domingo, janeiro 15, 2006

Crime Impune

Pervez Musharraf, o ditador paquistanês tratado como amigo fiel e aliado pelo governo dos EUA, está a braços com mais um problema: como justificar o ataque da passada 6ªfeira à aldeia de Damadola, perto da fronteira com o Afeganistão.
O ataque foi perpretado por um avião não-tripulado do exército norte-americano. Tratou-se, tudo indica, de uma operação da CIA destinada a matar Al-Zawhairi, o alegado nº2 da Al-Qaeda. Parece que a CIA teria tido indicações de que Al-Zawhairi estaria numa das casas atingidas pelo ataque.

O certo é que morreram 18 pessoas. Os aldeões dizem que mais de metade dos mortos são mulheres e crianças da aldeia e que não havia nenhum motivo para terem sofrido esse ataque. O certo é que mataram 18 pessoas, provavelmente inocentes de qualquer crime. O certo é que ninguém jamais será responsabilizado por este crime, ninguém jamais será responsabilizado por este erro, por este acto desumano. Jamais haverá um tribunal para julgar estas mortandades perpretadas pelos americanos em nome… do petróleo que consomem.
Pervez Musharraf diz que mandou protestar junto do governo norte-americano. Mas baixinho… que é para não incomodar a sesta do presidente Bush… Alto e bom som foi o aviso que deu aos seus próprios concidadãos, ontem na tv: “If we kept sheltering foreign terrorists here ... our future will not be good," disse este lacaio do imperialismo americano, sem ligar ao facto de que os americanos não mataram qualquer terrorista em Damadola, apenas aldeões indefesos que morreram sem saber de quê.
Em Washington, o cinismo impõe-se. Nenhum organismo reconhece a autoria do ataque. No comments é a única resposta. Mas é um silêncio ensurdecedor.

sábado, janeiro 14, 2006

Les uns et les autres

Les uns:



Les États-Unis arment Israël contre l’Iran

Dans le cadre de leur «partenariat stratégique», les États-Unis ont accordé des fonds supplémentaires conséquents à Israël pour accroître son arsenal.

Le Congrès a ainsi approuvé, fin décembre 2005, une allocation de 133 millions de dollars pour le développement du projet de missiles Arrow (photo), ainsi que le transfert de 600 millions de dollars supplémentaires à Israël, pour des projets communs de défense, en plus de ce que l’État hébreu reçoit annuellement.

Sous couvert d"un prétendu bouclier anti-missile israélien, les États-unis arment en fait Israël contre l’Iran: les quelques 600 millions de dollars seront ainsi affectés à la construction de drones, à l’acquisition de blindages de transports de troupes et de systèmes anti-leurres.

Plusieurs rapports états-uniens font également état de l’importance de ces « bases de défense anti-missiles » Arrow, dont la vocation est duale (leur porté étant estimé de 60 à 100km) : à la fois défensive et offensive.

Israël participe activement à la campagne de diabolisation de l’Iran, l’accusant sans preuves de chercher à fabriquer l’arme nucléaire en violation du Traité de non prolifération. Cependant, Israël est actuellement la seule puissance régionale à s’être dotée illégalement de la bombe atomique. C’est donc lui, et lui seul, qui représente une menace pour ses voisins.

«Le déploiement de missile de défense est un élément essentiel dans l’élargissement de nos efforts pour transformer notre défense, nos politiques de dissuasion et nos capacités de faire face aux nouvelles menaces», George W.Bush, le 17 décembre 2002.



Et les autres:

Tandis que le ministère russe de la Défense a annoncé, le même jour, l’accélération des livraisons d’armes défensives à l’Iran. Le transfert porte sur 29 missiles de cinquième génération Tor-M1 capables d’intercepter drones, hélicoptères, avions et mêmes missiles. De nouveaux systèmes de DCA pourraient également être vendus à l’Iran pour protéger ses grandes villes, ses ports et ses centrales nucléaires. Enfin, l’Iran devrait obtenir le statut d’observateur de l’Organisation de coopération de Shangaï, l’alliance militaire russo-chinoise, à l’été 2006.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Quando a ficção é demasiado real

Jornal Expresso – 15 de Setembro de 2001 (quatro dias após o 11 de Setembro de 2001)

Quando a capa do álbum Party Music do grupo «rap» The Coup (O Golpe) apareceu na Web, chegou a pensar-se numa partida de mau gosto face aos atentados de terça-feira contra as torres gémeas do World Trade Center, em Nova Iorque, e o Pentágono, em Washington. O CD foi posto à venda com a dita capa na Internet (na foto), apesar de só ser editado em finais de Outubro. O grupo, segundo a sua distribuidora portuguesa AnAnAnA, diz que apenas quis «retratar o impensável e o impossível, como uma crítica simbólica ao poderio das grandes multinacionais e à escravização financeira das sociedades actuais».

A capa, feita há meses, será substituída por outra, por decisão da editora, a 75ARK.

Mas a arrepiante coincidência é uma minúscula fatia de um bolo maior: a utilização da destruição de Nova Iorque e de grandes símbolos americanos como tema ou cenário em livros, discos e, principalmente, filmes de Hollywood.


Comentário:

Quem diria que Bush, Cheney, Rumsfeld e restantes neoconservadores eram tão fervorosos admiradores de música rap. Sobretudo do seu simbolismo pictórico. Será que também eles quiseram «retratar o impensável e o impossível, mas como um apoio simbólico ao poderio das grandes multinacionais e à escravização financeira das sociedades actuais»? Impensável e impossível?

domingo, janeiro 08, 2006

A privatização da classe política



Miguel Sousa Tavares – Expresso - 07.01.2006

É como a Ota e o TGV: ninguém ainda conseguiu explicar direito a lógica de interesse público, de rentabilidade económica ou de factor de desenvolvimento. Mas todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos, não apenas os directamente interessados - os empresários de obras públicas, os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos - mas também flutuantes figuras representativas dos principais escritórios da advocacia de negócios de Lisboa. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. Não há nada pior e mais perigoso do que a relação dos socialistas com o grande dinheiro: são saloios, deslumbrados e complexados. E o grande dinheiro agradece e aproveita.

Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro -, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre. Jogando com o que resta do património público, com o dinheiro que receberemos até 2013. Cá fora, na rua e frente a eles, estão os que acreditam que nada pode mudar, mude ou não mude o mundo. Sobreviveremos depois disso?


Comentário:

Não podia estar mais de acordo. Penso apenas que não são só os socialistas que são saloios, deslumbrados e complexados com o grande dinheiro. Muitos outros há igualmente fascinados pelo dito cujo.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Allah Akhbar

Apesar da terra ser pródiga em milagres, é pouco provável que Sharon consiga ressuscitar de três hemorragias cerebrais. Aos 77 anos, ninguém é de ferro…
Os médicos tentam fazer de deus, mas o homem está em coma, ligado à máquina e dali não sairá com facilidade.
Parece que a última ordem que deu, esta semana, foi no final de um briefing com os chefes militares a propósito dos constantes ataques dos rockets palestinianos. Rezam os jornais israelitas que terá dito: “isto tem que parar. Acabem com esses rockets Kassam. Mexam-se”. Heróico…
Ao mesmo tempo que era internado e operado de urgência, os generais obedeciam-lhe e davam início a uma vasta operação militar, com bombardeamentos aéreos, sobre alegados locais onde se ocultarão os lançadores dos rockets Kassam que, afinal de contas, são uma arma rudimentar e pouco eficaz, incapaz de acertar prepositadamente num alvo e com pouquíssimo poder destruidor. Os rockets Kassam funcionam melhor como arma de propaganda…
Mas a festa está em preparação, apesar dos bombardeamentos israelitas. Os árabes não conseguem esconder o que lhes vai na alma, apesar de terem de parecer politicamente correctos. Não se deseja a morte a ninguém, não é?... Mas, ao responsável pelos massacres nos campos de refugiados palestinianos em Beirute, eles desejam uma bela morte.
Agora, vão começar a aparecer nos jornais e nas televisões os feitos heróicos do guerreiro que, desde 1948, combateu em todas as batalhas de Israel. Poucos irão lembrar os massacres de Sabra e Chatila de 1982. Pouco importa. As vítimas de Sharon esperam por ele.

A malta não quer é trabalhar

TVI - 6 Jan 2006

O desemprego não pára de subir e ninguém parece acreditar que possa inverter esta tendência tão cedo. No último inquérito feito pelo Instituto Nacional de Estatística, os portugueses mostraram-se mais pessimistas quanto à evolução do desemprego nos próximos 12 meses, isto apesar da confiança dos consumidores ter estabilizado.

Esta é pois uma das maiores preocupações das famílias portuguesas. Os dados mais recentes do Eurostat mostram que Portugal foi o terceiro país entre os 25 da União Europeia onde o desemprego mais cresceu no último ano.

Entre Novembro de 2004 e o mesmo mês do ano passado, a taxa de desemprego trepou de 7 para 7,5 por cento. Pior desempenho na Europa só o Luxemburgo e a Hungria.



Comentário:

Somos um país de parasitas. E o resto da Europa e os Estados Unidos não são muito melhores. Queremos ganhar muito sem fazer nenhum e as empresas, muito compreensivelmente, deslocalizam. Porque é que havemos de ganhar setenta contos por mês a trabalhar oito horas por dia numa fábrica de confecções, quando os chineses trabalham por 33 cêntimos à hora, catorze horas por dia, sete dias por semana?

Só podemos ser competitivos se superarmos, por baixo, estes valores. Por exemplo: 20 cêntimos por hora, dezoito horas por dia, sete dias por semana, doze meses por ano. Desta forma, e enquanto os povos da África Equatorial estiverem fora do mercado de trabalho, poderemos aspirar a um desenvolvimento sustentado.

Agora, como estão as coisas não iremos a lado nenhum. E o mau desempenho da Hungria e do Luxemburgo também não é de admirar. Quantos de nós já alguma vez viu um luxemburguês a trabalhar?

terça-feira, janeiro 03, 2006

O Virtuoso

Para George W.Bush a virtude é um dado adquirido. Discurso após discurso, ele fala da virtude da “sua” guerra, da virtude do “seu” mandato celestial. Explicando a virtude, Bush sabe que será perdoado. Principalmente pelos que morrerem na guerra.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Os Muscídeos


Expresso Online - 2 Janeiro 2006

António Mega Ferreira será o próximo presidente do Centro Cultural de Belém (CCB).

O nome do jornalista e escritor, que já tinha sido avançado pelo EXPRESSO, voltou hoje a ser referido pela agência Lusa, depois de ter sido anunciada a exoneração do actual presidente da Fundação, João Fraústo da Silva.

O despacho ministerial refere que a tutela pretende «imprimir uma nova dinâmica ao CCB, consentânea, por um lado, com o programa do actual governo e, por outro lado, com novas valências de intervenção cultural e internacional».

A ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, alegou também a «necessidade de uma mudança de orientação».

Fraústo da Silva presidia ao Conselho de Administração do CCB desde 1996, por convite do então ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho.



Comentário:

O excremento é o mesmo. O que muda são os insectos dípteros, pertencentes à família dos Muscídeos, sempre muito bem remunerados e com excelentes indemnizações quando esvoaçam em busca de novo monte de estrume.

terça-feira, dezembro 27, 2005

O eterno problema da função pública



Extracto de uma entrevista concedida ao Expresso, a 5 de Junho de 2004, por Musaid Bin Abdel, deputado e ex-presidente da Câmara Municipal de Riade, capital da Arábia Saudita:


EXP. — A ameaça terrorista tem fustigado, particularmente, a Arábia Saudita. Como têm lidado com a ameaça?

M.B.A. — O terrorismo não nasceu na Arábia Saudita. Ele foi introduzido de fora para dentro. Os terroristas são aqueles jovens que ficaram no Afeganistão, combatendo a ex-URSS, sob orientação dos serviços secretos americanos, que os denominavam guerrilheiros Mujaheddin. Depois do desmantelamento da URSS foram deixados à sua sorte. Internamente, as nossas forças de segurança seguem de perto os terroristas que estão no nosso país.


EXP. — Garante que a Al-Qaeda não tem apoio das estruturas políticas e militares sauditas?

M.B.A. — Sem dúvida alguma. Não tem apoio de qualquer entidade saudita, nem da própria população. A Al-Qaeda levou a cabo vários atentados na Arábia Saudita antes e depois do 11 de Setembro, por isso mesmo não goza de simpatia popular.


EXP. — Essa alegação não será difícil de conciliar com o facto da maioria dos autores dos atentados de 11 de Setembro serem sauditas?

M.B.A. — Ainda não existe uma resposta definitiva sobre quem levou a cabo os atentados do 11 de Setembro. Nos próprios EUA, as investigações prosseguem e ainda não provaram que aqueles cidadãos eram de facto sauditas.


EXP. — Não está convencido de que eram seus concidadãos?

M.B.A. — Não sei, ainda está tudo por explicar: como eles chegaram aos EUA, como passaram despercebidos... É importante perceber como é que quatro aviões partem de Boston, guiados por jovens de Tora Bora (Afeganistão), são desviados da rota delimitada àquele tipo de voos, em direcção a Washington e Nova Iorque. Onde estava o FBI, a CIA, a Força Aérea? Há demasiadas interrogações. Quem está por trás? Verdadeiramente, não se sabe. Porque é que os computadores estiveram avariados meia-hora na altura do ataque? Se reflectirmos seriamente perceberemos que há mais alguém na base da operação. Quem? Só Deus sabe!


EXP. — Acha que os atentados podem ter tido apoio interno americano?

M.B.A.Talvez, porque não? Porque é que não interceptaram o segundo avião 20 minutos depois? Não um, não dois, mas 20 minutos! É tempo suficiente para reagir e fazer alguma coisa. A primeira coisa que disseram foi que era a Al-Qaeda, então seguiram para o Afeganistão. Não chegaram às conclusões devidas, mas procederam logo ao ataque. Recorde-se que J.F. Kennedy morreu há mais de 40 anos e ainda não se sabe quem o matou. Não sabemos quando a realidade virá à tona. O que percebemos é que os EUA e Israel combatem o mundo árabe, atacaram o Afeganistão e depois o Iraque. Quem se segue? Só Deus sabe!



Comentário:

Valha-me Deus, Musaid Bin Abdel. Diz você que 20 minutos é tempo suficiente para reagir e fazer alguma coisa? Você não sabe a que velocidade funciona a função pública? Um ex-presidente da Câmara Municipal de Riade? Ainda gostava de saber quanto tempo é que um processo de loteamento demorava a ser aprovado durante o seu mandato. Descaramento não lhe falta!

sexta-feira, dezembro 23, 2005

A chacina no Iraque ou "take them out"


By Andrew Buncombe, The Independent, Outubro 6, 2004


Um vídeo obtido a partir do cockpit de um caça F-16 mostra pilotos americanos a atacar e a matar um grupo de civis iraquianos desarmados: AQUI

O vídeo de 30 segundos mostra o pilota a alvejar o grupo de pessoas numa rua da cidade de Falluja e a perguntar aos controladores da sua missão se deve "take them out - «limpá-los»". É-lhe dito para o fazer e, pouco depois, o vídeo mostra uma grande explosão na rua onde as pessoas estavam. Uma segunda voz pode ser ouvida a dizer: "Oh, dude - «Ena pá»."

Em momento algum durante a troca de palavras entre o piloto e os controladores ninguém pergunta se os iraquianos estão armados ou constituem uma ameaça. Os críticos afirmam que isto prova que crimes de guerra estão a ser cometidos no Iraque.