quarta-feira, dezembro 06, 2006

A perfeita inutilidade das eleições intercalares na América

A futilidade de um processo eleitoral onde os eleitos já estão determinados à partida e o dinheiro fala sempre mais alto. Nas presidenciais ainda há a emoção de descobrir qual é o criminoso que vai ocupar a Casa Branca. Nestas, nem isso.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Blogue «O Insurgente» – Crónica de uma morte anunciada?

O Insurgente

De um dia para o outro, o blogue «O Insurgente» deixou de ter comentaristas. Não obstante a catadupa de posts colocados pelo seu mentor, André Azevedo Alves, a caixa de comentários permanece intrigantemente vazia. Dar-se-á o caso deste blogue ter seguido por um obscuro caminho de radicalização e de degenerescência, onde a própria direita tem alguma dificuldade em se rever?

A rigidez do discurso, a inflexibilidade do pensamento e a estreiteza de conceitos tornaram-se a imagem de marca deste blogue. Armados com premissas «não negociáveis», a saber, a crença absoluta nas superiores vantagens do liberalismo económico total, a fé cega nos bons desígnios da administração norte-americana e afundados num catolicismo de carácter fundamentalista, estes bloggers parece trilharem um rumo crescentemente autista em relação a uma realidade que constantemente os contradiz. Perante os factos, rejeitam à priori quaisquer argumentos que não caibam na sua visão minimalista, e reagem repetindo os mesmos chavões, vezes e vezes sem conta, como acontece com um adventista do sétimo dia.

Realidades como o desemprego, a contínua diminuição do poder de compra e a miséria crescente nos países desenvolvidos, as dúvidas levantadas sobre os acontecimentos do 11 de Setembro, as guerras sustentadas em mentiras, e as mortes de mulheres que abortam em vãos de escada, pura e simplesmente não existem. Não encaixam na percepção obstinada e esquizofrénica que têm do mundo. E são como tal rejeitadas.

Deixo aqui um pequeno vídeo sobre a realidade «insurgente», ou será antes um Requiem - Mors ultima linea rerum est?

Vídeo - 2:28m

Requiem pelo Insurgente

Add to My Profile More Videos

segunda-feira, dezembro 04, 2006

O ministro da Defesa Donald Rumsfeld despede-se, contrariado, da América

Jon Stewart, do Daily Show, com o humor que lhe conhecemos, pede desculpa ao ministro da Defesa, Donald Rumsfeld, pela incompreensão da América à guerra que este teve o génio de iniciar:

- Donald (Rumsfeld), deixe-me pedir desculpa por esta gente burra, os sessenta a setenta por cento que não percebem como esta guerra está a correr tão bem. É demasiado difícil.

- Que tipo de pessoa olha para as baixas, o caos, o custo, a tua inflexibilidade administrativa e não pensa – vamos manter o rumo? Só um idiota de merda, claro!

- Tu tentaste explicar-nos, tu tentaste, mas nós temos uns cérebros tão pequeninos...

- O mundo não te merecia. É como o nosso Van Gogh. Só que a tua tela é a Terra e em vez de pinceladas utilizas bombas de penetração subterrânea.


Vídeo – 6:05m

DS - Rumsfeld depede-se da America

Add to My Profile More Videos

domingo, dezembro 03, 2006

Luís Costa Ribas da SIC - As teorias da conspiração nunca têm provas plausíveis

O jornalista da SIC Luís Costa Ribas voltou aos Estados Unidos para acompanhar o quinto aniversário dos atentados do 11 de Setembro. Do Ground Zero dá-nos a sua opinião abalizada:

Impressões do 11/9 cinco anos depois

«Do lado oposto, na Church Street, perto da entrada para a estação de metro do World Trade Center, havia uma ruidosa manifestação de defensores de teorias da conspiração, e protestos sortidos contra George W. Bush. Mas fora disso, a vedação do "ground zero" estava rodeada de pessoas silentes, imóveis, contemplativas.»

«Mas o contraste entre estes dois grupos faz justiça àquilo que é a América real: vibrante, irrequieta, difícil de contentar. Sou por natureza contra as teorias da conspiração que militam contra a base factual das teorias aberta. apresentam suspeitas sobre falhas lógicas nas explicações públicas, mas nunca têm provas plausíveis

«Tome-se, por exemplo, o avião que destruiu uma parte do Pentágono: há testemunhas que viram o avião da American Airlines voar sobre o local, aproximar-se do chão, partir uma asa numa curva apertada (sei que em aeronáutica não se diz assim) e enfiar-se no edifício perdendo a outra asa na parede de pedra. Há 184 pessoas reais que morreram neste ataque terrorista e que viajavam num avião que existia de facto. Se o que embateu no Pentágono foi, como dizem os mitos urbanos, um míssil de cruzeiro, o que aconteceu às pessoas que estavam a bordo do avião? Foram transportados para Marte? E os funerais dessas pessoas, foram forjados? Será que essas pessoas não morreram e fazem parte de uma outra conspiração para se fingirem mortos e darem cobertura à conspiração inicial? Foram pagos para mudarem de nome e de terra? É demasiado ridículo para contemplar com seriedade... Os proponentes destas teorias devem apresentar factos, o que nunca fazem, e sujeitá-los a escrutínio publico


Comentário:

Vamos então a factos, caro Ribas:

Este é o buraco feito pelo "Boeing 757" no Pentágono? As janelas ao lado e em cima ilesas? Onde estão os embates das asas, dos motores e da cauda? Um Boeing 757 cabia ali?














No World Trade Center o embate das asas é perfeitamente identificável:



















E já depois da fachada do Pentágono desabar. Nem uma arranhadela das asas?

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Henrique Monteiro do Expresso – o Papa dar o dito por não dito é uma questão de transcendência

Jornal Expresso – 1 de Dezembro de 2006

Ratzinger e o Papa

«Quem defendeu que a Turquia não deve entrar na UE não foi o Papa, foi Ratzinger. Mas quem foi à Turquia e disse que era a favor da entrada daquele país na Europa, foi o Papa. A pessoa é a mesma, mas as responsabilidades são diferentes. Não é uma questão de coerência, é uma questão de transcendência. O chefe da Igreja Católica não é um indivíduo, nem é um político, é um representante. Pôde, por isso, dar o dito por não dito com elegância.»


Na mesma edição do Expresso, Miguel Sousa Tavares, aborda esta questão da "transcendência", dando como exemplo os "pareceres" dos mestres de Direito:

«... Era impensável que um mestre se pronunciasse sobre coisas fora da sua alçada, contrárias à sua opinião e, menos ainda - o que seria até um pedido ofensivo - opostas à doutrina por ele publicamente exposta relativamente à matéria em causa

«Isso era dantes. Agora, os mestres pronunciam-se sobre tudo e mais alguma coisa, num sentido ou noutro, mas sempre em concordância com a pretensão do cliente que lhes paga. Foi assim que até já vi um ilustre professor de Direito juntar em tribunal um parecer onde defendia exactamente o oposto do que ensinava no manual de sua autoria que era de leitura obrigatória nas Faculdades de Direito. E, do lado contrário, estava outro parecer de outro ilustre professor, que, bem a propósito, se socorria da doutrina do primeiro... contra o próprio!»


Comentário:

Não há nada de transcendente no facto de Henrique Monteiro considerar a defesa simultânea de uma coisa e do seu contrário, uma "transcendência". Monteiro é um caso conhecido de vocação falhada. Se tivesse seguido jurisprudência, teríamos hoje um bom mestre de Direito a "pronunciar-se sobre tudo e mais alguma coisa, num sentido ou noutro, mas sempre em concordância com a pretensão do cliente". Assim, infelizmente, temos um jornalista medíocre a "pronunciar-se sobre tudo e mais alguma coisa, num sentido ou noutro, mas sempre em concordância com a pretensão do cliente". Perde o Direito, perde o Jornalismo, perde o Cliente e perdemos nós.

quinta-feira, novembro 30, 2006

A SIC Notícias e Teixeira dos Santos – duas faces da mesma todo-poderosa moeda

Atente-se na forma ardilosa como a SIC Notícias dissimulou o servilismo escandaloso do ministro das Finanças à banca, durante o debate sobre o Orçamento do Estado para 2007, e como o canal televisivo, numa pirueta acrobática, aproveitou o balanço para atacar a «esquerda» por esta querer ser (ainda mais) despesista com os deficientes, e de passagem dar ainda uma tacada em Manuel Alegre:

Teixeira dos Santos: "Nós constatamos que a taxa efectiva de imposto pago pelo sector bancário é 11,3 por cento e, tendo por base os resultados de exploração, a taxa efectiva da banca desce para 6 por cento. As propostas maximalistas que a esquerda apresenta tem uma atitude, há que o dizer com clareza, de preconceito..."

(neste ponto, a SIC "remata muito oportunamente" o discurso do ministro):

Locutor da SIC: "Quem não teve preconceitos foi Manuel Alegre, que decidiu votar a favor de duas propostas do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda, que pretendem aumentar, ainda mais, os benefícios fiscais para as pessoas com deficiências..."


Vídeo – 2:17m

Teixeira dos Santos - IRS para bancos 11 por cento

Add to My Profile More Videos

quarta-feira, novembro 29, 2006

Bush - Uma das partes mais difíceis do meu trabalho é relacionar o Iraque com a guerra ao terrorismo

Neste curto vídeo, Bush explica o que é que pensa da guerra no Iraque e quais acha que são as suas funções como presidente. Jon Stewart, de forma magistral, ajuda-o a desembuchar. Eis alguma pérolas debitadas por Mister President Bush:

- "Gosto de dizer que quando a história do Iraque for escrita, o período actual será considerado uma vírgula."

- "O meu trabalho consiste em duas coisas: lembrar as pessoas da guerra ao terrorismo e lembrá-las que fazemos tudo para as proteger."

- "Uma das partes mais difíceis do meu trabalho é relacionar o Iraque com a guerra ao terrorismo."

- "O meu trabalho é fazer o meu trabalho."


Vídeo:

DS - Para Bush o Iraque é uma vírgula

Add to My Profile More Videos

terça-feira, novembro 28, 2006

Litvinenko assassinado? Foi Putin, acusa resoluto José Manuel Fernandes

José Manuel Fernandes – Jornal Público, 28 de Novembro de 2006

José Manuel Fernandes, naturalmente preocupado com a excessiva aproximação da União Europeia a Moscovo, frisa que "é preciso, de uma maneira ou de outra, deixar muito claro a Putin os limites do seu poder".

E discorre, sem ilusões, sobre o assassínio de Litvinenko:

«Curiosamente, o Presidente ucraniano Viktor Iushcenko venceu nessa altura as eleições e o braço-de-ferro com Putin com a cara desfigurada por uma estranha "doença" que veio a saber-se ser o resultado de envenenamento por tálio. Foi esta a primeira suspeita dos médicos britânicos quando receberam o ex-espião do KGB Alexander Litvinenko num hospital de Londres para assistirem à sua lenta mas inexorável agonia. Desta vez, contudo, o método de envenenamento foi aparentemente mais sofisticado: polónio - 210, segundo os peritos apenas acessível a instituições muito poderosas e de vastíssimos recursos. Ninguém pode apontar o dedo directamente ao Kremlin. Mas vale a pena ler o relato do colunista do The Observer, Henry Porter, da última vez que ouviu o ex-espião russo falar em Londres, no Frontline Club, perante muitos jornalistas. "Anna veio ter comigo para perguntar-me coisas sobre o FSB (Serviço Federal de Segurança). Depois do seu livro A Rússia de Putin ter sido publicado, recebeu várias ameaças directamente do Kremlin. Perguntou-me: eles podem matar-me? E eu respondi-lhe com toda a franqueza: podem. E aconselhei-a a sair do país, pelo menos durante algum tempo. Putin fez-lhe chegar ameaças através de um dos seus amigos (...). Estou absolutamente convencido de que só uma pessoa na Rússia podia mandar matar Anna, com toda a sua fama e o seu estatuto: Putin."»

«São simples alegações. Outras haverá igualmente procedentes. Mas, como diz Porter, a verdade é simples: dois dos mais veementes críticos de Putin foram assassinados no último mês. E isto diz muitíssimo sobre o que é a Rússia hoje


Comentário:

A responsabilidade pelo assassinato de Litvinenko, que contribuiu, a par do veto polaco, para o fracasso da cimeira União Europeia - Rússia em Helsínquia, parece não deixar dúvidas a ninguém:

Pesquisa do Google Notícias (26/11/2006): Litvinenko

O POVO Online - 16 horas atrás
Mario Scaramella, um dos contatos italianos de Alexander Litvinenko e uma das últimas pessoas a encontrá-lo antes de sua morte, confirmou que o Kremlin ...

Último Segundo - 24 Nov 2006
Seguem os principais trechos da carta atribuída ao ex-agente russo Alexandre Litvinenko, falecido nesta quinta-feira e que acusa o presidente russo Vladimir ...

Último Segundo - 24 Nov 2006
O ex-espião russo Alexander Litvinenko, crítico do presidente Vladimir Putin, qualificou de "brutal" e "impiedoso" o responsável por sua morte, em ...

Euronews - 25 Nov 2006
Os investigadores encontraram traços de radioactividade no hotel onde Litvinenko tomou chá com dois russos; no bar onde comeu sushi com um italiano e no seu ...

Euronews - 21 horas atrás
Londres investiga morte de Litvinenko e pede a Putin para ...

Último Segundo - 24 Nov 2006
O polônio, uma substância com a qual teriam envenenado em Londres o ex-espião russo Alexander Litvinenko, é um material altamente radioativo, utilizado (nos veículos espaciais, portanto pertencente a um país com programas espaciais) ...

segunda-feira, novembro 27, 2006

A teologia teo-conservadora de Bento XVI

Benedict XVI - Obscurum per obscurius

Milhares de muçulmanos pedem que o Papa não visite a Turquia.

A visita de quatro dias é apontada como uma oportunidade para cicatrizar as mágoas com o mundo muçulmano após o papa ter citado um imperador bizantino dizendo que o Islão era violento e irracional.

Falando no Vaticano neste domingo, Bento XVI disse que queria que a visita mostrasse a sua "sincera amizade e estima" pela Turquia e pelo seu povo.

Terá esta animosidade do mundo islâmico pelo Papa Bento XVI alguma razão de ser?


Boaventura de Sousa Santos é doutor em sociologia do direito pela Universidade de Yale e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

A Exactidão do Erro

Publicado na Revista Visão em 28 de Setembro de 2006


O comentário no Ocidente ao discurso do papa alinhou-se pelas seguintes ideias: não foi um discurso do papa, foi um discurso do professor; talvez o papa tenha cometido um erro ao escolher a citação do Imperador de Bizâncio, mas isso não justifica as violentas reacções no mundo islâmico; o enfoque central do discurso foi a relação entre a razão e a fé, e a crítica do moderno secularismo ocidental.

Por que razão nenhum destes argumentos é convincente? O papa falou como papa e escolheu o contexto que lhe permitisse romper mais claramente com a doutrina papal até agora vigente. Essa doutrina, vinda do Concílio Vaticano II e continuada pelo Papa João Paulo II, era a do ecumenismo e do diálogo entre religiões, no pressuposto de que todas são um caminho para Deus e têm, por isso, de ser tratadas com igual respeito, mesmo que cada uma reclame uma relação privilegiada com a Revelação. O ecumenismo obrigava a considerar como desvios ou adulterações o uso da violência como arma de afirmação religiosa. Esta posição é desde há muito questionada pelo actual papa, para quem a superioridade da religião cristã está na sua capacidade única de compatibilizar a fé e a razão: agir irracionalmente contradiz a natureza de Deus, uma verdade perene que decorre da filiação do Cristianismo na filosofia grega. Ao contrário, no Islão o serviço de Deus está para além da racionalidade. Por isso, a violência islâmica não é um desvio, antes é inerente ao Islão, o que faz do Islamismo uma religião inferior. Esta doutrina está bem documentada na sua condenação dos teólogos mais avançados no diálogo ecuménico, na sua recusa em designar o Islão como uma religião de paz, na sua posição contrária à entrada da Turquia na União Europeia, dada a incompatibilidade essencial entre Islamismo e Cristianismo e ainda na sua convicção de que o Islão é incompatível com a democracia.

É, pois, claro que o papa não cometeu um erro. Foi exacto no modo como formulou a sua provocação. Aliás, se o seu discurso pretendesse ser uma lição de teologia, ela seria de péssima qualidade. Porque não referiu o contexto da conversa entre o imperador e o persa e ocultou o passado beligerante e cruzadista do primeiro? Porque não citou outras opiniões contemporâneas totalmente contrárias à que preferiu? Porque não referiu que em qualquer das religiões abraâmicas há preceitos que podem justificar o recurso à violência, assim tendo sucedido em nome de todas elas? Perante estas interrogações, é necessário analisar o discurso do papa pelos seus reais objectivos políticos. O primeiro e o mais óbvio é o de apor o selo do Vaticano na guerra de Bush contra o Islão e na guerra de civilizações mais vasta que a fundamenta. Tal como João Paulo II alinhara o Vaticano com os EUA na luta contra o comunismo, Bento XVI pretende o mesmo alinhamento, agora na luta contra o Islamismo. Em seu entender, perante o avanço do Islão a resposta tem de ser mais dura, e precisa do poder temporal para se concretizar. Tal como aconteceu com as Cruzadas ou a Inquisição. Trata-se, pois, de uma teologia de vencedores, uma teologia teo-conservadora, paralela à política neoconservadora.

O segundo objectivo é muito mais vasto. Ao defender uma relação privilegiada entre o Cristianismo e a racionalidade grega, o papa visa estabelecer o Cristianismo como a única religião moderna. Só no âmbito dela é possível conceber "actos irracionais" (a perseguição dos judeus, as guerras religiosas, a violenta evangelização dos índios) como desvios ou excepções, por mais recorrentes que sejam. Por outro lado, visa fazer uma crítica radical a um dos pilares da modernidade: o secularismo. O papa questiona a distinção entre o espaço público e o espaço privado, e acha "irracional" que a religião tenha sido relegada para o espaço privado. Dessa "irracionalidade" decorrerão todas as outras que atormentam as sociedades contemporâneas. Daí a urgência de trazer a mensagem cristã para a vida pública, para a educação e a saúde, para a política e a cultura. O perigo desta crítica do secularismo está em que ela coincide com a posição dos clérigos islâmicos mais extremistas para quem, em vez de modernizar o Islão, há que islamizar a modernidade. Os opostos tocam-se, e não se tocam para dialogarem, senão para se confrontarem. A irracionalidade deste choque reside nas concepções estreitas de racionalidade de que se parte. De um lado, uma racionalidade que transforma a fé numa crença racional ocidental; do outro, uma racionalidade que transforma a razão na manifestação transparente da intensidade da fé islâmica. A luta contra estes extremismos é mais urgente do que nunca, pois sabemos que eles foram no passado os incubadores de guerras e genocídios devastadores. Mas pode o Ocidente lutar contra o extremismo do Oriente do mesmo passo em que reforça o seu?

domingo, novembro 26, 2006

A falsa insurgência no Iraque



Em relação aos alegados assassinatos sectários no Iraque que o governo Americano e os media se esforçam para tribuir à "Al-Qaeda":

Já foi exposto que os assassinatos e os atentados bombistas são o trabalho dos “esquadrões da morte” sob as ordens do ministério do interior iraquiano, o qual é inteiramente controlado pela CIA. Em todas as guerras conduzidas por governos americanos contra nações estrangeiras, uma operação de contra-insurgência é imediatamente implementada. As operações de contra-insurgência são necessárias nessas circunstâncias porque quando um país é invadido, uma insurgência de algum tipo surge para defender o país. Estes insurgentes são muito difíceis de combater para um exército invasor dado o grande suporte e colaboração que gozam da população em geral.

Basicamente, um exército invasor encontra-se em guerra mais contra a população do país que estão a invadir do que contra uma insurgência separada e independente. Estratégias desenvolvidas durante anos para lidar com situações deste tipo tornaram-se conhecidas como contra-insurgências, e incluem a identificação de divisões dentro da sociedade, normalmente religiosas, políticas ou étnicas, por insignificantes que sejam, e um esforço para provocar divisões. Claro que, num cenário no qual um país é invadido por forças militares estrangeiras, tais divisões internas tornam-se quase inexistentes porque a população une-se para se opor aos invasores, como é o caso do Iraque. Por esta razão, as tácticas da contra-insurgência projectadas para semear discórdia têm de ser fabricadas e envolvem geralmente a criação de uma insurgência falsa pelo serviço de inteligência militar da força invasora.

Esta insurgência falsa é composta por grupos de milícias armadas que são pagos pelas forças invasoras para atingir e assassinar grupos distintos entre a população, mais uma vez, segundo critérios religiosos, étnicos ou políticos. No caso do Iraque, vemos ataques dos esquadrões da morte tanto a grupos Sunitas como Xiitas da população iraquiana, sendo estes grupos apontados como culpados da verdadeira insurgência ou da Al-Qaeda no Iraque. O objectivo destes ataques brutais é desmoralizar e confundir a verdadeira insurgência e a população que a suporta, para as levar a entrar num conflito mutuamente destrutivo, e, no caso específico do Iraque, para promover as alegações do governo americano de que a Al-Qaeda está ainda activa e constitui uma ameaça mortal para sociedades civilizadas em todo o mundo.