segunda-feira, julho 29, 2013

Expresso: Há reclusos que preferem continuar a cumprir pena do que sair em liberdade condicional. Motivo? Não têm emprego cá fora.





*****************************************


Ouve-se muitas vezes dizer que "a violência gera violência", que "a violência nunca consegue nada" ou que "se se usar a violência para nos defendermos daqueles que nos agridem, ficamos ao nível deles". Todas estas afirmações baseiam-se na noção errada de que toda a violência é igual. Nada mais falso:

A violência pode funcionar tanto para subjugar como para libertar


MailOnline: Crianças estão a ser abandonadas nas ruas gregas
pelas famílias cuja pobreza já não lhes permite tomar conta delas.


Portugal, Grécia, Espanha, Itália, Irlanda e um sem número de outros países por esse globo fora estão, sob a forma de uma nebulosa «Crise Financeira» surgida não se percebe bem de onde, a ser alvo de um genocídio financeiro, económico e humanitário a uma escala inaudita.

Ouvimos, diariamente, falar «da dívida», dos sacrifícios «para pagar a dívida», da austeridade «para pagar a dívida», do empobrecimento, do corte de direitos sociais, da precariedade laboral, da privatização de empresas estratégicas, da asfixia do investimento público - tudo «para pagar a dívida». Contudo, sabemos o que é isto da dívida? Quanto dinheiro devemos? A quem é que devemos? Porque pedimos tanto dinheiro emprestado? Em que é que ele foi gasto? É realmente legítimo que os cidadãos sejam compelidos ao pagamento de uma dívida sobre a qual nada sabem? É possível que esta dívida não seja nossa? Será uma dívida apenas para salvar um «sistema financeiro», "too big to fail", cujos lucros parecem terem-se evaporado misteriosamente de um dia para o outro? Ou não será a «dívida soberana» simplesmente uma gigantesca fraude levada a cabo por uma todo-poderosa Máfia Financeira para rapinar Estados, Empresas e Famílias, como aconteceu em 1929?

Esta «Crise Financeira» tem "forçado" os governos, através dos contribuintes, a dar, literalmente de mão beijada, biliões a uma Banca que, não obstante os lucros obscenos que tem vindo a apresentar ano após ano, se viu súbita e incompreensivelmente "descapitalizada". Este roubo descomunal constitui um assombroso acto de violência perpetrado por uma Máfia Financeira contra as populações:

- Obrigar uma enorme percentagem de jovens a viver eternamente na precariedade, impossibilitando-os de ter uma vida própria, de formar uma família e levando alguns ao suicídio, é um crime de extrema violência.

- Provocar o despedimento de indivíduos em massa quando o desemprego é maciço e a maior parte já não tem hipótese de ser novamente reabsorvido, é um crime de extrema violência.

- Despejar famílias inteiras de casas cujas prestações já não podem pagar e atirá-las para a rua, é um crime de extrema violência.

- Retirar dinheiro ao Serviço Nacional de Saúde, conduzindo ao sofrimento e à morte de doentes e idosos sem dinheiro, é um crime de extrema violência.

- Subtrair o apoio aos desempregados e aos pensionistas sujeitando-os consumadamente à miséria e à fome, é um crime de extrema violência.


*****************************************

Opiniões


Fernando Madrinha - Jornal Expresso de 1/9/2007:

[...] "Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. [...] os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais." [...]



Paulo Morais, professor universitário - Correio da Manhã – 19/6/2012

[...] "Estas situações de favorecimento ao sector financeiro só são possíveis porque os banqueiros dominam a vida política em Portugal. É da banca privada que saem muitos dos destacados políticos, ministros e deputados. E é também nos bancos que se asilam muitos ex--políticos." [...]

[...] "Com estas artimanhas, os banqueiros dominam a vida política, garantem cumplicidade de governos, neutralizam a regulação. Têm o caminho livre para sugar os parcos recursos que restam. Já não são banqueiros, parecem gangsters, ou seja, banksters."



Sheldon Emry – Escritor e sacerdote norte-americano:

"Quando se começa a estudar o nosso sistema monetário, apercebemo-nos rapidamente que estes políticos não são agentes do povo mas sim agentes dos banqueiros, para quem fazem planos para colocar as pessoas ainda mais endividadas."

"Os nossos dois principais partidos tornaram-se servos dos banqueiros, os vários departamentos do governo tornaram-se as suas agências de despesas, e o Serviço da Receita Federal (IRS) é a sua agência de recolha de dinheiro."



Carroll Quigley - professor na Universidade de Georgetown e mentor do Presidente Clinton - no seu livro de 1966 «Tragédia e Esperança» (Tragedy and Hope) escreveu:

[...] "Os poderes do capitalismo financeiro têm um plano de longo alcance, nada menos do que criar um sistema de controlo financeiro mundial em mãos privadas capazes de dominar os sistemas políticos de cada país e a economia mundial como um todo."

[...] "«Cada banco central... procura dominar o seu governo pela sua capacidade em controlar títulos do tesouro, manipular o câmbio externo, influenciar o nível de actividade económica no país, e influenciar políticos cooperantes por intermédio de recompensas económicas no mundo dos negócios.»"


*****************************************

A violência justa versus a violência criminosa

Em Dezembro de 2010, cerca de 200 manifestantes gregos perseguiram o antigo ministro dos transportes, Kostis Hatzidakis, quando este saía do Parlamento, gritando: «Ladrões! Tenham vergonha!» Atiraram-lhe pedras e bateram-lhe com paus.



Ouve-se muitas vezes dizer que "a violência gera violência", que "a violência nunca consegue nada", ou que "se se usar a violência para nos defendermos daqueles que nos agridem, ficamos ao nível deles". Todas estas afirmações baseiam-se na noção errada de que toda a violência é igual. A violência pode funcionar tanto para subjugar como para libertar.

A violência pode por exemplo causar escravatura e submissão, como quando um senhor espanca um escravo. Alguns escravos podem eventualmente ripostar, caso em que a violência pode de facto gerar mais violência, mas muitos escravos submeter-se-ão a vida toda. Alguns criarão mesmo uma religião ou uma espiritualidade que procurará transformar a sua submissão numa virtude. Outros escreverão e outros repetirão que a sua liberdade não deve ser alcançada à custa da violência contra outros. Haverá até aqueles que afirmarão a necessidade de amar os seus opressores.

Não é difícil reconhecer que as populações estão hoje a ser conduzidas, graças à violência de uma Máfia Financeira, ao empobrecimento, à precariedade, ao desemprego, ao desespero, às pensões de miséria, à doença, à fome, ao suicídio e à morte.

E é forçoso perceber que os poderes que nos deveriam defender – o Executivo, o Legislativo e (até) o Mediático – estão de corpo e alma nas mãos de uma Máfia Financeira. (com a Justiça e a Polícia de mãos atadas graças a uma legislação confeccionada à medida dos interesses dessa Máfia).

Manifestações, palavras de ordem, cartazes, discursos, bandeirinhas e canções de protesto nunca tiveram qualquer resultado. E se há confrontos com a polícia (esta tão vítima como a população que se manifesta), não passam felizmente de simulacros de violência que, geralmente, se ficam por algumas escoriações ou umas horas numa cela. Até quando vão as pessoas continuar a apostar nestes actos completamente inúteis? Não será este pacifismo induzido e alimentado pela corja que mexe os cordelinhos?

O Artigo 32º do Código Penal considera justificada a legítima defesa (a violência justa) para repelir a agressão actual e ilícita por parte de terceiros, e o Artigo 35º do mesmo Código considera legítima a violência para afastar um perigo actual, e não removível de outro modo, que ameace a vida, a integridade física, a honra ou a liberdade da pessoa.



Uso da violência em legítima defesa

Assim sendo, que mais nos resta contra a Máfia Financeira e os seus esbirros (na Política e nos Media) senão a violência em legítima defesa e cirurgicamente dirigida? A violência não é intrinsecamente má. Quando a única forma de travar a violência criminosa é utilizando violência, então esta é perfeitamente justificada.

Um pai que pegue num taco para dispersar à paulada um grupo de rufias que está a espancar o seu filho, está a utilizar a violência de uma forma justa. Uma mulher que crave uma lima de unhas na barriga de um energúmeno que a está a tentar violar, está a utilizar a violência de uma forma justa. Um homem que abate a tiro um assassino que lhe entrou em casa e lhe degolou a mulher, está a utilizar a violência de uma forma justa. Um polícia que dispara contra um homicida prestes a abater um pacato cidadão, está a utilizar a violência de uma forma justa. Os habitantes de um bairro nova-iorquino que se juntam para aniquilar um bando mafioso (que nunca é apanhado porque tem no bolso os políticos, os juízes e os polícias locais), estão a utilizar a violência de uma forma justa.

Permitir, de braços cruzados, que crimes que destroem países sejam perpetrados por máfias financeiras coadjuvadas por políticos corruptos, legisladores venais e comentadores mediáticos a soldo, contra as populações, em nome de um pacifismo «politicamente correcto» mas que se tem revelado sempre ineficaz, isso sim, é outro crime.



Um rebanho manifesta-se pacifica e inutilmente contra o desemprego,
a precariedade, os baixos salários, a pobreza, a fome e a morte.

domingo, julho 21, 2013

Uma bolha infectada no pé, resultado do trabalho duro no campo, ou melhor, fruto de "experiências médicas" nazis, salvaram a vida a um jovem rabino em Auschwitz



Num post de 9/10/2007, com o título «Os sobreviventes do Holocausto», coloquei um trecho que fazia parte de uma entrevista ao rabino Israel Rosenfeld, publicada no jornal Intermountain Jewish News de 4 de Fevereiro de 2005. Essa entrevista foi removida da Internet.


Eis parte da entrevista de 2005:

«O rabino Israel Rosenfeld falou pela primeira vez da sua experiência em Auschwitz ao jornal Intermountain Jewish News, a 27 de Janeiro de 2005, exactamente 60 anos depois do dia em que foi libertado de Auschwitz:

... o trabalho duro, combinado com tudo o resto, conjugaram-se para fazer de Rosenfeld um jovem muito doente. Uma bolha não tratada no pé cresceu e piorou até que se tornou numa infecção debilitante na parte de trás da perna. Por fim, já não podia estar de pé, e muito menos andar, diz ele, enquanto levanta a perna das calças para mostrar a cicatriz deixada pela infecção de há seis décadas atrás. Na altura, a meio do Inverno de 1944-45, foi colocado na enfermaria de Auschwitz, incapaz de trabalhar. Isto provavelmente salvou-lhe a jovem vida

[... the hard work, combined with everything else, combined to make young Israel very sick. An untreated blister on his foot steadily grew worse until it became a debilitating infection on the back of his leg. Eventually, he could no longer stand, let alone walk, he says, lifting his pant leg to show the still-vivid scar left behind by the raging infection of six decades ago. By then, it was the middle of the winter of 1944-45, and he was placed in the Auschwitz infirmary, unable to work. It probably saved the youth's life.]


***********************************

Contudo, dois anos depois:

Em Fevereiro de 2007, o rabino Israel Rosenfeld contou a um grupo de sete jovens uma versão substancialmente diferente sobre a causa do mal que lhe tolhera a perna em Auschwitz:

«O rabino Rosenfeld contou como sobreviveu miraculosamente ao campo de concentração, embora tenha depois passado três meses num hospital incapaz de estar de pé ou caminhar, porque as pernas tinham sofrido cortes fruto das experiências médicas a que os nazis o submeteram

[Rabbi Rosenfeld spoke about how he miraculously survived the concentration camp, although afterwards he spent three months in a hospital unable to stand or walk, his legs having been cut up by the Nazis performing medical experiments on him.]


***********************************

Vale a pena ler o artigo da entrevista de 2005 ao Intermountain Jewish News:

O mundo recorda a libertação de Auschwitz

Por CHRIS LEPPEK, Editor Assistente do IJN (Intermountain Jewish News) - 4/2/2005

[Tradução minha]

Sessenta anos, até hoje, 27 de Janeiro de 2005, foi o tempo que levou para que o rabino Israel Rosenfeld viesse a público falar do tempo que passou em Auschwitz.

Rosenfeld recusou todas as oportunidades anteriores para falar disso publicamente, recusando mesmo, polidamente, uma entrevista à Shoah Visual History Foundation [Fundação de História Visual do Holocausto]. Na mesma linha, nunca leu uma palavra escrita por Elie Wiesel ou qualquer outro autor que escrevesse sobre o Holocausto, nem nunca viu um único fotograma do filme «A Lista de Schindler» ou de qualquer outro filme desse tipo.


"Hoje, é a primeira vez que estou a falar acerca disso," disse o rabino Rosenfeld ao Intermountain Jewish News a 27 de Janeiro de 2005, exactamente 60 anos depois do dia da sua libertação de Auschwitz. Em 25 anos na Hillel Academy – 16 dos quais como director – e em ocupações subsequentes, e como autor de livros encomendados pela Torah Umesorah, o rabino Rosenfeld ganhou a reputação de um educador dedicado e talentoso, como um homem nobre e atencioso – mas não como um homem de sofrimento.

Rosenfeld nasceu em 1928 na província da Carpátia na parte oriental da então Checoslováquia. A região era habitada então por cerca de 100,000 judeus, "a maior parte camponeses pobres, madeireiros, lenhadores – a maior parte piedosos, pessoas religiosas, mas não muito letrados," diz ele.

O seu pai David estudou durante uma década judaísmo hassídico. O resto da família incluía a sua mãe Chana, a irmã mais velha Leah e o seu irmão mais novo Yoel.

Em Maio de 1944, na cidade de Chust onde viviam muitos dos cerca de 100,000 judeus da região, Rosenfeld, a sua família e muitos judeus foram colocados a bordo de carruagens de comboio para gado. O seu destino era uma pequena cidade polaca de nome Oswiecim, próxima de um lugar a que os alemães chamavam Auschwitz.
À entrada de Auschwitz I lia-se as palavras: "Arbeit macht frei" (o trabalho liberta)

Rosenfeld lembra-se que saíram cerca do meio-dia de quinta-feira de Chust e chegaram a Auschwitz ao meio-dia de Sábado. Afirma que se lembra muito pouco do pesadelo que foi a viagem.

"Claro que foi quando chegámos a Auschwitz que os verdadeiros problemas começaram," afirma o rabino numa voz que se torna sombria. Lembra-se de chicotes, guardas, cães, comandos berrados, gritos e tiros.

A sua família foi quase imediatamente separada – "não segundo um esquema, mas caoticamente" – mas o rabino Rosenfeld e o seu pai conseguiram ficar juntos. Ele lembra-se de passar pelo imponente e infame portão principal de Auschwitz, próximo do qual Josef Mengele fazia o seu trabalho de escolha, mas ele não se lembra pessoalmente do arqui-nazi, nem dos seus infames comandos "para a esquerda" e "para a direita".

"Quero que perceba que eu vinha directamente do seminário rabínico," diz Rosenfeld. "O meu conhecimento das coisas do mundo era nulo. Eu não fazia ideia de quem eram os SS ou a Gestapo. Tudo o que soube foi que o meu pai me agarrou pela mão e levou-me para fora dali. Se não o tivesse feito, eu teria provavelmente terminado também noutro lugar."

Estes primeiros momentos caóticos foram a última vez que Rosenfeld viu a sua mãe e irmã por um longo período de tempo e a última vez em que viu o seu irmão mais pequeno. Essa lembrança, talvez mais do que tudo o resto, ainda persegue o rabino Rosenfeld.

"Nunca mais voltei a ver o meu irmão mais novo," diz, sem sequer tentar resistir às lágrimas. "Não posso descrever os meus pensamentos aterrorizados, os meus pesadelos, o meu irmãozinho, o que é que ele deve ter sentido quando o gás o alcançou, não sabendo que os seus pais eram impotentes para o salvar. Uma criancinha inocente."

Rosenfeld sonhou com isto todas as noites durante um quarto de século, diz, e ainda sente o fenómeno ilógico e poderoso conhecido por «culpa de sobrevivente» - "perguntando como é que eu sobrevivi e eles não."

O campo principal de Auschwitz

Rosenfeld, contudo, tinha ainda o seu pai. Foram ambos destacados para unidades de trabalho, ou comandos, e viviam na mesma secção do complexo de Auschwitz mas em barracões diferentes. Estavam juntos sempre que havia oportunidade.

"Estávamos no mesmo campo. Ele viu-me sofrer. Eu vi-o sofrer. Chorámos juntos." Lembra-se do seu pai rezar nos barracões e dar ao seu filho a sua ração de pão. "Éramos muito, muito chegados," diz o rabino em lágrimas.

Durante os meses que passaram em Auschwitz, pai e filho trabalhavam normalmente em diferentes projectos, principalmente cavando fundações e carregando cimento para novos edifícios. O primeiro saco de cimento que o rabino Rosenberg carregou, pesando cerca de 50 quilos, deixou-o estendido no chão. Um alemão disse-lhe: "Não mereces o pão que comes," um aviso claro.

Mas outros prisioneiros ajudaram o jovem dando-lhe como trabalho empilhar os sacos, em vez de carregar com eles. Mesmo assim, o trabalho duro, combinado com tudo o resto, conjugaram-se para fazer de Rosenfeld um jovem muito doente. Uma bolha não tratada no pé cresceu e piorou até se tornar numa infecção debilitante na parte de trás da perna. Por fim, já não podia estar de pé, e muito menos andar, diz ele, enquanto levanta a perna das calças para mostrar a cicatriz deixada pela infecção de há seis décadas atrás.

Na altura, a meio do Inverno de 1944-45, foi colocado na enfermaria de Auschwitz, incapaz de trabalhar. Isto provavelmente salvou-lhe a jovem vida.

O Exército Vermelho Soviético estava a aproximar-se de Auschwitz e os alemães, desejosos de manter a sua população de escravos, esvaziaram virtualmente Auschwitz da sua população prisional, conduzindo-a numa marcha forçada para ocidente. Abandonando o resto do campo, deixaram apenas para trás as várias centenas de prisioneiros na enfermaria, incluindo o rabino Rosenfeld. O pai do rabino foi levado na marcha forçada para Buchenwald, onde, segundo Rosenfeld, foi morto a uma semana da libertação do campo.

Os últimos dias em Auschwitz são ainda confusos para o rabino Rosenfeld, que os vivenciou próximo da morte por causa da infecção e da febre.

Vieram aviões e metralharam o complexo, incluindo a enfermaria, diz Rosenfeld. Hoje, ainda não tem a certeza se eram aviões aliados ou do eixo. Sabe apenas que um homem da sua cidade natal o tirou da enfermaria, porque as balas tinham pegado fogo ao edifício. Mas estava a nevar e frio, e o fogo apagou-se rapidamente, e assim puderam voltar para dentro.

Muitos doentes morreram no ataque e no incêndio. Mais tarde, aqueles que sobreviveram foram procurar sob as almofadas dos mortos, esperando encontrar um pedaço de pão escondido.

O campo foi abandonado durante 10 dias enquanto os combates continuavam furiosamente à volta dele. "Havia tiroteio por todos os lados," afirma o rabino Rosenfeld. "Os canhões estavam a disparar. Aviões."

Prisioneiros reencenam a libertação do campo principal de Auschwitz, Fevereiro de 1945.


Na manhã do dia 27 de Janeiro de 1945, tudo estava acabado. O primeiro tanque russo entrou.

Rosenfeld afirma que nessa altura pesava 22 quilos. "Às vezes ouve-se o cliché pele e osso. Eu era só pele e osso." Rosenfeld foi parar a um hospital da Cruz Vermelha em Oswiecim, onde lhe fizeram várias operações para recuperar o uso da perna.

Foram precisos vários meses de recuperação dolorosa e uma série de viagens frustrantes e cansativas através da Europa para localizar a sua mãe e irmã, tendo ambas sobrevivido às provações.

Encontrando a sua casa em Chust ocupada por uma família cigana, a reduzida família Rosenfeld foi finalmente acomodada pelo governo checo na região dos sudetas, da qual milhões de alemães tinham acabado de ser expulsos [in the Sudeten region, from which millions of Germans had just been ousted].

Rosenfeld estudou num seminário rabínico e um professor do colégio ajudou-o e à sua família a emigrar para a América e finalmente tornar-se um professor judeu.

"Se eu sinto ódio? Sim, sinto. Por quem? Na verdade não sei. Todo o mundo esteve envolvido. O que é que aconteceu? A humanidade foi-se abaixo."


***********************************

O texto deste artigo que foi removido da Internet ficou gravado no disco. O original da entrevista ao rabino Israel Rosenfeld, publicada no jornal Intermountain Jewish News de 4 de Fevereiro de 2005, pode ser visto nas imagens dos seguintes links:

terça-feira, julho 09, 2013

Hitler – um judeu que passou de besta a bestial e vice-versa em menos duma década


Diário de Notícias – 06/07/2013:




Jornalista do Folha de São Paulo:

"Quem viu não esquece. Eu vi e não esqueci. O anúncio que para mim é inesquecível é o do Jornal Folha de são Paulo, de 1988, chama-se Hitler e foi criado pela agência W/Brasil (hoje WmcCann)."

"Vi-o pela primeira vez numa palestra do Washington Olivetto onde ele apresentava este e outros anúncios enquanto falava sobre os prémios que recebera. Este filme foi premiado com o Leão de Ouro em Cannes no ano de 1988 e eleito um dos cem melhores de todos os tempos, num trabalho publicado em 1999 por Bernice Kanner."

"O filme inicia-se com uma tela em que há apenas alguns pontos pretos num fundo branco. O narrador (voz off) começa a enumerar diversos grandes feitos que são atribuídos a 'este homem'."

"Este homem pegou numa nação destruída recuperou a sua economia e devolveu o orgulho ao seu povo. Nos seus quatros anos de governo, o número de desempregados desceu de 6 milhões para 900 mil pessoas. Este homem fez crescer o produto interno Bruto em 102%, e o rendimento per capita duplicar."

"Aumentou o lucro das empresas de 175 milhões de marcos para 5 mil milhões de marcos. Reduziu uma hiperinflacção em 25% por cento por ano. Este homem adorava música e pintura. E, quando jovem, imaginava seguir a carreira artística."


Em contrapartida, através do zoom out da câmara, o pequeno ponto preto que aparecia na tela, com o passar dos segundos, transformava-se numa retícula formando um retrato a preto e branco. O rosto pertence a uma das mais importantes figuras da história do século XX, o chefe de Estado nazi alemão Adolf Hitler.

"O filme termina com a frase: «é possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade»."




Comentário

Eu diria que não é possível contar a verdade toda contando apenas partes dela. Vamos ao que não foi contado:

- Nem um super-economista com poderes cósmicos e super-capa bordada a cifrões poderia recuperar uma economia desta maneira em apenas quatro anos.

- Um tal desenvolvimento em tão curto espaço de tempo (quatro anos) só seria posível com um investimento maciço de dinheiro judeu (que era quem domina a finança) na economia alemã.



A Finança Judia abraça o Mundo num sufoco mortal


Ao contrário de Hitler, o nosso Vítor Gaspar passou da bestial a besta em apenas dois anos


Mesmo o ex-ministro Vítor Gaspar, um caniche a soldo da Finança Judaica, levou dois anos (com a ajuda das políticas trapaceiras do seu antecessor - o vigarista Sócrates) a destruir economicamente um país.

Mas uma coisa é apenas destruir a economia de um país. Outra, é reconstruí-la e depois destruí-la numa guerra viciada à partida. Num caso e noutro, a força por trás de tudo: o Controlo Financeiro Mundial Judaico.



Vítor Gaspar - apanhado inadverdidamente pela populaça no Chiado

sexta-feira, julho 05, 2013

Uma crise política a sério é o desejo maior do povo português


Uma crise parlamentar onde os políticos se eliminassem todos uns aos outros à paulada, à facada, à pedrada e à metralha, incluindo um certo palhaço nascido para os lados de Boliqueime.



No caso da «crise parlamentar» não passar de retórica oca de ladrões pagos com o mesmo dinheiro sujo, então que a população portuguesa se sinta convidada a entrar no parlamento (na sua casa, na verdade), e ajude os parlamentares e executar uma auto-eutanásia (suicídio parlamentarmente assistido), inteiramente merecida porque patriótica, mas que parecem sentir tanta relutância em levar por diante.

Talvez os mercados [leia-se os bancos que nos têm sugado até ao tutano] não rejubilassem, mas acender-se-ia um novo ânimo nas almas portuguesas...

domingo, junho 30, 2013

Solução para a «Crise»? - Austeridade em cheio na nuca de Vítor Gaspar (e de outros) no mais curto prazo possível.



Concentrado na nobre tarefa de transferir massivamente a riqueza nacional para os bancos, o ministro das Finanças Vítor Gaspar parece não dar conta da «austeridade» que os portugueses estão cada vez mais próximo de lhe dar a saborear…

segunda-feira, junho 24, 2013

O Sócrates do lado di lá, o Sócrates do lado di cá, e a abjecta corrupção, tanto di lá como di cá






Miguel Sousa Tavares - Expresso 07/01/2006

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»


***********************************


A razão do Sócrates do lado di lá


CartaCapital - O Campeonato Mundial de futebol de 2014 foi atribuído ao Brasil. Eis o que o antigo internacional brasileiro Sócrates afirmou sobre a futura Copa do Mundo de 2014 no Brasil:

Ao lado, o ex-internacional brasileiro Sócrates

"Pelo que eu conheço de quem está organizando esse evento, a Copa no Brasil será um carnaval de um mês, com muitos gastos e sem sobrar nada que se aproveite", disse o ex-jogador. "Não dá para acreditar em nada muito diferente disso."

"Agora que o compromisso foi assumido, a Copa terá de ser realizada, seja com o dinheiro de quem for, e muito provavelmente será do contribuinte. Pode ter certeza que essa Copa vai tomar muito dinheiro de todos."

Sócrates também é contra a construção de novos estádios para receber as partidas do Campeonato Mundial de Futebol. Isso porque, para o ex-jogador, as novas arenas só serviriam como "mausoléus".

"Para quê construir mais estádios se nem os que estão aí são bem administrados?", questiona Sócrates. "Para desperdiçar mais dinheiro, para ficarmos com mais elefantes brancos, para termos mais campos abandonados e sem uso? Não faz sentido."



***********************************


A corrupção do Sócrates do lado di cá


Público - 4 de Fevereiro de 2005

A 12 de Fevereiro de 2005 António José Seguro lembrou as responsabilidades de Sócrates na realização do Euro-2004: "Hoje, como no Euro-2004, houve um homem que lançou a semente, a semente de uma força que ninguém pode parar. Esse homem chama-se José Sócrates, futuro primeiro-ministro de Portugal", acentuou.


Contudo, depois de terminado o campeonato Europeu, a 21/05/2004, o Correio da Manhã avaliava o impacto do Euro 2004:

E o dinheiro investido neste espectáculo de grande escala também não teve grande retorno. Quase seis meses depois do Euro 2004, alguns estádios onde foram investidos milhões de euros para receber a prova estão «às moscas». Dos recintos do Euro2004, só os dos «três grandes» tiveram sucesso comercial.

Numa auditoria desenvolvida pelo Tribunal de Contas junto dos estádios de Guimarães, Braga, Leiria, Coimbra, Aveiro, Loulé e Faro, ficou claro que todos custaram mais do que o orçamentado, e que as autarquias se endividaram para os próximos 20 anos. As sete autarquias que receberam jogos do Euro 2004 contraíram empréstimos bancários no valor global de 290 milhões de euros para financiar obras relacionadas com o campeonato. Na sequência destes empréstimos, as câmaras terão que pagar juros no montante de 69,1 milhões de euros, nos próximos 20 anos, refere o relatório de auditoria do Tribunal de Contas.




O Estádio do Algarve, imagem de marca do Eng.º Sócrates, um mausoléu tão inútil como ruinoso, prenunciador das OTAS e dos TGVs em que o Primeiro Ministro português se mostrou tão fortemente empenhado. Como disse Miguel Sousa Tavares, vai custar caro, muito caro, aos portugueses, enquanto o grande dinheiro agradece e aproveita.

quarta-feira, junho 12, 2013

Pacheco Pereira - É porque o Governo quer esconder as diferenças inaceitáveis que assume agora uma espécie de igualitarismo para os imbecis





"Eles" (os funcionários públicos) são uma parte de "nós"

José Pacheco Pereira - Jornal Público


Se há um princípio cívico de moralidade, o que está a acontecer aos funcionários públicos deveria fazer soar todos os sinais de alarme.

O que se passa na actual ofensiva do Governo contra a função pública está muito para além da condição de se ser "funcionário público". O discurso do Governo — mais uma vez um discurso de divisão entre os portugueses, a que chamei e chamo "guerra civil" — pretende legitimar as suas acções como tendo a ver com aquilo que apresenta como "privilégios" dessa condição profissional. Os corolários são sempre os mesmos; está-se a atacar privilegiados, cujos privilégios são pagos pelos dinheiros dos contribuintes, em nome da "equidade". Se temos impostos altos é porque esta gente "do Estado" tem o emprego garantido, ganha mais do que os trabalhadores do sector privado, tem maiores reformas. Tudo em parte verdade, tudo em absoluto mentira.

Este discurso colhe, porque as sementes da cizânia pegam sempre em momentos de empobrecimento, em que a mais fácil das cegueiras é olhar para o lado e ver que o vizinho tem mais uns tostões do que eu e ficar fixado nessa socialização da inveja entre os de baixo, muito próximos em condição e dificuldades, em vez de olhar para outro lado, para o lado de onde vem a minha miséria e a do meu vizinho. Para o lado de cima.

O que se passa com a função pública é relevante para todos nós, como método, como sinal, e, infelizmente, como imoralidade social, rompendo um contrato social que é suposto ser o tecido da nossa sociedade em democracia, em que existem diferenças e diferenciações aceitáveis e outras inaceitáveis. É porque o Governo quer esconder as inaceitáveis que assume agora uma espécie de igualitarismo para os imbecis, proclamando-se de uma rasoira igualitária que serve para violar contratos e garantias, direitos e condições, em nome de um "dinheiro" que não há nestes casos e que parece haver sempre nos outros. Alguém disse esta semana, e bem, que nunca ouviu o Governo responder que "não havia dinheiro" para as PPP, nem para os contratos swap, nem para a banca, só para os trabalhadores e para os reformados.

É por isso que o que o Governo está a fazer aos funcionários públicos tem um significado social muito mais vasto do que as peculiaridades do seu estatuto social e profissional. E o invólucro de uma pseudo-"reforma do Estado" é apenas a expressão orwelliana para mais um corte cego nos serviços públicos, sem nexo, sem consistência, nem sustentação, sem sequer corresponder a qualquer poupança estrutural, porque os custos das coisas mal feitas são muito maiores do que a poupança orçamental obtida a curto prazo.

Um dos aspectos mais inaceitáveis deste processo é o grau de dolo e fraude em que ele é feito. Repito-me, mas este é um dos aspectos mais repulsivos da actual governação. Todos os governantes juraram várias vezes, há dois anos, e há dois meses, que nunca haveria despedimentos na função pública, nunca haveria "mobilidade especial" para os professores, e que apenas quem quiser sair teria abertas as portas a "rescisões amigáveis". O que ofende mais a consciência comum é que as mesmas pessoas que usaram o "nunca", várias vezes e em contextos que não permitiam a ambiguidade, estão hoje na vanguarda de piruetas verbais mais obscenas para se desdizerem, parecendo aliás muito pouco preocupados com o valor da sua palavra.

Quando se justificaram, no passado próximo, muitas medidas de cortes salariais na função pública com o argumento de que podiam ser mais gravosas para os funcionários públicos, visto que eles tinham "a garantia do emprego", o que se estava a fazer era mentir a todos, como método de actuação. O mesmo dolo foi a "mobilidade especial" e agora a "requalificação" que não são mais do que classificações enganosas em burocratês para os despedimentos. O despedimento de funcionários públicos estava inscrito no código genético desta governação desde o primeiro dia. Escrevi-o na altura com absoluta certeza de que iria ser assim. E foi.

Tudo isto nos diz respeito, funcionários ou trabalhadores do sector privado, porque ninguém tenha dúvidas de que se o Governo pudesse fazer a todos os trabalhadores portugueses o mesmo que está a fazer aos funcionários públicos, fá-lo-ia sem hesitar. Se, por despacho ou lei ordinária, em muitos casos sem sequer ir à Assembleia da República, fosse possível aumentar o horário de trabalho, permitir despedimentos discricionários por decisão unilateral do patrão ou do capataz, individuais e colectivos, sem qualquer enquadramento legal que proteja a parte mais fraca, nem simulacros de leis laborais seriam precisas.

E tudo isto nos diz respeito, porque é o medo o lubrificante do discurso de guerra civil do Governo. Sim, o medo das pessoas normais, que sabem que ninguém as defende, que não confiam na força dos sindicatos, que sabem que o silêncio cúmplice de Seguro não destoa dos actos de Passos Coelho, que sabem que se escorregarem ainda mais no plano inclinado da pobreza, cujo grande salto é o despedimento, terão uma vida infernal, difícil e envergonhada. E por isso hesitam, temem, retraem-se, têm a ilusão de que podem passar despercebidos ao olhar do chefe que vai escolher quem vai para a "mobilidade especial", ou para a "requalificação", ou seja, quem vai ser despedido.

A razão pela qual o povo português parece ser mais "paciente" resulta muito simplesmente de que muitos têm medo de perder ainda mais do que o que já estão a perder. E como o discurso da divisão deixa cada um sozinho na sua fábrica, na sua escola, na sua repartição, o medo ainda é eficaz. Mas o medo é destrutivo da sociedade e da democracia, e dá saída apenas para o desespero, o momento em que as pessoas percebem que já não há mais a perder. E nessa altura o seu desespero não se verá em manifestações da CGTP ou dos "indignados".

Soares apelou às esquerdas, mas com idêntico impulso crítico podia-se apelar às direitas, no mesmo sentido de acção contra este Governo. Quem tiver um mínimo senso patriótico e nacional, mesmo aceitando-se o lugar-comum de que é à direita que esse sentimento de patriotismo é mais agudo, não pode deixar de se preocupar e muito com a obra de destruição de Portugal e do tecido que uniu até hoje os portugueses.

O enorme falhanço da esquerda e da direita está em querer traduzir numa linguagem estereotipada e sectária uma realidade de devastação que em muito ultrapassa o discurso político tradicional. Os partidos políticos que assentam em termos programáticos numa ideia de cidadania (como o PS) ou de "pessoa humana" (como o PSD e o CDS) estariam à partida vocacionados para, pelo menos, compreender o que se está a passar e travar esta forma miserável de luta de uns contra os outros que não ousa dizer o nome, mas que é muito parecida com a "luta de classes". Mas cada um ao seu modo, nas suas lideranças, traiu os seus programas e, por isso, está a estragar Portugal e a democracia.

Não é irrelevante o que se está a passar, para quem seja "justo", para quem não seja indiferente ao tónus moral e cívico de uma sociedade, com todos os piores instintos a ser despertados e alimentados, para garantir um terreno favorável a um projecto de engenharia política que hoje está em decadência, mas que envenena a terra em que está a apodrecer. Se há um princípio cívico de moralidade — e é um cínico e um relutante defensor de argumentos morais em política que escreve isto — o que está a acontecer aos funcionários públicos deveria fazer soar todos os sinais de alarme.

Face a esta situação, precisávamos de gente como Thomas Paine que nos ensinasse que a "moderação no Bem" não é uma coisa boa. E que se a "moderação no temperamento é sempre uma virtude, a moderação nos princípios é sempre um vício". Há momentos em que é precisa esta intransigência.


**************************


Let’s do it, before he and his government destroy us

segunda-feira, junho 03, 2013

São cada vez mais os milhares de portugueses que anseiam por determinados cortes…




Só a violência cidadã contra os esbirros de um Estado sequestrado pelo terrorismo da Alta Finança poderá devolver o país aos portugueses...

terça-feira, maio 28, 2013

O Dinheiro é criado partir do nada pelos banqueiros que, a partir dessa ilusão, se apoderam da riqueza produzida por todos os outros cidadãos

Donde é que vem o Dinheiro?

O que é o dinheiro?

Para a maioria de nós, a questão "Donde é que vem o dinheiro?" lembra-nos uma imagem da casa da moeda a imprimir notas e a cunhar moedas. O dinheiro, a maioria acredita, é criado pelo governo.

É verdade, mas só até um certo ponto. Esses símbolos de valor de metal e de papel que costumamos pensar como dinheiro são, na verdade, produzidos por uma agência do governo federal chamada Casa da Moeda.

Mas a grande maioria do dinheiro não é criado pela Casa da Moeda. É criado em grandes quantidades todos os dias por empresas privadas chamadas bancos.

A maioria de nós acredita que os bancos emprestam dinheiro que lhes foi confiado por depositantes. É fácil de imaginar. Mas não é verdade.

De facto, os bancos criam o dinheiro que emprestam, não dos ganhos do próprio banco, não do dinheiro depositado, mas directamente da promessa de pagamento da pessoa que pede emprestado.

A assinatura da pessoa que pede emprestado nos papéis do empréstimo é uma obrigação para pagar ao banco o empréstimo mais o juro, ou, perde a casa, o carro, qualquer bem que tenha dado como garantia. É um grande compromisso para o devedor.

O que é que essa assinatura requer do banco? O banco faz surgir do nada a quantidade do empréstimo e inscreve-o na conta do devedor.

Parece absurdo?

De certeza que não pode ser verdade. Mas é!

Para demonstrar como é que este milagre da banca moderna acontece, considerem esta simples história:


A história do ourives

Antigamente, quase qualquer coisa era utilizada como dinheiro.

Tinha apenas de ser portátil e que houvesse gente suficiente que acreditasse que o poderia trocar mais tarde por coisas de valor real como comida, roupa ou abrigo. Conchas, grãos de cacau, pedras bonitas, mesmo penas foram usadas como dinheiro.

Ouro e prata eram atraentes, flexíveis e fáceis de trabalhar, portanto algumas culturas tornaram-se especialistas nestes metais. Os ourives comerciavam mais facilmente moldando moedas, unidades estandardizadas destes metais cujo peso e pureza eram certificados.

Para proteger este ouro o ourives precisava de um cofre.

Depressa os outros habitantes estavam a bater à sua porta querendo alugar um espaço para guardar em lugar seguro as suas moedas e valores.

Passado pouco tempo, o ourives estava a alugar cada prateleira do seu cofre e ganhava um pequeno rendimento pelo seu negócio de aluguer de espaço no cofre.

Os anos passaram e o ourives fez uma observação astuta. Os depositantes raramente vinham retirar o seu ouro físico e nunca vinham todos ao mesmo tempo.

Isto acontecia porque os cheques que o ourives passava como recibos do ouro depositado, estavam a ser trocados no mercado como se fossem o próprio ouro.

Este papel-moeda era muito mais cómodo do que moedas pesadas, e somas de dinheiro podiam ser simplesmente escritas, em vez de laboriosamente contadas uma a uma em cada transacção.

Entretanto, o ourives desenvolvera outro negócio. Ele emprestava o seu ouro cobrando juros.

Bem, à medida que os cheques fáceis de utilizar foram sendo aceites, as pessoas que pediam empréstimos queriam o valor em forma de cheques em vez de metal. À medida que a indústria se expandia, mais e mais pessoas pediam empréstimos aos ourives.

Este facto deu ao ourives uma ideia ainda melhor.

Ele sabia que muito poucos dos seus depositantes alguma vez retiravam o seu ouro. Portanto, o ourives pensou que poderia facilmente emprestar cheques sobre o ouro dos seus depositantes, a somar ao seu próprio ouro.

Desde que os empréstimos fossem reembolsados, os depositantes nunca saberiam e não seriam prejudicados. E o ourives, agora mais banqueiro que artesão, conseguiria um lucro muito maior do que se emprestasse apenas o seu ouro.

Durante anos o ourives aproveitou secretamente um bom rendimento dos juros ganhos com os depósitos dos outros.

Agora um importante emprestador, ele foi enriquecendo mais que os outros habitantes e exibia a sua fortuna. As suspeitas aumentaram de que ele estava a gastar o dinheiro dos seus depositantes. Estes juntaram-se e ameaçaram retirar o seu ouro se o ourives não explicasse a sua riqueza recente.

Contrariamente ao que se poderia esperar, isto não foi um desastre para o ourives. Não obstante a duplicidade do seu esquema, a sua ideia resultou. Os depositantes não tinham perdido nada. O seu ouro ainda estava seguro no cofre do ourives.

Em vez de retirarem o seu ouro, os depositantes exigiram que o ourives, agora o seu banqueiro, lhes pagasse uma parte dos juros dos seus depósitos.

E isto foi o princípio do sistema bancário. O banqueiro pagava uma pequena taxa de juros pelos depósitos de dinheiro das pessoas, e então emprestava-o a uma taxa de juro maior.

A diferença cobria os custos de operação do banco e o seu lucro. A lógica deste sistema era simples. E parecia uma forma razoável de satisfazer a procura de crédito.

Contudo esta não é a forma como a banca trabalha hoje.

O nosso ourives-banqueiro não estava satisfeito com o rendimento que restava depois de partilhar os ganhos dos juros com os seus depositantes.

E a procura por crédito estava a crescer depressa, à medida que os Europeus se espalhavam através do mundo. Mas os seus empréstimos estavam limitados à quantidade de ouro que os seus depositantes tinham no seu cofre.

Foi quando ele teve uma ideia ainda mais arrojada. Já que só ele é que sabia a quantidade de ouro que estava nos seus cofres, então podia emprestar cheques sobre ouro que nem sequer estava lá!

Desde que os detentores dos cheques não aparecessem todos ao mesmo tempo a reclamar o ouro que estava no seu cofre, como é que alguém descobriria?

Este novo esquema funcionou muito bem, e o banqueiro tornou-se tremendamente rico com os juros pagos por ouro que nem sequer existia!

A ideia de que o banqueiro podia criar dinheiro a partir do nada era demasiada escandalosa para acreditar, por isso, por muito tempo, esse pensamento nem sequer ocorreu às pessoas.

Mas, o poder de inventar dinheiro subiu à cabeça do banqueiro, como podem imaginar. Com o tempo, a magnitude dos empréstimos e a ostentação da riqueza do banqueiro levantou novamente suspeitas.

Algumas pessoas que pediam empréstimos começaram a exigir ouro em vez de representações em papel. Rumores espalharam-se.

Subitamente, vários depositantes ricos apareceram para retirar o seu ouro. O jogo tinha acabado!

Uma multidão de possuidores de cheques apareceu junto às portas fechadas do banco. O banqueiro não tinha ouro e prata suficiente para cobrir todo o papel que tinha distribuído.

Isto chama-se uma "corrida ao banco" e é o que qualquer banqueiro mais teme.

Este fenómeno da "corrida ao banco" arruinou bancos individuais e, sem surpresa, danificou a confiança do público em todos os banqueiros.





quinta-feira, maio 23, 2013

Pacheco Pereira - “O Governo juntou-se à troika para formar uma quadrilha” - [que, sob as ordens da Grande Finança, saqueiam selvaticamente o país]





************************************





PTJornal - 10 Abril de 2013


Pela primeira vez, Pacheco Pereira defendeu a demissão do Governo. No 'Quadratura do Círculo', programa de debate da SIC Notícias, o social-democrata defendeu que "o Governo juntou-se à troika para formar uma quadrilha", entrando numa "guerra institucional", com políticas de "duvidosa legalidade".

"À medida que o Governo vai tendo mais dificuldades em cumprir o que deseja, vinga-se em todos aqueles que criam obstáculos. O desastre da política económica deste Governo já existia antes da decisão do Tribunal Constitucional. E o conjunto destes factos – digo isto pela primeira vez – justificaria a demissão deste Governo", disse Pacheco Pereira, ontem, no programa Quadratura do Círculo.

O social-democrata, que tem sido um persistente crítico das políticas de Passos Coelho, considera que a reação do Governo à decisão do Tribunal Constitucional, sobre o Orçamento de Estado, é "inaceitável" e revelador de um sentimento de "vingança para com os portugueses".

"Estamos a atingir um nível de perigosidade para as instituições e para a independência de uma atuação de um Governo na defesa dos interesses de Portugal", acrescentou Pacheco Pereira.

O social-democrata lamentou também que o executivo não tenha aproveitado o chumbo de normas do Orçamento para apresentar como argumento à troika, numa tentativa de renegociação dos prazos.

O cenário político permitiria a Passos Coelho "solicitar uma renegociação do acordo". Pacheco Pereira considera que o Governo, em vez de usar o chumbo para enfrentar a troika, usou-o contra os portugueses.

"O tom revanchista que o Governo assume depois da decisão do Tribunal Constitucional mostra o carácter punitivo que está presente na política da coligação desde o início", afirmou Pacheco Pereira.

Por outro lado, acusa, o Governo entrou "numa guerra institucional dentro do Estado, em colaboração com a troika"”, com a finalidade de "abrir caminho a políticas de duvidosa legalidade e legitimidade", que têm como base "o relatório que fez em conjunto com o FMI".

Nesse sentido, não resta alternativa à convocação de eleições antecipadas. "Não conheço nenhum motivo mais forte e justificado para a dissolução da Assembleia da República por parte do Presidente do que este acto revanchista contra os portugueses", concluiu Pacheco Pereira.

O despacho que Vítor Gaspar assinou, em que ordena a suspensão dos ministérios até novas ordens, é considerado como uma forma de "pressão inaceitável" do ministro das Finanças.




************************************


Segundo Pacheco Pereira, os governantes Passos Coelho, Vítor Gaspar, a troika e os bancos que estão por trás dela, estão a roubar o país a uma escala colossal. Dada a dimensão da rapina, conduzindo centenas de milhares de portugueses à miséria, ao desespero e também à morte, rapidamente se percebe que não se trata apenas de simples roubos, mas de assassínio e genocídio social.

Sendo que as instituições do Estado, que deveriam evitar ou resolver este crime, estão também elas quietas a soldo do mesmo dinheiro, será da máxima justiça que os portugueses façam justiça pelas próprias mãos.

Observar, em breve, as cabeças decepadas de Passos Coelho e Vítor Gaspar a bambolear ensanguentadas num cabaz, constitui já o desejo de milhões.