sábado, novembro 11, 2006

A Banca, sempre a Banca

No Expresso, João Vieira Pereira revolta-se contra a investida cerrada que Sócrates decidiu fazer aos bancos:

«Depois de semanas menos boas, Sócrates abriu oficialmente a época de caça aos bancos»

«A fórmula é simples: quando tudo corre mal ataca-se a banca. Esta é uma das receitas vencedoras quando é preciso sacudir a pressão. É que banca reúne as condições ideais para ser usada como bode expiatório. Representa os ricos, os poderosos e ainda é para muitos, infelizmente, o símbolo máximo do capitalismo sem escrúpulos.»

«Uma imagem errada de um dos sectores de ponta da economia nacional. Temos uma das bancas mais eficientes da Europa e que só peca por não ter conseguido resolver o problema da sua dimensão.»

«Em vez de elogios, Sócrates aproveita-se da inveja generalizada para colher trunfos sobre o seu eleitorado. Depois de algumas semanas em que as coisas correram menos bem e em plena greve geral sacam-se novos trunfos da cartola. Abriu oficialmente a época de caça aos bancos

(…)

«O que se antevê com esta nova caça às bruxas é que os bancos comecem a arranjar outras fontes de receitas, acabando o cliente por pagar este aumento de imposto. Não me espantava, por exemplo, que se voltasse em breve a discutir a inclusão de taxas no multibanco

«Sim, é verdade que a banca apresenta lucros fantásticos, e sim, é verdade que todos os anos crescem para valores astronómicos. Só que a banca não faz nada de ilegal e se de facto há um problema é na lei e não na banca. Se Sócrates quer criticar alguém que olhe primeiro para dentro do seu Governo onde muitos dos seus membros foram durante anos coniventes com esta situação.»



Comentário:

Mas estará de facto Sócrates a atacar a banca? A tal que apresenta lucros fantásticos? A tal que «sonegou indevidamento» os arredondamentos? A tal que funciona em cartelização? Ou esta «guerra» esconde algum tipo de cooperação mais profunda?


Miguel Sousa Tavares – Expresso – 07/01/2006

«É como a Ota e o TGV: ninguém ainda conseguiu explicar direito a lógica de interesse público, de rentabilidade económica ou de factor de desenvolvimento. Mas todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos, não apenas os directamente interessados - os empresários de obras públicas, os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos - mas também flutuantes figuras representativas dos principais escritórios da advocacia de negócios de Lisboa. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. Não há nada pior e mais perigoso do que a relação dos socialistas com o grande dinheiro: são saloios, deslumbrados e complexados. E o grande dinheiro agradece e aproveita

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro -, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre. Jogando com o que resta do património público, com o dinheiro que receberemos até 2013. Cá fora, na rua e frente a eles, estão os que acreditam que nada pode mudar, mude ou não mude o mundo. Sobreviveremos depois disso?»

quinta-feira, novembro 09, 2006

Weapons of Mass Destruction – WMD - What the Money can Do

Relembremos os verdadeiros motivos para a invasão do Iraque:

Money$, money$, money$, money$, money$, money$, money$, money$, e oito enormes bases militares que servirão para o assalto ao petróleo do Cáspio, assim a Rússia e a China estejam pelos ajustes.


Ouçamo-los a falar sobre a invasão, perdão, libertação do Iraque:

Vídeo – 5:19m

Halliburton

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quarta-feira, novembro 08, 2006

A incredulidade do governo americano face à audácia dos terroristas em 9/11

Os mais altos escalões do governo americano mostraram-se estupefactos quanto ao uso de aviões pirateados para ataques terroristas no fatídico 11 de Setembro de 2001:

Departamento da Defesa (DoD) – 23 de Outubro de 2001
General Richard Myers, Presidente do Concelho de segurança militar: “Detesto admiti-lo, mas nunca imaginámos uma coisa destas.”


The Boston Globe – 15 de Setembro de 2001
Senador Warren B. Rudman, perito em segurança nacional: “Este país não está em pé de guerra... Nós não temos aviões de caça em estado de alerta, carregados de mísseis e plantados nas pistas das bases militares neste país. Já não fazemos isso. Tivemo-los nos anos 70, e 60, ao longo da costa preocupados com uma invasão russa, mas esperar que caças americanos interceptassem aviões comerciais, sabe-se lá onde, é completamente irrealista e não faz sentido nenhum.”


CBS – 17 de Maio de 2002
Condoleezza Rice, Conselheira para a Segurança Nacional: “Não penso que alguém pudesse prever que estas pessoas iriam pegar num avião e atirá-lo contra o World Trade Center, pegar noutro avião e atirá-lo contra o Pentágono, que eles iriam utilizar um avião como se fosse um míssil, um avião sequestrado como um míssil.”


Comissão do 11 de Setembro, 23 de Março de 2004
Ministro da Defesa Donald Rumsfeld: “Não fazia idéia que aviões comerciais pirateados pudessem ser usados como armas.


E no entanto, segundo a CNN, antes do 11 de Setembro os militares levaram a cabo pelo menos um exercício desse género:

CNN – Entre 1991 e 2001, um sector regional do North American Aerospace Defense Command (NORAD), simulou um avião de passageiros estrangeiro a colidir com um edifício nos Estados Unidos como parte de um exercício de treino, afirmou um porta voz do NORAD:
















E, segundo o Guardian, foi sugerido um exercício em que um avião comercial pirateado iria embater no Pentágono:

The Guardian – 15 de Abril de 2004
Cinco meses antes dos ataque do 11 de Setembro, planeadores militares dos Estados Unidos sugeriram um jogo de guerra para treinar uma reposta a um ataque terrorista que utilizaria um avião comercial a embater no Pentágono, mas altas patentes rejeitaram o exercício por ser “demasiado irrealista”:

segunda-feira, novembro 06, 2006

Vitorino, o Senhor Terrorismo

Na RTP1 – 6/11/2006

As Notas Soltas de António Vitorino

[Vitorino sobre as eleições nos Estados Unidos] - É preciso dizer que, de alguma maneira, o presidente Bush, que se empenhou denodadamente nesta campanha, essa homenagem tem que se lhe prestar, ele não ficou nas encolhas, não fez cálculos eleitorais...

[Idem] - O governo Bush tem um trunfo na manga, que é a posição, relativamente ténue, dos democratas na luta anti-terrorista...


Judite de Sousa - a semana passada saiu uma sondagem em que George Bush é apontado como o homem mais perigoso do mundo, a seguir a Ossama Bin Laden.

Vitorino - Isso revela apenas que o presidente Bush é uma personalidade que polariza apoios, e polariza também grande oposição...


[Vitorino sobre a má imagem dos Estados Unidos] – É uma imagem que corresponde a uma ambiguidade enorme da comunidade internacional...


Vídeo – 1:54m

RTP - Vitorino sobre as eleicoes nos EUA

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domingo, novembro 05, 2006

Martial Law (b)Less America

Excerto do artigo de Miguel Sousa Tavares no Expresso – 4/11/2006

‘God bless America’

«… E foi o que se sabe: emergiu, após uma escandalosa batota eleitoral, esse medíocre do Bush-filho, estudante e empresário falhado, com a sua biografia militar e universitária declaradas confidenciais para que não se possa saber nunca a dimensão da sua mediocridade.»

«E George W. Bush perverteu a América, sem pudor nem consciência. Dinamitou todos os programas sociais e de integração de Clinton. Reduziu aos ricos o direito à saúde e à educação. Baixou os impostos às empresas, para que elas acumulassem lucros milionários, enquanto ele desbaratava o superavit recebido de Clinton. Recusou-se a ratificar o Protocolo de Quioto, já assinado pelos Estados Unidos, fazendo com que a nação mais poluente do mundo dê uma imagem de indiferença perante os problemas de aquecimento global do planeta. Autorizou a exploração de petróleo na zona altamente sensível do Alasca, de acordo com os interesses dos seus amigos e sócios da indústria petrolífera do Texas. Denunciou o tratado ABM, que tanto tinha custado a ser negociado com a Rússia, e acaba de declarar o espaço “zona de interesse militar e estratégico dos Estados Unidos, tal como a terra e o mar”. Recusou a admissão ao Tribunal Penal Internacional, promovendo o julgamento dos outros como réus de “crimes contra a humanidade”, mas excluindo os americanos acusados. Fez tábua rasa da centenária Convenção de Genebra sobre o tratamento dos prisioneiros de guerra, instaurando em Guantánamo a primeira prisão mundial onde os presos não gozam de qualquer estatuto nem direito, nem sequer o de se saber que estão presos. Instituiu países aliados como territórios de tortura livre para os seus prisioneiros, que para lá são transportados em aviões dos Estados Unidos, a fim de serem interrogados e torturados livremente por oficiais americanos, em total impunidade e clandestinidade. Promoveu a invasão do Iraque, depois de inventar e forjar provas de que o Iraque tinha armas de destruição maciça, para melhor servir os interesses do seus amigos da Halliburton, entre os quais o vice-presidente, Dick Cheney, e o maquiavélico secretário de Estado, Donald Rumsfeld. E, na semana passada, por instruções directas de Bush, os Estados Unidos foram o único país que votou nas Nações Unidas contra o comércio livre de armas de guerra.»

«Esta semana Bush vai a julgamento nas eleições legislativas americanas. Será uma ocasião decisiva para perceber se os americanos já realizaram finalmente os danos causados por este Presidente, que representa o que de pior e mais obscuro a América tem. Já vai sendo tempo de os Estados Unidos se reconciliarem com o mundo e nós com eles.»



Comentário:

Infelizmente, penso que ainda não será desta que o Uncle Sam fará as pazes com o mundo. A dúvida é se a zanga se irá manter apenas graças a outra «escandalosa batota eleitoral», semelhante às de 2000 e 2004, ou se os neoconservadores irão recorrer a outro trunfo: «Lei Marcial».

Public Law 109-364, or the "John Warner Defense Authorization Act of 2007" (H.R.5122), que foi assinada pelo comandante em chefe (Bush) a 17 de Outubro de 2006, numa cerimónia privada na Sala Oval, permite ao Presidente declarar “emergência pública”, estacionar tropas em qualquer ponto da América e tomar o controlo das unidades da Guarda Nacional sem o consentimento dos governadores ou das autoridades locais, de forma a suprimir «desordem pública».

sexta-feira, novembro 03, 2006

À conversa com o Diabo – Jon Stewart recebeu o ex-Procurador Geral dos EUA, John Ashcroft

Depois dos atentados do 11 de Setembro, Ashcroft foi um homem chave na promulgação do USA Patriot Act e, mais tarde do Domestic Security Enhancement Act of 2003.

Em Julho de 2002, Ashcroft propôs a criação da Operação TIPS, um programa nacional no qual os trabalhadores e funcionários do governo informariam as agências de segurança acerca de comportamentos suspeitos que encontrassem no cumprimento das suas funções.


Algumas frases soltas do diálogo:

Ashcroft: O debate fortalece os terroristas.

Ashcroft: eu disse que se evocarmos os fantasmas de liberdades perdidas, estamos a ajudar os terroristas.

Stewart: [sobre a informação que chega do Iraque] mas as televisões... Vejo imagens mais explícitas no Youtube...

Stewart: no seu livro, uma das ideias veiculadas é a do imperativo moral da severidade no que se refere aos detidos...


Vídeo – 10:28m

DS - John Ash

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quarta-feira, novembro 01, 2006

Em Bagdade os «Sunitas radicais» falam fluentemente a língua de Shakespeare, embora com pronúncia Yankee

Uma reportagem apresentada no telejornal da RTP1 no passado dia 30/10/2006 noticiava um atentado à bomba em Bagdade, que causou 33 mortos e mais de uma centena de feridos. Na reportagem a autoria do atentado é atribuída a iraquianos, enquanto no local, os autóctones culpavam os americanos:

Locutor: a bomba explodiu num praça em Sadr City, um bairro de maioria Xiita a leste de Bagdade. (...) A zona tem sido alvo por parte de «Sunitas radicais», mas no meio das vítimas e do caos, há quem procure outros culpados.

Iraquiano no local: não sabemos se foi uma bomba ou um morteiro (...) Foram os americanos que fizeram isto. É um acto de maldade.

Locutor: nas últimas horas, a «violência sectária» causou mais de oitenta vítimas mortais.

Vídeo - 1:28m

segunda-feira, outubro 30, 2006

Soares e Freitas – «Um diálogo de civilizações e uma chapada no Bush»

Contando com a presença de Diogo Freitas do Amaral, Mário Soares lançou em Madrid o livro «Um Diálogo Ibérico no Quadro Europeu e Mundial».

No FREI BENTO DOMINGUES

Para Soares, o ódio que os americanos e os ingleses têm vindo a semear no mundo árabe, com a invasão do Iraque, faz com que agora nem sequer possam integrar o corpo da ONU no Líbano. Pela força das circunstâncias, os americanos começaram a perceber que a sua ambição imperial só os prejudica. Bush criou uma crise gravíssima de credibilidade. A crise do petróleo, por ele criada, está a desestabilizar o mundo contra o império. Há uma contestação em toda a América Latina. E uma manifesta reserva mental dos países emergentes como a China, a Rússia e a Índia contra a política de Bush. Mesmo no Reino Unido. Ninguém respeita a posição de Israel que, aliás, está a ser muito contestado no plano interno. É algo que nunca se viu. De uma gravidade espantosa para o Ocidente».

Freitas do Amaral aplaudiu:

Vídeo – 2:32m:

sexta-feira, outubro 27, 2006

Bush – a parada está elevada (the stakes are high)

Mais um vídeo pleno de humor de Jon Stewart do Daily Show, onde se vê Bush abordar o problema iraquiano, o problema norte-coreano, o problema iraniano e a forma como dá ou não ouvidos aos seus generais.

Num rasgo de génio, Bush chega mesmo a afirmar que "Temos um jogo mais forte quando há mais pessoas a jogar as mesmas cartas..."


Vídeo - 8:55m

quinta-feira, outubro 26, 2006

Se Teixeira dos Santos não é um simples pau-mandado de Sócrates, então é um pau-mandado de quem?

No Jornal Expresso – 21/10/2006 - Fernando Madrinha, com baba a escorrer-lhe da boca, desfaz-se em elogios ao ministro das finanças Teixeira dos Santos:

Um ministro anti-herói


«Pelo que já se vai percebendo, Teixeira dos Santos não é um simples pau-mandado de Sócrates»

«Hoje, está claro que a bonomia e a humildade com que [o ministro das finanças Teixeira dos Santos] se apresenta aos portugueses não são sintomas de uma personalidade fraca; são traços de carácter genuínos que definem, sem artifícios, um homem sério e credível.»

«convicção e a segurança, mas também a humanidade com que fala de um orçamento pesado para a generalidade dos portugueses, em especial para os funcionários do Estado, dão de Teixeira dos Santos uma dimensão que não é a de um simples “pau-mandado de Sócrates”. E percebe-se, como sucedeu na entrevista concedida a Judite de Sousa, na quinta-feira, que a sua atitude é a de um homem de missão. Não a de um herói das Finanças que tem a fórmula do milagre português, mas a do anti-herói: alguém com forte sentido de serviço público, sem mais pretensão que não seja a de fazer o seu melhor para garantir que os sacrifícios hoje impostos terão valido a pena no fim do mandato. Essa é a grande questão que os portugueses se colocam. E a recusa de embarcar em políticas eleitoralistas daqui a dois anos se o défice não estiver consolidado abaixo dos três por cento é um compromisso do ministro das Finanças que também importa reter. Através dele, será possível aferir na altura se o Governo e, em especial, o primeiro-ministro, partilham esse compromisso.»

«Teixeira dos Santos pode chegar derrotado a 2009, ou até sair do Governo antes dessa data. Mas a imagem que vai projectando não é só a de um bom homem; é também a de um ministro capaz de inspirar confiança



Entretanto, no Diário Económico – 26/10/2006:

«Orçamento de Estado 2007 2006 - TGV e transportes absorvem metade do investimento»

«Mais de metade do programa de investimentos do Estado, terá como destino a rede de transportes. De uma assentada, o novo Orçamento entrega 2.514 milhões de euros (50,5% do PIDDAC) ao programa 24 – "Transportes" - , metade dos quais (1.268 milhões) serão destinados à integração do país nas redes transeuropeias. Por outras palavras, um quarto do PIDDAC terá como destino esta sub-rubrica, onde predomina o TGV

«Ontem, na apresentação do OE, Teixeira dos Santos confirmou estas previsões com uma certeza "a OTA e o TGV não estão em risco", sublinhou, mesmo sem se saber qual será o desenho final destes projectos ou o grau de interesse dos privados no seu financiamento.»



Comentário de Miguel Sousa Tavares (na mesma edição do Expresso):

«Em primeiro lugar, grave não é que se diminua o investimento em 3%: grave é que, enquanto se vai cortar em coisas que são importantes para estimular a economia ou defender a justiça social, se mantenha a aposta nos projectos megalómanos e irresponsáveis da Ota e do TGV para Madrid. Por que é que o PSD não faz disso cavalo-de-batalha? Porque, tal como sucede com o PS, nesses ruinosos projectos estão envolvidas as empresas que lhe garantem o grosso dos seus financiamentos, para onde os seus dirigentes esperam retirar-se mais tarde ou que os seus deputados/advogados irão patrocinar, após cessada a sua passagem pela política?»