quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Cartoons = Psyops




Os partidos da oposição criticaram hoje o conteúdo do comunicado do ministro dos Negócios Estrangeiros sobre as polémicas caricaturas do profeta Maomé, acusando Freitas do Amaral de ter omitido a condenação da violência e a solidariedade para com a Dinamarca.


Quem é afinal este Freitas do Amaral que se recusa a condenar a violência contra os «cartoons dinamarqueses»?

No seu livro «Do 11 de Setembro à crise do Iraque», Freitas do Amaral teve a lata de afirmar:

A administração Bush segue métodos «de extrema-direita», comparáveis aos de Hitler, Salazar, Franco e outros «ditadores e extremistas que colocam a soberania nacional acima do Direito Internacional». No prefácio de um livro agora concluído - Do 11 de Setembro à crise do Iraque -, Freitas desafia os aliados a terem «coragem e espinha dorsal para não se sujeitarem a ser mandados». E avisa que a Europa «tem o dever de tentar travar o belicismo americano».

A comparação de Bush com Hitler assenta no alegado desrespeito dos EUA pelo Direito Internacional e pela ONU, na sua convicção de que têm como missão dominar o mundo, na recusa em reconhecer aos terroristas o estatuto de prisioneiros de guerra e na reedição da «aliança entre o trono e o altar».

Recusando estar a virar à esquerda, Freitas lembra que «pode ser-se pró-americano e conjunturalmente anti-Bush».
Na Rússia, Zhirinovsky afirmou que os cartoons ofensivos constituem uma planeada "psyop" (operação, na qual, informação fabricada para influenciar a opinião pública é disseminada em território inimigo) levada a cabo pelos Estados Unidos com o objectivo de provocar um contencioso entre a Europa e o Mundo Islâmico.

A possibilidade de motins fabricados deve ser cuidadosamente considerada. Os três cartoons mais ofensivos que causaram a indignação nem sequer foram publicados no jornal «Danish Jyllands-Posten» mas foram acrescentados e distribuídos por imãs dinamarqueses que «circularam as imagens pelos seus irmãos nos países muçulmanos – segundo o London Telegraph.

É também muito suspeito que Muçulmanos na cidade de Gaza e noutros lados tenham tido acesso a um fornecimento completo de bandeiras dinamarquesas para queimar em frente dos media mundiais logo que a controvérsia rebentou.


Comentário:

Freitas recusa-se a condenar a Dinamarca. Será que existe de facto uma enorme maquinação por forma a preparar um ataque ao Irão? Ao nível da «Gripe da Aves»? Ao nível das «armas de destruição maciça do Iraque»? Ao nível do «11 de Setembro»?

Não faço idéia. Reconheço apenas que depois de tudo isto (e mesmo antes), se visse uma dinamarquesa à minha frente, com ou sem cartoons, nem sei o que é que lhe fazia...

domingo, fevereiro 05, 2006

Peter Power? - Nem vê-lo!


TSF Online - 2 de Fevereiro de 2006

GRÃ-BRETANHA - Perigo «real» de ataques terroristas

Num relatório enviado ao Parlamento inglês, o responsável da comissão, Lorde Carlile, disse que viu «informação suficientemente alarmante para voltar a frisar ao público inglês que existe um perigo real e imediato de haver mais ataques terroristas chocantes como aqueles que se verificaram em Julho do ano passado».

Lorde Carlile, que pertence ao Partido Liberal-Democrata mas foi nomeado como independente para esta comissão formada pelo governo, afirmou ainda aos deputados que «novos ataques de suicidas bombistas devem ser esperados e é impossível dizer quais serão os alvos».


Relembremos o dia 7 de Julho de 2005:

O diálogo seguinte teve lugar na tarde do dia dos atentados (7 de Julho de 2005) na rádio da BBC 5. O repórter da BBC entrevistou Peter Power, Director Chefe da empresa Visor Consultants, que se define a si própria como uma empresa de consultoria para a “gestão de crises”. Power é um ex-funcionário da Scotland Yard:

POWER: Às nove e meia da manhã estávamos efectivamente a realizar um exercício, utilizando mais de mil pessoas, em Londres, exercício esse baseado na hipótese de acontecerem explosões simultâneas de bombas, precisamente nas estações de metro onde elas aconteceram esta manhã, por isso ainda estou estupefacto.

BBC: Sejamos claros, você estava e efectuar um exercício para testar se estavam à altura de um acontecimento destes, e ele aconteceu enquanto faziam o exercício?

POWER: Exactamente, e foi cerca das nove e meia da manhã. Nós planeámos isto para uma empresa, que por razões óbvias não vou revelar o nome, mas eles estão a ouvir e vão sabê-lo. Estava numa sala cheia de gestores de crises e, em menos de cinco minutos, chegámos à conclusão que aquilo era real, e portanto passámos dos procedimentos de exercícios de crise para uma situação real.



Peter Power

O Sr. Power repetiu estas declarações na televisão (ITN). O clip de vídeo de dois minutos está disponível aqui.

Comentário:

Dados os antecedentes infelizes de Peter Power, o mais sensato, se estivermos a passar férias na Grã-Bretanha, será procurar a maior distância possível entre nós e o infortunado simulador de exercícios terroristas. O homem devia ir à bruxa!

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Demolição ou terremoto?


En Estados Unidos, los «Científicos por la Verdad sobre el 11 de Septiembre» (Scholars for 9/11 Truth) ponen en duda la versión oficial sobre los atentados del 11 de septiembre, señalando que ésta «viola los principios de la física y de la ingeniería».

Después de varios años de investigaciones y la publicación de artículos y libros, esta asociación de universitarios, que reúne a personalidades del mundo científico y de medios militares, está convencida de que el World Trade Center sólo pudo ser destruido mediante una demolición controlada.

Las investigaciones han llevado a estos científicos a la conclusión de que el gobierno estadounidense no sólo sabía de los atentados sino que los planificó. Ahora se han dado a la tarea de utilizar todos los medios a su alcance, como la organización de conferencias y la publicación de artículos, para hacerlo saber al pueblo.

Esta asociación, a la que pertenecen unas cincuenta personalidades, fue fundada por David Ray Griffin, ex profesor de teología y autor de The New Pearl Harbor (2004) y The 9/11 Commission report: omissions and distorsions (2004).

La dirige Morgan Reynold, profesor emérito de economía en la Universidad A&M, de Texas, y ex consejero del presidente George W.Bush.

La asociación cuenta además con el apoyo de Andreas Von Bulow, ex ministro alemán de Investigación y Tecnología, autor de «Die CIA und der 11 September. Internationaler Terror und die Rolle der Geheimdienste» y miembro de Axis for Peace.

En 2005, el millonario Jimmy Walter ofreció un millón de dólares a quien logre probar que las Torres Gemelas del World Trade Center pudieron desplomarse sin la utilización de explosivos. Ni siquiera los propios expertos oficiales se han atrevido a tratar de aceptar el reto. Nadie ha reclamado el premio.



Comentário:

Estava tentado a sugerir que as torres gémeas podiam ter sido fruto de um terremoto controlado em vez de uma demolição controlada e abichar, deste modo, o milhão de dólares do Jimmy Walter. Mas dê por onde der vou parar aos mesmos de sempre.


Ya no es imposible provocar temblores y otros desastres “naturales” con las características del Tsunami que mató decenas de miles de inocentes. El Programa HAARP, impulsado por las fuerzas militares de Estados Unidos, es un claro ejemplo de esta situación.

El 28 de abril de 1997, en una charla sobre "Terrorismo, Armas de Destrucción Masivas y Estrategia Estadounidense”, William Cohen, entonces Secretario de Defensa de Estados Unidos, afirmó que “…nuestros enemigos poseen tecnología electromagnética, la cual puede alterar el clima, programar terremotos y volcanes, usando las antiguas ondas electromagnéticas."

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Richard Perle


Richard Perle, presidente do conselho de política de defesa do Pentágono, comentou, em finais de 2002, os planos da administração Bush na guerra ao terrorismo:

- «Não há fases. Isto é guerra total. Estamos a lutar contra uma série de inimigos. São imensos. Esta conversa toda acerca de irmos primeiro tratar do Afeganistão, depois, do Iraque, de seguida olharmos em volta e vermos em que pé estão as coisas. Esta é a maneira mais errada de fazer as coisas... se deixarmos a nossa visão do mundo ir para a frente, se nos dedicarmos totalmente a ela, e se deixarmos de nos preocupar em praticar diplomacia elegante, mas simplesmente desencadearmos uma guerra total... daqui a uns anos os nossos filhos cantarão hinos em nosso louvor.»

O jornalista John Pilger entrevistou Perle em 1987, quando este era conselheiro do presidente Reagan. Nessa altura, Pilger pensou que ele era louco.


Comentário:

Não concordo com Pilger. Acho apenas que Richard Perle é demasiado pragmático. Desregradamente pragmático. Quanto aos hinos, se os nossos filhos ainda cá estiverem, talvez os cantem.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

A aposta «falhada» de Sócrates

Pacheco Pereira no blog Abrupto e no Público de 28-7-2005:

...ainda mais o motiva (Mários Soares) poder pôr na ordem o PS e encaminha-lo para uma esquerda mais radical, “social” no sentido anti-capitalista, anti-globalizadora, anti-americana e gaullista-europeista extremada, que é o núcleo duro do seu pensamento actual. Ironicamente, para quem meteu o socialismo na “gaveta”, o seu pensamento económico, ou melhor, a sua ideologia económica, é hoje claramente anti-capitalista e o apoio que dá aos movimentos anti-globalização, simbolizados no fórum de Porto Alegre, e que representam hoje o “socialismo terceiro-mundista” que combateu no passado, tem poucas nuances. Soares é hostil às políticas de liberalização da OMC, combateria aquilo a que chama “capitalismo selvagem” e a “dominação” do globo pelo “pensamento único”, pelo “neo-liberalismo”, ou seja, a mundialização da economia de mercado que o fim do “socialismo real” permitiu.

Soares apoiaria um eixo Paris-Berlim-Moscovo e deseja uma Europa federada, uns Estados Unidos da Europa mesmo que sem este nome, uma Europa que se dotasse dos meios de defesa e intervenção que lhe dessem capacidade para se medir com a super potência americana. O seu ideal seria uma Europa armada que substituiria o lugar da URSS como a outra super potência, e com uma política externa essencialmente de contenção anti-americana. Faria tudo para combater o “império”, ou seja os EUA, e para o isolar e condenar sob todas as formas nas instituições internacionais, apoiaria a retirada imediata ou quase das tropas da coligação e da NATO do Afeganistão e no Iraque. Por aí adiante.

Ora, quem tem este programa em Portugal é o Bloco de Esquerda e não o PS e se isso não soa o alarme no governo, é porque perderam qualquer capacidade analítica e não têm ouvido e lido Mário Soares nos últimos anos.



Comentário:


Terá a terceira via de Sócrates ficado fortemente diminuída com a estrondosa derrota do seu candidato presidencial?

Mário Soares (Fórum Social Mundial): «O colapso do mundo comunista fez com que os partidos socialistas e social-democratas interiorizassem a derrota, embora não tenha sido uma derrota do socialismo. Começaram a aproximar-se do neoliberalismo e adotaram certas expressões e idéias neoliberais. Isso foi visível principalmente com (Tony) Blair e sua terceira via, em que nunca acreditei. O povo de esquerda não mais se sentiu representado pelos socialistas, ou se sentiram insuficientemente representados pelos partidos políticos...»

terça-feira, janeiro 24, 2006

De nada serve, chorar sobre leite derramado

Este povo miserável esqueceu a sua própria cultura assimilada ao longo dos séculos...
Se os ensinamentos dos antigos não tivessem sido levados pelo "vento" da modernidade, Cavaco não teria tido a mínima hipótese de ser eleito. Senão, vejamos os provérbios populares:
1) Em Janeiro sobe ao outeiro; se vires verdejar, põe-te a cantar, se vires Cavacar, põe-te a chorar.
2) Quem vai ao mar avia-se em terra; quem vota Cavaco, mais cedo se enterra.
3) Cavaco a rir em Janeiro, é sinal de pouco dinheiro.
4) Quem anda à chuva molha-se; quem vota em Cavaco lixa-se.
5) Ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão; parvo que vota em Cavaco, tem cem anos de aflição.
6) Gaivotas em terra temporal no mar; Cavaco em Belém, o povinho a penar.
7) Há mar e mar, há ir e voltar; vota Cavaco quem se quer afogar.
8) Março, marçagão, manhã de Inverno tarde de Verão; Cavaco, Cavacão, manhã de Inverno tarde de inferno.
9) Burro carregando livros é um doutor; burro carregando o Cavaco é burro mesmo.
10) Peixe não puxa carroça; voto em Cavaco, asneira grossa.
11) Amigo disfarçado, inimigo dobrado; Cavaco empossado, povinho atropelado.
12) A ocasião faz o ladrão, e de Cavaco um aldrabão.
13) Antes só que mal acompanhado, ou com Cavaco ao lado.
14) A fome é o melhor cozinheiro, Cavaco o melhor coveiro.
15) Olhos que não vêm, coração que não sente, mas aturar o Cavaco, não se faz à gente.
16) Boda molhada, boda abençoada; Cavaco eleito, pesadelo perfeito.
17) Casa roubada, trancas na porta; Cavaco eleito, ervas na horta.
18) Com Cavacos e bolos se enganam os tolos.
19) Não há regra sem excepção, nem Cavaco sem confusão.
20) De Boliqueime, nem bom vento nem pôrra nenhuma.

domingo, janeiro 22, 2006

Graças a Deus que o nosso sistema eleitoral (ainda) não é igual ao americano

Hoje é dia de eleições. Graças a Deus que o nosso sistema eleitoral (ainda) não é igual ao americano. Se fosse, até o Garcia Pereira tinha hipóteses de ganhar.

O texto seguinte está em brasileiro.


Common Dreams
6 de Novembro de 2004

Thom Hartmann é um autor de sucesso ganhador do Project Censored Award que tem um programa de entrevistas no rádio transmitido diariamente em cadeia nacional, assim como uma página na Internet (www.thomhartmann.com). Seus livros mais recentes são "The Last Hours of Ancient Sunlight" (As Últimas Horas da Antiga Luz do Sol, Editora Sinais de Fogo, Portugal), "Unequal Protection: The Rise of Corporate Dominance and the Theft of Human Rights" (Proteção Desigual: A Ascenção da Domínio Corporativo e o Roubo dos Direitos Humanos), "We The People: A Call To Take Back America" (Nós o Povo: Um Apelo Para Devolver a América) e "What Would Jefferson Do?: A Return To Democracy" (O Que Jefferson Faria: Uma Volta à Democracia).


AS EVIDENCIAS MOSTRAM QUE O VOTO FOI FRAUDADO
por Thom Hartmann

Quando conversei com o candidato a deputado democrata pelo 16º
distrito da Flórida Jeff Fisher esta manhã (sábado 6 de novembro de
2004), ele disse que estava esperando o FBI chegar. Fisher tinha as
evidências, segundo ele, que não somente a eleição na Flórida havia
sido fraudada, mas por quem e como. E não só este ano, mas que estas
mesmas pessoas havia fraudado o pleito primário democrata em 2002 para
que Jeb Bush não tivesse que concorrer contra Janet Reno, que
representava uma ameaça real a Jeb, mas contra Bill McBride, de quem
Jeb ganharia.

- Foi um exercício para uma conquista a nível nacional - Fisher me
disse.

E as evidências se acumulam na conquista nacional ocorrida em 2 de
novembro de 2004. Kathy Dopp compilou as informações oficiais numa
tabela disponível em http://ustogether.org/Florida_Election.htm, e
observou coisas surpreendentes.

Enquanto as máquinas de votar de toque de tela de grande capacidade
pareciam produzir resultados onde a proporção Democrata/Republicano
batia com a votação Kerry/Bush, assim como os votos em papel
digitalizados nas comarcas maiores, nas localidades menores da Flórida
os resultados dos votos em papel digitalizados - alimentados num PC e
portanto mais vulnerável à fraude - pareciam se inverter.

Na comarca de Baker, por exemplo, com 12.887 eleitores registrados,
69,3% votaram no Partido Democrata e 24,3% no Republicano, mas a
votação foi de somente 2.180 votos para Kerry e 7.738 para Bush, o
oposto do que se viu no resto do país onde os democratas votaram em
massa em Kerry.

Na comarca de Dixie, com 4.988 eleitores registrados, 77,5% deles
votando no Partido Democrata e apenas 15% no Republicano, só 1.959
pessoas votaram em Kerry, mas 4.433 em Bush.

O padrão se repete em todo lugar - mas somente nas comarcas menores
onde, possivelmete, o pequeno número de eleitores não chamaria a
atenção. Em Franklin, 77,3% votaram nos democratas mas 58,5% em Bush.
Em Holmes, 72,7% votaram nos democratas, e 77,25% em Bush.

Ainda assim em localidades maiores, onde estas anomalias seriam mais
óbvias para a mídia, altos percentuais de votos para os democratas
equivaliam a altos percentuais para Kerry.

Mais análises visuais dos resultados podem ser vistas em
http://ustogether.org/election04/FloridaDataStats.htm, e
www.rubberbug.com/temp/Florida2004chart.htm.

E, embora as autoridades eleitorais não tivessem notado nenhuma
anomalia, em conjunto elas foram suficientes para fazer a Flórida
virar de Kerry para Bush. Se você simplesmente pegar os resultados e
inverter os números "anômalos" nestas localidades que parecem ter sido
fraudadas, o resultado mostra números semelhantes às pesquisas de
boca-de-urna: Kerry ganha, e ganha longe.

Estas pesquisas de boca-de-urna têm sido um problema para os
repórteres desde o dia da eleição.

Na noite da eleição, eu fazia uma cobertura ao vivo para a WDEV, uma
das rádios que transmitem meu programa, e, logo depois da meia-noite,
durante o boletim da Associated Press das 0:20, fiquei surpreso em
ouvir que a repórter Karen Hughes havia dito a George W. Bush que ele
havia perdido a eleição. As pesquisas eram claras: Kerry estava
ganhando por maioria esmagadora. "Bush ouviu o comentário
estoicamente" dizia a nota da AP.

Mas então os computadores começaram a mostrar algo diferente. Em
muitos estados chave.

Os conservadores vêem aqui uma conspiração: eles acham que as
pesquisas foram manipuladas.

Dick Morris, o mal-afamado consultor político da primeira campanha de
Clinton que passou para contultor Republicano e comentarista da Fox
News, escreveu um artigo para The Hill, a publicação lida por todo
político em Washington, em que ele faz duas observações brilhantes.

"As pesquisas de boca-de-urna quase nunca estão erradas" escreve
Morris. "Elas eliminam as duas maiores falhas em pesquisas ao separar
corretamente os eleitores de fato dos que pretendem votar mas não o
fazem, e ao substituir observações reais por conjeturas de avaliação
do índice de abstenção em diferentes partes do Estado".

Ele acrescenta: "Portanto, de acordo com as pesquisas de boca-de-urna
da rede ABC, por exemplo, Kerry deveria ganhar nos estados de Flórida,
Ohio, Novo México, Colorado, Nevada e Iowa, onde na realidade Bush
ganhou em todos. O único estado onde as pesquisas davam vitória para
Bush foi West Virginia, onde o presidente ganhou por 10 pontos.

E poucas horas depois de as pesquisas mostrarem uma clara vitória de
Kerry, quando os números de votos computadorizados começaram a vir de
vários estados a eleição estava decidida para Bush.

Como isso pode acontecer?

No programa de TV da CNBC "Topic A With Tina Brown", alguns meses
atrás, Howard Dean entrevistou Bev Harris, a avó de Seattle que criou
www.blackboxvoting.org na sua sala de estar. Bev chamou a atenção
para, independente de quantos votos forem tabulados (exceto os de
pequenas cidades em Vermont onde a contagem é manual), a contagem real
é feita por computadores. Sejam máquinas de leitura ótica da Diebold,
que lêem cédulas de papel preenchidas a lápis ou caneta pela mão do
eleitor, ou os leitores de cartões perfurados, ou as máquinas que
simplesmente registram os votos dados em tela de toque, em todos esses
casos os totais são enviados para uma máquina "tabuladora central".

Esta máquina tabuladora central é um PC com Windows.

"Num sistema de votação" explicou Harris a Dean em cadeia nacional,
"você tem todas as diferentes máquinas de votar em todos os locais de
votação, algumas vezes em localidades como a minha, mil locais de
votação numa única comarca. Todas essas máquinas alimentam uma única
máquina para somar todos os votos. Portanto, é claro, se você fosse
querer fazer alguma coisa que não deve ser feito, seria mais
conveniente fazê-lo nas 4000 máquinas ou apenas numa que concentra
elas todas?".

Dean aquiesceu em concordância retórica, e Harris continuou. "O que
causa surpresa é que o tabulador central é um simples PC, como o que
eu ou você usamos. É apenas um computador normal".

"Portanto," disse Dean "qualquer um que pode fraudar um PC poderá
fraudar esse tabulador central?".

Harris concordou, e mostrou como a Diebold usa um programa chamado
GEMS, que preenche a tela de um PC e efetivamente o transforma no
sistema tabulador central. "Este é o programa oficial que o Supervisor
da Comarca vê", disse ela, apontando para um PC que estava entre eles,
carregado com o software da Diebold.

Bev fez então Dean abrir o programa GEMS para ver os resultados de um
teste de uma eleição. Eles foram até a tela intitulada "Relatório de
Resumo da Eleição" e esperaram um momento enquanto o PC "somava todos
os votos de todas as seções", e então viram que nesta falsa eleição
Howard Dean tinha 1000 votos, Lex Luthor tinha 500, e Tiger Woods
nenhum. Dean tinha ganho.

"Naturalmente, você não pode fraudar este programa" observou Harris. A
Diebold desenvolveu um ótimo programa.

Mas está rodando num PC com Windows.

Então Harris fez Dean fechar o software GEMS, e, voltando ao Windows,
clicou no ícone "Meu Computador", escolheu "Disco Local C:", abriu a
pasta chamada GEMS, e abriu a sub-pasta "LocalDB" que, observou
Harris, "significa banco de dados local, isto é, o local onde estão os
votos". Harris fez então Dean dar um duplo clique num arquivo na pasta
"Votos do Tabulador Central", o que fez o PC abrir uma planilha de
votos num programa de banco de dados semelhante ao Excel.

Na linha "Soma dos candidatos", ela descobriu que numa seção Dean
tinha recebido 800 votos e Lex Luthor 400.

"Vamos invertê-los" disse Harris, e Dean cortou e arrastou os números
de uma célula para outra. "E," acrescentou magnanimamente, "vamos dar
100 votos a Tiger".

Fecharam o banco de dados, voltaram ao software oficial GEMS "de forma
legítima, você é o responsável na comarca e você está conferindo o
andamento de sua eleição".

Enquanto a tela mostrava a tabulação oficial, Harris disse "você pode
ver que agora Howard Dean tem apenas 500 votos, Lex Luthor tem 900, e
Tiger Woods 100". Dean, o vencedor, agora era o perdedor.

Harris ajeitou-se, sorriu e disse "nós acabamos de editar uma eleição,
e só levou 90 segundos".

O clipe com a entrevista pode ser visto em www.votergate.tv.

O que nos traz de volta a Morris e às incômodas pesquisas de
boca-de-urna que levaram Karen Hughes a dizer a George W. Bush que ele
tinha perdido a eleição de lavada.

A teoria da conspiração de Morris é que as pesquisas de boca-de-urna
"foram sabotadas" para fazer os eleitores dos Estados ocidentais não
se incomodarem em votar em Bush, já que as redes iriam prever o
resultado baseado nas pesquisas para Kerry. Mas as redes não fizeram
isso, nem tinham a intenção de faze-lo. Faz muito mais sentido que as
pesquisas estavam corretas - não foram feitas em PCs da Diebold - e
que os votos é que foram fraudados.

E não só para o candidato a presidente - Jeff Fisher pensa que isso o
atingiu e qualquer outro candidato democrata para a Câmara nos
estados mais fraudados.

Por enquanto, o único a chegar próximo desta história na mídia
nacional foi Keith Olbermann em seu programa de sexta-feira à noite em
5 de novembro, quando observou que era curioso que todas as
irregularidades das máquinas de votar encontradas até então eram
favoráveis a Bush. Enquanto isso, o Washington Post e outras mídias
estão se contorcendo sobre a teoria da bala única para explicar como
as pesquisas de boca-de-urna falharam.

Mas eu concordo em grande parte com Dick Morris da Fox. Ao fechar esta
matéria para The Hill, Morris escreveu no parágrafo final: "Este não
foi um simples erro. As pesquisas de boca-de-urna não podem estar tão
erradas em todo lugar como no dia da eleição. Eu suspeito de jogo
sujo".

http://www.commondreams.org/headlines04/1106-30.htm

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Chirac admite usar armas nucleares contra ataques terroristas

19-01-2006

É a primeira vez que a França fala desta hipótese. Não disse o nome de nenhum país, mas sublinhou que as reservas estratégicas e a defesa dos aliados são interesses vitais

A França reserva-se o direito de ripostar com armas nucleares contra qualquer país que lance um ataque terrorista em território francês, afirmou hoje o Presidente francês, Jacques Chirac.

"Os dirigentes dos Estados que recorram a meios terroristas contra nós ou que considerem a possibilidade de utilizar armas de destruição maciça devem compreender que se expõem a uma resposta firme e consentânea da nossa parte. Essa resposta pode ser convencional, mas também pode ser de outra natureza", disse Chirac, sem referir nenhum país em concreto.

Esta é a primeira vez que a França admite usar armas nucleares contra o terrorismo.

A França planeou as suas forças nucleares para poder responder "com flexibilidade" a uma ameaça, disse Chirac, que discursava sobre a doutrina militar francesa às tripulações dos submarinos nucleares da base nuclear de Ile Longue, ao largo de Brest (oeste).

As reservas estratégicas e a defesa dos aliados são, em última análise, interesses que podem ser considerados vitais e que justificariam o recurso à dissuasão nuclear, acrescentou o Presidente francês.

Até agora, a França apontava como interesses vitais justificativos de um recurso ao nuclear a integridade do seu território, a protecção da sua população e o livre exercício da sua soberania.

Chirac frisou, no entanto, que qualquer "ameaça ou chantagem" visando esses interesses terá sempre de ser "avaliada pelo Presidente da República quanto à sua amplitude e potenciais consequências", análise decisiva para a sua qualificação como "interesses vitais".

"A luta contra o terrorismo é evidentemente uma das nossas prioridades", disse Chirac, acrescentando no entanto que "não se deve ceder à tentação de limitar o conjunto das problemáticas da defesa e da segurança a esse necessário combate ao terrorismo".

"Não é por surgir uma nova ameaça que todas as outras desaparecem", explicou, acrescentando que "o mundo é (hoje) marcado pelo aparecimento de afirmações de poder que assentam na posse de armas nucleares, biológicas ou químicas".



Comentário:

A quem se referirá Chirac? A Bin Laden, a Ahmadinejad, a Putin ou a Bush?

Quem tem nos últimos anos vindo a fazer afirmações de poder que assentam na posse de armas nucleares, biológicas ou químicas?

Quem cedeu (aparentemente) à tentação de limitar o conjunto das problemáticas da defesa e da segurança a esse necessário combate ao terrorismo?

No Comments

O racismo é uma besta pestilenta.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Erro Nuclear

A CNN foi expulsa liminarmente do Irão, depois de ter errado numa tradução de um discurso do Presidente Ahmadinejad, ao afirmar que este teria dito que “todos os países têm direito a ter armas nucleares” quando, a verdade é que o homem disse “todos os países têm direito à tecnologia nuclear”.
Quando confrontada com o facto, a CNN pediu desculpa pelo erro, mas o pretexto para pôr os americanos fora dali é demasiado bom para ser desperdiçado…
A dúvida sobre se o erro foi propositado ou não, é pertinente. É que no discurso que fez, Ahmadinejad afirmou que “o Irão não pretende produzir a bomba atómica” e que “a posse e a utilização dessa bomba é contrária à religião”. Mas os tipos da CNN já nem devem ter ouvido esta parte, tão excitados devem ter ficado quando julgaram perceber que o dirigente iraniano dizia ser favorável à produção da arma nuclear.
É verdade que o Presidente iraniano não é homem para falinhas mansas. Desde que venceu as eleições, que não se cansa de rogar pragas a Israel e, além disso, reiniciou uma política de linha dura com a Europa e EUA, a pretexto da questão nuclear.
Ahmadinejad tem “as costas quentes” com o apoio tácito da China e da Rússia que, julgo, jamais deixarão que o Conselho de Segurança dê a bênção a um ataque preventivo contra o Irão. Se Bush o quiser fazer, vai ter de o fazer sozinho.