quarta-feira, junho 21, 2017

Nunca existiu nenhuma câmara de gás para matar seres humanos no campo de concentração de Dachau

Até meados da década de 1950, ainda não era feita nenhuma distinção entre os vários campos de concentração quando à "Solução Final" – a destruição física dos judeus europeus alegadamente ordenada pela liderança do Terceiro Reich. Supostamente todos os campos tinham tido o mesmo papel nesta enorme "conspiração da morte". Todos os campos de concentração, dizia-se, tinham uma ou mais "câmara de gás" na qual os judeus eram gaseados com cianeto volátil (na forma de "Zyclon B", um fumigante registado) ou com monóxido de carbono.



«In 1942, the crematorium area was constructed next to the main camp. It included the old crematorium and the new crematorium (Barrack X) with a gas chamber. There is no credible evidence that the gas chamber in Barrack X was used to murder human beings.»

«Em 1942, a área do crematório foi construída próxima do campo principal. Incluía o crematório velho e o crematório novo (Barrack X) com uma câmara de gás. Não existem provas credíveis de que a câmara de gás tenha sido usada para matar seres humanos.»

Até Maio de 2003, qualquer visitante da câmara de gás de Dachau podia ler num painel a seguinte frase em cinco línguas diferentes:

CÂMARA DE GÁS
disfarçada de "sala de chuveiros"
- nunca foi usada como câmara de gás


Câmara de Gás de Dachau

Já em 1960, o Institut für Zeitgeschichte [Instituto de História Contemporânea] em Munique sentiu-se na obrigação de emitir a seguinte declaração, talvez em resposta às descobertas do historiador francês Paul Rasinier:

Dr. Martin Broszat, Institute of Contemporary History in Munich, Letter in Die Zeit, 19 August 1960, p. 16:

"Weder in Dachau noch in Bergen-Belsen noch in Buchenwald sind Juden oder andere Häftlinge vergast worden. Die Gaskammer in Dachau wurde nie ganz fertiggestellt und 'in Betrieb' genommen."

English translation: "Neither in Dachau, nor in Bergen-Belsen, nor in Buchenwald, were Jews or other inmates gassed. The gas chamber in Dachau was never completed and put 'into operation.'."

«Nem em Dachau, nem em Bergen-Belsen, nem em Buchenwald foram gaseados judeus ou outros prisioneiros. A câmara de gás de Dachau nunca foi terminada e colocada em operação… O extermínio em massa por gaseamento dos judeus começou em 1941-42, e ocorreu em muito poucos lugares, seleccionados exclusivamente para esse objectivo e equipados com as instalações técnicas necessárias, sobretudo no território da Polónia ocupada (mas em nenhum lugar do Reich alemão propriamente dito).»

A afirmação do Instituto de História Contemporânea foi uma retirada geral. O que a tornou tão sensacional foi, não apenas o facto de haver uma multidão de ex-prisioneiros que tinham testemunhado ter havido "gaseamentos" nos campos de concentração do Reich, mas também o caso de vários comandantes destes campos terem assinado "confissões" afirmando a existência de alegadas "câmaras de gás". No Tribunal Militar Internacional de Nuremberga, o Promotor Chefe Britânico, Sir Hartley Shawcross, citou Dachau, Buchenwald, Mauthausen, e Oranienburgo como locais onde o assassínio era "tratado como uma indústria de produção em massa em câmaras de gás e fornos".


O Promotor Chefe Britânico, Sir Hartley Shawcross,
no Tribunal Militar Internacional de Nuremberga

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Não obstante todos os desmentidos oficiais sobre a existência de câmaras de gás em Dachau para assassinar seres humanos, hoje, quem visitar este campo de concentração, depara-se com a mesma mentira de sempre:


À esquerda – foto da «Câmara de Gás». Ao centro – porta da entrada da «Câmara de Gás» com a palavra «BRAUSEBAD» - "sala de chuveiros". À direita, uma placa que diz: Câmara de Gás - Este era o centro potencial do assassínio em massa. A sala estava disfarçada de "sala de chuveiros" e equipada com falsos bicos de chuveiros para enganar as vítimas e evitar que elas se recusassem a entrar na sala. Durante um período de 15 a 20 minutos, cerca de 150 pessoas de cada vez podiam ser sufocadas até à morte com o gás venenoso ácido prússico (Zyclon B).


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E eis as quatro verdadeiras câmaras de gás (câmaras de fumigação) do campo de concentração de Dachau, onde milhões de piolhos (portadores de tifo) entranhados nas roupas dos prisioneiros foram exterminados com Zyclon B.



Soldados americanos observam a roupa dos prisioneiros, já desparasitada com Zyclon B nas câmaras de fumigação, pendurada para arejar:

terça-feira, junho 06, 2017

A cara diabólica da Primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, um ser monstruoso ao serviço do Grande Dinheiro

A Primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May

Theresa May, a Primeira-Ministra do Reino Unido desde 2016, faz jus ao seu papel de uma dos testas-de-ferro ao serviço do Grande Dinheiro que controla o mundo.

Apercebendo-se do declínio em ritmo acelerado do poder de propaganda e de censura dos televisões e dos jornais, onde a "informação" difundida, de cima para baixo, é absolutamente controlada, o Grande Dinheiro tudo faz para controlar e eliminar a liberdade de circulação de informação e opinião nas Redes Sociais e nos Bloggers, onde todos falam com todos e expõem os crimes inomináveis que o Grande Dinheiro tem levado a cabo.

Com esse fim, o Grande Dinheiro simula «ataques terroristas» e outras manobras que tais por forma a controlar o «extremismo» na Internet. Leia-se: a livre troca de opiniões e informação entre os cidadãos.


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Eça de Queirós, em Cartas de Inglaterra (1877-1882), chamava a atenção para a importância do controlo da informação por parte do Grande Dinheiro na Alemanha.


Eça de Queirós: «...quase todos os grandes jornais, estão na posse do [Grande Dinheiro]. Assim, torna-se inatacável. De modo que não só expulsa o alemão das profissões liberais, o humilha com a sua opulência rutilante e o traz dependente pelo capital; mas, injúria suprema, pela voz dos seus jornais, ordena-lhe o que há-de fazer, o que há-de pensar, como se há-de governar e com que se há-de bater!»


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A confiança dos cidadãos americanos na sua imprensa caiu de 51% para 40%, de 2000 até 2015, segundo a Gallup - empresa de sondagem de opinião. E na faixa etária 18 – 49 anos [com mais acesso à Internet], essa confiança caiu para os 36%.


As receitas anuais da imprensa americana caíram dos 46,6 mil milhões de dólares em 2003, para os 16,4 mil milhões de dólares em 2014. Entretanto, na Internet, as redes sociais explodiram. Em 2003, havia no mundo 10 mil Bloggers. Em 2014 já havia 172 milhões de Bloggers.


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Novos acordos internacionais devem ser introduzidos para regulamentar a internet à luz do ataque terrorista da London Bridge, disse Theresa May.

A Primeira-ministra disse que a introdução de novas regras para o ciberespaço "privaria os extremistas de seus espaços seguros on-line" e que as empresas de tecnologia não estavam a fazer o suficiente.

"Não podemos permitir a esta ideologia que disponha do espaço seguro que precisa para se desenvolver, mas isso é precisamente o que estão a fazer a internet e as grandes empresas que fornecem serviços baseados na internet", disse May.

"Precisamos de trabalhar com os governos democráticos aliados para chegar a acordos internacionais para regular o ciberespaço para prevenir a propagação do planeamento extremista e terrorista".

A Primeira-ministra também disse que a Grã-Bretanha era muito tolerante com o extremismo e que os valores britânicos "pluralistas" deveriam ser estabelecidos como superiores.

O manifesto conservador compromete-se a regulamentar a internet, inclusive forçando os provedores de internet a participar de movimentos de contra-extremismo e dificultando o acesso à pornografia.

É considerado que no discurso da Sra. May foi a primeira vez que foi pedido publicamente a cooperação internacional para promover mais normas mais rígidas para o ciberespaço.

A intervenção vem após a introdução da Lei dos Poderes de Investigação de 2016 - denominada "Carta do Snooper" - que expande os poderes das agências de espionagem e do Governo na internet.

A Primeira-ministra afirmou que: "Embora tenhamos feito progressos significativos nos últimos anos, para ser franca, há uma tolerância demasiado grande para o extremismo no nosso país.

sexta-feira, junho 02, 2017

Je suis Mórmon! Mason Wells, de 19 anos, sobreviveu a três ataques terroristas - Paris, Boston e Bruxelas...


Ataques terroristas de Bruxelas: O missionário americano ferido, Mason Wells, "sobrevive ao terceiro ataque terrorista" depois [de ter sobrevivido aos ataques terroristas] de Paris e de Boston.

FOTO: Mason Wells (à esquerda) e Joseph Empey ficaram feridos nas explosões no Aeroporto de Bruxelas


Um adolescente americano que foi ferido nas explosões mortais de Bruxelas sobreviveu ao seu "terceiro ataque terrorista", diz o seu pai, tendo estado perto de Paris durante os ataques [que aconteceram nessa cidade] e apenas a um quarteirão das explosões bombistas de Boston.

Mason Wells foi um dos quatro missionários Mórmons feridos nas explosões no aeroporto internacional da capital belga que aconteceram pouco antes de uma explosão numa estação do metropolitano.

O jovem de 19 anos sofreu uma ruptura no tendão de Aquiles, lesões de estilhaços e queimaduras nos ataques que fizeram 34 mortos e mais de 200 feridos.

"
Este é o seu terceiro ataque terrorista", disse o pai Chad Wells à ABC News America, acrescentando que o seu filho ficou calmo durante a difícil experiência.

"Esta é a terceira vez que, infelizmente, na nossa sociedade, estamos ligados a uma explosão de bomba. Vivemos num mundo perigoso e nem todos são bondosos e afectuosos. Ele disse-nos que estava extremamente perto da explosão que o queimou. É uma bênção de Deus, ele estar vivo".




O Sr. Wells disse que ele e seu filho estavam a uma quarteirão da linha de chegada da Maratona de Boston, onde os ataques bombistas ocorreram em 2013, matando três pessoas e ferindo 264.

Estavam à espera da mãe de Mason Kymberly, que estava a correr no evento, mas que não ficou ferida.


O adolescente [Mason Kymberly], que estava a poucas horas de Paris durante os ataques coordenados em Novembro [em Paris] que mataram 130 pessoas, deverá recuperar completamente.

Os missionários Richard Norby, de 66 anos e Joseph Empey, de 20 anos, também foram hospitalizados após as explosões no aeroporto, que os atingiram enquanto acompanhavam um quarto missionário que viajava para Ohio numa missão.

Ela [a mãe de Mason Kymberly ] já passou pela segurança do aeroporto, disse a Igreja dos Santos dos Últimos Dias [Igreja Mórmon], mas também foi tratada por lesões menores após o ataque.

A família do Sr. Empey disse no Facebook que ele tinha sido tratado por queimaduras e submetido a cirurgia por causa dos ferimentos de estilhaços na perna.

"Os nossos corações estão a sofrer por todos aqueles que perderam a vida no ataque terrorista em Bruxelas", disse a família. "Gostaríamos todos de vos agradecer pelo vosso amor e orações".

Numa declaração em vídeo publicada on-line, Frederic J Babin, presidente da missão da igreja francesa de Paris, condenou os "trágicos acontecimentos" na Bélgica. "Quatro missionários ficaram feridos... estão a ficar bem, estão a ser tratados", disse ele. "Gostaríamos de agradecer a todos os que estiveram ao seu lado, ajudando-os a ficar melhor".


quarta-feira, maio 31, 2017

Numa audiência no senado americano, o vergonhoso testemunho de Aaron Mair, presidente da organização americana ambientalista Sierra Club, sobre o «Aquecimento Global Antropogénico»…

Numa vergonhosa audiência no senado norte-americano, Aaron Mair, o presidente do Sierra Club (a mais poderosa organização ambientalista americana e altamente subsidiada - com um orçamento anual na casa dos 100 milhões de dólares), replicou a todas as perguntas que lhe foram feitas papagueando por 17 vezes a mesma resposta:

Aaron Mair: "Eu subscrevo o consenso de 97% dos cientistas que concordam que existe um aquecimento global antropogénico [de origem humana]."


Algumas das questões que foram colocadas a Aaron Mair:

a) No seu testemunho escrito, o Sr. [Aaron Mair] afirmou que a ciência sobre as Mudanças Climáticas [o Aquecimento Global ser de origem humana] não ser objecto de discussão. Estou curioso para saber se no Sierra Club é prática frequente declarar que áreas da ciência não são objecto de discussão, de avaliação sobre aquilo que as provas e os dados mostram. Que a verdade sobre o assunto está decidida e encerrada.

b) O termo «PAUSA» não tem sido o que os alarmistas do aquecimento global antropogénico têm usado para explicar a Verdade Inconveniente de que os dados de satélite não demonstram nenhum aquecimento global nos últimos 18 anos? Porque os modelos dos computadores dizem que deveria haver um aquecimento dramático e, no entanto, os satélites que medem as temperaturas não mostram aquecimento nenhum?

c) As estatísticas que cita, nas quais 97% dos cientistas concordam em que existe um aquecimento global, são baseadas num estudo falsificado, e quando eu pergunto acerca da ciência e dos dados verdadeiros de satélite, e a sua resposta é: não prestem atenção aos vossos olhos mentirosos e aos números que os satélites mostram, em vez disso dêem atenção aos cientistas que estão a receber avultadas somas de dinheiro e que nos dizem para não debatermos o assunto?


Vídeo da audiência no Senado (9:47 minutos)


https://youtu.be/Sl9-tY1oZNw

segunda-feira, maio 29, 2017

Muitas dúvidas sobre o atentado de Manchester...

Uma testemunha, Jess Kelly, afirmou em directo na televisão que não houve nenhuma bomba em Manchester...

Jess Kelly: "Não havia dúvida nenhuma nas nossas cabeças de que não era uma bomba, portanto…"


(Vídeo 5:38 Min.)


https://youtu.be/pFg2UPxK1KI

quinta-feira, maio 25, 2017

Manchester - Atentados terroristas e exercícios antiterroristas... As semelhanças são tenebrosas...

Há praticamente um ano, a 10 de Maio de 2016, a polícia e os serviços secretos ingleses realizaram um exercício antiterrorista no Centro Comercial de Trafford em Manchester, não muito longe do Manchester Arena onde ocorreu o real atentado suicida da passada segunda-feira (22 de Maio de 2017).




Observe: Momento dramático em que o falso bombista suicida se fez explodir no exercício antiterrorista no Centro [Comercial] Trafford.

Voluntários no shopping gritaram e correram para se abrigarem durante o assustador exercício para ajudar a polícia a saber lidar com um ataque vida real.



Num dramático exercício de treino antiterrorismo um "bombista-suicida" detonou um dispositivo no Centro Trafford - matando e ferindo dezenas de "clientes".

Cerca de 800 voluntários ajudaram a fazer o ataque simulado tão real quanto possível para testar como os serviços de emergência reagiriam no caso de um ataque real.

O exercício começou à meia-noite na entrada da zona de restauração Oriente, quando um homem vestido de preto entrou e gritou para a multidão.

Momentos depois, uma explosão abalou a zona de restauração e os voluntários - usando protectores de ouvidos e óculos de segurança - caíram no chão.

Muitos mascararam-se para parecer como se tivessem lesões horríveis e outros gritaram como se estivessem com dores.

O fumo encheu a entrada para da zona de restauração e alguns dos voluntários fugiram dos restaurantes, como se estivessem a tentar fugir para um lugar seguro.



O M.E.N. [Manchester Evening News] foi uma das poucas organizações mediáticas a quem foi permitido estar no Centro Trafford para observar a operação de contra-terrorismo, apelidado de Exercício Winchester Accord.

Ouviu-se o som de tiros disparados da zona de restauração, enquanto os voluntários gritavam por ajuda.

Observe: Polícia armada responde ao "ataque"


Momentos depois um pistoleiro mascarado apareceu junto dos degraus da entrada do Oriente, disparando uma série de tiros.

Anteriormente, os voluntários tinham tido um briefing de segurança e foram tranquilizados de que não seriam usadas balas reais.

Depois de observar o "ataque" inicial, os meios de comunicação foram convidados a sair para testemunhar a chegada, cerca de cinco minutos depois, da polícia armada.






Dois polícias armados – trazendo o que pareciam ser espingardas - moveram-se cautelosamente para a entrada, com as armas apontando para a frente.

Um deles cobria o outro enquanto os dois entravam na zona de restauração, ignorando os "feridos" ao passar por eles.

Foi nessa altura que os meios de comunicação foram convidados a sair embora o exercício do Trafford Center ainda fosse continuar até às 6:00 horas.

O centro comercial estará aberto como de costume na terça-feira, embora o exercício antiterrorista vá continuar despercebido em locais não divulgados até à quarta-feira, quando terminará em Merseyside.

O teste, planeado há cinco meses, é o mais recente de uma série que ocorreu em todo o país tendo em conta as hipóteses de um verdadeiro ataque terrorista ser considerado "provável".





A Polícia da grande Manchester, a Unidade de Contra-Terrorismo do Noroeste e o Serviço de Ambulâncias do Noroeste estavam a ser testados como parte do exercício, sem que ninguém dissesse exactamente como o "ataque" se desenrolaria.

O Manchester Evening News soube que as SAS [forças especiais das forças armadas do Reino Unido] também estiveram envolvidas na operação.

Os moradores que viviam nas proximidades tinham sido avisados de que podiam ouvir explosões ruidosas e ver equipas de emergência a participar no teste.

Após os ataques mortais em Paris e Bruxelas, a ameaça terrorista continua "grave" de acordo com o MI5 [serviço britânico de informações de segurança interna e contra-espionagem].





Contudo, a polícia de combate ao terrorismo diz que não existe uma ameaça específica contra o Trafford Center, que este foi escolhido porque ali o exercício podia ter lugar longe do público e àquela hora da noite.

Operações semelhantes ocorreram em todo o país, incluindo uma envolvendo 1.000 polícias em Londres no ano passado.

Nenhum dos serviços de emergência que participam no exercício nem os voluntários foram informados de detalhes precisos do cenário que se desenrolará, embora saibam que envolverá algum tipo de ataque terrorista.


domingo, maio 21, 2017

Nobel de Economia Paul Krugman: "O capital está a concentrar-se em cada vez menos pessoas, dando aos mais ricos um poder cada vez maior sobre os políticos, os governos e a sociedade."

Entrevista com o economista norte-americano Paul Krugman, vencedor do Nobel de Economia de 2008, onde este fala do livro «O capital no século XXI» de Thomas Piketty:

O capital está a concentrar-se em cada vez menos pessoas, dando aos mais ricos um poder cada vez maior sobre os políticos, os governos e a sociedade.

Este capitalismo tem consequências potencialmente terríveis para a democracia, porque o nível de desigualdade nos Estados Unidos é provavelmente maior do que em qualquer outra sociedade, em qualquer altura do passado, em qualquer lugar do mundo…

Durante três décadas, entre 1977 e 2007, 60% do rendimento nacional dos EUA foi para 1% dos americanos mais ricos. A América está a tornar-se numa oligarquia.

A riqueza está tão concentrada que um grande segmento da sociedade não tem virtualmente consciência da sua existência.

O tamanho absoluto dessas grandes fortunas está tão longe da nossa experiência normal que se torna invisível. Nunca vamos conhecer essas pessoas. Nunca vamos ter nenhuma percepção daquilo que elas controlam e a maior parte das pessoas não têm ideia nenhuma sobre a distância que as separa desses grandes poderes.




https://youtu.be/QzQYA9Qjsi0

segunda-feira, maio 15, 2017

O atentado terrorista de 22 de julho de 2011 na Noruega, levado a cabo por Anders Breivik, foi tirado a papel químico de um exercício antiterrorista que a polícia norueguesa tinha realizado minutos antes…



À esquerda, os edifícios governamentais em Oslo afectados pela explosão do carro-bomba que matou 8 pessoas. Ao centro, o terrorista norueguês Anders Behring Breivik que perpetrou sozinho os dois atentados. À direita, a ilha de Utøya, onde Breivik matou a tiro 69 jovens.


A Versão Oficial do Atentado Terrorista

Os atentados de 22 de julho de 2011 na Noruega consistiram numa explosão na zona de edifícios governamentais da capital, Oslo, e num tiroteio ocorrido duas horas depois na ilha de Utøya (no lago Tyrifjorden, Buskerud). Os atentados, perpetrados por um activista de extrema-direita e fundamentalista cristão, o cidadão norueguês Anders Behring Breivik, resultaram na morte de 77 pessoas (69 jovens integrantes do partido trabalhista na ilha de em Utøya e 8 pessoas em Oslo).

Às 15h20m, houve uma grande explosão em Oslo junto dos prédios onde se situa o gabinete do primeiro-ministro da Noruega Jens Stoltenberg, danificando vários edifícios e provocando oito mortos e numerosos feridos. Na zona fica também a sede do Ministério do Petróleo e Energia, que foi o edifício mais danificado.

Segundo os meios de comunicação locais, o edifício do governo atingido ficou praticamente destruído e a zona "assemelhava-se a uma zona de guerra" pelos danos causados. De acordo com as declarações da polícia, o atentado foi perpetrado mediante um carro-bomba e pode ter consistido numa ou mais explosões [???] que atingiram os edifícios, deixando o edifício do gabinete do primeiro-ministro em chamas e os seus dezassete pisos com graves danos. Para uma melhor acção das equipas de emergência, a polícia vedou o acesso à área e evacuou a totalidade do resto dos edifícios governamentais.

Duas horas depois das explosões em Oslo, por volta das 17:20, na ilha de Utøya, ao norte da capital, o mesmo Anders Behring Breivik abriu fogo contra os participantes de um acampamento de jovens («universidade de verão»), organizado pela juventude do Arbeiderpartiet (Partido Trabalhista Norueguês). Entre 400 e 600 pessoas participavam do evento e 69 foram mortas neste atentado. O atirador, vestido com um uniforme de polícia, justificou a sua entrada no campo como uma «verificação de rotina após o atentado em Oslo» e começou a disparar contra os jovens. Estava prevista uma visita do primeiro-ministro Jens Stoltenberg ao acampamento.



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Mas o jornal Aftenpost reportou uma coincidência espantosa:

(Wikipedia) - O jornal Aftenpost é o jornal de maior circulação na Noruega. Está sediado em Oslo. Tem cerca de 1,2 milhões de leitores. O jornal possui uma edição online. Eis o que reportou o jornal Aftenpost na tarde dos atentados:


Exercício antiterrorista na ilha de Utøya
cenário de 22 de Julho [dia do atentado]


Pouco horas antes de Anders Behring Breivik ter feito explodir um carro-bomba em Oslo que matou oito pessoas, e ter-se depois dirigido à ilha de Utøya onde matou a tiro 69 jovens, a brigada de reacção rápida da polícia tinha concluído um exercício antiterrorista onde treinara uma situação praticamente idêntica à que aconteceu no verdadeiro atentado terrorista:


Desembarque de tropas da brigada de reacção rápida da polícia na ilha de Utøya. Pouco antes, esta brigada tinha realizado um exercício antiterrorista que simulava uma situação praticamente idêntica à que aconteceu no atentado terrorista real.

Apenas algumas horas antes de Anders Behring Breivik ter começado a disparar sobre os jovens em Utøya, a brigada de reacção rápida da polícia tinha concluído um exercício onde praticara uma situação quase idêntica à que aconteceu no verdadeiro atentado terrorista.

Nos quatro dias anteriores, e também na própria sexta-feira em que que o ataque terrorista foi realizado, a brigada de reacção rápida da polícia treinou a resposta a um acto terrorista que era praticamente igual à situação que, horas mais tarde, os 22 policias da brigada encontraram em Utøya.

O Aftenposten recebeu a confirmação de fontes oficiais da chefia da polícia de Oslo de que o exercício antiterrorista tinha terminado às 15 horas daquela mesma sexta-feira.

Todos os polícias da brigada de reacção rápida que actuaram nos edifícios governamentais após a explosão do carro-bomba e que, mais tarde, desembarcaram na ilha de Utøya e prenderam Anders Behring Breivik, tinham participado num exercício muito semelhante nesse mesmo dia.

Portanto, a polícia terminou o exercício imediatamente antes do atentado terrorista.

Massacre

Contudo, a polícia não tinha treinado um cenário com tantas vítimas como as que se encontravam em Utøya.

A equipa de polícias da brigada de reacção rápida está continuamente a treinar. A cada trimestre treina diferentes tipos de cenários.

Estes são cenários diferentes em que a polícia da brigada de reacção rápida antevê que possam vir a surgir problemas. Podem haver acções em ambientes fechados, em cidades ou noutros ambientes.

Segundo a polícia, este era um cenário [a hipótese de uma explosão junto aos edifícios governamentais em Oslo e um tiroteio indiscriminado na ilha de Utøya] que exercitaram várias vezes por ano e que tinham treinado em anos anteriores, especialmente depois de certos acontecimentos noutros países.

26 minutos


26 minutos após a conclusão do treino da polícia da brigada de reacção rápida, o carro bomba explodiu no bairro do governo [em Oslo]. A polícia da brigada de reacção rápida estava de prontidão.

Às 17h30, o pessoal do Distrito da Polícia de Oslo recebeu uma mensagem sobre o tiroteio em Utøya. Perceberam que se tratava de uma situação muito séria e correram para os carros que tinham no Bairro do Governo e para os carros que existiam na esquadra de Grønland, em Oslo.

No caminho para Utøya, entraram em contacto com o distrito da polícia de Buskerud Norte, mas às 18.02, seis minutos antes de chegarem, os dois corpos policiais concordaram encontrar-se em Storøya.

Havia sete pessoas da polícia da brigada de reacção rápida e três oficiais do distrito de polícia de Buskerud Norte num barco de borracha de 4,9 metros de comprimento. O barco ficou tão carregado que começou a meter água. Nessa altura, a polícia recebeu assistência de um barco civil e dirigiu-se para a ilha de Utøya.



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segunda-feira, maio 08, 2017

A razão pela qual os juros dos empréstimos bancários não devem ser pagos!

Como dizia o Prémio Nobel da Economia Maurice Allais - "o dinheiro que [os bancos] emprestam não existe previamente e, na verdade, é criado ex nihilo, ou seja, do nada."



Os Senhores do Mundo


I Parte


Por Juan Torres López [Professor catedrático do Departamento de Teoria Económica na Universidade de Sevilha.]


Qualquer pessoa que tenha precisado de devolver um empréstimo sabe o que significam os juros na hora de pagá-lo. Um empréstimo recebido, por exemplo, a 7% ao ano implica ter de devolver quase o dobro do capital recebido ao fim de dez anos.

Tanto é o peso dos juros acarretados pelos empréstimos que durante muito tempo considerou-se que cobrá-los acima de determinados níveis mais ou menos razoáveis era considerado não só um delito de usura como também uma acção imoral, ou inclusive um pecado grave que condenaria para sempre quem o cometesse.

Hoje em dia, contudo, quase todos os governos eliminaram essa figura criminosa e parece a toda gente natural que se cobrem juros legais de até 30% (isto é o que cobram neste momento os bancos espanhóis aos clientes que ultrapassam a sua linha de crédito) ou que haja países afundados na miséria não exactamente pelo que devem e sim pelo montante dos juros que hão de pagar.

Os países da União Europeia renunciaram a ter um banco central que os financiasse quando precisassem de dinheiro e portanto têm que recorrer à banca privada. Em consequência, ao invés de se financiarem a 0%, ou a um juro mínimo que simplesmente cobrisse os gastos da administração da política monetária, têm de fazê-lo e 4%, 5%, 6% ou inclusive a 15% em certas ocasiões. E isso faz com todos os anos os bancos privados recebam entre 300 mil milhões e 400 mil milhões de euros em forma de juros (será, ainda, preciso explicar quem esteve e porque por trás da decisão de que o Banco Central Europeu (BES) não financiasse os governos?).

Os economistas franceses Jacques Holbecq e Philippe Derudder demonstraram que a França teve de pagar 1,1 mil milhões de euros em juros desde 1980 (quando o banco central deixou de financiar o governo) até 2006 para fazer frente à dívida de 229 mil milhões existente nesse primeiro ano (Jacques Holbecq e Philippe Derudder, La dette publique, une affaire rentable: A qui profite le système?, Ed. Yves Michel, París, 2009). Ou seja, se a França tivesse sido financiada por um banco central sem pagar juros teria poupado 914 mil milhões de euros e a sua dívida pública seria hoje insignificante.


Em Espanha verificou-se uma coisa semelhante. Nós já pagámos, por conta dos juros (227 mil milhões no total desde então), três vezes a dívida que tínhamos em 2000 e apesar disso ainda continuamos a dever o dobro do que devíamos nesses anos (Yves Julien e Jérôme Duval, España: Quantas vezes teremos de pagar uma dívida que não é nossa? ). Eduardo Garzón calculou que se um banco central tivesse os défices da Espanha desde 1989 até 2011 a 1%, a dívida agora seria também insignificante, de 14% do PIB e não de quase 90% (Situação do cofres públicos se o estado espanhol não pagasse juros de dívida pública).

E o curioso é que estes juros que os bancos cobram às pessoas, às empresas ou aos governos e que travam continuamente a sua capacidade de criar riqueza não têm justificação nenhuma.

Poder-se-ia entender que alguém cobrasse um determinado juro quando concedesse um empréstimo a outro sujeito se, ao fazê-lo, renunciasse a algo. Se eu empresto a Pepe 300 euros e isso me impede, por exemplo, de passar um fim-de-semana de férias com a minha família poderia talvez justificar-se que eu lhe cobrasse um juro pela renúncia que faço das minhas férias. Mas não é isso o que acontece quando um banco empresta dinheiro.

O que a maioria das pessoas não sabe, porque os banqueiros encarregam-se de dissimular e de que não se fale disso, é que quando os bancos emprestam não estão a renunciar a nada porque, como dizia o Prémio Nobel da Economia Maurice Allais, o dinheiro que emprestam não existe previamente e, na verdade, é criado ex nihilo, ou seja, do nada.

O procedimento é muito simples e é explicado, por mim e Vicenç Navarro, no nosso livro «Los amos del mundo. Las armas del terrorismo financiero» (p. 57 e seguintes).

quinta-feira, maio 04, 2017

André Rogerie - o estonteante corrupio de um prisioneiro entre os diversos blocos hospitalares de Auschwitz


André Rogerie tinha 21 anos quando foi preso pela Gestapo, a 3 de Julho de 1943, quando tentava juntar-se às tropas francesas no Norte de África. André Rogerie esteve sucessivamente prisioneiro nos campos de concentração nazis de Buchenwald, Dora, Maidanek, Auschwitz, Gross-Rosen, Nordhausen e Harzungen.

Em 1945, escreveu uma obra intitulada "Vivre c’est Vaincre" [Viver é Vencer]. André Rogerie escreveu este livro porque, já desde 1943, estava convicto de que era necessário fazer saber ao mundo o que ele passou e viu nos campos de concentração.

No prefácio da reedição do seu livro, em 1988, escreveu: "Tendo assistido pessoalmente ao que se chama hoje «Holocausto», creio ser o meu dever, como testemunha ocular, imprimir novamente este documento histórico para que aqueles que procuram a verdade sobre este período encontrem um testemunho autêntico". Contra os negacionistas (os que negam o Holocausto Judeu), André Rogerie traz-nos o testemunho de um deportado que observou o genocídio dos Judeus.



Tendo subido ao posto de General, André Rogerie recebeu em 1994 o prémio "Mémoire de la Shoah [Memória do Holocausto Judeu] da Fundação Bushmann. A 16 de Janeiro de 2005, no Hôtel de Ville em Paris, por ocasião da comemoração da libertação do campo de extermínio de Auschwitz, André Rogerie foi, a par com Simone Veil (a primeira mulher a presidir ao Parlamento Europeu [1979-1982]), um de dois sobreviventes dos campos a testemunhar.

André Rogerie foi deportado para Dora, adoeceu, foi considerado inapto para o trabalho e, depois de algumas peripécias, chega a Auschwitz-Birkenau em Abril de 1944, nessa altura ele não pesa mais de quarenta quilos.

«Os prisioneiros com fatos às riscas estão lá para nos receber. É um comando especial. Em geral são muito simpáticos, ajudam-nos a descer e depois a subir para os camiões. Estamos muito cansados, chegámos extenuados e a ajuda que nos deram não foi inútil» (pág. 63).

André Rogerie, depois de passar pela desinfecção vai para um bloco de quarentena. Ao fim de cinco semanas, pesa 43 kg. Ao ver o seu estado de magreza, o médico envia-o para o campo-hospital (pág. 69): «fomos colocados num bloco muito simpático. O chão está coberto com um pavimento, há janelas, as camas estão espaçadas umas das outras, os cobertores são bons. A sopa é abundante e, pela primeira vez desde há uns tempos, eu comia o suficiente» (pág. 69).


André Rogerie


Ao verificar-se que tinha sarna, foi enviado para o bloco 15, «reservado às doenças de pele» (pág. 70). «Todos os dias, o suplemento de sopa é distribuído àqueles que estão mais magros […] vou portanto para a fila (sempre em camisa) para o meu suplemento». «Em poucos dias, voltei a ter cinquenta quilos. Graças às pomadas do doutor Landemann, a minha pele está completamente sarada» (pág. 71).




No dia em que devia finalmente sair do hospital para trabalhar, André Rogerie ficou com febre: «Os médicos auscultaram-me um após outro e desconfiaram que eu tinha malária. O doutor Herz recolheu uma amostra do meu sangue para que fosse estudada ao microscópio […] o laboratório respondeu na manhã seguinte a dizer que a malária não foi detectada. Eu tenho o sangue muito puro […]. Continuo portanto a viver no bloco 15 com a minha pequena febre semanal […]. Pouco a pouco, graças aos bons cuidados de Piccos (um enfermeiro), a agulha da balança sobe e em Julho eu já peso 56 quilos» (pág. 72).

«Eis que, ainda por cima, eu contraio uma doença do couro cabeludo que é tratada por depilação. É necessário rapar todo o cabelo, pêlo a pêlo. Para isso, sou levado para o campo das mulheres para ir ao aparelho de raios X, porque não falta nada em Birkenau».

Pouco depois, André Rogerie seria inscrito num comando de trabalho de Auschwitz.



Comentário

Poucos deportados terão tido tanta sorte como o prisioneiro André Rogerie. Não só passou incólume por sete campos de extermínio - Buchenwald, Dora, Maïdanek, Auschwitz, Gross-Rosen, Nordhausen e Harzungen, como, dentro do campo de extermínio de Auschwitz, correu quase todos os blocos hospitalares do campo.

André Rogerie, depois de passar pela desinfecção, foi para um bloco de quarentena. Cinco semanas depois, o médico envia-o para o campo-hospital. Ao verificar-se que tinha sarna, foi enviado para o bloco 15, reservado às doenças de pele. Ao contrair uma doença no couro cabeludo, tem de ir ao aparelho de raios X que fica situado no campo das mulheres.

Esta roda-viva pelos diversos blocos hospitalares de Auschwitz não é alheia à recuperação física de André Rogerie. Chegado a Auschwitz, em Abril de 1944, não pesando mais do que 40 kg, ao fim de cinco semanas já pesa 43 kg, atingindo pouco depois os 50 kg, e em Julho do mesmo ano os 56 kg. Pouco tempo depois, André Rogerie já estava suficientemente robusto para ser integrado num comando de trabalho.

Em face da existência de tantos blocos hospitalares no campo de extermínio de Auschwitz, é difícil discordar de André Rogerie: «não falta nada em Auschwitz-Birkenau».

sexta-feira, abril 28, 2017

Uma bolha infectada no pé, ou pior, as «desumanas experiências médicas» nazis, salvaram a vida a um jovem rabino em Auschwitz


Auschwitz - Rabino Israel Rosenfeld



Num post de 9/10/2007, com o título «Os sobreviventes do Holocausto», coloquei um trecho de uma entrevista ao rabino Israel Rosenfeld, publicada no jornal Intermountain Jewish News de 4 de Fevereiro de 2005. Essa entrevista foi removida da Internet.




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Eis parte da entrevista do rabino de 2005:

O rabino Israel Rosenfeld falou pela primeira vez da sua experiência em Auschwitz ao jornal Intermountain Jewish News, a 27 de Janeiro de 2005, exactamente 60 anos depois do dia em que foi libertado de Auschwitz:

«... o trabalho duro, combinado com tudo o resto, conjugaram-se para fazer de Rosenfeld um jovem muito doente. Uma bolha não tratada no pé cresceu e piorou até que se tornou numa infecção debilitante na parte de trás da perna. Por fim, já não podia estar de pé, e muito menos andar, diz ele, enquanto levanta a perna das calças para mostrar a cicatriz deixada pela infecção de há seis décadas atrás. Na altura, a meio do Inverno de 1944-45, foi colocado na enfermaria de Auschwitz, incapaz de trabalhar. Isto provavelmente salvou-lhe a jovem vida.»

[... the hard work, combined with everything else, combined to make young Israel very sick. An untreated blister on his foot steadily grew worse until it became a debilitating infection on the back of his leg. Eventually, he could no longer stand, let alone walk, he says, lifting his pant leg to show the still-vivid scar left behind by the raging infection of six decades ago. By then, it was the middle of the winter of 1944-45, and he was placed in the Auschwitz infirmary, unable to work. It probably saved the youth's life.]

Uma das enfermarias de Auschwitz


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Em 2007, o rabino tem uma versão radicalmente diferente:

Em Fevereiro de 2007, o rabino Israel Rosenfeld contou a um grupo de sete jovens uma versão substancialmente diferente sobre o que lhe acontecera em Auschwitz:

«O rabino Rosenfeld contou como sobreviveu miraculosamente ao campo de concentração, embora tenha depois passado três meses num hospital incapaz de estar de pé ou caminhar, porque as pernas tinham sofrido cortes fruto das experiências médicas a que os nazis o submeteram.»

[Rabbi Rosenfeld spoke about how he miraculously survived the concentration camp, although afterwards he spent three months in a hospital unable to stand or walk, his legs having been cut up by the Nazis performing medical experiments on him.]


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Vale a pena ler o artigo da entrevista de 2005 dada neste LINK ao Intermountain Jewish News

e o artigo da entrevista de 2007 dada neste LINK ao mesmíssimo Intermountain Jewish News.


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Seguem-se alguns dados neste LINK sobre a extensa rede de hospitais e enfermarias existentes em Auschwitz, em Auschwitz-Birkenau e nos subcampos de Auschwitz (dê-se o desconto à propaganda de atrocidades sempre que se fala neste assunto):


O elemento fundador da extensa rede de hospitais de campo de Auschwitz foi a enfermaria criada na segunda metade de junho de 1940, vários dias após a chegada do primeiro transporte de prisioneiros políticos polacos.

Os primeiros doentes eram prisioneiros que haviam sido muito agredidos ou que estavam a atingir o colapso por causa dos exercícios assassinos (chamados "desporto") que eram característicos do período de quarentena preliminar. À medida que mais transportes chegavam e o número de doentes aumentava, o hospital foi sendo amplificado. No seu formato final o hospital no campo principal de Auschwitz I, era composto pelo bloco 19, o Schonungsblock, para prisioneiros convalescentes; o bloco 20 para tratar as doenças infecto-contagiosas; o bloco 21 - o bloco cirúrgico; e o bloco 28, o bloco de medicina interna.

Com a expansão de Auschwitz entre 1942 e 1944, foram abertos novos hospitais no campo principal de Auschwitz (para os prisioneiros de guerra soviéticos e mulheres prisioneiras mantidos ali em vários momentos), em Birkenau [Auschwitz II] (nos campos para homens, mulheres, ciganos e judeus do gueto de Theresienstadt), e nos subcampos de Auschwitz.

Em várias alturas, os chefes dos "hospitais" dos campos [para além dos médicos prisioneiros] incluíram médicos das SS: Max Popiersch, Siegfried Schwela, Oskar Dienstbach, Kurt Uhlenbroock, e Eduard Wirths no campo principal de Auschwitz; Erwin von Helmersen, Heinz Thilo, e Rudolf Horstman no acampamento dos homens Birkenau; e Werner Rohde, Fritz Klein, e Hans Wilhelm König no campo das mulheres de Birkenau. Josef Mengele começou como o médico-chefe na Zigeunerlager ("acampamento cigano"), e acabou ao comando de todos os hospitais e enfermarias de Birkenau.


Fotografias de quatro dos blocos hospitalares referidos acima no campo Auschwitz I

Bloco 19, o Schonungsblock, para prisioneiros convalescentes


Bloco 20 para doenças infecto-contagiosas


 Bloco 21 - o bloco cirúrgico


Bloco 28, o bloco de medicina interna

quarta-feira, abril 26, 2017

Fernando Madrinha (sub-director e editorialista do semanário Expresso) : existe uma Máfia Financeira que controla totalmente Portugal...




O jornalista Fernando Madrinha iniciou o seu trajecto profissional em Maio de 1975 no Diário de Notícias. Colaborou ainda em vários jornais, teve uma participação regular no programa «Clube de Imprensa» na RTP2, e foi comentador-residente dos programas «Artur Albarran» (1992) e «Jornal Nacional» (1993), ambos na TVI.

Em Janeiro de 1989, integrou a redacção da revista Sábado e, em Junho do mesmo ano, ingressou no Expresso, semanário de que foi um dos sub-directores entre 1995 e 2004. De Julho de 1999 a Fevereiro de 2004, manteve uma coluna semanal de opinião no Diário Digital. Director do Courrier Internacional desde a sua fundação, em Abril de 2005, acumulou essas funções, até Dezembro de 2008, com as de redactor-editorialista do Expresso.




Fernando Madrinha - Jornal Expresso de 1/9/2007 - excertos do artigo:

[...] "Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. [...] num país em que os bancos são donos e senhores de quase tudo, esse dinheirinho acabará por voltar às suas mãos [...] os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais." [...]


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Fernando Madrinha - Jornal Expresso de 1/9/2007 - artigo completo:

"Para um breve retrato deste nosso país singular onde cada vez mais mulheres dão à luz em ambulâncias - e assim ajudam o ministro Correia de Campos a poupanças significativas nas maternidades que ainda não foram encerradas -, basta retomar três ou quatro notícias fortes das últimas semanas. Esta, por exemplo: centenas e centenas de famílias pedem conselho à Deco porque estão afogadas em dívidas à banca. São pessoas que ainda têm vontade e esperança de cumprir os seus compromissos. Mas há milhares que já não pagam o que devem e outras que já só vivem para a prestação da casa. Com o aumento sustentado dos juros, uma crise muito séria vem aí a galope."

Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. Daí que os manda-chuvas do Millenium BCP se permitam andar há meses numa guerra para ver quem manda mais, coisa que já custou ao banco a quantia obscena de 2,3 mil milhões de euros em capitalização bolsista. Ninguém se rala porque, num país em que os bancos são donos e senhores de quase tudo, esse dinheirinho acabará por voltar às suas mãos."




"Na aparência, nem o endividamento das famílias nem a obesidade da banca têm nada a ver com os ajustes de contas na noite do Porto. Porém, os negócios que essa noite propicia - do álcool que se vende à droga que se trafica mais ou menos às claras em bares e discotecas, segundo os jornais - dão milhões que também passam pelos bancos. E quanto mais precária a situação das tais famílias endividadas e a daquelas que só não têm dívidas porque não têm crédito, mais fácil será o recrutamento de matadores, de traficantes e operacionais para todo o tipo de negócios e acções das máfias que se vão instalando entre nós."

"Quer dizer, as notícias fortes das últimas semanas - as da tal «silly season», em que os jornalistas estão sempre a dizer que nada acontece - são notícias de mau augúrio. Remetem-nos para uma sociedade cada vez mais vulnerável e sob ameaça de desestruturação, indicam-nos que os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais. Quem pode voltar optimista das férias?"

quinta-feira, abril 20, 2017

Entrevista ao historiador israelita Shlomo Sand: Quando e como é que o povo judeu foi inventado

O historiador Shlomo Sand afirma que a existência das diásporas do Mediterrâneo e da Europa Central é o resultado de antigas conversões ao judaísmo. Para ele, o exílio do povo judeu é um mito, nascido de uma reconstrução a posteriori sem fundamento histórico.

Shlomo Sand nasceu em 1946 em Linz (Áustria) e viveu os dois primeiros anos da sua vida em campos de refugiados judeus na Alemanha. Em 1948 os seus pais emigram para Israel, onde cresceu. Cursou História, tendo começado na Universidade de Telavive e terminado na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris. Desde 1985 lecciona História Contemporânea na Universidade de Telavive. Publicou em francês «L'Illusion du politique. Georges Sorel et le débat intellectuel 1900 » (La Découverte, 1984), «Georges Sorel en son temps», com J. Julliard (Seuil, 1985), «Le XXe siècle à l'écran» (Seuil, 2004) e «Les mots et la terre. Les intellectuels en Israël» (Fayard, 2006).


Jornal Israelita Haaretz - 21/03/2008

Demolindo uma "Mitologia nacional"


Artigo de Ofri Ilani

Tradução por Atrida

Entre a profusão de heróis nacionais que o povo de Israel produziu ao longo de gerações, a sorte não sorriu a Dahia Al-Kahina que chefiou os Berberes de Aures, na África do Norte. Embora tendo sido uma judia indomável, poucos israelitas ouviram alguma vez o nome desta rainha guerreira que, no século VII da era cristã, unificou várias tribos berberes e chegou mesmo a repelir o exército muçulmano que invadiu o norte de África. A razão poderá estar no facto de Dahia Al-Kahina ter nascido numa tribo berbere convertida (ao judaísmo), ao que parece várias gerações antes do seu nascimento, por volta do século VI.

Segundo o historiador Shlomo Sand, autor do livro «Quando e como é que o povo judeu foi inventado» [Quand et comment le peuple juif a-t-il été inventé?] (aux éditions Resling - em hebraico), a tribo da rainha Dahia Al-Kahina assim como outras tribos do Norte de África convertidas ao judaísmo são a principal origem a partir da qual se desenvolveu o judaísmo sefardita. Esta afirmação, referente às origens dos judeus do Norte de África a partir de tribos locais que foram convertidas – e não a partir de exilados de Jerusalém – é apenas uma componente de uma ampla tese desenvolvida na nova obra de Sand, professor do departamento de História da Universidade de Telavive.

Neste livro, Sand tenta demonstrar que os judeus que vivem hoje em Israel e noutros locais do mundo, não são de forma nenhuma os descendentes do antigo povo que vivia no reino de Judeia na época do primeiro e segundo templo. Eles devem a sua origem, segundo ele, a povos diversos que se converteram ao longo da história em diversos locais da bacia do Mediterrâneo e regiões vizinhas. Não apenas os judeus da África do Norte descenderiam na sua maior parte de pagãos convertidos, mas também os judeus iemenitas (vestígios do reino Himiarita, no sul na península arábica, que se convertera ao judaísmo no século IV), e os judeus Asquenazes da Europa de Leste (refugiados do reino Khazar convertido ao judaísmo no século VIII).

Ao contrário de outros «novos historiadores» que procuraram abalar as convenções da historiografia sionista, Shlomo Sand não se contenta em regressar a 1948 ou aos princípios do sionismo, mas remonta a milhares de anos atrás. Shlomo tenta provar que o povo judeu nunca existiu como um «povo-raça» partilhando uma origem comum, mas que é uma multitude variada de grupos humanos que, em momentos diferentes da história, adoptaram a religião judaica. Segundo Shlomo, para alguns pensadores sionistas, esta concepção mítica dos judeus como um povo antigo conduz a um pensamento verdadeiramente racista: «Existiram na Europa períodos onde, se alguém tivesse declarado que todos os judeus pertenciam a um povo de origem não judia, essa pessoa seria julgada imediatamente como anti-semita. Hoje, se alguém ousa sugerir que aqueles que são considerados judeus no mundo (…) nunca constituíram e não constituem nem um povo nem uma nação, seria imediatamente denunciado como uma pessoa que odeia Israel.»

De acordo com Shlomo Sand, a descrição dos judeus como um povo de exilados, errante e mantendo-se à parte, que «vagueando sobre mares e terras, chegaram ao fim do mundo e que, finalmente, com a chegada do sionismo, fazem meia-volta para retornar em massa à sua terra órfã», esta descrição é necessária a uma «mitologia nacional». Tanto como outros movimentos nacionais na Europa, que revisitaram uma sumptuosa idade de ouro para em seguida, graças a ela, fabricar o seu passado heróico – por exemplo, a Grécia clássica ou as tribos teutónicas – a fim de provar que eles existiam há muito, «tal como, os primeiros brotos do nacionalismo judeu se viraram para essa luz intensa cuja fonte era o reino mitológico de David.»

Mas então, quando é que o povo judeu foi realmente inventado, segundo a tese de Sand? «Na Alemanha do século dezanove, num determinado momento, os intelectuais de origem judaica, influenciados pelo carácter 'volkiste' do nacionalismo alemão, atribuíram-se a missão de fabricar um povo "retrospectivamente", com o desejo de criar uma nação judaica moderna. A partir do historiador Heinrich Graetz, os intelectuais judeus começam a delinear a história do judaísmo como a história de um povo que tinha um carácter nacional, que se tornou um povo errante e que finalmente fez meia-volta para regressar à sua pátria.»



Entrevista a Shlomo Sand conduzida por Ofri Ilani:

Ofri: De facto, o essencial do seu livro não trata da invenção do povo judeu pelo nacionalismo moderno mas da questão de saber de onde vêm os judeus.

Shlomo: O meu projecto inicial consistia na análise de uma categoria específica de materiais historiográficos modernos e examinar como foi inventada a ficção do povo judeu. Mas assim que comecei a confrontar as fontes históricas deparei-me com contradições. E foi isso que me impeliu: embrenhei-me no trabalho sem saber a que conclusões chegaria. Analisei documentos originais de modo a examinar a atitude de autores antigos - aquilo que haviam escrito a propósito da conversão.

Shlomo Sand, historiador do século XX, tinha até agora estudado a história intelectual da França moderna (no seu livro “L'intellectuel, la vérité et le pouvoir“ [O intelectual, a verdade e o poder], Am Oved ed. , 2000 - em hebraico), e a relação entre o cinema e a história política («Le cinéma comme Histoire» ["O cinema como História] Am Oved, 2002 – em hebraico). De forma pouco comum para historiadores de profissão, ele debruça-se, no seu novo livro, sobre os períodos que ele nunca tinha estudado - geralmente apoiando-se em pesquisadores anteriores que têm avançado com posições não ortodoxas sobre as origens dos judeus.


Ofri: Especialistas da história do povo judeu afirmam que você se ocupa de temas que não compreende e que se baseia em autores que não consegue ler no texto original.

Shlomo: É um facto que sou um historiador da França e da Europa, e não da Antiguidade. Sabia que assim que me ocupasse de períodos antigos como esses, ficaria exposto a críticas assassinas vindas de historiadores especializados nesses campos de estudo. Mas disse a mim próprio que não me poderia apoiar apenas em material historiográfico moderno sem examinar os factos que esse material descreve. Se não o tivesse feito eu próprio, teria sido necessário esperar o tempo de uma geração. Se tivesse continuado a trabalhar sobre França, talvez tivesse obtido uma cátedra na universidade e uma glória provincial. Mas tinha decidido renunciar à glória.

«Após o povo ter sido exilado à força da sua própria terra, permaneceu-lhe fiel em todos os países da sua dispersão e não cessou de orar e esperar o seu regresso à terra para aí restaurar a sua liberdade política»: eis o que afirma o preâmbulo da Declaração de Independência [de Israel]. É também a citação que abre o terceiro capítulo do livro de Shlomo Sand "A Invenção da Diáspora". De acordo com Sand, o exílio do povo judeu da sua própria terra nunca teve lugar.


«O paradigma supremo do exílio era necessário para que se construísse uma memória de longo prazo na qual um povo-raça imaginário e exilado é colocado na continuação directa do "Povo do Livro" que o antecedeu», Sand explica. Sob a influência de outros historiadores que se debruçaram nos últimos tempos sobre esta questão, ele afirma que o exílio do povo judeu é, na origem, um mito cristão, que descreve o exílio como uma punição divina castigando os judeus pelo pecado de terem rejeitado o evangelho cristão.

Comecei a procurar livros sobre o exílio – um acontecimento fundador na História Judaica - quase como o genocídio; mas, para meu grande espanto, descobri que não existia literatura sobre o tema. O motivo é que ninguém exilou um povo desta terra. Os Romanos não deportaram povos e não o poderiam ter feito mesmo que o pretendessem. Não tinham nem comboios nem camiões para poder deportar populações inteiras. Uma logística dessas não existiu antes do século XX. Foi, de facto, a partir daí que surgiu o meu livro: da compreensão que a sociedade judaica não tinha sido dispersa nem exilada.


Ofri: Se o povo não foi exilado, está na realidade a afirmar que os verdadeiros descendentes dos habitantes do reino da Judeia são os Palestinianos.

Shlomo: Nenhuma população se mantém pura ao longo de um período de milhares de anos. Mas a possibilidade de que os Palestinianos sejam os descendentes do antigo povo da Judeia são bastante maiores que a possibilidade que você ou eu [ambos judeus] o sejamos. Os primeiros sionistas, até à insurreição árabe [1936-1939], sabiam que não existira nenhum exílio e que os Palestinianos eram os descendentes dos habitantes da região. Eles sabiam que os camponeses não partem de um local a não ser que sejam expulsos. Até Yitzhak Ben Zvi, o segundo presidente do Estado de Israel, escreveu em 1929 que "a grande maioria dos fellahs (camponeses árabes) não são originários dos invasores árabes mas, muito antes disso, dos fellahs judeus que constituíam a maioria da região".


Ofri: E como é que milhões de judeus apareceram à volta do Mediterrâneo?

Shlomo: O povo não se disseminou, foi a religião judaica que se propagou. O judaísmo era uma religião prosélita (que convertia outras pessoas à sua religião). Contrariamente ao que se pensa, no judaísmo antigo exista uma vontade muito forte de converter. Os Hasmoneanos foram os primeiros a começar a criar grande número de judeus por meio de conversões massivas, sob a influência do helenismo. São estas conversões, desde a revolta dos Hasmoneanos até à de Bar Kochba, que prepararam o terreno para a posterior difusão massiva do Cristianismo. Após o triunfo do Cristianismo, no século IV, o movimento de conversão ao judaísmo foi travado no mundo cristão e houve uma diminuição brutal do número de judeus. Pode-se supor que muitos judeus convertidos na zona mediterrânica se tenham tornado cristãos. Então, o judaísmo começa a difundir-se noutras regiões pagãs - por exemplo, no Iémen e no norte de África. Se isto não tivesse sucedido - se o judaísmo não se tivesse continuado a converter no mundo pagão – teria ficado uma religião completamente marginal, se é que não teria mesmo desaparecido.


Ofri: Como é que chegou à conclusão que os judeus do Norte de África são descendentes de Berberes convertidos?

Shlomo: Interroguei-me por que razão comunidades judaicas tão importantes podiam ter surgido em Espanha. Reparei então que Tariq Ibn-Ziyad, comandante supremo dos muçulmanos que invadiram a Espanha, era berbere e que a maioria dos seus soldados eram também berberes. O reino berbere judeu de Dahia Al-Kahina fora vencido apenas 15 anos antes. E a verdade é que há diversas fontes cristãs que declaram que muitos de entre os invasores de Espanha eram convertidos ao judaísmo. A origem da grande comunidade judaica de Espanha eram estes soldados berberes convertidos ao judaísmo.

Segundo Sand, o contributo demográfico mais decisivo para a população judaica no mundo deu-se na sequência da conversão do reino khazar - o vasto império estabelecido na Idade Média nas estepes circundantes do rio Volga e que, no auge do seu poder, dominava desde a actual Geórgia até Kiev. No século VIII os reis khazares adoptaram a religião judaica e fizeram do hebreu a língua escrita do reino. A partir do século X o reino estava já enfraquecido e no século XIII foi derrotado em toda a linha pelos invasores mongóis e o destino da sua população judaica perde-se então nas brumas.


Shlomo Sand revisita a hipótese, já avançada por historiadores dos séculos XIX e XX, segundo a qual os khazares convertidos ao judaísmo seriam a principal origem das comunidades judaicas da Europa de Leste: «No início do século XX há uma grande concentração de judeus na Europa de Leste; só na Polónia são três milhões», afirma. «A historiografia sionista pretende que a sua origem provém da comunidade judaica mais antiga da Alemanha, mas essa historiografia não explica por que motivo o reduzido número de judeus originários da Europa Ocidental - de Mainz e Worms - pôde fundar o povo yiddish da Europa de Leste; na verdade, os judeus da Europa de Leste são uma mistura de khazares e eslavos rechaçados para Ocidente


Ofri: Se os judeus da Europa de Leste não são originários da Alemanha porque é que falavam yiddish, que é uma língua germânica?

Shlomo: Os judeus, a leste, formavam um grupo que dependia da burguesia alemã e foi dessa forma que adoptaram palavras alemãs. Aqui, apoio-me nas investigações do linguista Paul Wechsler, da Universidade de Telavive, que demonstrou que não existe ligação etimológica entre a língua judaica alemã da Idade Média e o yiddish. O Rabi Yitzhak Bar Levinson, já em 1928, dizia que a antiga língua dos judeus não era o yiddish. Até Ben Tzion Dinour, pai da historiografia israelita, não tinha problemas em apontar os khazares como a origem dos judeus da Europa de Leste, descrevendo a Khazaria como a "mãe das comunidades de exílio" na Europa de Leste. No entanto, desde 1967 que qualquer pessoa que fale dos khazares como sendo os antepassados dos judeus da Europa de Leste é encarado como bizarro e delirante.


Ofri: Na sua opinião, porque é que a ideia de uma origem khazar é tão ameaçadora?

Shlomo: É evidente que o receio se prende com a contestação do direito histórico sobre esta terra [Israel]. Revelar que os judeus não vieram da Judeia parece reduzir a legitimidade da nossa presença aqui. Desde o início do período de descolonização, os colonos não podem vir simplesmente dizer: «viemos, vencemos e agora somos daqui» - como também afirmaram os americanos, os brancos da África do Sul e os australianos. Existe um receio profundo que seja posta em causa o nosso direito à existência.


Ofri: E esse receio não tem fundamento?

Shlomo: Não. Não creio que o mito histórico do exílio e da errância seja a origem da minha legitimidade em estar aqui [em Israel]. Para mim é indiferente saber que sou de origem khazar. Não receio este abalar da nossa existência pois penso que a natureza do Estado de Israel ameaça de forma bem mais grave a sua existência. O que pode fundar a nossa existência aqui não são direitos históricos mitológicos mas o facto de virmos a estabelecer aqui uma sociedade aberta, uma sociedade do conjunto de todos os cidadãos israelitas.


Ofri: No fundo, afirma que não existe um povo judeu.

Shlomo: Não reconheço um povo judeu internacional. Reconheço um "povo yiddich" que existia na Europa de Leste, que não é uma nação mas onde é possível ver uma civilização yiddish com uma cultura popular moderna. Penso que o nacionalismo judeu se desenvolveu a partir desta base yiddish. Reconheço igualmente a existência de uma nação israelita e não contesto o seu direito à soberania. Mas o sionismo, tal como o nacionalismo árabe ao longo dos anos, não estão preparados para o reconhecer.

Do ponto de vista do sionismo, este Estado não pertence aos seus cidadãos, mas sim ao povo judeu. Reconheço uma definição de Nação: um grupo humano que pretende viver de forma soberana. Mas a maioria dos judeus em todo o mundo não quer viver no Estado de Israel, apesar de nada os impedir a que o façam. Assim, não se pode ver neles uma nação.



Ofri: O que é que existe de perigoso no facto de os judeus imaginarem que pertencem a um só povo? Por que razão isso seria errado?

Shlomo: No discurso israelita sobre as suas raízes existe uma dose de perversão. É um discurso etnocêntrico, biológico, genético. Mas Israel não tem existência como estado judaico: se Israel não se desenvolve e se transforma numa sociedade aberta e multicultural, teremos um Kosovo na Galileia. A consciência de um direito sobre este local deve ser mais flexível e variada e se eu contribuí com este livro para que eu próprio e os meus filhos possamos viver aqui com os outros, neste Estado, numa situação mais igualitária, terei feito a minha parte.

Devemos começar a trabalhar duramente para transformar este local que é o nosso numa república israelita, onde nem a origem étnica nem a crença serão pertinentes à luz da lei. Quem conhece as jovens elites entre os árabes de Israel pode constatar que eles não concordam em viver num Estado que proclama que não é o seu. Se fosse palestiniano rebelar-me-ia contra um tal Estado, mas é também como israelita que me rebelo contra este Estado.



Ofri: A questão que se põe é saber se, para chegar a tais conclusões, seria necessário ir até ao reino dos Khazars e ao Reino Himiarita.

Shlomo: Não escondo que sinto um grande incómodo em viver numa sociedade em que os princípios nacionais que a dirigem são perigosos e que esse incómodo serviu de motor para a minha pesquisa. Sou cidadão deste país mas também sou historiador e, enquanto historiador, tenho obrigação de escrever a História e de examinar os textos. Foi isso que fiz.


Ofri: Se o mito do sionismo é o mito do povo judeu que retornou do exílio a esta terra, qual será o mito do Estado que imagina?

Shlomo: Um mito de futuro é, a meu ver, preferível a mitologias do passado e de se fechar em si próprio. Para os americanos, e também para os europeus de hoje, o que justifica a existência de uma Nação é a promessa de uma sociedade aberta, avançada e opulenta. Os condimentos israelitas existem mas há que lhes acrescentar, por exemplo, festas que reúnam todos os israelitas. Reduzir um pouco os dias comemorativos e acrescentar dias consagrados ao futuro. E também, por exemplo, acrescentar uma hora para comemorar a Nakba (literalmente, a "catástrofe" – o termo palestiniano para aquilo que aconteceu quando Israel foi fundado], entre o Dia do Senhor e o Dia da Independência.
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