segunda-feira, setembro 28, 2015

Se até meia dúzia de rufias de meia tigela - a Máfia - consegue ter nos bolsos políticos, juízes e polícias, o que não poderão fazer os verdadeiros poderosos que controlam o Dinheiro?


O diálogo seguinte foi retirado do filme «O Padrinho», realizado por Francis Ford Coppola e baseado no livro de Mario Puzo. Este filme, se trocarmos os nomes e alguns acontecimentos, tem uma base infinitamente mais real e assustadora.


O Padrinho - Don Corleone (personificado pelo actor Marlon Brando)


Os personagens de Vito Corleone e das outras famílias mafiosas foram baseados em personagens reais da Máfia como Frank Costello, a Família Genovese (originalmente Família Luciano, chefiada pelo próprio, e posteriormente modificada para Família Genovese, comandada por Vito Genovese), a Família Gambino (liderada por Carlo Gambino), a Família Bonanno (do chefe Joe Bonanno), a Família Lucchese (de Tommy Lucchese) e a Família Colombo (de Joe Colombo).



A reunião das Cinco Família Mafiosas de Nova Iorque (no filme)


O diálogo seguinte foi retirado do filme «O Padrinho», realizado por Francis Ford Coppola e baseado no livro de Mario Puzo. Este filme, se trocarmos os nomes e alguns acontecimentos, tem uma base infinitamente mais real e assustadora.

Os personagens de Vito Corleone e das outras famílias mafiosas foram baseados em personagens reais da Máfia como Frank Costello, a Família Genovese (originalmente Família Luciano, chefiada pelo próprio, e posteriormente modificada para Família Genovese, comandada por Vito Genovese), a Família Gambino (liderada por Carlo Gambino), a Família Bonanno (do chefe Joe Bonanno), a Família Lucchese (de Tommy Lucchese) e a Família Colombo (de Joe Colombo).

Um curto excerto da uma reunião entre as famílias mafiosa mais poderosas de Nova Iorque:

Don Corleone: «Quero agradecer por ter-me ajudado a organizar esta reunião. Também aos chefes das outras cinco Famílias. Nova Iorque e New Jersey. Cuneo, do Bronx e de Brooklyn, os Tattaglia. De Staten Island, temos aqui connosco Victor Stracci e todos os outros associados que vieram de tão longe como da Califórnia, de Kansas City e de outros territórios do país. Obrigado.»

Don Barzini: «Estamos gratos por Don Corleone convocar esta reunião. Todos sabemos que é um homem de palavra. Um homem modesto, que dá sempre ouvidos à razão

Don Stracci: «Sim, Don Barzini. Don Corleone é demasiado modesto. Controlava todos os juízes e políticos. Recusou-se a partilhá-los. No passado, ajudámo-lo e, agora, recusa-se a ajudar-nos, quando se trata de narcóticos. Recusar não é um gesto de amigo. Don Corleone controla todos os juízes e políticos em Nova Iorque. Tem de os partilhar. Tem de nos deixar tirar água do poço. Pode apresentar uma conta por esses serviços. Afinal, não somos comunistas.»


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No Programa 60 Minutes da CBS - Polícias da Máfia – 5/6/2006

Durante anos, o 60 Minutes tem feito o seu trabalho na exposição de corrupção policial, mas nenhum caso foi mais desprezível do que aquele que temos vindo a acompanhar. Como o 60 Minutes divulgou em primeira mão e Janeiro (2006), esta é a estória de dois polícias de Nova Iorque que foram contratados para serem assassinos da Máfia.

Stephen Caraccappa e Louis Eppolito, dois detectives reformados e altamente condecorados, foram condenados no mês passado por, a soldo da Máfia, terem assassinado oito pessoas…



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Daqui se retira que boa parte dos políticos, juízes e polícias nova iorquinos estavam nas mãos da Máfia, que era apenas uma «agência» sob as ordens de poderes mais altos e que a utilizava para os trabalhos sujos em troca de migalhas.


A Democracia deve ser imediata e energicamente defendida Judicial, Politica e Militarmente, se for necessário. Quando os comissários (a que se dá o nome de políticos) fazem o oposto das políticas para que foram eleitos, isso significa que o governo está a soldo de outras mãos!




Fernando Madrinha - Jornal Expresso de 1/9/2007:

[...] "Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. [...] os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais." [...]

quinta-feira, setembro 24, 2015

Sobre as causas das «Crises Financeiras» e das «Austeridades» que têm enviado para a miséria muitos milhões de seres humanos por esse mundo fora…


Post dedicado aos "Comentadores" de pacotilha que pululam nos jornais, televisões e redes sociais, e que, por venalidade, ignorância ou estupidez, defendem que os países devem pagar uma «dívida» genocida, que foi deliberadamente criada pelo Monopólio Financeiro Internacional, acolitado pelos «nossos representantes eleitos»...



Na imagem, um processo de «Recapitalização da Banca» por forma a prevenir possíveis «Riscos Sistémicos»...


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Henry Ford (1863 – 1947) foi o americano fundador da Ford Motor Campany. O seu automóvel, Modelo T, revolucionou o transporte e a indústria americana. Ford foi um inventor prolífico e registou 161 patentes. Na qualidade de dono da Companhia Ford tornou-se um dos homens mais ricos e conhecidos do mundo.

Em 22 de Maio de 1920, Henry Ford escreveu no Jornal "The Dearborn Independent":

"Existe no mundo de hoje, ao que tudo indica, uma força financeira centralizada que está a levar a cabo um jogo gigantesco e secretamente organizado, tendo o mundo como tabuleiro e o controlo universal como aposta. As populações dos países civilizados perderam toda a confiança na explicação de que «as condições económicas» são responsáveis por todas as mudanças que ocorrem. Sob a camuflagem da «lei económica» muitíssimos fenómenos foram justificados, os quais não se deveram a nenhuma lei económica a não ser a do desejo egoísta humano operado por meia dúzia de homens que têm o objectivo e o poder de trabalhar a uma vasta escala com nações como vassalas."



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Senador e candidato a presidente norte-americano Barry Morris Goldwater (1909 – 1998), escreveu no seu livro - "With No Apologies" (página 231):

"Uma organização em mãos privadas, a Reserva Federal (banco central norte-americano) não tem nada a ver com os Estados Unidos. A maior parte dos americanos não compreende de todo a actividade dos agiotas internacionais. Os banqueiros preferem assim. Nós reconhecemos de uma forma bastante vaga que os Rothschilds e os Warburgs da Europa e as casas de J. P. Morgan, Kuhn, Loeb & Co., Schiff, Lehman e Rockefeller possuem e controlam uma imensa riqueza. A forma como adquiriram este enorme poder financeiro e o empregam é um mistério para a maior parte de nós. Os banqueiros internacionais ganham dinheiro concedendo crédito aos governos. Quanto maior a dívida do Estado político, maiores são os juros recebidos pelos credores. Os bancos nacionais da Europa são na realidade possuídos e controlados por interesses privados."


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Woodrow Wilson (1856 - 1924), que foi Presidente dos Estados Unidos de 1913 a 1921, escreveu no seu livro "The New Freedom" (1913):

"Uma grande nação industrial é controlada pelo seu sistema de crédito. O nosso sistema de crédito está concentrado. O crescimento da Nação e de todas as nossas actividades está nas mãos de meia dúzia de homens. Tornámo-nos num dos mais mal governados, num dos mais completamente controlados e dominados Governos no mundo – não mais um Governo de liberdade de opinião, não mais um Governo pela convicção e pelo voto da maioria, mas um Governo pela opinião e intimidação de um pequeno grupo de homens dominantes.

[...]

Desde que entrei para a política, tenho ouvido maioritariamente opiniões de homens que me são segredadas em privado. Alguns dos maiores homens nos Estados Unidos, no campo de comércio e da manufactura estão com medo de alguém, estão com medo de alguma coisa.
Eles sabem que existe um poder algures tão organizado, tão subtil, tão vigilante, tão integrado, tão completo, tão penetrante, que preferem sussurrar quando o amaldiçoam."

quinta-feira, setembro 17, 2015

Testes de Stress aos Bancos – outra golpada para roubar os contribuintes





Rádio Renascença - 24 Out, 2014 - Paulo Ribeiro Pinto


«O que são e para que servem os testes de stress aos bancos?»


1 - … Os conhecidos "testes de stress" ou "testes de esforço" consistem num exercício teórico para perceber até que ponto os bancos têm capital suficiente para resistir a crises económicas e financeiras.


2 - «Para que servem?»

Desde que rebentou a crise financeira em 2008, a economia europeia tem tido dificuldades em descolar da recessão.

Muitos dirigentes europeus e alguns economistas acreditam que resulta, em parte, da desconfiança dos bancos que acabam por não emprestar dinheiro às empresas, às famílias e entre os próprios impedindo o normal financiamento da economia e, por arrasto, o investimento. O exercício tem um duplo objectivo: demonstrar que os bancos estão bem e o sistema financeiro é sólido e afastar os chamados bancos “zombie” do sistema.


3 - «O que acontece se algum banco chumbar na avaliação?»

Os bancos que apresentem problemas terão de constituir reservas adicionais de capital (“almofadas”). E podem fazê-lo de duas maneiras: aumentando capital através de fontes privadas ou vendendo activos. Caso não consigam ou as reservas sejam insuficientes, poderão recorrer a apoios do Estado.


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Funcionário bancário: "Sr. Director, onde quer que coloque as suas barras de ouro?"

Director do banco: "Oh não! Por favor, não me stress ainda mais!"




Paulo Morais, professor universitário - Correio da Manhã – 19/6/2012

[...] "Estas situações de favorecimento ao sector financeiro só são possíveis porque os banqueiros dominam a vida política em Portugal. É da banca privada que saem muitos dos destacados políticos, ministros e deputados. E é também nos bancos que se asilam muitos ex-políticos." [...]

[...] "Com estas artimanhas, os banqueiros dominam a vida política, garantem cumplicidade de governos, neutralizam a regulação. Têm o caminho livre para sugar os parcos recursos que restam. Já não são banqueiros, parecem gangsters, ou seja, banksters."

segunda-feira, setembro 14, 2015

As voltas que o «Terrorismo» dá…

Quando Osama Bin Laden foi considerado o herói da América...



Foto de Bin Laden publicada pelo The Independent, em 1993: "O guerreiro anti-Soviética colocou o seu exército no caminho daz"

Este perfil surpreendente de bin Laden foi lançado foi publicado a 6 de Dezembro de 1993.


Este artigo de 6 de Dezembro, 1993 por Robert Fisk do [jornal] The Independent com o título "O guerreiro anti-Soviético colocou seu o seu exército no caminho da paz" é incrível ao ser considerado passados 20 anos depois.




Osama bin Laden, no rescaldo da vitória dos Mujahideen apoiados pelos EUA contra a Rússia, em 1989, trouxe os seus homens, materiais e dinheiro para o Sudão, aparentemente para iniciar projetos de obras públicas.

Quando perguntado se se estavam a construir campos de treinos para militares, o "empresárrio da Arábia" e futuro líder da Al Qaeda disse a Fisk: "Eu sou um engenheiro civil e um engenheiro agrónomo. Se eu tivesse campos de treinos aqui, no Sudão, eu não poderia fazer este trabalho. ".

A entrevista é fascinante, porque retrata positivamente o perfil de um homem que se tornaria um mentor do terrorismo global.


segunda-feira, setembro 07, 2015

As quebras de promessas eleitorais não são um problema moral mas crimes de lesa-pátria. Donde, a democracia deve ser imediata e energicamente defendida Judicialmente, Politicamente e Militarmente, se for necessário.


Da violação do contrato eleitoral




Joseph Praetorius

Joseph Praetorius


A indigência moral e intelectual dos dirigentes das organizações políticas e das organizações institucionais que asseguram o desempenho das funções do estado – tudo seguido da imprensa que ninguém lê a não ser eles próprios – usam tratar as quebras de promessas eleitorais como um problema moral. "Coelho é um mentiroso". "Cavaco mentiu", etc.

Isto não é só um problema moral.

A representação política é uma projecção do Direito Civil. Há uma dimensão estritamente contratual, … aqui. Em democracia não se escolhe quem decida, decide-se imediatamente e directamente. Ou seja, o Colégio Eleitoral opta por um programa de governo nas suas linhas gerais e designa como comissários – é uma comissão – os que lhe endereçaram a proposta. É disto que se trata. Mantenhamos as coisas simples.

O incumprimento do programa eleitoral traduz violação das condições da outorga do mandato e desvio, mais ou menos grave (em regra, gravíssimo) face ao objecto do contrato. É governo contra Direito. E se o “garante do regular funcionamento das instituições” (i.e. da correcta aplicação das normas) não funciona ele próprio e acoberta tais tropelias ao invés de lhes pôr termo, isso significa que também esse mandato deve ser impugnado.



Sócrates é um aldrabão. Cavaco mentiu. Coelho é um mentiroso. Etc.


E mais longe indo, isso tem relevância penal. A condução contra direito chama-se prevaricação de funcionário. As secções criminais do Supremo Tribunal de Justiça devem ser chamadas a intervir. Tanto quanto ao presente, como quanto ao passado. E não estou a referir-me propriamente ao carnaval rasca de Carlos Alexandre e Ténia Laranja. Não falando já de Vaz das Neves, o Presidente da Relação escutado em processo nas mãos de Carlos Alexandre… (Que independência pode esperar-se de um tribunal superior neste estado? Estão a vêr onde chegam as coisas? Chegam onde as deixam chegar)…

Não é pois de nada disso que se trata. A carnavalização do processo traduz sempre a ausência de processo. E vamos com sorte se pudermos concluir que ainda há judicatura.

Bem entendido, a judicialização da vida política é também impensável porque a "república de juízes" é a inviabilidade da separação de poderes.

Mas resulta evidentíssimo que não podemos continuar a assistir ao delito permanente, aqui e ali pontilhado pelo crime infame. E isto começa na absoluta falta de respeito pelo programa eleitoral. Ou seja, na completa falta de respeito pelas eleições. Pelo país. Pela palavra própria. Também este carnaval tem de acabar. Os mecanismos da responsabilidade política não funcionam visivelmente. E ninguém se esforça para que funcionem.

E também (mais) este carnaval significa que não há governo. Ou melhor dizendo, mais gravemente dizendo, significa que o governo está noutras mãos. Significa portanto que a democracia deve ser imediata e energicamente defendida. Judicialmente, claro. Politicamente, como é óbvio. Militarmente, se for necessário.

E qualquer perspectiva em que isto pareça complicado não pode estar certa.


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A Democracia deve ser imediata e energicamente defendida Judicial, Politica e Militarmente, se for necessário. Quando os comissários (a que se dá o nome de políticos) fazem o oposto das políticas para que foram eleitos, isso significa que o governo está noutras mãos!




Fernando Madrinha - Jornal Expresso de 1/9/2007:

[...] "Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. [...] os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais." [...]

quarta-feira, setembro 02, 2015

Paulo Morais - as sociedades de advogados serão as maiores promotoras da promiscuidade entre negócios e política...


Chris Gupta: "A constituição de uma «Democracia Representativa» consiste na fundação e financiamento pela elite do poder de dois partidos políticos que surgem aos olhos do eleitorado como antagónicos, mas que, de facto, constituem um partido único. O objectivo é fornecer aos eleitores a ilusão de liberdade de escolha política e serenar possíveis sentimentos de revolta..."


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Paulo Morais - Professor Universitário

Artigo de Paulo Morais - Correio da Manhã - 08.08.2015


Deputados & Cia. Lda. Como até aqui, os grandes grupos económicos irão continuar a estar representados na Assembleia da República.


A divulgação das listas de candidatos a deputados é a prova de que os maiores partidos não estão interessados em regenerar o Parlamento. Como até aqui, os grandes grupos económicos irão continuar a estar representados na Assembleia da República (AR). E, mais uma vez, serão as sociedades de advogados as maiores promotoras da promiscuidade entre negócios e política.

Os advogados nunca deveriam poder ser deputados. Pela natureza da profissão, no advogado convergem todos os interesses privados dos seus clientes. Em certas circunstâncias, são conflituantes com o interesse público que, enquanto deputados, devem defender. Quando tiverem de escolher entre a lealdade ao povo que os elegeu ou a fidelidade aos interesses económicos que representam, restam poucas dúvidas sobre quem recairá a opção.

As poderosas sociedades jurídicas já garantiram a sua futura representação parlamentar. A "Morais Leitão", que promoveu na política os atuais governantes Assunção Cristas e Mesquita Nunes, lança agora para a AR o advogado Francisco Mendes da Silva. Assim, clientes como Mota-Engil, EDP e outros continuarão a ser protegidos no Parlamento. Podem beneficiar de informação privilegiada e continuar a influenciar a produção de leis que regulamentam os setores onde atuam.

O mesmo acontecerá com os clientes do escritório de Rui Pena, de onde sai o social-democrata Matos Correia e representante dos negócios de José Luís Arnaut, também sócio do mesmo escritório. Arnaut, que partilha interesses nos CTT com o socialista António Vitorino, este também sócio do eurodeputado Paulo Rangel, na firma de advogados "Cuatrecasas". Da lista de advogados famosos que entrarão na AR em outubro consta ainda Clara Marques Mendes, do escritório da família Marques Mendes. Ou o socialista Vitalino Canas que defende os interesses da Rede Aga Khan e do Banco Português de Gestão. O advogado-deputado degrada o sistema político de representação parlamentar, ao transformá-lo num mero escritório de representações empresariais.




As legislativas aproximam-se e são cada vez mais os atores políticos que secundam a opinião de Cavaco Silva: reclamam um resultado de maioria, que gere estabilidade governativa. Discordo em absoluto, pois foram as maiorias que nos trouxeram à crise e a miséria. Todas as maiorias governativas são de má memória: Cavaco, Guterres, Sócrates e Passos. Foi com Cavaco Silva no governo que se desbarataram fundos europeus sem critério, se começou a instalar a promiscuidade entre negócios e política e se assistiu à instalação da corrupção no regime. Os dinheiros do Fundo Social Europeu para formação foram desviados para o bolso de alguns. A política era dominada por Duarte Lima, Dias Loureiro e Oliveira e Costa. Em maioria.

Foi Guterres que, apesar de prometer "no jobs for the boys", permitiu a entrada na Administração Pública de milhares de boys sem concurso. Na enxurrada, Guterres engordou a Administração. Dominavam a política socialista Jorge Coelho, Pina Moura, Armando Vara e Sócrates. Tudo gente séria, portanto. Em maioria. Foi já a maioria absoluta de Sócrates que celebrou os contratos ruinosos das dezenas de parcerias público-privadas que comprometem as contas públicas até 2035. Foi também Sócrates que nacionalizou o BPN, assumindo todos os prejuízos e deixando intactos os bens dos responsáveis pelo descalabro do banco. Também Passos Coelho dispôs de uma confortável maioria, em coligação com Paulo Portas. Aproveitou esse poder absoluto para privatizar sem critério e ao desbarato a REN, a EDP, EGF, CTT, ANA e TAP. Entregou o ouro ao bandido e fê-lo sem sentido estratégico ou patriótico. Hoje os chineses dominam a energia elétrica em Portugal, num modelo neocolonial em que os colonizados somos nós. Os aeroportos são controlados pela mesma empresa que detém as pontes Vasco da Gama e 25 de Abril, pelo que as entradas na capital estão fora do controlo público, uma verdadeira ameaça à nossa segurança.




Não tem sido, pois, por falta de maiorias que o País chegou a este estado. Mas sim por falta de seriedade e por desrespeito pelas minorias.

domingo, agosto 16, 2015

As mentiras do Governo sobre os reais números do desemprego (29%) em Portugal


Por Nuno Serra - 29 de Julho de 2015


Conseguem as estatísticas oficiais reflectir adequadamente a realidade do desemprego em Portugal? Um primeiro exercício de resposta a esta pergunta foi aqui feito, há mais de meio ano, permitindo desmascarar os expedientes do governo para camuflar a verdadeira dimensão do problema. Nos termos desse exercício associaram-se, ao número oficial de desempregados, os desempregados ocupados, os inactivos desencorajados e os emigrantes em idade activa, assumindo que estas situações configuram formas de desemprego não reconhecidas pelas estatísticas oficiais. Posteriormente, essa análise seria revista e aprofundada, interpretando adicionalmente o subemprego como uma outra forma, mitigada, de desemprego. Ao actualizar as séries de dados para o primeiro trimestre de 2015 (a informação disponível mais recente), obtém-se o resultado que o gráfico seguinte procura traduzir.



Nestes termos:

1. Ao contrário do que diz a despudorada propaganda governamental, o desemprego não está a diminuir, sendo mais correcto falar na sua estabilização em patamares muito elevados. Com efeito, enquanto os números oficiais apontam para uma redução da Taxa de Desemprego na ordem dos 3,8 pontos percentuais, entre o primeiro trimestre de 2013 e o primeiro trimestre de 2015, a estimativa da Taxa de Desemprego Real mostra que essa descida é de apenas 0,4 pontos percentuais no mesmo período e de 0,5 pontos percentuais, caso se considere o Desemprego Real + o Subemprego.

2. Mesmo excluindo o subemprego (isto é, os activos empregados que trabalham a tempo parcial e que gostariam de poder trabalhar mais tempo) enquanto forma oculta de desemprego, uma estimativa realista da Taxa de Desemprego aponta para um valor que ronda os 25% no final do primeiro trimestre de 2015 (muito superior, portanto, aos 14% que os números oficiais apregoam). Para a divergência crescente entre estas duas taxas (Desemprego Oficial e Desemprego Real), conta sobretudo o contingente de desempregados ocupados (que passam de 23 mil em Março de 2011 para 161 mil em Março de 2015), bem como o volume de migrantes em idade activa, que constituem, no fundo, desempregados não contabilizados pelas estatísticas (apenas por terem saído do país) e que em termos acumulados passam de 12 mil para 322 mil, no período considerado.

3. Poderá argumentar-se que os números oficiais deixaram sempre de fora estas situações de desemprego, não reconhecidas como tal pelas estatísticas. E sendo isso verdade, há contudo aqui algo de substancialmente novo e que aponta para o peso crescente que essas formas ocultas de desemprego assumem, nos últimos anos, face ao desemprego total. Com efeito, se no primeiro trimestre de 2011 o Desemprego Oficial representava cerca de 61% do Desemprego Real, no período homólogo de 2013 já só representava 56% e, em Março de 2015, apenas 41%. Ou seja, a maior parte do desemprego que hoje existe em Portugal, nas suas diferentes formas, está estatisticamente oculto. Como se simplesmente não existisse.

Tem pois razão o Fundo Monetário Internacional quando afirma, como fez recentemente (contrariando o Secretário de Estado Bruno Maçães), que «Portugal precisa de 20 anos para regressar ao desemprego que tinha antes da crise». Da continuada estagnação do desemprego, nos níveis elevados em que a «austeridade expansionista» o colocou - e sem uma verdadeira alternativa às políticas de empobrecimento que a troika impôs e que o actual governo entusiasticamente abraçou - outra coisa não seria de esperar.

segunda-feira, agosto 10, 2015

O «paradoxo da produtividade», ou melhor, o fim do emprego e da propriedade privada dos meios de produção devido ao avanço exponencial da tecnologia




A informática e a robotização tendem a reduzir a zero os custos de produção e possuem a capacidade de diminuir drasticamente a necessidade de trabalho.

É por esse motivo que o produto interno bruto (PIB), que representa a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos, caracteriza cada vez menos a economia real.





Artigo retirado DAQUI

Tradução minha:

Porque é que a Internet não ajudou a economia americana a crescer tanto como os economistas esperavam?

Se esteve presente nalgum cocktail de economistas no mês passado, então ouviu provavelmente falar do e-book de Tyler Cowen, The Great Stagnation [A Grande Estagnação]. O livro procura explicar porque é que os salários médios cresceram tão pouco desde os anos 1970 e começaram a declinar na última década. Cowen aponta para um problema novo: até aos anos 1970, o país [EUA] estava ainda cheio de mercados acessíveis para alimentar o crescimento do Produto Interno Bruto. Nos 40 anos anteriores a 1970, inovações impressionantes na mudança e melhoria da qualidade de vida – como tinham sido a penicilina, os jardins-de-infância para todos, casas de banho, aviões, automóveis – tornaram-se, em 1970, mais difíceis de atingir, fazendo baixar as taxas de crescimento do mundo industrializado.




"Mas esperem"! Dirão muitos. Nos anos 1970, a indústria Americana começou a produzir tecnologias sensacionais para a mudança e melhoria da qualidade de vida. Tivemos calculadoras com gráficos, sistemas de processamento de dados, finanças modernas, GPS, chips de silício, ATMs, telefones celulares e uma data de outras inovações. Não terá a Internet, o mais revolucionário avanço tecnológico nas comunicações desde que Gutenberg inventou a imprensa, feito nada para o crescimento do Produto Interno Bruto? A resposta, os economistas concordam de um modo geral, foi: é pena, mas não – pelo menos, não tanto como seria de esperar.

Há um quarto de século atrás, com as novas tecnologias a saturarem os lares americanos e os negócios, os economistas olharam à sua volta esperando encontrar em algum lado crescimento induzido pela informática. Mas sinais de um aumento de produtividade ou de um reforço do crescimento eram pequenos e raros. Evidentemente, os computadores e a Web transformaram milhares de negócios e centenas de indústrias. Mas, no conjunto, as coisas pareciam estar na mesma. A taxa de crescimento do Produto Interno Bruto não aumentou significativamente, nem a produtividade. Como afirmou o economista Rober Solow em 1987: "É possível observar a influência do computador em tudo menos nas estatísticas da produtividade."




Surgiu todo um conjunto de teorias sobrepostas para explicar o fenómeno, muitas vezes designado o "paradoxo da produtividade." Talvez as novas tecnologias beneficiassem umas empresas e indústrias e prejudicassem outras, não permitindo um ganho líquido. Talvez os sistemas informáticos ainda não fossem suficientemente fáceis de usar de forma a reduzir o esforço dos trabalhadores para executarem uma determinada tarefa. Os economistas também colocaram a hipótese de que talvez fosse ainda necessário algum tempo – talvez bastante tempo – para que os ganhos se tornassem uma realidade. No passado, as tecnologias de informação tendiam a precisar de um período de incubação antes de produzirem ganhos no crescimento económico. Tome-se o caso da imprensa de Gutenberg: embora a tecnologia tenha transformado radicalmente a forma como as pessoas guardavam e transmitiam notícias e informação, os economistas não encontraram provas de que a imprensa tenha acelerado o rendimento per capita ou o crescimento do Produto Interno Bruto nos séculos XV e XVI.

Houve um momento em que alguns economistas pensaram que a idade do ouro induzida pela Internet tinha finalmente chegado nos finais dos anos 1990. Entre 1995 e 1999, as taxas de crescimento da produtividade excederam de facto as do boom do período 1913 – 1972, significando talvez que a Web e a computação tinham trazido finalmente a "Nova Economia". Mas esse período de veloz crescimento desvaneceu-se rapidamente. E alguns estudos descobriram que os ganhos desses anos não foram tão impressionantes e tão alargados como se pensara inicialmente. Robert Gordon, um professor de economia de Chicago, por exemplo, chegou à conclusão de que os computadores e a Internet ajudaram geralmente a aumentar a produtividade na produção de bens duráveis – ou seja, na produção de coisas como computadores e semicondutores. "O nosso tema central é que os computadores e a Internet não chegam ao nível das Grandes Invenções do fim do século XIX e princípios do século XX, e que, por isso, não merecem a classificação de Revolução Industrial," escreveu Gordon.

O trabalho de Gordon conduziu a outra teoria, esta defendida pelo próprio Cowen. Talvez a Internet não seja tão revolucionária como pensamos. Evidentemente, as pessoas podem tirar muito prazer dela – a sua tendência para melhorar a qualidade de vida das pessoas é inegável. E claro, pode ter revolucionado a forma como encontramos, compramos e vendemos produtos e serviços. Mas mesmo assim, tal não significa necessariamente que seja uma transformação da economia como foram, por exemplo, os caminhos-de-ferro.




Isto acontece em parte porque a Internet e os computadores tendem a reduzir os custos a zero, e têm a capacidade de reduzir a necessidade de trabalho. Você está, evidentemente, a ler este artigo de graça num site da Web sustentado financeiramente não por subscrições, mas por publicidade. Você lê provavelmente muitos artigos online, e presumivelmente não paga nada por isso. Por causa do declínio das subscrições, maior competição por dinheiro de publicidade e outras dinâmicas induzidas pela Web, os lucros e o emprego no jornalismo têm diminuído na última década. (O facto de Cowen escrever num blogue de acesso livre e publicar as suas ideias num e-book de 4 dólares em vez de num lustroso livro de capa dura de 25 dólares não pode deixar de ser salientado aqui.) Mais ainda, a Web e o sector tecnológico dependente dos computadores não emprega muita gente. Tal como não aumenta o número de trabalhadores: O Gabinete de Estatísticas do Trabalho calcula que o emprego nas tecnologias de informação será menor em 2018 do que era em 1998

Pode ser difícil acreditar que a Internet não tenha produzido um boom económico, Cowen admite. "Temos uma memória colectiva histórica de que o progresso tecnológico traz consigo uma grande e previsível fonte de receitas de um crescimento que abarca a maior parte da economia," escreve. "No que toca à Web, estas suposições mostram-se erradas ou enganadoras. Os sectores de maior rendimento da nossa economia têm vindo a diminuir e os maiores ganhos tecnológicos têm vindo de sectores de pouca rentabilidade."




Mas o rendimento não é sempre o objectivo final – mesmo em economia. Isto conduz-nos à explicação final: Talvez não seja o crescimento que é deficiente. Talvez aconteça que o parâmetro que usamos para o medir que não seja o adequado. O professor do MIT Erik Brynjolfsson explica o conceito utilizando o exemplo da indústria musical: "Pelo facto de tanto eu como você termos deixado de comprar CDs, a indústria musical contraiu-se, segundo os rendimentos e o Produto Interno Bruto. Mas nós não estamos a ouvir menos música. Nunca houve tanto consumo de música como hoje." O aumento da escolha, da variedade e da disponibilidade de música deve ter algum valor para nós – mesmo que seja difícil quantificá-lo. "No papel, e pela forma como o Produto Interno Bruto é calculado, a indústria musical está a desaparecer, mas na realidade não está. Estão a desaparecer as receitas da música mas não aquilo que mais nos interessa – que é a música."

À medida que as nossas vidas são cada vez mais vividas online, Brynjolfsson pergunta-se se isto se pode vir a transformar num grande problema: "Se todos nos concentrarmos a medir apenas a parte da economia que produz dólares, estaremos a deixar cada vez mais de fora aquilo que as pessoas apreciam e consomem. A discrepância será cada vez maior."

Mas arranjar uma medida alternativa do que produzimos ou consumimos baseado no valor que as pessoas obtêm do Wikipedia ou do Pandora (arquivo nacional australiano) mostra-se um desafio extraordinário – na verdade, nenhum economista jamais o fez. Brynjolfsson afirma que é possível, talvez, somando várias "mais-valias do consumidor," medidas em termos de quanto é que os consumidores estariam dispostos a pagar por um determinado bem ou serviço, versus o quanto eles pagam de facto (uma pessoa pode pagar $10 por um CD, mas porque é que o faria se este fosse grátis?). Isto pode dar uma ideia aproximada do valor em dinheiro daquilo que a Internet tende a fornecer de graça – e dar-nos um sentido alternativo do valor que as tecnologias têm para nós, senão mesmo, a sua capacidade de produzir crescimento e rendimento para nós.




Claro que, se as nossas tecnologias mais radicais e capazes de alterar a nossa vida não estão a aumentar os rendimentos ou a produtividade ou o crescimento, então ainda teremos problemas. Melhorias na qualidade de vida não põem o jantar na mesa nem pagam os benefícios da Segurança Social. Contudo, até mesmo Cowen não vê apenas nuvens negras no horizonte, com os rendimentos a estagnarem indefinidamente à medida que vamos produzindo cada vez mais online e perdendo cada vez mais emprego e dinheiro. Quem sabe que extraordinárias tecnologias podem estar ao virar da esquina?