sábado, novembro 25, 2006

A ingenuidade de Jaime Nogueira Pinto sobre o envolvimento do Irão na resolução do problema iraquiano

No Expresso de 25/11/2006, Jaime Nogueira Pinto teme uma saída à pressão dos militares americanos do Iraque e implora uma oportunidade para a "política" envolvendo a Síria e o Irão.

Give politics a chance!

(...) No Iraque, há 150.000 militares americanos, mais rapazes que homens, mais da ‘América profunda’ que das grandes cidades, na maioria soldados da ‘fiel infantaria’ e dos marines de que ninguém quer saber, desde que a ‘guerra’ se tornou ‘perdida’. Das centenas de correspondentes de há três anos, restam uma dúzia... Os oficiais vão, uma vez mais, ser os portadores das más novas e dos «body bags». Não há colonos: mas se a saída for à pressão, sunitas e shiitas vão bater-se ao carro armadilhado, à ‘kalash’, à faca, no caos das milícias meio-sectárias meio-crime organizado, pouco religiosas! Fora os ‘duros’ vão fazer esquecer a manipulação da «intelligence», a caução dada a charlatães e burlões como o sr. Chalabi. O Iraque, esse, ou vai reduzir-se a uma área fragmentada, uma espécie de super-Líbano dos anos 80, ou, mal menor, verá a ascensão de um dos generais do NIA - New Iraquian Army, (parece que há algumas brigadas capazes e Alá as conserve!) que conseguirá restaurar a ordem e segurança no que restar do país, repetindo um modelo ‘cesarista’; solução menos má mas nos antípodas da utopia do ‘novo Médio-Oriente’!

Será a altura de ‘dar’ à política uma «chance»? Por uma razão simples: os ‘argumentos’ dos Estados Unidos são mais poderosos perante os governos de Damasco, Teerão e Ramallah, que face a ‘guerrilheiros’ no terreno, no Iraque ou na Palestina. Foi assim na Guerra Fria com a União Soviética, patrono e patrão dos ‘terroristas’ de então e que os ‘controlou’ quando foi preciso. Agora pode resultar ou não, mas não há muitos mais caminhos.


Comentário:

Não obstante o ponderado optimismo de Jaime Nogueira Pinto, é de recear que a ocupação americana no Iraque se prolongue por décadas, e que a tentativa de chamar o Irão e a Síria para a mesa das negociações (que os EUA providenciarão para que se revele um fracasso), seja apenas um pretexto para invadir e ocupar também estes dois países.

No discurso do "Estado da União", Bush afirmou que as forças armadas americanas retirariam do Iraque à medida que as forças iraquianas se aguentassem sozinhas. Contudo esta afirmação é candidamente contrariada pelas bilionárias despesas do Pentágono na construção de 106 bases permanentes – incluindo seis super-bases de alta tecnologia – dentro do Iraque.

Haverá alguma razão para que os media dominantes norte-americanos não falem destas 106 bases, e porque é que o Congresso não debate os projectos de construção do Pentágono? A resposta mais simples é que o complexo mediático do governo considerou o assunto tabu porque revela a intenção dos EUA de ocupar o Iraque militarmente durante décadas.

Na realidade, a retórica de retirada de Bush é apenas propaganda. Estas super-bases militares têm outro objectivo que passa por lançar e supervisionar a próxima guerra contra o Irão, o vizinho mais rico em petróleo do Iraque.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Boaventura de Sousa Santos - o intenso debate em curso sobre o 11 de Setembro

Boaventura de Sousa Santos é doutor em sociologia do direito pela Universidade de Yale e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

Os Governos Mentem

Publicado na Revista Visão em 12 de Outubro de 2006


(...) Acresce que as possibilidades de manipulação dos media nunca foram tão grandes (a politização dos media) como contrapartida do imenso mercado mediático em que a política se transformou (a mediatização da política). Nestas circunstâncias tornou-se mais fácil e mais necessário mentir sempre que a manutenção do poder está em causa. E, pelas mesmas razões, tornou-se cada vez mais difícil encontrar jornalistas e órgãos de comunicação social dispostos a fazer investigação séria que contrarie com fundamento as versões oficiais.

Um dos países em que este problema tem hoje mais acuidade são os EUA. Neste país, as versões oficiais têm tradicionalmente um enorme peso e tendem a ser reproduzidas como verdadeiras sem mais averiguações pelos grandes media. Os jornalistas que as questionam têm sido marginalizados, como aconteceu a I. F. Stone. A verdade é que ao longo dos últimos cem anos foram muitos os casos em que o governo mentiu, como se veio mais tarde a verificar, muitas vezes a partir de... fontes oficiais. As mentiras envolveram quase sempre decisões importantes que justificaram intervenções militares em países estrangeiros.
Assim, continua hoje por esclarecer a causa da explosão no navio de guerra Maine em 1898 no porto de Havana que mobilizou o país para a guerra contra a Espanha com o objectivo de libertar Cuba (saiu a Espanha entrou a United Fruit Company). Sabe-se hoje que o segundo ataque norte-vietnamita no Golfo de Tokin em 1964 foi, de facto, forjado pelos serviços secretos com o fim de justificar a escalada da guerra no Vietname; que o ataque à fábrica de produtos farmacêuticos do Sudão em 1998 foi ordenado por Clinton sabendo que ela não produzia armas químicas; que o FBI nunca teve provas que ligassem a Al Quaeda a Saddam Hussein; que o governo teve conhecimento detalhado do ataque em preparação às Torres Gémeas e nada fez para o impedir; que à data da invasão do Iraque o governo sabia que não havia armas de destruição maciça; que a luta contra o terrorismo, longe de estar a ter êxito, está a provocar mais terrorismo, estando hoje o país menos seguro que em 2001.

A acumulação recente de mentiras e a revolução nas tecnologias da informação e da comunicação explica o que, à primeira vista, seria impensável: o intenso debate em curso sobre a verdadeira causa do ataque às Torres Gémeas (estaria o governo envolvido?), sobre o colapso das Torres (resultado do impacto ou de explosivos pré-posicionados nos andares inferiores?) sobre o ataque ao Pentágono (avião ou míssil?). O debate envolve cientistas credíveis e cidadãos do "movimento para a verdade do 11 de Setembro", e ocorre quase totalmente fora dos grandes media e sem a participacao de jornalistas. Será que a internet, os vídeos e os telemóveis tornam a mentira dos governos mais difícil?


Comentário:

«tornou-se cada vez mais difícil encontrar jornalistas e órgãos de comunicação social dispostos a fazer investigação séria que contrarie com fundamento as versões oficiais»

É difícil encontrar uma descrição tão fidedigna de homens como Henrique Monteiro, Pacheco Pereira, Vasco Graça Moura, José António Saraiva, etc.

Vicente Jorge Silva - O triunfo das teorias da conspiração

O triunfo das teorias da conspiração

Diário de notícias - Quarta, 27 de Setembro de 2006

Segundo o respeitável The New York Times, um relatório confidencial dos 16 serviços secretos dos Estados Unidos, produzido ao longo dos últimos dois anos, conclui que a invasão do Iraque provocou um alastramento do fundamentalismo islâmico, do terrorismo internacional e das ameaças à segurança interna da América. Há duas ou três coisas verdadeiramente extraordinárias nessa conclusão.

A primeira é que uma rede tão extensa de entidades secretas levou dois anos a diagnosticar o que um qualquer observador sensato e não padecendo de cegueira ideológica aguda já se apercebera há, pelo menos, dois anos atrás. A segunda é o contraste demasiado flagrante entre a conclusão dos 16 serviços secretos e a doutrina oficial vigente na Casa Branca, o que suscita infinitas perplexidades sobre como é possível que o eixo principal da política externa dos Estados Unidos assente num equívoco de tal magnitude sem precedentes. Daí decorre uma terceira coisa extraordinária: se a comunidade dos serviços secretos conclui exactamente o contrário do que é defendido pela Administração da única superpotência planetária, esse divórcio ameaça conduzir a uma situação catastrófica de descrédito e erosão global da autoridade americana.

Face a tudo isto, é possível colocar hipóteses mais ou menos loucas: admitir, por exemplo, que os serviços secretos -16, ainda por cima - não servem rigorosamente para nada, ou que a política de segurança e hegemonia imperial americana pode prescindir, contra toda a evidência, das actividades, informações ou diagnósticos desses serviços - e fazer o oposto do que eles concluem. A partir daqui, a Casa Branca domesticaria radicalmente a CIA e demais agências, transformando-as em meros apêndices propagandísticos da sua política e mergulhando-as no mesmo autismo suicidário que levou a KGB a não pressentir a implosão do império soviético. Resta um cenário alternativo, à medida das célebres teorias da conspiração: os serviços secretos aparecem como uma espécie de quinta coluna ou inimigo interno, apostados em derrubar o poder político legítimo (como já se viu, aliás, em tantas ficções cinematográficas e televisivas).

As especulações delirantes fazem parte do imaginário americano, como são as de um recente e muito impressionante documentário "conspirativo" sobre o 11 de Setembro: Loose Change, de Dylan Avery, exibido há dias na 2 Mas, para já, a Casa Branca encarregou-se de desvalorizar o relatório dos serviços secretos ou a forma "tendenciosa" e "truncada" como foi publicitado pelo The New York Times. Depois, é sempre possível atribuir subrepticiamente às secretas a velha responsabilidade por grosseiros erros de análise e falta de perspectiva política (invocando até as falhas clamorosas que a CIA e outras agências evidenciaram antes e depois do 11 de Setembro).

Só que, desta vez, as costas largas das secretas já não parecem ser tão largas como eram para carregar sobre elas o aventureirismo missionário da Administração Bush. Em todo o caso, se o conjunto dos serviços de informações subscreve em peso um relatório que põe radicalmente em xeque a intervenção no Iraque - considerando-a responsável pela expansão do terrorismo -, isso não pode deixar de provocar um curto-circuito mortífero na credibilidade da Casa Branca. Quando os índices de confiança da população americana em George W. Bush caíram para níveis históricos a dois meses de eleições cruciais, esta revelação ameaça converter definitivamente Bush naquele pato coxo a que se referia, há tempos, The Economist.

Se a política iraquiana dos Estados Unidos acabou - conforme reconhecem os 16 serviços secretos americanos - por funcionar como aliada objectiva da irradiação do terrorismo, não é de surpreender que o terreno seja hoje particularmente propício às teorias conspirativas. É o caso, precisamente, de Loose Change, onde se manipulam as perturbadoras incongruências oficiais, os fios misteriosos e os buracos inexplicados do 11 de Setembro (e eles não faltam, aliás, no ataque ao Pentágono e no próprio desabamento das Torres Gémeas) para "demonstrar" que tudo não passou de uma tenebrosa conspiração da América contra si própria - como se a Al-Qaeda ou Ben Laden nunca tivessem existido ou fossem criações virtuais dos sinistros poderes ocultos americanos.

No entanto, depois da fantasia grosseira das "armas de destruição maciça" no Iraque e do palco que ali foi oferecido ao terrorismo, não será compreensível o fascínio mórbido por conspirações loucas e absurdas? Não serão elas eventualmente mais imaginativas e excitantes do que as mentiras toscas, a imbecilidade ideológica ou a incompetência militar e política - tão inverosímil que parece "conspirativa" - da Administração Bush?


Comentário:

«...as perturbadoras incongruências oficiais, os fios misteriosos e os buracos inexplicados do 11 de Setembro (e eles não faltam, aliás, no ataque ao Pentágono e no próprio desabamento das Torres Gémeas)...»

«... as mentiras toscas, a imbecilidade ideológica ou a incompetência militar e política - tão inverosímil que parece "conspirativa" - da Administração Bush?»

É perceptível a vontade de Vicente Jorge Silva em gritar o óbvio a plenos pulmões. Já faltou mais.

terça-feira, novembro 21, 2006

Target: USA – Alvo: Estados Unidos

Durante um dia inteiro, a CNN fez um levantamento de todas as situações em que poderiam ocorrer ataques terroristas nos Estados Unidos, programa a que deu o nome de: «Target – America». Jon Stewart, do Daily Show, com um humor excepcional dá-nos os pormenores.

Jon Stewart:
- Portanto o que a CNN nos está a dizer é que somos vulneráveis em todo o lado. O perigo está circunscrito a localizações geográficas. Vocês sabem: lugares.


Vídeo – 4:32m:

DS - CNN Fear Factor legendado

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segunda-feira, novembro 20, 2006

Marcha para a guerra: NATO - SCO

Formação de uma Aliança Militar na Eurásia?

Desde Agosto de 2006 que a Rússia, a China, o Casaquistão, o Uzbequistão, o Tajiquistão e o Quirguistão têm efectuado conjuntamente manobras militares e exercícios anti-terrorismo. Estas operações foram supervisionadas pela Shanghai Cooperation Organisation (SCO) e/ou Organização do Tratado de Segurança Colectiva (CSTO) (com o envolvimento da Comunidade de Estados Independentes (CIS). Estas manobras militares foram efectuadas na mesma altura em que o Irão esteve também envolvido em importantes manobras militares.

A expansão da SCO e a total inclusão do Irão como membro de pleno direito foi contestada pela Comissão de Helsínquia (a Comissão de Segurança e Cooperação na Europa) num inquérito (em 26 de Setembro de 2006) quanto ao impacto da SCO sobre os objectivos anglo-americanos e a influência dos EUA na Ásia Central.

Afirmou-se que a expansão da SCO seria pouco provável porque a "missão económica da SCO parece estar mal definida" e que a organização não parece disposta a admitir novos membros que podem acabar por competir com a Rússia e a China pelo controlo da Ásia Central. Também foi assinalado durante as audiências da Comissão de Helsínquia que "eles [os membros da SCO] estão interligados por um conjunto partilhado de interesses de segurança e um conjunto partilhado de riscos previstos".

"Interesses de segurança e riscos previstos" são subentendidos para a crescente ameaça de intrusão anglo-americana nas ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central.

As manobras militares efectuadas na ex-União Soviética e na Ásia Central foram dominadas pela Rússia e pela China. Foram efectuadas sob o disfarce de combate ao "terrorismo, ao extremismo e ao separatismo". O terrorismo, o extremismo e o separatismo são áreas críticas de cooperação para todos os estados membros. Qual é a agenda oculta? Estarão estas manobras militares relacionadas com os preparativos dos EUA para a guerra?

O terrorismo, o extremismo e o separatismo são alimentados pelas operações dos serviços secretos anglo-americanos, que incluem sabotagem e ataques terroristas feitos por Forças Especiais. O incitamento de tensões étnicas, ideológicas e sectárias e as movimentações separatistas têm sido uma marca tradicional da estratégia anglo-americana no Médio Oriente, nos Balcãs, na Índia, no Sudeste Asiático, na ex-União Soviética e em África.

Quanto à manipulação e criação do extremismo, o Afeganistão é testemunho desta estratégia. Foi no Afeganistão que os ISI paquistaneses e os Estados Unidos ajudaram a criar os talibãs para lutar contra a União Soviética. Os Estados Unidos, o Paquistão e a Arábia Saudita também contribuiram para apoiar movimentos extremistas na ex-União Soviética. Esta é uma das razões por que o governo iraniano se manteve silencioso quanto à ajuda ou ao reconhecimento de movimentos separatistas ou ideológicos baseados na religião no Cáucaso e na ex-União Soviética, incluindo a Tchechénia.

sábado, novembro 18, 2006

Ossama? Quero lá saber do Ossama para alguma coisa!

George W. Bush numa conferência de imprensa na Casa Branca, em Março de 2002:


Jornalista: Mas não acha que a ameaça que bin Laden coloca não será completamente eliminada enquanto ele não for encontrado morto ou vivo?

Bush: Bom, como eu disse, não temos ouvido falar muito dele e eu não sei onde é que ele está...

Bush: Repito o que disse, não estou verdadeiramente muito preocupado com ele...


Vídeo – 51 segundos:

Bosh not concerned

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sexta-feira, novembro 17, 2006

Pacheco Pereira, o indomável marinheiro da mentira, navega corajosamente pelas águas turvas da propaganda

José Pacheco Pereira – Jornal Público 16/11/2006

As minhas razões pró-americanas


«Para lá da ganga espessíssima de hostilidade em que está envolvido tudo o que diga respeito a Bush, o problema que subsiste desde o 11 de Setembro é o mesmo: estamos ou não em guerra, qual a natureza dessa guerra, como é que ela se pode ganhar. (...)»

«Voltemos à origem, aos dias seguintes ao 11 de Setembro. Os americanos, povo, partidos republicano e democrata, e Administração Bush consideram-se em guerra. Guerra contra quem? Contra o fenómeno do radicalismo muçulmano no conjunto de todas as suas ramificações, não apenas o fundamentalismo da Al-Qaeda, mas todo o arco de extremismo antiamericano (e de passagem anti-israelita) que geravam um pano de fundo de instabilidade intratável no Médio Oriente. Esta percepção de que seria necessário defrontar todo o radicalismo islâmico e não apenas um grupo fundamentalista foi uma consequência do impacto do 11 de Setembro. (...)»

«Para mim, o cerne racional que conduziu à invasão do Iraque encontra-se na conjugação desta série de decisões: considerar como um acto de guerra os eventos do 11 de Setembro; resolver ir mais longe do que uma resposta antiterrorismo, acrescentando a disposição de intervir com forças militares, incluindo a invasão de países estrangeiros, de modo a actuar-se de forma suficientemente drástica para alterar a relação de forças no Médio Oriente a favor dos moderados. (...)»

«Seja o que for o que aconteça, as raízes do problema do radicalismo islâmico e os seus efeitos não mudam com o "diálogo", mudam só pela força ou pelo receio da força. Os atentados fundamentalistas não vão parar e podem, com o novo armamento biológico disponível, assumir um carácter de perturbação social sem paralelo no passado. (...)»

«(...) Churchill [Pacheco traça um paralelo com Bush] foi duramente atacado, mas, por muitos erros que cometesse, aquele era o lado, porque numa guerra há lados, mesmo quando Deus não parece estar em nenhum lado. Fica esta prevenção para que se perceba que este é um barco de que não tenho nenhuma intenção de sair, em particular quando ele atravessa os seus mais perigosos estreitos.»



Comentário:

Pacheco, num rasgo de bravura, afirma não ter intenções de sair do barco onde decidiu destemidamente embarcar. No entanto, quando as vagas alterosas da verdade o enviarem, como cúmplice pago de uma administração genocida, para o banco dos réus de um tribunal internacional, Pacheco vai ter de responder a várias questões:

Porque caiu o Edifício nº 7 do World Trade Center se não sofreu o embate de nenhum avião?

Porque é que a Força aéra não reagiu e não interceptou os aviões sequestrados?

O que é que realmente aconteceu a 11 e Setembro de 2001?

E finalmente, quanto é que lhe foi pago para mentir despudoramente nos jornais e na televisão sobre o atentado do 11 de Setembro, sobre a «guerra ao terrorismo» e sobre o «cerne racional» que conduziu à invasão do Iraque e à morte de muitas centenas de milhar de pessoas.

quarta-feira, novembro 15, 2006

A indústria do terrorismo e António Vitorino

Jon Stewart do Daily Show entrevista John Mueller, autor do livro Overblown (exagerado). O autor discorre sobre a indústria do terrorismo e a quem é que ele aproveita. No fim, qual cereja em cima do bolo, surge o inefável António "sebáceo" Vitorino a dizer de sua justiça.


Excertos do diálogo:

Mueller - Os políticos e outros membros da indústria do terrorismo aproveitam-se desses medos.


Stewart - Quem está na indústria do terrorismo?

Mueller - Políticos, burocratas, a imprensa, pessoas com máquinas de raio-x para vender. É do interesse deles manter o medo instalado.



Vídeo - 5:07m

DS - A industria do terrorismo

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terça-feira, novembro 14, 2006

11 de Setembro de 2001 - um dia difícil mas uma grande oportunidade.

Daily Show - 9 de Agosto de 2006

Esta foi a resposta do “Correspondente para os assuntos do Médio Oriente» Aasif Mandvi, do Daily Show, à pergunta de Jon Stewart sobre a descrição que a Secretária de Estado Condoleezza Rice fez da horrível violência no Médio Oriente, chamando-lhe «dores de parto». Rice acrescentou também que cada crise traz consigo uma oportunidade.


Aasif: … todos os dias os cafés e os mercados do Médio Oriente explodem de expectativa. Somos como crianças numa manhã de Natal.

Jon Stewart: Eu disse, quando eu vi as notícias, as pessoas pareciam mesmo zangadas... As pessoas gritavam iradamente.

Aasif: A Secretária de Estado Rice disse: vão haver dores de parto aqui. E sabes como as pessoas tendem a gritar, e a dizer coisas que não querem quando estão num parto. Disparates do tipo "como é me pudeste fazer uma coisa destas?", ou "morte à América".

Jon Stewart: Então não há ressentimentos pelas mudanças terem sido impingidas aí?

Aasif: Não, não, de forma nenhuma. Ao longo dos anos, habituámo-nos a pensar em nós como vocês pensam de nós: minúsculas gotas abstractas num possível campo petrolífero. Estamos sempre desejosos de experimentar as últimas teorias dos vossos cientistas políticos.

Jon Stewart: É uma forma incrível de enfrentar uma situação terrível.

Aasif: Penso que não é diferente da forma como a vossa nação reagiu aos acontecimentos do 11 de Setembro. Um dia difícil, uma grande oportunidade.

Jon Stewart: Acho que nós não... nós não o vimos dessa maneira.

Aasif: Bom, parece que nem toda a gente sabe como reagir quando uma oportunidade lhe deita a casa abaixo.


Vídeo – 4:18m

DS - forced perspective legendado

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domingo, novembro 12, 2006

Henrique Monteiro do Expresso escreve ao director do MI 6

Numa epístola plena de angústia, Henrique Monteiro (nome de código - Comendador Marques de Correia), escreve ao director dos serviços secretos britânicos, dando-lhe conta das trapalhadas que tiveram lugar na reunião dos comunistas internacionais em Lisboa, trapalhadas que não lembrariam nem ao Dan Brown, nem aos tipos todos das teorias da conspiração:


A Internacional silenciosa

Jornal Expresso - 11 de Novembro de 2006


Meu caro Director do MI 6

«Escrevo-te no dia em que passam 89 anos sobre a data da grandiosa Revolução de Outubro, a revolução soviética - também conhecida por aquele malfadado dia em que os bárbaros invadiram o Palácio de Inverno em São Petersburgo e deram cabo do champanhe todo - para te dar conta de uma coisa absolutamente incrível.»

«E a coisa quase incrível é esta: por um processo que nem ao Dan Brown e aos tipos todos das teorias da conspiração alguma vez lembrou, somos capazes de escutar coisas que ainda não aconteceram. Foi o que se passou com a reunião dos comunistas internacionais em Lisboa, que era para ser num sítio secreto mas que, afinal, é num hotel em frente da sede do PCP.»

A agenda dos trabalhos, de acordo com os nossos informadores, era bastante difícil de estabelecer. Isto porque cada partido tem a sua mania e nenhuma delas agrada aos outros.

«Por exemplo: os tipos da FARC, que aliás não vêm, mas mandam uma mensagem, adorariam fazer uma comunicação sobre raptos, tráfico de droga e assassínios políticos…»

«O mesmo se passa, aliás, com o Partido Comunista da Coreia do Norte. Este partido queria fazer uma comunicação ao Congresso intitulada: «A Bomba Nuclear - uma forma limpa de acabar com o capitalismo e com o pessoal todo que não tem uma admiração profunda, sincera e sem reservas pelo nosso querido líder Kim Jong Il, ou seja, para acabar com toda a gente menos um punhado de pessoas que são amigas dele, seja por interesse ou por medo de levarem com a bomba» (era este o título completo da comunicação). Foi recusada!»

«E foi um sucesso. A reunião que vai decorrer este fim-de-semana e que nós já escutámos por antecipação, saldou-se num enorme reforço da cooperação e compreensão entre os povos. Vais ver se o comunicado final não é isso que diz.»

«E leva um abraço do teu fiel espião (nas horas vagas)»

«Comendador Marques de Correia»



Comentário:

Tendo Henrique "Comendador" Monteiro toda a razão no que toca à barafunda que constituiu este simpósio de comunistas, é contudo pouco avisado reportar estes tristes acontecimentos ao director do MI6. Porque, no que toca a balbúrdias, estes serviços secretos ingleses são praticamente imbatíveis:


Relembremos o dia 7 de Julho de 2005:

O diálogo seguinte teve lugar na tarde do dia dos atentados (7 de Julho de 2005) na rádio da BBC 5. O repórter da BBC entrevistou Peter Power, Director Chefe da empresa Visor Consultants, que se define a si própria como uma empresa de consultoria para a “gestão de crises”. Power é um ex-funcionário da Scotland Yard:

POWER: Às nove e meia da manhã estávamos efectivamente a realizar um exercício, utilizando mais de mil pessoas, em Londres, exercício esse baseado na hipótese de acontecerem explosões simultâneas de bombas, precisamente nas estações de metro onde elas aconteceram esta manhã, por isso ainda estou estupefacto.

BBC: Sejamos claros, você estava e efectuar um exercício para testar se estavam à altura de um acontecimento destes, e ele aconteceu enquanto faziam o exercício?

POWER: Exactamente, e foi cerca das nove e meia da manhã. Nós planeámos isto para uma empresa, que por razões óbvias não vou revelar o nome, mas eles estão a ouvir e vão sabê-lo. Estava numa sala cheia de gestores de crises e, em menos de cinco minutos, chegámos à conclusão que aquilo era real, e portanto passámos dos procedimentos de exercícios de crise para uma situação real.

As declarações de Peter Power na BBC 5 estão AQUI.


O Sr. Power repetiu estas declarações na televisão (ITN). O clip de vídeo de dois minutos está disponível AQUI.