sexta-feira, novembro 04, 2005

"Lugares negros", sessenta anos depois

Na SIC Online

A CIA terá escondido e interrogado alegados membros destacados da Al-Qaeda em instalações secretas na Europa de Leste (Polónia e Roménia). De acordo com uma investigação do Washington Post, há quatro anos que a agência norte-americana montou um sistema secreto de prisões, como parte da guerra contra o terrorismo.

A rede secreta de centros de detenção será apenas uma parte do sistema encoberto criado pela CIA, há quatro anos, para combater o terrorismo.

A teia secreta denunciada na edição desta quinta-feira do Washington Post terá tido acesso a documentos confidenciais.

O sistema terá incluído centros de reclusão em oito países, entre eles a Tailândia, o Afeganistão e algumas democracias do leste europeu (Polónia e Roménia).

Em causa estão operações da CIA que dependem, segundo o diário, da cooperação dos serviços secretos estrangeiros e da manutenção da confidencialidade.

Apenas um pequeno grupo de altos funcionários norte-americanos, o Presidente e alguns membros dos serviços secretos internacionais terão conhecimento da existência destas prisões secretas da CIA ou "lugares negros", como serão conhecidas na gíria dos serviços secretos.

Por lá já terão passado mais de cem reclusos. Entre eles, 30 dos considerados mais importantes terroristas, presos e interrogados num complexo pós era soviética na Europa de Leste. Este grupo de prisioneiros, adianta o jornal, será mantido isolado do mundo exterior, em celas subterrâneas e terá contacto apenas com os próprios agentes da CIA.

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Lembremos aqui alguns aspectos do USA Patriot Act, aprovado nos Estados Unidos após o 11 de Setembro e reforçado, mais tarde, pelo Patriot Act II:

Sem informar os cidadãos, qualquer instituição federal pode entrar secretamente em qualquer casa ou empresa, recolher provas e, seguidamente, usar a prova (recolhida ou “plantada”) para acusá-los de um crime.

Qualquer instituição policial tem o poder de monitorar a internet e o correio electrónico, interceptar telefones celulares sem garantias para milhões de suspeitos.

Qualquer instituição federal pode invadir uma empresa e copiar todos os seus arquivos sob a premissa de que têm “relação” com uma investigação terrorista. Os cidadãos que venham a protestar publicamente por estas acções policiais arbitrárias e invasoras podem ser detidos.

Os julgamentos são secretos e os representantes do Ministério Público não precisam de apresentar provas quando se trata “dos interesses da segurança nacional”. O condenado pode ser executado inclusive quando uma terça parte dos juízes militares não está de acordo.

A polícia secreta não conhece fronteiras entre a espionagem doméstica e a externa. O USA Patriot Act legaliza as operações da CIA contra os cidadãos no interior dos Estados Unidos.

O USA Patriot Act, tem uma ampla e vaga definição de “terrorismo” que lhe permite reprimir qualquer organização dissidente ou actividade de protesto. De acordo com a secção 802 da norma, terrorismo é definido como “actividades que implicam actos perigosos para a vida humana e que são uma violação das leis criminais dos Estados Unidos... (e) pretendem intimidar ou coagir a população civil... (ou) influenciar as políticas de governo através da intimidação ou da coerção”.

Qualquer protesto anti-globalização, como o que ocorreu em Seattle ou Ottawa, pode ser qualificado de “terrorista” e os seus líderes e participantes presos, as suas casas e escritórios revistados, os seus documentos confiscados e, se não forem cidadãos americanos, enviados aos tribunais militares.



Comentário:

Sessenta anos depois, outro grande estado democrático instala campos de reclusão um pouco por toda a parte, inclusive na Polónia. Agora falha-me um pouco a memória. Como é que se chamava aquele de há sessenta anos atrás? Auschwatz? Auschwetz? Auschwutz?

10 comentários:

Fragil disse...

O nome do campo de concentração de que não se recorda não será Auschwotz?

ReiArtur disse...

O relator especial da ONU contra a Tortura, Manfred Nowak, denunciou em Junho em Viena que existem «muitos indícios» de que os Estados Unidos utilizavam navios de guerra como campos secretos de prisioneiros para presumíveis terroristas." Agora, parece que deram mais um passo em frente na política Nazi.

Biranta disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Biranta disse...

Nos finais de Maio, já havia notícias deste tipo de factos. Na altura, escrevi:
"O que ninguém quer dizer, nem o referido programa, é que esta história ilustra e comprova que este é um dos procedimentos, adoptados pela CIA, para "fabricar TERRORISTAS"
neste post:
http://socioapeloh.blogspot.com/2005/05/o-programa-rendition-da-cia.html
Mas esta não foi a primeira vez que se falou do assunto. Existiram outras notícias referenciadas nos blogs e, algumas semanas antes, se não meses, um documentário do canal 2 apresentou um ex-recluso de Guantanamo que fugiu, desde um dos países dos balcãs, para o Canadá, onde tem família, porque a CIA o libertou de Guantanamo, sob seu compromisso de ir para o Iraque, "infiltrar-se entre terroristas", trabalhando para a CIA. O pior foi quando ele percebeu que isso implicava praticar actos terroristas e, eventualmente, transformar-se em "suicida". Este fugiu, e todos os outros?
Por isto tudo eu acho que estas notícias escondem mais do que revelam, que se sabe muito mais, que pretendem "adoçar a pílula", que escondem a verdadeira dimensão dos factos, nomeadamente por referirem 100 pessoas. É mentira! O procedimento é massivo...
Toda esta gente sabe que a CIA está a usar estes procedimentos, excluisivamente, para fabricar terroristas. Toda esta gente sabe que as pessoas presas não são suspeitas de coisa alguma e que o Afeganistão é o maior fornecedor de candidatos a terroristas, como se viu na sequência dos atentados de Londres. Foram entregues à CIA mais de 200 cidadãos afegãos...
Só não vê quem não quer, mas toda esta gente teima em silenciar, de forma pérfida, estas infâmias.
Deve estar prestes a "rebentar" outro qualquer escândalo e então vão dando estas notícias, a conta gotas, tentando justificar o injustificável, para minorar o impacto e os efeitos.
Não será de esperar, nunca, destes jornais que façam senão isso mesmo: preparar os caminhos da perpetuação da impunidade dos USA.
O que eu quero dizer é que estas pessoas, que são sujeitas e estes tratamentos desumanos, não são suspeitos de coisa alguma. São cidadãos, escolhidos ao acaso e sujeitos aos piores maus tratos, a horrores, para se transformarem em terroristas; quer por aceitarem "colaborar" com a CIA, quer pelo ódio e revolta, desejo de vingança, que lhes sobrevenha.
É caso para dizer: "com meias-verdades nos enganam" e tentam adormecer.
As organizações dos direitos humanos não sabem disto? Ou estas notícias destinam-se a desculpabilizar essa gente?

Bilder disse...

Tudo factos escondidos e realidades ocultas daquilo que eu chamo de Nova Desordem Mundial.

MF disse...

A isto memso me referi na passada quinta-feira e é a mesma a vergonha que sinto quando alguma Europa já se prepara para voltar a brir o horrendo livro - esse si, negro - dos campos de prisioneiros que nunca de lá sairao com vida Sem nunca terem sido julgados ou acusados Na maior vergonha e escárnio dos direitos humanos, transformada em justificaçao do seu contrário!
Convido-vos a lerem
http://homem-ao-mar.blogspot.com
Obrigado

MF disse...

Reiartur, desculpe mas o passo nao é em frente.É um gigantesco passo a trás!

Anónimo disse...

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