terça-feira, Abril 15, 2014

Retrato de uma cabra


A «nossa» atual Ministra das Finanças

Maria Luís Albuquerque


Uma das responsáveis maiores pela miséria e desespero de milhões de portugueses


Maria Luís Albuquerque é casada com o jornalista António de Albuquerque. Este, dispensado do Diário Económico, propriedade do grupo Ongoing, em Abril de 2013, foi nomeado Consultor na EDP, empresa cuja privatização foi responsabilidade da sua mulher, no início de Julho desse ano.

Maria Luís Albuquerque licenciou-se em Economia na Faculdade de Economia da Universidade Lusíada de Lisboa em 1991 e é Mestra em Economia Monetária e Financeira pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa desde 1997.

Foi técnica superior na Direcção-Geral do Tesouro e Finanças entre 1996 e 1999, técnica superior do Gabinete de Estudos e Prospectiva Económica do Ministério da Economia entre 1999 e 2001, desempenhou funções de assessora do Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças em 2001, foi Diretora do Departamento de Gestão Financeira da REFER entre 2001 e 20076 e coordenou o Núcleo de Emissões e Mercados do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público entre 2007 e 2011.

Em junho de 2010, enquanto técnica da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) aprovou um swap da Estradas de Portugal. Mais tarde, já como ministra, garantiu que esteve afastada deste tema enquanto trabalhou no IGCP (entre 2007 e 2011). "Enquanto estive no IGCP, não tive qualquer contacto com swaps, nem do IGCP nem de natureza nenhuma", referiu numa primeira audição na Assembleia da República, a 25 de Junho de 2013.




Foi cabeça de lista dos candidatos a deputado pelo PSD em Setúbal em 2011. Desde esse ano, exerceu funções de Secretária de Estado do Tesouro no XIX Governo Constitucional de Portugal, até 1 de julho de 2013, altura em que foi indigitada para as funções de Ministra de Estado e das Finanças, substituindo Vítor Gaspar.

Foi docente na Universidade Lusíada de Lisboa,6 no Instituto Superior de Economia e Gestão e no pólo de Setúbal da Universidade Moderna entre 1991 e 2006. Enquanto docente da Universidade Lusíada, foi professora de Pedro Passos Coelho.


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BPNgate e SWAPgate

Maria Luís Albuquerque é daquelas aves raras que permanecem eternamente a saltitar de tacho em tacho, pelos governos, maquinando coisas, encobrindo outras e escapando sempre ilesa, sempre bem protegida. Possuidora de um bom currículo, que já vem desde o governo Sócrates, onde foi responsável por decidir os contornos ruinosos, para o Estado, da nacionalização do BPN.




Diário de notícias (29/04/2012) - BPN: A fraude que pode custar 8,3 mil milhões de euros


No vídeo abaixo, o Professor Paulo Morais denuncia um caso de promiscuidade e nepotismo, protagonizado pela protagonista do Swatgate, Maria Luís Albuquerque.

Antes de ser a atual secretária de estado do Tesouro do Governo de Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque, trabalhava para o governo de Sócrates, com um secretário de estado socialista, e curiosamente quando chegou ao governo PSD, fez questão de levar com ela, para sua chefe de gabinete, a esposa desse secretário de estado socialista. Favores com favores se pagam.

Paulo Morais garante que esta é mais uma das conhecidas formas de evitar que se divulguem ou revelem as partes indesejadas dos conteúdos dos dossiers. Mantendo nos cargos os que ajudaram a realizar as tais tarefas duvidosas, ou contratando, apenas amigos e familiares da sua confiança.




quinta-feira, Abril 10, 2014

A burla descomunal perpetrada pelo BCE (Banco Central Europeu) e pelos bancos privados contra os Estados, as Empresas e as Famílias


Jornal Público - 29/02/2012



Um total de 800 bancos tiveram hoje (29/02/2012) um empréstimo de 529,5 mil milhões de euros do Banco Central Europeu (BCE), na segunda oferta de empréstimos a três anos, acima das previsões.

O objectivo deste novo empréstimo é facilitar o fluxo de crédito para os negócios e para os governos europeus.

No total, 800 bancos pediram dinheiro emprestado, com a procura acima dos 500 mil milhões de euros que tinha sido prevista pela maioria dos analistas e também dos 489 mil milhões que constituíram a primeira vaga de empréstimos, em Dezembro passado, à qual recorreram 523 bancos da zona euro.

Quanto a essa primeira operação realizada no final de 2011, Mario Draghi, presidente do BCE, tem afirmado que veio a tempo de evitar uma crise do crédito a ajudou a restaurar alguma confiança nos mercados financeiros. Isto porque a banca recorreu ao dinheiro do banco central europeu para comprar alguma das dívidas nacionais, como em Espanha e Itália.

(...)

Mario Draghi, para tornar mais fácil o acesso aos empréstimos do BCE, flexibilizou os critérios que são exigidos no domínio das garantias e reduziu também [aos Bancos] a taxa de juro de referência para o mínimo histórico de 1%.


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Em 2012, os bancos, a nadarem em liquidez, compraram grandes quantidades de títulos de dívida pública dos seus países. Vejamos o exemplo de Espanha. Os bancos espanhóis pediram emprestado ao BCE 300 mil milhões de euros, a três anos, com um juro de 1%, no âmbito do LTRO (Long-Term Refinancing Operation - operação de refinanciamento de longo prazo). Com uma parte desse montante, aumentaram drasticamente as suas compras de dívida emitida pelas autoridades espanholas.

A evolução é impressionante: em finais de 2006 os bancos espanhóis detinham títulos públicos do seu país no valor de apenas 16 mil milhões de euros. Em 2010 aumentam as compras de títulos públicos espanhóis. Detinham 63 mil milhões. Em 2011 a compra volta a aumentar. Os títulos espanhóis na posse dos bancos atingem o montante de 94 mil milhões. E devido ao LTRO as aquisições explodem literalmente. O montante duplica no prazo de alguns meses, alcançando os 184,5 mil milhões de euros, em Julho de 2012. Convém dizer que se trata de uma operação muito rentável para os bancos. Pedindo emprestado a 1%, compram títulos espanhóis, a 10 anos, com juros que variam entre 5,5 e 7,6%, no segundo semestre de 2012.


De seguida, vejamos o exemplo de Itália. Entre finais de Dezembro de 2011 e Março de 2012 os bancos italianos pedem emprestado ao BCE 255 mil milhões de euros no âmbito do LTRO. Em finais de 2010 os bancos italianos detinham títulos públicos do seu país no valor de 208,3 mil milhões de euros, mas o montante aumenta para 224,1 mil milhões no final de 2011, poucos dias após o início do LTRO. Logo de seguida, utilizam a enorme quantidade de créditos que recebem do BCE para comprarem títulos italianos. Em Setembro de 2012, os bancos detêm títulos italianos no valor de 341,4 mil milhões de euros. Como no caso espanhol, trata-se de uma operação muito rentável: pedem emprestado a 1% e comprando títulos italianos a 10 anos conseguem um juro que varia entre 5 e 6,6% no segundo semestre de 2012.


O mesmo fenómeno aconteceu na maioria dos países da zona euro. Houve relocalização de uma parte dos activos dos bancos europeus para os países de origem. Em concreto, constata-se em 2012, em cada país, um aumento significativo da fatia de dívida pública na posse de instituições financeiras desse mesmo país (...).

É fácil de ver que, do ponto de vista do interesse da população dos países em questão, teria sido necessário adoptar uma abordagem completamente diferente: o BCE deveria emprestar directamente aos Estados a menos de 1% (como acontece com os bancos privados desde Maio de 2012) ou mesmo sem juro. Dever-se-ia também socializar os bancos, sob controlo cidadão.

Em vez disso, o BCE resolveu proteger os bancos privados, abrindo uma linha de crédito ilimitada, a taxas de juro muito baixas (entre 0,75 e 1%). Os bancos privados deram diferentes usos a esse maná de financiamento público. Como acabamos de ver, por um lado compraram títulos soberanos de países que, sob pressão dos próprios bancos, aceitaram pagar juros altos (entre 5 e 7,6%, a 10 anos), como aconteceu em Espanha e Itália. Por outro lado colocaram uma parte do crédito concedido pelo BCE... no BCE...!





segunda-feira, Março 31, 2014

Dívida Soberana dá biliões de lucros à Banca e envia milhões de portugueses (e de europeus) para a miséria


A fraude da «Dívida Soberana» e o ilusório «Manifesto dos 74»


Correio da Manhã - Bancos vão buscar crédito ao BCE a 1% e investem em dívida pública a taxas superiores (que vão de 5% a 12%). Em 2010, já ganharam mais de 150 milhões de euros. De Janeiro a Setembro, aplicações subiram 7,8 mil milhões.





O investimento na dívida pública portuguesa está a revelar-se um excelente negócio para a Banca nacional. Com os juros da dívida da República em alta desde o início do ano, até atingirem 6,8% no leilão de Obrigações do Tesouro neste mês, o aumento das aplicações em 7,8 mil milhões de euros, entre Janeiro e Setembro de 2010, já garantiu à Banca muitos milhões de euros.

Se fizermos as contas ao dinheiro aplicado neste ano, e se contarmos com uma margem mínima de dois pontos percentuais, o lucro ultrapassa os 150 milhões de euros, mas na realidade os ganhos ainda serão superiores. O BCE [Banco Central Europeu] empresta dinheiro à Banca portuguesa a 1%, contra garantias, e a Banca investe em dívida com juros a 6%", explica Mira Amaral, ex-ministro de Cavaco Silva e actual líder do BIC [Banco Internacional de Crédito].

Os últimos dados do Banco de Portugal revelam que, em Setembro de 2010, os bancos nacionais tinham investidos em dívida pública portuguesa 17,9 mil milhões de euros, um aumento de 53% em relação aos 9,5 mil milhões de euros registados em igual mês do ano passado.

Desde a entrada em vigor da moeda única, a 1 de Janeiro de 1999, que a Banca portuguesa não tinha tamanha exposição [leia-se: acesso] à dívida pública. Para Luís Nazaré, ex-líder dos CTT, esta realidade "revela mais sensibilidade [leia-se: voracidade] da Banca nacional para assegurar a dívida pública portuguesa, mas é também uma excelente aplicação, porque vai buscar o dinheiro a 1% ao BCE e investe-o a 5% na dívida".


Mira Amaral alerta que "isto não é sustentável", porque "o BCE está a ajudar, através dos bancos comerciais, os governos".


Mira Amaral - um assassino ao serviço da Grande Finança Internacional


Este fanhoso funcionário bancário tenta, manhosa mas infrutiferamente, virar o bico ao prego e colocar os bancos no papel de vítimas, dando a entender que é o Estado, ou seja, os contribuíntes, os grandes beneficiários deste roubo colossal perpetrado pela Banca, e de que ele, ao longo da vida, tem sido um fiel servidor.

Mira Amaral integrou os quadros do BPI, transitando do adquirido Banco de Fomento, privatizado nos anos 90. No início da década actual, reformou-se do BPI com indemnização e pensão substanciais. Algum tempo depois, ingressou na Caixa Geral de Depósitos, por influência do PSD; porém, ao fim de 18 meses, viria a deixar a instituição do Estado, com uma obscena pensão de reforma de mais de 18.000 euros mensais.

Hoje, Mira Amaral, administra o Banco BIC, ao serviço de Amorim e de Isabel dos Santos, a princesa do reino corrupto de Angola.


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O Banco Central Europeu (BCE), segundo os próprios estatutos, está proibido de comprar dívida diretamente aos Estados mas tem toda a liberdade de financiar a banca a uma taxa de juro muito baixa (1%), não impondo quaisquer limites na utilização desse dinheiro. Este facto permite que os bancos possam obter lucros extra à custa das taxas de juro elevadas que cobram não só aos Estados, mas também às famílias e às empresas.

No entanto, o BCE pode comprar dívida soberana, ou seja, dos Estados, no chamado "mercado secundário" onde têm acesso os bancos. Portanto, está-se perante a situação caricata que permite à banca especular com a divida emitida pelos Estados, da seguinte forma:

O BCE não pode comprar directamente a dívida ao Estado português, mas já pode comprá-la aos bancos (os celebérrimos mercados) que a adquirem. E então o esquema especulativo montado pela UE e pelo BCE para enriquecer a banca à custa dos contribuintes, das famílias, e do Estado português é o seguinte: a banca empresta às famílias, às empresas e ao Estado português cobrando taxas de juro que variam entre 5% e 12%, ou mesmo mais, depois pega nessa divida, titularizando-a, e vende-a ao BCE obtendo empréstimos a uma taxa de juros de apenas 1%.

De 2008 a 2011 - EM APENAS TRÊS ANOS A DIFERENÇA DE TAXAS DE JURO DEU À BANCA PORTUGUESA UM LUCRO DE 3.828 MILHÕES DE EUROS.


Estatutos do BCE:

Capítulo IV - Funções monetárias e operações asseguradas pelo SEBC:

Artigo 21.º - Operações com entidades do sector público:

21.º 1 - De acordo com disposto no artigo 104.º do presente Tratado, é proibida a concessão de créditos sob a forma de descobertos ou sob qualquer forma, pelo BCE ou pelos bancos centrais nacionais, em benefício de instituições ou organismos da Comunidade, governos centrais, autoridades regionais, locais ou outras autoridades públicas, outros organismos do sector público ou a empresas públicas dos Estados membros; é igualmente proibida a compra directa de títulos de dívida a essas entidades, pelo BCE ou pelos bancos centrais nacionais.



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O Manifesto dos 74

E para desviar as atenções da população do carácter criminoso e fraudulento da «DÍVIDA SOBERANA», organizou-se um grupo de setenta e quatro personalidades que divulgaram um manifesto onde expressam a sua vontade de querer a reestruturação da dívida (aparentemente oposta à vontade dos partidos do Poder).

Este seria um processo preparatório tendente à reestruturação "honrada e responsável da dívida" e destinado a ajudar a encontrar soluções que minimizem o sofrimento dos nossos dias e não comprometam a esperança no nosso futuro.

Seguem-se algumas das setenta personalidades do «Manifesto»: Ferreira Leite, Bagão Félix, Adriano Moreira, Freitas do Amaral, Ferro Rodrigues, João Cravinho, Carvalho da Silva, Francisco Louçã... que pretendem demonstrar a abrangência da inteligência nacional envolvida.


Mas este «Manifesto» é tão falso como a «Dívida»:


Perante a evidente incapacidade de cobrar uma «Dívida» que vai aumentando anualmente em virtude dos juros obscenos em jogo, a Grande Finança Internacional, para continuar a arrecadar o seu saque e simultaneamente amansar as opiniões públicas, arquitectou o «Manifesto dos 74», que já se está a espalhar ao resto da europa:

O objectivo é baixar os juros da «Dívida» e prolongá-la no tempo, até que as prestações atinjam um valor que os povos possam pagar e, ainda assim, sobreviver...



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Comentário

Alguém com dois dedos de testa pode aceitar que o BCE [Banco Central Europeu] possa emprestar dinheiro aos bancos comerciais à taxa de 1% (mas que esteja proibido de emprestar aos Estado Nacionais), e que os bancos comerciais, por sua vez, emprestem esse dinheiro aos Estado Nacionais a 5%, 6%, 7%, ... , 12%, embolsando nesse processo juros escandalosos?

Que outra justificação pode existir para o BCE oferecer tais benefícios aos bancos comerciais, senão o facto de esta «instituição europeia» estar exclusivamente ao serviço da Banca Privada? Porque é que os estatutos do BCE o proíbem de emprestar dinheiro aos Estados Nacionais? Quem terá escrito tais estatutos e com que objectivos?

quinta-feira, Março 20, 2014

Acabe-se de vez, tanto com as negociatas que destroem o país como com a canalha que as promove



Jornal Público - 19-03-2014

Alberto Pinto Nogueira é Procurador-Geral Adjunto


A Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional vieram avaliar-nos. Não atribuíram nota final ao exame. Querem saber do Governo as medidas agendadas para acudir ao défice no próximo ano. Ao resto e ao cabo, querem saber o que já sabem: onde vai o Governo desencantar dois mil milhões de euros.

Às reformas, às pensões, aos vencimentos dos funcionários públicos, aos salários e aos impostos de quem trabalha, às férias mais curtas, aos feriados extintos, aos despedimentos, às pequenas e médias empresas. Estes são os que pagam a crise.

Altera-se a lei de ontem. Finta-se o Tribunal Constitucional. Desconta-se.

O Governo virou democrata. Vai discutir com a oposição as medidas que já decidiu implementar. Enquanto discute, não discute e finge que discute, as semanas vão passando. A campanha eleitoral para as Europeias também.

Os visados do costume são apanhados mais à frente. Os cortes temporários chegaram à idade adulta. Passam a definitivos. O primeiro-ministro trata o povo à "pancada". Como democrata e culto que é.

As medidas não se voltam nunca para contratos leoninos em que o Estado perde sempre e os seus "contratantes" sempre ganham.

O Tribunal de Contas veio pôr a nu a vergonha das concessões a privados das águas que são de todos. Riscos sempre por conta das autarquias, benefícios acima de 15%. Contratos leoninos. Nulos: só ressalvam interesses de uma parte (os privados), em prejuízo da outra (o público). Tudo continuará como está.

O deputado Sérgio Azevedo dirigiu uma comissão parlamentar de inquérito às PPP, rodoviárias e ferroviárias. A Assembleia da República concluiu que os negócios das parcerias implicavam um encargo líquido para o Estado de 12 mil milhões de euros. O mesmo deputado acrescenta no seu livro PPP e o Custo de um Estado Fraco que aqueles 12 mil milhões cobririam as despesas do Estado em subsídios de férias de todos os funcionários públicos e reformados durante dez anos. Incompetências, fraudes, falsificações, favorecimentos e outras "figuras".

Ministros deste Governo, quando na oposição, alardeavam a nulidade de tais contratos. As convicções firmes na oposição esfumam-se quando se chega ao poder. A problemática das PPP é complexa. O Direito não é uma ciência exacta. Implica estudo, trabalho. Sobretudo coragem política. Agora renegoceiam, no recato de bancos e ministérios.

Se os contratos são nulos, não produzem efeitos. O Governo renegoceia contratos nulos! Pelo menos muitos deles. O Estado vai pagar a mais umas centenas de milhões de euros em 2014 relativos a PPP rodoviárias. São um sorvedouro infernal de dinheiros públicos. É aquele deputado quem o diz. Paraíso para as concessionárias, bancos, etc…

A Assembleia da República ajuizou que o relatório continha indícios de crimes e enviou-o ao Ministério Público. O que o poder político não fez foi autorizar este a accionar concessionárias e bancos no sentido da declaração da nulidade dos contratos. A declaração judicial não é imprescindível. É uma medida de prudência.

Accionar bancos e concessionárias? O Governo prefere negociar com quem levou o País à bancarrota. Esses não pagam a crise. Engordam com ela.

Uma perguntinha ingénua: os contratos não contêm assinaturas? Assim vão as parcerias público-privadas. Nós pagamos.


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Paulo Morais | Correio da Manhã | 01-03-2014

Acabem com elas

Os custos com as parcerias público-privadas (PPP) não param de crescer. Ao longo deste ano, as rendas vão atingir valores incomportáveis, aos quais acrescem ainda pagamentos de compensações aos concessionários, designados pomposamente de "reposição de equilíbrio financeiro" Com tudo isto, estima-se que a fatura venha a rondar os quatro mil milhões, tendo já sido ultrapassados todos os limites do admissível.

Os pagamentos devem pois ser imediatamente suspensos. Até porque há contratos irregulares ou com cláusulas abusivas.

Em primeiro lugar, existem muitos contratos ilegais, nomeadamente as PPP cuja construção não foi precedida dum "comparador público", isto é, um instrumento que confronte vantagens e inconvenientes de construir em regime de parceria ou na forma de investimento direto do Estado.

São também irregulares contratos que, desrespeitando a lei de enquadramento orçamental, não contemplam as responsabilidades do Estado nos orçamentos de cada ano.

Finalmente, são nulos todos aqueles com anexos secretos, já identificados pelo Tribunal de Contas. Mas mesmo os contratos regulares dispõem de cláusulas que roçam a loucura. Garantem pagamentos fixos pela simples disponibilização das autoestradas.

Geram rentabílidades de vinte e tal por cento a troco de risco zero. Premeiam de forma milionária a redução do número de acidentes, mas, em caso de aumento da sinistralidade, aplicam multas ridículas. Os contratos admitem ainda negociações que levam a uma suposta reposição do equilíbrio financeiro.

Só em 2011, este estratagema representou para o Estado uma despesa suplementar de quase mil milhões.

Há que estancar esta sangria. É preciso que o Estado passe a receber rendas, em vez de as pagar; mesmo que para tal se aumente o prazo das concessões em alguns anos. Em alternativa, renegoceiem-se as rendas para valores decentes e, neste caso, os encargos públicos passarão para metade. Há sempre ainda um último recurso, que é a expropriação pelo real valor de cada equipamento. Por muito cara que fique esta opção, fica seguramente muito mais barata do que a espoliação a que, no modelo vigente, os concessionários das PPP subjugam o Estado.


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Acabem com ELAS - as negociatas que nos destroem
e com ELES - os canalhas e os corruptos que as promovem

Os habitantes de um bairro nova-iorquino que se juntam para aniquilar um bando mafioso (que nunca é apanhado porque tem no bolso os políticos, os juízes e os polícias locais), estão a utilizar a violência de uma forma justa;

Um povo que usa a violência (porque sonegado de todas as entidades que que o deveriam defender), contra a Máfia do Dinheiro acolitada por políticos corruptos, legisladores venais e comentadores a soldo, e cujos roubos financeiros descomunais destroem famílias, empresas e a economia de um país inteiro, esse povo está a utilizar a violência de uma forma justa;

Num país em que os políticos, legisladores e comentadores mediáticos estão na sua esmagadora maioria a soldo do Grande Dinheiro, só existe uma solução para resolver a «Crise»... Somos 10 milhões contra algumas centenas de sanguessugas...

quinta-feira, Março 13, 2014

Resposta minha ao post «Manifestação contra o Estado de Direito» de JM Ferreira de Almeida no blogue 4R Quarta República (a propósito da manifestação das polícias).



Polícias contra Polícias = Cidadãos contra Cidadãos
enquanto a escumalha do Poder assistia sorridente pela televisão


Blogue: 4R Quarta República

Título do Post: Manifestação contra o Estado de Direito

Data: sexta-feira, 7 de Março de 2014

Autor: JM Ferreira de Almeida


JM Ferreira de Almeida


"A mobilização foi grande e mais de dez mil polícias protestaram contra os cortes orçamentais junto ao Parlamento. Muitos estavam de cara tapada, alguns alcoolizados, vários forçaram a subida da escadaria, mas nada de grave acabou por acontecer", relata-se na edição on line do Expresso acerca da manifestação dos elementos de algumas das forças de segurança ontem junto ao Parlamento.

Sou dos que pensa que muitos dos que trabalham assegurando a paz e a tranquilidade dos seus concidadãos são mal pagos pelo Estado a quem servem. E penso também que as objetivamente baixas remunerações são um ingrediente (entre outros) para que o sentido do dever e o exemplo sejam substituídos por comportamentos ao arrepio da lei. O Governo, este ou qualquer outro, mesmo em situação de emergência financeira como a que vivemos, deve fazer tudo para valorizar o risco e a abnegação, minorando a exposição dos agentes da autoridade a práticas que a autoridade de que estão investidos visa combater.

Isto dito, o que pela segunda vez em menos de meio ano ocorreu, causa-me arrepios e deixa-me perplexo. Deixa-me perplexo pelos factos em si mesmos, que apontam, no mínimo, para abuso do direito de manifestação. Mas atonito sobretudo pela complacência, que aqui significa cumplicidade dos poderes públicos.

Manifestações com este potencial de agressividade, com agentes da autoridade de cara tapada, verberando o indizível, albergando elementos armados (não ouvi nenhum desmentido de que alguns dos participantes portavam as armas de serviço), são um atentado contra o Estado de Direito a que o Estado, se for de Direito, tem obrigatoriamente de reagir. Desde logo através das forças políticas representadas no Parlamento que têm o dever de repudiar frontalmente esta ameaça clara, não à paz social, mas à segurança do País.

Dramatizo, neste apontamento? Talvez. Mas dramático será o dia em que lamentaremos o banho de sangue a que o descontrolo pode conduzir. Nesse dia, estou mesmo a ouvi-las, erguer-se-ão as vozes acusadoras da falta de autoridade do Estado e da falta de firmeza do legislador parlamentar que perante a ameaça não responde com a lei, e do Governo que revela não ter capacidade ou autoridade para a fazer cumprir.

Finalizo o desabafo como comecei: compreendo o mal estar, a desilusão, o sofrimento de quem legitimamente - mais que outros servidores do Estado -, se sente injustiçado. Mas não compreendo a tolerância para com aqueles que ameaçam usar a força que lhes é dada pela democracia quando ameacem usá-la para a vergar a democracia aos seus interesses. Por mais justos e atendíveis que sejam.


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O meu primeiro comentário ao post de JM Ferreira de Almeida:


Caro JM Ferreira de Almeida,

Estado de Direito? De que Estado de Direito é que está a falar?

Um "Estado de Direito" que, como acontece com tantos outros "Estados de Direito" por essa Europa fora, está a ser sugado de forma criminosa por uma máfia financeira parasita que actua concertadamente a nível mundial?

Uma máfia que, graças ao controlo do monopólio do dinheiro, tem a seu soldo os governos, os parlamentos, os legisladores, as "procuradorias-gerais" (que barram qualquer investigação ao grande crime), os chefes de estado e que domina toda a opinião pública através dos seus jornais e televisões.

Sobre o "Estado de Direito", é raro assistir a uma intervenção tão límpida (e com os bois a serem chamados pelos nomes) como a que foi levada a cabo pelo professor Paulo Morais na Assembleia da República (e onde é referido em letras garrafais o seu colega de blogue e governante, Miguel Frasquilho).

Neste vídeo, o vice-presidente da TIAC, o Professor Paulo Morais, intervém na Sala do Senado da Assembleia da República no dia 29 de novembro de 2013, denunciando os conflitos de interesses de muitos deputados no Parlamento português. A intervenção foi feita durante o XV Encontro Público da PASC - Plataforma Ativa da Sociedade Civil, sob o tema "Regime de Incompatibilidades dos Deputados da Assembleia da República":




Um Estado, no qual as principais instituições que deviam trabalhar em prol da população, trabalham em prol de uma máfia financeira parasita, não é um Estado Democrático, é um Estado sequestrado, é um Estado ladrão.

O roubo descomunal levado a cabo pela máfia financeira parasita, acolitada pelos seus lacaios nos "órgãos de soberania", que está a empurrar milhões de pessoas para a miséria, conduzirá inevitavelmente a um banho de sangue. Mas que não seja o sangue dos polícias nem dos militares nem de 99,99% da população que está a sofrer. Que seja o sangue dos sabujos que estão às ordens do Grande Dinheiro. E esse sangue não será lamentado por ninguém, muito pelo contrário.


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Comentário de JM Ferreira de Almeida ao meu comentário a verde e a minha resposta a preto (parágrafo a parágrafo):


JM Ferreira de Almeida - «Meu caro Diogo, referia-me, naturalmente, ao Estado de Direito que permite que o Prof. Paulo Morais tenha a liberdade de dizer o que entende que deve dizer, sobre quem entende que deve dizer, sujeitando-se naturalmente à lei se o fizer ultrapassando limites. É esse o Estado de Direito que eu defendo, primeira condição para que o monopólio seja o da lei e não o do dinheiro.»

Diogo - Pois este «Estado de Direito e Liberdade» mais o seu Monopólio Mediático esconderam muito bem escondidas as gravíssimas acusações que o Prof. Paulo Morais fez no Parlamento. Que eu saiba, nenhum jornal ou televisão passou as declarações ou sequer a notícia. E que eu saiba, nenhum dos muitos que ele acusou (pelos nomes) lhe moveu nenhum processo. Isto é revelador de duas coisas: Censura «Democrática» e culpa irrefutável dos que foram acusados!


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Declarações de Mário Soares (numa das raras ocasiões em que a boca lhe fugiu para a verdade) acerca dos Media no Programa "Prós e Contras" [27.04.2009]:

Mário Soares: [...] «Pois bem, agora um jornal, não há! Uma pessoa não pode formar um jornal, precisa de milhares de contos para formar hoje um jornal e, então, para uma rádio ou uma televisão, muito mais. Quer dizer, toda a concentração da comunicação social foi feita e está na mão de meia dúzia de pessoas, não mais do que meia dúzia de pessoas.»

Fátima Campos Ferreira: «Grupos económicos, é?»

Mário Soares: «Grupos económicos, claro, grupos económicos. Bem, e isso é complicado, porque os jornalistas têm medo. Os jornalistas fazem o que lhes mandam, duma maneira geral. Não quer dizer que não haja muitas excepções e honrosas mas, a verdade é que fazem o que lhes mandam, porque sabem que se não fizerem aquilo que lhe mandam, por uma razão ou por outra, são despedidos, e não têm depois para onde ir.» [...]



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JM Ferreira de Almeida - «O meu post manifesta o receio de que o ódio acabe por se sobrepor à razão, e das palavras insensatas e passe ao mais insensato dos atos que é o de atentar contra a vida ou integridade física de semelhantes.»

Diogo - Quando uma máfia financeira parasita, dominando todas as esferas do poder, sequestra e suga um país inteiro, enviando milhões de pessoas para a miséria (e quantas dessas para a morte), o meu caro acha insensato que essa população, privada de qualquer outro meio de defesa, vá atrás desses chupistas assassinos e respectivos acólitos e os envie desta para melhor?


JM Ferreira de Almeida - « Caro Diogo, precisamente hoje, comemora-se o tristemente celebre 11 de março de 2004, que fica na História como o registo triste da mais absoluta estupidez humana: o de em nome de ideais fazer prevalecer sobre o valor supremo da vida, o ódio contra quem pensa diferente de nós.»

Diogo - Sobre estes ideais há muito a dizer. Há tempos, algo inexplicavelmente, o Canal História trouxe a lume, apresentando provas bastante consistentes, esta exposição do terrorismo americano contra cidadãos europeus ocidentais em solo do velho continente. (Posso enviar-lhe o documentário se quiser). Também pode ler este artigo:




Daniele Ganser, professor de história contemporânea na universidade de Basileia e presidente da ASPO-Suíça, publicou um livro de referência sobre os "Exércitos secretos da NATO" . Segundo ele os Estados Unidos organizaram na Europa Ocidental durante 50 anos atentados que atribuíram mentirosamente à esquerda e à extrema esquerda para as desacreditar aos olhos dos eleitores. Esta estratégia continua hoje em dia para criar o temor do Islão e justificar as guerras do petróleo. [...]





JM Ferreira de Almeida - «Está o Diogo convencido que os apelos aos linchamentos diminui o sofrimento dos que tem menos? Se sim, está enganado, pois não há depoimento da História que não aponte para uma verdade universal . - só em paz e democracia, num ambiente em que a lei se sobreponha a interesses e paixões, foi (é) possível melhorar a vida das pessoas e dos povos. Quer que lhe dê exemplos do contrário? Creio que me dispensa disso.»

Diogo - De que paz e democracia está o meu amigo a falar? A paz e democracia que espolia um país inteiro e envia a esmagadora maioria dos seus cidadãos para a miséria, para a fome e para a desesperança? Isso não é paz e democracia – isso é guerra, isso é violência sobre as pessoas!


Ouve-se muitas vezes dizer que "a violência gera violência", que "a violência nunca consegue nada", ou que "se se usar a violência para nos defendermos daqueles que nos agridem, ficamos ao nível deles". Todas estas afirmações baseiam-se na noção errada de que toda a violência é igual. A violência pode funcionar tanto para subjugar como para libertar:

* Um pai que pegue num taco para dispersar à paulada um grupo de rufias que está a espancar o seu filho, está a utilizar a violência de uma forma justa;

* Uma mulher que bata com uma pedra na cabeça de um energúmeno que a está a tentar violar, está a utilizar a violência de uma forma justa;

* Um homem que abate a tiro um assassino que lhe entrou em casa, que já lhe degolou a mulher e pretende fazer-lhe o mesmo a ele e aos filhos, está a utilizar a violência de uma forma justa;

* Um polícia que dispara contra um homicida prestes a abater um pacato cidadão, está a utilizar a violência de uma forma justa;

* Os habitantes de um bairro nova-iorquino que se juntam para aniquilar um bando mafioso (que nunca é apanhado porque tem no bolso os políticos, os juízes e os polícias locais), estão a utilizar a violência de uma forma justa;

* Um povo que usa a violência (porque sonegado de todas as entidades que que o deveriam defender), contra a Máfia do Dinheiro acolitada por políticos corruptos, legisladores venais e comentadores a soldo, e cujos roubos financeiros descomunais destroem famílias, empresas e a economia de um país inteiro, esse povo está a utilizar a violência de uma forma justa;

* Num país em que os políticos, legisladores e comentadores mediáticos estão na sua esmagadora maioria a soldo do Grande Dinheiro, só existe uma solução para resolver a «Crise»... Somos 10 milhões contra algumas centenas de sanguessugas...




Nada de confrontações com a polícia ou com os militares (que são cidadãos como todos os outros). Os lacaios a soldo do Grande Dinheiro devem ser caçados um a um...

domingo, Março 02, 2014

A revolta dos portugueses contra a Austeridade sob o prisma estatístico


"Segundo dados do Eurostat", o número de portugueses, na faixa entre os 18 e 65 anos, dispostos a degolar resolutamente a corja [da qual uma pequena amostra aparece abaixo retratada] já ultrapassa os 35%, o que representa uma subida homóloga de 14% relativamente ao 1º trimestre de 2013.



sexta-feira, Fevereiro 21, 2014

Alemães propõem que se trabalhe menos horas pelo mesmo salário




Alemães sugerem 30 horas de trabalho contra o desemprego


11 de Fevereiro de 2013


Um grupo de 100 académicos e políticos alemães estão a pedir um horário de 30 horas semanais sem um corte nos salários, noticia hoje o jornal alemão Tageszeitung, citado pela CNBC. Os peticionários argumentam que uma semana de trabalho mais curta é a melhor forma de lidar com o aumento da taxa de desemprego no país, contribuindo também para o aumento da produtividade dos trabalhadores.

O desemprego alemão subiu para os 7,4% em Janeiro, mas ainda está muito abaixo dos 26% registados em Espanha. Contudo, um grupo de 100 alemães argumenta, numa carta aberta publicada hoje num jornal alemão, que a redução do horário de trabalho semanal pode ajudar os trabalhadores do país.

O plano, que foi concebido por políticos de partidos de esquerda, filósofos e académicos, sugere que a semana de trabalho de 30 horas pode ser introduzida gradualmente ao longo de vários anos. Os peticionários também defendem que a redução do horário de trabalho iria melhorar significativamente a produtividade dos trabalhadores, o que iria, por seu turno, ajudar os empregadores a pagar os salários na íntegra.

Precisamos de um projecto da sociedade como um todo para reduzir o horário de trabalho. Isto já não pode ser apenas uma questão política de negociação colectiva”, defende na carta aberta o professor universitário de direito comercial Hein-Josef Bontrup.

O mesmo responsável adianta que os líderes dos sindicatos argumentaram que os trabalhadores tinham muitas dúvidas em relação à semana com menos horas de trabalho, por recearem que isso poderia motivar salários mais baixos e uma maior carga de trabalho. Mas Bontrup sustenta que esta perspectiva se trata de uma falha na compreensão da medida.


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Uma resposta aos que se agarram desesperadamente a um paradigma que surgiu com a revolução industrial – O Emprego – quando se percebe que este está a agora desaparecer em todo o lado a uma velocidade vertiginosa. Tudo devido à evolução tecnológica exponencial a todos os níveis.

O fim do emprego trará também o fim do capitalismo e, sobretudo, o fim do parasitismo financeiro.


«Bem pensado – mas nunca substituirão o cavalo»,
disseram os cépticos quando viram os primeiros automóveis.



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* Nos primeiros tempos da aviação, o astrónomo americano William Pickering, que predisse a existência de Plutão, preveniu o público de que:

«A mente popular imagina frequentemente gigantescas máquinas voadoras atravessando o Atlântico a grandes velocidades e transportando numerosos passageiros como um moderno paquete… Parece-me seguro afirmar que tais ideias são totalmente visionárias, e mesmo que uma máquina conseguisse atravessar o Atlântico com um ou dois prisioneiros, os custos seriam proibitivos...»

Três décadas mais tarde, em Julho de 1939, foi inaugurada a primeira linha aérea transatlântica com um hidroavião Boeing 314, o Yankee Clipper da Pan American, transportando 19 passageiros.




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* Em 1924, o engenheiro electrotécnico inglês Alan Archibald Swinton, um dos pioneiros do de raios catódicos, fez uma palestra na Radio Society da Grã-Bretanha sobre «Visão à Distância». Diria então: «Provavelmente não valerá a pena que alguém se dê ao trabalho de consegui-la.» Quatro anos mais tarde, a General Electric Company inaugurava, no estado de Nova Iorque, a primeira rede de televisão do Mundo.




* «História dos Grandes Inventos - Selecções do Reader’s Digest – 1983, pág 62».


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A automação e a inteligência artificial têm tido um desenvolvimento avassalador. A máquina, de forma crescente, possui mais dados, mais conhecimento e melhor capacidade de decisão. Cada vez é mais inteligente e mais autónoma. E cada vez menos precisa de ser dirigida pelo homem.

A tecnologia está cada vez mais próxima de produzir sozinha. O desenvolvimento tecnológico é exponencial em todos os campos que se considere. Donde, no binómio homem-máquina na produção, o homem tem cada vez menos peso. Em breve não terá praticamente nenhum e a máquina produzirá sozinha.

Nessa altura, a fábrica totalmente automatizada não poderá ser privada. Porque não existirão trabalhadores com salários, e sem salários não há poder de compra. Sem poder de compra não há vendas. Sem vendas não há lucros. Sem lucros não há empresas privadas. Qualquer empresa automatizada, seja o que for que produza, terá necessariamente de pertencer ao grupo, à comunidade, à sociedade.

O número crescente de desempregados a par do desenvolvimento exponencial do hardware e do software estão aí para prová-lo. Vamos acelerar a transição ou vamos permanecer agarrados a um passado de emprego condenado ao desastre social?

É a tecnologia que está a substituir o homem no trabalho. É por isso que o velho paradigma do emprego está moribundo. É necessário criar rapidamente, com o auxílio da tecnologia, um mundo mais justo, mais redistributivo e mais humano.




Comentário

O processo paradigmático acima descrito não tem necessariamente de ficar à espera de uma revolução tecnológica completa que o conclua. Muito sofrimento humano pode ser evitado com revoltas, ora pacíficas, ora violentas, consoante os casos, contra a vermina financeira (e respetivos serviçais – na política, na justiça e nos media) que carcome, devora e parasita a humanidade.

terça-feira, Janeiro 28, 2014

O Dia em que a Crise Financeira acabou




Introdução (minha)

Que aconteceria se um pequeno grupo de resolutos cidadãos europeus, um, dois, três, etc..., fossem Irlandeses, Gregos, Franceses, Espanhóis ou Portugueses, tomassem a decisão de apanhar e executar um indivíduo responsável pela hecatombe social que nos tem vindo a destruir:

a) Um Banqueiro ladrão;

b) Um Governante corrupto;

c) Um Deputado a soldo;

d) Um Administrador habituado a ziguezaguear entre interesses públicos e privados;

e) Um Membro de um escritório de advogados que legisla criminosamente a pedido de vigaristas;

f) Um Procurador cujo único objectivo é travar investigações aos poderosos;

g) Um Comentador ou Jornalista venal empenhado em convencer a população de que a «crise financeira» e a miséria para a qual fomos atirados é o equivalente a um terramoto – são coisas que acontecem e das quais ninguém tem culpa.


Será que, com essa primeira execução, esse pequeno grupo de cidadãos não poderia dar início a uma bola de neve que, com o apoio da Internet, das redes sociais, da rede que permite o contacto de todos com todos, se transformasse numa avalanche capaz de exterminar um polvo assassino que tudo faz para devastar Portugal, a Europa e o Mundo?


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Quando terminar a recessão teremos perdido 30 anos de direitos e salários


Concha Caballero é licenciada em Filologia Espanhola e professora de literatura num instituto público. Abandonou a politica decepcionada com a coligação eleitoral do seu partido. Há anos que passou do exercício da politica activa para analista e articulista, social e politica, de vários meios de comunicação, com destaque para o EL PAÍS. É uma amante da literatura e firmemente humana com as questões sociais.

Clique neste link e leia o artigo Original em Castelhano.

Um dia no ano 2014 vamos acordar e vão anunciar-nos que a crise terminou. Correrão rios de tinta escrita com as nossas dores, celebrarão o fim do pesadelo, vão fazer-nos crer que o perigo passou embora nos advirtam que continua a haver sintomas de debilidade e que é necessário ser muito prudente para evitar recaídas. Conseguirão que respiremos aliviados, que celebremos o acontecimento, que dispamos a atitude critica contra os poderes e prometerão que, pouco a pouco, a tranquilidade voltará à nossas vidas.

Um dia no ano 2014, a crise terminará oficialmente e ficaremos com cara de tolos agradecidos, darão por boas as politicas de ajuste e voltarão a dar corda ao carrocel da economia. Obviamente a crise ecológica, a crise da distribuição desigual, a crise da impossibilidade de crescimento infinito permanecerá intacta mas essa ameaça nunca foi publicada nem difundida e os que de verdade dominam o mundo terão posto um ponto final a esta crise fraudulenta (metade realidade, metade ficção), cuja origem é difícil de decifrar mas cujos objetivos foram claros e contundentes - Fazer-nos retroceder 30 anos em direitos e em salários.

Um dia no ano 2014, quando os salários tiverem descido a níveis terceiro-mundistas; quando o trabalho for tão barato que deixe de ser o fator determinante do produto; quando tiverem feito ajoelhar todas as profissões para que os seus saberes caibam numa folha de pagamento miserável; quando tiverem amestrado a juventude na arte de trabalhar quase de graça; quando dispuserem de uma reserva de uns milhões de pessoas desempregadas dispostas a ser polivalentes, descartáveis e maleáveis para fugir ao inferno do desespero, então a crise terá terminado.

Um dia do ano 2014, quando os alunos chegarem às aulas e se tenha conseguido expulsar do sistema educativo 30% dos estudantes sem deixar rastro visível da façanha; quando a saúde se compre e não se ofereça; quando o estado da nossa saúde se pareça com o da nossa conta bancária; quando nos cobrarem por cada serviço, por cada direito, por cada benefício; quando as pensões forem tardias e raquíticas; quando nos convençam que necessitamos de seguros privados para garantir as nossas vidas, então terá acabado a crise.

Um dia do ano 2014, quando tiverem conseguido nivelar por baixo todos e toda a estrutura social (exceto a cúpula posta cuidadosamente a salvo em cada sector), pisemos os charcos da escassez ou sintamos o respirar do medo nas nossas costas; quando nos tivermos cansado de nos confrontarmos uns aos outros e se tenham destruído todas as pontes de solidariedade. Então anunciarão que a crise terminou.



Nunca em tão pouco tempo se conseguiu tanto. Somente cinco anos bastaram para reduzir a cinzas direitos que demoraram séculos a ser conquistados e a estenderem-se. Uma devastação tão brutal da paisagem social só se tinha conseguido na Europa através da guerra. Ainda que, pensando bem, também neste caso foi o inimigo que ditou as regras, a duração dos combates, a estratégia a seguir e as condições do armistício.

Por isso, não só me preocupa quando sairemos da crise, mas como sairemos dela. O seu grande triunfo será não só fazer-nos mais pobres e desiguais, mas também mais cobardes e resignados já que sem estes últimos ingredientes o terreno que tão facilmente ganharam entraria novamente em disputa.

Neste momento puseram o relógio da história a andar para trás e ganharam 30 anos para os seus interesses. Agora faltam os últimos retoques ao novo marco social: Um pouco mais de privatizações por aqui, um pouco menos de gasto público por ali e "voilá": A sua obra estará concluída.

Quando o calendário marque um qualquer dia do ano 2014, mas as nossas vidas tiverem retrocedido até finais dos anos setenta, decretarão o fim da crise e escutaremos na rádio as condições da nossa rendição.

quarta-feira, Janeiro 22, 2014

A família Povinho e a família Trapaceiro - fraude na herdade Portucale


The Establishment's Two-Party Scam
A Fraude dos Dois-Partidos engendrada pela Elite Financeira

Chris Gupta: Esta fraude consiste na fundação e financiamento pela elite do poder de dois partidos políticos que surgem aos olhos do eleitorado como antagónicos, mas que, de facto, constituem um partido único. O objectivo é fornecer aos eleitores a ilusão de liberdade de escolha política e serenar possíveis sentimentos de revolta contra a elite dominante.


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A família Trapaceiro

Esta é a estória trágica da relação entre duas famílias. A família Povinho e a família Trapaceiro.

A família Povinho era constituída por um casal – o Manel e a Maria, ambos na casa dos cinquenta, simultaneamente donos e feitores de uma quinta - Portucale. Este casal tinha dez filhos, cujas idades variavam entre os seis e os trinta anos. Viviam também com eles, os pais do Manel e da Maria, os quatro já de idade avançada, sofrendo de doenças diversas e incapazes de trabalhar.

A família Povinho era dona de uma quinta, Portucale, relativamente grande, atravessada por uma ribeira, e onde semeavam couves, favas, batatas, ervilhas, milho, trigo, melões, cenouras, alfaces, feijão, etc. Na herdade tinham, igualmente, diversas árvores de fruto: ameixieiras, cerejeiras, figueiras, macieiras, laranjeiras, pereiras, nogueiras, etc. Também criavam vacas, porcos, cavalos, cabras, ovelhas, galinhas, patos e coelhos.

Esta família vivia dos rendimentos da quinta. O pai Manel, a mãe Maria e os filhos mais velhos tratavam da quinta: semeavam, colhiam, tratavam dos animais, e vendiam a maior parte da sua produção nos mercados locais. O dinheiro que obtinham com as vendas servia para comprar os produtos de que tinham necessidade, mandar os filhos mais novos para a escola e comprar os medicamentos para os avós.


A herdade Portucale

A outra família desta estória, de apelido Trapaceiro, era constituída por um pai e dois filhos. O pai, de nome - Zé Goldman Trapaceiro, era um indivíduo que dispunha de um apreciável pé-de-meia, fruto dos esquemas que forjara durante uma vida inteira de vigarices. Quanto aos seus dois filhos, o mais velho dava pelo nome de Sócrates Trapaceiro e o mais novo pelo de Passos Trapaceiro.

Esta tríade de vigaristas do mesmo sangue, a família Trapaceiro, saltitava de vila em vila, burlando e esmifrando as famílias honestas que tinham o azar de lhe cair nas garras e alinhar ingenuamente na sua conversa embusteira. Para o esquema funcionar convenientemente, o pai e os filhos da família Trapaceiro fingiam não se conhecer uns aos outros.

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Um belo dia de primavera, o filho Sócrates Trapaceiro bateu à porta da família Povinho. Com a lábia que o caracterizava, teve uma conversa com o Manuel e a Maria, e rapidamente os convenceu de que a propriedade estava a ser mal gerida e de que ele poderia, com o investimento certo, multiplicar a produção e, portanto, o rendimento da quinta. Tal foi a conversa do Sócrates Trapaceiro, que a família Povinho o nomeou mandatário dos seus interesses.


O filho Sócrates Trapaceiro

De posse desse mandato e com poderes à discrição para dispor das economias da família Povinho, Sócrates Trapaceiro não foi de modas: mandou fazer obras na casa, abriu novos caminhos em macadame por toda a herdade, construiu dois novos celeiros e um estábulo mais moderno. Para além disso, comprou três semeadoras-adubadoras, dois tractores, duas ceifeiras-debulhadoras, quatro pulverizadores, duas charruas, dois espalhadores de estrume, um reboque basculante, equipamentos vários de irrigação, etc., etc., etc.

Para fazer face a todas estas novas despesas, Sócrates Trapaceiro pediu, em nome da família Povinho, vários empréstimos ao seu pai, Zé Goldman Trapaceiro, a juros pornograficamente caros.


Passados tempos, a família Povinho deu-se conta de duas coisas:

a) Que as obras ordenadas por Sócrates Trapaceiro, ou as alfaias mandadas comprar por ele, tinham sido, ou completamente sobredimensionadas ou absolutamente inúteis – não sendo, em nada, precisas para as necessidades da quinta;

b) Que, por causa das obras e das compras efectuadas por Sócrates Trapaceiro, a família ficou de pagar uma dívida com juros escandalosos a um certo Zé Goldman Trapaceiro (o secreto pai de Sócrates), e que esta dívida conduziria a curto prazo a família Povinho à falência.

Ciente do prejuízo que estava a ter e extremamente irritada com a «gestão» do seu mandatário (o Sócrates Trapaceiro), a família Povinho correu com ele e avisou-o para não voltar os pés na quinta.


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Dias depois, bateu à porta da família Povinho um indivíduo chamado Passos Trapaceiro. Este, com uma prosápia que em nada ficava a dever ao irmão, convenceu a família Povinho de que era possível pagar a dívida contraída por Sócrates sem colocar em causa o bem-estar da família. Para tanto, bastariam alguns pequenos sacrifícios e tudo voltaria ao normal. Em desespero, a família Povinho designou Passos Trapaceiro (irmão de Sócrates Trapaceiro) como mandatário dos seus interesses.


O filho Passos Trapaceiro

Logo que se viu na situação de mandatário, Passos Trapaceiro aconselhou a família Povinho de que o objetivo primeiro seria pagar a dívida e os juros agiotas ao secreto pai - Zé Goldman Trapaceiro.

Para além disso, Passos Trapaceiro explicou à família Povinho o conceito de «Austeridade». Com esse objectivo, Passos aconselhou os filhos mais velhos a procurar emprego noutra freguesia, recomendou que os filhos mais novos fossem retirados da escola e postos a trabalhar na quinta, decidiu cortar na compra dos medicamentos dos avós e, tomou a opção de vender ao desbarato (ao seu secreto pai - Zé Goldman Trapaceiro), os melhores pomares, as mais viçosas hortas e os animais de melhor qualidade. Tudo para combater a «Austeridade».

Passos Trapaceiro explicou que, sem esta «Austeridade», a família Povinho perderia toda a credibilidade junto dos seus outros fornecedores – a mercearia, o armazém dos adubos, a oficina, a loja de ferragens, etc.


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Passados tempos, a família Povinho deu-se conta de que, não obstante «os sacrifícios» e a «Austeridade» impostos por Passos Trapaceiro, tinham-se verificado os seguintes flagelos:

a) A dívida da quinta Portucale, confeccionada por Sócrates a favor de (seu pai) Zé Goldman Trapaceiro, tinha duplicado e continuava a aumentar por causa dos juros agiotas que continuavam a ser cobrados, tendo-se tornado completamente impagável;

b) Os bens mais valiosos da quinta que tinham sido vendidas por tuta e meia a Zé Goldman Trapaceiro já não podiam ser recuperados;

c) Os filhos mais velhos, que constituíam a mais experiente e vigorosa mão-de-obra da quinta, foram trabalhar para outras freguesias, onde estabeleceram a sua vida e já não tencionavam regressar;

d) Os filhos mais novos, que tiveram de abandonar a escola por causa da «Austeridade», não possuíam conhecimentos suficientes para gerir a quinta ou mesmo fazer trabalhos de maior complexidade.

e) Dos quatro idodos (os pais de Manuel e Maria), dois faleceram e os outros dois ficaram acamados, porque não houve dinheiro suficiente para comprar os medicamentos de que necessitavam;

f) Que as políticas que Sócrates e Passos tinham transferido quase toda a riqueza da quinta Portucale e da família que lá vivia para as garras de Zé Goldman Trapaceiro (pai secreto de Sócrates e Passos).


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Meses passados, um artigo do jornal «Gazeta da Região» reportou múltiplas queixas num tribunal de comarca contra Sócrates Trapaceiro, Passos Trapaceiro e Zé Goldman Trapaceiro, afirmando que estes eram membros da mesma família (pai e dois filhos) e que, trabalhando em conluio, vigarizavam famílias inteiras levando-as à miséria.

Após o julgamento, o juiz sentenciou que, embora, pai e filhos Trapaceiro agissem conluiados e em segredo, não havia provas concretas que desse facto tivessem tirado algum proveito.


Uma semana depois, os filhos Trapaceiro cometeram suicídio assistido, no mesmo dia e à mesma hora, com uma bala na cabeça cada um.


O suicídio assistido (pela populaça) dos filhos Sócrates e Passos Trapaceiro



Quanto ao pai, Zé Goldman Trapaceiro, morreu tragicamente atropelado por um cilindro de uma máquina de alcatroar numa estrada que sofria obras de beneficiação.


O pai, Zé Goldman Trapaceiro, após ter sido passado a ferro
por um cilindro de uma máquina de alcatroar

sexta-feira, Janeiro 17, 2014

A simpatia do Papa Francisco - algo teria de mudar na Igreja para assegurar que tudo ficasse na mesma.


Por António Roque (enviado por um amigo):

Maquiavel - Quero ir para o inferno, não para o céu. No inferno, gozarei da companhia de papas, reis e príncipes. No céu, só terei por companhia mendigos, monges, eremitas e apóstolos.



O Papa Francisco (em segundo plano)

Não há dúvida de que a Igreja surpreendeu o mundo!

A chegada de Jorge Mário Bergoglio ao Vaticano faz parte de uma operação, eclesiástica e leiga, uma espécie de golpe de estado palaciano que tem vindo a amadurecer nos últimos tempos, dirigida por um núcleo de gente da Cúria Romana que se mantém na penumbra e com imenso poder e dinheiro e na posse de informação ultra secreta, que visa dar um novo fôlego a uma Igreja e a uma religião em acentuada e progressiva perda de influência.

Em termos simplistas, diremos que esta operação consiste em renovar o discurso oficial da Igreja mas assegurando que os dogmas da fé, os princípios e a «verdade» bíblica ficarão incólumes. Dito de outra maneira, e como diria o Príncipe de Falconeri, algo terá de mudar para assegurar que tudo fique na mesma.

Lembremo-nos dos escândalos surgidos tempos antes da resignação de Bento XVI, resignação, aliás, que é uma parte importante desta operação, que está longe de estar terminada.

Obviamente Bento XVI era incapaz de levar tal tarefa a bom porto. A sua idade, o seu estado de saúde e, sobretudo, a sua imagem de Papa ultraconservador e reaccionário – que realmente era – incapaz de aproximar fosse o que fosse, não lhe permitiria ter êxito nesta operação de grande envergadura.

Esta tese é fundamentada num facto óbvio do conhecimento geral: A Igreja Católica Apostólica Romana está em franca decadência que se manifesta desde logo na falta de vocações para profissões de natureza eclesiástica, no decréscimo acentuado do número de fiéis, nos actos litúrgicos com cada vez menos assistência e participação e no surgimento de seitas evangélicas ou mesmo de origens pouco transparentes, que lhe disputam com êxito muito crentes.

É uma situação que não sendo nova para a Igreja, tinha que ser tentado o seu estancamento, ou mesmo a sua inversão.

É à luz de tudo isto que devemos interpretar o fenómeno «Papa Francisco», que, aliás, está a resultar muito bem.

Dir-se-ia até que, de acordo com o que vemos, ouvimos e lemos já não é Cristo o redentor e o salvador da Igreja mas o super Francisco.

De facto, ao visitar o Vaticano, para além de beleza ímpar das obras de arte que ali se encontram, que nos extasiam, sentimo-nos também incomodados com todo aquele escandaloso fausto, aquele luxo obsceno e percebemos que o que ali tem acontecido é uma impostura. Aquele lugar alberga um centro de intrigas e corrupção milenares. Os poderosos sempre ali encontraram um fidelíssimo aliado.

Perguntamo-nos legitimamente o que terá isto tudo a ver com Cristo e a sua mensagem.

Desiludam-se! A Igreja não é uma instituição em reformação, não é reformável, nem o quer ser.

Se nos informarmos sobre as suas origens e o seu percurso, concluiremos que a Igreja Romana é a directa herdeira do Império Romano. É uma reminiscência viva desse Império.

Por isso a Igreja de hoje assegura ao poder secular, aos grandes interesses económicos e financeiros mundiais, a dominação, o medo e a ideologização necessária para a perpetuação do status quo desse poder, responsável pelo actual estado do mundo.

Bem nos podem vir dizer que são contra o capitalismo selvagem, querendo com isto dizer que são a favor do capitalismo – como aliás bem tem demonstrado o papado. Como se fosse possível domesticar o capitalismo!

Não esqueçamos que há anos a Igreja escolheu um Papa para combater pelo capitalismo. De facto, o Papa João Paulo II teve um papel preponderante nesse combate, coadjuvado pelo que viria a ser seu sucessor, o Cardeal Joseph Aloisius Ratzinger.

Em resumo dir-se-á que apesar da simpatia indesmentível do actual Papa – que foi um critério importante na sua eleição pelo que acima se disse – o que de facto se pretende é perpetuar aquele que foi sempre o papel da Igreja Romana: um instrumento do poder para a submissão das massas, assumindo essa função formas diversas ao longo dos séculos nos aspectos espirituais, religiosos, morais, políticos e sócio-culturais, sendo a Inquisição a sua forma mais infamante.

Relembre-se que a Igreja nos seus momentos de aflição foi sempre salva também pelo poder: veja-se a institucionalização do Édito de Milão, a barbárie «cristã» das Cruzadas, os Papas de Avinhão, o Concílio de Trento, Mussolini e o Tratado de Latrão, etc.

Mas voltando ao Papa Peronista Jesuíta, tendo a Europa uma fraude chamada Hollande e os USA uma chamada Obama, faltava-nos mesmo um Francisco no Vaticano.