segunda-feira, dezembro 11, 2006

Morreu um filho da puta

Jornal Público

11 de Dezembro de 2006

Santiago do Chile estalou de emoções ao ouvir a notícia da morte de Augusto Pinochet, com 91 anos, de ataque cardíaco.

Mas as maiores manifestações foram de alegria. Milhares de pessoas desceram à rua um pouco por toda a cidade para festejar o desaparecimento do ditador, automóveis buzinaram. Na Praça de Maio, que separa dois Chiles, o rico e o pobre, lugar emblemático da maior parte das manifestações dos últimos 14 anos contra a impunidade dos autores e principais responsáveis do regime militar, milhares de pessoas, na sua maior parte jovens, juntaram-se para dar vivas à morte do general, de acordo com todas as agências. Durante o regime foram mortos ou desapareceram milhares de pessoas, pelo menos 3 mil de acordo com os números mais optimistas, e foram torturados muitas mais, cálculos recentes apontam para 30 mil.




Na foto, Pinochet em alegre cavaqueira com o Santo Padre.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Blogues versus meios de comunicação tradicionais (revisited)

Neste vídeo imperdível de um humor excepcional, Jon Stewart do Daily Show mostra a força crescente dos Blogues e põe a nu o seguidismo e as limitações dos meios de comunicação tradicionais.

No vídeo é mostrado como um repórter destacado na Casa Branca é exposto por bloggers como um proprietário de sites pornográficos (autêntico).

Ou frases como: "o que não posso é com bloggers agressivos, gente que recolhe, compila e divulga factos verídicos. Não têm credibilidade só têm factos."

Um comentador queixa-se: "os bloggers são pessoas sem credenciais, ética, editores ou responsabilidades”. Ao que Jon Stewart responde: “ao contrário dos jornalistas que têm, credenciais..."

quinta-feira, dezembro 07, 2006

A "era de ouro do lucro" - Salários recebem a menor parcela do PIB de sempre

Diário de Notícias - 28 de Novembro de 2006

Manuel Esteves e Sérgio Aníbal

A riqueza produzida nas economias mais desenvolvidas tem vindo a crescer de forma sustentada ao longo dos anos, atingindo níveis nunca antes vistos. Este crescimento reflecte o aumento da produtividade, a inovação tecnológica e a extensão das trocas comerciais. No entanto, a colheita desses tem beneficiado, sobretudo, os detentores do capital, enquanto o bolso da grande maioria - que vende a sua mão-de-obra - está cada vez mais leve.

Dados compilados pela Comissão Europeia revelam que a parcela de riqueza que é destinada aos salários é actualmente a mais baixa desde, pelo menos, 1960 (o primeiro ano com dados conhecidos). Em contrapartida, a riqueza que se traduz em lucros, que remuneram os detentores do capital, é cada vez mais alta, o que levou o banco norte-americano UBS a falar na "era de ouro do lucro". Esta tendência verifica-se na grande maioria dos países desenvolvidos e é no "Velho Continente" que mais se fez sentir nos últimos anos.

Não há forma de isto ser uma coincidência" defende Stephen Roach, economista-chefe do banco de investimento Morgan Stanley num artigo publicado há alguns meses. O fenómeno é ainda mais impressionante quando nestas três economias se verifica, desde há alguns anos, um aumento do emprego e da produtividade, que serve de barómetro para a evolução dos salários. Num artigo sobre esta matéria, a revista Economist lembrava que, desde 2001, a produtividade nos Estados Unidos cresceu 15%, enquanto os salários caíram 4%. São números que valem mil palavras.


Comentário:

Estes números, que valem mil palavras, traduzem uma realidade muito simples: o fim do emprego. A tecnologia tem vindo paulatinamente a substituir o homem em todas as áreas do processo produtivo, reduzindo a sua importância o seu peso económico, donde a contínua queda dos salários que se tem vindo a verificar nas últimas décadas.

Contudo, o fim do emprego significa também o fim de consumidores com dinheiro para comprar. E não havendo compradores não há vendas. E sem vendas não há empresas privadas. O paradigma económico está a mudar.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

A perfeita inutilidade das eleições intercalares na América

A futilidade de um processo eleitoral onde os eleitos já estão determinados à partida e o dinheiro fala sempre mais alto. Nas presidenciais ainda há a emoção de descobrir qual é o criminoso que vai ocupar a Casa Branca. Nestas, nem isso.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Blogue «O Insurgente» – Crónica de uma morte anunciada?

O Insurgente

De um dia para o outro, o blogue «O Insurgente» deixou de ter comentaristas. Não obstante a catadupa de posts colocados pelo seu mentor, André Azevedo Alves, a caixa de comentários permanece intrigantemente vazia. Dar-se-á o caso deste blogue ter seguido por um obscuro caminho de radicalização e de degenerescência, onde a própria direita tem alguma dificuldade em se rever?

A rigidez do discurso, a inflexibilidade do pensamento e a estreiteza de conceitos tornaram-se a imagem de marca deste blogue. Armados com premissas «não negociáveis», a saber, a crença absoluta nas superiores vantagens do liberalismo económico total, a fé cega nos bons desígnios da administração norte-americana e afundados num catolicismo de carácter fundamentalista, estes bloggers parece trilharem um rumo crescentemente autista em relação a uma realidade que constantemente os contradiz. Perante os factos, rejeitam à priori quaisquer argumentos que não caibam na sua visão minimalista, e reagem repetindo os mesmos chavões, vezes e vezes sem conta, como acontece com um adventista do sétimo dia.

Realidades como o desemprego, a contínua diminuição do poder de compra e a miséria crescente nos países desenvolvidos, as dúvidas levantadas sobre os acontecimentos do 11 de Setembro, as guerras sustentadas em mentiras, e as mortes de mulheres que abortam em vãos de escada, pura e simplesmente não existem. Não encaixam na percepção obstinada e esquizofrénica que têm do mundo. E são como tal rejeitadas.

Deixo aqui um pequeno vídeo sobre a realidade «insurgente», ou será antes um Requiem - Mors ultima linea rerum est?

Vídeo - 2:28m

Requiem pelo Insurgente

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segunda-feira, dezembro 04, 2006

O ministro da Defesa Donald Rumsfeld despede-se, contrariado, da América

Jon Stewart, do Daily Show, com o humor que lhe conhecemos, pede desculpa ao ministro da Defesa, Donald Rumsfeld, pela incompreensão da América à guerra que este teve o génio de iniciar:

- Donald (Rumsfeld), deixe-me pedir desculpa por esta gente burra, os sessenta a setenta por cento que não percebem como esta guerra está a correr tão bem. É demasiado difícil.

- Que tipo de pessoa olha para as baixas, o caos, o custo, a tua inflexibilidade administrativa e não pensa – vamos manter o rumo? Só um idiota de merda, claro!

- Tu tentaste explicar-nos, tu tentaste, mas nós temos uns cérebros tão pequeninos...

- O mundo não te merecia. É como o nosso Van Gogh. Só que a tua tela é a Terra e em vez de pinceladas utilizas bombas de penetração subterrânea.


Vídeo – 6:05m

DS - Rumsfeld depede-se da America

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domingo, dezembro 03, 2006

Luís Costa Ribas da SIC - As teorias da conspiração nunca têm provas plausíveis

O jornalista da SIC Luís Costa Ribas voltou aos Estados Unidos para acompanhar o quinto aniversário dos atentados do 11 de Setembro. Do Ground Zero dá-nos a sua opinião abalizada:

Impressões do 11/9 cinco anos depois

«Do lado oposto, na Church Street, perto da entrada para a estação de metro do World Trade Center, havia uma ruidosa manifestação de defensores de teorias da conspiração, e protestos sortidos contra George W. Bush. Mas fora disso, a vedação do "ground zero" estava rodeada de pessoas silentes, imóveis, contemplativas.»

«Mas o contraste entre estes dois grupos faz justiça àquilo que é a América real: vibrante, irrequieta, difícil de contentar. Sou por natureza contra as teorias da conspiração que militam contra a base factual das teorias aberta. apresentam suspeitas sobre falhas lógicas nas explicações públicas, mas nunca têm provas plausíveis

«Tome-se, por exemplo, o avião que destruiu uma parte do Pentágono: há testemunhas que viram o avião da American Airlines voar sobre o local, aproximar-se do chão, partir uma asa numa curva apertada (sei que em aeronáutica não se diz assim) e enfiar-se no edifício perdendo a outra asa na parede de pedra. Há 184 pessoas reais que morreram neste ataque terrorista e que viajavam num avião que existia de facto. Se o que embateu no Pentágono foi, como dizem os mitos urbanos, um míssil de cruzeiro, o que aconteceu às pessoas que estavam a bordo do avião? Foram transportados para Marte? E os funerais dessas pessoas, foram forjados? Será que essas pessoas não morreram e fazem parte de uma outra conspiração para se fingirem mortos e darem cobertura à conspiração inicial? Foram pagos para mudarem de nome e de terra? É demasiado ridículo para contemplar com seriedade... Os proponentes destas teorias devem apresentar factos, o que nunca fazem, e sujeitá-los a escrutínio publico


Comentário:

Vamos então a factos, caro Ribas:

Este é o buraco feito pelo "Boeing 757" no Pentágono? As janelas ao lado e em cima ilesas? Onde estão os embates das asas, dos motores e da cauda? Um Boeing 757 cabia ali?














No World Trade Center o embate das asas é perfeitamente identificável:



















E já depois da fachada do Pentágono desabar. Nem uma arranhadela das asas?

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Henrique Monteiro do Expresso – o Papa dar o dito por não dito é uma questão de transcendência

Jornal Expresso – 1 de Dezembro de 2006

Ratzinger e o Papa

«Quem defendeu que a Turquia não deve entrar na UE não foi o Papa, foi Ratzinger. Mas quem foi à Turquia e disse que era a favor da entrada daquele país na Europa, foi o Papa. A pessoa é a mesma, mas as responsabilidades são diferentes. Não é uma questão de coerência, é uma questão de transcendência. O chefe da Igreja Católica não é um indivíduo, nem é um político, é um representante. Pôde, por isso, dar o dito por não dito com elegância.»


Na mesma edição do Expresso, Miguel Sousa Tavares, aborda esta questão da "transcendência", dando como exemplo os "pareceres" dos mestres de Direito:

«... Era impensável que um mestre se pronunciasse sobre coisas fora da sua alçada, contrárias à sua opinião e, menos ainda - o que seria até um pedido ofensivo - opostas à doutrina por ele publicamente exposta relativamente à matéria em causa

«Isso era dantes. Agora, os mestres pronunciam-se sobre tudo e mais alguma coisa, num sentido ou noutro, mas sempre em concordância com a pretensão do cliente que lhes paga. Foi assim que até já vi um ilustre professor de Direito juntar em tribunal um parecer onde defendia exactamente o oposto do que ensinava no manual de sua autoria que era de leitura obrigatória nas Faculdades de Direito. E, do lado contrário, estava outro parecer de outro ilustre professor, que, bem a propósito, se socorria da doutrina do primeiro... contra o próprio!»


Comentário:

Não há nada de transcendente no facto de Henrique Monteiro considerar a defesa simultânea de uma coisa e do seu contrário, uma "transcendência". Monteiro é um caso conhecido de vocação falhada. Se tivesse seguido jurisprudência, teríamos hoje um bom mestre de Direito a "pronunciar-se sobre tudo e mais alguma coisa, num sentido ou noutro, mas sempre em concordância com a pretensão do cliente". Assim, infelizmente, temos um jornalista medíocre a "pronunciar-se sobre tudo e mais alguma coisa, num sentido ou noutro, mas sempre em concordância com a pretensão do cliente". Perde o Direito, perde o Jornalismo, perde o Cliente e perdemos nós.

quinta-feira, novembro 30, 2006

A SIC Notícias e Teixeira dos Santos – duas faces da mesma todo-poderosa moeda

Atente-se na forma ardilosa como a SIC Notícias dissimulou o servilismo escandaloso do ministro das Finanças à banca, durante o debate sobre o Orçamento do Estado para 2007, e como o canal televisivo, numa pirueta acrobática, aproveitou o balanço para atacar a «esquerda» por esta querer ser (ainda mais) despesista com os deficientes, e de passagem dar ainda uma tacada em Manuel Alegre:

Teixeira dos Santos: "Nós constatamos que a taxa efectiva de imposto pago pelo sector bancário é 11,3 por cento e, tendo por base os resultados de exploração, a taxa efectiva da banca desce para 6 por cento. As propostas maximalistas que a esquerda apresenta tem uma atitude, há que o dizer com clareza, de preconceito..."

(neste ponto, a SIC "remata muito oportunamente" o discurso do ministro):

Locutor da SIC: "Quem não teve preconceitos foi Manuel Alegre, que decidiu votar a favor de duas propostas do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda, que pretendem aumentar, ainda mais, os benefícios fiscais para as pessoas com deficiências..."


Vídeo – 2:17m

Teixeira dos Santos - IRS para bancos 11 por cento

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quarta-feira, novembro 29, 2006

Bush - Uma das partes mais difíceis do meu trabalho é relacionar o Iraque com a guerra ao terrorismo

Neste curto vídeo, Bush explica o que é que pensa da guerra no Iraque e quais acha que são as suas funções como presidente. Jon Stewart, de forma magistral, ajuda-o a desembuchar. Eis alguma pérolas debitadas por Mister President Bush:

- "Gosto de dizer que quando a história do Iraque for escrita, o período actual será considerado uma vírgula."

- "O meu trabalho consiste em duas coisas: lembrar as pessoas da guerra ao terrorismo e lembrá-las que fazemos tudo para as proteger."

- "Uma das partes mais difíceis do meu trabalho é relacionar o Iraque com a guerra ao terrorismo."

- "O meu trabalho é fazer o meu trabalho."


Vídeo:

DS - Para Bush o Iraque é uma vírgula

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