quinta-feira, março 29, 2012

Simplificação da Ortografia - O confronto brutal entre Miguel Siguán e Maria Clara Assunção

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Miguel Siguán versus Maria Clara Assunção

Miguel Siguán y Soler (Barcelona, 2 de maio de 1918 - 8 de maio de 2010) foi um psicólogo, linguista e escritor catalão. Com 16 anos ingressa na Faculdade de Filosofia e Letras de Barcelona. Depois da Guerra Civil conhecerá Piaget em França e entrará em contacto com a Psicologia Industrial em Londres nos principios dos anos 1950. De regreso à sua cidade natal ocupa a cátedra de Psicología da Universidade de Barcelona, de que será nomeado posteriormente vice-reitor. Foi também vice-presidente do Centre Mundial d'Information sur l'Education Bilingüe e da International Society of Applied Psycholinguistics.

Obras de Miguel Siguán: Metodologia per a l'estudi del llenguatge infantil (1985), Estudios sobre psicolingüística (1985), Bilingualism and Education (1986), España plurilingüe (1992), L'Europa de les llengües (1996), Bilingüisme i educació (1998), La escuela y los inmigrantes (1998), Bilingüismo y lenguas en contacto (2001), etc.

VERSUS

Maria Clara Assunção - do blogue «A bibliotecária de Jacinto»


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A seguir, um excelente excerto do livro «A EUROPA DAS LÍNGUAS», de Miguel Siguan, que nos mostra as incongruências ortográficas das principais línguas europeias:

A par das diferenças nos sinais do alfabeto, o segundo tipo de diferenças que encontramos nos sistemas de escrita das línguas europeias são as diferenças nas regras de transcrição fonética, ou seja, o que em geral conhecemos como as regras de ortografia. Dadas as diferenças que há entre os repertórios de sons utilizados por cada língua é evidente que as regras de transcrição não podem ser as mesmas em todas as línguas da Europa. Mas a verdade é que as diferenças nas regras ortográficas vão muito mais além do que seria necessário pelas diferenças entre os sons das diferentes línguas. Menos justificação há ainda para as regras, no interior da mesma língua, não serem nem sistemáticas nem coerentes.

Um primeiro tipo de incoerência é que numa mesma língua um mesmo som ou fonema se represente com grafias diferentes segundo os casos. Assim, em alemão o fonema [f] pode ser representado por um «f» (form), por um «v» (vorn) ou por um «ph» (phosfor), sem que haja alguma regra que regule estes diferentes usos. Em francês, o fonema [є], «[e aberto») pode representar-se de catorze maneiras diferentes sem que tão-pouco haja alguma regra que justifique por que é que num casos se utiliza uma em vez de outra. Eis aqui alguns exemplos: «e» (fer), «è» (mère), «ê» (fête), «ë» (Noël), «ei» (peine), «ep» (sept), «e» (internet)... Ainda, em francês, o fonema [k] pode ser representado de nove maneiras diferentes: «k» (klaxon), «c» (corps), «q» (coq), «qu»(quand), «cc» (accord)...

Os exemplos em inglês não são menos frequentes. Assim, o fonema [i] pode ser representado de dez maneiras diferentes: «ea» (sea), «ee» (bee), «ie» (field), «ei» (ceiling), «eo» (people)...

A incongruência é ainda maior quando com uma mesma letra ou combinação de letras se representam sons diferentes. Assim, em inglês a letra «a» representa segundo. os casos, seis fonemas diferentes: (account), (arm), [ei] (lake), [a] (ask), [o] (fall), [e] (many), [i] (language), e pode ser muda como o segundo «a» de (arrival). O grafema ou combinação de letras «ai» pode representar quatro sons diferentes segundo os casos, por exemplo: (wait), (aisle), (said), (plaid). E o grafema «au», outros quatro: (claw), (laugh), (gauge), (mauve).

A primeira consequência destas incongruências é que frequentemente quando ouvimos uma palavra não temos a certeza de como se escreve correctamente e, por outro lado, quando vemos uma palavra escrita nem sempre sabemos como se pronuncia. Esta ambivalência pode chegar ao ponto de duas palavras que se escrevem exactamente da mesma forma se pronunciarem de maneira diferente segundo o significado e, pelo contrário, palavras que se pronunciam da mesma forma terem grafias diferentes também segundo aquilo que significam. Exemplos do primeiro caso de homografia com heterofonia, em inglês, são: (read), que se pode pronunciar [rid] ou [red], e (bow), que se pode pronunciar [bou] ou [bau]. E em francês a palavra (portions), onde a letra «t» se lê [t] ou [s] segundo o significado que se dá à palavra. Quanto ao segundo caso, homofonia com poligrafia, limitar-me-ei a um exemplo simples: a ortografia francesa distingue cuidadosamente em muitos casos de adjectivos entre masculino e feminino: (vrai-vraie), (égal-égale), (aigu-aigue), (cher-chère)... quando na linguagem oral não se dá pela diferença.

Não é necessário insistir tanto no ponto a que estas incoerências do sistema ortográfico dificultam a aquisição da língua escrita (quanto tempo e quanta energia se têm de dedicar a uma tarefa que começa na primeira infância e nunca se pode considerar terminada). Como no ponto a que a distinção social, muitas vezes gratuita e injusta, se estabelece entre aqueles que escrevem sem erros de ortografia e os que os cometem. Acrescentemos as dificuldades que uma ortografia irracional acrescenta à tarefa de aprender línguas estrangeiras, algo que hoje pretendemos estender a toda a população. Todas estas considerações são tão evidentes, que é natural que em todas as línguas se tenham feito e se continuem a fazer propostas para racionalizar a ortografia. Que esperanças há de que estas reformas se levem a cabo?

A ortografia francesa foi fixada no séc. XVIII pela Academia da Língua com critérios arqueológicos e arcaizantes que já no seu tempo se aproximavam do pedantismo - «esta companhia declara que deseja seguir a ortografia antiga que distingue os "homens de letras" dos ignorantes e das mulheres simples...» - e que desde então se tem mantido inalterada apesar das frequentes denúncias. «Esta ortografia criminosa, uma das fabricações mais grotescas do mundo» (Paul Valéry, Varieté III, 1936).

Têm sido frequentes também as propostas de reforma, mas ao contrário da Academia Espanhola, que por duas vezes ao longo da sua história modificou as normas ortográficas em nome de uma maior racionalidade, a Academia Francesa não aceitou nunca nenhuma. Nos últimos anos, as vozes a favor de uma reforma têm-se feito ouvir mais. O conhecido linguista Martinet, consciente das dificuldades que apresenta a ortografia para a aquisição da língua escrita, propôs há algum tempo (1977) um sistema estritamente fonético, o «alfonic», que se utilizaria para ensinar a ler e a escrever antes de, numa etapa posterior, se dar o salto para a ortografia «oficial», embora seja evidente que assim só se complica o problema. Numa perspectiva mais radical, Chervel e Blanche Benveniste (1978) propuseram substituir a ortografia francesa por um sistema de transcrição exclusivamente fonético. Mais recentemente ainda, a Academia da Língua, em resposta às fortes pressões recebidas, negou-se a tomar em consideração qualquer das propostas, mesmo as mais suaves.

A par do francês, o inglês é outro caso. O sistema ortográfico inglês é provavelmente o mais incoerente de todos os sistemas ortográficos que utilizam o alfabeto latino, isso porque manteve intacta a grafia correspondente ao inglês falado no séc. XVI ou mesmo, segundo certos autores, ao inglês medieval, apesar das mudanças fonéticas ocorridas desde então. No caso do inglês, o conservadorismo da ortografia contrasta com a notável flexibilidade da língua em todos os aspectos, do vocabulário à sintaxe, e deve ser atribuído, como em França, ao respeito reverencial de que sempre desfrutou a língua escrita transmitida academicamente e privilégio de uma minoria, no fundo a mesma motivação que faz com que se mantenha na China a escrita tradicional.

Não é que tenham faltado críticas ou propostas para a modificar. No século passado, Pitman, o inventor da estenografia, dedicou muito do dinheiro que tinha ganho com a sua invenção a promover uma ortografia simplificada do inglês. E, já no séc. XX, é conhecida a cruzada que Bernard Shaw levou a cabo na mesma direcção e à qual deixou em testamento a maior parte da sua fortuna. A «Simplified Spelling Society», dedicada ao mesmo objectivo, contou entre os seus membros com ilustres linguistas e um neto de Pitman divulgou um método fonético para as escolas semelhante ao que Martinet propôs em França. Tudo em vão. Paradoxalmente, o facto de a ortografia inglesa não depender de uma autoridade com poder decisório como aquele que a Academia Francesa constitui, apoiando-se só no peso da tradição, faz com que a reforma seja ainda mais difícil.

Referi-me ao francês e ao inglês porque são os exemplos mais patentes de incoerência ortográfica. Vendryes (1921), um conhecido linguista, dizia: «A ortografia do alemão é regular, a do espanhol bastante boa, mas a do francês e do inglês são abomináveis». Na verdade, também a ortografia do alemão e do espanhol apresentam incongruências, apesar de tudo. Quase todas as línguas escritas as apresentam. Para encontrar exemplos de escritas completamente racionais. sem contar com o esperanto, temos de pensar nalgumas línguas siberianas que nunca tinham tido um uso escrito quando linguistas soviéticos as codificaram nos anos trinta. Porque mesmo línguas que nunca tinham tido um uso académico ou oficial e que, no século passado ou mesmo mais recentemente, foram codificadas, quando lhes foi atribuída uma norma escrita não foram seguidos totalmente os critérios da racionalidade. Às vezes, o exemplo da língua mais forte fez com que se adoptassem as suas soluções na transcrição fonética. É o que acontece hoje quando se propõem normas escritas para línguas autóctones da América em países onde o espanhol é, desde há séculos, a língua dominante. Embora noutros casos aconteça o contrário.

Do que foi dito até aqui se conclui que se as reformas ortográficas das línguas europeias são necessárias e urgentes, a probabilidade de que se introduzam a curto prazo são pequenas. Acerca do sentido destas reformas falta ainda fazer uma observação, aquela que mais tem a ver com o espírito deste livro.

Até meados do séc. xx, as propostas de reforma ortográfica fizeram-se no seio de uma determinada língua e pensando só nos seus habitantes nativos e nos alunos que tinham de a aprender. Actualmente, dada a necessidade crescente de aprender línguas estrangeiras e o peso crescente dos sistemas informáticos, não só convém que o sistema ortográfico de cada língua seja o mais simples e racional possível, como também que os sistemas das diferentes línguas sejam coerentes e não contraditórios entre si. Ou seja, convém que uma mesma letra ou uma mesma combinação de letras não signifique sons totalmente diferentes segundo a língua considerada, e ao contrário, que um som igual ou parecido não seja representado de formas completamente diferentes em diferentes línguas. Todavia, é um facto que este objectivo não é fácil de alcançar.
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33 comentários:

MCA disse...

Caro Diogo, começo por lhe manifestar o meu embaraço por me colocar em confronto com um intelectual da craveira de Siguán y Soler, eu que nasci ontem e não tenho currículo. Só por isso, não cairei no ridículo de argumentar com tão ilustre personagem que, aliás, não me poderá responder, por razões óbvias.
No entanto, também posso trazer à colação alguns nomes igualmente ilustres que têm discordado publicamente do AO90, cuja autoridade intelectual não pode ser posta em causa, como Vasco Graça Moura, Inês Duarte, João Andrade Peres, António Emiliano, Isabel Pires de Lima, Helena Buescu, Pedro Tamen, Maria Velho da Costa, Maria Teresa Horta e centenas de outros intelectuais de diversas áreas da cultura. E por aqui me fico.
Quando quiser usar os seus próprios argumentos, estou ao seu dispôr.

Alfredo Braga disse...

Prezada Maria Clara Assunção, Diogo e demais comentaristas,
Absolutamente bem colocado o convite para uma discussão sobre a língua portuguesa.
Como você, prezada Maria Clara, não tenho currículo, e posso muito bem discorrer sobre um tema que me diz respeito desde que percebi as primeiras palavras e as primeiras letras, e me deparei com a frase de Pessoa: "A língua é a minha pátria". E já que pátria também é construída pela língua, vamos tentar preservá-la, e às suas idiossincrasias, nem sempre lógicas, ou belas, mas que nos pertencem, e a Camões, e que também nos definem como portugueses, brasileiros, falantes cultos, ou incultos, da nossa língua portuguesa, da nossa língua mãe.
Há alguns anos ouvi, de um amigo brasileiro, o relato de um pequeno episódio, em sua passagem por uma cidade portuguesa, quando em um mercado de peixes perguntou a uma vendedora por quê o seu menino estava a chorar: "Oh, espera que se lhe dê alguma coisa!" foi a explicação que ouviu daquela mulher do povo, presumivelmente pouco culta. Sim, pouco culta, mulher do povo, mas também dona e falante de sua língua pátria, de sua língua materna. Como certos professores de português, esse meu amigo imagina que aja duas línguas: a língua culta... e a língua coloquial. Mal sabem, esse meu amigo, e esses professores, que em português há apenas a língua daquela vendedora, e o que eles chamam de "língua coloquial", é essa mixórdia que se ouve em novelas e em salas de aula, desde a instrução primária à universidade.
Me parece que por trás dessas insistentes propostas de "simplificação" das línguas e das escritas, se alojam outros interesses não muito claros, para dizer o mínimo, e que poderiam ser discutidos em outros tópicos sobre a corrosão das estruturas socioculturais dos diversos povos e nações.
Cordialmente,
Alfredo Braga

Anónimo disse...

»...aja...» ?

Alfredo Braga disse...

Já compreendes, Anóônimo?

Diogo disse...

Cara MCA, também eu não tenho currículo, embora infelizmente não tenha nascido ontem.

Mencionei Siguán y Soler e indiquei vários exemplos do ilustre linguista com os quais concordo em absoluto.

A minha amiga desfiou uma lista de outros ilustres intelectuais, mas não me deu nenhum argumento que colocasse em causa o que disse Siguán.

Se desejar um debate sério, porque não discutimos os argumentos de Siguán? Não lhe parece que seria um excelente ponto de partida para chegarmos a conclusões válidas?

Siguán: «Não há justificação para as regras, no interior da mesma língua, não serem nem sistemáticas nem coerentes.»

Que lhe parece?

Alfredo Braga disse...

Apesar da minha participação não ter merecido de algum dos interlocutores a que me dirigi, nem sequer um rápido "alô", a não ser a distraída ironia do minucioso "Anónimo" à procura de pequenas distrações, volto aqui, pois o assunto, tanto quanto as sorrateiras movimentações de banqueiros e de políticos venais, é absolutamente importante; e este espaço ainda me parece suficientemente democrático e razoavelmente cordial.
O idioma de um povo, ou a sua língua pátria, ou língua mãe, ou materna, é um dos fundamentos da sua constituição como organismo único e diferenciado, e qualquer interferência, quer seja "erudita", ou ideológica, como o "politicamente correto", provavelmente carreguem intenções além daquelas manifestadas. A língua não pertence a lingüistas, nem a dicionaristas; a língua pertence a seus falantes e a seus escritores e poetas. Alguém, alguma vez, por acaso teve conhecimento de algum grande escritor a se queixar da sua língua, ou da sua gramática, ou do seu alfabeto e escrita? Ao contrário, Jorge Luis Borges, por exemplo, até ridicularizou a prepotência da Academia espanhola por abolir o P mudo de palavras como (p) "sicologia", "sicologo", e por aí a fora. Também não me lembro que Eça de Queiróz estivesse preocupado com incongruências ou com a falta de "justificativas lógicas" na sua ortografia para nos apresentar qualquer dos seus claríssimos textos. E de Shakespeare? alguém se lembra de alguma reclamação da ortografia de seu idioma?
En passant: A única vez que o trabalho de lingüistas se prestou a recuperar ou atualizar uma língua, foi na criação artificial do moderno Hebreu para, aí sim, "justificar" alguma coisa, e não por acaso a língua, mas a invasão e a ocupação da Palestina. Eles sabem que não existe povo sem a sua própria língua e suas incoerências e peculiaridades gramaticais. Mas o Estado de Israel, como a sua língua oficial, é uma construção absolutamente artificial.
Sobre estudos eruditos da linguagem, será interessante ouvir aqui o Exorcismo de Carlos Drummond de Andrade em http://www.alfredo-braga.pro.br/discussoes/exorcismo.html.

MCA disse...

Caro Alfredo Braga, estamos certamente em sintonia. Obrigada.

MCA disse...

Caro Diogo, há vários pontos no texto de Siguán y Soler que eu poderia rebater mas não irei fazê-lo. Eu não argumento com ausentes. No meu blogue apresento o meus próprios argumentos os quais têm, naturalmente, as fragilidades próprias de quem não é especialista na matéria. Mas são os meus e não temo defendê-los até que me demonstrem que estou errada. O Diogo ainda não apresentou um único argumento seu. Quando o fizer, cá estarei para lhe dar razão, se achar que a tem. Obrigada.

alf disse...

Sou o Alf, estou como anónimo porque por alguma razão que desconheço o bloguer não me deixa comentar como Alf

O ridículo das ortografias inglesas e francesas é tornado evidente pelo facto de hoje ninguém pensar em escrever nestas línguas (salvo certamente as pessoas que passaram anos a estudá-las) sem usar um corretor ortográfico.

Chegamos assim a esta extraordinária situação em que a comunicação escrita entre pessoas só é possível quando mediada pela inteligência artificial de um computador!

Alf

Anónimo disse...

Continuando

A argumentação de MCA é uma falácia conhecida, usada há muito pelos que se opõem às mudanças de ortografia.

Reside no seguinte.

Sabem o que é a "escrita inteligente" dos telemóveis? Não precisamos de escrever as letras exactas de uma palavra, basta indicar o grupo a que pertence para identificar a palavra; evidentemente que se "comermos" uma letra, a palavra deixa de ser identificada - para obtermos "que" precisamos de teclar 7,8 e 9, se teclarmos apenas 7 e 9 a palavra não é identificada.

Algo semelhante acontece com o nosso cérebro, nós não soletramos as palavras para as ler, identificamo-las pelo tamanho, primeira e última letra.

é por isso que podemos baralhar as letras das palavras e continuamos a conseguir "ler" desde que mantenhamos o tamanho e a primeira e última.

O truque dos opositores às mudanças consiste em alterar precisamente os elementos que o cérebro usa para identificar a palavra.

Isto é evidentemente uma desonestidade intelectual; quem aprender a nova ortografia não tem dificuldade nenhuma.

Alf

Anónimo disse...

E, para terminar:

A mudança, a evolução, exige Inteligência; não há evolução sem Inteligência. Um "burro" nunca gera evolução, opõe-se sempre a ela.

Não significa isto que quem discorda de uma mudança é necessariamente burro; mas significa que quem a propõe necessariamente não é burro.

os burros, por seu lado, incapazes de entender uma evolução, consideram imediatamente que quem propõe tal é necessariamente o que eles são: burro!

Como não têm argumentos racionais para contrariar a evolução, apenas o receio atávico dela, o receio de se sentirem prejudicados por ela, recorrem a argumentos desonestos.

Tipicamente, os que se opõem às mudanças são os "conservadores"; por isso, tipicamente, os argumentos dos conservadores, em qualquer área, são falaciosos e desonestos.

Este é o quadro geral como eu o entendo, mas não é válido caso a caso - uma pessoa pode estar contra uma mudança pelas melhores razões.

neste caso da língua, uma pessoa pode ter 3 atitudes: concordar totalmente com o acordo, discordar liminarmente ou propor modificações; as pessoas que discordam liminarmente, que acham que não há nada a melhorar na ortografia, que ela é perfeita e imutável, no mínimo ainda não pensaram bem no assunto.

Alf

Alfredo Braga disse...

Vejo, prezada Maria Clara Assunção, que a sua colocação aborrece algumas pessoas que, aparentemente, já não se importam com antigas regras de civilidade, mas clamam agressivamente por "novas regras ortográficas". É uma discussão estéril, mas ainda assim traz em seu bojo outras questões que devem ser melhor compreendidas.
Quando tanta e áspera inteligência, a gritar por grandes "inovações" e "melhorias" para as nossas gramáticas e ortografias, nem de leve suspeita (ou não se importa) do que há por trás da esquisita insistência de certos agentes e lobistas dessa reforma, a começar pela ganância das grandes companhias e editoras, a reimprimir avidamente, por toda a parte, milhões de compêndios escolares com a "nova" ortografia, "novos" e "novíssimos" dicionários, manuais "atualizados" de ortografia e redação... há que levantar a lebre e verificar se realmente essa interesseira campanha não encobre outras malícias. Também me parece que esses inteligentes apologistas de uma discutível "lógica gramatical e ortográfica", não percebem (ou fingem não perceber) o malicioso absurdo de baixar à tabla rasa as sutilezas semânticas do idioma e da escrita de cada região e de cada país, sob o ladino pretexto de facilitar e melhorar a língua e a escrita de cada povo... Será esse o caminho para que, enfim, voltemos a encontrar, nas estantes de nossas livrarias e bibliotecas, autores da mesma craveira de Chesterton, ou de Montaigne, ou de Jorge de Sena? E essas reformas nos dariam melhores poemas do que este "Artemidoro" (http://www.alfredo-braga.pro.br/poesia/artemidoro.html)?

Zorze disse...

Tentando escapar pelas "beiradas" dos diálogos que vão ocorrendo, tenho para mim que a unificação da língua portuguesa, forçada e por decreto, é um tremendo erro de fulanos ambiciosos que cederam a interesses económicos muito forte, as grandes editoras.

O prazer de ouvir um crioulo aporteguesado, seja ele vindo da Guiné, Cabo Verde, Angola e Moçambique. A magia do brasileiro e seus sotaques, do mais "caipira" de Minas, ou a um português quase cantado do Maranhão, os "eres" comidos pela língua do paulista.
O sotaque genuíno do setubalense, dum alentejano, dum algarvio e a troca dos "v's" pelos "b's" dum beirão de gema.
São riquezas enormes, que nos mostram que a língua portuguesa é uma língua viva.
Vai até ao outro lado do mundo, como ouvir timorenses, com um timbre de voz característico aclamar - Xanana! Xanana!

A padronização é limitadora e castradora.

Falar como se escreve, é um absurdo.
Na língua inglesa o "the" ou "phil", não seria a mesma coisa, se escrito como falado, como o toque de língua nos lábios.
Ou como o "u" francês, na palavra francesa "usine", que tem toda uma conjugação de factores na forma como se diz.

Abraço.

alf disse...

Esta discussão do acordo ortográfico parece-me altamente benéfica porque abre um espaço de liberdade - pode-se escrever duma maneira, ou doutra.. ou talvez doutra ainda..

Primeiro que tudo, eu vejo nisto uma oportunidade de se fazerem propostas.

Eu não penso que a oralidade seja a mãe perfeita da língua e que a ortografia deva segui-la; penso que tanto uma coisa como outra devem ser aperfeiçoadas; penso que algumas consoantes que se dizem mudas devem passar a pronunciar-se - eu pronuncio "facto" e não "fato" e acho que pronuncio muito bem, nem deixo de pronunciar nem tiro o "c"; já em óptimo, pronuncio "ótimo" e não vejo razão pragmática para manter o "p", a não ser porque esta palavra é transversal a várias línguas latinas e ganha-se em manter uma uniformidade ortográfica onde ela existe.

Uma coisa que devemos ter presente é que um qualquer acordo ou a sua ausência não limita nem nunca limitou quem escreve livremente. Mesmo no tempo da outra senhora o Ruben A. inventava palavras quando achava apropriado. Pensar isso é como pensar que um pintor tem de obedecer a regras pictóricas.

AS regras ortográficas são imperiosas em documentos oficiais, onde liberdades criativas poderiam originar duvidas (ainda mais?) de interpretação; mas não na criação literária, como é evidente.

Quem quer aproveitar a discussão aberta para propor regras para melhorar a ortografia e a oralidade do português? Isso é que seria uma contribuição interessante!

Diogo disse...

Alfredo Braga disse... «A língua não pertence a linguistas, nem a dicionaristas; a língua pertence a seus falantes e a seus escritores e poetas. Alguém, alguma vez, por acaso teve conhecimento de algum grande escritor a se queixar da sua língua, ou da sua gramática, ou do seu alfabeto e escrita».

Diogo: Caro Alfredo Braga, enquanto as línguas faladas surgiram espontaneamente em todo o mundo, já a escrita e a respetiva ortografia e gramática são construções de meia dúzia de homens. E como tal, é perfeitamente passível de ter as suas falhas, as suas aberrações e os seus absurdos.
O filósofo escritor e poeta francês, Paul Valéry, disse - «Esta ortografia criminosa, uma das fabricações mais grotescas do mundo».
E quando uma Academia da Língua (francesa) afirma - «esta companhia declara que deseja seguir a ortografia antiga que distingue os "homens de letras" dos ignorantes e das mulheres simples...», penso que estará tudo dito sobre essas «intocáveis» ortografias pátrias.



Cara MCA, faço meus os argumentos de Siguán. Portanto a minha amiga já não estaria a argumentar com ausentes, mas comigo. A questão é simples: Siguán expôs no texto acima um conjunto de que ele (e eu) considera aberrações ortográfica em diversas línguas. Eu gostaria de a ouvir contra-argumentar, não com ele mas comigo.



Alf, concordo com partes do que disse, mas você embrulhou-se um bocado para o final.



Caro Alfredo Braga, não é difícil perceber que há interesses económicos por trás de uma alteração ortográfica. Mas seria necessário ser muito ingénuo para compreender que muitas editoras não se importam nada de que uma língua tenha duas ortografias diferentes.
As subtilezas semânticas podem perfeitamente ser mantidas, mas quando ouço tantos colegas meus (gente razoavelmente letrada) continuarem a perguntar, ao fim de tantos anos, se determinada palavra se escreve com X ou CH, ou com S ou com Z, então algo está profundamente errado.



Zorze, se não existirem padronizações ninguém se entende. Sabemos que o minhoto fala de uma forma diferente do beirão, do alentejano, do algarvio ou do madeirense. E ainda mais de um moçambicano, de um guineense ou de um brasileiro. Mas, seguindo o teu raciocínio, teríamos de fabricar ortografias diferentes para todos eles. É isso que queremos?



Alf, a oralidade faz força para a diversidade mas o homem tem de lhe segurar as rédeas, senão, qualquer dia, cada um de nós tinha a sua própria língua e a sua própria escrita. Se queremos comunicar uns com os outros temos de concordar com certas padronizações.
Seria absurdo tentar um acordo ortográfico entre o português e o castelhano. Mas já não acho absurdo que se tente apertar as rédeas à gramática e à ortografia das línguas portuguesas. Em nome de um melhor entendimento.

Alfredo Braga disse...

Prezado Diogo e demais participantes desta discussão,
Como vai se desenvolvendo, esta é realmente um discussão estéril, pois todos sabemos que foi nas cavernas, e depois nos campos e praças, nos mares e portos que se inventou e reinventou a língua, e as linguagens, não nos mosteiros, nem nas universidades. E também sabemos que a erudita criação de Saussure, veio depois, quando tudo já estava criado, e apenas foi advertir a angústia da vacuidade e a transitoriedade de certos discursos, ou opiniões. Mas o registro de idéias (quando há idéias) se faz de vários modos e maneiras, e nenhuma deficiência, ou incongruência ortográfica vai nos impedir de, ainda hoje, depois de tanto tempo, ouvir as cristalinas e potentes vozes de Homero, Dante, Camões, Khayyam, ou de Borges, e até de aturar tantos parlapatões e políticos a vociferar tantas querelas vazias.
A questão, realmente grave, não é a desonesta atividade de lobistas nas academias de letras e de políticos venais a nos impingirem "acordos" e reformas ortográficas desnecessárias, mas sim o que subjaz pelos meandros dessas campanhas de "pasteurização" dos modos de escrita, e também o que está por trás dessa empobrecedora proposta de simplificação de antigos e complexos códigos semânticos e de grafias locais. Se, como podemos supor, a maioria dos freqüentadores deste blog, percebe a malícia da globalização, o que os impede de perceber os mesmíssimos mecanismos atuando por trás dessa campanha de descaracterização das escritas e logo a seguir dos falares, como já vem ocorrendo em nossas cidades e pequenas aldeias? Não é por aqui que se denunciam os efeitos da globalização, o complô da banca internacional e a pérfida descaracterização dos povos e nações? E não podemos perceber de quantas disfarçadas maneiras já vem sendo promovida e instalada essa insidiosa despersonalização das gentes? O problema não está nas letras, nem nos usos que delas fazemos. Entre Brazil e Brasil, apenas empáfia e prepotência.

Diogo disse...

Caro Alfredo Braga, continuo a ser da opinião de que os vários estilos do português falado ainda não se afastaram suficientemente para poderem partilhar de uma ortografia comum. E penso que todos teríamos a ganhar com isso. Abraço.

Alfredo Braga disse...

Prezado Diogo,
Dizem que foi Voltaire, mas... não vou repetir a desgastada frase... pois ainda é nossa prerrogativa, em democracia, termos opiniões. Entretanto, ainda gostaria de responder a sua contestação às duas frases pinçadas de meus comentários anteriores:
Não sei de onde você tirou a idéia de ortografias "pátrias" e "intocáveis", mas compreenda que, se essa figura retórica, "ortografias pátrias intocáveis", de sua exclusiva autoria, fosse uma realidade, muito provavelmente os seus colegas, gente, como você diz, razoavelmente letrada, não lhe apresentariam essas pequenas dúvidas acerca do uso correto do "X", ou do CH", pois teriam tempo para memorizarem naturalmente e corretamente as convenções ortográficas. Essa dificuldade, apresentada por seus amigos, decorre dessa freqüentemente desnecessária sarabanda bienal de mudança de regras. Repare também, prezado Diogo, que o exemplo que você nos traz de um escritor, como Paul Valéry, a se queixar de uma "ortografia criminosa", decorre essa queixa, apenas de uma posição moral e ideológica contra uma pedante e prepotente Academia, pois essa mesma ortografia, de maneira alguma o impediu de se comunicar brilhantemente com os seus contemporâneos, e até com os seus leitores atuais, como você mesmo, prezado Diogo.
Também não posso deixar de repetir que a questão a examinar, com mais cuidado, não está em alfabetos, ou em ortografias partilhadas, mas na insidiosa "simplificação" (eufemismo para empobrecimento) das línguas, dos falares e das escritas de cada povo e de cada nação. No Brasil, essa "simplificação" já retirou dos currículos escolares o ensino das línguas clássicas, e o estudo da gramática é completamente desprezado. Já somos um país de "analfabetos funcionais", outro eufemismo para referir cidadãos de pouca leitura e nenhuma escrita.

Carlos disse...

Caro Diogo
“Caro Alfredo Braga, continuo a ser da opinião de que os vários estilos do português falado ainda não se afastaram suficientemente para poderem partilhar de uma ortografia comum.”

Não percebo esta frase.
Queres dizer que só depois de o português falado, se afastar o suficiente, é que pode haver uma ortografia comum?

Não será que ao se afastarem, o suficiente, acabam por vir a ter uma ortografia diferente? Derivada mas diferente? Latim, português.

Pelo que tenho lido sobre o acordo ortográfico, fiquei com a impressão que as pessoas que o elaboraram, não têm qualificações suficientes para o fazer, para além de tudo o que já aqui foi dito.

Diogo disse...

Caro Carlos, enganei-me na frase – faltava um NÃO. A frase devia ser assim:

Caro Alfredo Braga, continuo a ser da opinião de que os vários estilos do português falado ainda não se afastaram suficientemente para NÃO poderem partilhar de uma ortografia comum.

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

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forasteiro disse...

Que venham demonstrar inteligência através de ideias e não da forma pedante que se escreva. Qual o problema em matarmos palavras em desuso? Porque (aliás os porquês são o exemplo mais crasso da bobagem dessas firulas gramaticais) ficarmos presos à estruturas e regras que não tem nenhuma praticidade nem facilitam a comunicação? Por sentimentalismo histórico e de identidade (façamos então museus que as preservariam)? Deveríamos é nos ater a extirpar qualquer ruído à transmissão da informação para podermos nos ater ao que interessa, o conteúdo. É só notar que, quem defende a postura retrógrada precisa de infinitas linhas a mais para expor ideias simples.

Anónimo disse...

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José Perea Martins disse...

Caro Diogo: a simplificação ortográfica é uma necessidade. A ONG Alfabeto sem Amarras propõe uma reforma radical. Acesse:
www.alfabetosemamarras.org
Obrigado. José Perea Martins

João Henrique disse...

Ola! Existe um novo projeto de reforma ortografica do portugues. O site é simplificandoaortografia.com. Eu apoio totalmente, e torço para que os demais paises lusofonos entrem nessa. Quem sabe isso encoraja os ingleses e franceses a simplificarem tambem!