terça-feira, fevereiro 15, 2005

O problema dos stocks

Em «Paix indésirable? Rapport sur l'utilité des guerres», Calmann-Lévy descreve uma das linhas de pensamento económico nos Estados Unidos, em voga na década de 70:
“Na época da guerra do Vietname, quinze economistas americanos de prestígio escreviam: É impossível imaginar para a economia um substituto da guerra. Nenhuma técnica (é) comparável em termos de eficácia para manter um controlo sobre o emprego, a produção e o consumo. A guerra era e continua a ser de longe um elemento essencial para a estabilidade das sociedades modernas. [O sector militar] constitui o único sector importante da economia global sujeito a um controlo completo e discricionário das autoridades governamentais. A guerra, e só a guerra, é capaz de resolver o problema dos stocks.”


Portas, que decerto estudou economia, vislumbrou aqui a oportunidade de sonho para a retoma e não teve mãos a medir:

- 800 milhões de Euros em 2 submarinos alemães.

- 500 milhões de Euros em 40 Aviões de guerra F-16 americanos

- 344 milhões de Euros em 260 tanques de guerra

- 440 milhões de Euros em 12 Helicópteros EH-101 para o exército.

- 356 milhões de Euros em 12 aviões de transporte militar médio.

- 200 milhões de Euros em 2 fragatas americanas da classe Oliver Hazard Perry com mais de 20 anos de uso.

Um excelente investimento do nosso ministro da Defesa, que nos fez ainda poupar os 5% de comissões à cabeça, que, por norma, são pagos a governantes corruptos do 3º Mundo.

O facto do PP ter um orçamento para a campanha eleitoral muito superior ao do PS (PSD - 7,32 milhões, PP - 6,76 milhões, PS - 4,85 milhões, CDU - 862 mil e BE - 730 mil), deve-se ao facto de Sócrates ser um forreta e não ter espírito investidor (as más línguas, eternamente dispostas a vomitar lama sempre que abrem a boca, lembram que os maiores contribuintes das campanhas eleitorais, do outro lado do atlântico, são as indústrias de armamento, e que o PP sempre deteve a pasta da Defesa).

A NATO, [cujo analfabetismo económico é lendário] considerou um desperdício o valor que Portugal vai ter que despender por este material. Portas não quis comentar essas declarações. No entanto, na intervenção que fez, depois do contrato assinado, considerou que a decisão de avançar com a construção dos submarinos foi uma decisão de soberania [evidentemente!].

No dia 2 de Fevereiro (2-2-2005) O líder do CDS/PP, Paulo Portas, prometeu uma campanha inovadora e pela positiva, centrada na discussão dos temas que interessam aos portugueses: "Vamos falar do que é útil aos portugueses. Eles não perdoarão que se lhes fale de mais alguma coisa que não o que é útil ao nosso país", acentuou Paulo Portas.

Portas deve, portanto, querer falar-nos sobre guerra e dos seus planos para assegurarmos um Vietname à nossa medida - porque, o armamento já cá mora, e carne para canhão não nos falta. Assim nos ensina a teoria económica acerca do controlo sobre o emprego, a produção e o consumo, por um lado, e do descontrolo da guerra, da corrupção e da morte, por outro.

3 comentários:

Anónimo disse...

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