais jovens e o seu futuro. Hoje, o ideal é ser “lucrativo”, não “útil”. Isto levanta uma questão muito séria: Devem as pessoas ser lucrativas para “merecer” o direito a viver? A resposta do senso comum é que é uma coisa boa ser útil à sociedade. Mas estamos a impedir as pessoas de serem úteis, estamos a esbanjar a energia da juventude ao olhar para a rentabilidade como o supra-sumo.

A maior parte dos países perdeu o seu sentido das prioridades. Existe uma necessidade cada vez maior de professores, pessoal médico, mas os governos mostram-se crescentemente agressivos contra eles. Estas são as profissões onde os lugares são abolidos e os fundos são cortados. E no entanto são indispensáveis para o bem-estar e o futuro da humanidade. Esta confusão entre “utilidade” e “rentabilidade” é desastrosa para o futuro do planeta.

Os jovens vivem numa sociedade que ainda considera o emprego assalariado como o único modo de vida aceitável, honesto e de acordo com a lei, mas a maior parte deles estão impedidos de ter a oportunidade de os alcançar. Em zonas pobres dentro das cidades isto é um grande problema. Ao mesmo tempo, encontro muitas vezes gente jovem com os braços carregados de diplomas que não arranjam trabalho. Que desperdício imperdoável! Durante gerações os estudos constituíam a iniciação da juventude na vida social. Admiro os jovens de hoje porque avançam com os seus estudos perfeitamente conscientes de que correm o risco de serem rejeitados pela sociedade.

Apenas há vinte ou trinta anos atrás, existiam ainda razões para esperar que a prosperidade relativa do Norte se espalhasse pelo mundo. Hoje, estamos a assistir à globalização da pobreza. As empresas do Norte que se deslocalizaram para os chamados “países em desenvolvimento”, não criam empregos para as pessoas desses países, em vez disso fazem-nos geralmente sem qualquer tipo de protecção social, em condições medievais. A razão para isto é que força de trabalho sub-paga de homens, mulheres e crianças, tal como os prisioneiros, custam menos do que a automação custaria no país de origem. Isto é colonização noutra, igualmente odiosa, forma.

Não sou pessimista, longe disso. Os pessimistas são aqueles que afirmam não haver alternativa à presente situação, de que não há escolha possível. O meu livro é uma tentativa para descrever o que se passa. É verdade que a situação é dramática. Apesar de tudo, eu sou, tal como muitas outras pessoas, uma cidadã de um país cujo regime democrático torna possível reflectir e resistir livremente à pressão crescente que o factor económico está a exercer nas nossas vidas.

Eu gostaria que existissem contrapoderes, pensamento alternativo, conflitos de ideias e interesses. Não conflito violento, claro, mas temos de acordar e deixar de estar petrificados, prisioneiros do pensamento banal. Em países onde o meu livro já foi traduzido, especialmente nos Estados Unidos, Brasil, México, Lituânia, Polónia e outros tais como a República da Coreia está a causar uma espécie de convulsão mesmo antes da sua publicação.»



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segunda-feira, maio 23, 2011

15-M: Fartos da fraude e da impunidade do Poder Financeiro e Económico, dos políticos corruptos e dos jornalistas e comentadores venais

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Em Madrid, Zaragoça, Valência, Sevilha e em muitas outras cidades de Espanha, trabalhadores e desempregados, estudantes universitários e reformados, pais e filhos, juntaram as suas vozes numa só voz para deixar um recado aos seus políticos: «Nenhum dos vossos partidos representa aquilo que queremos».


Madrid - Plaza Puerta del Sol - à 14 horas


Esta corrente de autêntica democracia extravasou já largamente as fronteiras de Espanha e chegou a toda a Europa, às Américas, à Ásia e à Oceânia. Formaram-se também acampamentos na China, Índia, Mongólia, Tailândia, Rússia e Austrália. A partir da Puerta del Sol, que continua radiante, a voz dos indignados levanta-se. Em Portugal, Lisboa, Porto, Coimbra e Faro estão a aderir.


O movimento iniciado em Madrid espalha-se rapidamente pelo globo




22 Maio, 2011 - (tradução de Helena Romão)


Fartos da fraude e da impunidade


A imensa maioria dos políticos, jornalistas e comentadores não têm tido vontade de ouvir os jovens, que têm taxas de desemprego de 45%; nem os milhares de pessoas que reclamam no Banco de Espanha e nos tribunais que os defendam da fraude dos bancos, sob a forma de contratos de swaps, clips e outros enganos; nem às centenas de milhar de famílias que perderam as suas casas; nem às dezenas de milhar de pequenos e médios empresários que fecham as empresas, porque não recebem nem um euro de bancos que usam as ajudas públicas para continuar a especular; nem aos pais e mães de família que têm cada vez mais dificuldade de chegar ao fim do mês, enquanto os benefícios das grandes empresas e bancos disparam; nem a quem dizíamos que as medidas não vinham resolver a crise, mas dar ainda mais benefícios e poder a quem a provocou; nem aos que começavam a sentir-se indignados, porque o governo chamava à Moncloa, para criar emprego, precisamente os administradores das empresas e bancos que mais postos de trabalho destruíram nos últimos anos.

Fizeram orelhas moucas a tudo isto. Nunca dizem que os bancos matam as pessoas à fome nem explicam como as enganam e lhes tiram as casas. E agora, que as pessoas reagem e saem à rua, fartas de tudo isto, querem ser eles os grandes intérpretes do que se passa.

Mas vão enganar-se novamente.


Madrid - Plaza Puerta del Sol - à 1 dia


O que se está a passar nas nossas ruas é muito mais simples do que parece. As pessoas vêem, as pessoas lêem, e as pessoas entendem muito mais do lhes é dado pelos meios de comunicação, propriedade dos bancos e das grandes empresas, que apenas programam bazófia para que a maioria não veja, não pense e não saiba nada que lhes seja inconveniente. Cada vez mais gente entra na internet e fala com outra gente para se informar por outras vias e começa a descobrir que Botín, Miguel Angel Fernández Ordoñez, Francisco González, Rajoy, Esperanza Aguirre, Zapatero e companhia montaram uma fraude colossal e já começa a cansar-se de a suportar.

Dão-se conta que sim, sabiam que estava a criar-se uma crise de grande envergadura e que a ocultaram para que não se visse a responsabilidade criminal de quem a provocou, os bancos, com as autoridades dos governos e os bancos centrais, que assobiavam para o lado.

Dão-se conta que as ajudas multi-milionárias dadas aos bancos, com a desculpa de que se iria incentivar o crédito para que o desemprego não continuasse a crescer, também é mentira, porque os bancos usaram esse dinheiro para especular com a dívida dos governos, chantageando-os com o autêntico terrorismo financeiro que praticam as agências de notação, exigindo assim reformas que lhes dêem ainda mais vantagens.

Deram-se conta que a reforma laboral, das pensões, das bolsas e ajudas à educação, o corte de salários e ainda as reformas que se adivinham para modificar a negociação da contratação colectiva ou para privatizar os serviços públicos, não têm nada a ver com as causas da crise, mas são a forma de abrir novos negócios para que continuem a enriquecer os mesmos de sempre.

E as pessoas começam a dar-se conta que já não é possível suportar tanta mentira na nossa vida política, com centenas de eleitos acusados de corrupção sem que os dirigentes dos partidos lhes digam algo, com um bipartidarismo favorecido por uma lei eleitoral simplesmente não democrática, com créditos bancários que nunca devolvem e com meios de desinformação detidos pelas grandes fortunas ou empresas e bancos, que apenas informam o que lhes convém. Ou seja, milhares de pessoas já perceberam que não vivemos numa democracia e que, por isso, há que reclamar a Democracia Verdadeira quanto antes.

Isto não é tudo, há ainda algo mais.


Madrid - Plaza Puerta del Sol - à 2 dias


Quem está nas ruas, quem apoia os que estão na rua e quem continua a juntar-se à rua TEM ALTERNATIVAS, ainda que os políticos convencionais se empenhem em desprezar-nos, dizendo que somos anti-sistema (quando na realidade é o sistema que é anti-nós), que só sabemos protestar e dizer que não.

Somos muitos e de sensibilidades variadas, mas basta ver os documentos que têm circulado a apelar às manifestações para perceber que há questões comuns e básicas que nos unem a todos, porque além das nossas diferenças, somos, acima de tudo e simplesmente, cidadãos e cidadãs que queremos algo tão elementar como democracia verdadeira e justiça a sério.

Entre outras reivindicações que podem ver-se nos documentos de Democracia Verdadeira Já ou outras organizações que apoiam as mobilizações, como a ATTAC, queremos uma lei eleitoral que não seja discriminatória, que garanta a igualdade de todas as pessoas nos processos eleitorais, queremos uma justiça que expulse os corruptos da vida política, queremos leis de meios de comunicação que garantam a pluralidade e não a concentração perversa que existe agora...

Queremos normas que garantam que os banqueiros e os grandes grupos não possam exercer extorsão sobre os governos nem impor a sua vontade sobre os poderes representativos. Queremos que as decisões económicas sejam tomadas por aqueles que elegemos para as tomar e não outros disfarçados de mercados. E que os mercados estejam submetidos à ética da satisfação social e não à do lucro sem fim.


Madrid - Plaza Puerta del Sol - à 3 dias


Queremos recuperar as empresas que os governos entregaram a baixo preço a capitais privados e que agora levam o nosso capital e os nossos lucros para outros lugares, despedindo os nossos cidadãos e prestando serviços muito piores e mais caros.

Queremos uma banca pública fortemente controlada para garantir o financiamento aos pequenos e médios empresários e às famílias.

Queremos medidas de urgência para que se investiguem os responsáveis da crise e paguem com indemnizações e prisão as suas fraudes, mentiras e crimes económicos, aqui e nos paraísos fiscais.

Queremos uma reforma fiscal que acabe com a situação injusta actual, que permite que os mais ricos praticamente não paguem e que faz recair a maior carga fiscal nos assalariados e pequenos e médios empresários, com rendimentos mais baixos, arruinando desta forma as classes médias e trabalhadoras que são a base das democracias.

Queremos que os poderes públicos impeçam imediatamente que milhares de famílias continuem a perder as suas casas às mãos de entidades financeiras, que se penalizem as actividades especulativas e que impeçam que o nosso património natural e ambiental continue a ser destruído como até aqui, apenas para dar dinheiro a uns poucos desalmados.


Madrid - Plaza Puerta del Sol - à 4 dias


Isto é mais ou menos o que querem estas pessoas, jovens e mais velhas, que irromperam pelas nossas ruas como um tsunami que durará muito mais do que alguns querem crer.

Não é preciso muito debate para entender o que pedem, o que pedimos. É muito elementar:

Que os culpados paguem os danos causados, que, se antes salvaram tão generosamente os ricos, salvem agora as pessoas e que se garanta que as decisões que tomadas nas instituições políticas sejam as que decidimos nós, cidadãs e cidadãos, quando elegemos os nossos representantes e não, como está a acontecer, as que impõem os banqueiros e grandes proprietários para salvar apenas os seus interesses egoístas.

Isto é tudo o que exigimos. Para já.


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Comentário

No futuro próximo, logo se verá!


Execução de Luís XVI

Paris - Praça Luís XV - à 214 anos


quarta-feira, maio 18, 2011

Operação Gladio – o terrorismo perpetrado pela Nato e pela CIA em países da Europa Ocidental contra cidadãos europeus

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O atentado bombista de Bolonha


A Operação Gladio consistiu numa operação secreta americana na Europa Ocidental que recorreu a redes clandestinas ligadas à NATO, à CIA e aos serviços secretos da Europa Ocidental durante o período da Guerra Fria, chamadas células «stay-behind». Implantadas em 16 países da Europa Ocidental, essas células visavam (supostamente) deter a ameaça de uma ocupação pelo bloco do Leste e estavam sempre prontas para ser activadas em caso de invasão pelas forças do Pacto de Varsóvia. A mais famosa foi a rede italiana Gladio.

A rede clandestina internacional englobava o grupo dos países europeus que pertenciam à Nato: Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Grécia, Itália, Luxemburgo, Holanda, Noruega, Portugal, Espanha e Turquia, bem como alguns países neutrais como a Áustria, a Finlândia, a Suécia e a Suíça.

No entanto, o seu verdadeiro objectivo era espalhar o terror e criar um clima de tensão permanente na Europa Ocidental. Entre os muitos actos de terrorismo que lhes são atribuídos, destacam-se:

- O atentado bombista dentro do Banco Nacional de Agricultura, na Piazza Fontana da cidade de Milão, em Itália, a 12 de Dezembro de 1969, que matou 17 pessoas e feriu 88.

- O atentado bombista de Bolonha – uma bomba explodiu na estação central ferroviária de Bolonha, em Itália, a 2 de Agosto de 1980. Morreram 85 pessoas e 200 ficaram feridas.

- Os massacres de Brabant, na Bélgica, que decorreram entre 1982 e 1985 e nos quais morreram 28 pessoas e outras 20 ficaram feridas.

- O atentado bombista na Oktoberfest de Munique, na Alemanha, a 26 de Setembro de 1980, onde morreram 13 pessoas e 201 ficaram feridas, 68 com gravidade.


Há dias, algo inexplicavelmente, o Canal História trouxe a lume, apresentando provas bastante consistentes, esta exposição do terrorismo americano contra cidadãos europeus ocidentais em solo do velho continente.




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terça-feira, maio 10, 2011

O assalto da Grande Finança Internacional, sob a forma de uma Troika sorridente, a um país «governado» há dezenas de anos por uma escumalha corrupta e assassina

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No Jornal Expresso de 1/9/2007, o jornalista Fernando Madrinha explicou sucintamente de que forma a Banca, a mais poderosa, interligada e influente quadrilha do planeta, utiliza a política e os políticos, os Media e os jornalistas para saquear os Estados Nacionais:

[...] «Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. [...] os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais


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E, de repente, sem que a esmagadora maioria dos portugueses percebesse porquê, abateu-se sobre Portugal uma gigantesca «crise financeira» (martelada ad nauseum nos meios de comunicação social), facto que «obrigou» a que uma Troika, constituída pelo FMI, o Banco Central Europeu e a União Europeia, se unissem num resgate financeiro ao nosso país no valor de 78 mil milhões de euros.

Um terço dos 78 mil milhões de euros previstos no pacto financeiro de ajuda a Portugal será concedido pelo FMI, sendo que os restantes 52 mil milhões de euros virão do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (MEEF) e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), em partes iguais.


A Troika


Estes 78 mil milhões de euros vão ser pagos durante 13 anos a uma taxa igual ou superior a 6% = 4% de juros + 2% de spreads. No final dos 13 anos do empréstimo, os portugueses vão pagar as estas três beneméritas instituições, a somar ao capital em dívida, a bela maquia de mais de 60 mil milhões de euros apenas em juros de empréstimos.

Como explicou o chefe da missão do FMI em Lisboa, o objectivo deste empréstimo destina-se a amortizar as dívidas do sector público aos bancos e fazer com que os bancos portugueses possam regressar aos mercados, refinanciando-os e recapitalizando-os de forma a suportarem os «stress tests» (testes de consolidação).

Em suma, o empréstimo vai ser dividido em duas partes: uma que servirá para que o Estado Português pague as dívidas e os juros aos bancos pela obra inútil e faraónica em que se empenhou com entusiasmo, e outra destinada a ser injectada directamente para os «refinanciar e consolidar» os bancos nacionais .

Segundo João Luis Duque, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) e uma presença constante como comentador na SIC Notícias e amigo do peito da Banca, a parte que caberá ao Estado para pagar as suas dívidas à banca nacional e internacional será sensívelmente igual à parte que será injectada directamente na banca nacional «para a refinanciar e consolidar»: 40 + 40 = 80 mil milhões de euros.




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I - Os 40 mil milhões de euros para pagar obra faraónica e inútil

Durante dezenas de anos, uma escumalha constituída por dirigentes políticos do «arco do poder», do sector empresarial do Estado e figuras da área financeira (acolitados e incensados por um batalhão de jornalistas e comentadores venais com lugar cativo nos jornais e televisões), criou dívidas brutais ao país com toda a sorte de obras com tanto de faraónicas como de inúteis, sempre acompanhadas de «inevitáveis» gigantescas derrapagens orçamentais. Segue-se uma lista de algumas das muitas inutilidades deliberadamente realizadas para colocar o Estado Português sob a pata da Grande Finança Internacional:

«Centro Cultural de Belém, Casa da Música no Porto, Estádios do Euro 2004, Expo98, Aeroporto de Beja, Metro Sul do Tejo, Pontes, Submarinos, 700 quilómetros de Auto-Estradas excedentárias, Parcerias Público-Privadas (PPP), Empresas Públicas, consultorias, e preparam-se novas Auto-Estradas, um Mega-Aeroporto e vários traçados de TGV...»


Miguel Sousa Tavares - Expresso 07/01/2006

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»



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II - Os 40 mil milhões de euros que vão ser injectados directamente numa Banca que, como é fácil de comprovar, atravessa graves dificuldades


Banco Espírito Santo

Lucros em 2006 = 420 milhões de euros
Lucros em 2007 = 607 milhões de euros
Lucros em 2008 = 402,3 milhões de euros
Lucros em 2009 = 522 milhões de euros
Lucros em 2010 = 510,5 milhões de euros


Banco Millennium bcp

Lucros em 2006 = 780 milhões de euros
Lucros em 2007 = 563 milhões de euros
Lucros em 2008 = 201,2 milhões de euros
Lucros em 2009 = 225 milhões de euros
Lucros em 2010 = 301,6 milhões de euros


BPI – Banco Português de Investimento

Lucros em 2006 = 308,8 milhões de euros
Lucros em 2007 = 355 milhões de euros
Lucros em 2008 = 150,3 milhões de euros
Lucros em 2009 = 175 milhões de euros
Lucros em 2010 = 184,8 milhões de euros


Banco Santander Totta

Lucros em 2006 = 425 milhões de euros
Lucros em 2007 = 510 milhões de euros
Lucros em 2008 = 517,7 milhões de euros
Lucros em 2009 = 523 milhões de euros
Lucros em 2010 = 434,7 milhões de euros
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Adenda:

Como é que ficámos a dever tanto dinheiro aos bancos portugueses e estrangeiros? A resposta é simples: o Banco Central Europeu empresta dinheiro aos bancos mas não pode, estatutariamente, emprestar dinheiro aos Estados e, assim, os Governos são obrigados a negociar com os bancos (nacionais e internacionais) para se poderem financiar.

Visto que os bancos privados se financiam junto do BCE a taxas de juro de cerca de 1% e exigem juros muito superiores para comprarem dívida dos países (Portugal tem andado a a endividar-se a taxas de juro de 6, 7, 8, 9 e 10%), resulta que a banca privada, incluindo a nacional, tem feito fortunas a comprar dinheiro barato na UE e a vender caro cá.

E quem é que paga este enriquecimento da banca privada? Essa resposta é ainda mais simples: somos todos nós. É através dos impostos, dos cortes nos salários e nas pensões, que vamos pagando aquilo que os bancos vão ganhando.
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