terça-feira, dezembro 15, 2009

O Blogue «Caminhos da Memória» parece exibir em certos posts alguns sintomas de Alzheimer: confusão, perda de memória e afastamento da realidade

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Contra a banalização

"A Segunda Guerra Mundial deve ser o acontecimento do século XX sobre o qual um maior número de títulos se encontra publicado. O septuagésimo aniversário da invasão alemã da Polónia veio ampliar ainda mais esta realidade, justificando a reedição deste livro de Martin Gilbert, publicado pela primeira vez em 1989. Vinte anos entretanto transcorridos não lhe diminuíram o interesse, ajudando até a colocá-la numa dimensão peculiar que na altura não poderia ter. Desde logo porque nos anos oitenta os ecos sobreviventes da crítica historiográfica da «história-batalha» faziam com que a dimensão bélica do passado fosse ainda desvalorizada como excessivamente dependente de uma metodologia escrava dos factos. Mas também porque, por essa época, os impulsos revisionistas e negacionistas que têm procurado atenuar a dimensão apocalíptica da devastação material da guerra e do Holocausto ainda não se mostravam tão patentes nem tinham o impacto público que ultimamente têm colhido."

[...]

"A ausência de processos claramente contextualizantes e interpretativos pode, naturalmente, ser questionada. Foi essa a escolha de Gilbert, um historiador profissional, politicamente conservador, que em regra prefere que os factos falem por si. Ela destaca a componente descritiva, parecendo evitar o facciosismo. Mas não o consegue justamente porque, como qualquer historiador, Gilbert introduz opções que traduzem parcialidade. Por um lado, a denúncia dos crimes do nazismo é uma constante, o que certas vezes o leva a omitir o reconhecimento dos excessos cometidos, ainda que noutra escala, pelas forças aliadas. Por outro, ao recusar relevância aos acontecimentos ocorridos dentro do próprio território alemão – se exceptuarmos a descrição detalhada da «Operação Valquíria» e as informações sobre os espaços concentracionários do Holocausto – e ao ignorar praticamente o contributo da Itália fascista para o desafio agressivo do Eixo, acaba por olhar de um ângulo ainda algo limitado uma história que se pretende completa. No entanto, nada que fira de morte o trabalho monumental levado a cabo e a grande valia documental de uma obra como esta. Imprescindível para impedir que a Segunda Guerra Mundial se transforme, com tanto lugar-comum a seu respeito que tem sido publicado por estes dias, num episódio irrelevante ou passível de ser facilmente manipulado."



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Sir Martin Gilbert


A forma como o historiador Martin Gilbert deturpa e inventa a História

O historiador britânico Martin Gilbert é um falsificador. Embora seja mais conhecido como biógrafo oficial de Winston Churchill, escreveu também vários trabalhos muito elogiados sobre o Holocausto. Gilbert, que é judeu, defende com firmeza a tese do chamado extermínio dos judeus, um extermínio alegadamente levado a cabo sobretudo recorrendo a câmaras de gás e furgões de gás homicidas. Para defender esta tese Gilbert falseia e inventa.

Na sua distorção do 'Documento Gerstein' em 1979 e em 1986, Gilbert demonstrou cabalmente a sua capacidade de adulterar. As várias confissões pós-guerra do oficial das SS, Kurt Gerstein, conhecidas no seu conjunto como o 'Documento Gerstein', são completamente desprovidas de valor de valor científico. [...] Mas tal como o historiador judeu francês Léon Poliakov, Martin Gilbert usou estas confissões para apoiar a sua tese.

Sobre as alegadas câmaras de gás em Belzec, Kurt Gerstein escreveu:

«Die Menschen stehen einander auf den Füssen, 700-800 Menschen auf 25 Quadratmetern in 45 Kubikmetern ... 750 Menschen in 45 Kubikmetern.»

«As pessoas ficavam de pé pisando os pés dos outros, 700-800 pessoas em 25 metros quadrados em 45 metros cúbicos ... 750 pessoas em 45 metros cúbicos.» (Fonte: página 5 do documento de Nuremberga PS-2170, como Gilbert indica).

É obviamente impossível caberem 700 a 800 pessoas numa superfície com 25 metros quadrados e dentro de um espaço volumétrico de 45 metros cúbicos. Seria o mesmo que tentar meter cerca de 30 pessoas num espaço com um metro quadrado de área e 1,8 metros de altura. O facto de Gerstein ter feito semelhante declaração aos Aliados, dos quais era prisioneiro, mostra bem qual era a sua condição mental. Kurt Gerstein usou sempre estes números, repetindo-os em várias ocasiões. Mas o «historiador» Martin Gilbert alterou completamente estes números para tentar tornar a história de Gerstein credível. Gilbert alterou-os de uma maneira em 1979 e de outra em 1986.


No seu livro de 1979, "Final Journey: The Fate of the Jews in Nazi Europe" [Viagem Final: O Destino dos Judeus na Europa Nazi] (New York: Mayflower Books, p. 91), eis como Gilbert cita Gerstein: "As pessoas nuas ficavam de pé pisando os pés dos outros. Cerca de 700 a 800 pessoas numa área com cerca de 100 metros quadrados".

Entre outras distorções, Gilbert quadruplicou a superfície da câmara de gás, e eliminou as duas alusões de Gerstein aos 45 metros cúbicos do volume da sala. Se Gilbert tivesse mantido a repetida afirmação de Gerstein de que a câmara de gás tinha 45 metros cúbicos de volume, então a câmara de gás teria uma área semelhante a 10 por 10 metros e uma altura inferior a meio metro, onde seriam metidas 700 a 800 pessoas de pé.

No entanto, em 1986, Martin Gilbert, modifica outra vez estes dados citando de novo Gerstein "700 a 800 pessoas em 93 metros quadrados" (Fonte: The Holocaust: The Jewish Tragedy [O Holocausto: A Tragédia], New York: Holt, Rinehart and Winston, p. 427). Na página 864, Martin Gilbert indica como a sua fonte: (Kurt Gerstein, statement of May 6, 1945, Tübingen: International Military Tribunal, Nuremberg, document PS-2170.)

Desta vez, o número de 25 metros quadrados é substituído pelo número 93 metros quadrados. Foi escolhido um número aparentemente mais preciso que o de 100 metros quadrados (da versão de 1979) para dar a sensação de exactidão e rigor. Mais uma vez, não existe qualquer referência aos 45 metros cúbicos do volume da sala.

Donde se pode concluir que Martin Gilbert falsificou deliberadamente o que Kurt Gerstein escreveu.


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Inventando o número de "gaseamentos"


No seu empenho em manter a história de que multidões de judeus foram gaseados em Belzec, Treblinka e noutros lugares, Martin Gilbert incorre numa manipulação enganadora dos números. No seu livro de 1981, "Auschwitz and the Allies" [Auschwitz e os Aliados] (New York: Holt, Rinehart and Winston, p. 26), Gilbert escreve:

"A tentativa deliberada de destruir sistematicamente todos os judeus da Europa não era conhecida na primavera e no princípio do verão de 1942: exactamente o período durante o qual o extermínio foi mais intenso, e durante o qual centenas de milhares de judeus estavam a ser gaseados diariamente em Belzec, Chelmno, Sobibor e Treblinka."

Atentemos nos números de Gilbert. Vamos supor que "centenas de milhares" significavam apenas 200 mil. Tal faria com que 200 mil judeus eram gaseados por dia, e portanto um milhão e quatrocentos mil por semana. Se durante a primavera e o princípio do verão de 1942 se passaram quatro meses – ou 17 semanas – o resultado seria um milhão e quatrocentos mil vezes 17, o que daria um total de 23 milhões e oitocentos mil judeus gaseados em quatro pequenos campos de concentração e durante um período de apenas quatro meses.

Mais poderia ser dito sobre Martin Gilbert, sobre a sua ignorância da História e a sua desonestidade.
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6 comentários:

Johnny Drake disse...

Diogo, vou ser "obrigado" a copiar este post... ;)

SERIA EXCELENTE PODER MANDAR ESTE TIPO DE INFORMAÇÃO PARA TODAS AS CASAS DE CERTOS CRENTES EXTERMINACIONISTAS!!!

Johnny Drake disse...

A CONTINUAÇÃO DO EXCELENTE TRABALHO, UM FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO NOVO!

JD

Martin Riesel disse...

O texto esta muito bom com sempre, mas o título esta ótimo.

Zorze disse...

Diogo,

Sempre importante estas "chamadas" de atenção, para a verdade dos factos.

Abraço,
Zorze

Diogo disse...

Drake – Obrigado e bom Natal e bom ano para ti também. Abraço.


Martin – Obrigado pelo elogio do título. espero que os bloggers dos Caminhos da Memória também gostem.


Zorze – É mais um vigarista com um livro em todos os escaparates. Quem o comprar que saiba ao que vai. Abraço.

Apache disse...

Mesmo em 100 metros quadrados não vejo como colocar 700 a 800 pessoas. Nos 45 metros cúbicos nem como sardinhas em lata conseguiam colocar sequer, metade.