Terminaram hoje os debates televisivos entre os cinco candidatos às eleições Presidenciais.
Qual a razão de ser de cada uma das candidaturas?
Jerónimo e Louçã
Acho-os parecidos. A diferença está, sobretudo na força política dos quais emanam. O PCP é mais articulado e mais sedimentado que o BE, e este tem tido uma imagem mais apelativa para os intelectuais e jovens urbanos da classe média.
Estas candidaturas têm razão de ser, embora se pudessem fundir. Ambos se propõem alterar o actual estado a que chegou a situação do País.
Também me parece que foram os melhores nos debates.
Alegre
Ainda não percebi nada do que disse.
Alegre alterou recentemente a sua intervenção política. Durante 30 anos limitou-se a ser uma espécie de consciência social do PS, um “grilo falante”. De vez em quando lançava uma farpazita ao seu partido, mas logo se encolhia e sempre que convinha lá estava ele ao lado da «estrutura partidária».
Quando se candidatou contra Sócrates já me pareceu que se estava a lançar para as Presidenciais, mas inesperadamente demorou demasiado tempo e deixou Soares se antecipar. Sampaio teria sido mais lesto.
Os debates foram uma desgraça para Alegre. Claramente não está habituado a discutir política, e a imagem poética esfumou-se.
Politicamente vá-se lá saber em que se distingue de Soares! Para isso teríamos de saber o que pensa Soares e...Já agora...Alegre!
Soares
Não consigo conter o riso, de cada vez que o vejo nos debates. Há 20 anos achava-o desonesto, hoje acho-o pândego!
Consegue dizer o que lhe convém conforme com quem está. Apesar da idade mantém a “ratice”. Sobre política é que pouco ou nada diz, mas também não regressou para isso. Candidatou-se, apenas porque lhe apeteceu um pouco de acção, de adrenalina, e porque avaliou mal a situação. Tal como Eanes pensou que era uma Super-Star e, que bastaria aparecer para ser aclamado.
Soares está-se nas tintas para o País e o País está-se nas tintas para Soares.
Cavaco
O que levou este «ente» a candidatar-se?!
Cavaco é parecido com Salazar. Ambos pouco cultos e pouco afáveis.
Politicamente também os acho parecidos. Cavaco teria feito, sem dificuldade, o percurso de Salazar se estivesse estado nas mesmas circunstancias que este encontrou nos anos 20 do Séc. XX. Poderiam ter sido merceeiros mas calhou que tivessem ido para as finanças.
Mas porquê Cavaco para a Presidência?
Nunca teríamos imaginado que Salazar ambicionasse o lugar de Américo Tomás, pois não? Então porque quer Cavaco ser Presidente, se este não tem poderes por aí além?
Passou os debates a falar em ajudar o Governo e a falar no desempenho dos seus Governos, em fazer com que o País volte a ultrapassar a Grécia como no tempo em que dispôs do grosso dos fundos comunitários e os malbaratou.
Se Cavaco se acha assim tão bom «a gerir o País como se gere uma família» (ou uma mercearia), porque é que não voltou para Primeiro-Ministro? Ter-lhe-ia sido fácil, bastava ter feito mais uma rodagem de um carro.
Eu acho, aliás, tenho a certeza que Cavaco é um imbecil como pessoa e, por isso, ficou com o mau perder de há 10 anos quando perdeu com Sampaio.
Cavaco não quer ajudar País nenhum a sair de crise alguma, quer apenas ser Presidente da República porque acha que lhe fica bem e porque ficou com aquela única derrota atravessada. Pretende deixar mais uma marca equivalente ao «Centro Comercial de Belém», ou à Ponte Cavaco da Gama.
Há 10 anos os ventos não lhe eram favoráveis mas agora são-no porque na altura das crises económicas o povo lembra-se sempre de um “Paizinho”, como se lembrou lá por 1926...











