segunda-feira, abril 18, 2016

Prémio Nobel da Medicina denuncia: "As farmacêuticas bloqueiam medicamentos que curam, porque não são rentáveis"




Entrevista no La Vanguardia - 18/06/2011

O Prémio Nobel da Medicina Richard J. Roberts denuncia a forma como funcionam as grandes Farmacêuticas dentro do sistema capitalista, preferindo os benefícios económicos à Saúde, e detendo o progresso científico na cura de doenças, porque a cura não é tão rentável quanto a cronicidade.

Há poucos dias, foi revelado que as grandes empresas Farmacêuticas dos EUA gastam centenas de milhões de dólares por ano em pagamentos a médicos que promovam os seus medicamentos. Para complementar, reproduzimos esta entrevista com o Prémio Nobel Richard J. Roberts, que diz que os medicamentos que curam não são rentáveis e, portanto, não são desenvolvidos por empresas Farmacêuticas que, em troca, desenvolvem medicamentos cronificadores que sejam consumidos de forma serializada. Isto, diz Roberts, faz também com que alguns medicamentos que poderiam curar uma doença não sejam investigados. E pergunta-se até que ponto é válido e ético que a indústria da Saúde se reja pelos mesmos valores e princípios que o mercado capitalista, que chega a assemelhar-se ao da máfia.


A investigação pode ser planeada?

Se eu fosse Ministro da Saúde ou o responsável pela Ciência e Tecnologia, iria procurar pessoas entusiastas com projectos interessantes; dar-lhes-ia dinheiro para que não tivessem de fazer outra coisa que não fosse investigar e deixá-los-ia trabalhar dez anos para que nos pudessem surpreender.


Parece uma boa política.

Acredita-se que, para ir muito longe, temos de apoiar a pesquisa básica, mas se quisermos resultados mais imediatos e lucrativos, devemos apostar na aplicada...


E não é assim?

Muitas vezes as descobertas mais rentáveis foram feitas a partir de perguntas muito básicas. Assim nasceu a gigantesca e bilionária indústria de biotecnologia dos EUA, para a qual eu trabalho.





Como nasceu?

A biotecnologia surgiu quando pessoas apaixonadas começaram a perguntar-se se poderiam clonar genes e começaram a estudá-los e a tentar purificá-los.


Uma aventura.

Sim, mas ninguém esperava ficar rico com essas questões. Foi difícil conseguir financiamento para investigar as respostas, até que Nixon lançou a guerra contra o cancro em 1971.


Foi cientificamente produtivo?

Permitiu, com uma enorme quantidade de fundos públicos, muita investigação, como a minha, que não trabalha directamente contra o cancro, mas que foi útil para compreender os mecanismos que permitem a vida.


O que descobriu?

Essa descoberta ajudou a entender como funciona o DNA e, no entanto, tem apenas uma relação indirecta com o cancro.


Que modelo de investigação lhe parece mais eficaz, o norte-americano ou o europeu?

É óbvio que o dos EUA, em que o capital privado é activo, é muito mais eficiente. Tomemos por exemplo o progresso espectacular da indústria informática, em que o dinheiro privado financia a investigação básica e aplicada. Mas quanto à indústria de Saúde… Eu tenho as minhas reservas.

A investigação sobre a Saúde humana não pode depender apenas da sua rentabilidade. O que é bom para os dividendos das empresas nem sempre é bom para as pessoas. A indústria farmacêutica quer servir os mercados de capitais...





Mas se eles são rentáveis investigarão melhor.

Porque as empresas Farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessadas em curar as pessoas como em sacar-lhes dinheiro e, por isso, a investigação, de repente, é desviada para a descoberta de medicamentos que não curam totalmente, mas que tornam crónica a doença e fazem sentir uma melhoria que desaparece quando se deixa de tomar a medicação.


É uma acusação grave.

Mas é habitual que as Farmacêuticas estejam interessadas em linhas de investigação não para curar, mas sim para tornar crónicas as doenças com medicamentos cronificadores muito mais rentáveis que os que curam de uma vez por todas. E não tem de fazer mais que seguir a análise financeira da indústria farmacêutica para comprovar o que eu digo.

É por isso que que a Saúde não pode ser um mercado nem pode ser vista apenas como um meio para ganhar dinheiro. E, por isso, acho que o modelo europeu misto de capitais públicos e privados dificulta esse tipo de abusos.


Um exemplo de tais abusos?

Deixou de se investigar antibióticos por serem demasiado eficazes e curarem completamente. Como não se têm desenvolvido novos antibióticos, os microorganismos infecciosos tornaram-se resistentes e hoje a tuberculose, que foi derrotada na minha infância, está a surgir novamente e, no ano passado, matou um milhão de pessoas.


Não fala sobre o Terceiro Mundo?

Esse é outro capítulo triste: quase não se investigam as doenças do Terceiro Mundo, porque os medicamentos que as combateriam não seriam rentáveis. Mas eu estou a falar sobre o nosso Primeiro Mundo: o medicamento que cura tudo não é rentável e, portanto, não é investigado.


Os políticos não intervêm?

Não tenho ilusões: no nosso sistema, os políticos são meros funcionários dos grandes capitais, que investem o que for preciso para que os seus boys sejam eleitos e, se não forem, compram os eleitos.

Ao capital só interessa multiplicar-se. Quase todos os políticos, e eu sei do que falo, dependem descaradamente dessas multinacionais Farmacêuticas que financiam as campanhas deles. O resto são palavras...


20 comentários:

Anónimo disse...

Boa noite.

A este propósito para mim há uma história muito mal contada que é o HIV.

Está provadíssimo que o vírus já existia dentro dos EUA na década de 60.

Contudo as mortes em massa começaram 15 a 20 anos depois. Se o vírus já existia nos anos 60 as mortes deveriam ter começado no início dos 70.

Uma pessoa que sabe umas coisas com nome Jordan Maxwell tem muitas suspeitas sobre a real origem do HIV.

Neste momento existem várias técnicas para curar no papel mas tem faltado dinheiro para fazer os ensaios clínicos.

Quando caiu aquele avião na Ucrânia ia lá dentro um dos maiores especialistas do mundo na doença com resultados que seriam apresentados numa conferência anual na Austrália.

Há quantidades enormes de dinheiro canalizadas para a investigação com poucos resultados palpáveis. As técnicas inovadoras por sua vez não têm financiamento.

Há aqui algo que não bate certo.

Diogo disse...

Caro Anónimo, absolutamente de acordo. Aquilo que diz está em absoluta consonância com o que afirma neste post o O Prémio Nobel da Medicina Richard J. Roberts.

Miguel disse...

O cartel químico-farmacêutico mundial é muito poderoso e simultâneamente muito CRIMINOSO.

Os laboratórios químico-farmacêuticos pertencentes a gigantescas empresas multinacionais manipulam "virus" e "bactérias" sem que nenhuma entidade governamental os controle.

MPires disse...

Há muitos anos que eu seu que é assim. Para o capital não há indústrias tabu. Quer seja do sexo, do tráfico humano, das armas ou da saúde, tudo lhes erve. Para o capital não há moral ou ética. Há ou não lucro.

Pedro Lopes disse...


Atenção que recentemente foi descoberta uma nova forma de cancro.

http://imgur.com/eUm8gv3

Tenham cuidado.

Diogo disse...

Pedro Lopes,

Um bocado narigudo, esse cancro...

N disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
N disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
N disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
N disse...

Numa democracia, a Nação está ao serviço(quando não refém...) do capital.
No Nacionalismo, o capital tem que estar ao serviço da Nação.

O problema é de fundo! Não vale a pena estar a tapar o sol com a peneira...
Numa democracia está tudo em roda-livre e não há autoridade legítima que ponha ordem neste estado de coisas.


"Para o capital não há indústrias tabu. Quer seja do sexo, do tráfico humano, das armas ou da saúde, tudo lhes erve. Para o capital não há moral ou ética. Há ou não lucro."

Porque a visão do mundo dos judeus é a visão de um mercador/banqueiro/proxeneta/traficante/parasita pois sempre foram as suas "profissões" durante milhares de anos. Dantes as castas sacerdotais, militares e filosóficas é que estavam no topo da pirâmide.
Os mercadores estavam na 4ª ou 5ª camada da pirâmide.
Com a democracia(cavalo de troia dos judeus), os mercadores estão no topo da pirâmide; e então moldaram a sociedade de acordo com os seus valores e interesses: Materialismo, corrupção, ganância, usura...

Numa sociedade onde o "ter" é mais importante que o "ser", obviamente isso leva a que as pessoas vendam a alma com a maior das facilidades em busca do reconhecimento social na pirâmide democrática.
Fora mui raríssimas excepções, a maioria dos ricos são-no porque se venderam, corromperam, traíram. Como estes são os modelos e referências do gado mais abaixo, instála-se assim a corruptocracia.
Queres subir na vida, tens que entrar no "jogo". O primeiro passo é venderes a alma e traíres os teus antepassados, os teus descendentes, e claro, traíres-te a ti próprio e os que afirmas amar(?) no presente.


O problema é de fundo!
Começa na revolução maçônica em França cuja armadilha da proclamada "igualdade humana" permitiu demagógicamente relativizar tudo e todos e se espalhou como um cancro por todo o globo; piora depois tudo com o fim da 2ªGuerra mundial e a vitória dos sionistas e o poder bancário; e a estocada final foi a traição de Abril.
Isto falando da nossa (ainda)Nação.

Quem não perceber as origens dos problemas de fundo, não os irá conseguir resolver.

Pedro Lopes disse...


N,

Isso que escreveste é heresia.
É uma ofensa para todas pessoas que sofrem de "verdadofobia".
Isso não se faz.

Diogo disse...

N, o termo «corruptocracia» está bem conseguido.

Sobre o proclamado "nacionalismo independente":

I.G. Farben was a German Limited Company that was a conglomerate of eight leading German chemical manufacturers, including Bayer, Hoechst and BASF, which at the time were the largest chemical firms in existence.

At a meeting of leading German industrialists with Hjalmar Schacht, Hermann Goering and Heinrich Himmler, held on the 20 February 1933, IGF contributed 400,000 reichsmarks to the Nazi Party, the largest single amount in the total sum of 3 million reichsmarks raised at this meeting by German industrialists for the Nazi Party’s election campaign.

Notwithstanding (não obstante) the presence on the IGF board of several Jewish members, and the fact that even after 1933 Nazi propaganda continued for a time to attack IGF as an example of an international Jewish firm that was exploiting its workers, the contacts between IGF’s management and the government became increasingly close, since the products of the great chemical conglomerate were an indispensable element in the Nazi’s drive to re-arm.

As fábricas da I.G. Farben foram a única coisa que os aliados não bombardearam na Alemanha durante a guerra.

Anónimo disse...

"Temos que ter cuidado, pois nem tudo o que está escrito na Internet é verdadeiro e/ou corresponde aos autores!"
-Viriato

Anónimo disse...


"Tão depressa de apanha um coxo com um democrata"
- Provérbio Antigo

Anónimo disse...


Democratices de perna curta.

Thor disse...

N, clap, clap, clap
gostei de ler

Pedro Lopes disse...


Fosga-se, estou muito mal disposto!
Acabei agora de ir á casa de banho.

Tive de ir vomitar depois de ler isto(e só li o inicio).

http://24.sapo.pt/article/sapo24-blogs-sapo-pt_2016_04_22_2011482780_conflitos-na-europa-evitados-gracas-a-politicas-de-austeridade--defende-historiador

É melhor não lerem, pelo menos após as refeições.

Diogo disse...

Nada me daria mais prazer que partir a espinal medula do historiador Morris e deixá-lo quadriplégico para o resto da vida. Minto, teria ainda mais prazer em partir a espinal medula aos gajos que lhe pagam para debitar estas «opiniões».

Lafaiete Spinola disse...

Por uma sociedade:

1. Que olhe para a educação de qualidade para todos como uma prioridade, proporcionando justiça social.

2. Onde a medicina não seja um balcão de mercadoria de luxo, acessível, apenas, aos privilegiados.

3. Onde o governo tenha o poder para inibir abusos.

4. Onde os interesses coletivos estejam acima do individualismo que se rotula de motor da prosperidade, só para camuflar o mais deslavado egoísmo.

5. Onde as nações mais fortes não intervenham nas menos desenvolvidas para impor seus mesquinhos interesses comerciais.

6. Onde a saúde seja acessível a todos, decentemente.

7. Onde o poder econômico não faça governos e sim o povo.

8. Onde a mídia não seja um instrumento dos mais fortes para manipular o povo.

9. Onde não existam cartéis que se locupletam, impunimente.

10. Onde os remédios sejam gratuitos, sem a necessidade da escandalosa luta pelo lucro cartelizado que chega até ao nível das farmácias.
Exemplo: Em fev/2016, nas três principais redes de farmácias de Salvador, uma caixa de Tensalive estava sendo vendido a R$ 32,00, no interior da Bahia, por R$ 14,50 e em Recife o preço estava entre R$ 8,50 a R$ 11,50.

Henrique Pinho disse...

Acido em (cu) de macaco é manteiga no nosso, quer dizer, quando há saúde até dá para brincar com as coisas sérias da saúde. Nem tudo que se lê dizem alguns é verdade, assim é, no entanto poucos se preocupam a ver se há erro.E quando a procura é superior à oferta que acontece não haverá aldrabice? mesmo assim alegremente os medicamentos de síntese vende-se como pão ou mais! Tudo feliz e contente, afinal os fulanos das farmacêuticas até são tipos porreiros pá.
Como se classifica aquele que sabe a verdade, lê a verdade, vê a verdade mas mesmo assim ainda acredita na mentira?, Arre burro o pessoal sabe muito de informática, politica futebol, justiça e não percebe um (corno) de saúde e de si mesmo. Depois é vê-los ir alegremente para o hospital, para aí serem retalhados, porque a maravilha das moléculas de síntese não resolveram a sua fraca saúde. mesmo assim é só bla bla... acordem.
Henrique Pinho