No Expresso, João Vieira Pereira revolta-se contra a investida cerrada que Sócrates decidiu fazer aos bancos:«Depois de semanas menos boas, Sócrates abriu oficialmente a época de caça aos bancos»
«A fórmula é simples: quando tudo corre mal ataca-se a banca. Esta é uma das receitas vencedoras quando é preciso sacudir a pressão. É que banca reúne as condições ideais para ser usada como bode expiatório. Representa os ricos, os poderosos e ainda é para muitos, infelizmente, o símbolo máximo do capitalismo sem escrúpulos.»
«Uma imagem errada de um dos sectores de ponta da economia nacional. Temos uma das bancas mais eficientes da Europa e que só peca por não ter conseguido resolver o problema da sua dimensão.»
«Em vez de elogios, Sócrates aproveita-se da inveja generalizada para colher trunfos sobre o seu eleitorado. Depois de algumas semanas em que as coisas correram menos bem e em plena greve geral sacam-se novos trunfos da cartola. Abriu oficialmente a época de caça aos bancos.»
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«O que se antevê com esta nova caça às bruxas é que os bancos comecem a arranjar outras fontes de receitas, acabando o cliente por pagar este aumento de imposto. Não me espantava, por exemplo, que se voltasse em breve a discutir a inclusão de taxas no multibanco.»
«Sim, é verdade que a banca apresenta lucros fantásticos, e sim, é verdade que todos os anos crescem para valores astronómicos. Só que a banca não faz nada de ilegal e se de facto há um problema é na lei e não na banca. Se Sócrates quer criticar alguém que olhe primeiro para dentro do seu Governo onde muitos dos seus membros foram durante anos coniventes com esta situação.»
Comentário:
Mas estará de facto Sócrates a atacar a banca? A tal que apresenta lucros fantásticos? A tal que «sonegou indevidamento» os arredondamentos? A tal que funciona em cartelização? Ou esta «guerra» esconde algum tipo de cooperação mais profunda?Miguel Sousa Tavares – Expresso – 07/01/2006
«É como a Ota e o TGV: ninguém ainda conseguiu explicar direito a lógica de interesse público, de rentabilidade económica ou de factor de desenvolvimento. Mas todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos, não apenas os directamente interessados - os empresários de obras públicas, os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos - mas também flutuantes figuras representativas dos principais escritórios da advocacia de negócios de Lisboa. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. Não há nada pior e mais perigoso do que a relação dos socialistas com o grande dinheiro: são saloios, deslumbrados e complexados. E o grande dinheiro agradece e aproveita.»
«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro -, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre. Jogando com o que resta do património público, com o dinheiro que receberemos até 2013. Cá fora, na rua e frente a eles, estão os que acreditam que nada pode mudar, mude ou não mude o mundo. Sobreviveremos depois disso?»




