José Manuel Fernandes – Jornal Público, 28 de Novembro de 2006José Manuel Fernandes, naturalmente preocupado com a excessiva aproximação da União Europeia a Moscovo, frisa que "é preciso, de uma maneira ou de outra, deixar muito claro a Putin os limites do seu poder".
E discorre, sem ilusões, sobre o assassínio de Litvinenko:
«Curiosamente, o Presidente ucraniano Viktor Iushcenko venceu nessa altura as eleições e o braço-de-ferro com Putin com a cara desfigurada por uma estranha "doença" que veio a saber-se ser o resultado de envenenamento por tálio. Foi esta a primeira suspeita dos médicos britânicos quando receberam o ex-espião do KGB Alexander Litvinenko num hospital de Londres para assistirem à sua lenta mas inexorável agonia. Desta vez, contudo, o método de envenenamento foi aparentemente mais sofisticado: polónio - 210, segundo os peritos apenas acessível a instituições muito poderosas e de vastíssimos recursos. Ninguém pode apontar o dedo directamente ao Kremlin. Mas vale a pena ler o relato do colunista do The Observer, Henry Porter, da última vez que ouviu o ex-espião russo falar em Londres, no Frontline Club, perante muitos jornalistas. "Anna veio ter comigo para perguntar-me coisas sobre o FSB (Serviço Federal de Segurança). Depois do seu livro A Rússia de Putin ter sido publicado, recebeu várias ameaças directamente do Kremlin. Perguntou-me: eles podem matar-me? E eu respondi-lhe com toda a franqueza: podem. E aconselhei-a a sair do país, pelo menos durante algum tempo. Putin fez-lhe chegar ameaças através de um dos seus amigos (...). Estou absolutamente convencido de que só uma pessoa na Rússia podia mandar matar Anna, com toda a sua fama e o seu estatuto: Putin."»
«São simples alegações. Outras haverá igualmente procedentes. Mas, como diz Porter, a verdade é simples: dois dos mais veementes críticos de Putin foram assassinados no último mês. E isto diz muitíssimo sobre o que é a Rússia hoje.»
Comentário:
A responsabilidade pelo assassinato de Litvinenko, que contribuiu, a par do veto polaco, para o fracasso da cimeira União Europeia - Rússia em Helsínquia, parece não deixar dúvidas a ninguém:
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