segunda-feira, novembro 10, 2008

No Daily Show de Jon Stewart, Eugene Jarecki desmonta as esperanças ingénuas dos apoiantes de Barack Obama

Eugene Jarecki, escritor e realizador, dirigiu, entre outros, o documentário "Why We Fight" [Porque é que combatemos], que descreve a ascensão do complexo militar-industrial americano. O documentário afirma que em todas as décadas desde a Segunda Guerra Mundial, foi dita uma mentira ao povo americano, de forma a que o Governo pudesse conduzi-lo à guerra e, desta maneira, alimentar a economia militar-industrial.

Eugene Jarecki é convidado de Jon Stewart do Daily Show. O seu último livro chama-se "Como a América Faz a Guerra: e como perdeu o seu rumo" [The American Way of War].


Stewart: Fala muito de uma ligação entre os sectores militares e industrial, para a qual Eisenhower alertara. Isso está agora mais presente ou menos presente do que nos anos 50?

Jarecki: Essa ligação está mais presente actualmente e também muito mais generalizada na sociedade. Olhando para o que se passa em Wall Street e em tantas indústrias, as pessoas sentem que não é apenas o sector militar-industrial. Há uma espécie de promiscuidade político-industrial neste país. Há uma ligação demasiado estreita entre empresas e congressistas

Jarecki: O mundo não é um local seguro. É impossível ter segurança perfeita. E o que pode acontecer quando tentamos ter segurança perfeita é, literalmente, entrar em falência enquanto país a todos os níveis… Eisenhower disse que "é possível destruir a partir do interior o que estamos a tentar proteger do exterior." É assustador.

Jarecki: O que aconteceu foi que o nosso país mudou. O meu livro mostra como o estilo de guerra americano substituiu o estilo de vida americano… Os Constitucionalistas queriam uma República modesta, que não andasse sempre em guerra, pois sabiam – pelos Britânicos – que, se o país se envolver constantemente em guerras, o Presidente vai dizer mais frequentemente ao povo: "É tempo de guerra. Não há tempo para liberdades cívicas, não há tempo para deliberar, não há tempo para decisões racionais." Não queriam isso. Disseram: "Foi assim no tempo dos Britânicos. Criemos um Governo inteligente, que não possa estar sempre em guerra."

Stewart: Qual o máximo de tempo que estivemos neste país sem participar em alguma guerra?

Jarecki: No últimos 200 anos, um ou dois anos. Foram feitos estudos. É um estado de guerra permanente e, de certa forma, é terrível, mas é algo que todos podemos mudar.

Stewart: Não vê isto como uma questão entre Democratas e Republicanos. É o tipo de coisa que ambos os partidos… Este envolvimento dos lóbistas com as empresas não muda muito de Administração para Administração.

Jarecki: Não, de todo. As forças que controlam a nossa entrada ou não numa guerra, francamente não querem saber quem está na Casa Branca, quem está na Sala Oval,. Interessa-lhes o paradigma, a ideia de soberania americana no mundo, a forma como nos impomos e espalhamos a nossa marca.


Vídeo legendado em português

domingo, novembro 09, 2008

Também na banca, o Brasil já se tornou um imenso Portugal

A jornalista brasileira Salete Ramos foi demitida da TV Cultura, em julho de 2007, por expressar a sua revolta sobre o roubo que os bancos praticam no Brasil.

Fala ela do enriquecimento ilícito dos bancos, da posição do governo em estudar reconhecer a dívida e da assistência jurídica para assegurar automaticamente o reembolso aos lesados, o povo brasileiro.

Ouçam-se as palavras de Salete Ramos. Vale bem a pena, pela brutalidade dos números envolvidos:

Vídeo - 1:51 m

quarta-feira, novembro 05, 2008

A metamorfose da câmara de gás de Dachau

De 1945 a 1960 os meios de comunicação e os tribunais Aliados afirmaram que uma câmara de gás homicida tinha sido usada no campo de concentração de Dachau. Não faltavam provas desse facto. Chamou-se particularmente a atenção para a câmara de gás de Dachau e para as suas vítimas.

Segundo um livro publicado pelo Exército Norte-Americano imediatamente a seguir à II Guerra, intitulado "Dachau Libertado, o Relatório Oficial do Sétimo Exército dos Estados Unidos" [Dachau Liberated, The Official Report by The U.S. Seventh Army], entre 20 de Junho e 23 de Novembro de 1944, um total de 29,138 Judeus foram trazidos de outros campos e gaseados na câmara de gás de Dachau.


Um dos dias mais decisivos do julgamento de Nuremberga foi aquele no qual a acusação exibiu um filme sobre os campos de concentração alemães. O horror supremo chegou com a câmara de gás de Dachau. O orador explicou o funcionamento do dispositivo que gaseou provavelmente 100 pessoas de cada vez. É difícil exagerar o quanto a exibição desse filme influenciou a imaginação das pessoas.

O filme está disponível no site do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos [USHMM - United States Holocaust Memorial Museum]:



No filme, que foi mostrado no Tribunal Militar Internacional de Nuremberga, a 29 de Novembro de 1945, um soldado americano pode ser visto a abrir a porta que separa a sala, onde os prisioneiros se despiam, da câmara de gás:



Na página do site está uma descrição do filme sobre Dachau:


«Campo de Concentração de Dachau. Vistas aéreas de Dachau onde 30.000 estavam prisioneiros. Portão do campo com a suástica. Faces macilentas de prisioneiros. Comboios cheios de prisioneiros que estavam mortos à chegada. Pilha de corpos enterrados pelos prisioneiros sobreviventes. Prisioneiros mortos. Habitantes da cidade próxima são trazidos para ver o campo. Mulheres choram depois de ver as pilhas de corpos. Roupas dos prisioneiros penduradas do lado de fora do edifício onde os prisioneiros eram gaseados. Interiores da sala de chuveiros mostrando os ventiladores do gás, chuveiros falsos, casa das máquinas, válvulas de entrada e saída, válvula manual para regular a pressão do gás, lata de Zyclon B, e crematórios. Interiores dos crematórios, cinzas. Filmagens de prisioneiros nus mostrando os efeitos da brutalidade nazi.»


Mas outra página do site do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos diz o seguinte:

«Em 1942, a área do crematório foi construída próxima do campo principal. Incluía o crematório velho e o crematório novo (Barrack X) com uma câmara de gás. Não existem provas credíveis de que a câmara de gás tenha sido usada para matar seres humanos.»


Até Maio de 2003, qualquer visitante da câmara de gás de Dachau podia ler num painel a seguinte frase em cinco línguas diferentes:


CÂMARA DE GÁS
disfarçada de "sala de chuveiros"

nunca foi usada como câmara de gás


Câmara de Gás de Dachau


A fotografia deste painel pode, ainda hoje, ser observada no site de "The Holocaust History Project" [Projecto de História do Holocausto], uma empresa americana sem fins lucrativos.
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segunda-feira, novembro 03, 2008

O Yad Vashem de Israel e o Memorial do Holocausto dos EUA não se entendem quanto à existência das câmaras de gás na Alemanha nazi


O Museu Yad Vashem de Israel e o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos constituem os dois maiores centros a nível mundial de documentação, pesquisa e análise da história do Holocausto Judeu.

Acontece que estas duas respeitadas e documentadas instituições, o Museu Yad Vashem e o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, entram em séria contradição quando abordam a existência de câmaras de gás nos campos de concentração em território alemão.

Estas discrepâncias sobre a existência de câmaras de gás não ajudam a calar, muito pelo contrário, as vozes revisionistas que defendem existir grandes inconsistências na versão oficial do Holocausto Judeu. Haverá uma versão oficial do Holocausto?


1) Campo de Concentração de Mauthausen

Museu Yad Vashem – Mauthausen não possuía câmara de gás.

Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos - Mauthausen possuía câmara de gás.


2) Campo de Concentração de Dachau

Museu Yad Vashem – Dachau não possuía câmara de gás.

Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos – Dachau possuía uma câmara de gás embora não existam provas credíveis de que a câmara de gás tivesse sido usada para matar seres humanos.


3) Campo de Concentração de Buchenwald

Museu Yad Vashem - Nada diz sobre a existência de câmaras de gás ou gaseamentos dos prisioneiros de Buchenwald.

Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos – Os prisioneiros demasiado fracos ou incapacitados eram enviados para instalações de eutanásia, tal como Bernburg, onde eram gaseados.


4) Campo de Concentração de Sachsenhausen

Museu Yad Vashem – Sachsenhausen possuía câmara de gás.

Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos – Sachsenhausen não possuía câmara de gás.



Excertos dos textos nos sites dos dois museus:

1) Campo de Concentração de Mauthausen

Museu Yad Vashem: Ao todo, 199,404 prisioneiros passaram por Mauthausen. Aproximadamente 119,000 deles, incluindo 38,120 Judeus, foram mortos ou morreram das condições duras, de exaustão, subnutrição e excesso de trabalho. Além disso, os doentes, os fracos e os prisioneiros indesejáveis eram levados para o Castelo Hartheim [Hartheim Castle] que ficava próximo para serem exterminados na câmara de gás, durante os períodos de Agosto de 1941 a Outubro de 1942 e de Abril a Dezembro de 1944.


Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos: Periodicamente, prisioneiros no campo de Mauthausen eram submetidos a uma selecção. Aqueles que os Nazis consideravam demasiados fracos para trabalhar eram separados dos outros prisioneiros e mortos na câmara de gás de Mauthausen, em camiões de gás [mobile gas vans], ou no centro de “eutanásia” homicida do Castelo de Hartheim que ficava próximo.

Enquanto a maior parte dos prisioneiros eram mortos a tiro, enforcados, espancados, mortos por inanição e doença, Mauthausen tinha uma câmara de gás capaz de matar cerca de 120 pessoas de cada vez. A câmara de gás era geralmente utilizada quando chegavam transportes de prisioneiros. Demonstrações especiais de assassínios em massa na câmara de gás eram organizadas aquando da visita de dignitários Nazis, como Heinrich Himmler, Ernst Kaltenbrunner, e Baldur von Schirach, que podiam assistir aos gaseamentos através de uma pequena janela na porta da câmara.



2) Campo de Concentração de Dachau

Museu Yad Vashem: Este Museu nada diz sobre a existência de câmaras de gás em Dachau.


Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos: Em 1942, a área do crematório foi construída próxima do campo principal. Incluía o crematório velho e o crematório novo (Barrack X) com uma câmara de gás. Não existem provas credíveis de que a câmara de gás (Barrack X) tivesse sido usada para matar seres humanos.



3) Campo de Concentração de Buchenwald

Museu Yad Vashem: Este Museu nada diz sobre a existência de câmaras de gás ou gaseamentos de prisioneiros de Buchenwald. Diz que, a 18 de Janeiro de 1945 os Alemães começaram a evacuar Auschwitz o outros campos de concentração na Europa Oriental. Este facto trouxe milhares de prisioneiros Judeus para Buchenwald, incluindo centenas de crianças. Um barracão especial “o Bloco 66 das Crianças” foi construído para elas no campo, e a maior parte sobreviveu.


Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos: O estado-maior SS enviou aqueles demasiado fracos ou incapacitados de trabalhar para instalações de eutanásia, tal como Bernburg, onde operacionais de eutanásia os gaseavam como parte da Operação 14f13.



4) Campo de Concentração de Sachsenhausen

Museu Yad Vashem: Durante o verão de 1941 os nazis montaram um programa em Sachsenhausen para extermínio em massa a tiro; nos meses seguintes, 13,000 a 18,000 prisioneiros de guerra soviéticos foram mortos a tiro. Em 1943 os Nazis instalaram uma câmara de gás, que era apenas usada em certas ocasiões. Uma dessas ocasiões especiais foi em Fevereiro de 1945 quando os SS gasearam milhares de prisioneiros enfraquecidos imediatamente antes de começarem a evacuar o campo.


Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos: Muitos prisioneiros morreram em Sachsenhausen devido a exaustão, inanição, maus-tratos e falta de cuidados médicos.

A 4 de Abril de 1941, o médico SS Friedrich Mennecke, o chefe do Hopital Mental Estadual Eichberg, um colaborador do Programa de Eutanásia Nazi, efectuou uma selecção entre os prisioneiros de Sachsenhausen. Durante os três meses seguintes Mennecke deu ordens para que os prisioneiros demasiado doentes ou fracos para trabalhar fossem mortos como parte de uma operação com o nome de código 14f13, que expandiu o Programa de Eutanásia aos prisioneiros doentes e exaustos do campo. Em Junho de 1941, os SS transportaram os prisioneiros que Mennecke seleccionou para Sonnenstein, um centro de “eutanásia” usado no assassínio sistemático dos incapacitados físicos e mentais. Médicos alemães gasearam estes prisioneiros em Sonnenstein.
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quinta-feira, outubro 30, 2008

Os bancos estão deliberadamente a contrair a oferta de dinheiro com o objectivo de provocar uma recessão

IOL Diário - 09-05-2008

Bancos já apertam na compra de casa e restrição vai continuar

Os bancos já estão a ser mais restritivos nos créditos que concedem e a tendência é para o grau de exigência nas restrições vir a ser cada vez maior.

De acordo com uma análise do Banco de Portugal (BdP), divulgada esta sexta-feira, e que contempla um inquérito a cinco entidades bancárias, os critérios de concessão de empréstimos ao sector privado não financeiro tornaram-se mais restritivos nos primeiros três meses deste ano, quando comparados com os do trimestre anterior. Sobretudo, no que diz respeito aos segmentos de empréstimos a empresas e a particulares para aquisição de habitação.

As razões para esta postura prendem-se com o aumento dos custos de financiamento e restrições de balanço dos bancos, tudo à luz da turbulência que se sente nos mercados financeiros internacionais...


Comentário: Atente-se na forma ardilosa como, em nome do «aumento dos custos de financiamento e restrições de balanço», os bancos cortam o crédito a empresas e a particulares.

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Nos Estados Unidos, representantes dos maiores financeiros europeus lutaram durante muito tempo pelo estabelecimento de um Banco Central que estivesse sob o seu controlo e que emitisse a sua própria moeda. Ao fim de muitas dezenas de anos conseguiram-no.

Extractos do vídeo «The Money Masters» onde se pode verificar que as recessões na América foram sempre resultado de violentas contracções deliberadas de dinheiro em circulação pelos bancos centrais. Para que se perceba o que se está a passar hoje e quem são os culpados:

Por outras palavras, os Senhores do Dinheiro [The Money Changers (Cambistas)] queriam duas coisas: a reinstituição de um banco central sob o seu controlo exclusivo e uma moeda americana [emitida por eles] suportada pelo ouro. A sua estratégia era dupla: primeiro, causar uma série de pânicos para tentar convencer o povo americano que só um controlo centralizado da oferta de moeda poderia fornecer estabilidade económica e, em segundo lugar, retirar tanto dinheiro do sistema que a maior parte dos americanos ficariam tão desesperadamente pobres que, ou não se importariam ou estariam demasiado fracos para se oporem aos banqueiros.

Num inacreditável ímpeto de honestidade para um banqueiro, Biddle admitiu que o banco ia tornar o dinheiro escasso para forçar o Congresso a restabelecer o Banco Central:

Nicholas Biddle: “Só um sofrimento generalizado produzirá algum efeito no Congresso… A nossa segurança está no prosseguimento de um rumo de restrição firme [de dinheiro] – a não tenho dúvida de que um tal rumo conduzirá no final ao novo licenciamento do Banco Central e ao restabelecimento da moeda [emitida por ele].”

Que revelação impressionante. Aqui estava a verdade pura, revelada com uma clareza chocante. Biddle pretendia usar o poder da contracção do dinheiro do Banco para causar uma depressão massiva até que a América cedesse.

Infelizmente, isto aconteceu repetidamente através da história dos Estados Unidos e está prestes a acontecer novamente no mundo de hoje. O Banco contraiu severamente a oferta de moeda pedindo a devolução de todos os empréstimos e recusando conceder novos.

Um pânico financeiro sobreveio, seguido por uma profunda depressão. Salários e preços afundaram-se, o desemprego disparou assim como as falências das empresas. A nação entrou rapidamente em alvoroço.


Em 1866, havia 18 mil milhões de dólares em circulação nos Estados Unidos, cerca de 50,46 dólares per capita. Só no ano de 1867, quinhentos mil milhões de dólares foram retirados de circulação.

Dez anos depois, a oferta de moeda tinha sido reduzida para 6 mil milhões de dólares. Por outras palavras, dois terços do dinheiro da América tinham sido retirados pelos banqueiros. Apenas se mantinham em circulação 14,60 dólares per capita.

Dez anos mais tarde, a oferta de moeda tinha sido reduzida para apenas 4 mil milhões de dólares. Isto pese embora a população americana tivesse disparado. O resultado foi que apenas se mantinham em circulação 6,67 dólares per capita. Uma perda de 700% no poder de compra num período de 20 anos.


Os economistas de hoje tentam vender a ideia de que as recessões e as depressões são parte natural de uma coisa a que chamam ciclo económico. A verdade é que oferta de moeda de que dispomos é manipulada hoje tal como era antes e depois da Guerra Civil Americana.

Como é que isto aconteceu? Como é que o dinheiro se tornou tão escasso? Simples: o banco exige o pagamento dos empréstimos e não são concedidos nenhuns novos.

Apenas três anos depois, em 1876, com um terço da força de trabalho norte-americana desempregada, a população estava a ficar revoltada. Queriam qualquer coisa que tornasse o dinheiro mais abundante.

Nesse ano o relatório da Comissão do Congresso culpou claramente os banqueiros nacionais da contracção monetária. O relatório é interessante, porque compara a contracção monetária deliberada pelos os banqueiros nacionais depois da Guerra Civil com a queda do Império Romano:

“O desastre da Idade das Trevas [Idade Média] foi causado pela diminuição do dinheiro e pela queda dos preços… Sem dinheiro, a civilização não podia ter nascido e, com a oferta de dinheiro a diminuir, a civilização degenera e se não for socorrida, finalmente morre.”

“Na Era Cristã o dinheiro metálico no Império Romano chegava aos $1.800.000.000. No fim do século XV tinha diminuído para menos de $200.000.000… A história não regista nenhuma transição tão desastrosa como a do Império Romano para a Idade Média.
”


Três anos mais tarde o povo americano elegeu o republicano James Garfield para presidente. Garfield compreendeu como a economia estava a ser manipulada. Depois de ter tomado posse ele acusou os Senhores do Dinheiro publicamente em 1881:

“Quem quer que controle o volume de dinheiro em qualquer país, é senhor absoluto de toda a indústria e comércio… e quando se compreende que todo o sistema é facilmente controlado, de uma forma ou de outra, por alguns poucos homens poderosos no topo, não precisamos que nos digam como é que os períodos de inflação e depressão são originados."

Infelizmente, poucas semanas depois de ter feito esta declaração, a 2 de Julho de 1881 Garfield foi assassinado.


Como disse o prémio Nobel Milton Friedman:

“A reserva de dinheiro, preços e produtividade ficou decididamente muito mais instável depois da instituição do Sistema de Reserva Federal [Banco Central norte-americano] do que antes. O mais dramático período de instabilidade na produtividade foi, obviamente, entre as duas Guerras, que incluem as violentas contracções monetárias de 1920-21, 1929-33, e 1937-38. Nenhum outro período de 20 anos na história americana contém três tão graves contracções.

Este facto convenceu-me que pelo menos um terço da subida de preços durante e depois da I Guerra Mundial é atribuível à fundação do Sistema de Reserva Federal [Banco Central norte-americano]... e que a gravidade de cada uma das maiores contracções monetárias é directamente atribuível aos actos de concessão e omissão dos directores da Reserva Federal...

Qualquer sistema que dá tanto poder e tanta liberdade de acção a alguns poucos homens, de tal forma que os erros – desculpáveis ou não – possam ter efeitos tão vastos, é um mau sistema. Se é um mau sistema para os que acreditam na liberdade porque dá tanto poder a uns poucos homens sem qualquer controlo do poder político – este é o argumento político chave contra um banco central independente...

Para parafrasear Clemenceau: "o dinheiro é um assunto demasiado sério para ser entregue aos banqueiros centrais.”



Fernando Madrinha - Expresso 3/2/2007:

«Todos os anos, por esta altura, muita gente se interroga: que país é este onde a vida é tão dura e deficitária para toda a gente, famílias e empresas, menos para os bancos?»

«… os lucros [dos bancos] não param de crescer. O Millennium bcp, por exemplo: teve 780 milhões de euros de lucros em 2006 - mais 28% do que no ano anterior; o BPI registou 309 milhões - mais 23%; o Banco Espírito Santo anunciou ganhos de 420 milhões - mais 5o%...»

«Tudo estaria bem se esta chuva de milhões sobre os bancos fosse um sinal de pujança da vida económica do país. Mas sabemos bem que não é. E que esses lucros colossais são, afinal, uma expressão da dependência cada vez maior das famílias e das empresas em relação ao capital financeiro. Daí que, em lugar de aplauso e regozijo geral, o que o seu anúncio provoca é o mal-estar de quem sente que Portugal inteiro trabalha para engordar a banca. Ganha força essa ideia de que os bancos sugam a riqueza do país mais do que a fomentam.»
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terça-feira, outubro 28, 2008

Miguel Sousa Tavares: no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro - há grandes jogadas feitas na sombra



Miguel Sousa Tavares

Expresso 25/10/2008

«... mais parecendo um menino divertido com os seus brinquedos sem perceber que a casa está a arder, temos Mário Lino, o infatigável ministro das Obras inúteis. Encontrei-o há dias num restaurante a almoçar, e ele, simpático como sempre, confessou-me que se tem “fartado de rir” com as “asneiras” que eu digo, em particular aquela de que basta olhar para o céu, no aeroporto da Portela, para perceber que ele não está saturado, ao contrario do que juram. De facto, eu acho que a história da saturação do Aeroporto da Portela é a mentira da década, destinada a vender-nos um aeroporto novo, inútil. Assim como acho inútil e ruinoso o TGV para Madrid ou para Vigo ou as novas auto-estradas em concurso. Mais inútil ainda, e esse altamente lesivo do interesse público, é o contrato com a Liscont para o terminal de contentores de Alcântara - a última asneira do ministro Mário Lino e objecto do último texto aqui.»

«Asneira por asneira, a diferença é que as minhas, a serem reais, são inofensivas, e as dele não. De Janeiro a Julho, eu trabalho exclusivamente para proporcionar ao Estado o dinheiro de que ele necessita para fazer obras públicas. E achar que parte significativa delas são inúteis e se destinam apenas a alimentar uma clientela empresarial que não vive sem o Estado, não me dá vontade nenhuma de rir. Ainda se isto fosse a feijões...»



Comentário:

Mas não é a feijões, é a milhares de milhões. Andamos todos a trabalhar, de Janeiro a Julho, para encher os bolsos a banqueiros, a empresários de obras públicas e a subservientes amigos políticos. Como afirmou o mesmo Miguel Sousa Tavares no Expresso de 07/01/2006:

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita.»

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro - há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»

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sexta-feira, outubro 24, 2008

Boaventura de Sousa Santos - a mentira mediática

Boaventura de Sousa Santos é doutor em sociologia do direito pela Universidade de Yale e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

A Cultura do Ludíbrio

Publicado na Visão em 5 de Junho de 2008

O ex-secretário de imprensa do Presidente Bush, Scott McClellan, acaba de publicar um livro intitulado "O que Aconteceu: Dentro da Casa Branca de Bush e a Cultura do Ludíbrio em Washington". O furor político e mediático que causou decorre de duas revelações: quando ordenou a invasão do Iraque, a Administração Bush sabia que o Iraque não tinha armas de destruição maciça (ADM) e montou uma poderosa "campanha de propaganda" para levar a opinião pública norte-americana e mundial a aceitar uma "guerra desnecessária"; os grandes meios de comunicação foram "cúmplices activos" dessa campanha, não só porque não questionaram as fontes governamentais como porque incendiaram o fervor patriótico e censuraram as posições cépticas contrárias à guerra.

Estas revelações e as reacções que causaram têm implicações que as transcendem. Antes de tudo, é surpreendente todo este escândalo, pois as revelações não trazem nada de novo. As informações em que assentam eram conhecidas na altura da invasão a partir de fontes independentes. Nelas me baseei para justificar nesta coluna a minha total oposição à guerra que, além de "desnecessária", era injusta e ilegal. Isto significa que as vozes independentes foram estigmatizadas como sendo ideológicas e anti-patrióticas, tal como hoje criticar Israel equivale a ser considerado anti-semita. Em 2001, no Egipto, e antes da máquina de propaganda ter começado a devorar a verdade, o próprio Secretário de Estado Colin Powell dissera que não havia nenhuma informação sólida de que o Iraque tivesse ADM.

Isto me conduz à segunda implicação destas revelações: o futuro do jornalismo. A máquina de propaganda do Departamento de Defesa assentou em três tácticas: impor a presença de generais na reserva em todos os noticiários televisivos com o objectivo de demonstrar a existência das ADMs; ter todos os média sob observação e telefonar aos seus directores ou proprietários ao mínimo sinal de cepticismo ou oposição à guerra; convidar jornalistas de confiança de todo o mundo (também de Portugal) para serem convencidos da existência das ADMs e regressarem aos seus países possuídos da mesma convicção belicista. Vimos isso trágica e grotescamente no nosso país. A verdade é que em Washington e em todo o país circulavam nos média independentes informações que contradiziam o "brainwashing", muitas delas provindas de generais e de antigos altos funcionários da Casa Branca. Porque não ocorreu a esses jornalistas amigos fazer uma verificação cruzada das fontes como lhes exigia o código deontológico?

Para o bem do jornalismo, alguns deles procuraram resistir à pressão e sofreram as consequências. Jessica Yellin, hoje na CNN, e na altura no canal ABC, confessou publicamente que os directores e donos do canal a pressionaram para escrever histórias a favor da guerra e censuraram todas as que eram mais críticas. Um produtor foi despedido por propor um programa com metade de posições a favor da guerra e metade de posições contra. Quem resistiu foi considerado anti-patriótico e amigo dos terroristas. Isto mesmo aconteceu no nosso país. Quantos jornalistas não foram sujeitos à mesma intimidação? Quantos artigos de opinião contrários à guerra foram rejeitados? E os que escreveram propaganda e intimidaram subordinados alguma vez se retrataram, pediram desculpa, foram demitidos? É que eles colaboraram para que um milhão de iraquianos fossem mortos, dezenas de milhares de soldados norte-americanos fossem feridos e mortos e um país fosse totalmente destruído. Tudo isto terá sido preço, não da democracia – ridículo conceber como democrático este estado colonial e mais fracturado que a Somália – mas sim do controle das reservas do petróleo do Golfo e da promoção dos interesses do petróleo, da indústria militar e de reconstrução em que os donos dos média têm fortes investimentos.

Para disfarçar o problema moral dos cúmplices da guerra e da destruição, um comentador de direita do nosso país socorreu-se recentemente da mais desconcertante e desesperada justificação da guerra: se não havia ADMs, havia pelo menos a convicção de que elas existiam. Ora o livro de McClellan acaba de lhe retirar este argumento. De qual se socorrerá agora? O trágico é que a "máquina" de propaganda continua montada e está agora dirigida ao Irão. O seu funcionamento será mais difícil e sê-lo-á tanto mais quanto melhores condições tiverem os jornalistas para cumprir o seu código deontológico.

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Ora, o visado comentador de direita, José Manuel Fernandes, há muito que esclareceu o assunto:

No Público - 2 de Fevereiro de 2004

Enganos não são mentiras

«(...) O que estava em causa era grave. Tratava-se de saber se Blair tinha ou não mentido aos ingleses e ao Mundo sobre a existência de armas de destruição maciça no Iraque. Se [Blair] tinha ou não manipulado relatórios dos serviços secretos. Se tinha agido de acordo com as suas convicções e com os documentos que conhecia ou se tinha, pelo contrário, enganado deliberadamente o povo britânico.»

«(...) Na intervenção que ontem fez perante a Câmara dos Comuns Tony Blair tocou, do meu ponto de vista, na questão central: "é absolutamente correcto que se conteste a correcção das informações dos serviços de espionagem e que nos interroguemos porque é que ainda não encontrámos armas de destruição maciça. É também absolutamente legítimo discutir os motivos que nos levaram a desencadear este conflito. Eu continuo a acreditar hoje, tal como acreditava em Março, que remover Saddam do poder torna o mundo um lugar melhor e mais seguro - mas sei que outros têm todo o direito de discordar. Contudo isto é completamente diferente de uma acusação de manipulação, ou de duplicidade, de uma acusação de que alguém falsificou deliberadamente as informações dos serviços secretos".»

«(...) Estavam todos enganados. Enganados - não manipulados. Todos - e não apenas as administrações americana e britânica. Todos - e não apenas o Presidente Bush (...)»

«(...) Como hoje recordamos, a convicção de que o Iraque possuía armas de destruição maciça não era objecto de discussão há um ano, nos meses e semanas que antecederam a guerra: o que se discutia era se a forma mais eficaz de lidar com o problema era prolongar o mandato e as missões dos inspectores das Nações Unidas ou se se devia intervir (...)»

«(...) Daí que, tal como Tony Blair, continue a considerar que a questão é saber se o Mundo é hoje um lugar pior ou melhor sem Saddam Hussein. Acredito que é melhor (...)»



Comentário:

Não obstante, as centenas de Zés Manéis que colaboraram para que um milhão de iraquianos fossem mortos e um país fosse totalmente destruído, continuam directores de jornais, colunistas de opinião e analistas omnipresentes de todos os programas de debate dos canais televisisvos.

A título de exemplo, alguns dos mais afamados Zés Manéis que escrevinham no Expresso:

quarta-feira, outubro 22, 2008

Jon Stewart entrevista Bill Maher. Este não poupa as religiões, incluindo o Cristianismo e a santíssima candidata Sarah Palin

Jon Stewart, do Daily Show, traz-nos um momento de humor corrosivo que que pode, a espaços, magoar os menos ateístas. Bill Maher com o seu novo documentário de comédia que se chama “Regilulous” [Religious + Ridiculous], coloca em causa tudo o que se relaciona com religião. Sarah Palin, possível vice-presidente dos EUA, é metida ao barulho e não pelas melhores razões.


Maher: Xenu trouxe-nos para aqui há 75 milhões de anos. Amontoou-nos à volta de vulcões e fê-los explodir com uma bomba nuclear. Estas são as doutrinas da Cientologia... Somos mais antigos do que o Universo. A Confederação Galáctica durou 80 triliões de anos. Têm de se livrar do implante, dos ditadores extraterrestres! Estes implantes são almas maléficas, chamadas Thetans.

Maher: Sim, acho que neste momento há duas Américas. Há um país progressista, europeu, no qual muitos de nós vivemos ou gostávamos de viver, que está a ser estrangulado pelas Sarah Palin do mundo, e que não pode nascer porque este outro país, parolo e estúpido, não permite. Não quero ser bruto, mas...

Maher: 60% dos americanos acreditam literalmente na história da Arca de Noé. Acreditam que aquilo é literalmente verdade.

Maher: A questão é que nós nos rimos disto porque a Cientologia é uma nova religião. Mas não é tão ou mais disparatado ou estranho do que o Cristianismo, lamento dizê-lo. Simplesmente estamos habituados a essa religião. Mas se, hoje, alguém viesse ter contigo e te contasse a história que nunca tinhas ouvido. Se te dissesse: “Deus teve um filho. Era um pai solteiro. E disse ao filho: ‘Jesus, vou mandar-te para a Terra numa missão suicida, mas não te preocupes, não podem matar-te porque, na verdade, tu és eu. Mas vai doer um bocado, não vou mentir-te. Vais odiar-me, mas é o melhor para ti, filho. Para mim! É o melhor para mim! Eu sou tu e tu é eu.

Maher: O plano é o seguinte, filho: eu, Deus, o Pai, vou à Terra primeiro. Dividimos o trabalho porque somos dois. Na verdade, não! E vou ver se arranjo uma mulher palestiniana para engravidar. Para que ela possa dar-te à luz. A mim, quero eu dizer! É a coisa mais disparatada que alguma vez se ouviu!

Maher: Eu limito-me a fazer perguntas. Por exemplo, o que é que a fé tem de bom? Porque é que Deus simplesmente não derrota o Diabo? O próprio Diabo… Perguntei a muita gente, por exemplo, qual é a diferença entre o Diabo e o Anti-Cristo? Sabes?

Stewart: Tem com certeza algo que ver com o Judaísmo e de certeza que fomos responsáveis por alguma coisa. Mas não sei a diferença exacta. Ninguém sabe.

Maher: Foi o que nós descobrimos. As pessoas religiosas sabem muito pouco sobre religião. Eu não sabia. Perguntava: “O Diabo e o Anti-Cristo são o mesmo?” Todos disseram que não. E eu perguntei se o Diabo trabalhava para o Anti-Cristo. Ou é o anti-Cristo que trabalha para o Diabo? Ou são como o Joker e o Enigma? São os dois vilões e, às vezes, juntam-se para derrotar o Batman.

Stewart: Pessoas como Sarah Palin, pessoas muito religiosas... Barack Obama, que também é muito religioso. Não acho que as crenças deles sejam muito diferentes em termos de religião. Conseguem separá-las?

Maher: Primeiro, não sei se Barack Obama é muito religioso. Claro que tem de dizer que é, porque é candidato à Presidência nos Estados Unidos da América, Portanto, tem de o dizer. Mas espero que esteja a mentir. Eu não tenho problema nenhum com quem é falsamente pio. McCain é outro que não é nada religioso. O meu problema são as pessoas que acreditam mesmo. Sarah Palin acredita mesmo. E pode estar a um passo da Presidência. É uma pessoa que... Até as pessoas estúpidas agora pensam: “Bolas, ela é mesmo estúpida.”


Vídeo legendado em português:

terça-feira, outubro 21, 2008

Ricardo Araújo Pereira - A banca nacionalizou o Governo

Texto de Ricardo Araújo Pereira

Revista Visão – 16/10/2008

A banca nacionalizou o Governo

A troco de apenas algum dinheiro, os bancos emprestam-nos o nosso próprio dinheiro para que possamos fazer com ele o que quisermos. A nobreza desta atitude dos bancos deve ser sublinhada


Quando, no passado domingo, o Ministério das Finanças anunciou que o Governo vai prestar uma garantia de 20 mil milhões de euros aos bancos até ao fim do ano, respirei de alívio. Em tempos de gravíssima crise mundial, devemos ajudar quem mais precisa. E se há alguém que precisa de ajuda são os banqueiros. De acordo com notícias de Agosto deste ano, Portugal foi o país da Zona Euro em que as margens de lucro dos bancos mais aumentaram desde o início da crise. Segundo notícias de Agosto de 2007, os lucros dos quatro maiores bancos privados atingiram 1,137 mil milhões de euros, só no primeiro semestre desse ano, o que representava um aumento de 23% relativamente aos lucros dos mesmos bancos em igual período do ano anterior. Como é que esta gente estava a conseguir fazer face à crise sem a ajuda do Estado é, para mim, um mistério.

A partir de agora, porém, o Governo disponibiliza aos bancos dinheiro dos nossos impostos. Significa isto que eu, como contribuinte, sou fiador do banco que é meu credor. Financio o banco que me financia a mim. Não sei se o leitor está a conseguir captar toda a profundidade deste raciocínio. Eu consegui, mas tive de pensar muito e fiquei com dor de cabeça. Ou muito me engano ou o que se passa é o seguinte: os contribuintes emprestam o seu dinheiro aos bancos sem cobrar nada, e depois os bancos emprestam o mesmo dinheiro aos contribuintes, mas cobrando simpáticas taxas de juro. A troco de apenas algum dinheiro, os bancos emprestam-nos o nosso próprio dinheiro para que possamos fazer com ele o que quisermos. A nobreza desta atitude dos bancos deve ser sublinhada.

Tendo em conta que, depois de anos de lucros colossais, a banca precisa de ajuda, há quem receie que os bancos voltem a não saber gerir este dinheiro garantido pelo Estado. Mas eu sei que as instituições bancárias aprenderam a sua lição e vão aplicar ajuizadamente a ajuda do Governo. Tenho a certeza de que os bancos vão usar pelo menos parte desse dinheiro para devolver aos clientes aqueles arredondamentos que foram fazendo indevidamente no crédito à habitação, por exemplo, e que ascendem a vários milhares de euros no final de cada empréstimo. Essa será, sem dúvida nenhuma, uma prioridade. Vivemos tempos difíceis, e julgo que todos, sem excepção, temos de dar as mãos. Por mim, dou as mãos aos bancos. Assim que eles tirarem as mãos do meu bolso, dou mesmo.
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Comentário:

Como é que há gente que embarca nesta história da «crise financeira»? Como é que há gente que aplaude, aliviada e esperançada, a «ajuda aos bancos»? Como é que há gente que acredita tão ingenuamente neste embuste monumental?



Charles August Lindbergh - Congressista dos Estados Unidos de 1907 a 1917 «O maior crime de Congresso [norte-americano] é seu sistema de moeda. O pior crime legislativo de todos os tempos foi perpetrado por esta lei bancária [Lei que estabeleceu a Reserva Federal]. A convenção política e os patrões dos partidos operaram novamente e impediram as pessoas de beneficiar de um Governo próprio. Foi concedido aos bancos o especial privilégio de distribuir o dinheiro e eles cobram os juros que quiserem. A nova lei do Presidente dá aos banqueiros ainda mais poderes do que eles tinham com as antigas leis… A propriedade será considerada como tendo maior força potencial do que a família humana. Nenhum ser humano pode competir com [o poder potencial dos juros compostos do dólar]. Nada pode competir com o dólar excepto dois dólares e assim por diante, quanto maior a soma, maior a cinta. Os banqueiros controlam isto. Para elevar os preços, tudo o que o Conselho de Directores da Reserva Federal dos Estados Unidos terá que fazer será baixar a taxa de redesconto... produzindo uma expansão de crédito e uma subida do mercado de valores; então quando... os empresários se tiverem ajustado às novas condições, podem parar repentinamente... o aumento da prosperidade elevando a taxa de juros arbitrariamente. Podem causar a oscilação da subida e queda dos mercados, fazendo-os balançar suavemente de um lado para outro através de pequenas mudanças na taxa de desconto, ou causar flutuações violentas por intermédio de uma grande variação da taxa de juro, e em qualquer caso possua informação confidencial sobre condições financeiras e conhecimento prévio de mudanças próximas, de subidas ou descidas.»

«Este é o mais estranho, a vantagem mais perigosa que já alguma vez foi colocada nas mãos de uma classe especial de privilegiados por qualquer Governo que já existiu. O sistema é privado, administrado com o propósito exclusivo de obter os maiores lucros possíveis do uso do dinheiro de outras pessoas. Eles sabem quando criar pânico em seu benefício com antecedência. Também sabem quando parar o pânico. Inflação ou deflação funcionam igualmente bem para eles quando são eles controlam as finanças...»
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segunda-feira, outubro 20, 2008

O Banco do Cidadão, o dinheiro virtual e o fim da Taxa de Juro

Murray N. Rothbard (liberal da Escola Austríaca) fala da fraude bancária que se pratica hoje:

"Desde então, os bancos têm criado habitualmente recibos de depósitos (originalmente notas de banco e hoje depósitos) a partir do nada [out of thin air]. Essencialmente, são contrafactores de falsos recibos de depósitos, de activos líquidos ou dinheiro padrão, que circulam como se fossem genuínos, notas ou contas de cheques completamente respaldados."

"Os bancos criam dinheiro literalmente a partir do nada, hoje em dia exclusivamente depósitos em vez de notas de banco. Este tipo de fraude ou contrafacção é dignificado pelo termo “reservas mínimas bancárias” [fractional-reserve banking], o que significa que os depósitos bancários são apoiados por apenas uma pequena fracção de activos líquidos que prometem ter à mão para redimir os seus depósitos."



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O Banco do Cidadão



Vamos supor que o Estado Português criava um novo tipo de banco público - o Banco do Cidadão. Este banco teria as seguintes particularidades:


a) Inicialmente o Banco do Cidadão não teria quaisquer reservas em moeda, metais preciosos ou outros tipos de valores. Poderia, no entanto, receber depósitos e pagamentos diversos em euros, divisas com solidez reconhecida internacionalmente (dólares, libras, ienes, etc.), e outras valias. O dinheiro e os valores que o Banco do Cidadão recebesse não seriam repostos em circulação.




b) O Banco do Cidadão só emprestaria e só cumpriria as suas obrigações financeiras com dinheiro virtual. Para tal, o Banco do Cidadão tornava-se accionista da SIBS - Sociedade Interbancária de Serviços, que disponibiliza o sistema Multibanco.





c) O Banco do Cidadão NÃO cobraria juros pelos empréstimos NEM pagaria juros pelos depósitos. Às pessoas e empresas com conta no Banco do Cidadão seria cobrada apenas uma pequena taxa anual para cobrir as despesas de funcionamento do Banco.




Exemplo 1:

O João pretende comprar uma casa ao Afonso no valor de 120,000 euros.

Tanto o João como o Afonso têm de abrir uma conta no Banco do Cidadão.

O João terá de dar todas as garantias actualmente em vigor neste tipo de transacção ao Banco do Cidadão. A casa ficará hipotecada ao Banco do Cidadão até ao pagamento integral da mesma pelo João.

A conta do Afonso no Banco do Cidadão é creditada no valor de 120,000 euros.

O João ficará a pagar uma mensalidade de 500 euros durante vinte anos ao Banco do Cidadão (500 x 12 x 20 = 120,000 - não há lugar ao pagamento de juros).


Exemplo 2:

O Afonso pretende comprar um automóvel a prestações no Stand Autocar no valor de 18,000 euros.

O Stand Autocar tem de abrir uma conta no Banco do Cidadão.

O Afonso ficará a pagar uma mensalidade de 300 euros durante 5 anos (300 x 12 x 5 = 18,000 - não há lugar ao pagamento de juros).

O Banco do Cidadão transferirá ao fim de cada mês, durante 5 anos, 300 euros para a conta do Stand Autocar.


Exemplo 3:

O Afonso pretende comprar um computador a pronto na loja Inforbase no valor de 1,500 euros.

A loja Inforbase tem de abrir uma conta no Banco do Cidadão.

A Afonso passa o seu cartão Multibanco (cedido pelo Banco do Cidadão) no leitor de cartões da loja Inforbase, digita o código secreto e procede ao pagamento.

O Banco do Cidadão transfere 1,500 euros da conta do Afonso para a conta da loja Inforbase.



Conclusão:

Dada a ausência da taxa de juros nos empréstimos, as famílias e as empresas teriam clara preferência pelo Banco do Cidadão como instituição financiadora. O número de contas neste Banco cresceria exponencialmente, bem como a quantidade e o valor dos movimentos financeiros.

A prazo dar-se-ia a falência dos bancos comerciais privados.