sábado, novembro 05, 2005

"Lugares Negros", 60 anos depois (2)

Quantos gulags americanos existem, espalhados pelo Mundo? Ninguém sabe. Esse é um dos segredos mais bem guardados. E no entanto, sabe-se cada vez mais sobre esse tema.Porque por mais que se mantenham secretos, há sempre um rabo de fora.

Quando o Iraque foi invadido e Saddam derrubado, Bush disse aos iraquianos (e ao Mundo) que aquilo era uma “invasão libertadora”, que “jamais os iraquianos voltariam a ser torturados”, que “o sofrimento ia chegar ao fim”. Lembro-me bem dessas mentiras.
Mas só hoje sei que Bush mentiu. Só hoje sei que Bush continua a mentir. Voltou a mentir quando disse que os responsáveis pela tortura de prisioneiros em Abu Ghraib e Guantanamo seriam julgados e castigados. Dick Cheney não está a ser julgado nem deverá ser castigado e, no entanto, foi ele quem ordenou as torturas. Foi ele. E Bush sabia. O castigo está a ser aplicado a alguns pobres de espírito, soldados pau-mandado, incapazes de se defenderem ou sequer de perceberem o que lhes está a acontecer.
Hoje sabemos que os gulags não se limitam a Guantanamo, Abu Ghraib ou Bagram. As ONG humanitárias que investigam essa questão garantem que há dezenas de prisões secretas mantidas pelos americanos, um pouco por todo o Mundo. Dezenas de gulags, onde estão encarcerados inúmeros “suspeitos” de serem terroristas, “suspeitos” de pertencerem à Al-Qaeda, simplesmente “suspeitos”. Encarcerados, torturados, assassinados em segredo, em prol da democracia ocidental.
Segundo dados recentemente revelados pelo UN Human Rights Committee, só no Afeganistão há mais de 20 locais onde os americanos construíram prisões e onde não permitem visitas a prisioneiros, nem inspecções de entidades independentes. Quem são e quantos são os prisioneiros nessas instalações? Ninguém sabe. De que direitos beneficiam? De nenhuns.
Suspeita-se que também na ilha de Diego Garcia exista uma dessas prisões, mas os indícios apontam para países como a Polónia, a Ucrânia, Kosovo, o Quirguistão, Arábia Saudita, Egipto, Panamá ou mesmo no interior dos EUA. A verdade é que pode ser em qualquer lado.
As suspeitas baseiam-se em relatos de alguns prisioneiros que acabaram por ser libertados. São poucos casos e as pessoas nem sabem dizer onde estiveram. Mas, todos, trazem no corpo as cicatrizes das sevícias sofridas.

Nota: gulag, em russo, segundo a definição dada pela Wikipédia, é um sistema de campos de trabalho forçado para criminosos e presos políticos da União Soviética, à semelhança dos campos de concentração nazis. Na URSS, os gulag funcionaram desde 1918 até 1956. Nesses campos, milhões de pessoas foram aprisionadas e muitas delas nunca de lá saíram com vida. O termo gulag tornou-se, assim, sinónimo de repressão bestial e sem limites. Os americanos estão a aplicá-lo com esmero.

8 comentários:

rajodoas disse...

O Bush é uma versão hitleriana e por isso merece o nosso desprezo e
contestação pela sua forma ignóbil de
através das suas tropas causar danos irreparáveis noutros povos.

Sofocleto disse...

As fábricas de suicidas da maior democraCIA do mundo espalham-se como cogumelos.

No entanto o maior campo de concentração de todos os tempos chama-se Iraque. Aí, os autóctones, sejam eles shiitas, sunitas ou curdos, são diariamente chacinados pelos atentados bombistas de al Zarqawi (leia-se agentes da CIA, homens das SAS britânicas e outros), seguidos das operações militares das tropas da “coligação” contra cidades onde se "supõe" que estejam escondidos "insurgentes alegadamente próximos da al-Qaeda".

Provavelmente já foram mortos mais de duzentos mil civis até agora no Iraque (o Guardian falava em cem mil, há um ano), mas ainda longe dos quatro milhões que os nazis assassinaram em Auschwitz. No entanto Rumsfeld e Cheney têm muito tempo pela frente.

Margarida disse...

Quem diria que a América neoconservadora iria seguir os passos da Alemanha Nazi e do totalitarismo soviético.

Biranta disse...

Pois... Deve ser por isso que, para mim, estas coisas são, todas, bem mais claramente horrendas: desde o início, desde o primeiro momento que eu "sabia" que era tudo mentira, desde poucos dias depois do 11 de Setembro... exactamente por causa da reacção de Bush e seu staff... Vocês desculpem lá, mas se o 11 de Setembro tivesse sido o que se pretendeu que foi, toda a administração americana teria "caído" logo, seguida dos altos responsáveis da CIA e não só... Bastou isso, mas não foi só isso. Depois foi um longo percurso de "encontrar" as inconsistências das "alegações", para perceber a mentira. Convido-vos a ler a reedição da minha opinião sobre isto e sobre "Como se fabricam terroristas

augustoM disse...

Sabes quem foi o maior fornecedor de equipamento militar aos nazis, que permitiu que adquirissem o poder militar que tiveram? OS AMERICANOS.
Quem lucra com a guerra só pode querer guerra e quando não há guerra inventa-se uma. E como na guerra vale tudo para os mais fortes, as atrocidades destes passam a ser actos humanitários.
Quem conhece a história dos EU não tem dificuldade em aceitar tudo o que se conta a seu respeito mesmo por muito inverosímil que pareça.
Um abraço. Augusto

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