Mostrar mensagens com a etiqueta Poul Thomsen. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poul Thomsen. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, abril 12, 2011

Se há dois mil anos atrás, na sua infinita misericórdia, Jesus açoitou e expulsou os cambistas (banqueiros) do Templo, que deveremos fazer hoje, nós, simples pecadores, em relação a essa escumalha?

.


Jesus, ao chegar ao átrio do Templo de Jerusalém, deparou-se com os mercadores que ali vendiam e compravam. Fez então um açoite de cordéis e expulsou-os a todos do Templo, com as ovelhas e os bois. Deitou por terra o dinheiro dos banqueiros e derrubou-lhes as mesas; e disse: "Tirai isto daqui; não façais da casa de Meu Pai um covil de ladrões". (Evangelho segundo São Mateus).


Publicado no Recanto das Letras - 11.03-2011

É sabido que Jerusalém, na época de Jesus, além de ser um grande ponto de confluência comercial, era, também, o centro religioso de uma vasta região, onde centenas de milhares de pessoas se dirigiam para realizar o seu acto de devoção a Iavé, em especial na época da Páscoa, pagando os seus dízimos e oferecendo sacrifícios, facto coordenado e controlado pelos sacerdotes, escribas e fariseus.

Todo o israelita, após atingir a idade adulta, tinha a obrigação de fazer ofertas a Iavé, pagando, em moeda hebraica, uma determinada quantia ao tesouro do templo. Na festa da Páscoa judaica, a adoração no templo deveria ser acompanhada de uma "oferta", em dinheiro, e/ou do sacrifício de um animal, o mais puro possível, de preferência, sem manchas.

Ocorre que, por ser aceita no templo apenas a moeda hebraica, os cambistas, que ficavam no pátio do templo, vendiam aos fiéis, por um preço exorbitante, tal moeda. Além disso, como os animais a serem oferecidos deveriam ser sem defeitos, era muito difícil e dispendioso que os mesmos fossem trazidos até ao templo, principalmente os de maior porte, restando, aos peregrinos, comprá-los, também, dos comerciantes locais, ou seja, era uma dupla extorsão – a venda da moeda hebraica e a venda de animais para serem sacrificados. Lamentavelmente, os sacerdotes recebiam um percentual dos lucros decorrentes de tais negociações.

Somente pelo extorsão, já seria compreensiva a ira de qualquer pessoa que almeja a justiça e a não exploração das pessoas, em especial dos mais necessitados. Quem de nós não se sente assim quando presencia ou toma conhecimento de episódios de
exploração da população carente, cuja prática, normalmente, é realizada exactamente por aqueles que deveriam, ou, pelo menos, poderia, protegê-los ou ajudá-los?

Dessa forma, pode-se aceitar e entender tamanha ira de Jesus ao presenciar tal facto, não apenas pelo comércio nas dependências do templo, mas, principalmente, pela exploração e extorsão do povo mais humilde, com a lamentável participação dos sacerdotes e dos aristocratas, em nome de práticas de adoração e veneração a Iavé. Em nome de Deus, ludibriavam e exploravam o povo. Em nome de que deus?



************************************


Não será nossa obrigação fuzilar a escumalha que criou
dívidas brutais ao país, em obras faraónicas e inúteis,
para o entregar de mão beijada aos vendilhões?




Há dois mil anos, Jesus, na Sua infinita bondade, não hesitou em açoitar os cambistas-banqueiros do Templo, ao presenciar, irado, a exploração e extorsão do povo mais humilde, com o conluio dos sacerdotes e dos aristocratas [os actuais políticos e grandes empresários].

Não teremos nós, hoje, a obrigação de colocar perante pelotões de fuzilamento, em sucessivas levas, a escumalha [figuras da área financeira, dirigentes políticos e do sector empresarial do Estado] que criou dívidas brutais ao país, com toda a sorte de obras faraónicas e inúteis sempre acompanhadas de gigantescas derrapagens orçamentais?

A seguir, uma lista de inutilidades deliberadamente executadas para servirem de pretexto à oferta da riqueza nacional, pertença das gerações actuais e futuras, à Grande Finança Internacional:

«Centro Cultural de Belém, Casa da Música no Porto, Estádios do Euro 2004, Expo98, Aeroporto de Beja, Metro Sul do Tejo, Pontes, Submarinos, 700 quilómetros de Auto-estradas excedentárias, Parcerias Público-Privadas (PPP), empresas públicas, consultorias, e já se abalançavam para novas auto-estradas, um mega-aeroporto e vários traçados de TGV...»



E por fim, o FMI


O dinamarquês Poul Thomsen (à esquerda na imagem), a trabalhar há cerca de 20 anos no FMI, vai ser o responsável da instituição na negociação do pacote de austeridade que Portugal terá de implementar em troca da ajuda externa. À direita, um experiente açoitador de vendilhões, hoje com armamento mais actualizado e de olhos postos no cabrão que veio a soldo da Grande Finança Internacional.
.