quarta-feira, junho 27, 2012

Poderão os computadores alguma vez possuir inteligência própria? E significará isso o fim dos empregos?




Poderão os computadores alguma vez possuir inteligência própria?

Esta é uma questão que se tornou mais um facto científico do que ficção científica nos anos mais recentes, e, segundo resultados de uma experiência da Google recentemente anunciados, a resposta pode ser positiva.

Andrew Ng , director do Laboratório de Inteligência Artificial de Stanford, trabalhou em conjunto com os engenheiros do Google X-Lab com o objectivo de criar uma das maiores redes neuronais artificiais do mundo.

A rede era composta por 16.000 processadores de computadores com mais de mil milhões [a billion] de conexões – um "Google Brain," como lhe chamou o New York Times.


O cérebro humano possui entre 10.000.000.000 e 100.000.000.000 (dez mil milhões a cem mil milhões) de neurónios. Estes cooperam e interagem entre si. Estima-se que existem entre 100.000.000.000.000 e 1.000.000.000.000.000 (cem biliões a mil biliões) de conexões entre os neurónios.



A Lei de Moore - A "profecia" feita em 1965 por Gordon Moore, um dos fundadores da Intel, de que a partir dessa data a potência dos processadores duplicaria a cada 18 meses mantendo-se o custo constante, sobreviveu durante mais de quatro décadas e é válida ainda hoje. A IBM apresentou em 2010 o que era na altura o processador mais rápido do mundo com 1 400 000 000 (1,4 mil milhões) de transístores. Hoje, o GPU da AMD incorpora uns impressionantes 4,3 mil milhões de transístores.

Apesar do ciclo evolutivo dos transístores estar próximo do fim, eles ainda devem continuar a evoluir até aos limites das técnicas de 0.02 mícron, onde cada gate terá o equivalente a apenas um átomo de ouro de largura. Esgotadas as possibilidades dos transístores, restam ainda os chips ópticos, os nanotubos, os processadores quânticos e o que mais poderá surgir pela frente.



Utilizando as mais avançadas técnicas de aprendizagem automática, este cérebro artificial foi capaz de aprender por si próprio o aspecto de um gato, utilizando 10 milhões de imagens extraídas de vídeos do YouTube. Os investigadores ficaram surpreendidos com o resultado da simulação.

"Nunca lhe dissemos durante o treino, 'Isto é um gato,'" afirmou o engenheiro da Google, Jeff Dean, no artigo do New York Times. "A rede basicamente inventou o conceito de um gato. Teremos obtido provavelmente outros conceitos que serão perfis de gatos."

Pelo facto dos vídeos terem sido seleccionados de forma completamente aleatória, os investigadores aperceberam-se que os resultados da simulação demonstraram um dos principais interesses dos humanos na era da Internet.

Cientistas do X Laboratory da Google, o mesmo laboratório reconhecido por experiências inovadoras como os automóveis sem condutor, têm andado a fazer experiências no campo da inteligência artificial e redes neuronais há anos, afirmou Andrew Ng.

"Esta pesquisa representa uma nova geração de ciência computacional que explora os custos cada vez menores da computação e a disponibilidade de enormes conjuntos de computadores interligados em centros de dados gigantescos," escreve John Markoff. "Está a conduzir a avanços significativos em áreas tão diversas como a visão e a percepção pela máquina, o reconhecimento da fala e a tradução linguística."

Esta simulação de reconhecimento de gatos teve uma qualidade muito superior a outras tentativas anteriores, praticamente duplicando a precisão no reconhecimento de objectos difíceis.

Hoje, gatos na Internet – amanhã, quem sabe?



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Em suma

É evidente que por muita capacidade e inteligência que o nosso computador biológico possua, a sua evolução está praticamente estagnada ao passo que a evolução da capacidade e inteligência dos computadores «mecânicos» é exponencial.

Comparando hoje o número de neurónios existente num cérebro humano com o número de transístores de um único processador, vemos que o cérebro tem ainda vinte vezes mais. Mas durante quanto tempo? Décadas? Meia-dúzia de anos? E depois disso?

Em suma, dentro de muito pouco tempo a máquina terá muito mais inteligência e capacidade do que o homem. A produção económica estará toda entregue às máquinas e será o fim do emprego.

Acontece que sem empregos, não haverá salários. Sem salários, não haverá poder de compra. Sem poder de compra, não há vendas. Sem vendas, não há lucro. Sem lucro, não haverá propriedade privada dos meios de produção.


quarta-feira, junho 20, 2012

Loquaz, como é seu timbre, Cavaco Silva felicita a Seleção Nacional



Embora, para o Sr. Silva de Boliqueime, o silêncio seja de ouro,
as pensões que aufere não lhe chegam para as despesas que tem...

Aníbal Cavaco Silva afirmou não ser este o momento mais apropriado para comentar o percurso da selecção nacional, apesar de Portugal já ter alcançado o primeiro objetivo a que se propôs no Euro2012, ao vencer ontem a Holanda por 2-1 e qualificando-se para os quartos de final da prova ao garantir o segundo lugar do Grupo B.

O Presidente da República também não se quis pronunciar acerca da fraca prestação da laranja mecânica, que entrou neste Europeu 2012 como uma das candidatas à vitória final, e que sai sem qualquer ponto somado neste Grupo B.

O PR insistiu nada ter a acrescentar sobre a diferença gritante entre o ataque e a defesa da selecção holandesa, onde o equilíbrio foi coisa que nunca se viu, e sobre a dificuldade de construção de jogo, entre a defesa e o meio-campo e erros crassos de posicionamento na hora de suster os ímpetos atacantes dos portugueses.

Quando questionado sobre a forma como o jogo se desenrolou, com Portugal a demonstrar alguma ansiedade ao início, não conseguindo controlar a posse da bola, mas com uma reacção fantástica a partir dos vinte minutos, vindo a alcançar uma excelente vitória e uma qualificação justíssima, o mais Alto Magistrado da Nação afirmou não ser a altura própria para opinar sobre a atitude em campo da equipa nacional.

Ao ser-lhe perguntado, agora que a selecção nacional vai defrontar a forte equipa da República Checa, que também se qualificou com justiça, quais as nossas possibilidades de chegar às meias-finais, o Sr. Silva de Boliqueime optou por se remeter ao silêncio.


Que esta vontade de virar o jogo incite os pobres, os precários, os desempregados, os assalariados de miséria, os reformados com fome e a população em geral, a unir-se e a esmagar aqueles a quem o actual resultado (e os árbitros) favorece de forma pornográfica.

terça-feira, junho 12, 2012

Depois do Socialismo Científico (URSS e países satélites), seguiu-se o Capitalismo Científico (EUA e países satélites)





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D. Januário Torgal, bispo das Forças Armadas, comparou o primeiro-ministro Passos Coelho ao ditador António Oliveira Salazar.

Em declarações à TSF, D. Januário declarou-se “profundamente chocado” com o agradecimento de Passos à paciência dos portugueses, numa intervenção na quarta-feira comemorativa do primeiro aniversário da vitória do PSD nas legislativas de 2011.

"Portugal não tem Governo neste momento, e vão certos senhores dar uma passeata um certo dia a fazer propaganda tipo União Nacional, de não saudosa memória, pelo país a dizer que somos os melhores do mundo", acentuou o bispo. D. Januário Torgal continuou: "Ao fim, ainda aparece um senhor que, pelos vistos, ocupa as funções de primeiro-ministro, dizendo obrigado à profunda resignação de um povo tão dócil e amestrado que merecia estar num jardim zoológico".

O bispo foi, ainda, mais explícito. Retomando os elogios do primeiro-ministro à paciência dos portugueses que, no entender de Passos Coelho, se deve a "uma sociedade que está apostada em vencer as dificuldades e em resgatar o futuro", D. Januário referiu: "Parecia-me que estava a ouvir o discurso de certa pessoa há 50 anos atrás".

Já em declarações ao canal SIC Notícias, o prelado concretizou a comparação, referindo o nome de Oliveira Salazar. Concluindo, D. Januário Torgal Ferreira deixou outra mensagem: "Apetecia-me dizer assim, vamos todos para a rua, não para fazer tumultos, vamos fazer democracia".



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Um rebanho manifesta-se pacifica e inutilmente contra o desemprego,
a precariedade, os baixos salários, a pobreza, a fome e a morte.

As milhentas manifestações pacíficas - inundadas de cartazes, palavras de ordem, canções de protesto e petições (que apenas arrancam sorrisos sarcásticos à Máfia do Poder) – e que, nas palavras do bispo D. Januário Torgal Ferreira, reflectem um povo tão dócil e amestrado que merecia estar num jardim zoológico, são completamente inúteis.



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Há que mandar às malvas a docilidade, a resignação e a paciência, e enfrentar resolutamente as máfias e os seus esbirros que manipulam os cordelinhos do Poder.

Nunca, em lugar algum, a não-violência (ou pacifismo) travou a violência de terceiros mal intencionados. A não-violência só gera mais abuso. Apenas a violência em legítima defesa pode combater a violência criminosa da Máfia do Poder – banqueiros ladrões, políticos corruptos, legisladores a soldo e comentadores-propagandistas venais, etc.

É uma falácia afirmar-se que a violência só traz mais violência. Na esmagadora maioria dos casos, só a violência levada a cabo pelos que têm pelo seu lado a razão, a moral e a [verdadeira] justiça, pode acabar com a violência perpetrada pelos criminosos que usurparam o Poder.

E essa violência de um povo inteiro em legítima defesa deve ser direccionada milimetricamente contra os criminosos. Nada de efeitos colaterais ou de confrontos com a polícia de choque. Nós somos dez milhões – os mafiosos do Poder não passam de algumas de centenas.

quinta-feira, maio 31, 2012

Para Christine Lagarde, directora do Fundo Monetário Internacional (FMI), só há duas coisas importantes na vida: os impostos… e a respectiva colecta...



A carismática Lagarde (na foto com uma barba de três dias)

Christine Lagarde, dona de um corpo atlético e de um rosto que uma natureza madrasta não quis favorecer, costuma optar por guarda-roupas em tom pastel e é amante das grifes francesas. Christine é facilmente vista com bolsas Hermès, sapatos Louboutin, vestidos e tweeds Chanel, e é cliente habitual da Dior.

A directora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde tem um rendimento anual de 380 889 euros [323 257 euros de salário, ao qual acrescem as despesas de representação no valor de 57 889 euros], ou seja, 31 740 euros mensais. O seu estatuto de funcionária internacional permite-lhe não pagar impostos nenhuns.



Guardian: Quando analisa as contas gregas e exige medidas que sabe podem significar que as mulheres não terão acesso à assistência no parto, que os doentes deixam de poder aceder a medicamentos que lhes salvam a vida, e que os idosos vão morrer sozinhos por falta de cuidados - deixa de pensar em tudo isso e concentra-se nas contas?

Christine Lagarde: Não, penso sobretudo nas crianças da escola de uma pequena aldeia no Níger, que apenas têm duas horas de escola por dia e que partilham, cada três, uma cadeira, felizes por estar a aprender. Tenho-as no meu pensamento o tempo todo. Porque acho que elas precisam ainda mais do que as pessoas em Atenas. [...] Sabe que mais? No que diz respeito a Atenas, eu também penso naquelas pessoas que estão sempre a tentar fugir aos impostos.

Guardian: E pensa mais nesses do que naqueles que estão a lutar pela sua sobrevivência, sem emprego nem serviços públicos?

Christine Lagarde: Penso em todos por igual. E acho também que todos têm que se ajudar colectivamente. [...] Pagando os seus impostos. Sim.

Guardian: E os filhos deles, que não podem ser responsabilizados?

Christine Lagarde: Bem, os pais deles são responsáveis, certo? Por isso devem pagar os seus impostos.



Crianças gregas com fome


Comentário

Christine Lagarde, quando confrontada com a situação que a instituição para a qual trabalha, o FMI, criou na Grécia, utilizou inteligentemente o problema escolar das crianças no Níger para relativizar o drama social e humano em que a Grécia se encontra.

Evidentemente que se Christine Lagarde fosse confrontada pelo Guardian sobre o problema escolar das crianças no Níger, a directora do Fundo Monetário Internacional relativizaria provavelmente desta maneira:

Guardian: Quando analisa as contas nigerianas e exige medidas que sabe poderem significar que as crianças desse país, embora felizes por aprender, podem ter de reduzir o período de aulas para apenas meia-hora por dia e que os bancos da escola vão ter de ser presumivelmente partilhados por oito alunos - deixa de pensar em tudo isso e concentra-se nas contas?

Christine Lagarde: Não, penso sobretudo nas crianças-soldado que lutam em guerras e conflitos armados no Uganda, na Libéria, na República Democrática do Congo e no Sudão, e cuja vida é dura e perigosa, pois precisam de transportar explosivos e aprender a manejar pistolas, espingardas e metralhadoras. Penso também nas meninas desses países que frequentemente são obrigadas a satisfazer os desejos sexuais de soldados nos acampamentos. Penso nos miúdos que são obrigados, sob pena de morte, a assassinar amigos e membros da própria família. Penso nos garotos a serem doutrinadas para matar e obedecer sob a influência de drogas e bebida alcoólica. Tenho-os no meu pensamento o tempo todo, porque acho que eles precisam ainda mais do que as crianças do Níger. [...] E sabe que mais? No que diz respeito ao Níger, eu também penso naquelas pessoas que estão sempre a tentar fugir aos impostos.

Guardian: E pensa mais nessas pessoas do Níger que estão sempre a tentar fugir aos impostos, do que nos miúdos nigerianos que estão a lutar por mais horas de aulas e por bancos mais compridos ou carteiras individuais?

Christine Lagarde: Penso em todos por igual. E acho também que todos têm que se ajudar colectivamente. [...] Pagando os seus impostos. Sim.

Guardian: E os filhos desses pais nigerianos, que não podem ser responsabilizados?

Christine Lagarde: Bem, os pais deles são responsáveis, certo? Por isso devem pagar os seus impostos.



Jovem aluno do Níger numa sala de aula sem quaisquer condições


E se a entrevista se prolongasse e Christine Lagarde fosse confrontada pelo Guardian sobre o problema das crianças-soldado que lutam em guerras e conflitos armados no Uganda, na Libéria, na República Democrática do Congo e no Sudão, a mulher-homem Lagarde talvez abordasse o assunto da seguinte forma:

Guardian: Quando analisa as contas do Uganda, da Libéria, da República Democrática do Congo e do Sudão e exige medidas que sabe poderem significar que as crianças-soldado desses países tivessem de matar, não apenas os amigos e a família mais chegada, mas fossem também obrigados a assassinar as famílias desses amigos e sua própria família mais alargada (primos em 3º grau, tios-avós, sobrinhos afastados, etc.), - deixa de pensar em tudo isso e concentra-se nas contas?

Christine Lagarde: Não, partindo do princípio que existiu de facto um holocausto judeu, e estou bastante inclinada a acreditar nisso, penso sobretudo nas crianças judias que foram levadas directamente para as câmaras de gás. Tenho-as no meu pensamento o tempo todo. Porque acho que elas precisavam ainda mais do que as crianças-soldado do Uganda, da Libéria, da República Democrática do Congo e do Sudão. [...] Sabe que mais? No que diz respeito ao Uganda, à Libéria, à República Democrática do Congo e ao Sudão, eu também penso naquelas pessoas que estão sempre a tentar fugir aos impostos.

Guardian: E pensa mais nessas pessoas do Uganda, da Libéria, da República Democrática do Congo e do Sudão que estão sempre a tentar fugir aos impostos, do que nas crianças-soldado que estão a lutar por deixar de ser escravos sexuais e assassinos e a tentar levar uma infância normal?

Christine Lagarde: Penso em todos por igual. E acho também que todos têm que se ajudar colectivamente. [...] Pagando os seus impostos. Sim.

Guardian: E os filhos desses pais ugandeses, liberianos, congoleses e sudaneses, que não podem ser responsabilizados?

Christine Lagarde: Bem, os pais deles são responsáveis, certo? Por isso devem pagar os seus impostos.



Criança-soldado algures no Uganda, na Libéria, no Congo ou no Sudão


E a entrevista a madame Lagarde poderia continuar indefinidamente...

segunda-feira, maio 28, 2012

PPPs - Quando a corrupção política e o roubo à escala nacional fazem lei




Para calar de vez um país inteiro que não pára de exigir a renegociação dos contratos das Parcerias Público Privadas (PPPs), o Governo publicou o Decreto-Lei n.º 111/2012 de 23 de Maio, que garante ad eternum lucros fabulosos às partes privadas das «parcerias». Muitos destes contratos, considerados chocantes e desumanos pelo juiz jubilado do Tribunal de Contas, Carlos Moreno, possuem cláusulas blindadas e têm taxas de rentabilidade para os privados entre os 8 e os 13 por cento – sempre garantidos, faça chuva, faça sol.

O Decreto-Lei n.º 111/2012, de 23 de Maio, que tem por objecto a definição de normas gerais aplicáveis à intervenção do Estado na definição, concepção, preparação, lançamento, adjudicação, alteração, fiscalização e acompanhamento global das parcerias público-privadas determina que "da aplicação do presente diploma não podem resultar alterações aos contratos de parcerias já celebrados, ou derrogações [anulações] das regras neles estabelecidas, nem modificações a procedimentos de parceria lançados até à data da sua entrada em vigor."


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Um dia antes da publicação deste Decreto-Lei, o Professor Universitário Paulo Morais escrevia premonitoriamente o seguinte:

O povo é que paga


Paulo Morais, Professor Universitário



Os contratos das parcerias público-privadas são negócios ruinosos para o Estado. É hoje evidente que os valores pagos pelas PPP têm de ser brutalmente reduzidos. Não se entende por isso a inacção do governo e do Parlamento, que permitem que continue a sangria de verbas que jorram, sem controlo, dos cofres do Estado para os bolsos dos concessionários.

Ao longo de anos, sucessivos governos assinaram contratos em que garantiram rentabilidades milionárias para os concessionários. Ao mesmo tempo, colocaram todos os riscos do negócio do lado do Estado. Se não há trânsito nas Scut, é mesmo assim devida uma taxa de disponibilidade diária, garantida pelo ex-secretário de Estado Paulo Campos aos privados. Se as taxas de juro sofrem variações, o Estado indemniza, como aconteceu com a ponte Vasco da Gama, com compensações da ordem das dezenas de milhões.

Em suma, em qualquer circunstância... os concessionários ganham e o povo paga.

Neste cenário, a paralisia do governo é angustiante. Há já um ano, o memorando assinado com a troika exigia a revisão do valor dos contratos, mas até hoje o governo nada fez, a poupança é até agora nula.

Já ao nível da Assembleia da República, foi recentemente constituída uma comissão para avaliar as PPP, mas esta não dá garantias de independência. Sem qualquer pudor, os partidos nomearam para seus membros deputados como o social-democrata Emídio Guerreiro, o socialista Manuel Seabra ou o centrista Altino Bessa, parlamentares cujos interesses no imobiliário os torna parceiros num sector cujos actores dominantes são exactamente os concessionários das PPP.

Governo e Parlamento dão assim sinais claros de quererem que tudo fique na mesma. Até porque a reavaliação das PPP nem sequer seria um processo complexo. Para cada caso, basta comparar o valor agregado de todas as rendas, vencidas e vincendas, com o duma avaliação independente das infra-estruturas. A confrontação de verbas obrigará a que as rendas sejam fortemente reduzidas. Enquanto as negociações não forem conclusivas, os pagamentos devem ser imediatamente suspensos e, não se chegando a acordo, o Estado pode expropriar por utilidade pública.


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Comentário

Como continuar a conviver pacificamente com tamanha podridão política, legislativa e judicial?


quinta-feira, maio 24, 2012

Prescrito ao invés de Proscrito



Tribunais aliados da corrupção

Por Daniel Oliveira
Publicado no Expresso Online

Apesar de provado o crime de corrupção no processo de Isaltino Morais referente às contas na Suíça ele não será condenado. Usando todas as manobras processuais possíveis, que apenas estão disponíveis a cidadãos com capacidade financeira e bons advogados, o autarca conseguiu que um crime provado e repetidamente confirmado por todas as instâncias prescrevesse. Isaltino não está, obviamente, preocupado com a sua imagem pública. Percebe-se porquê. Já depois de ter sido condenado foi reeleito pelos munícipes que ele próprio roubou. Interessa-lhe apenas não ser preso. Não será.

Num dos poucos casos em que um cidadão resolveu fazer alguma coisa contra a corrupção a história tive um fim bem diferente. Ricardo Sá Fernandes gravou uma tentativa de suborno. Gravou-a para se defender de qualquer acusação futura que, de facto, veio a surgir. A pedido do Ministério Público voltou a encontrar-se com Domingos Névoa. E, no início, conseguiu uma condenação: Domingos Névoa tentou subornar o irmão do advogado para este se calar em relação ao processo de compra dos terrenos da Feira Popular. No fim tudo se tornou mais difícil e Névoa conseguiu da justiça o mesmo tratamento que foi dado a Isaltino Morais.

Mas a história estava só no princípio. Quando chegou ao fim, Ricardo Sá Fernandes foi condenado. Para ser condenado por gravação ilícita (contrariando decisões anteriores), os juízes do Tribunal da Relação de Lisboa até alteraram matéria de facto dada como assente. E consideraram que foi Ricardo Sá Fernandes que, indo ao encontro, criou o perigo de corrupção.

A justiça envia mensagens, nas suas decisões, a toda a sociedade. Ela foi recebida com estes dois desfechos judiciais. A corrupção não só é legal em Portugal como é incentivada pelos tribunais. Mais: quem se atreva a combatê-la corre o risco de sentir sobre si a mão pesada dos juízes.



O Procurador Geral da República (PGR), Pinto Monteiro, e a Procuradora Geral Adjunta, Cândida Almeida, têm sido incansáveis em refrear quaisquer processos que envolvam peixe graúdo.


Com a candura do costume, a Procuradora Geral Adjunta Cândida Almeida disse, sobre o caso Isaltino Morais: "O nosso sistema é muito bom, agora o abuso que dele é feito é que é muito mau". Um sistema de justiça que aceita sistematicamente ser vítima de abuso até pode ser teoricamente excelente. Mas é, objetivamente, um aliado do crime. Acontece que, como se viu no caso de Sá Fernandes, o sistema lá encontra formas de ser imaginativo para chegar a condenações. Infelizmente, fá-lo contra os que tentam combater o abuso de que se diz vítima.

terça-feira, maio 22, 2012

A EDP beneficia de favores políticos sem limite por parte de políticos sem vergonha


O estado da EDP



Texto de Paulo Morais, Professor Universitário




O poder da EDP em Portugal atingiu uma dimensão perigosa. Enquanto consumidores de electricidade, estamos hoje indefesos perante um domínio absoluto e arbitrário.

Na factura de electricidade, a par dos seus consumos, as famílias são coagidas a financiar as empresas de energias renováveis, os gastos perdulários em painéis solares ou os investimentos em antenas de energia eólica. Ao onerar as contas de energia com taxas e mais taxas, em benefício próprio ou em proveito do lóbi da energia, a EDP está a exercer um poder tributário, privilégio dos estados.

A sua fúria despesista, a expensas do povo, não pára. A nova e malfadada barragem do rio Tua irá gerar lucros milionários para a EDP porque tem uma rentabilidade garantida pelo Estado, pela via do défice tarifário que todos pagamos.


Eduardo Catroga

Acresce que a EDP arroga-se estar à margem da lei. Bem recentemente lançou uma campanha publicitária utilizando ilegalmente crianças, visando a venda de serviços que não têm relação directa com a sua faixa etária. O que é interdito, nos termos da lei da publicidade. A EDP emprega trabalho infantil, lesa a dignidade das crianças, mas fica impune. O que só é possível porque dispõe de uma enorme influência sobre o poder político. Eduardo Catroga, em nome do PSD, advogava a redução das rendas pagas à empresa, para logo a seguir defender, enquanto presidente da eléctrica, a manutenção do seu pagamento. A ministra Assunção Cristas e o deputado Mesquita Nunes estão ligados ao escritório de advogados que assessora a sociedade nos seus maiores processos, enquanto tutelam e fiscalizam negócios em que o estado tem favorecido descaradamente a empresa. O deputado Pedro Pinto é consultor de empresas intimamente dependentes da EDP. E muitos mais.

Há muitos políticos de duas caras. Duas caras… e muitas coroas. Por outro lado, todos quantos se opõem ao poder da eléctrica, como o ex-secretário de estado Henrique Gomes, que pretendia reduzir-lhe as rendas em 165 milhões, são convidados a "demitirem-se".


Há muitos políticos de duas caras... e muitas coroas

Como a EDP beneficia de favores políticos sem limite por parte de políticos sem vergonha, estamos condenados à servidão a uma organização que já não é só uma empresa eléctrica. É um estado dentro do estado.

quarta-feira, maio 16, 2012

A retrocracia míope do líder neonazi grego versus a crença cega dos jugulares na «verdade oficial do holocausto» imposta pelos vencedores da II Guerra


Artigo publicado no blogue Jugular:


Terça-feira, 15 de Maio de 2012

Postado por Shyznogud





4 comentários:

De Comentador-1 a 15 de Maio de 2012 às 15:00

Não te admires se aparecerem por aqui pessoas a defender o mesmo.
Já tive oportunidade de ler noutro blog alguém a por em causa o nº de pessoas assassinadas nos campos de extermínio nazi, inclusive apresentava cálculos e tudo. Fiquei estupefacto pois o que estava em causa não era o extermínio em si mas sim o nº de pessoas assassinadas.


De Comentador-2 a 15 de Maio de 2012 às 16:36

Fique descansada, Shyznogud. Se este nazi se atrever a atacar os judeus gregos, será prontamente estripado e dado de oferenda a uns simpáticos suínos. Suínos gregos, claro. Há que respeitar as sensibilidades de cada um. :)


De Comentador-3 a 15 de Maio de 2012 às 18:43

Ninguém lhe dá um tiro entre os olhos?


De Comentador-4 a 15 de Maio de 2012 às 22:28

Não percebo a panca deste senhor com os fundamentalistas islâmicos. só vejo aqui razões pra ele e um tal primeiro-ministro iraniano serem melhores amigos. só coisas em comum, alguém que lhes faça um arranjadinho sff.

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Comentário meu, colocado ontem, que o autor do blogue decidiu censurar:

O judeu Elie Wiesel


Elie Wiesel é um judeu nascido na Roménia a 30 de Setembro de 1928. Aos 15 anos é deportado para Auschwitz, onde esteve prisioneiro durante dez meses, e depois para Buchenwald. Sobrevivente dos campos de concentração nazis, torna-se cidadão americano em 1963 e obtém uma cátedra de ciências humanas na universidade de Boston. Em 1980, Elie Wiesel funda o Conselho para o Holocausto americano. Condecorado em França com a Legião de Honra, recebeu a Medalha do Congresso americano, recebeu o título de doutor honoris causa em mais de cem universidades e recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1986. O Comité norueguês do Nobel denominou-o "mensageiro para a humanidade."

As suas obras, quase 40 livros, edificadas para resgatar a memória do Holocausto e defender outros grupos vítimas de perseguições receberam igualmente vários prémios literários. Em Outubro de 2006, o Primeiro-ministro israelita Ehud Olmert propôs-lhe o cargo de Presidente do Estado de Israel. Elie Wiesel recusou a oferta explicando que não era mais do que um "escritor". Elie Wiesel preside, nos EUA, desde 1993, à Academia Universal de Culturas.






Elie Wiesel, no seu livro autobiográfico «Noite», onde descreve os dez meses em que esteve prisioneiro no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, não refere uma única vez nenhuma das cinco enormes câmaras de gás que [supostamente] funcionaram em Auschwitz-Birkenau. Ele diz, realmente, que os Alemães executaram Judeus, mas... com fogo, atirando-os vivos para as chamas incandescentes, perante muitos olhos de deportados.


Excerto do livro «Noite» de Elie Wiesel:

«Não muito longe de nós, chamas elevavam-se dum fosso, gigantescas chamas. Eles estavam a queimar algo. Um camião aproximou-se da cova e descarregou a sua carga – crianças pequenas. Bebés! Sim, eu vi – vi-o com os meus próprios olhos... Aquelas crianças nas chamas. (É surpreendente que eu não tivesse conseguido dormir depois daquilo? Dormir era fugir dos meus olhos.)»


«Um pouco mais longe dali estava outra fogueira com chamas gigantescas onde as vítimas sofriam "uma lenta agonia nas chamas". A coluna de Wiesel foi conduzida pelos Alemães a três passos da cova, depois a dois passos. A dois passos da cova foi-nos ordenado para virar à esquerda e ir-mos em direcção aos barracões.»


E quando os Russos estavam prestes a tomar conta de Auschwitz em Janeiro de 1945, Elie e o seu pai escolheram ir para a Alemanha com os nazis em retirada em vez de serem libertados pelo maior aliado de América. Se tivessem permanecido no campo, teriam podido, dentro de dias, contado ao mundo inteiro tudo sobre o extermínio dos judeus perpetrado pelos nazis em Auschwitz - mas, Elie e o pai escolheram, em vez disso, viajar para oeste com os nazis, a pé, de noite, num Inverno particularmente frio, e consequentemente continuarem a trabalhar para a defesa do Reich.

Outro excerto do livro «Noite» de Elie Wiesel:

«- O que é fazemos, pai?
Ele estava perdido nos seus pensamentos. A escolha estava nas nossas mãos. Por uma vez, podíamos ser nós a decidir o nosso destino: ficarmos os dois no hospital, onde podia fazer com que ele desse entrada como doente ou como enfermeiro, graças ao meu médico, ou, então, seguir os outros.
Tinha decidido acompanhar o meu pai para onde quer que fosse.
- E então, o que é que fazemos pai?
Ele calou-se.
- Deixemo-nos ser evacuados juntamente com os outros – disse-lhe eu.
Ele não respondeu. Olhava para o meu pé.
- Achas que consegues andar?
- Sim, acho que sim.
- Espero que não nos arrependamos, Elizer!»



A escolha aqui feita em Auschwitz por Elie Wiesel e o seu pai, em Janeiro de 1945, é de extrema importância. Em toda a história do sofrimento judeu às mãos dos nazis, que altura poderia ser mais dramática do que o precioso momento em que um judeu podia escolher entre a libertação pelos Soviéticos ou fugir com os genocidas nazis para a Alemanha, continuando a trabalhar para eles e ajudando-os a preservar o seu regime demoníaco?



Associated Free Press - 23.04.2009 - O presidente Barack Obama e o prémio Nobel da Paz, Elie Wiesel, numa cerimónia em Israel, em Abril de 2009, que lembrou os seis milhões de judeus massacrados durante a Segunda Guerra Mundial:

Barack Obama e Elie Wiesel


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Quanto a Nikos Mihaloliakos, líder do partido neonazi grego Aurora Dourada, que negou a existência das câmaras de gás nazis (tal como fez o prisioneiro judeu Elie Wiesel), colocou a questão que todos os historiadores, que tivessem um pingo de honestidade e não se limitassem a papaguear a «estória» escrita pelos vencedores, deveriam fazer:

"Auschwitz, que Auschwitz? Eu não fui. O que aconteceu lá? Você estava lá?"

Considero o líder do partido neonazi grego, Nikos Mihaloliakos, um retrocrata (cracia - governo -- retro – anacrónico).

A solução para combater uma «Democracia Representativa» corrupta, que representa os grandes interesses financeiros e não as populações, não está em voltar atrás no tempo à procura de um «Estadista» impoluto, honesto e santo (como se alguma vez tivesse existido algum…).

A solução para combater as «Democracias Representativas» corruptas (e são todas) é apostar, através dos novos Media – sobretudo a Internet, em Democracias Semi-Representativas e Democracias Directas. A tecnologia hoje existente já o permite.

Nada de Ditadores, Reis ou Faraós...