quarta-feira, setembro 12, 2007

Fernando Madrinha sobre a engorda criminosa da Banca – estará o Governo a soldo de quem lhe paga as campanhas eleitorais?

Fernando Madrinha - Jornal Expresso - 1/9/2007:

Para um breve retrato deste nosso país singular onde cada vez mais mulheres dão à luz em ambulâncias - e assim ajudam o ministro Correia de Campos a poupanças significativas nas maternidades que ainda não foram encerradas -, basta retomar três ou quatro notícias fortes das últimas semanas. Esta, por exemplo: centenas e centenas de famílias pedem conselho à Deco porque estão afogadas em dívidas à banca. São pessoas que ainda têm vontade e esperança de cumprir os seus compromissos. Mas há milhares que já não pagam o que devem e outras que já só vivem para a prestação da casa. Com o aumento sustentado dos juros, uma crise muito séria vem aí a galope.

Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. Daí que os manda-chuvas do Millenium BCP se permitam andar há meses numa guerra para ver quem manda mais, coisa que já custou ao banco a quantia obscena de 2,3 mil milhões de euros em capitalização bolsista. Ninguém se rala porque, num país em que os bancos são donos e senhores de quase tudo, esse dinheirinho acabará por voltar às suas mãos.

Na aparência, nem o endividamento das famílias nem a obesidade da banca têm nada a ver com os ajustes de contas na noite do Porto. Porém, os negócios que essa noite propicia - do álcool que se vende à droga que se trafica mais ou menos às claras em bares e discotecas, segundo os jornais - dão milhões que também passam pelos bancos. E quanto mais precária a situação das tais famílias endividadas e a daquelas que só não têm dívidas porque não têm crédito, mais fácil será o recrutamento de matadores, de traficantes e operacionais para todo o tipo de negócios e acções das máfias que se vão instalando entre nós.

Quer dizer, as notícias fortes das últimas semanas - as da tal «silly season», em que os jornalistas estão sempre a dizer que nada acontece - são notícias de mau augúrio. Remetem-nos para uma sociedade cada vez mais vulnerável e sob ameaça de desestrutruração, indicam-nos que os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais. Quem pode voltar optimista das férias?


Comentário (palavras de Fernando Madrinha):

«O poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais.»







«Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles»:

O lucro do Millennium BCP atingiu 191 milhões de euros no primeiro trimestre do ano. Os resultados em base recorrente cresceram 16% nos primeiros três meses do ano.

O Banco Espírito Santo divulgou quinta-feira um lucro de 139,8 milhões de euros no primeiro trimestre, mais 33% que no período homólogo...

O BPI obteve um resultado líquido de 96,8 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, um valor que corresponde a uma subida de 30 por cento face a igual período do ano anterior.

O resultado do Banco Bilbao Viscaya y Argentaria (BBVA) subiu para pouco mais de 1,25 mil milhões de euros, mais 23% no resultado líquido no primeiro trimestre de 2007.

O Banco Santander Central Hispano obteve um resultado líquido de 1,8 mil milhões de euros, no primeiro trimestre do ano. Este valor representa mais 21% que no período homólogo...
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segunda-feira, setembro 10, 2007

Até já o Paulinho Portas (pasme-se) questiona o Governo sobre o endividamento das famílias (causado pelas subidas das taxas de juros do BCE)

Paulo Portas questiona Governo na Internet sobre o endividamento das famílias

Jornal Público - 02.09.2007 - Margarida Gomes

Sete workshops juntam hoje, no Porto, figuras independentes e dirigentes nacionais do CDS. A subida das taxas de juro e o endividamento das famílias portuguesas vão estar no centro de todas as preocupações do CDS-PP na reabertura do novo ano parlamentar.

Quem o garante é o próprio líder do partido, Paulo Portas, que desafia o primeiro-ministro, José Sócrates, a esclarecer quais as medidas que pretende apresentar para travar a escalada dos juros, ditada pelo Banco Central Europeu (BCE), e que deixa "milhares de famílias com a corda na garganta".

Num vídeo divulgado ontem no YouTube e no Sapo e que assinala o novo ano político do CDS, Paulo Portas desafia também o governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, a pronunciar-se sobre as repercussões da crise nos EUA.

"Há centenas de famílias com a corda na garganta por causa da subida sistemática do dinheiro", afirma o líder do CDS-PP, alertando para as consequências que "a subida das taxas de juro na zona euro vai ter para as famílias, sobre o rendimento e o crescimento das economias". Sublinhando que "a economia portuguesa cresce pouco e que os últimos dados são muito preocupantes", Portas entende que existem razões para as autoridades portuguesas estarem preocupadas e dispara: "Alguém sabe o que pensa o primeiro-ministro de Portugal e presidente do Conselho Europeu em exercício sobre a questão das taxas de juro e o efeito no crescimento económico? Ninguém sabe, mas devíamos saber. E o governador do Banco de Portugal, que em nome de todos nós está no BCE, tem um pensamento sobre o assunto? Era importante conhecê-lo".

Jean-Claude Trichet

No vídeo, o líder do partido deixa uma crítica ao Governo pelo facto de não ter aberto um debate relativamente à política do BCE e elogia o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, que recentemente criticou o banco liderado por Jean-Claude Trichet por ter como única preocupação o controlo da inflação, elevando as taxas de juro para níveis excessivos.

"O Presidente Sarkozy trouxe uma lufada de ar fresco e de autenticidade à Europa, ao afirmar que a inflação está bastante controlada na zona euro, mas que o preço do dinheiro está muitos pontos acima e, se continuar a subir indefinidamente, isso vai ter consequências sobre as famílias, sobre o rendimento, mas também sobre o crescimento das economias", declarou, revelando, desde já, que vai usar todos os meios na Assembleia da República para exigir do Governo medidas que estimulem o crescimento económico, controlem a subida das taxas de juro e limitem os danos das famílias endividadas.


Comentário:

O líder do CDS-PP, Paulo Portas (quem diria, o Paulinho dos submarinos e das fragatas), surge a mostrar profunda preocupação com as incompreensíveis subidas dos juros do Banco Central Europeu (BCE), mantendo-se a inflação estável nos 2%. Se um populista e demagogo inveterado, como Paulo Portas, pegou neste tema, é bom sinal – significa que existe uma percentagem crescente da população que se questiona porque sobem escandalosamente as suas prestações à banca e porque engorda esta, de trimestre para trimestre, de forma criminosa.
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quinta-feira, setembro 06, 2007

O escandaloso roubo perpetrado pelos bancos contra às pessoas e as empresas com o beneplácito de Sócrates, Constâncio e Cia.


Jornal de Notícias - 3 de Setembro de 2007

Texto do deputado Honório Novo do PCP

A espiral dos juros!

Nos últimos dois anos os juros aumentaram mais de dez vezes. Cada vez mais as famílias não conseguem pagar as prestações dos seus empréstimos, que aumentaram 20% a 30%, enquanto os ordenados permaneceram quase congelados ou desapareceram com o desemprego. São mais de 15 000 as famílias atingidas pelas mais recentes subidas dos juros, drama que, aliás, não parece preocupar minimamente o último relatório do Banco de Portugal (pudera, o dr. Vítor Constâncio e os seus amigos continuam a não ter qualquer dificuldade para fazer face às prestações dos respectivos créditos…).

Por outro lado, agravou-se no segundo trimestre deste ano a tendência de queda na construção. O sector parece ter caído cerca de 23% - na construção de edifícios mais de 12%, nas restantes obras de engenharia acima dos 40% -, reflectindo com nitidez as dificuldades acrescidas que a subida dos juros provocam nas decisões de compra e de investimento.

Entretanto, o Banco Central Europeu (BCE) ameaça aumentar este mês as taxas de juro! Mais uma vez! Para o BCE nada conta, nem que os juros tenham já superado os valores do início do século, que os aumentos provoquem o descalabro de cada vez mais famílias, que a actividade produtiva se confronte com condições de financiamento cada vez mais difíceis ou que os baixos níveis de crescimento económico sejam incapazes de criar emprego - muito em particular em países como o nosso, que está há anos com crescimentos bem abaixo dos ritmos já de si moderados dos seus parceiros europeus.

Mas então não há ninguém que ponha o BCE na ordem, que diga ao sr. Trichet, ao sr. Constâncio e a outros que tais que deveriam dedicar mais atenção à economia real e às pessoas? Sócrates e o Governo Português, que presidem neste semestre aos destinos da UE, podiam e deviam ter já dito e feito alguma coisa para travar esta espiral (quase) suicida de subida dos juros. Só que se calam que nem ratos, não querem perturbar a pretensa independência do banco central nem querem admitir que o BCE tem que passar a trabalhar orientações que promovam o crescimento e o emprego em vez de se dedicar apenas aos malabarismos germanófilos para controlar uma inflação que há muito não preocupa. Na verdade, o que Sócrates não quer é introduzir qualquer debate que o faça desviar do seu objectivo de fazer aprovar um tratado contranatura que (não por acaso) pretende consagrar a "tal independência" do BCE. Depois é capaz de nos vir dizer que não tem nada a ver com as subidas de juros nem pode fazer nada para as evitar...


Comentário:

Em baixo, alguns dos grandes usufrutuários da "tal independência" do BCE. A actividade de sanguessuga continua a render biliões todos os meses:


segunda-feira, setembro 03, 2007

Boaventura de Sousa Santos – FlexInsegurança

Boaventura de Sousa Santos é doutor em sociologia do direito pela Universidade de Yale e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

A FlexInsegurança

Publicado na Visão em 2 de Agosto de 2007

Vivemos um tempo em que a estabilidade da economia só é possível à custa da instabilidade dos trabalhadores, em que a sustentabilidade das políticas sociais exige a vulnerabilidade crescente dos cidadãos em caso de acidente, doença ou desemprego. Esta discrepância entre as necessidades do "sistema" e a vida das pessoas nunca foi tão disfarçada por conceitos que ora desprezam o que os cidadãos sempre prezaram ou ora prezam o que a grande maioria dos cidadãos não tem condições de prezar. Entre os primeiros, cito emprego estável, pensão segura e assistência médica gratuita.

De repente, o que antes era prezado é agora demonizado: a estabilidade no emprego torna-se rigidez das relações laborais; as pensões transformam-se na metáfora da falência do Estado; o serviço nacional de saúde deixa de ser um benefício justo para ser um custo insuportável. Entre os conceitos agora prezados, menciono o da autonomia individual. Este conceito, promovido em abstracto para poder surtir os efeitos desejados pelo "sistema", esconde, de facto, dois contextos muito distintos: os cidadãos para quem a autonomia individual é uma condição de florescimento pessoal, a busca incessante de novas realizações pessoais; e os cidadãos para quem a autonomia individual é um fardo insuportável, que os deixa totalmente vulneráveis perante a adversidade do desemprego ou da doença, e que, em casos extremos, lhes dá opção de escolher entre os contentores do lixo do bairro rico ou pedir esmola nas portas do metro.

No domínio das relações laborais está a emergir uma variante de conceito de autonomia. Chama-se flexigurança. Trata-se de aplicar entre nós um modelo que tem sido adoptado com êxito num dos países com maior protecção social da Europa, a Dinamarca. Em teoria, trata-se de conferir mais flexibilidade às relações laborais sem pôr em causa a segurança do emprego e do rendimento dos trabalhadores. Na prática, vai aumentar a precarização dos contratos de trabalho num dos países na Europa onde, na prática, é já mais fácil despedir. Não vai haver segurança de rendimentos, porque, enquanto o Estado providência da Dinamarca é um dos mais fortes da Europa, o nosso é o mais fraco; porque o subsídio de desemprego é baixo e termina antes que o novo emprego surja; porque o carácter semiperiférico da nossa economia e o pouco investimento em ciência e tecnologia vai levar a que as mudanças de emprego sejam, em geral, para piores, não para melhores, empregos; porque a percentagem dos trabalhadores portugueses que, apesar de trabalharem, estão abaixo do nível de pobreza, é já a mais alta da Europa; porque o factor de maior vulnerabilidade na vida dos trabalhadores, a doença, está a aumentar através da política de destruição do serviço nacional de saúde levada a cabo pelo Ministro da Saúde; porque os empresários portugueses sabem que dos acordos de concertação social só são "obrigados" a cumprir as cláusulas que lhes são favoráveis, deixando incumpridas todas as restantes com a cumplicidade do Estado. Enfim, com a flexigurança que, de facto, é uma flexinsegurança, os trabalhadores portugueses estarão, em teoria, muito próximos dos trabalhadores dinamarqueses e, na prática, muito próximos dos trabalhadores indianos.


Comentário:

Que importância tem que as pessoas vivam próximas da miséria e em constante sobressalto? Desde que os grandes financiadores dos partidos e dos políticos tenham garantido o seu ganha-pão. Não é para isso que os políticos são financiados? Não é por isso que as Somagues prosperam?
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sexta-feira, agosto 31, 2007

Antigo conselheiro de George W. Bush denuncia um golpe de estado a 11 de Setembro de 2001

Nos finais de Agosto de 2005 (há dois anos) coloquei este post. Mantém-se perfeitamente actual. Podem ver o vídeo aqui: Morgan Reynolds at Chicago 911 Truth Conference 02 Jun 2006



Tornando pública uma análise detalhada dos atentados do 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque, Morgan Reynolds declarou a 12 de Junho de 2005: «Se os três arranha-céus de aço foram abatidos por uma demolição controlada, então a hipótese de uma conspiração interna e de um atentado governamental contra o povo americano seria incontestável.»

Morgan Reynolds é hoje professor emérito de economia na universidade A&M no Texas. Foi conselheiro económico de George W. Bush, encarregado do departamento do Trabalho desde o primeiro mandato presidencial. Foi o último director do Centro de Justiça penal do Centro Nacional para a Análise Política de Dallas.

«É impossível negar a existência do debate científico acerca das causas reais do abatimento das torres gémeas e do edifício nº 7. A tese oficial contradiz-se a si própria. Só uma demolição profissional, controlada, pode explicar todos os elementos averiguados e o abatimento das três torres.

Morgan Reynolds acrescentou ainda que os peritos em explosivos e em construção foram sistematicamente postos de lado e intimidados durante todo o inquérito conduzido pela comissão governamental Kean.





Comentário:

Nenhum avião embateu na torre 7 do World Trade Center. Donde, três hipóteses igualmente verosímeis se perfilam para a demolição do edifício:

a) O embate de um pirotécnico português e astro da mísica pimba, em parapente, a caminho de uma festa da nossa comunidade emigrante em New Jersey.

b) O embate de um cidadão alemão, em asa delta, cheio de gases de cerveja, antecipando animadamente a Oktober Fest de München.

c) A implosão controlada, por competentes técnicos yankees, já tão comprovadamente eficientes nas Twin Towers, minutos antes.




Quanto ao BLOGDAY As minhas recomendações vão para:

terça-feira, agosto 28, 2007

Mário Lino ao Expresso - “Não tenho opinião sobre a Ota”

Entrevista do jornalista Fernando Diogo ao ministro Mário Lino - Jornal Expresso – 25 de Agosto de 2007

Numa feroz entrevista realizada para o Expresso, o jornalista Fernando Diogo almoça no Pabe com o ministro Mário Lino. O ambiente, dada a controvérsia dos temas, foi de cortar à faca. O tom agressivo do jornalista Fernando Diogo para com Mário Lino é revelador da crispação de uma comunicação social interventiva. O ministro Mário Lino foi, por assim dizer, encostado à parede:


Fernando Diogo:

- «Mário Lino fala de si próprio, da Ota, do TGV, de Sócrates, das «gaffes» e do PCP. De coração nas mãos»

- "Um grande sorriso iluminava-lhe a cara redonda e os grandes olhos verdes brilhavam de genuína satisfação."

- «a provocação pelo nosso ligeiro atraso deu-lhe um gozo muito especial»

- «O ministro das Obras Públicas riu-se com gosto»

- «O ministro opta sem hesitações pelos pastelinhos de bacalhau»

- «À hora dos linguadinhos o ministro das Obras Públicas de José Sócrates já está às voltas com a Ota. Sem desculpas esfarrapadas nem subtilezas semânticas, assume que teve de mudar de opinião. "Sou capaz de mudar radicalmente de opinião"»

- «“É verdade que sou muito teimoso, mas não o sou ao ponto de teimar num caminho apenas porque é aquele que sempre defendi” - A confissão [do ministro] é feita num tom de sincera convicção»

- «Apesar do recuo na Ota e da continuação dos investimentos no aeroporto de Lisboa, Mário Lino não se converteu à opção Portela+1, devido em larga medida ao aumento dos custos operacionais e à incerta rentabilidade da operação.»

- «Aterramos e logo seguida apanhamos o TGV para uma curta viagem, durante a qual se percebe que o Governo não vai fazer alterações ao traçado. "Qualquer que seja o local do aeroporto teremos de fazer uma linha ferroviária dedicada. É óbvio que não iremos fazer qualquer estação de TGV na Ota ou em Alcochete".»

- «...mas o seu irreprimível bom-humor leva de vencida a desconfiança e quando completa a frase já o omnipresente sorriso lhe banha a face»

- «As Obras Públicas agradam-lhe, ele que é um executivo nato, um "homem a quem dá grande um gozo fazer coisas", ou não fosse ele um engenheiro»

- «O sentido prático distanciou-o da "esquerda proclamatória" e aproximou-o da esquerda que deixa marcas civilizacionais»


Comentário:

Até que enfim, um repórter consegue, graças a uma agressividade pouco habitual, obrigar um ministro a respostas concretas sobre assuntos vitais para todos nós. Ainda bem que tivemos um Fernando Diogo, ao invés de um Miguel Sousa Tavares (um reconhecido banana), a interpelar um homem do «inner circle» do poder.

Relembremos um inofensivo artigo de opinião neste jornal assinado por Miguel Sousa Tavares sobre os candentes problemas dos transportes do nosso rectângulo:


Miguel Sousa Tavares - Expresso 07/01/2006

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos [Ota e TGV], [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita.»

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»
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terça-feira, agosto 21, 2007

Miguel Sousa Tavares discorre sobre os Joe Berardos deste rectângulo

Texto de Miguel Sousa Tavares - Expresso 18/08/2007

Os ricos

O que faz impressão na lista dos cem mais ricos de Portugal é constatar que as suas fortunas acumuladas representam 22% de toda a riqueza do país e que o fosso entre os que mais ganham e os que menos ganham é o maior de toda a Europa comunitária a quinze. E faz impressão pensar que, enquanto os trabalhadores por conta de outrem e a generalidade da classe média e média-baixa viu os seus rendimentos subir entre zero e três por cento no ano passado, os cem mais ricos aumentaram a sua riqueza em 36%. E fizeram-no essencialmente através da bolsa - ou seja, não pelo desempenho das suas empresas, não pela criação de riqueza para o país, mas sim através da simples especulação com o dinheiro. Mais interessante ainda seria podermos dispor da lista dos cem maiores pagadores de impostos do país em nome individual, para compararmos com os cem mais ricos. Ou sabermos quanto pagaram de impostos sobre os lucros as empresas ou fundações onde se abrigam os cem mais, para compararmos com os que, vivendo apenas do seu trabalho, pagam 42% de IRS. Aí, sim, poderíamos perceber a dimensão da injustiça social e fiscal em que vivemos.

Mas, num país que alimenta essa coisa indecorosa que é o «off-shore» da Madeira (um simples território de evasão fiscal promovida pelo Estado), num país onde mais de metade das fundações servem apenas para fugir ao fisco, onde dois terços das empresas nunca declaram lucros, onde se baptiza de ‘empresário’ quem nunca criou um posto de trabalho nem produziu um euro de riqueza facturável, onde os gestores públicos recebem indemnizações escandalosas para saírem de uma empresa e passarem para outra e onde o Estado oferece de graça (e ainda paga os encargos) o seu maior museu para albergar uma colecção de arte privada emprestada, não é de admirar que a generalidade das pessoas não acredite na seriedade dos meios pelos quais alguns se tornaram tão ricos. É que não se pode ter tudo: boa cama e boa fama.


Comentário:

Há quem se contente com boa cama e boa mama. Para muitos indígenas tal é sinônimo de boa fama.
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terça-feira, agosto 14, 2007

Os “donos do País” porque estão “gordos e anafados” não podem apertar o cinto nem prescindir destes luxos.

Correio da Manhã - 12 de Agosto de 2007

Texto de Rui Rangel:

É um verdadeiro escândalo a proposta de alteração ao Estatuto dos Deputados. Os senhores deputados da Nação que, como sabemos, muito trabalham, muito pensam e muito contribuem para a dignificação do Parlamento, que já gozam de várias benesses, fizeram aprovar uma alteração que lhes concede o direito a que cada um tenha o seu assessor particular, a ganhar 1500 euros/mês, com passagem, de imediato, ao quadro da função pública. Na prática aprovaram a contratação de 230 assessores particulares.

Esta alteração, que foi proposta pelo deputado socialista António José Seguro, constitui uma chaga no prestígio da democracia parlamentar. Não é com mais assessores que se melhora a imagem da vida parlamentar. Melhora-se reduzindo o número de deputados, recrutando os melhores, os mais inteligentes, os que pensam bem. A virtude do Parlamento assenta nos homens que têm da política uma visão nobre, nos homens de acção, e não naqueles que actuam em função dos interesses de grupo e não dos interesses do País. Para que servem assessores particulares a deputados que só estão no Parlamento para se levantarem e sentarem consoante o ritmo das votações que lhes são impostas? É público que, em cada grupo parlamentar, só uma minoria pensa e trabalha. Se o trabalho parlamentar não chega sequer para todos os deputados, o que faz o assessor particular? Trata-se de uma medida excessiva, que obriga a gastos supérfluos numa altura em que se atravessam inúmeras dificuldades económicas.

Todos os dias o Governo pede mais sacrifícios aos portugueses, corta nas reformas e em pensões de velhice, asfixia o cidadão com uma verdadeira ditadura de impostos, encerra unidades hospitalares e escolas. Tudo em nome do apertar do cinto, que pelos vistos é uma receita só para ser cumprida pela população que está cada vez mais pobre. Os “donos do País” porque estão “gordos e anafados” não podem apertar o cinto nem prescindir destes luxos. Só com estas prebendas podem finalmente descansar. Enfim, o povo que aguente. Mais uma vez vai ser o cartão partidário e a cunha que vão ditar as regras de contratação e não a independência e a qualidade das pessoas. E depois admirem-se dos níveis de abstenção nas eleições.



Não resisti a colocar alguns comentários de leitores do Jornal Público:

Por Marcelo, Lisboa:

Quem fiscaliza a Assembleia da Republica? Os deputados podem fazer todas as asneiras que lhes apetece à custa do Orçamento (dos nossos impostos)? E o Presidente não tem uma palavra a dizer? E o tribunal de contas está calado? E o ministro das finanças caladinho? E os partidos de direita e de esquerda da oposição estão todos no mamanço? Na chulice do povo português? Mas que é isto Sr 1º Ministro? É uma benesse para os deputados que já nada fazem, para não serem tão críticos do Governo? E os assessores vão dar muito jeito aos amiguinhos e aos sobrinhos dos deputados, claro! Acabe-se com esta pouca vergonha. Por causa destas porcarias é que ha mais de 60% de abstenção nas eleições! E depois vem Cavaco dizer que não percebe? Porra homem se não percebe demita-se ou cumpra o seu papel de presidente da republica a sério! Agora que respondam: quem fiscaliza a assembleia da republica? Será que o parlamento se tornou num cabaré de chulos do povo português?


Por Dinis Evangelista, Queluz:

Se 230 deputados é muita gente, um assessor por cada deputado é escândaloso. Todos sabemos que a maioria dos deputados nada faz no Parlamento, além de carregar no botão nas votações. Será que é o assessor que vai carregar no botão, em vez do deputado? Se há deputados que têm outros (vários) empregos (ou tachos) para que são necessários tantos assessores para estas funções? Ou será que o País está bem de finanças no que respeita a benefícios para os políticos. Assessores, técnicos para apoiar os grupos parlamentares, concordo, agora, um assessor para cada deputado, é gozar com a miséria em que vivem a maioria dos portugueses.


Por Sousa da Ponte, Faro:

A democracia virou nepoticracia. Há alguma justificação para tanto assessor, tanto assistente, tanto chulo? O cumulo é atingico com o PEV(FVD): 12 assessores para dois deputados? Mas para fazerem o quê? O Jaime Gama diz: "O Orçamento da Assembleia não pode ter uma expansão superior à do Orçamento de Estado em termos de despesa pública e de despesas com pessoal". Podemos suspeitar que ele está sendo tão enganador como os números fornecidos pelo organimo que dirige. O grupo parlamentar do PS, com 76 assessores, tem disponíveis 2,2 milhões de euros por ano para despesas com pessoal enquanto o PEV(FVD) tem 203 mil euros para 12 assessores.


Por vasco, vasco:

Já sei porque é que a Assembleia da República tem tantos assistentes: o objectivo é chegar aos 150.000 postos de trabalho, lembram-se?!?

sábado, agosto 11, 2007

Os lucros fabulosos das sanguessugas, devidamente avalizados por Trichet, Constâncio e Teixeira dos Santos

Jornal de Negócios - 1 de Agosto de 2007

Os quatro maiores bancos privados portugueses lucraram, no primeiro semestre de 2007, 1.138,9 milhões de euros, mais 182 milhões do que há um ano. Em média, os resultados líquidos aumentaram cerca de 30% até Junho, afectados pela quebra de 22,2% nos lucros do Millennium bcp.

O jornalista que escreve o artigo, Maria João Babo, não esquece contudo o «reverso da medalha»:

«No total, os quatro bancos entregaram aos cofres do Estado 109,6 milhões de euros, um aumento médio de 36,2% face a Junho de 2006»

«Os custos operativos dos quatro bancos cresceram até Junho. No BPI, os custos de estrutura aumentaram 14,4%, mas excluindo os custos relacionados com a OPA do BCP - que somaram 9,9 milhões de euros no primeiro semestre deste ano - a subida seria de 11,3%. A este agravamento não é alheio o programa de investimento em Angola...»

«Em termos de rendibilidade dos capitais próprios (ROE), o BCP está no fundo da tabela, tendo mesmo registado uma queda, de 20,1% em Junho do ano passado para 17,8% este ano.»


Jornal de Notícias - 1 de Agosto de 2007

Os quatro maiores bancos privados a operar em Portugal lucraram cerca de 6,3 milhões de euros por dia, ou seja, 263,6 mil euros por hora, nos primeiros seis meses do ano, um ganho de 19% face ao período homólogo.

O jornalista que assina o artigo, Ricardo David Lopes, assinala, contudo, que em tempos de tamanha abundância nem tudo são rosas:

«Os lucros do BCP no semestre, recorde-se, caíram mais de 22%, "arrastados" pelos custos da oferta sobre o BPI (cerca de 65 milhões).»

«Mas o semestre - no qual os lucros dos quatro maiores bancos privados passaram pela primeira vez a fasquia dos mil milhões de euros - fica também marcado pelo aumento dos impostos pagos pela banca, frequentemente acusada de ganhar muito e pagar pouco.»

«Se é verdade que aquilo que entrou nos cofres do Estado é quatro vezes menos do que aquilo que ficou nas instituições, também é certo que o volume de impostos pagos cresceu (36,9%) ao dobro dos lucros.»


Comentário:

Não haverá uma alminha, em todos estes órgãos de comunicação, que tenha a coragem de questionar porque disparam trimestralmente as prestações dos empréstimos que todos nós pagamos, sem que a taxa de inflação suba? Não haverá uma cabecinha em todos estes MERDIA que pergunte porque sobem os juros desalmadamente? Todos estes «especialistas económicos» tiraram o curso na Universidade Independente? Ou são pagos para não questionar?

Não obstante todas as «contrariedades», as sanguessugas continuam confiantes que melhores tempos virão:


terça-feira, agosto 07, 2007

Ministério Público (MP) conclui que o Sr. Pinto de Sousa (Sócrates), foi prejudicado na Universidade Independente

Jornal Expresso – 4 de Agosto de 2007

«O aluno José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa até foi prejudicado na Universidade Independente (UnI) em relação a dois antigos colegas. Esta é uma das conclusões do despacho de arquivamento do Ministério Público (MP) da investigação sobre a licenciatura em Engenharia do primeiro-ministro, que não apurou quaisquer irregularidades no processo.»

«O documento, a que o Expresso teve acesso, revela o caos organizativo e pedagógico da UnI. de que beneficiaram todos os alunos. Sócrates foi apenas mais um. Se conclusão diferente se pode retirar sobre o processo de licenciatura do então ministro do Ambiente, diz o MP, é que até foi prejudicado, pois teve de frequentar as aulas da cadeira de Inglês Técnico e fazer um trabalho final, ao contrário dos seus colegas Carlos Pereira e Maria Carmen Antunes. Estes, segundo o MP, foram "brindados com a nota de 13 valores sem que tivessem obtido aproveitamento em disciplina que lhes permitisse a atribuição de equivalências".»

«E como eram as aulas de Inglês Técnico? Eram "conversas mantidas em inglês técnico no espaço reitoral" entre o ex-reitor Luiz Arouca e o aluno José Sócrates. "Duravam em média 15 minutos, com excepção dos dias em que faltasse algum professor, alturas em que a conversa duraria mais tempo", segundo descreveu o próprio Luiz Arouca. Questionado sobre a validade deste método, o antigo reitor respondeu que o mesmo é aplicado "nas universidades estrangeiras, como na Sorbonne e Cambridge".»


Comentário:

De seguida um curto vídeo da apresentação do trabalho final de curso (em Inglês Técnico), no qual Sócrates (Pintainho para os mais chegados, Effeminate para os mais Santanistas), sustenta de forma brilhante como, contra a vontade de uma população maioritariamente hostil, é possível construir dez úteis estádios de futebol, um premente e faraónico aeroporto na Ota e vários TGVs, infinitamente mais dispendiosos que apressurados.

A convicção inquebrantável de Pinto é imediatamente perceptível nas primeiras estrofes da sua magnífica retórica:

«First I was afraid, I was petrified

Kept thinking I could never live without you by my side

But I spent so many nights thinking how you did me wrong

I grew strong, I learned how to carry on...»


(O "YOU" do poema refere-se, como é óbvio, ao contribuinte)

Sócrates first graduated at UnI, as a minister he became petrified, but soon he realized, how much money it could be: