sexta-feira, junho 05, 2009

Henry Ford - A guerra dá lucro. Para os banqueiros internacionais, instigar guerras e enviar jovens para a morte é o melhor de todos os negócios

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[Tradução minha]

Chegando hoje aqui com Thomas A. Edison para uma inspecção de três dias às fábricas de nitratos e à barragem hidroeléctrica de Muscle Shoals, Henry Ford explicou pela primeira vez a razão do seu desejo da concessão e a exploração destas grandes instalações.


Palavras de Henry Ford:

Da actividade destas instalações muitas coisas grandiosas são possíveis, mais produção de energia eléctrica do que este país jamais conheceu, mais produção de motores, produção de alumínio e nitratos em quantidades que provocarão alterações inimagináveis em muitos sectores da indústria e na agricultura americanas. Mas pela parte que me diz respeito, tudo isto são coisas secundárias. A coisa mais importante que eu vejo em Muscle Shoals é uma oportunidade para acabar com a guerra no mundo.

The New York Times - Florence, Alabama, 3 de Dezembro de 1921 (PDF)



Foi perguntado ao Sr. Ford como é que isso era possível [acabar com a guerra no mundo].

Da seguinte maneira, é de facto muito simples quando se pensa nisso. A causa de todas as guerras é o ouro. Temos de demonstrar ao mundo através de Muscle Shoals, primeiro a praticabilidade e depois a vantagem de desalojar o ouro como base da moeda, substituindo-o pela perene riqueza natural do mundo.

Você não deseja a guerra, pois não? Se perguntar ao seu vizinho vai descobrir que ele também não quer guerra, e que o vizinho dele e a família dele pensam da mesma maneira. E se percorrer o mundo e bater a todas as portas verá que qualquer adulto, homem ou mulher, lhe vai dar a mesma resposta: 'não, não. Deus nos livre da guerra.' Então, se todas as famílias do mundo se opõem à guerra, porque é que nós temos guerras? Já alguma vez vos ocorreu colocar essa questão?

Bem, há uma razão. A guerra dá lucro. Não estou a dizer lucro moral, ou interesses religiosos ou rebelião espiritual através da violência, nem qualquer outro tipo de palermices.


Então, porque é que destruiria todo o ouro do mundo e proibia a sua mineração? - Perguntaram-lhe.

De forma nenhuma. Ainda não me perceberam. O ouro como metal está certo. Não é tão útil como muitos outros metais, mas existem artes e outras finalidades nas quais pode ser útil. Não destruam uma onça [de ouro], guardem-na para as artes e usos industriais. Mas não existe muito ouro no mundo. Através da sua escassez o ouro adquiriu um valor fictício muito para além do seu valor como um metal útil.

Quero ser claro nisto. Os povos do mundo cometeram um erro que lhes custou gerações de escravatura financeira quando consentiram em fazer do ouro a base para a emissão da moeda. Não conseguiram ver que, por o ouro ser escasso – só existe cerca de 10.000.000.000 de dólares em ouro em todo o mudo – a sua oferta total pode ser controlada, pode ficar sob o domínio de um interesse ou grupo de interesses, e portanto a moeda e o capital de todo o mundo podem ser controlados.

E isso precisamente que aconteceu. Existe um grupo de banqueiros internacionais, que hoje controlam a maior parte da oferta de ouro do mundo. Esse grupo tem os seus membros e os seus agentes em todos os países. Não interessa a que país, eles, como indivíduos, aleguem lealdade. Fazem todos o mesmo jogo, guardar o ouro que têm nas mãos e ir buscar o máximo possível.

Mas, tendo obtido o controlo do ouro do mundo, tal tornou-se uma maldição para eles. Ouro acumulado não dá lucro. Têm de o manter a girar, lucrando ou perdendo o seu controlo. Os tempos de paz com condições estáveis não o fazem girar com suficiente rapidez. A forma de colocar o ouro a dar mais lucro, de forma mais frequente, é criar uma grande procura [de ouro] sob a forma de empréstimos, mas sempre em moeda em lugar do ouro. E a maneira de provocar uma enorme procura de empréstimos, à taxa de juro que os comerciantes de dinheiro ditarem, é criar uma guerra.

Para eles, instigar, iniciar e enviar as pessoas para a guerra, nada mais é que um mercado activo para o dinheiro, uma questão de negócios. Se os diferentes países dos grupos de banqueiros internacionais estiveram em guerra, isso não faz diferença nenhuma. Não interessa quem perca a guerra, o importante é a quantidade de vultuosos empréstimos feitos. O sistema do ouro ganha sempre. Os jovens dos 18 aos 30 combatem na guerra e são mutilados ou mortos. Os banqueiros internacionais estão a salvo e prósperos.

War Is a Racket - A Guerra é uma Fraude


[«War Is a Racket» - A Guerra é uma Fraude é o título de um livro do reformado Major General dos marines americanos. Smedley Darlington Butler, uma das 19 pessoas a ser agraciado duas vezes com a Medalha de Honra, discute de forma aberta como os interesses empresariais beneficiaram comercialmente com a guerra. Em «War Is a Racket», Butler aponta vários exemplos, principalmente da Primeira Guerra Mundial, onde os industriais, cujas operações eram subsidiadas pelo erário público, eram capazes de gerar lucros substanciais do sofrimento humano massivo.]


Há dez anos afirmei que tencionava usar todas as minhas capacidades e energia para acabar com a guerra. Nunca disse nada tão seriamente, e é por isso que quero a concessão de Muscle Shoals. Vejo uma forma que, se puder ser colocada em prática, fará mais para acabar com a guerra do que mil anos de agitação.

A principal perversidade do ouro, na sua relação com a guerra, é o facto de que pode ser controlado. Quebrem esse controlo e acaba-se com a guerra. A única forma de quebrar o controlo dos banqueiros internacionais, a forma de acabar a sua exploração para sempre, é acabar com o ouro como base da moeda do mundo.

O que é que fizeram há cem anos atrás sem um padrão ouro? A ideia de utilizar ouro como base monetária não é mais nem menos do que uma concepção dos banqueiros. Eles sabiam que se conseguissem estabelecer, por lei, o ouro como base da moeda, então poderiam controlar o capital do mundo combinando os juros para controlar o ouro mundial.

É aqui que Muscle Schoals entra. Vejam que coisa espectacular temos aqui. Engenheiros do exército dizem que são necessários 40 milhões de dólares para terminar a grande barragem. Mas o Congresso está em fase de poupanças e não deseja arranjar esse dinheiro com impostos. A alternativa habitual é lançar Obrigações a trinta anos a 4 por cento [ao ano]. Os Estados Unidos, o maior Governo à face da terra, precisando de 40 milhões de dólares para terminar um grande benefício público é forçado a ir ter com os comerciantes de dinheiro para comprar o seu próprio dinheiro. Ao fim de trinta anos o Governo tem de pagar não apenas os 40 milhões de dólares, mas tem também de pagar 120 por cento de juros, literalmente tem de pagar 88 milhões de dólares pela utilização de 40 milhões de dólares durante trinta anos.

E durante todo esse tempo é o próprio dinheiro do Governo. Os comerciantes de dinheiro nunca o criaram. Obtiveram-no originalmente do Governo. O Governo primeiro deu crédito e agora tem de pagar por aquilo que deu. Pensem nisso. Poderia alguma coisa ser mais infantil, mais contrária à lógica do negócio!


Agora, vejo uma maneira pela qual o Governo pode completar esta grande obra sem pagar um tostão aos comerciantes de dinheiro. A ideia é tão sólida como uma rocha e não tem senão um problema. A ideia é tão simples e fácil que, talvez, as pessoas não sejam capazes de a apreender.

O Governo precisa de 40 milhões de dólares. São duas mil notas de vinte dólares. O Governo que proceda a uma emissão dessas notas e pague com elas todas as despesas ligadas à conclusão da barragem. Logo que a barragem esteja terminada veremos tudo a funcionar e, em menos tempo do que se pensa, todos os 40 milhões de dólares podem ser retirados dos rendimentos da barragem.


Mas imagine que o empreiteiro se recusa a aceitar esse tipo de moeda como pagamento? - Perguntaram-lhe.

Não há nenhuma forma de isso acontecer. O empreiteiro iria aceitar Obrigações do Governo para pagamento, não era? Certamente! Vejam, - disse Henry Ford tirando uma nota de vinte dólares do bolso – ele não hesitaria em aceitar este tipo de dinheiro, pois não? Claro que não. Bom, o que é que está por trás de uma Obrigação ou desta nota que as tornam aceitáveis? Simplesmente isto: a boa-fé e o crédito do povo americano. E notas de vinte dólares emitidas pelo Governo para concluir este grande melhoramento público teriam tanta boa-fé e crédito do povo americano por trás como qualquer Obrigação ou outra moeda qualquer americana já alguma vez emitida. Como vêem, é apenas uma questão de fé no povo americano.


Mas o seu plano desordenaria o sistema monetário do mundo e poderia trazer males incalculáveis – disseram-lhe.

Não necessariamente, de forma nenhuma. Não temos de abolir nada. Nem sequer temos de abolir o padrão ouro. Esqueçam simplesmente que existe um padrão ouro e, sempre que o Governo precisar de dinheiro para uma grande obra pública, em vez de pensarem em Obrigações com juros pesados, pensem em moeda redimível sem juros. Vocês têm consciência da quantia em juros que o nosso Governo paga? Vocês compreendem que 80 cêntimos de cada dólar arrecadado em impostos é gasto no pagamento de juros? A dívida nacional não é mais nem menos do que o montante da dívida em juros da nação. Qualquer obra pública neste país significa um aumento da dívida nacional. O montante de juros está a destruir todo o nosso sistema financeiro. Temos de parar algures.


Mas, num certo sentido, não haveria segurança por trás deste tipo de dinheiro – alguém sugeriu.

Haveria a melhor segurança do mundo. Têm aqui um rio capaz de fornecer um milhão de cavalos-vapor [aproximadamente 760 watt]. Está aqui há, digamos, 100 milhões de anos. Estará aqui enquanto houver chuva e montanhas a despejar a água da chuva para os rios. Esta energia é riqueza numa forma produtiva. Bem, o que é que é mais resistente, mais seguro, este lugar de energia e o seu desenvolvimento, ou os vários barris de ouro necessário para fazer 40 milhões de dólares. Este sítio, com todas as suas possibilidades energéticas, estará aqui muito depois do edifício das finanças ficar em ruínas. Mas vocês fizeram alguma estimativa?

Nós fizemos. Vamos tê-la pronta quando o Congresso quiser ouvir este plano. O dólar americano padrão vale aproximadamente uma vigésima parte de uma onça de ouro. Sob o novo sistema monetário, uma certa quantidade de energia exercida durante uma hora seria igual a um dólar. É simplesmente uma forma de pensar e calcular em termos diferentes do que aqueles que nos são fornecidos pelo grupo de banqueiros internacionais, nos quais crescemos tão habituados a pensar que julgamos que não existe outro padrão desejável. Temos de mudar as nossas mentalidades em relação a esta questão. A única diferença entre o plano da moeda e o plano das Obrigações é que no primeiro não existe juro a pagar e os comerciantes de dinheiro de Wall Street, que não fazem nada para construir a barragem e não merecem nada, não recebem um tostão.


Mas como é que tudo isto vai acabar com as guerras?

Simplesmente porque se for experimentado aqui em Muscle Shoals, este plano será um sucesso tão esmagador e extraordinário que o povo americano nunca mais consentirá na emissão de uma Obrigação a pagar juros para uma obra nacional. Quando o Governo precisar de dinheiro vai emitir moeda suportada pela riqueza natural perene. Os outros países ao observarem o nosso sucesso actuarão da mesma forma. A função do comerciante de dinheiro terá desaparecido.


Qual seria a atitude dos outros países ao aceitarem este dinheiro baseado em Muscle Schoals? Perguntaram-lhe.

Não haveria nenhuma dificuldade nisso. Alguma da nossa moeda, mesmo hoje, não é aceite por países estrangeiros no pagamento de dívidas; o ouro é a base internacional. Muscle Schoals é um assunto nacional e não internacional. Este dinheiro só seria usado no país.


Pensa que o Congresso responderá favoravelmente à sua sugestão?

Bem, sobre isso não sei. Talvez não, mas aposto que o americano médio se vai aperceber da rectidão, da solidez e do bom sendo disto. Mas, qualquer que seja o resultado desta sugestão, agirei no sentido de que nenhum especulador ganhe dinheiro de Muscle Schoals. Mesmo que tenha eu de ficar com toda a emissão de Obrigações, farei com que o juro vá no sentido de baixar o custo da obra. Compreendam que estou a sugerir uma forma melhor de financiar este projecto, mas se não acontecer assim, estaremos prontos para fazer o nosso melhor para poupar o povo da enorme carga de juros, suportando-o nós e devolvendo-o.

A minha ambição não é ser dono de Muscle Schoals, mas terminá-lo, desenvolvê-lo, colocá-lo em funcionamento, e prepará-lo para que nunca possa vir a ser explorado para fins privados, e que fique sempre ao serviço de todo o povo, que seja sua propriedade e operado em seu benefício.


5 comentários:

J. Lopes disse...

Não admira que a América queira atacar o Irão. Porquê parar agora quando ainda há tanto dinheiro a ganhar? Estas guerras pelos lucros são uma boa prenda para Wall Street.

Helena Simões disse...

É por isto que a guerra é uma indignidade e um sacrilégio desnecessário. É por isso que não podemos aceitar que os militares programem os nossos jovens para matar e morrer. É por isso que não podemos admitir arquitectos da guerra, seja de que partido forem. Não podemos tolerar que as crianças sejam manipuladas e convencidas de que a guerra é um jogo.

Ana Camarra disse...

Diogo

Ora aqui está a verdade nua e crua: a Guerra serve essencialmente para alguém lucrar e muito!
Quem é o maior produtor de armamento?

beijos

alf disse...

Bem, isto era no passado. A era do ouro já acabou. A base do dinheiro é o crédito, não é verdade?

A guerra é óptima para bons negócios, sem dúvida; mas não creio que isso seja o motivo.

O principal motivo é porque serve os interesses das pessoas comuns que tanto gritam contra a guerra. As pessoas comuns querem que os governos lhes garantam gasolina barata, electricidade abundante, etc, não é? Mas, para garantir isso é preciso ir para a guerra, construir centrais nucleares, etc.

Estou para ver o primeiro pacifista que erga um cartaz a dizer: prefiro pagar a gasolina a 10 euros o litro a que haja guerra no norte de África!

Há tempos tive uma conversa com uma amiga contra as centrais nucleares. Eu pedi para apagar a luz. Ela não deixou. Eu disse-lhe que tinha de escolher: ou não gastava luz, ou tinha de gramar as centrais nucleares. Ela continuou a querer a luz acesa e a protestar contra as centrais nucleares. Assim é fácil.

a guerra, directa ou indirectamente, é sempre o resultado de sobrepopulação - mais pessoas do que recursos. Sempre. Se querem ser contra a guerra, façam campanhas contra a sobrepopulação. Tudo o resto é hipocrisia ou ignorância.

Diogo disse...

Alf: «Bem, isto era no passado. A era do ouro já acabou. A base do dinheiro é o crédito, não é verdade?»

Diogo: É verdade. Simplesmente o crédito está exclusivamente não mãos de privados, tal como estava o ouro, donde o jogo mantém-se tal como estava. O Estado, para fazer uma obra, continua a ter de pedir empréstimos a privados pagando juros, quando podia emitir a sua própria moeda.


Alf: «A guerra é óptima para bons negócios, sem dúvida; mas não creio que isso seja o motivo. O principal motivo é porque serve os interesses das pessoas comuns que tanto gritam contra a guerra. As pessoas comuns querem que os governos lhes garantam gasolina barata, electricidade abundante, etc, não é? Mas, para garantir isso é preciso ir para a guerra, construir centrais nucleares, etc.»

Diogo: Ir para a guerra porquê? As coisas não se podem resolver pacificamente?


Alf: «Estou para ver o primeiro pacifista que erga um cartaz a dizer: prefiro pagar a gasolina a 10 euros o litro a que haja guerra no norte de África! Há tempos tive uma conversa com uma amiga contra as centrais nucleares. Eu pedi para apagar a luz. Ela não deixou. Eu disse-lhe que tinha de escolher: ou não gastava luz, ou tinha de gramar as centrais nucleares. Ela continuou a querer a luz acesa e a protestar contra as centrais nucleares. Assim é fácil.»

Diogo: Eu preferiria pagar a gasolina a 10 euros o litro a que houvesse guerra no norte de África. Simplesmente sei que o preço da gasolina nada tem a ver com a guerra. Tem a ver com os jogos do monopólio do petróleo. Desta forma, pagam os africanos e os árabes com a vida e os nós com dinheiro. O monopólio, de uma maneira ou de outra, lucra.


Alf: «A guerra, directa ou indirectamente, é sempre o resultado de sobrepopulação - mais pessoas do que recursos. Sempre. Se querem ser contra a guerra, façam campanhas contra a sobrepopulação. Tudo o resto é hipocrisia ou ignorância.»

Diogo: Pode-se caminhar para o controlo populacional, por educação, nos países mais pobres. Mas o problema não é a sobre-população.