quinta-feira, novembro 10, 2005

Policarpo volta a pôr as garras de fora

Volta e meia D.José Policarpo sente-se encorajado a meter o bedelho onde não é chamado. O facínora veio agora a terreiro, num programa televisionado, defender o uso da força para deter os motins sociais em França.

As causas do conflito não lhe interessam. Só lhe interessa a defesa da Europa Blairocristã.

Policarpo cada vez se dá menos ao trabalho de disfarçar o discurso com as parvoíces religiosas do costume. Está cada vez mais político e cada vez mais parvo.

Tem razões para sorrir. Os políticos do poder encomendam-lhe «trabalhinhos» e o negócio de Fátima vai de vento em popa. Que se lixem os desgraçados que para lá vão rastejar e os que lá nem chegam porque levam com um camião TIR em cima. O que interessa é pôr lá os pimbas a cantar para aumentar os lucros do negócio.

Desde a criminalização do aborto, ao sim ao referendo para aumentar o poder do grande capital internacional na UE, à porrada na escumalha mourisca que anda a atazanar os fiéis que querem trabalhar, Zé Policarpo continua a dar voltas ao catecismo sem encontrar o tal deus (a letra pequena é intencional) bonzinho dos pobres.

E não há por cá ninguém que lhe incendeie o espadalhão?

segunda-feira, novembro 07, 2005

Displicência e virulência

Coloquei este post a 14 de Abril de 2005. Hoje, quase sete meses depois, considero-o quase profético. Nunca imaginei ter uma tal presciência. Amanhã corro a inscrever-me num curso de quiromancia. Tenho de tirar o máximo partido financeiro deste meu insuspeitado talento:


No jornal Globo de 13/04/2005 por Demétrio Weber:

Por uma decisão errada, quase 4 mil laboratórios de 18 países receberam, de uma instituição de pesquisa americana, amostras de um vírus especial letal da gripe. A Organização Mundial de Saúde pediu nesta quarta-feira a destruição de todas as amostras, temendo o risco de uma pandemia - que é considerado pequeno, mas não desprezível. O vírus enviado é do subtipo H2N2, causador da pandemia da gripe asiática de 1957-58, que matou de um a quatro milhões de pessoas.

- O vírus poderia causar uma epidemia global de gripe. Foi uma decisão pouco acertada enviá-lo - disse o coordenador do programa de gripe da OMS, Klaus Stohr.

O cientista explicou que amostras de vírus foram enviadas a 3.747 laboratórios de 18 países como parte de testes rotineiros que se fazem todos os anos. Mas a Agência Canadiana de Saúde Pública comunicou, no dia 26 de Março, que um laboratório do país identificou numa amostra o vírus A/H2N2 similar ao que circulou em 1957 e 1958, causando a chamada pandemia de gripe asiática, e que ressurgiu em 1968.

A OMS alertou que "as pessoas nascidas depois de 1968 podem ter imunidade limitada a esse vírus, que não se incluiu em nenhuma das vacinas trivalentes contra a gripe".

Segundo a OMS, o laboratório canadiano que identificou o vírus letal tomou medidas de protecção e vigilância. Uma investigação levou até a origem da amostra, o laboratório americano do College of American Pathologist. A organização distribuiu amostras do H2N2 pela primeira vez em 2004 e depois em Fevereiro deste ano, como parte dos testes científicos rotineiros de vírus da gripe.



Por seu lado em Washington, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA ainda tenta descobrir como amostras de um vírus de gripe perigoso foi enviado por engano para milhares de laboratórios em 18 países.

- É uma alta prioridade, que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos estão trabalhando para resolver - disse o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan. - Eles avaliaram que o risco dessas amostras para a população é baixo. Apesar disso, não queremos arriscar.

A empresa Meridian Bioscience, de Cincinnati, que enviou as amostras, negou que tenha violado regras e disse que trabalhava sob contrato para o Colégio Americano de Patologistas.

O Colégio Americano de Patologistas emitiu instruções para que todas as amostras sejam destruídas relataram a OMS e as autoridades sanitárias dos EUA na sexta-feira.



Comentário:

Este erro afigura-se demasiado grosseiro para se tratar de mera negligência burocrática. Parece mais um convite claro à Al-Qaeda de Bin Laden para deitar a mão ao perigosíssimo vírus H2N2. Assim, apresentam-se quatro cenários:

1 – Ou a empresa Meridian Bioscience, de Cincinnati, que enviou as amostras, tem algum mujahedin infiltrado nas suas fileiras;

2 – Ou o Colégio Americano de Patologistas para quem trabalha a Meridian Bioscience tem algum terrorista disfarçado nas suas hostes;

3 – Ou o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA tem algum radical islâmico encoberto no seu grupo;

4 – Ou o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, é um talibã travestido.

Em qualquer caso, algures no Ocidente, os anti-gripais, os lenços de assoar e os chás de tília podem vir a andar muito ocupados numa data futura.


Hoje, 7 de Novembro 2005, sinto-me mais descansado. Felizmente, com o número astronómico de doses de Tamiflu que vão ser fabricadas pela Gilead, empresa onde Rumsfeld, o actual ministro da defesa americano, foi presidente e continua a ser um dos principais accionistas, as vacinas não vão seguramente faltar. Porque nem a Gilead nem Rumsfeld brincam com coisas destas.

sábado, novembro 05, 2005

"Lugares Negros", 60 anos depois (2)

Quantos gulags americanos existem, espalhados pelo Mundo? Ninguém sabe. Esse é um dos segredos mais bem guardados. E no entanto, sabe-se cada vez mais sobre esse tema.Porque por mais que se mantenham secretos, há sempre um rabo de fora.

Quando o Iraque foi invadido e Saddam derrubado, Bush disse aos iraquianos (e ao Mundo) que aquilo era uma “invasão libertadora”, que “jamais os iraquianos voltariam a ser torturados”, que “o sofrimento ia chegar ao fim”. Lembro-me bem dessas mentiras.
Mas só hoje sei que Bush mentiu. Só hoje sei que Bush continua a mentir. Voltou a mentir quando disse que os responsáveis pela tortura de prisioneiros em Abu Ghraib e Guantanamo seriam julgados e castigados. Dick Cheney não está a ser julgado nem deverá ser castigado e, no entanto, foi ele quem ordenou as torturas. Foi ele. E Bush sabia. O castigo está a ser aplicado a alguns pobres de espírito, soldados pau-mandado, incapazes de se defenderem ou sequer de perceberem o que lhes está a acontecer.
Hoje sabemos que os gulags não se limitam a Guantanamo, Abu Ghraib ou Bagram. As ONG humanitárias que investigam essa questão garantem que há dezenas de prisões secretas mantidas pelos americanos, um pouco por todo o Mundo. Dezenas de gulags, onde estão encarcerados inúmeros “suspeitos” de serem terroristas, “suspeitos” de pertencerem à Al-Qaeda, simplesmente “suspeitos”. Encarcerados, torturados, assassinados em segredo, em prol da democracia ocidental.
Segundo dados recentemente revelados pelo UN Human Rights Committee, só no Afeganistão há mais de 20 locais onde os americanos construíram prisões e onde não permitem visitas a prisioneiros, nem inspecções de entidades independentes. Quem são e quantos são os prisioneiros nessas instalações? Ninguém sabe. De que direitos beneficiam? De nenhuns.
Suspeita-se que também na ilha de Diego Garcia exista uma dessas prisões, mas os indícios apontam para países como a Polónia, a Ucrânia, Kosovo, o Quirguistão, Arábia Saudita, Egipto, Panamá ou mesmo no interior dos EUA. A verdade é que pode ser em qualquer lado.
As suspeitas baseiam-se em relatos de alguns prisioneiros que acabaram por ser libertados. São poucos casos e as pessoas nem sabem dizer onde estiveram. Mas, todos, trazem no corpo as cicatrizes das sevícias sofridas.

Nota: gulag, em russo, segundo a definição dada pela Wikipédia, é um sistema de campos de trabalho forçado para criminosos e presos políticos da União Soviética, à semelhança dos campos de concentração nazis. Na URSS, os gulag funcionaram desde 1918 até 1956. Nesses campos, milhões de pessoas foram aprisionadas e muitas delas nunca de lá saíram com vida. O termo gulag tornou-se, assim, sinónimo de repressão bestial e sem limites. Os americanos estão a aplicá-lo com esmero.

sexta-feira, novembro 04, 2005

"Lugares negros", sessenta anos depois

Na SIC Online

A CIA terá escondido e interrogado alegados membros destacados da Al-Qaeda em instalações secretas na Europa de Leste (Polónia e Roménia). De acordo com uma investigação do Washington Post, há quatro anos que a agência norte-americana montou um sistema secreto de prisões, como parte da guerra contra o terrorismo.

A rede secreta de centros de detenção será apenas uma parte do sistema encoberto criado pela CIA, há quatro anos, para combater o terrorismo.

A teia secreta denunciada na edição desta quinta-feira do Washington Post terá tido acesso a documentos confidenciais.

O sistema terá incluído centros de reclusão em oito países, entre eles a Tailândia, o Afeganistão e algumas democracias do leste europeu (Polónia e Roménia).

Em causa estão operações da CIA que dependem, segundo o diário, da cooperação dos serviços secretos estrangeiros e da manutenção da confidencialidade.

Apenas um pequeno grupo de altos funcionários norte-americanos, o Presidente e alguns membros dos serviços secretos internacionais terão conhecimento da existência destas prisões secretas da CIA ou "lugares negros", como serão conhecidas na gíria dos serviços secretos.

Por lá já terão passado mais de cem reclusos. Entre eles, 30 dos considerados mais importantes terroristas, presos e interrogados num complexo pós era soviética na Europa de Leste. Este grupo de prisioneiros, adianta o jornal, será mantido isolado do mundo exterior, em celas subterrâneas e terá contacto apenas com os próprios agentes da CIA.

...................

Lembremos aqui alguns aspectos do USA Patriot Act, aprovado nos Estados Unidos após o 11 de Setembro e reforçado, mais tarde, pelo Patriot Act II:

Sem informar os cidadãos, qualquer instituição federal pode entrar secretamente em qualquer casa ou empresa, recolher provas e, seguidamente, usar a prova (recolhida ou “plantada”) para acusá-los de um crime.

Qualquer instituição policial tem o poder de monitorar a internet e o correio electrónico, interceptar telefones celulares sem garantias para milhões de suspeitos.

Qualquer instituição federal pode invadir uma empresa e copiar todos os seus arquivos sob a premissa de que têm “relação” com uma investigação terrorista. Os cidadãos que venham a protestar publicamente por estas acções policiais arbitrárias e invasoras podem ser detidos.

Os julgamentos são secretos e os representantes do Ministério Público não precisam de apresentar provas quando se trata “dos interesses da segurança nacional”. O condenado pode ser executado inclusive quando uma terça parte dos juízes militares não está de acordo.

A polícia secreta não conhece fronteiras entre a espionagem doméstica e a externa. O USA Patriot Act legaliza as operações da CIA contra os cidadãos no interior dos Estados Unidos.

O USA Patriot Act, tem uma ampla e vaga definição de “terrorismo” que lhe permite reprimir qualquer organização dissidente ou actividade de protesto. De acordo com a secção 802 da norma, terrorismo é definido como “actividades que implicam actos perigosos para a vida humana e que são uma violação das leis criminais dos Estados Unidos... (e) pretendem intimidar ou coagir a população civil... (ou) influenciar as políticas de governo através da intimidação ou da coerção”.

Qualquer protesto anti-globalização, como o que ocorreu em Seattle ou Ottawa, pode ser qualificado de “terrorista” e os seus líderes e participantes presos, as suas casas e escritórios revistados, os seus documentos confiscados e, se não forem cidadãos americanos, enviados aos tribunais militares.



Comentário:

Sessenta anos depois, outro grande estado democrático instala campos de reclusão um pouco por toda a parte, inclusive na Polónia. Agora falha-me um pouco a memória. Como é que se chamava aquele de há sessenta anos atrás? Auschwatz? Auschwetz? Auschwutz?

quarta-feira, novembro 02, 2005

7 mil milhões de dólares para a gripe dos cegos

Associated Press – 1 de Novembro de 2005

Bush disponibilizou na Terça-Feira mais de 7 mil milhões de dólares na sua estratégia de prevenção contra um surto da pandemia da gripe, afirmando querer ter stocks suficientes de vacina para proteger 20 milhões de americanos contra a gripe das aves.

O presidente disse também que os Estados Unidos deviam aprovar uma responsabilidade financeira para com os fabricantes das vacinas salvadoras. Afirmou ainda que o número de fabricantes americanos de vacinas decaiu porque a indústria tem sido atingida por um dilúvio de processos legais.

Bush disse que ninguém sabe quando ou onde uma vaga de gripe mortal atacará mas “de alguma forma nós estamos provavelmente em face de outra pandemia.”

Bush explicou que uma pandemia de gripe seria muito mais grave do que a gripe sazonal que deixa doentes todos os anos centenas de milhares de pessoas. “Eu já apanhei gripe. Ao contrário da gripe sazonal, a gripe pandémica pode matar quem é jovem e saudável bem como os fracos e os doentes” disse Bush.

Ao pedir dinheiro ao Congresso para comprar vacinas, Bush afirmou que as vacinas “não seriam as ideais para a pandemia porque a vaga pandémica será, de alguma forma, diferente do vírus da gripe das aves a partir do qual se desenvolverá. Mas uma vacina contra a actual gripe das aves irá oferecer alguma protecção contra a vaga pandémica e possivelmente salvar muitas vidas nos primeiros meses críticos de um surto.”

Afirmou ainda que “os Estados Unidos estão a aumentar os seus stocks de drogas antivirais, como o Tamiflu e o Relenza. Estas drogas não evitam que as pessoas apanhem a gripe mas podem reduzir a gravidade da doença quando tomada dentro de 48 horas depois de adoecer.”

“Neste momento não existe uma pandemia de gripe nos Estados Unidos ou no mundo, mas história ensina-nos que devemos estar preocupados. No último século, o nosso país e o mundo foram atingidos por três pandemias de gripe, e os vírus das aves contribuíram para todos eles.”

Salientou que “a pandemia de 1918 matou mais de meio milhão de americanos e mais de 20 milhões através do globo. Um terço da população americana estava infectada, e a esperança de vida foi encurtada em treze anos. Esta pandemia foi seguida pela de 1957 e a de 1968, que matou dezenas de milhares de americanos e milhões em todo o mundo.”

O Presidente disse ainda que “a gripe das aves já teve casos na Ásia e espalhou-se à Europa mas ainda não chegou aos Estados Unidos. Foi dado ao nosso país um aviso justo deste perigo para a nossa segurança e tempo para nos prepararmos.”

Bush afirmou que a pedra angular da sua estratégia era desenvolver novas tecnologias para produzir vacinas rapidamente. “Se acontecer uma pandemia, o nosso país deve ter a capacidade de produzir rapidamente uma vacina e em quantidade suficiente para imunizar todos os americanos.”



Comentário:

Quem não se rala mesmo nada com a gripe é o ministro da defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, antigo presidente da Gilead, o fabricante do Tamiflu, que vai ter grandes lucros, já que continua a ser um dos grandes accionistas da companhia.




E já que falamos em gripe das aves, quem vai pagar a factura desta pandemia, ou melhor, pantomina, somos todos nós, os patos-bravos. Porque a pandemia não é de gripe. É de cegueira.

segunda-feira, outubro 31, 2005

Alto-quadro do MP suspeito de ajudar Fátima Felgueiras

PÚBLICO - 31.10.2005 - José Augusto Moreira

A anulação dos depoimentos das duas principais testemunhas contra Fátima Felgueiras, por decisão do Tribunal da Relação de Guimarães, tomada na última semana, adiou o início do julgamento da autarca, marcado para hoje.

Um efeito de marcha atrás no processo que decorre do facto de aquelas testemunhas, que desde o início colaboraram activamente com as autoridades, terem passado à condição de arguidos, uma decisão que foi tomada pelo Ministério Público (MP) já depois da Polícia Judiciária (PJ) de Braga ter concluído o inquérito. No início de 2003, o procurador-geral da República tinha sido alertado para indícios de conivência do MP com a autarca, mas a iniciativa parece não ter surtido qualquer efeito.

A decisão de transformar em arguidos as principais testemunhas partiu do procurador adjunto de Felgueiras - cuja intervenção no processo até aí se limitara a actos de mero expediente - e caiu como um balde de água fria na estratégia da PJ, que por diversas vezes tinha sugerido a aplicação àquelas testemunhas do estatuto de arrependidos.

O despacho veio também ao encontro daquilo que era reclamado pela defesa da autarca e do que vinha sendo anunciado pelos seus colaboradores mais próximos, designadamente o seu ex-marido, o advogado Sousa Oliveira, que em diversas circunstâncias tinha manifestado plena confiança na actuação do MP de Felgueiras.

No início de 2003, o procurador-geral foi alertado para as "fortíssimas pressões de diversas entidades colectivas públicas e privadas", numa exposição/requerimento remetida a Souto Moura pelo escritório do advogado Garcia Pereira, como representante das testemunhas que depois passaram a arguidos. Por isso, concluía o documento, o processo deveria ser avocado pelo procurador-geral. Já então eram sugeridas as pressões de que eram alvo aquelas testemunhas - recentemente também comunicadas pela PJ -, sendo igualmente relatados factos que envolviam um dos mais altos-quadros do MP, que desempenhava as funções de secretário-geral da Procuradoria-Geral da República na época em que foi remetida ao então procurador-geral, Cunha Rodrigues, a denúncia anónima que deu origem à investigação do "saco azul" do Partido Socialista.


Aquele magistrado (na foto ao lado e de nome: José Luís Lopes da Mota)- que actualmente é o representante de Portugal no "Eurojust" (organismo que coordena os departamentos da luta contra a corrupção no espaço europeu), depois de ter sido secretário de Estado da Justiça durante um dos governos do PS liderados por António Guterres - é suspeito de ter fornecido a Fátima Felgueiras uma cópia da denúncia enviada a Cunha Rodrigues, numa altura em que a PJ de Braga não tinha iniciado sequer as investigações.

O magistrado em causa (José Lopes da Mota)tinha antes estado colocado no Tribunal de Felgueiras, altura em que fez amizade com o casal Fátima Felgueiras/Sousa Oliveira. O documento terá chegado às mãos da autarca durante uma deslocação daquele magistrado a Felgueiras, em 21 de Janeiro de 2000, para participar num jantar de homenagem a um funcionário judicial, facto que foi registado pela imprensa local.

Na exposição remetida a Souto Moura é-lhe ainda dado conhecimento "de conversas telefónicas ocorridas à porta do Tribunal de Felgueiras", na madrugada em que a autarca saiu em liberdade após a detenção para primeiro interrogatório, "em que o sr. dr. Sousa Oliveira comunicava o seguinte: "Quanto ao processo, está tudo controlado aqui em Felgueiras e vamos resolver isto. Vai tudo correr muito bem, pode ficar descansado". Segundo relata ainda aquele documento, Sousa Oliveira explicou de seguida ao assessor de imprensa da Câmara de Felgueiras que acabava de falar para Bruxelas, com o dito magistrado, concluindo: "Está tudo tratado e vai correr tudo muito bem".

A PJ estranhou também o facto de o processo ter ido parar às mãos do procurador adjunto de Felgueiras depois de concluída a investigação - tinha sido sempre o procurador do Círculo de Guimarães a intervir nas fases decisivas do inquérito. Até porque o mesmo procurador, António Carvalho, tinha antes movido um processo-crime contra Horácio Costa, o ex-colaborador da autarca que é tido como a principal testemunha, com base num artigo de um jornal local - O Sovela -, no qual eram atribuídas a Horácio Costa afirmações como "há imensas pressões no processo" e "andam magistrados metidos nisto", que Carvalho considerou ofensivas. Depois de constituído arguido, foi mesmo requerido julgamento contra Horácio Costa, mas o processo seria arquivado por decisão do juiz de instrução de Fafe.

Coincidência ou não, o facto é que o artigo em causa não era sequer assinado e O Sovela era propriedade de uma associação onde Sousa Oliveira teve cargos de direcção.



Comentário:

Numa entrevista dada a Cláudia Rosenbusch do PortugalDiario em 13/01/2005, José Luís Lopes da Mota explica que tipo de casos passam pela Eurojust:

"Temos casos de corrupção, de branqueamento, de fraude fiscal, e casos relacionados com a lesão dos interesses financeiros da comunidade. Este ano lidei com cerca de 40 casos (portugueses) e grande parte deles tem a ver com este tipo de criminalidade, que é a mais difícil de investigar. Naquilo que tem a ver com Portugal, é o que mais passa pela Eurojust. Noutros países há outro tipo de criminalidade, como terrorismo. Mas posso dizer que, mais de metade dos casos que nos passaram pelas mãos, respeitam à criminalidade económica e financeira."


E agora pergunto eu: quem melhor do que José Luís Lopes da Mota para lidar com casos de corrupção, de branqueamento e de fraude? O homem conhece, como ninguém, o assunto por dentro e por fora. Talvez até melhor por "dentro" do que por fora.

quarta-feira, outubro 26, 2005

Rumsfeld lucra com a gripe das aves


É impossível ganhar dinheiro a sério sem a existência de um papão, e a recente “Gripe das Aves” é última burla utilizada pelas companhias farmacêuticas para gerar lucros.

“Finalmente, as peças do puzzle começam a fazer sentido,” escreve o Dr. Joseph Mercola, autor de “Programa de Saúde Total - Total Health Program." “O presidente Bush quis instalar o pânico neste país (Estados Unidos) dizendo-nos que, no mínimo, 200 mil pessoas iriam morrer com a pandemia da gripe das aves e que o número de mortes poderia chegar aos dois milhões só neste país. (EUA)”

“Este embuste é então usado para justificar a compra imediata de 80 milhões de doses de Tamiflu, um remédio inútil que não trata de forma nenhuma a gripe das aves, apenas diminui o tempo de duração da doença e que pode contribuir para que o vírus sofra mutações mais letais,” continua Mercola.

“Portanto os Estados Unidos fizeram um a compra de 20 milhões de doses desta droga inútil a um custo de 100 dólares por dose.” A verba atinge uns espantosos 2 mil milhões de dólares.

O ministro da defesa Donald Rumsfeld, antigo presidente da Gilead, o fabricante do Tamiflu, retira também grandes lucros, já que continua a ser um dos grandes accionistas da companhia.

Melhor ainda, o porta-voz do Bilderberg (o grupo Bilderberg é uma associação internacional informal de personalidades poderosas no mundo da política e da alta finança, que se encontram todos os anos.), Etienne F. Davignon (Vice-Presidente, Suez-Tractebel) e o ex-secretário de estado George Shultz, (membro honorário do Instituto Hoover e da Universidade de Stanford University) fazem também parte da direcção da Gilead.

Outro Bilderberger habitual é Lodewijk J.R. de Vink, com lugar na direcção da Hoffman-La Roche, parceira da Gilead.

Por outras palavras, a burla da “Gripe das Aves” vai gerar lucros escandalosos a indivíduos como Shultz, Rumsfeld, Davignon, e de Vink.

E donde é que vem o Tamiflu?

Segundo o website da Gilead, “Em Setembro de 1996, a Gilead e a F. Hoffmann-La Roche Ltd.chegaram a um acordo de colaboração no desenvolvimento e comercialização de terapias para tratar e prevenir gripes virais. Segundo o acordo, a Roche teria direito exclusivo a nível mundial aos inibidores de gripe propriedade da Gilead, incluindo o Tamiflu. A Roche tem os direitos comerciais a nível mundial do Tamiflu, e a Gilead recebe pagamentos da Roche pelo cumprimento dos sucessivos estádios da investigação e prémios pelas vendas do produto.

É bom lembrar que Rumsfeld adora burlas farmacêuticas. Foi ele, como director da G.D. Searle, que pressionou a FDA (Food and Drug Administration - agência governamental americana que regula e fiscaliza a fabricação de comestíveis drogas e cosméticos) para aprovar o Aspartame.

A FDA bloqueou a sua aprovação durante dez anos até Rumsfeld ter conseguido a sua aprovação. Hoje, o Aspartame, um adoçante artificial tão omnipresente como tóxico, continua a e envenenar a América e o Mundo.


Comentário:



Bush: "eu estou totalmente preparado em usar as forças armadas para proteger a pátria destes malfeitores".

Assistente: "tenho saudades de Osama (bin Laden)".

segunda-feira, outubro 24, 2005

Porquê o espanto?

Começaram os rumores sobre o staff que acompanha Isaltino Morais em mais uma dura missão ao leme da autarquia.

Insinua-se de que se trata de gente menos séria. Algumas vozes vão mesmo a ponto de os considerar um bando de oportunistas pouco escrupulosos, trafulhas, branqueadores de dinheiro, corruptos, vigaristas e tachistas da pior espécie.

Porquê todo este maldizer? A explicação só pode ser, a inveja em relação a um político imaculado que não enriqueceu à custa do erário público e cuja obra feita se impõe por si mesma.

Esses maldosos fazem constar que o estadista cobrava 10% de comissão por cada urbanização no Concelho! Isto é uma afronta para a honra e a dignidade dos Srs. construtores civis! Ainda que fosse verdade, que representa essa pequena percentagem comparada com os benefícios para a população? Nada! Rigorosamente nada!

Quanto ao staff que agora acompanha o estadista, lembramos apenas o seguinte: nem sempre os mais capazes e honestos estão disponíveis para a nobre missão de ajudar a resolver os problemas alheios. Se algum ou alguns dos acompanhantes do Sr. Doutor Isaltino, têm um passado mais nebuloso tal não pode, de forma alguma, ser atribuído a um menor cuidado na escolha por parte do Sr. Doutor!

Se nos recordarmos de alguns dos grandes líderes da história, podemos verificar que nem sempre lhes era possível a constituição de uma grande equipa.

Lembram-se de Al Capone? Ora aí está! O seu staff também não era nada de especial...

domingo, outubro 23, 2005

O cavaleiro da mentira, da propaganda, do embuste e do medo

José Pacheco Pereira – no Abrupto e no Público

A história da humanidade é a história de três dos quatro cavaleiros do Apocalipse: o da fome, o da peste e o da guerra. O bom cavaleiro, com o cavalo branco, esse não conta. No nosso confortável mundo europeu, 50 anos de paz fizeram-nos esquecer o cavaleiro da guerra, mas ele não se fez esquecer e, nos Balcãs e no Cáucaso, voltou a bater às portas do nosso recanto. Tinha andado por Ásia e África, mas 50 anos não é nada, nós é que pensávamos que era já definitivo. O cavaleiro da fome também está esquecido na Europa. Malthus ameaçou-nos com ele, mas a revolução industrial adiou as suas previsões, e nós, como de costume, pensamos que ele só estaria para lá longe, em África, O da peste espreitou recentemente com a sida e fugiu de novo para a tenebrosa África, a terra de todos os males, pensávamos também nós, seguros da nossa poderosa medicina.

Mas a nossa terra livre de cavaleiros do Apocalipse vai ter em breve a visita de um deles, o da peste, e, sabemos pela história, que qualquer um anuncia os outros, ou abre o caminho aos outros.

Aqui Pacheco divaga, algo poeticamente, durante alguns parágrafos, acerca da peste. E no fim avisa:

Só que desta vez pode não ser assim, tudo indica que não seja assim.

Entramos agora no fino e impossível equilíbrio entre o pânico inconsiderado e a legítima preocupação. Como é que devo escrever o que vou escrever? Talvez começando por dizer que há muitas probabilidades de termos uma pandemia de gripe com uma variante viral muito agressiva. Embora o cálculo dessas probabilidades seja muito difícil de fazer, pode-se considerar que, tudo ponderado, é mais provável que haja do que não haja. Claro que também pode não acontecer nada, como quando do susto americano com a "gripe dos porcos" no tempo do Presidente Ford, que acabou por não se verificar. Mas agora tudo indica que se verificará, não sabemos é daqui a quanto tempo, um ano, dez anos? Parece uma questão de tempo. Depois, tudo o resto são incógnitas e patamares que se podem subir ou descer.


E num passe de mágica, Pacheco faz um paralelo entre o vírus e o terrorismo:

Voltamos pois à peste, ao quotidiano da peste. Como o terrorismo, a peste também se modernizou, por linhas de fragilidades muito semelhantes: a sociedade de massas urbanizada, global, dá imensas oportunidades novas à doença, ao mesmo tempo que pareceu eliminar as antigas. Pouco a pouco, à nossa volta, a biologia tumultuosa para os humanos e os seus bichos domésticos começa a especializar-se. Sem a produção de carne e leite em série, a doença das vacas loucas, ou a hecatombe de carneiros provocada pela febre aftosa não teriam levado às imagens do "massacre dos inocentes" em que se converteram muitas quintas modelo da agricultura da PAC.

Graças a Darwin, percebemos hoje muito bem como o sucesso dos vírus se encavalita no nosso mundo urbanizado, na nossa agricultura industrial, nos nossos hábitos de consumo, na sociedade de massas. Para um vírus como o da "gripe das aves", o modo como vivemos é um nicho ecológico excepcional. O vírus veio dessa enorme capoeira e pocilga colectiva que são os campos da província chinesa de Guandong, um enorme pool de variabilidade genética em que o salto entre os animais e os homens é facilitado pela promiscuidade entre espécies. Mas já não precisa de fazer o caminho lento de um barco para a Índia, de uma caravana para o Levante, de um outro barco para Veneza ou Génova, pode voar com as aves selvagens até aos aviários da Europa, ou voar na Cathay Pacific ou na Lufthansa.

Depois de cá chegar, e já cá chegou às aves, poderá ou não demorar um pouco a encontrar outros hospedeiros, poderá ou não dar tempo a que haja vacina, poderá ser de uma estirpe mais ou menos agressiva, matar velhos ou jovens (como a "pneumónica" de 1918), poderá encontrar-nos preparados (tanto quanto podemos em relação a estas eficazes máquinas que são os vírus) ou não. Prevenidos já estamos, resta saber se estamos preparados e parece que não.

Se olharmos para África, onde um vírus que mata mais devagar como o da sida já molda a sociedade, alterando padrões demográficos, enfraquecendo as burocracias de Estados, já de si frágeis, as forças de polícia e segurança, aumentando a conflitualidade, podemos compreender melhor como será perturbador um vírus que mata mais rapidamente, ferindo a sociedade profundamente.

Os estudos mostram como uma pandemia de gripe levará à "nacionalização" dos stocks de medicamentos (dito de outro modo, ou um estado já possui esse stock nos seus armazéns, ou, quando a gripe começar a matar, ninguém lhe vai ceder o seu), à fragilização de polícias e exércitos, à paragem de escolas, casernas, concentrações de multidões (sim, os jogos de futebol também), por aí adiante. Por boas razões, por precaução, e por más, pelo pânico e crescimento da conflitualidade, as semanas que durar a gripe serão de tensão sobre toda a estrutura do Estado "civilizado". Depois passará, deixando os sobreviventes de uma geração imune, até à próxima. Para a democracia, para a nossa civilização, será um teste poderoso.



Para conseguir o contraditório a Pacheco Pereira recorri a um colega dele, João Pereira Coutinho, escriba do Expresso, remunerado, também ele, em dólares (Expresso Edição 1721).

JPC - Acontece que a doença não passa de boca em boca e, pior, os 60 mortos na Ásia mostram bem como é preciso praticamente beijar uma galinha infectada para morrer como ela - um cenário romântico que, obviamente, não interessa ao circo instalado. E não interessa porque o medo é um negócio. Um negócio para jornais. Um negócio para laboratórios. Um negócio que autoriza a Organização Mundial de Saúde a «recomendar» uma cobertura antiviral para 25% da população.



Comentário:

Este episódio demonstra à saciedade a falta de coordenação dos serviços que, algures, concertam o negócio de medo, da gripe e do terrorismo. Come on guys, resolve yourselves.

sábado, outubro 22, 2005

O regresso do Presidente do Conselho

Finalmente Cavaco anunciou a sua candidatura acidental. O mesmo ar despretensioso de sempre, a mesma independência dos partidos, o mesmo espírito de missão.

Tal como Salazar vem pela “estabilidade política”. Anunciou a suspensão da sua filiação partidária para não deixar dúvidas sobre a sua independência. Também Salazar não deixou margem a equívocos nesta matéria. Para ambos, a Pátria acima de tudo.

Debitou sobre a sua competência para “gerir o país como se gere uma família” (Salazar). O seu conhecimento da economia que fará dele um bom Presidente-1ºMinistro.

«Não me candidato para satisfazer uma ambição pessoal. Candidato-me porque tenho orgulho de ser português e não me resigno perante o actual estado de coisas». Não, não é uma frase de Salazar dos anos vinte. Cavaco não quer satisfazer ambições pessoais apesar de não ter quaisquer poderes constitucionais para aplicar o seu espírito de merceeiro. Mas então porque não quer voltar a Presidente do Conselho?

«Os portugueses não têm dúvidas de que não sou um político profissional». E se dúvidas existissem, bastariam os dez anos na Presidência do Conselho e a passagem por Ministro das Finanças de Sá Carneiro para as dissipar... . Também no percurso foram parecidos, primeiro nas Finanças e depois em tudo.

Cavaco só inveja Salazar pela necessidade que agora tem de fazer um grande esforço para tentar ser simpático, por ter de dizer alguma coisa aos jornalistas. António nem sequer precisou comer bolo-rei para não responder.

No resto quase tudo os une. A mesma admiração pela tradição católica, pelo Fado e pelo saber escrever, ler e contar, do povo. Não é por acaso que a mandatária de Cavaco para a juventude é a fadista Kátia Guerreiro: «O professor nunca foi Presidente da República, nunca teve a possibilidade de mostrar de que forma pode ajudar o país».

Tem toda a razão, Kátia! Até nisto eles são parecidos. O outro professor também nunca teve essa possibilidade, e em apenas dez ou quarenta anos como Presidentes do Conselho que poderiam eles ter feito de positivo?