segunda-feira, novembro 15, 2010

Les moyens médiatiques maintiennent les portugais toujours gais

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Diário de Notícias vs Journal Libération

Duas formas jornalísticas diametralmente opostas de olhar para os lucros imorais das principais empresas de Portugal e de França, dos apoios em isenções fiscais oferecidos a esses grupos económicos e dos empregos que essas mastodontes destruíram, tanto cá, comme au-delà.


O jornal francês Libération mostra-se realista

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presseurop - 10.11.2010

Os grandes grupos protegidos em nichos fiscais

"O CAC 40 contra o emprego":

O Libération investigou os lucros dos maiores grupos franceses [integrados no CAC 40, o índice de referência da Bolsa de Paris] e revela que estes destruíram, em cinco anos, quase 40 mil empregos, multiplicando ao mesmo tempo os seus lucros e recebendo dezenas de milhares de milhões de euros em apoios do Estado, jogando com nichos de isenções fiscais.

O diário indigna-se, pois, com estes "mastodontes que devoram os apoios públicos" e não se mostram "manifestamente incomodados por fazerem da desregulação uma condição necessária ao seu desenvolvimento, reclamando ao mesmo tempo do Estado uma generosidade fiscal indecorosa". Estes apoios representam uma não entrada de 172 mil milhões de euros por ano nos cofres do Estado, sublinha o diário, segundo o qual, "neste período de rigor orçamental e de ‘falência’ do Estado, põe-se a questão de uma melhor utilização destes milhares de milhões de euros".


[...]


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O Diário de Notícias mostra-se optimista

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Diário de Notícias - 12.11.2010

Empresas da Bolsa lucraram 13 milhões por dia

Em ano de crise, as cotadas [as 18 principais cotadas na Bolsa] ganharam 3477 milhões de euros nos primeiros nove meses. Foram quase 13 milhões por dia, que davam para pagar um ano a Ronaldo

A crise não parece ter atingido as empresas cotadas na Bolsa. Nos primeiros nove meses do ano, 18 das 20 sociedades que integram o principal índice da praça lisboeta, o PSI-20, arrecadaram 3477,54 milhões de euros de lucros, mais 38,05% do que em igual período de 2009.

Este montante daria para construir a linha de TGV Lisboa-Madrid. E ainda não são conhecidos os resultados da Mota-Engil e da Sonae SGPS. Se preferir o cálculo do valor gerado, diariamente, por estas 18 empresas, saiba que totalizou 12,879 milhões de euros. Quase tanto como o salário anual de Cristiano Ronaldo, o futebolista mais bem pago do mundo, que leva para casa 13 milhões.

O DN questionou Bagão Félix sobre este aumento de quase mil milhões de euros de lucros. O economista considerou que "há que dividir as empresas em dois universos: as que estão em mercado concorrencial e as que operam em mercados protegidos". Bagão Félix faz o paralelo com a banca e reconhece que, do ponto de vista emocional, as pessoas "não compreendem lucros tão elevados numa altura de crise", mas lembra que "estes devem ser comparados com o capital das empresas".

Por outro lado, e embora admita que não é "politicamente correcto", assume que, apesar de tudo, prefere que "os bancos e as empresas continuem a ter lucros, desde que permaneçam em Portugal". E explica: "Se a crise se estende a sectores tradicionalmente lucrativos, então estamos no último degrau."


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A questão que se põe

Se os 40 principais grupos financeiros franceses destruíram, em cinco anos, quase 40 mil empregos, quantos empregos, em Portugal, devem a sua extinção aos 20 principais grupos financeiros portugueses que constituem o PSI-20?
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10 comentários:

Zé_Lucas disse...

Mas uma andorinha não faz a primavera. E, lá como cá, a cantiga neo-liberal é a mesma. Se não, como se explica aquele patético presidente, as votações na extrema-direita, etc?
Lembra-se daquela do Herman (Serafim Saudade) e do índio? É a mesmíssima coisa.

Diogo disse...

Zé Lucas, de acordo, as coisas são iguais cá e lá. Mas parecem existir lá mais andorinhas do que aqui.

Nuno disse...

Quantos empregos terão os mastodontes destruído em Portugal na última década?

Anónimo disse...

E agora vêm as petições de Natal à portas dos Supers e Hipers e sabem que mais? Não dou um tostão furado que seja! Zero! Não pode ser mais a Classe Média, em extinção, a suportar essa despesa por uma qualquer descarga de consciência. Os Supers e Hipers têm lucros desmesurados podem muito bem oferecer toneladas de alimentos e vestuário e ainda terem lucros de 300% ou mais todos os anos. Gastam mais tempo e dinheiro em sacos, t-shirts, transportes, campanhas na Tv, posters e cartazes e livrinhos da popota quando podiam simplesmente enviar camiões bem recheados e tirar muitos portugueses da fome e da miséria!
Todos os dias mandam pão, bolos, fruta e muitos outros alimentos fora porque há uns burocratas com o cu tremido em Bruxelas que acham que assim tem de ser...eu bem vejo ao fim da noite ou ao raiar do dia alguns velhotes e ir buscar couves aos caixotes do lixo do Lidl; ao que o País chegou!
É a Hora da Revolta!

Anónimo disse...

Não são apenas velhotes sem eira nem beira que comem dos contentores do lixo.
É vê-los,novos,à noite,envergonhados mas bem vestidos,a olhar para todos os lados,certificando-se de que não são observados,a abrir a tampa do contentor.
Quem como eu ouviu as críticas que Soares,Cunhal e as suas hostes de pulhas faziam ao anterior regime,usando para o efeito a pobreza que se via na rua...
Depois de desmembrarem o império,de derreterem as divisas que ficaram nos cofres,a reserva de ouro,os incontilhões da UE,o dinheiro sacado aos contribuintes a um ritmo nunca antes visto...eis-nos mais pobres que nunca!
Mas a classe política e as classes afins que lhes justificam as vigarices (juízes e companhia) vivem que nem nababos.Da crise só ouvem o nome.Passeiam-se em carros luxuosos,ostentando com o produto do suor dos miseráveis e dos que conduziram à falência.
Apagaram a História e com ela a memória deste povo.
24 horas por dia,as tv's e jornais vão escondendo os esquemas e fornecendo entretenimento para manter as massas entorpecidas.Pagam às franjas mais violentas da sociedade para que se mantenham os níveis de criminalidade num patamar suportável,através de RSI,casas,água e luz gratuitos.
Criaram uma legião de funcionários públicos que exaurem a riqueza criada,mas mantêm as suas bases eleitorais estáveis.
Etc,etc,etc...

Não vejo saída para isto.
Quem devia condenar em primeira instância,os intelectuais,está completamente ao serviço da casta dominante,a troco de vantagens e favores.
Os militares estão sectarizados pelos gangs políticos.As altas patentes dependem das ligações que cultivam e mantêm.

Acho que a única saída é fazer as malas.
Desculpem o pessimismo.

RAMIRO ANDRADE - O PROVOCADOR disse...

CARO DIOGO

VOU CONTAR-LHER O QUE SE PASSOU COMIGO ONTEM.
FIZ UMA TRANSFERENCIA BANCARIA VIA NET:
CUSTO DESTA TRANSFERENCIA PELO BES NET - 1,12 EUROS.
HÁ QUATRO DIAS ATRAS FIZ UMA OPERAÇÃO IDENTICA NO MESMO BANCO BES, CUSTO - 0,60 EUROS.

É SOMENTE QUASE 100% DE AUMENTO.

QUE QUEREM ESTES SENHORES ???

PONDERO RETIRAR TODO O MEU DINHEIRO DE PORTUGAL, DEFINITIVAMENTE.
NÃO ESTOU PARA SUSTENTAR OS CHULOS DO BES, E DOS OUTROS TODOS.

UM ABRAÇO DIOGO

RAMIRO LOPES ANDRADE

Diogo disse...

Caro Anónimo e Ramiro Andrade,

Já há muito que defendo a abertura da caça aos maiores parasitas e sanguessugas da sociedade.

Quando um banqueiro (ou alguém do seu séquito) morre, a sociedade respira melhor.

Zorze disse...

E estamos à beira do fim do projecto europeu, por via da incorência designada "euro".
Cai por terra a tese da mesma moeda para economias com dinâmicas diferentes.
Impõe-se um verdadeiro debate sobre a democracia, os partidos políticos e a gestão de estado, bem como, a regulação de circulação de moeda.

Abraço.

Anónimo disse...

Soares disse que deviamos ter um governo federal europeu e depois os outros é que são maluquinhos da conspiração! Anda tudo a dormir! Mas este traidor incontinente não se cala nem por nada?!?

REVOLTA!

Carlos disse...

“Se os 40 principais grupos financeiros franceses destruíram, em cinco anos, quase 40 mil empregos, quantos empregos, em Portugal, devem a sua extinção aos 20 principais grupos financeiros portugueses que constituem o PSI-20?”

Caro Diogo
Procurei, procurei mas não encontro. Alguém já fez esse estudo (ou análise, +/- aprofundada) em Portugal e demonstrou que o estado, com os grandes grupos económicos, perde receitas, que acaba por dar benefícios que doutra forma não daria e sofre chantagens.
Seja como for não é necessário ser economista para observar o malefício que são os grandes grupos económicos, a todos os níveis.
O Grupo Lena, no Algarve, explora dois empreendimentos turísticos durante o verão e fecha no inverno. Para isso contrata pessoas a prazo. A lei obriga a entidade contratante a pagar uma compensação no final do contrato. Os trabalhadores que quiserem receber a tal compensação, segundo o Grupo Lena, terão de ir para tribunal. Pelos vistos acham que estão acima da lei.
Imagine o que aconteceria a uma micro ou pequena empresa. Caía-lhes o céu em cima... bom, nunca teriam a hipótese de ter um jornal como o i jornal...
Se não me engano o Grupo Lena é (foi) considerado o 5º melhor grupo para trabalhar... sinceramente não quero conhecer o vigésimo...