Terça-feira, Novembro 10, 2009

Hélder Filipe, do Infarmed, alerta-nos acerca da desinformação na Internet sobre a vacinação contra a Gripe A

No programa Prós e Contras de 2/11/2009 na RTP1, o Professor Doutor Hélder Filipe, Vice-Presidente do Infarmed (instituto público regulador e fiscalizador responsável pela introdução no mercado, comercialização e controlo dos medicamentos e outros produtos de saúde em Portugal), e grande defensor da vacinação em massa contra a Gripe A, alerta-nos contra a desinformação que grassa na Internet sobre os falsos perigos da vacina:


Hélder Filipe - Vice-Presidente do Infarmed
Um crítico da desinformação que é praticada na Internet



Fátima Campos Ferreira: Esta questão da comunicação social, Hélder Filipe, é interessante. De que forma é que a comunicação social pode ser um factor, enfim, que pelo menos que não seja um obstáculo à vacinação?

Hélder Filipe do Infarmed: Eu acho que é decisivo porque, como vimos aqui, isto é um problema de informação mais do que tudo o resto. Os medos com a vacina etc. é um problema de falta de informação, isso ligado a uma outra coisa que eu estava aqui a pensar que é a Internet. Os fenómenos que temos tido de má informação ou desinformação têm tido muito a ver com a Internet. A freira espanhola, a senhora finlandesa, todos nós recebemos os filmes do Youtube através do e-mail. E portanto, temos de pensar nesta realidade, e as pessoas perceberem que a Internet não é, só por si, uma fonte fidedigna de informação e, portanto, se usarem a Internet para irem a sites fidedignos – Direcção Geral de Saúde, Infarmed, e não é para puxar a brasa à nossa sardinha, Agência Europeia do Medicamento, onde pode haver informação fidedigna. E perceber que a Internet é apenas um veículo para ter boa ou má informação. E às vezes falamos muito da comunicação social e esquecemo-nos deste fenómeno da informação através da Internet.

Fátima Campos Ferreira: Onde ninguém tem qualquer controlo, não é?

Hélder Filipe do Infarmed: Exactamente!


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VÍDEO do Prós e Contras da RTP1 de 2 de Novembro de 2009
+
Jornal Nacional da TVI de 7 de Setembro de 2009


(3 minutos)




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Jornal Nacional da TVI – 7 de Setembro de 2009
A Gripe A vai matar menos gente que a gripe sazonal



Jornalista da TVI: A verdade é que o mundo está preocupado com a Gripe A e já há empresas a ganhar milhões à custa do H1N1 (vírus da Gripe A). Das pequenas empresas aos grandes laboratórios toda a gente tem facturado com este vírus.

A farmacêutica Roche, por exemplo, cujas vendas do seu Tamiflu caíram quase 70% quando o mundo percebeu que já não havia perigo de uma Gripe Aviária, vê agora as vendas desse mesmo medicamento dispararem em mais de 200%.


Dr. Fernando Maltês (Director do Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital Curry Cabral): O Tamiflu, desde o princípio desta pandemia, tem sido encarado pela população como uma espécie de fármaco milagroso, o que não é verdade. E no que diz respeito à eficácia, concretamente no vírus da gripe, é uma eficácia que está, digamos, mal documentada. Se houver um conjunto de factores que digam – vale a pena administrar o fármaco – o médico administra, caso contrário, balançando os efeitos benéficos com os potenciais riscos, é preferível não administrar.


Jornalista da TVI: Numa altura em que o laboratório suíço Roche passa por dificuldades financeiras, com os lucros a caírem quase 30% na primeira metade deste ano, é caso para dizer que a Gripe não é Aviária, mas que caiu do céu.

Ajuda importante também para a Glaxo Smith Kline, o laboratório britânico a quem Portugal já encomendou seis milhões de doses da vacina contra a Gripe A, a 8 euros cada uma (48 milhões de euros), teve um ano difícil do ponto de vista financeiro. Eis senão quando, surge o tal vírus, H1N1, que deverá render, só ao laboratório britânico, cerca de dois mil milhões de euros, tendo em conta que as encomendas estão quase a atingir as trezentas milhões de doses.


O laboratório britânico Glaxo Smith Kline
terá um rendimento de dois mil milhões de euros graças ao H1N1



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Comentário

Não será de estranhar que Hélder Filipe, Vice-Presidente do INFARMED [instituto público regulador e fiscalizador responsável pela introdução no mercado e comercialização dos medicamentos em Portugal], seja tão pró-vacinação.

Afinal, mão é todos os dia que surge uma "Pandemia" que permite que se "invista" uma verba superior a 45 milhões de euros na aquisição de três milhões de vacinas.

Seguramente que a Glaxo Smith Kline terá de adquirir muitos perús para distribuir neste Natal.



Agência Lusa, Publicado em 10 de Outubro de 2009:

«Os impactos financeiros directos da gripe A nos custos do Estado já ascendem a 67,5 milhões de euros com a compra de vacinas, no valor de 45 milhões de euros, e do Oseltamivir [Tamiflu], no valor de 22,5 milhões de euros.

O Governo gastou este ano 45 milhões de euros na compra de seis milhões de doses de vacinas contra a gripe A à Glaxo Smith Kline (GSK) e gastou, nos últimos três anos, 22,5 milhões de euros na compra do anti-viral Oseltamivir [Tamiflu] à Roche, inicialmente destinado ao combate à gripe das aves.»

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Sábado, Novembro 07, 2009

Deixemos os cristãos acreditar na importância das "teorias científicas" que lhes inculcamos

Os Protocolos dos Sábios de Sião

Excerto do Protocolo II

"Os cristãos não se guiam pela prática de observações imparciais tiradas da história, mas pela rotina teórica, incapaz de atingir qualquer resultado real. Por isso, não devemos contar com eles; que se divirtam ainda durante algum tempo, vivendo de esperanças ou de novas diversões, ou ainda da saudade dos divertimentos que tiveram."

"Deixemo-los acreditar na importância das leis científicas que lhes inculcamos - meras teorias. É com esse fim que constantemente aumentamos por intermédio de nossa imprensa a sua confiança cega nessas leis. A classe intelectual dos cristãos ficará cheia de orgulho com esses conhecimentos, e sem os examinar logicamente, porá em acção todos os dados dessa ciência reunidos pelos nossos agentes para guiar o seu espírito pelo rumo que precisamos."

"Não julgueis as nossas afirmações sem base; reparai no êxito que soubemos criar para o Darwinismo, o Marxismo, o Nietzchismo. Pelo menos para nós, a influência deletéria (perniciosa) dessas tendências deve ser evidente."





Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Para estoirar de vez com os bancos comerciais

Murray N. Rothbard

Murray N. Rothbard [Professor de economia e liberal da Escola Austríaca] fala da gigantesca fraude bancária que os bancos comerciais privados têm vindo a praticar até aos nossos dias:

"Desde então, os bancos têm criado habitualmente recibos de depósitos, originalmente notas de banco e hoje depósitos, a partir do nada [out of thin air]. Essencialmente, são contrafactores de falsos recibos de depósitos de activos líquidos ou dinheiro padrão, que circulam como se fossem genuínos, como as notas ou contas de cheques completamente assegurados."

"Os bancos criam dinheiro literalmente a partir do nada, hoje em dia exclusivamente depósitos em vez de notas de banco. Este tipo de fraude ou contrafacção é dignificado pelo termo reservas mínimas bancárias [fractional-reserve banking], o que significa que os depósitos bancários são sustentados apenas por uma pequena fracção de activos líquidos que prometem ter à mão para redimir os seus depósitos."



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Os bancos comerciais praticam essencialmente dois grandes tipos de fraude

1 – Quando lhes é pedido um empréstimo, os bancos criam dinheiro a partir do nada sob a forma de depósitos bancários, e cobram juros desse «dinheiro» que possui uma existência apenas contabilística.

Estas «operações» são tornadas possíveis porque os bancos comerciais funcionam em circuito fechado (o dinheiro levantado num banco é depositado noutro), e actuam sob a batuta dos bancos centrais, na sua maioria privados ou geridos por privados, que determinam as taxas directoras e regulam os movimentos financeiros entre os bancos comerciais.

2 – Facilitam ou dificultam a concessão de crédito, diminuindo ou aumentando as taxas de juro e os spreads, e levando, deste modo, a períodos inflacionários e depressões económicas que conduzem empresas e famílias à pobreza e à falência, e de cujos bens se apropriam por uma fracção do seu real valor.

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Uma solução possível para a fraude bancária

Ponderando no primeiro destes dois factores da realidade bancária, a saber, a capacidade de inventar dinheiro que não existe e emprestá-lo com juros dentro de um sistema fechado de circulação monetária, é possível replicar este processo no banco do Estado – a Caixa Geral de Depósitos – e fazê-lo em exclusivo benefício do povo português.

Conta Restrita de Depósitos à Ordem


Para tal, a Caixa Geral de Depósitos criaria um novo tipo de Conta à Ordem a que iremos chamar Conta Restrita de Depósitos à Ordem.

A Conta Restrita de Depósitos à Ordem da CGD teria apenas duas condicionantes:

1 - Não permitiria fazer levantamentos em dinheiro (cash).

2Só permitiria fazer transferências para outras Contas Restritas de Depósitos à Ordem da CGD (por cheque, multibanco, home banking, etc.).


A Caixa Geral de Depósitos cobraria apenas uma comissão fixa que reflectisse uma estimativa dos custos operacionais do Banco (balcões, salários, hardware e software, custos diversos, etc.). A Caixa Geral de Depósitos não cobraria quaisquer outras taxas ou spreads. Também não pagaria quaisquer juros pelos depósitos que lá fossem efectuados nas suas Contas Restritas.

Evidentemente, a Caixa Geral de Depósitos continuaria também a funcionar com as suas contas normais, tanto de Depósitos à Ordem como a Prazo, seguindo as taxas e os procedimentos vigentes no mercado.


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O funcionamento da Conta Restrita de Depósitos à Ordem da CGD

1 - João pretende comprar uma casa a Afonso no valor de 100.000 Euros. Para tal, João precisa de um empréstimo. João, evidentemente, está interessado no empréstimo da Caixa Geral de Depósitos para poder beneficiar da pequena comissão fixa que teria de pagar em vez dos juros.


2João teria de perguntar a Afonso se este estaria interessado em abrir uma Conta Restrita de Depósitos à Ordem na CGD, para onde pudesse transferir o dinheiro do empréstimo obtido na CGD. Afonso sabe que estará impedido de levantar dinheiro dessa Conta Restrita. Apenas poderá transferir dinheiro dessa Conta Restrita da CGD para a Conta Restrita da CGD de outra pessoa.

3 – Afonso aceita, e abre uma Conta Restrita de Depósitos à Ordem na CGD. João abre uma conta igual e pede um empréstimo à Caixa Geral de Depósitos no valor de 100.000 Euros. A CGD concede-lhe o empréstimo e deposita-lhe na sua Conta Restrita 100,000 Euros. João compra a casa e transfere para a Conta Restrita de Afonso os 100.000 Euros que pediu emprestados. João ficará a pagar à CGD as amortizações do montante emprestado acrescidas da comissão fixa.

4 - João terá de dar todas as garantias actualmente em vigor neste tipo de transacção à Caixa Geral de Depósitos. A casa ficará hipotecada à Caixa Geral de Depósitos até ao pagamento integral da dívida por parte do João.

5 - João fica com uma dívida de 100.000 Euros à Caixa Geral de Depósitos e Afonso fica com 100.000 Euros disponíveis na sua Conta Restrita na Caixa Geral de Depósitos. Afonso não poderá levantar este dinheiro. Apenas o poderá transferir para outra Conta Restrita na Caixa Geral de Depósitos de outra entidade qualquer.



Repare-se que a Caixa Geral de Depósitos não desembolsou dinheiro algum. Limitou-se a abrir duas contas, uma que creditou – a de Afonso – em 100.000 Euros, e outra que debitou – a de João – em 100.000 Euros. A Caixa Geral de Depósitos procedeu apenas a um movimento contabilístico.


6 - João irá pagar, durante todo o período contratado no empréstimo, as respectivas amortizações e uma comissão fixa à Caixa Geral de Depósitos.

7 - Afonso, que possui agora uma Conta Restrita com 100.000 Euros na Caixa Geral de Depósitos, pretende comprar um automóvel a prestações no Stand Autocar no valor de 20.000 Euros.


8 - Afonso vai falar com Jorge, o dono do stand Autocar, para saber se este aceita abrir uma Conta Restrita de Depósitos à Ordem na CGD. Se aceitar, então Jorge abre uma Conta Restrita de Depósitos à Ordem na CGD. Depois, o banco credita a Conta Restrita de Jorge em 20.000 Euros e debita à Conta Restrita do Afonso a mesma importância.


Atente-se, uma vez mais, que a Caixa Geral de Depósitos não desembolsa dinheiro nenhum. Procedeu novamente apenas a um simples movimento contabilístico.


9 - Afonso, com os 80.000 Euros que lhe restam na Conta Restrita na CGD, continuará, eventualmente, comprando ou pagando bens e serviços da mesma forma, recrutando, no processo, novos clientes para Contas Restritas de Depósitos à Ordem na Caixa Geral de Depósitos.

[...]

10 - Uma altura chegará em que Sicrano, transferirá 15 Euros da sua Conta Restrita na CGD, através de cartão Multibanco, para a Conta Restrita na CGD de um determinado restaurante, por forma a pagar um almoço. E Beltrano, transferirá 70 Euros da sua Conta Restrita na CGD, por intermédio de cheque, para a Conta Restrita na CGD de uma loja de roupas, para proceder ao pagamento de um par de calças.



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Conclusão

Numa economia é necessária uma adequada disponibilidade de moeda (moeda em poder do público mais depósitos à ordem no sistema bancário).

Uma disponibilidade de moeda adequada é indispensável a uma sociedade civilizada. Podemos privar-nos de muitas outras coisas, mas sem dinheiro, a indústria, a agricultura, o comércio e os serviços paralisam.

O dinheiro é o sangue da sociedade civilizada, o meio pelo qual são feitas todas as transacções comerciais excepto a simples troca directa. É a medida e o instrumento pelo qual um produto é vendido e outro comprado. Remova-se o dinheiro ou reduza-se a disponibilidade de moeda abaixo do que é necessário para levar a cabo os níveis correntes de comércio, e os resultados são catastróficos.

Dado o pequeno valor da comissão fixa nos empréstimos, as famílias e as empresas dariam clara preferência pela Caixa Geral de Depósitos como banco financiador. O número de Contas Restritas de Depósitos à Ordem de cidadãos e empresas neste Banco cresceria exponencialmente, bem como a quantidade e o valor dos movimentos financeiros destas contas.

A caixa Geral de Depósitos, dado o sistema em circuito fechado das suas Contas Restritas de Depósitos à Ordem, poderia criar do nada [out of thin air] todo o dinheiro necessário ao bom funcionamento da economia nacional. A quantidade adequada de dinheiro em circulação acabaria com a depressão, que é fruto da falta de dinheiro causada pela contracção deliberada do crédito pelos bancos comerciais.

A prazo, dar-se-ia a falência dos bancos comerciais privados, e a Caixa Geral de Depósitos, o banco estatal, impunha-se como única instituição de crédito neste país.
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Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Homem com ligações à máfia napolitana morre com Gripe A

O homem de camisa branca à porta de um café no centro de Nápoles é Mariano Bacio Tarracino, de 53 anos, e tinha ligações à Camorra, a máfia napolitana. Tarracino era especialista em assaltos a bancos.

Subitamente, um homem sai do café, onde tinha entrado segundos antes, e dispara quatro vezes sobre Tarracino, acertando-lhe no corpo, na cabeça e na nuca.

Sequência de imagens do assassínio de Mariano Bacio Tarracino:







A ministra da Saúde italiana, homóloga da ministra Ana Jorge, afirmou que Mariano Bacio Tarracino, o homem que faleceu com gripe A, no passado dia 11 de Maio em pleno centro de Nápoles, teve morte súbita que poderá ter resultado das quatro balas que lhe perfuraram o corpo e a cabeça, e que foram provavelmente potenciadas pelo vírus H1N1.

A conjugação dos dois factores, a gripe A e o impacto dos projécteis, levou à morte de Tarracino, segundo o resultado da autópsia, e representa uma situação excepcional, frisou a ministra da Saúde italiana.

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Um especialista em cremação no campo de extermínio de Treblinka


Jean-François Steiner nasceu em 1938 de pai judeu, que morreu em Treblinka, e de mãe católica. Segundo George Steiner, foi uma viagem a Israel e o mal-estar sentido pelos jovens judeus durante o julgamento de Adolf Eichmann pela passividade das vítimas do Holocausto, que levaram Jean-François Steiner a entrevistar um punhado de sobreviventes de Treblinka e a escrever uma exposição da revolta no campo de extermínio. O seu livro "Treblinka" foi primeiro publicado em França em 1966, e a tradução em inglês publicada no ano seguinte.


Simone de Beauvoir escreveu o prefácio do livro "Treblinka"

Simone de Beauvoir


A seguir, o parágrafo final do prefácio escrito por Simone de Beauvoir:

"O tom geral do livro é absolutamente singular: nem patético nem indignado, e sim de uma frieza calculada e às vezes mesmo de um sombrio humorismo. O horror é apresentado na sua banalidade quotidiana e quase como inevitável. Como uma voz que recusa as inflexões humanas, o autor descreve um mundo desumanizado; no entanto, é de homens que se trata; o leitor não o esquece e esse contraste provoca nele um escândalo intelectual mais profundo e mais durável do que qualquer emoção. O escândalo, entretanto, não passa de um recurso. Acima de tudo, Steiner, quis compreender e fazer compreender. Acreditamos que tenha atingido plenamente seu objectivo".

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Jean-François Steiner descreve no seu livro o método empregue para fazer desaparecer os 800.000 ou mais cadáveres de Treblinka sem deixar rasto - (Steiner, Treblinka, editorial Gerhard Stalling Verlag, 1966, pág. 294 e seguintes):

"Era loiro e magro, possuía uma fisionomia amável, actuava de forma despretensiosa e chegou numa manhã luzidia ao portão do reino da morte. Chamava-se Herbert Floss e era especialista em cremação de cadáveres..."

"No dia seguinte construiu-se a primeira pira e Herbert Floss revelou o seu segredo: a composição da pira. Segundo explicou, nem todos os cadáveres se queimavam de maneira semelhante. Havia cadáveres bons e maus, incombustíveis e facilmente inflamáveis. A arte consistia em usar os bons para queimar os maus. Segundo as suas investigações – que obviamente eram muito avançadas – os cadáveres velhos ardiam melhor que os jovens, os gordos melhor que os fracos, as mulheres melhor do que os homens, e as crianças, não tão bem como as mulheres, mas melhor do que os homens. Donde resultava que os cadáveres de mulheres gordas eram os cadáveres ideais. Herbert Floss mandou separá-los a um lado assim como os dos homens e das crianças."

"Depois de terem sido desenterrados e classificados quase 1.000 cadáveres, começou-se a empilhá-los, colocando os de melhor material combustível em baixo e os de menor qualidade acima. Floss rejeitou os bidões de gasolina que lhe ofereceram e em seu lugar mandou trazer madeira. O seu trabalho devia ser perfeito. A lenha foi colocada debaixo da grelha da pira formando pequenos focos, tipo fogachos. A hora da verdade tinha chegado. Com solenidade foi-lhe entregue uma caixa de fósforos; ele debruçou-se, acendeu o primeiro foco seguido dos outros e entretanto a madeira começava a queimar-se paulatinamente. Floss, com o seu caminhar tão estranho, aproximou-se dos oficiais que esperavam a uma certa distância."

"As chamas cresciam mais e mais, lambendo os cadáveres, vacilando primeiro, mas depois lambendo com força. De repente, toda a pira ficou envolta em chamas que cresciam expulsando nuvens de fumo. Ouviu-se um crepitar intenso, os rostos dos mortos contraíam-se dolorosamente e a sua carne rebentava. Um espectáculo infernal. Por momentos, até os homens das SS ficaram como que petrificados, observando mudos o milagre. Herbert Floss estava radiante. A pira expelindo chamas era a experiência mais bonita da sua vida."

"Um tal acontecimento devia festejar-se. Trouxeram-se mesas que foram colocadas em frente da fogueira e caixas de garrafas de aguardente, cerveja e vinho. O dia estava a chegar ao fim e o céu estrelado parecia reflectir as chamas altas da fogueira, para lá do horizonte, onde o sol se punha com o esplendor de um incêndio."

"A um sinal de Lalka [o comandante do campo] saltaram as rolhas e começou uma festa fantástica. O primeiro brinde foi dedicado ao Führer. Os operários das escavadoras tinham regressado com as suas máquinas. Quando os homens das SS levantaram as taças aos gritos, as máquinas pareceram ganhar vida; com um movimento abrupto levantaram o braço de aço ao céu numa repentina e vibrante saudação hitleriana. Foi como um sinal. Dez vezes levantaram também os homens o braço fazendo ressoar de cada vez o «Sieg-Heil». As máquinas animadas respondiam às saudações dos homens-máquina e o ar retumbou de vivas ao Führer. A festa durou até que a fogueira se extinguiu. Depois dos brindes cantou-se; ouviram-se cantos selvagens e cruéis, cantos cheios de ódio, horripilantes, cantos em honra da Alemanha eterna."



Memorial em Treblinka formado de pedras de basalto recriando as fossas onde os corpos eram cremados
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Quarta-feira, Outubro 28, 2009

O suicídio resoluto na Moviflor versus o suicídio piegas na France Télécom

Didier Lombard, presidente-executivo da France Télécom


Revista VISÃO - 8 de Outubro de 2009:

As contas dos últimos meses na France Télécom: 24 suicídios e 12 tentativas falhadas. O presidente-executivo Didier Lombard, desprezado por grande parte dos seus empregados, é olhado por muitos como a raiz dos problemas na empresa.


Gestão Terrorista na France Télécom

A onda de 24 suicídios e 12 tentativas falhadas dos últimos meses na France Télécom veio pôr a nu a existência de um fio comum que liga todas estas mortes: uma «gestão pelo terror», nas palavras de um dos malogrados colaboradores, posta em marcha na telefónica francesa, desde a sua privatização, em 1997.

Anunciada em 1990, a entrada de capital privado na France Télécom e a sua exposição às leis da concorrência resultaram no abandono da cultura de serviço público. Em contrapartida, o culto da máxima rentabilidade sacrificou os recursos humanos da empresa que, desde 2002, se vêem forçados a mudar de posto todos os 27 meses e de local de trabalho de três em três anos. Para se tomar lucrativo, o gigante das telecomunicações teve de reduzir drasticamente a massa salarial, o que só tem vindo a ser alcançado pela saída dos funcionários, pelo seu próprio pé.

Quando as regalias financeiras para quem quisesse abandonar os quadros se revelaram insuficientes, o passo seguinte foi declarar guerra aos assalariados que não estavam a acompanhar a evolução da empresa. Em seminários internos, os gestores foram mobilizados para uma estratégia de vigilância e humilhação constantes sobre os seus subordinados.


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Mas se, na France Télécom, a fragilidade psicológica dos trabalhadores, face à precariedade, ao assédio e à espiral de sofrimento, os leva, de forma pacata, a colocar termo à vida, na Moviflor portuguesa as coisas não são tão pacíficas:


Viseu - 8 de Abril de 2008


Diário de Notícias e IOL - 08 Abril 2008:

Um homem morreu ontem e duas pessoas ficaram feridas na sequência de um ajuste de contas protagonizado por um antigo funcionário da empresa Moviflor de Viseu. O indivíduo, José Manuel Duarte Silva, de 30 anos, entrou nos escritórios da empresa e disparou à queima-roupa sobre o responsável. De seguida dirigiu-se a uma companhia de seguros onde efectuou mais dois disparos mas sem atingir ninguém devido à reacção de um mediador que, ao aperceber-se do sucedido, conseguiu travar o alegado homicida. Ao final do dia, o agressor ainda se encontrava a monte. A PJ reconhece tratar-se de um "ajuste de contas" relacionado com uma indemnização resultante de um alegado acidente de trabalho na Moviflor.

José Manuel Duarte Silva, de 30 anos é residente em Maçarocas, S. Pedro do Sul, onde é bombeiro, e terá sido o autor dos disparos que vitimaram o gerente da Moviflor, empresa com quem mantinha um diferendo e de onde foi despedido em Março de 2007.

Quando se dirigiu à Moviflor de Viseu, José Silva levava o seu objectivo bem definido: matar José Manuel, 34 anos, o supervisor que o tinha despedido em Março de 2007. Foi directo ao seu gabinete, junto à entrada da loja, onde aguardou que uma funcionária se afastasse. Depois, disparou sobre o responsável um tiro de caçadeira à queima-roupa no lado esquerdo do abdómen.

Depois de efectuar os disparos, o alegado homicida dirigiu-se à seguradora Açoreana, que é responsável pelos seguros da loja da Moviflor, onde efectuou dois disparos sem atingir ninguém devido à intervenção de um mediador de seguros. Este homem, de 62 anos, entrou numa luta com o suspeito e acabou por ficar ferido. Foi a acção do mediador que travou o alegado agressor.

Segundo a PSP, o suspeito «foi funcionário da Moviflor, de onde saiu após um acidente de trabalho», na sequência do qual andava a ser seguido por médicos da Açoreana. «Presume-se que isto (os tiroteios) esteja relacionado com as indemnizações. Parece que foi um ajuste de contas»,

Na origem do homicídio estará um diferendo que José Silva mantinha com a Moviflor, de onde foi despedido. Teresa Albuquerque, da administração da empresa, assegurou ao DN que o suspeito "esteve de baixa de Janeiro de 2006 a Março de 2007 porque teve um acidente, no seu carro, quando regressava a casa. Como tinha uma incapacidade acabou por ser despedido".

Mas no círculo de relacionamentos do alegado homicida corre outra versão. "Ele teve um acidente há dois anos quando saiu do trabalho. Esteve de baixa, foi operado e regressou ao trabalho", revelou Manuel Poças, dirigente do Corpo de Salvação Pública, em São Pedro do Sul, onde o suspeito era bombeiro de segunda classe. Também o comandante dos bombeiros referiu ao DN que "ele mudou o comportamento desde o acidente de viação quando regressava a casa do trabalho na Moviflor". António Almeida referiu que "andava um pouco revoltado, de vez em quando exaltava-se, mas nunca a ponto de fazer isto".

Moviflor em Viseu

José Manuel Duarte Silva, de 29 anos, foi funcionário de armazém na Moviflor de Viseu até Abril de 2007, altura em foi despedido por faltar muitas vezes sem justificação. O que o levou ao desespero terá sido um grave acidente de viação que sofreu há cerca de dois anos, quando se deslocava, no seu carro, do trabalho para casa, em Novais, S. Pedro do Sul. Desde então, entrou em conflito com a Açoreana, responsável pelos seguros da Moviflor, porque esta não considerou o sinistro um acidente de trabalho. Esteve de baixa vários meses mas, como "os médicos da seguradora não lhe reconheceram incapacidade total, teve de voltar ao trabalho", conta António Almeida, comandante dos Bombeiros de Salvação Pública de S. Pedro do Sul, onde o indivíduo era voluntário. "Como tinha muitas dores e não conseguia fazer tudo, deram-lhe um outro trabalho que ele não aceitou de bom grado e deixou de aparecer no serviço, acabando por ser despedido".

O atirador continuou a reclamar uma indemnização, apesar de ter sido despedido. José Silva estava, por isso, em "guerra" com a companhia de seguros e com o gerente da Moviflor.

No quartel, os bombeiros ficaram incrédulos porque o suspeito era considerado "uma pessoa humilde mas desde que teve o acidente ficou abalado". Uma funcionária da loja afirmou ao DN que "depois do acidente ele ainda veio trabalhar. Mas como não conseguia, faltava muita vez e sempre exigiu a indemnização. O gerente, que tinha um feitio especial, acabou por despedi-lo mas ele nunca deixou de exigir a indemnização".

Todas as estradas da região estão vigiadas mas no fecho desta edição o suspeito dos disparos continuava a monte.

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E no dia seguinte - 9 de Abril de 2008


Correio da Manhã - 09 Abril 2008:

O autor dos disparos na Moviflor – onde matou o supervisor – e na Açoreana em Viseu, morreu na madrugada de ontem, num aparatoso despiste de automóvel, em Belazaima do Chão, Águeda. O Seat Ibiza com que José Silva, de 29 anos, andava fugido da polícia desde o final da manhã de segunda-feira foi encontrado por um automobilista, pelas 03h00, completamente enfaixado num eucalipto, na berma da EN336, que liga o Luso a Águeda.

No início, não havia qualquer indicação quanto à identidade do único ocupante da viatura, cuja frente e lateral esquerda ficaram desfeitas. O condutor, de acordo com o que o CM apurou, já estava morto e o corpo irreconhecível quando os bombeiros chegaram.

Confirmada a morte do autor dos disparos, que na manhã de segunda-feira vitimaram o supervisor da loja Moviflor, resta agora apurar as condições em que o despiste aconteceu, o que está a cargo da PJ e do Núcleo de Investigação Criminal da Brigada de Trânsito de Aveiro. Acidente ou suicídio são duas hipóteses para explicar a morte, uma vez que no local – uma longa recta – não havia qualquer vestígio de travagem. Pelo estado em que ficou a viatura, o condutor iria com velocidade excessiva.
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Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Dr. Stefan Szende – A electrocussão como forma de assassínio e incineração em massa de judeus no campo de concentração de Belzec



Stefan Szende (1901 – 1985), originalmente István Szende, foi um cientista político húngaro-sueco, político socialista, jornalista e combatente da resistência contra os nazis.

Stefan Szende optou, em 1919, por ir estudar política e filosofia nas Universidades de Budapeste e Viena e fez parte, nesse mesmo ano, do Partido Comunista Húngaro. Em 1925 doutorou-se em Budapeste e foi preso pelas suas actividades políticas. Foi condenado a oito anos de prisão, após o que emigrou, em 1928, para Viena, onde obteve um grau adicional de Doutor em Filosofia. No mesmo ano foi para Berlim, onde se juntou ao Partido Comunista Húngaro [KPO] recém-criado e seguiu com a ala minoritária de Jacob Walcher, Paulo Frolich Enderle, em Agosto de 1932, para o SAPD [Sozialistische Arbeiterpartei Deutschlands - Partido dos Trabalhadores Socialistas da Alemanha].

Stefan Szende assistiu à tomada do poder pelo partido nazi, trabalhou ilegalmente no SAPD do distrito de Berlim e editou, com Walter Fabian, a bandeira do órgão partidário do marxismo revolucionário, em Novembro de 1933. Mas foi preso pela Gestapo, detido temporariamente no campo de concentração de Oranienburgo, e depois condenado a dois anos na prisão. Após o cumprimento da pena, no final de 1935, Szende foi expulso, indo primeiro para Praga, e em 1937 para Estocolmo, onde esteve activo na direcção da SAPD, estrutura representada no grupo internacional de socialistas democráticos. Stefan Szende trabalhou de perto com Willy Brandt, August Enderle e Behrisch Arno e aproximou-se do SPD - Partido Social-Democrata [Sozial demokratische Partei Deutschlands], no qual ingressou em 1944/45.

Em 1944, apresentou pela primeira vez em língua sueca o livro "Den siste juden från Pólen" [O último judeu da Polónia], um dos primeiros livros sobre o extermínio dos judeus europeus pela Alemanha nazi. Após 1945, Szende, por razões familiares e políticas, não regressaria à Alemanha ou à Hungria, e ficou a viver na Suécia, onde trabalhou como jornalista, escritor, na educação, e como editor-chefe e proprietário da Agence Européene de Presse (AEP).


O Dr. Stefan Szende descreveu da seguinte forma o extermínio em massa dos judeus no campo de extermínio de Belzec, no seu livro "Der letzte Jude aus Pólen" [O último judeu da Polónia], (Editorial Europa Zürich/New York, 1945), um livro baseado na vivência de Adolf Folkmann, um judeu polaco, nos territórios dominados pelos nazis de Setembro de 1939 a Outubro de 1943. Este livro foi traduzido para inglês com o título "The Promise Hitler Kept" [A Promessa que Hitler Cumpriu].


Retirado das páginas 290 e seguintes de "The Promise Hitler Kept":

"A fábrica da morte englobava uma área de aproximadamente sete quilómetros de diâmetro. Esta zona estava protegida com arame farpado e outras medidas de protecção. Nenhuma pessoa se podia aproximar dali. Nenhuma pessoa podia abandonar a zona (...). Os comboios cheios de judeus entravam por um túnel nas salas subterrâneas da fábrica das execuções. Tirava-se-lhes tudo... os objectos pessoais eram separados ordenadamente, inventariados e utilizados para as necessidades da raça superior."

"(...) Os judeus nus eram trazidos para salas gigantescas. Vários milhares de pessoas de uma só vez podiam ser metidas nestas salas. Não tinham janelas e o chão era feito de uma placa de metal que era submergível. Os pisos metálicos destas salas, com os seus milhares de judeus, afundavam numa bacia de água que ficava por baixo – mas só até ao ponto em que as pessoas não ficavam totalmente debaixo de água. Quando todos os judeus sobre o piso de metal estavam com a água pelas coxas, faziam passar através da água uma corrente eléctrica."

"Após alguns momentos, todos os judeus, milhares de uma só vez, estavam mortos. Então, o piso de metal era elevado até sair da água. Sobre ele estendiam-se os corpos das vítimas executadas. Então, era enviada outra corrente eléctrica, e o piso metálico transformava-se num forno crematório, incandescente, para que todos os corpos ardessem até ficarem em cinzas. Gruas gigantescas levantavam imediatamente esta imensa urna e descarregavam as cinzas. Grandes chaminés, tipo fábrica, evacuavam o fumo."

"O próximo comboio já estava à espera com mais judeus à entrada do túnel. Cada comboio trazia de três a cinco mil judeus, e por vezes mais. Havia dias em que o ramal para Belzec trazia vinte ou mais comboios. A tecnologia moderna triunfava no sistema nazi. O problema de como exterminar milhões de pessoas estava resolvido."



Vista do antigo campo de Belzec transformado em Memorial
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Quinta-feira, Outubro 22, 2009

O Petróleo não é de origem fóssil, continua a ser gerado ininterruptamente pela Terra e é inesgotável



Artigo retirado de: «Qual crise energética?»


Foi-nos sempre dito que o petróleo é um combustível fóssil, que surgiu há 500 milhões de anos, tendo por origem a decomposição de plantas e animais mortos. Restos de organismos teriam sido aprisionados no fundo dos oceanos numa camada de lama e cobertos por outras camadas de solo, formando ao longo do tempo o petróleo.

Foi-nos sempre dito que a energia do sol é captada pelos seres vivos e que podemos libertar novamente essa energia armazenada há centenas de milhões de anos através da combustão do petróleo.

É-nos dito que as reservas de combustíveis fósseis, especialmente o petróleo, duram, no máximo, até cerca de 2060.

Outro factor, para além da extinção das reservas petrolíferas, é o momento em que a produção de petróleo atinge o seu cume, começando então a decrescer. Este ponto máximo da extracção petrolífera é chamado de "Peak-Oil" [Pico Petrolífero]. Como é em função deste pico que varia a oferta e a procura, este pode ter um papel crucial nos preços do petróleo.

O ponto máximo da extracção petrolífera ou "Peak-Oil" é o instante em que a taxa de extracção petrolífera atinge o seu máximo absoluto em todas as bacias petrolíferas. Este momento é alcançado quando tenha sido extraído metade de todo o petróleo passível de ser explorado.

O Pico Petrolífero

É afirmado que o ponto de extracção máximo já foi alcançado no passado e que vamos de encontro a uma crise energética. A prova desta esta afirmação, dizem-nos, é o aumento contínuo da cotação do petróleo, de 25 dólares o barril em 2002 para 134 dólares em 6/6/2008 (este artigo foi escrito nesta data).

Por este motivo, dizem-nos que a esperada lacuna energética deve ser suprida através de menor consumo e pela procura de outras alternativas, tal como energias renováveis. Devemos abandonar o petróleo o mais rapidamente possível, pois ele irá acabar em breve.

É-nos afirmado que o petróleo se formou há centenas de milhões de anos, que existe em quantidade fixa, e que quando tivermos extraído a última gota, terá acabado para sempre a era do petróleo.

Mas o que é que aconteceria se toda esta história não tiver nenhum fundamento e tudo não passar de uma lenda? O que seria se o combustível petróleo não fosse de origem fóssil, não proviesse de organismos extintos, mas fosse de outra natureza? E se o petróleo, afinal, existe em abundância e continua a ser formado ininterruptamente pela Terra? E se não existir nenhuma crise energética e nenhum "Peak-Oil"?

O Pico Petrolífero está Aqui

A afirmação de que haveria um ponto máximo na extracção do petróleo foi divulgada em pânico, já em 1919, embora nesse tempo ainda não se chamasse "Peak-Oil" (este é somente um novo rótulo). Naquele tempo, foi afirmado pelos "especialistas" que o petróleo só chegaria para os próximos 20 anos. O que aconteceu na realidade? Desde então, a data do fim do petróleo foi sempre impelida para o futuro, e hoje, 90 anos depois, temos ainda petróleo, embora a extracção e o consumo tenham vindo a aumentar todos os anos.


O Petróleo Abiótico (não fóssil)

De onde veio, no fim de contas, a história de que o petróleo teria surgido de fósseis de organismos vivos e seria, portanto, biótico? O geólogo russo Mikhailo Lomonossov teve esta ideia pela primeira vez em 1757: "o petróleo surge de pequenos corpos de animais e plantas, enclausurados em sedimentos sob alta pressão e temperatura e transformam-se em petróleo após um período inimaginável". Não sabemos que observações o levaram a afirmar isso, simplesmente esta teoria nunca foi confirmada e é aceita sem provas há mais de 200 anos e ensinada nas universidades.

A teoria da origem do Petróleo como resultado da decomposição de restos de de plantas e animais
(clicar na imagem para ampliar)


Porém, nunca foram encontrados fósseis de animais ou plantas nas reservas de petróleo. Esta falta de provas mostra que a teoria do combustível fóssil é unicamente uma crença sem qualquer base científica. Os geólogos que espalham a teoria do combustível fóssil, não apresentaram ainda qualquer prova da transformação de organismos em petróleo.

Um dos elementos mais presentes sobre a Terra no nosso sistema solar é o carbono. Nós, seres humanos, somos formados em grande parte por carbono, assim como todos os outros seres vivos e plantas do planeta. E em pelo menos 10 planetas e luas de nosso sistema solar foram observadas grandes quantidades de hidrocarbonetos, a base para o petróleo.

A sonda espacial Cassini descobriu, ao passar próximo de Titan, a lua de Saturno, que ela está repleta de hidrocarbonetos líquidos. Mas não havendo lá vida para produzir os hidrocarbonetos, estes devem ser fruto de alguma outra transformação química. Devido à sua particular configuração atómica, o carbono possui a capacidade de formar moléculas complexas e apresenta, entre todos os elementos químicos, a maior complexidade de ligações químicas.

Aqui na Terra, as placas continentais flutuam sobre uma inimaginável quantidade de hidrocarbonetos. Nas profundezas do manto terrestre surgem, sob determinada temperatura, pressão e condições adequadas, grandes quantidades de hidrocarbonetos. A rocha calcária anorgânica é transformada num processo químico. Os hidrocarbonetos que daí resultam, são mais leves que as camadas de solo e rocha sedimentares, e por isso sobem pelas fendas da Terra e acumulam-se sob camadas impermeáveis da crosta terrestre.

O magma quente é o fornecedor de energia para este fenómeno geológico. O resultado dá pelo nome de petróleo abiótico, porque não surgiu a partir da decomposição de formas biológicas de vida, mas antes por um processo químico no interior da Terra. E este processo acontece ininterruptamente. O petróleo é produzido continuamente.


Eis alguns dos argumentos mais relevantes que comprovam que o petróleo é de origem abiótica (não fóssil):

- O petróleo é extraído de grandes profundidades, ultrapassando os 13 km. Isso contradiz totalmente a tese dos fósseis, pois os restos dos seres vivos marinhos nunca chegaram a tais profundidades e a temperatura (elevadíssima) teria destruído todo o material orgânico.

- As reservas de petróleo, que deveriam estar vazias desde os anos 70, voltam a encher-se novamente por si mesmas. O petróleo fóssil não pode explicar este fenómeno. Só pode ser explicado pela produção incessante de petróleo abiótico no interior da Terra.

- A quantidade de petróleo extraída nos últimos 100 anos supera a quantidade de petróleo que poderia ter sido formado através da biomassa. Nunca existiu material vegetal e animal suficiente para ser transformado em tanto petróleo. Somente um processo de fabricação de hidrocarbonetos no interior da Terra pode explicar esta quantidade gigantesca.

- Quando observamos as grandes reservas de petróleo no mundo é notório que elas surgem onde as placas tectónicas estão em contacto uma com as outras ou se deslocam. Nestas regiões existem inúmeras fendas, um indício de que o petróleo provém do interior da Terra e migra vagarosamente através das aberturas para a superfície.

Placas Tectónicas

- Em laboratório foram criadas condições semelhantes àquelas que predominam nas profundezas do planeta. Foi possível produzir metano, etano e propano. Estas experiências provam que os hidrocarbonetos podem formar-se no interior da Terra através de simples reacções anorgânicas – e não pela decomposição de organismos mortos, como é geralmente aceite.

- O petróleo não pode ter 500 milhões de anos e permanecer tão "fresco" no solo até hoje. As longas moléculas de carbono ter-se-iam decomposto. O petróleo que utilizamos é recente, caso contrário já se teria volatilizado há muito tempo. Isto contradiz o aparecimento do petróleo fóssil, mas comprova a teoria do petróleo abiótico.


Em 1970, os russos começaram a perfurar poços a grandes profundidades, ultrapassando os 13.000 metros. Desde então, as grandes petrolíferas russas, incluindo a Iukos, perfuraram mais de 310 poços e extraem de lá petróleo. No último ano, a Rússia ultrapassou a extracção do maior produtor mundial, a Arábia Saudita.

Os russos dominam a complexa técnica de perfuração profunda há mais de 30 anos e exploram inesgotáveis reservas de petróleo das profundezas na Terra. Este facto é ignorado pelo Ocidente. Os russos provaram ser totalmente falsa a explicação dos geólogos ocidentais de que o petróleo seria o fruto de material orgânico decomposto.

Nos anos 40 e 50, os especialistas russos descobriram, para sua surpresa, que as reservas petrolíferas se reenchiam por si próprias e por baixo. Chegaram à conclusão que o petróleo é produzido nas profundezas da Terra e emigra para cima, onde se acumula. Puderam comprovar isso através das perfurações profundas.

Entretanto, nos anos 90, a Rússia estava de tal modo à frente do Ocidente na tecnologia de perfuração profunda, que Wall Street e os bancos Rockfeller e Rothschild forneceram dinheiro a Michail Chodorkowski com a missão de comprar a empresa Iukos por 309 milhões de dólares, a fim de obter o know-how da perfuração a grande profundidade.

Michail Chodorkowski mandado prender por Putin

Pode-se agora perceber por que é que o presidente Wladimir Putin fez regressar a Iukos e outras petrolíferas novamente para mãos russas. Isso era decisivo economicamente para a Rússia, e Putin expulsou e prendeu alguns oligarcas russos.

Entretanto, os chamados "cientistas", os lobistas, os jornalistas a soldo e os políticos querem que acreditemos que o fim do petróleo está a chegar, porque supostamente a produção já atingiu o seu pico e agora está a decrescer. Naturalmente, a intenção é criar um clima que justifique o alto preço do petróleo e com isso obter lucros gigantescos.

Sabe-se agora que o petróleo pode ser explorado praticamente em toda a parte, desde que se esteja disposto a investir nos altos custos de uma perfuração profunda. Qualquer país se pode tornar independente em matéria de energia. Simplesmente, os donos das petrolíferas querem países dependentes e que paguem caro pelo petróleo importado.

A afirmação de que existe um máximo na extracção de petróleo é, de facto, um golpe e uma mentira da elite global. Trata-se de construir uma escassez e um encarecimento artificial. Tudo se resume a negócios, lucro, poder e controle.

Aliás, é absolutamente claro para todos que o Iraque foi invadido por causa do petróleo. Somente, não foi para extrair o petróleo, mas, pelo contrário, para evitar que o petróleo iraquiano inundasse o mercado e os preços caíssem. Antes da guerra, o Iraque extraía seis milhões de barris por dia, e hoje não chega a dois milhões. A diferença foi retirada do mercado. Saddam Hussein ameaçou extrair quantidades enormes de petróleo e inundar o mercado.

Tal significou a sua sentença de morte, e por esse motivo o Iraque foi atacado e Saddam enforcado. Agora os EUA têm lá tropas permanentemente. Ninguém tem licença para explorar o petróleo do país com a segunda maior reserva petrolífera do mundo. Por isso, o Irão, com a terceira maior reserva petrolífera do mundo, é agora também ameaçado por querer construir «armas de destruição massiva».

Soldado americano junto aos campos petrolíferos de Rumaylah no Iraque
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Terça-feira, Outubro 20, 2009

António Balbino Caldeira - uma das marcas políticas mais distintas do socratismo é o seu controlo dos grandes grupos económicos

Texto publicado por António Balbino Caldeira

No Blogue «Do Portugal Profundo» - 17 de Outubro de 2009

[as imagens que acompanham o texto foram escolhidas pelo autor deste blogue]


No actual estado de desenvolvimento tecnológico, o controlo do sistema corrupto sobre a sociedade é exercido através dos media tradicionais e da repressão do Estado.

Newsweek (17/3/2009) - Estado Policial. O novo tipo de vida americano

Através da repressão do Estado, pelo comando directo das polícias e dos serviços de informação (e dos departamentos policiais que criaram serviços de inteligência, na borderline da lei), da supervisão do poder judicial, com a colocação e agenciamento de antenas governamentais neste poder constitucionalmente autónomo, e de uma política de coercividade na administração pública e de selectividade política na atribuição das subvenções públicas.

Através dos media tradicionais, pelo domínio directo e indirecto das televisões, das rádios e da imprensa escrita, de âmbito nacional. Domínio directo através dos meios de comunicação social estatizados, onde o Estado tem posição accionista e poder de decisão formal. Domínio indirecto através dos meios de comunicação social detidos por grupos económicos dependentes do Estado, uma situação agravada em época de crise, e grupos mediáticos dependentes de financiamento público e crédito público (pela Caixa Geral de Depósitos). Os grandes grupos económicos privados detém meios de comunicação próprios para influência, e protecção, do poder ou participações nesses meios, directas e indirectas, através de capital e crédito, como faz o grupo Espírito Santo. Os grupos de origem mediática tradicional, como Controlinveste, Impresa, MediaCapital, ainda estão mais dependentes do poder, pois subsistem num negócio em contracção. O caso Ongoing é menos convencional, parecendo, agora, o grupo menos preocupado com o curto-prazo socratino do que com o futuro próximo.


No nosso País, uma das marcas políticas mais distintas do socratismo é o seu controlo dos grandes grupos económicos, numa promiscuidade político-empresarial que chega ao cúmulo das nomeações de quadros socratíchicos para a administração de empresas privadas (BCP, Mota-Engil,
grupo Lena). As nomeações de compadres são do interesse dos próprios accionistas (nomeadamente, as famílias do BCP, a família Mota e a família Rodrigues) que abdicam do controlo estratégico e operacional, desde que lhes acrescentem negócios e dinheiro. Como disclaimer, por rigor, devo salientar que, no caso do grupo Lena, o eng.º Carlos Manuel Santos Silva (da Conegil), beirão da Cova e, desde aí, amigo pessoal do primeiro-ministro, entronizado vice-presidente da Lena Engenharia e Construções SGPS, S.A. (ver Lena Construções, n.º 13, Junho de 2007, p. 19), saíu da administração da Lena Comunicação SG... PS (que detém o diário i) em «meados» de Setembro de 2009, portanto, cerca de duas semanas antes das eleições para a Assembleia da República, conforme anunciou a Meios & Publicidade, em 22-9-2009.

Os grupos que escapavam ao controlo, como a Sonae e Cofina, sucumbiram ao Governo na autonomia dos seus meios de comunicação, respectivamente Público e Correio da Manhã. Na Sonae, se o Eng.º Belmiro de Azevedo contestava frontalmente a política económico-social desastrosa do Governo, o seu filho e sucessor, o actual CEO, Eng.º Paulo de Azevedo, para assegurar a «boa relação» com Sócrates,
substituíu o director José Manuel Fernandes no Público e participa no anúncio governamental das Novas Oportunidades. Noutros casos, o envolvimento é mais distante, como no BPI, ou não há sequer imersão no terreno pantanoso dos media. Américo Amorim não se enterra no pântano dos media, pois cultiva um acesso directo ao poder.

A hermenêutica dominante crê ter descoberto um barómetro ultra-sensível em uso nos grupos económicos detentores dos media que, na antecipação das expectativas populares sobre o Governo e o seu futuro próximo, tomam a decisão de o apoiar ou retirar-lhe o apoio. Essa decisão é ainda condicionada pelo hábito português - que o Governo zapaterista, aqui ao lado, não seguiu... - da força política vencedora perdoar ao patrão de imprensa as ofensas que o seu meio lhe fez quando estava na oposição, contra a promessa deste o apoiar como tinha feito ao Governo anterior, mediante o abono costumeiro em publicidade institucional, subsídios e outros incentivos e negócios do grupo. Nessa circunstância de resignação, nada haveria a fazer para conquistar o poder: o poder perder-se-ia apenas por quem o exerce e herdar-se-ia pela oposição; os grupos económicos detentores dos media seguiriam o poder que está e mudariam somente quando este se esboroa. O trabalho de uma oposição não seria, então, lutar para conquistar o poder, mas esperar que este lhe caia de velho. Na minha opinião, estas premissas são falsas: o poder não só se perde, mas também se ganha; e os grupos económicos respeitam o poder político que se dá ao respeito, mesmo que a sua parcela de poder seja menor ou até que esteja na oposição.

Discurso no Hyde Park

Os meios antigos, anteriores às telecomunicações e tecnologias de comunicação actuais, têm um alcance muito limitado. Os discursos em cima de mesas (como faziam Lenine e Hitler), ou o modelo ecológico hydeparkiano, são agora vistos como sinais de grave desequilíbrio emocional ou loucura. Os grandes comícios e manifestações políticas, leninistas, nazistas, fascistas e da época da guerra civil espanhola, pertencem a um modelo totalitário que não passaria, nesta altura, de uma reprise de representação patética: hoje, quando o líder discursa, perante teleponto, com a voz e gestos artificiais ritmados pelos treinadores de media, fá-lo perante uma assembleia arregimentada, por medo e favores, numa produção do tipo teatral e cinematográfica, gravada para impacto televisivo. O povo não vai a esses eventos folclóricos, aborrecido com os políticos que sente não o representar nem cumprir, e também não é assim que se atrai. As arruadas, que substituíram as caravanas, numa tentativa de aproximação ao povo são usadas para figuração de campanhas. Exceptuam-se os jantares e almoços, que têm a promoção de uma refeição subsidiada, ou os concertos, no qual se entremeiam discursos sujeitos ao desinteresse da assistência. Os ídolos da sociedade actual são os artistas; os políticos são vistos como demónios.

Noutro plano, em contraste com os meios de comunicação tradicionais (tv, rádio e imprensa), temos os meios de comunicação modernos: jornais digitais, blogues, sítios da internet, fora, redes sociais, e-mail. O podcast (que cheguei a fazer...) e videocast não vingaram e são registos particulares de expressão limitada, que não conseguem competir na qualidade face à produção sonora e de video profissionais; e as fotografias e videos dos particulares ilustram tragédias e acontecimentos e têm a projecção dos meios em que se inserem. A circulação de informação e de opinião na internet com origem pessoal (blogues, sítios da net, redes e e-mail) tem um âmbito ainda numericamente baixo e corre dispersa. Os blogues competem com os jornais digitais, se bem que não tenham os mesmos recursos (dinheiro, tempo e acesso), na opinião e, em menor grau, na informação. As redes sociais, como o Facebook e Twitter, aproximam-se do cume de adesões e não são substitutos da informação nem da opinião dos blogues, mas, nessa área, apenas chamadores de atenção. Os jornais digitais são prolongamentos dos jornais impressos e sofrem dos mesmos vícios destes no que concerne ao enviesamento político a favor do Governo.


Os blogues resistiram ao crescimento das redes sociais e mantêm a sua preponderância como meios de difusão de opinião e informação dos cidadãos. Porém, a frequência de blogues em Portugal - e não podemos confiar nos números do Blogómetro, pois muitos estão inchados com o auto-refresh (ou auto-reload) e as visitas dos próprios - não se compara à audiência de telejornais, nem da rádio, se bem que se aproxime da circulação de muitos jornais (um jornal de referência, como o Público vendeu em Outubro de 2009 cerca de 39 mil exemplares diários) e da frequência de jornais digitais. Na verdade, jornais digitais e blogues compõem hoje, com meios distintos, a mesma comunidade mediática. Nos blogues existirá uma distribuição de preferência próxima da sociedade instruída. Portanto, os blogues não compensam, nem resolvem, o desequilíbrio do enviesamento dos meios tradicionais. Mais ainda, num agravamento do indecoro sistémico habitual das provocações, insultos e ameaças, temos visto chegar aos blogues, e inclusivé às suas caixas de comentários (!) - simultânea ao coro, orquestrado profissionalmente, dos militantes disfarçados nos programas televisivos e de rádio com participação de espectadores e ouvintes -, a insídia dos assessores governamentais, pagos pelo Estado, e dos profissionais de comunicação, financiados pelo poder político através de agências de comunicação. Isto é, com relevo maior do que nunca no período eleitoral que vivemos, e no período sequente, os blogues são entendidos como teatro de operações crucial da influência política.

Fora do âmbito limitado da sociedade instruída, onde os blogues são sustentáculo da liberdade e democracia, existe o jogo viciado dos media tradicionais concentrados que o socratismo controla de forma quase unânime. Nos media tradicionais avultam as televisões, que além disso, são caixa de ressonância selectiva da imprensa escrita. Se um telejornal tem um milhão de telespectadores, os blogues mais lidos, descontados os efeitos acima, têm uma audiência média quinhentas vezes menor (nos postes mais populares, cem vezes menor). Os blogues informam e formam a opinião pública, impactando a sociedade mais instruída e ávida de informação que passa a palavra à massa. Mas, actualmente, os blogues, que vencem a sua parte do esforço colectivo e até externalizam esse resultado, não são suficientes. Os meios de comunicação tradicionais são decisivos.

Em conclusão: sem meios, não há vitória. Para vencer a guerra política é necessário ganhar a batalha dos meios de comunicação tradicionais (televisão, rádio e imprensa escrita).

António Balbino Caldeira


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Comentário

Imaginar que é Sócrates quem controla os media e os grandes grupos económicos e financeiros "portugueses" é absurdo. Estes poderes estão sob a alçada de poderosos interesses económicos e financeiros internacionais.

Jardim Gonçalves, Belmiro de Azevedo, Fernando Ulrich, Américo Amorim, Ricardo Salgado e tantos outros, não passam de testas-de-ferro (bem remunerados) de interesses infinitamente mais poderosos. A nível internacional, existem oligopólios mediáticos, militares, petrolíferos, farmacêuticos, químicos, etc. - que, em última instância, são propriedade de um oligopólio financeiro.

E, evidentemente, para além da posse dos grupos económicos, esse oligopólio financeiro domina também o poder político nas chamadas «democracias» ocidentais, apresentando, por regra, dois partidos supostamente "antagónicos", para criar a ilusão da liberdade de escolha ao eleitor e que se alternam e eternizam no poder. São exemplos os partidos republicano e democrata nos EUA, os conservadores e os trabalhistas em Inglaterra, o movimento democrata e o partido socialista em França, o PS e o PSD em Portugal, etc.

Ninguém pode ter a veleidade de subir a um alto cargo político, Em Portugal ou lá fora, se não estiver absolutamente comprometido, logo à partida, com o grande poder financeiro, que controla a opinião pública, a oferta de moeda e a economia. Para se chegar a primeiro-ministro é necessário apoio mediático, com comentadores, em jornais e televisões, a incensarem incansavelmente o candidato (e a esconderem-lhe os podres), e apoio monetário para sustentar o partido, as campanhas, os tempos de antena, os cartazes, os jantares e os comícios. Após a eleição, o político lá estará para servir quem o elegeu (ou seja, o poder financeiro).




Quanto ao embate entre a blogosfera (na sua maior parte nas mãos dos cidadãos), e os media tradicionais (exclusivamente nas mãos do poder financeiro), é sabido que a primeira ganha adeptos todos os dias na exacta medida em que os segundos os vão perdendo. Quando, ou se, irá acontecer um turning point, não faço ideia.
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Sexta-feira, Outubro 16, 2009

Ricardo Araújo Pereira pergunta a Jorge Coelho, presidente da Mota-Engil, se estão reunidas as condições para podermos alcatroar o país todo

Jorge Coelho, o presidente-executivo da empresa de construção Mota-Engil, foi entrevistado por Ricardo Araújo Pereira no programa do Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios. O ex-dirigente socialista foi convidado para o cargo alguns anos depois de ter sido Ministro das Obras Públicas, sendo mais um caso de um governante a exercer funções de gestão em empresas do sector que tutelou no governo.

Jornal Expresso, 05/04/2008

A Mota-Engil anunciou há mês e meio (31/08/09) ter registado um lucro de 14,3 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, mais do que os 14,1 milhões de euros registados no período homólogo de 2008 e contrariando as expectativas dos analistas, que esperavam em média um recuo para os 12,1 milhões de euros.

E no Jornal de Negócios (16/10/2009): A Mota-Engil acumula uma valorização de 87,28% este ano, tendo subido 25% só nas últimas três semanas. A impulsionar as acções da empresa esteve a eleição do Partido Socialista nas legislativas...


Às questões colocadas por Ricardo Araújo Pereira, o CEO da Mota-Engil, Jorge Coelho, respondia bugalhos, sempre com um sorriso estampado no rosto, que alternava entre o amarelo e o rosa e vice-versa.


Seguem-se algumas das perguntas de Ricardo Araújo Pereira ao socialista da Mota-Engil, Jorge Coelho:

- Bem vindos de novo ao Gato Fedorento esmiúça os sufrágios, o nosso convidado de hoje já teve muito poder quando foi ministro, e agora tem ainda mais, ele é o CEO, que significa chefe, ou presidente, ou quem manda nas sacas de cimento da Mota Engil, é o Dr. Jorge Coelho.

- Sotôr, é muito comum antigos ministros saírem para depois irem trabalhar em grandes empresas. O sotôr acha que no fim desta legislatura o primeiro-ministro, José Sócrates, pode ir parar à Mota-Engil, ou vocês lá só aceitam quem seja mesmo engenheiro?

- Sotôr, eu queria colocar-lhe uma questão, talvez me possa ajudar. Eu precisava de fechar a marquise. A Mota-Engil conseguiu ficar com o projecto dos contentores de Alcântara sem concurso público. Por isso eu perguntava-lhe: como é que eu fecho a marquise evitando essa burocracia toda. Como é que se faz isso?

- Sôtor, acha que, agora que o PS fica no Governo durante mais quatro anos, estão reunidas as condições para podermos alcatroar o país todo?

- Mas o sotôr acha admissível que em pleno século XXI só hajam três auto-estradas entre Lisboa e Porto? Não faz falta construir uma quarta auto-estrada, por exemplo, ao pé da primeira mas dois metros acima?

- O sotôr teve medo nesta eleições que se o PSD ganhasse, que três ou quatro ministros do PS ficassem sem emprego e fossem ocupar o seu lugar na Mota-Engil?