terça-feira, dezembro 21, 2010

A Grécia no caminho certo para a saída da crise

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Ex-ministro grego agredido por manifestantes


O ex-ministro grego dos transportes, Kostis Hatzidakis.


Os manifestantes atiraram-lhe pedras e bateram-lhe com paus...


PortugalDiário IOL - 15.12.2010

A Grécia parou em dia de greve geral e nas ruas multiplicam-se os confrontos e manifestações. Durante uma manifestação, um grupo de pessoas atacou e conseguiu mesmo ferir um ex-ministro conservador, avança a agência «Reuters», que cita uma testemunha.

Cerca de 200 manifestantes perseguiram o antigo ministro dos transportes Kostis Hatzidakis quando este saia do Parlamento, gritando: «Ladrões! Tenham vergonha!» Atiraram-lhe pedras e bateram-lhe com paus, até que este se refugiou num edifício próximo.


94 comentários:

Anónimo disse...

Digam o que quiserem,mas isto é que é democracia.
Consubstanciou-se a vontade da maioria.
Paulada neles e confiscação dos offshocrates!
Não dá para ter tantos milionários da política e um povo tão miseráve.
Cavacada na gatunagem!

Anónimo disse...

Quando começares a levar também...vais querer a ordem de volta. Sempre que a ralé se solta, dá asneira.

Anónimo disse...

Qual ordem?
Esta ordem corrupta e vil?
Esta ordem em que um punhado de criminosos se apossam da propriedade do Estado,vivendo que nem marajás,deixando uma multidão a remexer caixotes do lixo e milhões a assistir sem intervir?
Guarda essa ordem para ti e para os teus!

RAMIRO ANDRADE - O PROVOCADOR disse...

ESTE FILHA DA PUTA DO ANONIMO QUE DIZ GOSTAR DA ORDEM, DEVE ESTAR A MAMAR FORTE E FEIO NAS TETAS DE NOSSOS IMPOSTOS.

FILHO DA PUTA !!!!!!!!!!!!!

DEVIAM ERA DAREM TIROS NOS CORNOS DOS DIAS LOUREIROS E MIRAS AMARAIS, NAS CELESTES CARDONAS E AFINS COM ROBALOS E SUCATEIROS.

TU ANONIMO ÉS UM FILHA DA PUTA.

RAMIRO LOPES ANDRADE

ramirolopesandrade.blogspot.com

Daniel Simões disse...

O povo português é tão impávido que, quando quiser revoltar-se, estará fraco demais pela fome!!!

Anónimo disse...

'Quando começares a levar também...vais querer a ordem de volta. Sempre que a ralé se solta, dá asneira.'

Lacaio, criado dos plutocratas.Quando isto der para a porrada não vai ser um 25 de abril,não!!Nacional porreirismo nunca mais.A ralé és tu e os ranhosos q 'pensam' como tu sociopatas de merda!

Filipe Bastos disse...

Já em Itália, o inenarrável Berlusconi tinha levado na tromba - mas nesse caso o agressor foi logo apontado como doente mental, e depois pediu desculpa (a conselho do advogado, certamente).

Pode-se argumentar que a violência é sempre nociva, indigna da nossa civilização, etc.

Tal como se pode argumentar, que isto não é uma agressão - é LEGÍTIMA DEFESA.

Bem sabemos, pela amostra nacional, como certa canalha escapa sempre à "justiça" oficial, dos tribunais. Os políticos e ex-políticos estão entre os piores.

Outros, como os banqueiros, especuladores, "gestores", chulos e mamões de todos os tipos, nem sequer precisam de manietar a Justiça, para não irem a tribunal. O sistema está feito para protegê-los, e para travestir o seu oportunismo e pulhice, em actos perfeitamente legais.

No actual estado de impunidade, urge mostrar a toda esta canalha que NÃO ficarão impunes. Sem essa certeza, sem esse MEDO, continuarão a fazer cada vez pior. É assim a natureza humana.

Apenas sou contra linchamentos populares, há formas menos bárbaras de apertar esta cambada. Bastava um único homem, para deixar este pulha neste estado. E alguns, como os banqueiros, nunca se deixarão apanhar assim. Por alguma coisa se inventaram miras.

Resta aos cornos mansos portugueses ganhar vergonha na cara, como os gregos. Será que algum dia?

Anónimo disse...

Abandonar o euro pode ser ou não um bom caminho? Aparentemente, de forma indirecta, o FMI diz que sim.
http://movv.org/2010/12/21/licoes-a-tirar-da-crise-irlandesa/

Sauridio

Manolo Heredia disse...

Já deve haver muita fome na Grécia. Essa foi a causa primeira dos Descobrimentos Portugueses, não esquecer...

Anónimo disse...

Ena...quanta excitação. Se não querem "políticos corruptos" e "especuladores", podem sempre subir na vida com os vossos fantásticos talentos e conhecimentos, ocupar cargos de responsabilidade e mudar um bocado as coisas. Ou será que falta aí alguma coisa e tem que ser tudo à pancada como as crianças?

Anónimo disse...

Se for assaltado,pode sempre ir para polícia e prender o ladrão.
Se lhe violarem uma filha,pode sempre ir para psicólogo e regenerar o violador.

Vá a casa dos que têm filhos com fome e estão sem emprego e diga-lhes essas palavras.
Vai ver que sai mais rápido do que entrou e nem precisa ser pela porta!

Outro a sonhar de dia.
Ahaha!

Anónimo disse...

Lacaio, criado dos plutocratas.Quando isto der para a porrada não vai ser um 25 de abril,não!! -> vai ser o quê, então? Porrada...e depois? Vão "nacionalizar a banca e os meios de produção"? Vão bater nos "especuladores"? E depois?

Anónimo disse...

Vá a casa dos que têm filhos com fome e estão sem emprego e diga-lhes essas palavras. -> se as pessoas em geral se dessem ao trabalho de estudar em vez de andarem aí a dizer barbaridades de crianças de 5 anos, havia menos desempregados e nenhuma fome; como só sabem a cassete dos "políticos corruptos", "especuladores" e "offshores", sem fazerem a mínima ideia do que é um sistema político ou como funciona uma economia de mercado, votam em políticos ou que tentam fazer equilibrismo (fingir que podemos viver ao nível do resto da Europa quando só aguentamos com dinheiro emprestado) ou que pura e simplesmente mentem (como se bater em alguém ou mudar de regime ou de paradigma económico fosse resolver alguma coisa).

Se há 30 anos atrás tivéssemos ido nessa lenga-lenga, a esta hora éramos outra Coreia do Norte: lá não há especuladores, os políticos não são corruptos (porque não há meios de comunicação social livres para os denunciarem) e...esses sim, passam MESMO fome.

Anónimo disse...

Sistema político?
Cleptocracia?
Uma quadrilha a roubar e ainda se fala em sistemas políticos?
Que delírio.
Se chegou agora de Marte,ainda vai a tempo de acordar.

Anónimo disse...

Eis um bom espelho para vocês:

"Não se trata de o homem-massa ser estúpido. Pelo contrário, o actual é mais esperto, tem mais capacidade intelectiva que o de qualquer outra época. Mas essa capacidade não lhe serve de nada; com rigor, a vaga sensação de possuí-la serve-lhe só para encerrar-se maos em si mesmo e não usá-la. Consagra de uma vez para sempre o sortido de tópicos, preconceitos, ideias feitas ou, seimplesmente, vocábulos ocos que o acaso amontoou no seu interior e, com uma audácia que só se explica pela INGENUIDADE, imporá onde quer que seja. (...)

O império que a vulgaridade intelectual exerce hoje sobre a vida pública é, porventura, o factor mais novo da presente situação, menos assimilável a nada do passado. Pelo menos na história europeia até à data [1927], nunca o vulgo julgara ter "ideias" sobre as coisas. Tinha crenças, tradições, experiências, provérbios, hábitos mentais, mas não se imaginava na posse de OPINIÕES TEÓRICAS sobre o que as coisas são ou devem ser - por exemplo sobre política (...). Ahava bem ou mal aquilo que o político projectava ou fazia; dava ou retirava a sua adesão, mas a sua atitude limitava-se a repercutir, positiva ou negativamente, a ACÇÃO CRIADORA DOS OUTROS. Nunca lhe ocorreu opor às "ideias" do político outras suas; nem sequer julgar as "ideias" do político no tribunal de outras "ideias" que julgasse possuir. (...). UMA CONSCIÊNCIA INATA DA SUA LIMITAÇÃO, DE NÃO ESTAR QUALIFICADO PARA TEORIZAR, vedava-lhe isso completamente. A consequência automática disto era que o vulgo não pensava, sequer de longe, decidir em quase nenhuma das actividades públicas que, na sua maior parte, são de índole teórica.

Hoje, pelo contrário, o homem médio tem as "ideias" mais taxativas sobre quanto acontece e tem de acontecer no universo. Por isso perdeu o uso da audição. Para quê ouvir, se já tem dentro tudo o que faz falta?" [continua...]

Anónimo disse...

"As "ideias" deste homem médio não são autenticamente ideias, nem a sua posse é cultura. (...) Quem quiser ter ideias tem de dispor-se antes a querer a verdade e aceitar as regras do jogo que ela impuser.
(...)
O homem hoje dominante é um primitivo, um Naturmensch emergindo no seio dum mundo civilizado. (...) O novo homem deseja o automóvel [quem diz automóvel, diz computadores portáteis, internet, tv cabo, telemóveis, electrodomésticos, etc] e desfruta dele, mas JULGA QUE É UMA FRUTA ESPONTÂNEA DUMA ÁRVORE EDÉNICA.
(...)
O homem-massa crê que a civilização em que nasceu e que usa é tão espontânea e primigénia como a Natureza e converte-se, ipso facto, em primitivo. A civilização parece-lhe uma selva. (...)

OS PRINCÍPIOS EM QUE SE APOIA O MUNDO CIVILIZADO (...) NÃO EXISTEM PARA O HOMEM MÉDIO ACTUAL.(...)
A civilização, quanto mais avança, mais se torna complexa e mais difícil. Os problemas que hoje levanta são mais do que intrincados. Cada vez é menor o número de pessoas cuja mente está à altura desses problemas.
(...)
Civilização avançada é exactamente a mesma coisa que problemas árduos. Daí que, quanto maior for o progresso, mais em perigo está."

Anónimo disse...

Resumindo: vocês até podem ter boa vontade; mas o vosso conhecimento resume-se a ideias feitas sem nexo nenhum (BARBARIDADES), porque para compreender como funciona mesmo o mundo é preciso ir além do telejornal (que só vos traz notícias de corrupção e desgraça e vocês...porque o bom não é notícia) e dos sites de maluquinhos da teoria da conspiração. É preciso perder horas e horas e horas a estudar LIVROS A SÉRIO, a aprender com pessoas competentes. E obviamente há muita gente que não o pode fazer, que trabalha duramente. Para esses é de facto insultuoso o comportamento de certas pessoas com responsabilidades. Mas essas pessoas são uma ÍNFIMA MINORIA, porque os honestos não são capa de jornal.

Vocês pensam que é com boa vontade e simplicidade que se mantém a funcionar uma civilização. Batam nos políticos que têm e vão ver a cambada de "bem intencionados" que vão para lá - como os que estão à frente de Cuba. Batam nos "especuladores" e vão ver onde arranjam dinheiro para investir.

Não sejam imbecis. Se têm tempo para andar aqui a debitar imbecilidades, também têm tempo para ler livros a sério e tentar perceber a complexidade das coisas. As pessoas pobres e com verdadeiras dificuldades que eu conheço (e são muitas) não andam aqui a brincar aos activistas. Essas pessoas merecem mais que uma alternativa de bárbaros que oferecem "violência". Merecem pessoas qualificadas e honestas, que saibam do que estão a falar - mesmo que isso implique ter que lhes ensinar que o mundo não funciona como as pessoas de boa vontade gostariam e que mais vale um corrupto que sabe o que está a fazer no poder do que um imbecil que vai para lá e destrói o trabalho de muitas gerações.

Filipe Bastos disse...

Eduque-nos então, iluminado Anónimo, sobre esses «sistemas políticos», «economias de mercado», e «livros a sério». Serão os mesmos que nos deixaram na actual situação?

O seu discurso é o de alguém bem encostado, que prefere não mudar NADA.

Talvez jogue no casino bolsista, de vez em quando ganha umas massas, e congratula-se por viver num sistema tão maravilhoso.

Quando paga juros ao banco, deve ficar-lhes grato, por lhe darem a oportunidade de os enriquecer ainda mais.

Dá-se até ao luxo de dizer que os PULHAS com responsabilidades são uma «ÍNFIMA MINORIA», num país como Portugal.

Perante isto, só há 3 hipóteses: ou é cego, ou é ingénuo, ou é também pulha.

Fique sabendo, caro Anónimo, que situações desesperadas requerem medidas drásticas. Julgo que ninguém aqui, incluindo o autor do blog, aprova a violência gratuita. Mas na nossa situação, é tudo menos gratuita: é, como já disse, LEGÍTIMA DEFESA.

Ainda hoje, saiu mais uma notícia sobre outro chulo (ex Presidente dos CTT) que acumulava dois ordenados escandalosos. Se pendurassem este canalha num candeeiro da rua, talvez outros pensassem duas vezes. Mas nada lhes acontece, devido a gente como VOCÊ: o tipo de gente de que esta canalha gosta.

Quando alguém o roubar, e depois se safar tranquilamente na Justiça, experimente sentar-se a filosofar sobre «livros a sério». Vai ver que se sente logo melhor.

Por último, parabéns: você é o retrato perfeito do CORNO MANSO TUGA, que eu referi no post anterior.

Anónimo disse...

Filipe Bastos: a actual situação é o melhor que este país alguma vez já esteve. Só os ignorantes que só sabem o que vêem nos telejornais (e nunca leram livros de História nem sabem como se vive na maior parte do mundo) é que acham que alguma vez esteve melhor.

Os bancos são empresas com accionistas e qualquer um pode ser accionista. Os lucros não vão para nenhum papão, a maior parte é para pagar aos milhares de cidadãos honestos que trabalham no sector bancário em Portugal. Sem bancos a emprestar dinheiro ninguém tinha capital suficiente para comprar casa e carro a pronto a não ser as pessoas MUITO ricas. Como em Portugal não se produz o suficiente para as pessoas terem sequer esses bens essenciais, o dinheiro tem que vir do estrangeiro. Que o hão-de querer de volta, como qualquer pessoa que empresta dinheiro a outra. Depois chamam-lhes "especuladores"; porque não chamavam ANTES de se endividarem para comprar esses bens e muitos outros típicos de ricos (férias no estrangeiro, etc.)?

Quer saber como viveria Portugal sem os "especuladores"? Como vivia no tempo do Salazar. Continhas em ordem, uma sardinha na mesa. Não se gasta mais do que o que se tem. Estradas de caminhos de cabras, sem sistema de saúde nem segurança social. De um momento para o outro, por magia, convenceram-se pessoas como o senhor que "têm direito a emprego, segurança social, saúde e educação à borla" - é difícil perceber que alguém tem que pagar por isso? Que não é a boa vontade? E quando não se tem para se dar tanto luxo se tem que pedir emprestado?

"situações desesperadas requerem medidas drásticas" -> Quais? Sabe que é preciso perceber alguma coisa do mundo para governar um país, certo? Diga lá quais eram as medidas.

Anónimo disse...

Quanto ao senhor do CTT: eu acho-o tão indigno como qualquer outra pessoa. Mas se até você sabe disso, é porque afinal há um sistema que funciona e que denuncia esses casos. E o resto dos gestores dos CTT? São todos "canalhas"? Quantos é que você conhece?

Anónimo disse...

Pronto,este blog já tem Pitbul.
O súcialismo não deixa os créditos por mão alheias.
Milhares de esfaimados vão agora,após uma lauta refeição no contentor do lixo,aplicar-se a ler belas obras clássicas de economia e filosofia barata.
Felizmente só foge um de cada vez do Júlio de Matos!

Anónimo disse...

"Tal como os primeiros dirigentes da ralé, os porta-vozes dos movimentos totalitários tinham um modo infalível de distinguir tudo aquilo que a propaganda partidária comum ou a opinião pública evitava ou não ousava abordar. Tudo o que fosse oculto, tudo o que fosse mantido em silência adquiria gande importância, qualquer que fosse o seu valor intrínseco. A ralé realmente acreditava que a verdade era tudo aquilo que a sociedade respeitável houvesse hipocritamente escamoteado ou acobertado com a corrupção.
O primeiro critério para a escolha dos tópicos era o mistério em si. A origem do mistério não importava [aqui a autora fala de serviços secretos, seitas como a maçonaria e grupos como jesuítas ou judeus...muitos continuam os mesmos, porque a ralé dificilmente evolui].

(...)

A eficácia deste tipo de propaganda evidencia uma das principais características das massas modernas. Não acreditam em nada visível, nem na realidade da sua própria experiência; não confiam nos seus olhos e ouvidos, mas apenas na sua imaginação, que pode ser reduzida por qualquer coisa ao mesmo tempo universal e congruente entre si. O QUE CONVENCE AS MASSAS NÃO SÃO OS FACTOS, mesmo que sejam factos inventados, MAS APENAS A COERÊNCIA COM O SISTEMA DO QUAL ESSES FACTOS FAZEM PARTE [leia-se: os "grandes esquemas da banca" e outras "teorias" típicas da ralé que nem sabe o que é o sistema bancário ou o papel do crédito no crescimento económico].
O QUE AS MASSAS SE RECUSAM A COMPREENDER É A FORTUITIDADE DE QUE A REALIDADE É FEITA. Predispõem-se a todas as ideologias porque estas explicam os factos como simples exemplos de leis e ignoram as coincidências, inventando uma omnipotência que a tudo atinge e que supostamente está na origem de todo o acaso.

(...)

Por outras palavras, embora seja verdade que as massas são obcecadas pelo desejo de fugirem da realidade porque, privadas de um lugar no mundo [leia-se: alienados nos call centers, desempregados, etc., a quem tinham convencido que a vida ia ser fácil e descobrem que afinal não é], já não podem suportar os aspectos acidentais e incompreensíveis dessa situação, também é verdade que a sua ânsia pela ficção [as vossas "teorias da conspiração" e bodes expiatórios] tem algo a ver com aquelas faculdades do espírito humano cuja coerência estrutural transcende a mera ocorrência. Fugindo à realidade, as massas pronunciam um veredicto contra um mundo no qual são forçadas a viver e onde não podem existir, uma vez que o acaso é o senhor supremo deste mundo e os seres humanos necessitam de transformar constantemente as condições do caos e do acidente num padrão humano de relativa coerência".

Anónimo disse...

"Tal como os primeiros dirigentes da ralé, os porta-vozes dos movimentos totalitários tinham um modo infalível de distinguir tudo aquilo que a propaganda partidária comum ou a opinião pública evitava ou não ousava abordar. Tudo o que fosse oculto, tudo o que fosse mantido em silência adquiria gande importância, qualquer que fosse o seu valor intrínseco. A ralé realmente acreditava que a verdade era tudo aquilo que a sociedade respeitável houvesse hipocritamente escamoteado ou acobertado com a corrupção.
O primeiro critério para a escolha dos tópicos era o mistério em si. A origem do mistério não importava [aqui a autora fala de serviços secretos, seitas como a maçonaria e grupos como jesuítas ou judeus...muitos continuam os mesmos, porque a ralé dificilmente evolui].

(...)

A eficácia deste tipo de propaganda evidencia uma das principais características das massas modernas. Não acreditam em nada visível, nem na realidade da sua própria experiência; não confiam nos seus olhos e ouvidos, mas apenas na sua imaginação, que pode ser reduzida por qualquer coisa ao mesmo tempo universal e congruente entre si. O QUE CONVENCE AS MASSAS NÃO SÃO OS FACTOS, mesmo que sejam factos inventados, MAS APENAS A COERÊNCIA COM O SISTEMA DO QUAL ESSES FACTOS FAZEM PARTE [leia-se: os "grandes esquemas da banca" e outras "teorias" típicas da ralé que nem sabe o que é o sistema bancário ou o papel do crédito no crescimento económico].
O QUE AS MASSAS SE RECUSAM A COMPREENDER É A FORTUITIDADE DE QUE A REALIDADE É FEITA. Predispõem-se a todas as ideologias porque estas explicam os factos como simples exemplos de leis e ignoram as coincidências, inventando uma omnipotência que a tudo atinge e que supostamente está na origem de todo o acaso.

(...)

Por outras palavras, embora seja verdade que as massas são obcecadas pelo desejo de fugirem da realidade porque, privadas de um lugar no mundo [leia-se: alienados nos call centers, desempregados, etc., a quem tinham convencido que a vida ia ser fácil e descobrem que afinal não é], já não podem suportar os aspectos acidentais e incompreensíveis dessa situação, também é verdade que a sua ânsia pela ficção [as vossas "teorias da conspiração" e bodes expiatórios] tem algo a ver com aquelas faculdades do espírito humano cuja coerência estrutural transcende a mera ocorrência. Fugindo à realidade, as massas pronunciam um veredicto contra um mundo no qual são forçadas a viver e onde não podem existir, uma vez que o acaso é o senhor supremo deste mundo e os seres humanos necessitam de transformar constantemente as condições do caos e do acidente num padrão humano de relativa coerência".

Anónimo disse...

"Tal como os primeiros dirigentes da ralé, os porta-vozes dos movimentos totalitários tinham um modo infalível de distinguir tudo aquilo que a propaganda partidária comum ou a opinião pública evitava ou não ousava abordar. Tudo o que fosse oculto, tudo o que fosse mantido em silência adquiria gande importância, qualquer que fosse o seu valor intrínseco. A ralé realmente acreditava que a verdade era tudo aquilo que a sociedade respeitável houvesse hipocritamente escamoteado ou acobertado com a corrupção.
O primeiro critério para a escolha dos tópicos era o mistério em si. A origem do mistério não importava [aqui a autora fala de serviços secretos, seitas como a maçonaria e grupos como jesuítas ou judeus...muitos continuam os mesmos, porque a ralé dificilmente evolui].

(...)

A eficácia deste tipo de propaganda evidencia uma das principais características das massas modernas. Não acreditam em nada visível, nem na realidade da sua própria experiência; não confiam nos seus olhos e ouvidos, mas apenas na sua imaginação, que pode ser reduzida por qualquer coisa ao mesmo tempo universal e congruente entre si. O QUE CONVENCE AS MASSAS NÃO SÃO OS FACTOS, mesmo que sejam factos inventados, MAS APENAS A COERÊNCIA COM O SISTEMA DO QUAL ESSES FACTOS FAZEM PARTE [leia-se: os "grandes esquemas da banca" e outras "teorias" típicas da ralé que nem sabe o que é o sistema bancário ou o papel do crédito no crescimento económico].
O QUE AS MASSAS SE RECUSAM A COMPREENDER É A FORTUITIDADE DE QUE A REALIDADE É FEITA. Predispõem-se a todas as ideologias porque estas explicam os factos como simples exemplos de leis e ignoram as coincidências, inventando uma omnipotência que a tudo atinge e que supostamente está na origem de todo o acaso.

(...)

Por outras palavras, embora seja verdade que as massas são obcecadas pelo desejo de fugirem da realidade porque, privadas de um lugar no mundo [leia-se: alienados nos call centers, desempregados, etc., a quem tinham convencido que a vida ia ser fácil e descobrem que afinal não é], já não podem suportar os aspectos acidentais e incompreensíveis dessa situação, também é verdade que a sua ânsia pela ficção [as vossas "teorias da conspiração" e bodes expiatórios] tem algo a ver com aquelas faculdades do espírito humano cuja coerência estrutural transcende a mera ocorrência. Fugindo à realidade, as massas pronunciam um veredicto contra um mundo no qual são forçadas a viver e onde não podem existir, uma vez que o acaso é o senhor supremo deste mundo e os seres humanos necessitam de transformar constantemente as condições do caos e do acidente num padrão humano de relativa coerência".

Anónimo disse...

Quando a miséria correr pelos bairros e as balas assobiarem,os sonhadores e os romancistas de cordel debaterão acaloradamente os grandes autores eregozijar-se-ão com as grandes conquistas do socialismo moderno.
Ahahaha!
Já estamos para além do delírio.

Anónimo disse...

"Democracia quer dizer, à letra, poder do povo, soberania-comando do demos. E ninguém contesta que este é o princípio de legitimidade que institui a democracia. O problema foi sempre o de como transferir esse poder da base para o vértice do ssitema de poder, e quanto. Uma coisa é a titularidade, outra, totalmente diferente, o exercício do poder. O povo soberano é titular do poder. De que forma está também em condições de o exercer?
(...)
Verificamos na prática todos os dias que a maioria do público quase nada sabe dos problemas públicos. Sempre que se vai ver, descobre-se que a base de informação do demos é de uma pobreza alarmante, de uma pobre que nunca pára de nos surpreender.
(...)
O quadro de conjunto é, pois, o seguinte: enquanto a realidade se complica e as complexidades aumentam vertiginosamente, as mentes simplificam-se e nós estamos a criar uma videocriança que não cresce, um adulto que se configura para toda a vida como uma criança de retorno.
(...)
O homem do pós-pensamento [a maioria dos maluquinhos da conspiração], incapaz de reflexão abstracta e analítica, cada vez mais balbuciante na demontração lógica e na dedução racional, mas ao mesmo tempo fortalecido no sentido do ver (o homem ocular) e do fantasiar (mundos virtuais) não é, precisamente, o homem besta de Vico?
É parecido também na credulidade e superstição [leia-se: "teorias do banqueiro malvado" e dos "políticos todos corruptos"]. O progresso da ciência - foi-nos dito desde o Iluminismo em diante - acabaria por libertar o homem das tendências irracionais. Pelo contrário, a tecnologia está a produzir, à medida que avança, um homem mais crédulo do que o próprio homem medieval. Porquê? Porque o homem medieval acrediava em absuridades que, todavia, eram delimitadas por uma Weltanschauung, por um concepção do mundo, enquanto o homem contemporâneao é um desmiolado que vive sem o suporte de uma coerente visão do mundo. Nesta ausência de referências estáveis, o homem acredita [leia-se: em teorias da conspiração, etc., que dão um sentido de coerência ao mundo que lhe falta] porque não há razão alguma para não acreditar".

Anónimo disse...

1) Não só não sou socialista, como me repugna tanto como a vocês a corrupção e afins (que sempre existiu e sempre existirá, porque o problema está nos homens, não está nos sistemas políticos); também não tenho nenhum tipo de ligação a nenhum partido. Só não só é ignorante e tenho pena que pessoas que têm tempo para andar na internet não tenham paciência para aprender alguma coisa de consistente em vez de dizerem as mesmas baboseiras que os mais imbecis dos imbecis (aqueles labregos que saíram dos campos em massa para as cidades para cair na pobreza) diziam na década de 20.

2) O problema é que o socialismo de que se queixam é exactamente o que vocês têm na cabeça (porque nunca aprenderam a pensar e nasceram num mundo que para os portugueses de há meio século era um sonho): que o Estado é que tem obrigação de resolver os problemas dos cidadãos, que se as coisas funcionam mal a culpa é dos políticos, que tudo se resolve com "revoluções", etc.

3) Os nossos problemas actuais resultam de andarmos a viver como ricos (sim, porque se quiserem saber como vive a maior parte do mundo vão ao interior da Índia e da China, que finalmente começam a crescer graças ao dinheiro dos "especuladores", depois de décadas de miséria e palavreado como o vosso) e beneficiarmos de taxas de juro de países ricos (crédito fácil) quando na verdade somos um povo que produz muito pouco (se disserem a alguém que tem que trabalhar mais para ganhar mais e que se for incompetente tem que ser despedido...uiii...cuidado...os patrões são exploradores, temos direitos adquiridos, bla bla bla), não tem riquezas naturais substanciais para exportar e tem memória histórica de fidalgo.

anad disse...

Um bom Natal junto dos familiares e amigos e um ano novo cheio de esperança.
Beijinho
Anad

Carlos disse...

“... e que mais vale um corrupto que sabe o que está a fazer no poder do que um imbecil que vai para lá e destrói o trabalho de muitas gerações.”
Lol Onde está a lógica? Sabia que o corrupto também destrói o trabalho de muitas gerações?

“Sem bancos a emprestar dinheiro ninguém tinha capital suficiente para comprar casa e carro a pronto a não ser as pessoas MUITO ricas.”
Lol Lá está. Um sistema que criou falsas aspirações às pessoas.
Se as pessoas não têm capital para comprar casa sem pedir emprestado, como é que com dinheiro emprestado já têm?

“Como em Portugal não se produz o suficiente para as pessoas terem sequer esses bens essenciais,...”
Quer nos dar a razão porque em Portugal não se produz?

“... o dinheiro tem que vir do estrangeiro. Que o hão-de querer de volta, como qualquer pessoa que empresta dinheiro a outra. ”
Se não se produz (cria riqueza) como é que depois se vai pagar? É um sistema de (mais) empobrecimento (para quem pede emprestado como o nosso país) dissimulado, não acha?

“Quer saber como viveria Portugal sem os "especuladores"? Como vivia no tempo do Salazar. Continhas em ordem, uma sardinha na mesa. Não se gasta mais do que o que se tem. Estradas de caminhos de cabras, sem sistema de saúde nem segurança social.”
Sem o devido enquadramento histórico, está a querer dizer o quê?

“Não se gasta mais do que o que se tem.”
À partida parece-me bem. É o que faço e aconselho.

“... como me repugna tanto como a vocês a corrupção e afins (que sempre existiu e sempre existirá, porque o problema está nos homens, não está nos sistemas políticos);”
Há sistemas políticos que favorecem, mais ou menos, a corrupção, etc. Os sistemas políticos são criados por homens, que podem ser mais ou manos honestos. Logo esses sistemas criados podem/reflectem os seus criadores.

“...(aqueles labregos que saíram dos campos em massa para as cidades para cair na pobreza)...”
Interessante classificação para alguém que vem para aqui querer demonstrar que somos todos (excepto o sr), uns trolhas.

“3) Os nossos problemas actuais resultam de andarmos a viver como ricos...”
É verdade, como o sr já o disse; “Sem bancos a emprestar dinheiro ninguém tinha capital suficiente para comprar casa e carro a pronto a não ser as pessoas MUITO ricas.”

Lol
Um Santo Natal.

Kruzes Kanhoto disse...

Porrada nesta cambada!

Anónimo disse...

A Guilhotina foi uma boa invenção!!

Labrego disse...

A democracia deste compadre não aceita os labregos.
Os labregos só servem para pagar as mordomias a estes compadres que do alto da sua sabedoria vão mamando o que sai do suor dos labregos.
Quantos labregos são necessários para pagar os mercedes e as vidas regaladas destes pedantes corruptos?

Anónimo disse...

"Lol Onde está a lógica? Sabia que o corrupto também destrói o trabalho de muitas gerações?" -> não, o corrupto é um parasita, mas vive das próprias instituições, não tem nenhum incentivo para as destruir; um imbecil cheio de "boas intenções" pensa que deita tudo abaixo para construir melhor; geralmente é o desastre total, porque para criar alguma coisa é preciso saber.

"Lol Lá está. Um sistema que criou falsas aspirações às pessoas.
Se as pessoas não têm capital para comprar casa sem pedir emprestado, como é que com dinheiro emprestado já têm?"
As pessoas são livres de terem as aspirações que quiserem. São elas que criam as próprias aspirações. As pessoas sensatas não se endividaram para comprar telemóveis e irem passar férias a Cancun.
Banca para totós: um banco é uma entidade que recebe depósitos de clientes e os remunera com uma determinada taxa de juro; esses clientes, mais abastados, não precisam do dinheiro todo de uma vez; então os bancos emprestam partes desse dinheiro a outros clientes, que assim ficam com capital disponível (que sem os bancos não teriam, como é fácil de perceber) para fazer os seus investimentos; têm é que devolver esse dinheiro com juros. A diferença entre os juros que o banco recebe do capital que disponibiliza e os juros que paga aos depositantes é o lucro da banca. Até à Idade Média, na Europa, cria-se que isso era "agiotagem" e "usura". Crescimento económico até à Idade Média: zero. Quase 1000 anos em que as pessoas viveram exactamente da mesma maneira.


"Quer nos dar a razão porque em Portugal não se produz?"
Porque em vez de arriscarem e criarem empresas, as pessoas estão à espera que o Estado "dinamize a economia". A economia é o palco da relação entre a escassez e as necessidades. Identifique uma necessidade das pessoas que ninguém esteja a suprir, e elas vão pagar-lhe por isso. Além disso, uma grande parte dos trabalhadores acham que o trabalho é um direito e que porque é um direito não têm que se esforçar ao máximo. O que importa é o divertimento fora do trabalho, o trabalho é só um frete.

"Se não se produz (cria riqueza) como é que depois se vai pagar? É um sistema de (mais) empobrecimento (para quem pede emprestado como o nosso país) dissimulado, não acha?"
Só é se as pessoas não fizerem nada de produtivo com o dinheiro que receberam emprestado. Chama-se risco. Emprestam-me e eu identifico uma necessidade de alguém, crio uma empresa ou trabalho bem numa empresa, tenho lucros (diferença entre o que o banco me emprestou e o dinheiro que eu recebi depois do meu trabalho/empresariado), vou pagando ao banco e a diferença constitui novo capital para mim. Posso recomeçar o processo e criar mais lucros.

"Sem o devido enquadramento histórico, está a querer dizer o quê?"
Que a base do capitalismo é o risco. No tempo do Salazar não se arriscava. Não competíamos com o exterior. Portanto, importávamos o mínimo. Consequência: nem coca cola havia. Hoje, isto quer dizer ipods, computadores portáteis, etc., que não produzimos nem sabemos produzir aqui. Para podermos importar essas coisas, temos que exportar outras. Se produzimos pouco e mal, ninguém quer os nossos produtos, o que vamos importando é a crédito. Financiamos o consumo, não o investimento produtivo.

"Há sistemas políticos que favorecem, mais ou menos, a corrupção, etc. Os sistemas políticos são criados por homens, que podem ser mais ou manos honestos. Logo esses sistemas criados podem/reflectem os seus criadores."
Diga-me um sistema que favoreça a corrupção e outro que não favoreça. Acho que ainda não percebeu que o acontece em democracia não é que aumenta a corrupção, é que ela se torna visível. Os outros sistemas proíbem os meios de comunicação social de falar nelas. Como a maioria das pessoas só sabe o que vem nesses meios, pensa que não há corrupção.

Anónimo disse...

"Lol Onde está a lógica? Sabia que o corrupto também destrói o trabalho de muitas gerações?" -> não, o corrupto é um parasita, mas vive das próprias instituições, não tem nenhum incentivo para as destruir; um imbecil cheio de "boas intenções" pensa que deita tudo abaixo para construir melhor; geralmente é o desastre total, porque para criar alguma coisa é preciso saber.

"Lol Lá está. Um sistema que criou falsas aspirações às pessoas.
Se as pessoas não têm capital para comprar casa sem pedir emprestado, como é que com dinheiro emprestado já têm?"
As pessoas são livres de terem as aspirações que quiserem. São elas que criam as próprias aspirações. As pessoas sensatas não se endividaram para comprar telemóveis e irem passar férias a Cancun.
Banca para totós: um banco é uma entidade que recebe depósitos de clientes e os remunera com uma determinada taxa de juro; esses clientes, mais abastados, não precisam do dinheiro todo de uma vez; então os bancos emprestam partes desse dinheiro a outros clientes, que assim ficam com capital disponível (que sem os bancos não teriam, como é fácil de perceber) para fazer os seus investimentos; têm é que devolver esse dinheiro com juros. A diferença entre os juros que o banco recebe do capital que disponibiliza e os juros que paga aos depositantes é o lucro da banca. Até à Idade Média, na Europa, cria-se que isso era "agiotagem" e "usura". Crescimento económico até à Idade Média: zero. Quase 1000 anos em que as pessoas viveram exactamente da mesma maneira.


"Quer nos dar a razão porque em Portugal não se produz?"
Porque em vez de arriscarem e criarem empresas, as pessoas estão à espera que o Estado "dinamize a economia". A economia é o palco da relação entre a escassez e as necessidades. Identifique uma necessidade das pessoas que ninguém esteja a suprir, e elas vão pagar-lhe por isso. Além disso, uma grande parte dos trabalhadores acham que o trabalho é um direito e que porque é um direito não têm que se esforçar ao máximo. O que importa é o divertimento fora do trabalho, o trabalho é só um frete.

"Se não se produz (cria riqueza) como é que depois se vai pagar? É um sistema de (mais) empobrecimento (para quem pede emprestado como o nosso país) dissimulado, não acha?"
Só é se as pessoas não fizerem nada de produtivo com o dinheiro que receberam emprestado. Chama-se risco. Emprestam-me e eu identifico uma necessidade de alguém, crio uma empresa ou trabalho bem numa empresa, tenho lucros (diferença entre o que o banco me emprestou e o dinheiro que eu recebi depois do meu trabalho/empresariado), vou pagando ao banco e a diferença constitui novo capital para mim. Posso recomeçar o processo e criar mais lucros.

"Sem o devido enquadramento histórico, está a querer dizer o quê?"
Que a base do capitalismo é o risco. No tempo do Salazar não se arriscava. Não competíamos com o exterior. Portanto, importávamos o mínimo. Consequência: nem coca cola havia. Hoje, isto quer dizer ipods, computadores portáteis, etc., que não produzimos nem sabemos produzir aqui. Para podermos importar essas coisas, temos que exportar outras. Se produzimos pouco e mal, ninguém quer os nossos produtos, o que vamos importando é a crédito. Financiamos o consumo, não o investimento produtivo.

"Há sistemas políticos que favorecem, mais ou menos, a corrupção, etc. Os sistemas políticos são criados por homens, que podem ser mais ou manos honestos. Logo esses sistemas criados podem/reflectem os seus criadores."
Diga-me um sistema que favoreça a corrupção e outro que não favoreça. Acho que ainda não percebeu que o acontece em democracia não é que aumenta a corrupção, é que ela se torna visível. Os outros sistemas proíbem os meios de comunicação social de falar nelas. Como a maioria das pessoas só sabe o que vem nesses meios, pensa que não há corrupção.

Anónimo disse...

"Lol Onde está a lógica? Sabia que o corrupto também destrói o trabalho de muitas gerações?" -> não, o corrupto é um parasita, mas vive das próprias instituições, não tem nenhum incentivo para as destruir; um imbecil cheio de "boas intenções" pensa que deita tudo abaixo para construir melhor; geralmente é o desastre total, porque para criar alguma coisa é preciso saber.

"Lol Lá está. Um sistema que criou falsas aspirações às pessoas.
Se as pessoas não têm capital para comprar casa sem pedir emprestado, como é que com dinheiro emprestado já têm?"
As pessoas são livres de terem as aspirações que quiserem. São elas que criam as próprias aspirações. As pessoas sensatas não se endividaram para comprar telemóveis e irem passar férias a Cancun.
Banca para totós: um banco é uma entidade que recebe depósitos de clientes e os remunera com uma determinada taxa de juro; esses clientes, mais abastados, não precisam do dinheiro todo de uma vez; então os bancos emprestam partes desse dinheiro a outros clientes, que assim ficam com capital disponível (que sem os bancos não teriam, como é fácil de perceber) para fazer os seus investimentos; têm é que devolver esse dinheiro com juros. A diferença entre os juros que o banco recebe do capital que disponibiliza e os juros que paga aos depositantes é o lucro da banca. Até à Idade Média, na Europa, cria-se que isso era "agiotagem" e "usura". Crescimento económico até à Idade Média: zero. Quase 1000 anos em que as pessoas viveram exactamente da mesma maneira.


"Quer nos dar a razão porque em Portugal não se produz?"
Porque em vez de arriscarem e criarem empresas, as pessoas estão à espera que o Estado "dinamize a economia". A economia é o palco da relação entre a escassez e as necessidades. Identifique uma necessidade das pessoas que ninguém esteja a suprir, e elas vão pagar-lhe por isso. Além disso, uma grande parte dos trabalhadores acham que o trabalho é um direito e que porque é um direito não têm que se esforçar ao máximo. O que importa é o divertimento fora do trabalho, o trabalho é só um frete.

"Se não se produz (cria riqueza) como é que depois se vai pagar? É um sistema de (mais) empobrecimento (para quem pede emprestado como o nosso país) dissimulado, não acha?"
Só é se as pessoas não fizerem nada de produtivo com o dinheiro que receberam emprestado. Chama-se risco. Emprestam-me e eu identifico uma necessidade de alguém, crio uma empresa ou trabalho bem numa empresa, tenho lucros (diferença entre o que o banco me emprestou e o dinheiro que eu recebi depois do meu trabalho/empresariado), vou pagando ao banco e a diferença constitui novo capital para mim. Posso recomeçar o processo e criar mais lucros.

"Sem o devido enquadramento histórico, está a querer dizer o quê?"
Que a base do capitalismo é o risco. No tempo do Salazar não se arriscava. Não competíamos com o exterior. Portanto, importávamos o mínimo. Consequência: nem coca cola havia. Hoje, isto quer dizer ipods, computadores portáteis, etc., que não produzimos nem sabemos produzir aqui. Para podermos importar essas coisas, temos que exportar outras. Se produzimos pouco e mal, ninguém quer os nossos produtos, o que vamos importando é a crédito. Financiamos o consumo, não o investimento produtivo.

"Há sistemas políticos que favorecem, mais ou menos, a corrupção, etc. Os sistemas políticos são criados por homens, que podem ser mais ou manos honestos. Logo esses sistemas criados podem/reflectem os seus criadores."
Diga-me um sistema que favoreça a corrupção e outro que não favoreça. Acho que ainda não percebeu que o acontece em democracia não é que aumenta a corrupção, é que ela se torna visível. Os outros sistemas proíbem os meios de comunicação social de falar nelas. Como a maioria das pessoas só sabe o que vem nesses meios, pensa que não há corrupção.

Anónimo disse...

"Interessante classificação para alguém que vem para aqui querer demonstrar que somos todos (excepto o sr), uns trolhas."
Excepto eu e toda a gente que se dá ao trabalho de aprender. Podem ser pobres ou ricos. Há muitas bibliotecas. Também é preciso ter tempo. O que quero dizer é que a esses labregos nos anos 20 impingiram um modelo muito simplificado de explicação total da realidade. Tudo fazia sentido e diziam-lhes que era "científico". Na verdade, esse modelo (o marxismo, mas havia outros) é altamente complexo filosoficamente. Mas para essas pessoas era reduzido ao essencial, ao mais básico. Era como nos desenhos animados: os bonzinhos sofriam porque um gang de mauzões os oprimia. Eram os "especuladores" e o "grande capital". Era uma linguagem de labregos, fácil de entender. Os regimes marxistas que destruíram o grande capital e os especuladores simplesmente deixaram de ter crescimento económico (tirando o período inicial, em que as pessoas trabalhavam, aí sim, como escravos). As pessoas trabalhavam, mas sem um sistema de interacção livre, não havia nada para comprar nas lojas.

"É verdade, como o sr já o disse; “Sem bancos a emprestar dinheiro ninguém tinha capital suficiente para comprar casa e carro a pronto a não ser as pessoas MUITO ricas.”
Vivemos como ricos porque pensamos que os bancos nos fazem um favor em emprestar dinheiro. Que é um direito. Ora, os bancos só podem emprestar se as pessoas depois pagarem de volta com juros, para os depositantes terem interesse em lá deixar o dinheiro. Nós em vez de investir o nosso dinheiro ou tentar arranjar trabalhos melhores esforçando-nos mais e estudando nos tempos livres, queremos ter ipdos e afins sem trabalhar para isso.

Feliz Natal.

[Peço desculpa pelo spam; não foi propositado]

João Guerreiro disse...

Sr. Anónimo
Eu sei que mundo está ao contrário e pode vir com mil explicações pra defender a corrupção, mas veja os países nórdicos onde ela é 0000000001%.
A Argentina chegou a ser a 8ª economia do mundo e veja onde está agora, à conta da corrupção.
Bruxelas mandou fechar fábricas, hospitais, pescas, escolas, agricultura, texteis, industria,
ect. e o resultado está quase conseguido:FECHAR Portugal!!!
Sr.Anónimo durma feliz com os Vampiros corruptos, sobre almofada de cetim.

Anónimo disse...

Mas alguém está a defender a corrupção? A mensagem é só esta: os problemas são infinitamente mais complexos que o "povo explorado" e os "políticos e especuladores corruptos". Essas explicações são de crianças de 5 anos. Sigam-nas e vão ver onde vão parar.

"Bruxelas" é uma cidade onde se reúnem representantes de todos os países da União, que conjuntamente, segundo um sistema político claro e transparente, decidem políticas comuns. "Bruxelas" não manda fechar nada. Se quiser falar nas "pescas e na agricultura" e na "indústria" que fecharam e que é tema de proa da propaganda imbecil, é fácil de explicar: quem não é competitivo num mercado aberto, tem que comprar aos outros; ninguém vai comprar produtos 10 vezes mais caros só porque são portugueses. Assim, outros países mais competitivos dedicam-se a produzir esses produtos e nós investimos noutras áreas em que somos melhores que os outros (que é o que devíamos fazer mais). Todos beneficiam com o livre comércio entre países (isto é a regra mais básica da economia internacional). O que aconteceu com os têxteis foi exactamente isso; não foi "Bruxelas" que "mandou fechar". Foram os empresários que deixaram de ser competitivos porque os chineses produzem muito mais barato (e estamos a falar de produtos de grandes marcas, não das lojas dos chineses). Não quer que os chineses compitam connosco? É uma opção, mas depois não venha reclamar com a pobreza e a fome no mundo e dizer que são os "imperialistas" e os "especuladores" americanos.

Sr. João Guerreiro: vá a um país nórdico e vá ver como as pessoas trabalham (e convém frisar que os países nórdicos são extremamente ricos em minério e fontes de energia, como o petróleo do Mar do Norte - nós só a importarmos gás natural e petróleo perdemos muita competitividade). Depois entre numa empresa em Portugal e vai ver metade dos trabalhadores ocupados permanentemente na máquina do café ou a fumar.

Daniel Simões disse...

Senhor Anónimo, experimente a fazer o seguinte:

em plena crise (como esta que Portugal está a viver) vá para o meio da praça discursar todas essas suas convicções para as massas. Acha que a sua linda cabecinha vai continuar em cima dos seus ombros?

Anónimo disse...

Daniel Simões: e então? Quer dizer que mais vale mentir às pessoas e inventar teorias da conspiração do que dizer-lhes a verdade e aceitar que elas também podem lá chegar?

Anónimo disse...

Mais guilhotina e menos conversa!

Anónimo disse...

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1743096&seccao=Norte

Anónimo disse...

>Que a base do capitalismo é o risco. >No tempo do Salazar não se >arriscava.

Caro Anónimo,
da parte de alguém que sempre acreditou (e acredita!) no capitalismo, percebo "de onde vem".

Mas não se está a aperceber que a situação mudou. Isto não é capitalismo. O problema todo é que há agentes que se servem dos políticos para corromper as regras do jogo. Não há capitalismo quando determinados agentes absorvem o lucro e socializam as perdas. Não se trata de teorias da conspiração, trata-se de factos. O que foi feito nesta crise quebra com todas as regras do capitalismo.

Não lhe fala aqui alguém que alguma vez se reviu no Marx. Sempre me convenceu o Hayek, sempre me pareceu que a "mão invisivel" do Adam Smith era o melhor que tínhamos para lidar com a nossa natureza falível. Ainda me parece. Mas o que se passa aqui é precisamente que os mercados não estão a funcionar. Há um takeover, não da parte de socialistas, mas do lado oposto: os tipos que estão no topo resolveram deixar de jogar o jogo do mercado. Declaram-se too big to fail, e você e eu pagamos os custos quando eles falham.

Pela lei do mercado teríamos agora uma data de empresas que teriam falido porque, como você disse, o capitalismo baseia-se no risco. Esses tipos correram riscos imbecis, falharam, e deveriam ter sido limpos pelo mercado. Mas não. Decidiu-se que são demaisados grandes para cair. E em vez deles caem as nações. Disseram que tinhamos que salvá-los a todos senao seria o desastre. Agora eles estao salvos, e o desastre calha-nos a nós. Em wall street alguns tiveram aumentos de 100% de ordenado base (para fazer de conta que não recebiam bónus) e os de topo estão a ter bónus recorde. São os mesmos que deveriam estar na falência, pelas leis do mercado. Entretanto os estados como o nosso estão a ser arruinados. As empresas de rating, que falharam miseravelmente com o sub-prime e que deveriam estar hoje elas sim desacreditadas, dão sentenças severas sobre os estados, criando um processo que se realimenta -exactamente como uma corrida aos bancos - e arruinam os estados que insistem em salvar os bond holders à custa dos cidadãos dos seus próprios países. Os investidores têm que ser escudados das perdas? Não é a essencia do capitalismo que as perdas lhes deveriam bater à porta como a todos?

O Sr. está a responder por hábito, e o hábito é perigoso. Os inimigos mudaram e você não reparou. Deveria estar furioso com o que se passa, não por ser comunista, mas por ser capitalista. Ser capitalista é pensar que um certo sistema funciona, não é estar permanentemente ao lado dos detentores do capital sejam eles quem forem e façam o que fizerem; se assim fôsse então estaria do lado do Mao quando ele mandava na China e do lado do Staline quando ele mandava, e do lado de um Reizito qualquer quando ele reinasse. Ser capitalista é acreditar na liberdade individual de correr riscos e pagar por eles. É perfeitamente possivel ser capitalista e nunca ter tido dinheiro - eu sou um exemplo! Mas estes tipos que lhe estão a pedir que viva como um servo para que eles permaneçam ricos não são capitalistas lá porque dizem ser: são cleptocratas, tão só. Prefiro lutar ao lado até mesmo dos comunistas do que ter alguma coisa a ver com esses ladrões miseráveis. Olhe em volta e veja o que as coisas são em vez dos nomes que elas usam.

Outra coisa, engana-se também se pensa que o desaire lusitano (e o Espanhol, irlandês, etc...)deriva todo da nossa famosa inércia. A política monetária da UE favorece os Alemães e coloca Portugal "e amigos PIGS" numa armadilha de onde não se vê saída. E não são comunistas que o dizem, são muitos economistas e capitalistas a sério. É evidente que Portugal precisava de uma moeda fraca para sobreviver com o topo de exportações em que era competitivo, infelizmente não se pensou nisso ao entrar no Euro, mas isso é já outra conversa...

A.

Anónimo disse...

Caro A.,

"Mas não se está a aperceber que a situação mudou. Isto não é capitalismo. O problema todo é que há agentes que se servem dos políticos para corromper as regras do jogo." -> O que não mudou foi a inexistência de uma alternativa POLÍTICA às democracias representativas como aquelas com que sonham os teóricos da conspiração. É esse o ponto aqui; não a discussão de política económica em concreto ou dos pormenores da crise económica, mas da questão política em geral.

"Esses tipos correram riscos imbecis, falharam, e deveriam ter sido limpos pelo mercado. Mas não. Decidiu-se que são demaisados grandes para cair. E em vez deles caem as nações." -> Quem é que decidiu? Políticos eleitos pelos cidadãos ou uma comissão de aliens? Não podem os cidadãos responsabilizar esses políticos? Se me disser que podem fazê-lo de 4 em 4 anos e que entretanto são enganados...pelos vistos você não foi enganado; porque têm que ser os outros? Se acha que há um regime político melhor...diga-me qual é. Ou também quer bater nos políticos?

"Mas estes tipos que lhe estão a pedir que viva como um servo para que eles permaneçam ricos não são capitalistas lá porque dizem ser: são cleptocratas, tão só. Prefiro lutar ao lado até mesmo dos comunistas do que ter alguma coisa a ver com esses ladrões miseráveis." -> Prefere lutar...por quê? Honestidade, transparência, etc.? E vai-se pôr ao lado de mentirosos compulsivos, que só entendem a economia política como um mecanismo para gerar poder e não para gerar bem-estar? Eu não estou a escolher o lado de ninguém, mas entre esses "cleptocratas" e os maluquinhos da teoria da conspiração, prefiro estar do lado dos que deixam em aberto a porta de uma mudança política dentro dos limites da civilização.

"É evidente que Portugal precisava de uma moeda fraca para sobreviver com o topo de exportações em que era competitivo, infelizmente não se pensou nisso ao entrar no Euro, mas isso é já outra conversa..." -> de facto é outra conversa, porque não me lembro de nenhum navio militar estar estacionado no Tejo a mando de "Bruxelas" a obrigar Portugal a entrar no euro; para além disso, o euro traz tantos benefícios como prejuízos, mas isso é como quase tudo em política...é preciso saber aproveitar os benefícios e minorar os prejuízos; o que não há é saída óptima.

Anónimo disse...

Caro A.,

"Mas não se está a aperceber que a situação mudou. Isto não é capitalismo. O problema todo é que há agentes que se servem dos políticos para corromper as regras do jogo." -> O que não mudou foi a inexistência de uma alternativa POLÍTICA às democracias representativas como aquelas com que sonham os teóricos da conspiração. É esse o ponto aqui; não a discussão de política económica em concreto ou dos pormenores da crise económica, mas da questão política em geral.

"Esses tipos correram riscos imbecis, falharam, e deveriam ter sido limpos pelo mercado. Mas não. Decidiu-se que são demaisados grandes para cair. E em vez deles caem as nações." -> Quem é que decidiu? Políticos eleitos pelos cidadãos ou uma comissão de aliens? Não podem os cidadãos responsabilizar esses políticos? Se me disser que podem fazê-lo de 4 em 4 anos e que entretanto são enganados...pelos vistos você não foi enganado; porque têm que ser os outros? Se acha que há um regime político melhor...diga-me qual é. Ou também quer bater nos políticos?

"Mas estes tipos que lhe estão a pedir que viva como um servo para que eles permaneçam ricos não são capitalistas lá porque dizem ser: são cleptocratas, tão só. Prefiro lutar ao lado até mesmo dos comunistas do que ter alguma coisa a ver com esses ladrões miseráveis." -> Prefere lutar...por quê? Honestidade, transparência, etc.? E vai-se pôr ao lado de mentirosos compulsivos, que só entendem a economia política como um mecanismo para gerar poder e não para gerar bem-estar? Eu não estou a escolher o lado de ninguém, mas entre esses "cleptocratas" e os maluquinhos da teoria da conspiração, prefiro estar do lado dos que deixam em aberto a porta de uma mudança política dentro dos limites da civilização.

"É evidente que Portugal precisava de uma moeda fraca para sobreviver com o topo de exportações em que era competitivo, infelizmente não se pensou nisso ao entrar no Euro, mas isso é já outra conversa..." -> de facto é outra conversa, porque não me lembro de nenhum navio militar estar estacionado no Tejo a mando de "Bruxelas" a obrigar Portugal a entrar no euro; para além disso, o euro traz tantos benefícios como prejuízos, mas isso é como quase tudo em política...é preciso saber aproveitar os benefícios e minorar os prejuízos; o que não há é saída óptima.

Anónimo disse...

Caro A.,

"Mas não se está a aperceber que a situação mudou. Isto não é capitalismo. O problema todo é que há agentes que se servem dos políticos para corromper as regras do jogo." -> O que não mudou foi a inexistência de uma alternativa POLÍTICA às democracias representativas como aquelas com que sonham os teóricos da conspiração. É esse o ponto aqui; não a discussão de política económica em concreto ou dos pormenores da crise económica, mas da questão política em geral.

"Esses tipos correram riscos imbecis, falharam, e deveriam ter sido limpos pelo mercado. Mas não. Decidiu-se que são demaisados grandes para cair. E em vez deles caem as nações." -> Quem é que decidiu? Políticos eleitos pelos cidadãos ou uma comissão de aliens? Não podem os cidadãos responsabilizar esses políticos? Se me disser que podem fazê-lo de 4 em 4 anos e que entretanto são enganados...pelos vistos você não foi enganado; porque têm que ser os outros? Se acha que há um regime político melhor...diga-me qual é. Ou também quer bater nos políticos?

"Mas estes tipos que lhe estão a pedir que viva como um servo para que eles permaneçam ricos não são capitalistas lá porque dizem ser: são cleptocratas, tão só. Prefiro lutar ao lado até mesmo dos comunistas do que ter alguma coisa a ver com esses ladrões miseráveis." -> Prefere lutar...por quê? Honestidade, transparência, etc.? E vai-se pôr ao lado de mentirosos compulsivos, que só entendem a economia política como um mecanismo para gerar poder e não para gerar bem-estar? Eu não estou a escolher o lado de ninguém, mas entre esses "cleptocratas" e os maluquinhos da teoria da conspiração, prefiro estar do lado dos que deixam em aberto a porta de uma mudança política dentro dos limites da civilização.

"É evidente que Portugal precisava de uma moeda fraca para sobreviver com o topo de exportações em que era competitivo, infelizmente não se pensou nisso ao entrar no Euro, mas isso é já outra conversa..." -> de facto é outra conversa, porque não me lembro de nenhum navio militar estar estacionado no Tejo a mando de "Bruxelas" a obrigar Portugal a entrar no euro; para além disso, o euro traz tantos benefícios como prejuízos, mas isso é como quase tudo em política...é preciso saber aproveitar os benefícios e minorar os prejuízos; o que não há é saída óptima.

João Guerreiro disse...

Ao Sr.anónimo
«….61 por cento dos 2,2 mil milhões de euros [de ajudas aprovadas em 2009 pelo Governo para combater os efeitos da crise internacional em Portugal], foram para a banca, 36 por cento para as empresas e um por cento para o apoio ao emprego.»
Quer mais?
Então Bruxelas não fechou agricultura e pescas?
As directivas eram claras.Não sabia?

Anónimo disse...

Sr. João Guerreiro: já lhe expliquei que não há "Bruxelas". Há uma Comissão Europeia, um Conselho da União Europeia e um Parlamento Europeu, todos representantes em maior ou menor grau dos eleitores dos respectivos Estados-Membros. É um sistema complicado, mas só conheço duas alternativas: ou o regresso ao isolamento dos países ou um império (em que basicamente não há sistema político negociado; há uma imposição pura e simples de um domínio pela força). Acho que o actual é preferível. Não conheço nenhum país na periferia da União Europeia que não esteja interessado em aderir. As directivas europeias demoram anos a negociar e representam um consenso; todos ganham e todos perdem alguma coisa e Portugal, que é um país médio na UE e que frequentemente se alia a outros países médios, tem ganho muito mais do que tem perdido.

Quanto à história da banca: não vale a pena entrar em questões de política económica; foi uma opção de um Governo eleito; não gosta, convença os outros cidadãos a não votar nele; são todos iguais? Olhe..."novos homens" não vão ser criados por outro sistema, portanto é melhor tentar alguma coisa com os que tem.

Ainda a propósito do Sr. A:
"Não há capitalismo quando determinados agentes absorvem o lucro e socializam as perdas. Não se trata de teorias da conspiração, trata-se de factos."
Onde está a conspiração quando os políticos que tomaram determinadas opções (contestáveis, sem dúvida, mas NOS LIMITES DO REGIME DEMOCRÁTICO REPRESENTATIVO) têm que as justificar e dependem da aprovação dos eleitores? Ou acha que não há benefícios (e atenção: NÃO ESTOU A JUSTIFICAR POLÍTICAS CONCRETAS) racionalmente aduzíveis e desvinculados do interesse específico de qualquer agente (isto é, benefícios identificáveis com o bem comum) da opção de impedir a falência de determinadas instituições financeiras? É uma questão de prós e contras? Pois é; mas alguém tem que decidir. A teoria da conspiração é um logro epistemológico: é impossível de provar e impossível de infirmar; é um mecanismo que confere carta branca a quem a diz combater em nome de todos os outros; enquanto as coisas correrem mal, a conspiração não cessa; como há sempre coisas a correrem mal (e não existe alternativa a um mundo em que há sempre coisas que dependem do acaso), o ciclo torna-se vicioso. Portanto, está a optar pelos inimigos mais perigosos de todos - aqueles que acham que a acção política não tem limites.

Anónimo disse...

Sr. João Guerreiro: já lhe expliquei que não há "Bruxelas". Há uma Comissão Europeia, um Conselho da União Europeia e um Parlamento Europeu, todos representantes em maior ou menor grau dos eleitores dos respectivos Estados-Membros. É um sistema complicado, mas só conheço duas alternativas: ou o regresso ao isolamento dos países ou um império (em que basicamente não há sistema político negociado; há uma imposição pura e simples de um domínio pela força). Acho que o actual é preferível. Não conheço nenhum país na periferia da União Europeia que não esteja interessado em aderir. As directivas europeias demoram anos a negociar e representam um consenso; todos ganham e todos perdem alguma coisa e Portugal, que é um país médio na UE e que frequentemente se alia a outros países médios, tem ganho muito mais do que tem perdido.

Quanto à história da banca: não vale a pena entrar em questões de política económica; foi uma opção de um Governo eleito; não gosta, convença os outros cidadãos a não votar nele; são todos iguais? Olhe..."novos homens" não vão ser criados por outro sistema, portanto é melhor tentar alguma coisa com os que tem.

Ainda a propósito do Sr. A:
"Não há capitalismo quando determinados agentes absorvem o lucro e socializam as perdas. Não se trata de teorias da conspiração, trata-se de factos."
Onde está a conspiração quando os políticos que tomaram determinadas opções (contestáveis, sem dúvida, mas NOS LIMITES DO REGIME DEMOCRÁTICO REPRESENTATIVO) têm que as justificar e dependem da aprovação dos eleitores? Ou acha que não há benefícios (e atenção: NÃO ESTOU A JUSTIFICAR POLÍTICAS CONCRETAS) racionalmente aduzíveis e desvinculados do interesse específico de qualquer agente (isto é, benefícios identificáveis com o bem comum) da opção de impedir a falência de determinadas instituições financeiras? É uma questão de prós e contras? Pois é; mas alguém tem que decidir. A teoria da conspiração é um logro epistemológico: é impossível de provar e impossível de infirmar; é um mecanismo que confere carta branca a quem a diz combater em nome de todos os outros; enquanto as coisas correrem mal, a conspiração não cessa; como há sempre coisas a correrem mal (e não existe alternativa a um mundo em que há sempre coisas que dependem do acaso), o ciclo torna-se vicioso. Portanto, está a optar pelos inimigos mais perigosos de todos - aqueles que acham que a acção política não tem limites.

Anónimo disse...

Sr. João Guerreiro: já lhe expliquei que não há "Bruxelas". Há uma Comissão Europeia, um Conselho da União Europeia e um Parlamento Europeu, todos representantes em maior ou menor grau dos eleitores dos respectivos Estados-Membros. É um sistema complicado, mas só conheço duas alternativas: ou o regresso ao isolamento dos países ou um império (em que basicamente não há sistema político negociado; há uma imposição pura e simples de um domínio pela força). Acho que o actual é preferível. Não conheço nenhum país na periferia da União Europeia que não esteja interessado em aderir. As directivas europeias demoram anos a negociar e representam um consenso; todos ganham e todos perdem alguma coisa e Portugal, que é um país médio na UE e que frequentemente se alia a outros países médios, tem ganho muito mais do que tem perdido.

Quanto à história da banca: não vale a pena entrar em questões de política económica; foi uma opção de um Governo eleito; não gosta, convença os outros cidadãos a não votar nele; são todos iguais? Olhe..."novos homens" não vão ser criados por outro sistema, portanto é melhor tentar alguma coisa com os que tem.

Ainda a propósito do Sr. A:
"Não há capitalismo quando determinados agentes absorvem o lucro e socializam as perdas. Não se trata de teorias da conspiração, trata-se de factos."
Onde está a conspiração quando os políticos que tomaram determinadas opções (contestáveis, sem dúvida, mas NOS LIMITES DO REGIME DEMOCRÁTICO REPRESENTATIVO) têm que as justificar e dependem da aprovação dos eleitores? Ou acha que não há benefícios (e atenção: NÃO ESTOU A JUSTIFICAR POLÍTICAS CONCRETAS) racionalmente aduzíveis e desvinculados do interesse específico de qualquer agente (isto é, benefícios identificáveis com o bem comum) da opção de impedir a falência de determinadas instituições financeiras? É uma questão de prós e contras? Pois é; mas alguém tem que decidir. A teoria da conspiração é um logro epistemológico: é impossível de provar e impossível de infirmar; é um mecanismo que confere carta branca a quem a diz combater em nome de todos os outros; enquanto as coisas correrem mal, a conspiração não cessa; como há sempre coisas a correrem mal (e não existe alternativa a um mundo em que há sempre coisas que dependem do acaso), o ciclo torna-se vicioso. Portanto, está a optar pelos inimigos mais perigosos de todos - aqueles que acham que a acção política não tem limites.

Anónimo disse...

E Sr. João Guerreiro: sem banca não há empresas; sem empresas não há emprego.

Anónimo disse...

Caro Anónimo,

o facto é que o regime democrático representativo não tem em si - para lá da confiança num mínimo de decência dos agentes políticos - um mecanismo que garanta a protecção a toda a prova contra tornar-se uma forma de alternar entre ditadores de 4 em 4 anos - basta que as máquinas partidárias sejam suficientemente monolíticas e estejam de acordo entre si, como se passa nos EUA com o sistema de dois partidos identicos, e como quase se passa aqui, com dois partidos idênticos e uns tantos partidos tão lunáticos que ninguém se atreve a elege-los (ou talvez se atreva neste caso, mais acerca disto adiante). A ideia de que o sistema Republicano é inerentemente estável é desmentida pela História, desde a República Romana às várias Repúblicas Renascentistas, até às presentes, a verdade é que sempre se mostrou ser um sistema inerentemente frágil precisamente porque sujeito à subversão por parte de interesses instalados. Imagino o cidadão Romano médio a protestar contra imaginárias teorias da conspiração, que Julio é um Republicano, que Augustus é um Republicano, que são tudo calúnias! E o mesmo foi dito em Florença e em Veneza e em todas as repúblicas que só o foram em meia duzia dos anos em que carregavam o nome. Portanto, quanto a "conspirações", uso do exemplo histórico para apontar que as do passado estavam lá, e que as vemos bem no presente, e as do presente serão visiveis no futuro. Mas não era de conspirações secretas que eu falava, era de políticas abertas que são abertamente inaceitáveis. E o que eu digo é meramente que para um capitalista e um Democrata (pois parece-me que preza ambos esses sistemas) está a parecer-me que não se apercebe que o momento presente é de facto de crise da base desses sistemas. Não de crise porque alguns arruaceiros possam partir cabeças a uns políticos (que pena), ou que um regime comunista à moda antiga possa instalar-se (não me parece), mas que o sistema possa passar a ser capitalista e Republicano só de nome.

Repito: Penso que o Capitalismo e a República são ambos sistemas instáveis. Têm que levar piparotes de vez em quando, como o Newton especulava acerca do sistema solar. Esses piparotes vêm da vontade popular que se apercebe de estar a ser enganada. Tentar conter esse desagrado neste momento só piora as coisas a longo prazo. Neste momento esta fúria poderá expressar-se no voto. Mas aumente mais a pressão contida, e daqui a uns anos só restará de facto partir cabeças.

>contestáveis, sem dúvida, mas NOS >LIMITES DO REGIME DEMOCRÁTICO >REPRESENTATIVO

...e dentro desses limites é perfeitamente legítimo paralisar o país (se suficientes funcionários estiverem de acordo em fazer greve para que tal aconteça), fazer resistência não violenta, ou eleger o partido que nos apeteça. Por exemplo, eu que sempre detestei o PC e o BE, posso ajudar a eleger um deles porque, a curto prazo, julgo ser a única opção estratégica para mudar os cálculos políticos do poder instalado. Não vejo o que isso tem de pouco democrático.

A.

Anónimo disse...

Quero com isto dizer que o propósito não é instalar uma alternativa à Democracia representativa e ao capitalismo, mas precisamente tentar impedir o seu descalabro.

Quando diz que não está a defender "opções específicas"...eu percebo onde está a ir, está a dizer que o sistema é mais importante que a política presente e incidental. Isso é verdade em geral. Mas o problema é que estes problemas não são bem compreendidos por uma formulação lógica (1 ou 0) mas pelo contrário inserem-se na generalização da lógica, que é a teoria das probabilidades, isto é, vivem no intervalo contínuo [0,1]: dito de outra forma, tudo é uma questão de grau! Só até certo ponto se pode dar ao luxo de considerar o problema módulo as especificidades locais e momentaneas.

Sendo assim, horror dos horrores, temos em cada momento que usar do nosso julgamente e determinar, sempre com a possibilidade de erro, se as coisas passaram dos limites. Aderencia cega às regras do sistema não chega, porque o sistema é fuzzy, permite manipulações, e degrada-se graciosamente, isto é, apodrece em vez de partir. É dificil saber quando é que o cheiro é mau demais.

Exemplo: A democracia é uma coisa boa. Mas a democracia não impede que amanhã votemos todos que vamos matar os judeus. Mesmo a constituição não o impede, porque a constituição também se muda com votos suficientes. Se 76% dos Portugas decidem que é legítimo e moralmente certo matar os judeus, então isso torna-se legítimo só porque assim foi votado? Contradição, absurdo? A democracia pode ser má? claro que pode. Em cada momento temos de decidir se as coisas passaram ou não do limite. Reservo-me o direito de dizer, em tais circunstancias, isto é inaceitavel e considero unilateralmente que as bases mínimas para um contrato social que limite as minhas acções estão terminadas. Nessa altura tudo é válido, inclusive o uso da força. Senão só restaria o argumento dos alemães que diziam "mas eu não fiz nada errado, era o meu dever legal seguir as ordens".

Não estamos, claro, numa situação tão extrema, mas dei este exemplo como proof of concept de que invocar como incantação mágica a necessidade de respeitar o sistema não resolve nada. Não há um critério lógico absoluto para determinar quando é que o sistema democrático, ou o sistema económico, foram subvertidos para lá do limite. Isso é algo que depende do critério de cada um.

E o que se observa neste momento, com toda a fúria popular que se levanta (e "popular" inclui um bom numero de phds nos tais assuntos complexos que requerem estudo) é que esses alarmes pessoais estão a disparar em muita gente. E nessa altura convinha ouvir as pessoas precisamente para proteger o sistema. E os políticos não estão a ouvir. E o risco é grande para todos nós. Mas a sua ideia de que está tudo bem porque o sistema está formalmente de pé, é como pregar aos leoes no coliseu. É claro que não está tudo bem; os sintomas são demonstração que chegue. Analogia: Você está nas ruas de Paris a dizer à turba que ela devia acalmar-se porque a revolução vai trazer o Terror e depois o Napoleão, etc, etc. Acha que está a fazer alguma coisa de jeito? O que você devia estar a fazer era a dizer ao Rei que saía-lhe muito mais barato despejar umas toneladas de pão pelas ruas de Paris do que ignorar o povo e acabar sem cabeça.

É preciso bom senso, sim, mas o único sítio onde esse bom senso pode provocar resultados é precisamente no sítio onde as tais decisoes economicas e políticas específicas estão a ser tomadas. Porque neste momento elas são demasiado importantes para serem consideradas pormenores.

A:

Anónimo disse...

mais: em certos casos a agressão física aos políticos é a decisão mais racional. Não o estou a advogar, note bem, estou a considerar um exercício hipotético em teoria dos jogos.

Suponha, só por hipótese, que as pessoas determinavam que o governo estava a agir deliberadamente de forma a transferir o dinheiro do estado (das suas pensões, dos seus impostos, etc) para as mãos de alguns particulares com quem tinham interesses comuns ilegítimos. Suponha ainda que o mandato do governo durava ainda o suficiente para arruinar o estado e a vida dessas pessoas durante uma geração. Seja esse o caso presente ou não, tome-o meramente por hipótese.

Seria irracional partir umas cabeças de elementos do governo? Não, seria a acção de um homo economicus racional. Qual é a alternativa? Fazer greves? Não resultaria neste cenário, porque se é para arruinar o estado pouco interessa ao governo haver mais ou menos prejuizo. Pegar fogo a carros? Absurdo! Que bem pode isso fazer, só destroi o capital de outros trabalhadores que não fizeram mal nenhum. Andar à pancada com a polícia? Que mal fizeram os polícias?

Não há motivo para paralisar comboios nem empresas, em tal cenário, nem em destruir propriedade privada, tudo isso só piora a situação económica e não afecta os agentes em causa.

Ora, partir cabeças de políticos é o que se chamaria uma acção cirúrgica em tal cenário - porque activa a função preferência dos políticos em causa, contrapondo o medo à ganância. Incentiva-os, por assim dizer, a fazer a coisa certa.

Não estou a dizer que seja esse o caso, nem estou a advogar tal coisa. Estou a dizer que se achasse que era esse o caso era possível que o advogasse e isso não faria de mim um agente irracional. Mais uma vez, tudo depende do caso, e afirmações peremptórias de "vamos respeitar o sistema" não respondem a nada sem qualificações suplementares que, sim, têm que tomar em conta as tais "decisões e políticas específicas" sobre as quais não se está a querer pronunciar.

Anónimo disse...

Caro Senhor A.,

Não percebo o seu argumento histórico. O republicanismo de Roma e das cidades-estado italianas tinha muito pouco a ver com o nosso; eram sistemas baseados numa estratificação social a priori muito pouco porosa (nobrezas "de sangue"), portanto, na prática, oligarquias (para os mais virtuosos..."aristocracias"). Logo, eram regimes com grandes dificuldades de renovação e, porque em circunstâncias externas ou imperiais ou de balance of power, tendentes a uma centralização permanente do mando - a mais adequada às necessidades militares permanentes. Tinham tudo para se transformarem em coutadas de interesses instalados. Não é disso que se trata aqui. Aqui há mobilidade social; o actual Presidente é filho de um gasolineiro, tanto quanto sei - representou, na devida altura, aspirações de muitos como ele (bem ou mal, não interessa).

"Mas não era de conspirações secretas que eu falava, era de políticas abertas que são abertamente inaceitáveis."
Não tenho interesse nenhum em discutir políticas específicas, porque seria um debate técnico e o meu interesse é única e exclusivamente alertar para os riscos da "teoria da conspiração" e afins; mas se quiser, posso dizer que provavelmente teríamos bastante em comum (e eu também partilho desse "ressentimento" contra corruptos e abusadores do sistema...mas não acho que bater-lhes seja desculpável).

"Por exemplo, eu que sempre detestei o PC e o BE, posso ajudar a eleger um deles porque, a curto prazo, julgo ser a única opção estratégica para mudar os cálculos políticos do poder instalado. Não vejo o que isso tem de pouco democrático."
Não vê o que é que votar em políticos claramente hostis à democracia representativa e ao mercado livre tem de pouco democrático? Imagine que toda a gente votava como o senhor...depois era capaz de ser difícil conter a onda.

"Exemplo: A democracia é uma coisa boa. Mas a democracia não impede que amanhã votemos todos que vamos matar os judeus. Mesmo a constituição não o impede, porque a constituição também se muda com votos suficientes."
Há princípios fundamentais que não podem ser alterados por nenhuma revisão constitucional; portanto, claramente impede. A única forma de os alterar é realmente deitar fora esta constituição, que é o que fariam os partidos acima se tivessem força para isso (e, para já, quem lhes dá a força são os votos).

"Não há um critério lógico absoluto para determinar quando é que o sistema democrático, ou o sistema económico, foram subvertidos para lá do limite."
Eu vivo numa sociedade civilizada que está a passar por um momento de ajustamento económico particularmente doloroso e que vai ter que aprender a conviver com a competição de Chinas, Índias, Brasis e afins e abdicar de alguns "direitos sociais". É mau para todos, mas é mesmo assim; não abdico é da civilização em nome desses "direitos sociais". A subversão reside mais no bombardeamento mediático constante, que fornece um sem número de casos que, como ocupam o espaço mediático todo, parecem a regra; não são. Não vamos pegar nesses casos e construir uma teoria.

"O que você devia estar a fazer era a dizer ao Rei que saía-lhe muito mais barato despejar umas toneladas de pão pelas ruas de Paris do que ignorar o povo e acabar sem cabeça."
E que tal fazer as duas coisas ao mesmo tempo? Não trato as pessoas como uma turba desmiolada; tento dar-lhes razões para darem valor àquilo que têm e perceberem que a mudança de regime ou paradigma económico seria catastrófica; e que o sistema funciona de acordo com os limites da natureza humana - as expectativas é que são demasiado elevadas. Falar às pessoas como se a crise se resumisse aos "barões da finança" é que é capaz de escamotear as outras alterações de fundo na economia internacional e incentivá-las a ligar o fim da crise ao fim dos "barões". Ou não?

Anónimo disse...

Bela avença!
Mas a festa vai acabar em tragédia.

Anónimo disse...

"Mais uma vez, tudo depende do caso, e afirmações peremptórias de "vamos respeitar o sistema" não respondem a nada sem qualificações suplementares que, sim, têm que tomar em conta as tais "decisões e políticas específicas" sobre as quais não se está a querer pronunciar."
As únicas qualificações que importa discutir perante defesas do puro niilismo político são as da civilização: não vivemos numa tirania em que impere a força bruta e o povo seja mantido na ignorância e na opressão; vivemos um regime democrático representativo que é simultaneamente um Estado de Direito, onde a informação é livre, ninguém me diz como devo ser feliz e os políticos está sujeitos a um escrutínio e a uma possibilidade de remoção do cargo permanentes. Portanto, é um imperativo categórico (incondicionado, o que faz da questão mesmo 1 ou 0...não de grau) a obediência à autoridade e o respeito da leis (o que implica não bater nos políticos). Se as leis são boas ou más...já vimos que há umas boas e outras más, mas está a subordinar a racionalidade prática a uma racionalidade teórica quando me fala na teoria dos jogos. Preservar a civilização, que inclui a submissão à Lei processualmente construída segundo o Direito ("o conjunto de condições sob as quais o arbítrio de um se pode harmonizar com o arbítrio do outro, segundo uma lei universal de liberdade"), é um dever e se todos agíssemos com base nesses cálculos consequencialistas um "despotismo benevolente" seria provavelmente o melhor regime...pelo menos o mais eficiente, partindo do princípio que o déspota era bondoso e iluminado (isto é, ouvia os conselhos para distribuir o pão e tinha liberdade para não dar cavaco a ninguém e ir a correr distribuí-lo).

Anónimo disse...

E já agora...dê-me o exemplo de uma conspiração mundial (como são as teorias da conspiração em voga por aqui..onde tudo se explica por referência a meia dúzia de princípios simples...leia-se "Bilderberg", "especuladores", etc) que a História tenha provado. Assim as duas últimas que deram mais que falar, a "conspiração judaica" e a "conspiração capitalista/imperialista", parece que afinal eram só instrumentos flexíveis de propaganda na mão de políticos com promessas de um "futuro melhor".

Acho que ainda não se apercebeu do tipo de explicação do que se passa no mundo aqui em voga (que é obviamente diferente das políticas específicas que está a propor como hipótese, que de qualquer modo não me parece que correspondam minimamente à realidade, pelo menos no sentido de "conspiração" como acção concertada e deliberada)...qualquer argumento minimamente credível nas mãos desses senhores é transformado numa "caução científica". É, de facto, coisa perigosa.

Anónimo disse...

O exemplo das cidade-estado (das que eram republicas) era adequado no sentido em que repetidamente se transformaram em oligarquias, não por tomada violenta do poder, mas meramente por degeneração interna - por golpes progressivos que quase não se notavam até estarem instalados. Parece ser uma regra.
O facto de só certas classes terem voto não muda o argumento, a questão é que mesmo dentro dessa classe o poder acabou por restringir-se a uns poucos e o direito de participação efectiva foi-se limitando cada vez mais, sem que tal fosse admitido formalmente. Até na Roma imperial ainda se falava, da boca para fora, que o poder residia no SPQR, quando na verdade se vivia efectivamente numa tirania absoluta.

>Não vê o que é que votar em >políticos claramente hostis à >democracia representativa e ao >mercado livre tem de pouco >democrático?

Não quando a alternativa é votar em outros partidos hostis às mesmas coisas, mas que apenas dizem não o ser. Preocupo-me mais com os que não são *claramente* hostis. Confio que hoje em dia ainda estamos imunizados contra o comunismo da velha guarda. Sim, é uma aposta, quer certezas em política?

>que fornece um sem número de casos >que, como ocupam o espaço >mediático todo, parecem a regra; >não são. Não vamos pegar nesses >casos e construir uma teoria.

Não se aplica o reparo. Eu nem sequer tenho televisão (há anos). As fontes em que me baseio são mais de ordem estatística do que casuística, ou então são observações de princípio, não ligo nenhuma aos choradinhos da TV, que não posso saber se são reais ou não. O que eu vejo, em geral, é uma concentração crescente da riqueza, a niveis que se sabe estatísticamente que levam a instabilidade social. O que eu vejo é políticas de contração numa altura que devia ser expansionista. O que eu vejo são empresas que eram too big too fail, que foram salvas por isso mesmo, e que permenecem too big to fail (e portanto terão sempre que ser salvas, perpetuando-as, o que é oposto ao principio base do capitalismo, porque os vencedores ficam assim definidos). E com isto tudo vejo cortes de impostos aos mais ricos nos EUA e quebra simultanea nas medidas sociais, que, essas sim, seriam adequadas no momento (Keynesianismo básico - e sim, Keynes não é incompativel com Hayek). Daqui tiro a conclusão de que o propósito é concentrar a riqueza no topo. Eis o que eu achava: O comunismo degenera sempre em burocracia opressiva. Eis o que eu acho agora: Além disso o capitalismo degenera em feudalismo corporativo...a não ser que leve um piparote periódico, à la Roosevelt. Precisamos de um New Deal precisamente para não acabarmos em revolução Francesa.

Que eu saiba o capitalismo e a democracia safaram-se bastante bem com o new deal.

Quanto ao que disse dos bancos: não sou contra os bancos, como é evidente. Sou contra os bancos que são demasiado grandes para falir. Se são demasiado grandes têm que ser partidos, se não são então podem falir- para isso é que há seguros de depósitos. E quando um banco vai à falência não é tragédia nenhuma, há muitos outros para tomar o seu lugar e crescer à custa dele. É isso o capitalismo: destruição criativa. Mas não, os bancos não podem falir... porque os seus donos e administradores estão protegidos por ligações políticas. Isso não é capitalismo, é corrupção e devia dar prisão.

Sabe porque há pauladas na rua? Porque há gente que devia ter sido presa e não foi.

A.

Anónimo disse...

>vai ter que aprender a conviver >com a competição de Chinas, >Índias, Brasis e afins e abdicar Imagine que toda a gente votava >como o senhor...

Se toda a gente votasse como eu, quem seria eu para votar de outra forma? :D

Ainda agora me disse que a violencia nao era a solução, mas sim o voto. E agora diz-me que não devo votar num partido que não os do costume, cujas medidas eu quero combater. Que alternativas de acção sobram? Não disse que deviamos agir dentro do sistema? O que se pode fazer então? Ou quer dizer que posso votar em qualquer partido... desde que seja o PS ou o PSD? Há aqui uma contradição qualquer.

>depois era capaz >de ser difícil >conter a onda.

Sim. Era preciso parar no momento certo. E quem disse que tendemos para um steady state? Se calhar não há regra constante, mas simplesmente a responsabilidade constante de ter que fazer zigue na altura do zigue e zague na altura do zague. Se calhar a República e o capitalismo são instáveis e têm que ser defendidos activamente com estratégias activas e de vez em quando perigosas. Se calhar não há alternativa.

Note ainda: Para quem não gosta de assumir nada (teorias da conspiração) está a assumir muito acerca do PC e do BE. Eles não dizem que são anti-democráticos, portanto ao assumir isso está a entrar em "teorias da conspiração", ou seja, está a assumir coisas que não pode provar acerca das intenções secretas desses grupos - vê como isso é dificil de evitar? A verdade é que é impossivel tomar decisões sem nos lançarmos a fazer hipóteses; a correr "riscos intelectuais". Mas às nossas hipóteses chamamos hipóteses e às dos outros chamamos teorias da conspiração :)

A verdade é que eu não sei o que aconteceria se eles ganhassem. É previsivel? O Chavez acabou por ser o que eu sempre temi, mas o Lula surpreendeu-me positivamente. Quem sabe o que seria o BE no poder? Não sei. Gostaria de não ter que o descobrir, mas se tiver que ser...suponha que vem um leão para devorá-lo, e há uma arvore por perto. Pode ser que haja uma cobra na àrvore, mas você vai deixar de trepá-la só porque *pode* haver cobras nas àrvores, quando sabe que há leões no chão?

A.

Filipe Bastos disse...

Nesta confusão de Anónimos, comentários repetidos, e respostas a respostas, parece-me haver pelo menos duas posições distintas:

- a de quem põe água na fervura, e condena os "maluquinhos da conspiração";

- a de quem recusa continuar a transigir com um sistema reconhecidamente defeituoso, e deixar impunes os seus principais responsáveis.

Estando eu no 2º lado da barricada, deixo desde já claro que iria mais longe: investigava, já amanhã, todos os veículos e imóveis de luxo em Portugal.

Em vez de ter a polícia na estrada simplesmente na caça à multa, passaria a mandar parar todos os automóveis acima de determinado valor. E todas as casas e vivendas acima de outro valor, receberiam uma visita surpresa. O mesmo valia para barcos de recreio, obras de arte, etc.

Afirmo o seguinte, sem receio de me enganar: 99% dos trafulhas são-no para poderem aceder a bens de luxo. Indo directamente aos últimos, encontramos os primeiros.

O objectivo não seria apenas corrigir fugas ao fisco: seria também descobrir muito CHULO e muito MAMÃO, com tachos e outros esquemas aparentemente legítimos, e expô-los abertamente.

O 2º passo, seria confiscar todos os bens mal explicados, extinguir todos os tachos identificados, e taxar retroactivamente os chulos - tal como o Estado nos faz, quando lhe dá jeito.

O 3º passo, seria talvez o mais importante: uma campanha como Portugal nunca viu, a condenar a corrupção e a recompensar todos os que a permitissem identificar, em cargos grandes ou pequenos.

É fundamental erradicar a mentalidade do "ele é que é esperto", "se fosse eu também roubava", etc. À força da repetição constante, em tudo o que é cartaz, jornal ou anúncio de TV, se preciso fosse. Qualquer taxa de sucesso, seria melhor do que o que temos agora.

Paralelamente, todos os políticos, gestores públicos, e respectivos familiares directos, passariam a ter a sua vida investigada e controlada ao milímetro. Sim: tornar-se-iam suspeitos à partida, sem excepções.

Quem não tolerasse tal invasão de privacidade, teria uma solução simples: NÃO SE CANDIDATAVA. Pois quem não deve, não teme.

Os problemas da ineficácia da Justiça (prioridade a todos os processos de corrupção e tráfico de influências, e fiscalização independente dos juízes), da delegação excessiva nos políticos (referendos obrigatórios para todas as obras ou pagamentos acima de determinado montante, ou que comprometam o país de formas bem identificadas), e do sistema financeiro (penalização das instituições financeiras, transferências para off-shores, e ganhos no casino bolsista), levariam bem mais do que um post.

Mas apenas as medidas acima, chegariam para virar boa parte do país do avesso, e mudar radicalmente o cenário degradante e hipócrita que hoje temos.

Isto, Sr. Anónimo (o tal a que respondi), são medidas drásticas. Nem sequer requerem pauladas ou pelotões de fuzilamento, que tanto arrepiam mentes sensíveis como a sua.

São medidas que já devíamos ter aplicado há muito, muito tempo.

Anónimo disse...

>E já agora...dê-me o exemplo de uma >conspiração mundial(....).leia-se >"Bilderberg", "especuladores", etc)

Não estava a falar desse género de coisa. Não levo essas teorias a sério, porque não vejo maneira nenhuma de detectar quais são verdadeiras, se algumas, e quais são historietas. Além disso não acredito em "grandes planos", em geral a História é um conflito de muitas pequenas conspirações que se cancelam mutuamente a nivel global, mas são efectivas a nivel local. Por conspirações refiria-me a coisas muito mais comezinhas, daquelas que sabemos que acontecem todos os dias (só não sabemos quais exactamente): os tipos ricos que chamam os políticos cujas campanhas pagaram para os safar dos seus erros, os projectos publicos feitos para meter dinheiro no bolso de amigos, etc...ou, a nivel historico (as tais conspirações do passado conhecidas no presente) as falsas acusações com que o 2º triunvirato eliminou familias inteiras para encher os bolsos de riquezas confiscadas, ou, com ressonancia mais actual, o esquema com o qual roma tornou em servos - com impostos e empréstimos! -grande parte dos agricultores italianos, tudo de forma perfeitamente legal e, a partir de um certo momento, perfeitamente premeditada. Acabou tudo com grandes vilas para os senadores romanos, e acabou tudo também com uma guerra entre romanos e ex-agricultores italianos desesperados. Os problemas de ontem são semelhantes aos de hoje.

Eis a conspiração de hoje, que me interessa, e que é verificável sem acesso a "documentos secretos", mas por mera observação da informação disponivel: as grandes empresas too big to fail perceberam que enquanto bloquearem as reformas que as controlariam ou reduziriam de escala, são imunes ás leis do mercado - quando ganham ficam com os lucros, quando perdem são salvas. Como tal podem, ciclicamente, optimizar os ganhos esperados aumentando o risco. Como estão em competição umas com as outras não podem abrandar o jogo. Comprando os politicos são além disso imunes à regulamentação do Estado. É mera teoria dos jogos, é evidente que se está a passar, já foi declarado por muitos economistas, é uma conspiração "aberta"; o resultado é um sistema político bloqueado e a progressiva ruina dos estados numa sucessão de booms e busts (e bailouts) que dizimam os estados sociais e concentram a riqueza toda no topo...até que tudo rebenta, porque um dia nem os estados podem conter o rombo.

É teoria dos jogos, quer queira quer não, e a unica forma de sair disto é quebrar o ciclo com uma wildcard, e não baixar a bola e continuar a ser o proverbial "bom aluno".

A.

Anónimo disse...

Andamos a tentar acalmar os mercados mas quanto mais concedemos pior ficamos. Andamos a fazer acrobacias para as agencias de rating, para que? Para sermos sabotados a cada passo por declaraçoes contraditorias dos alemaes? Se ainda temos alguma carta na mão, é precisamente a possibilidade oposta- a de agitar o barco. Há um terror face ao efeito de dominó, e Portugal tem como unica força o facto de que a nossa queda podia deitar abaixo a Espanha e se a Espanha cair vai tudo atrás. Deviamos estar a usar isso para forçar os Alemaes a abandonarem a politica ridicula em que têm insistido para consumo interno. Para essa ameaça ser credível podia ser util ter nas mãos um fulano do BE, que podia ser muito mais credível, porque mais imprevisível para o exterior. Os tipos do costume, PS e afins, simplesmente não seriam credíveis para uma jogada de poquer desse tipo; não vale a pena pôr um poodle a ladrar.

A verdade é esta: os Alemães têm uma moeda que lhe convém e que a nós nos arruina. Nós simplesmente não vamos a lado nenhum sem a ajuda deles. A eles interessa-lhes a UE como bloco político e económico. Nós vamos só por arrasto. Agora, podemos ir como servos -mais barato para eles - a dizer que sim a tudo, a fazer cada vez mais sacrifícios, até sermos uma provincia eternamente servil e pobre onde vêm passar férias... ou podemos fazer-nos dificeis, e exigir um futuro decente - com as condições para isso - ou a saída desta união se ela já não nos interessa. A Europa tal como existe serve acima de tudo os alemaes, por isso, se eles a querem, que a paguem, ao preço que acharem que ela vale. O erro de entrar terá sido nosso, mas a decisão de sair também nos pertence - de novo, é tudo uma questão de preço. Em qualquer dos casos, o conformismo neste momento nao nos leva a lado nenhum. Estão a oferecer-nos um mau negócio que não somos obrigados a aceitar. Veja-se a diferença de resultados entre as estratégias da Islândia e da Irlanda. Os rapazinhos servis não vão a lado nenhum. Mas os nossos políticos estão mais interessados em assegurar um tacho Europeu do que em defender os nossos interesses - mais um motivo para eleger outros que, pelas circunstancias, tenham que fazer uma pose diferente. E se não houver tempo para mudar de governo, então, sim, é altura de fazer na rua o que eles não fazem por si - a agitação social pode precipitar as coisas de tal forma que assuste os Alemães.

Sim, meu caro, é teoria dos jogos. E quando os outros dizem que não é isso que estão a fazer, é precisamente porque diz~e-lo faz parte do jogo. Está na altura de jogarmos duro, porque senão vamos passar muito mal o resto da nossa vida.

A.

Carlos disse...

“"Lol Onde está a lógica? Sabia que o corrupto também destrói o trabalho de muitas gerações?" -> não, o corrupto é um parasita, mas vive das próprias instituições, não tem nenhum incentivo para as destruir;...”
Vive (ou criou de raíz), das instituições/sistemas que, destruiu para criar outras que sirvam os seus intentos. Para se viver de algo, ou se cria esse algo de raiz, ou altera-se o existente (portanto destrói-se o anterior), para depois poder viver dele.

“São elas que criam as próprias aspirações. As pessoas sensatas não se endividaram para comprar telemóveis e irem passar férias a Cancun.”
Concordo. As pessoas aspiravam por exemplo a ter uma casa, com a abertura de crédito barato, as expectativas de conseguir aquilo que aspiravam pde ser preenchido, mas fugiu à questão.
E foi esse crédito barato que pôs as pessoas “a viver como ricos”.

“Banca para totós:...”
Antes de o aconselhar a uma leitura mais aprofundada por este blog para ficar a perceber um pouco mais sobre a banca diga-me; Os bancos só emprestam o dinheiro que têm?

“"Quer nos dar a razão porque em Portugal não se produz?"
Porque em vez de arriscarem e criarem empresas, as pessoas estão à espera que o Estado "dinamize a economia".
E vem o senhor para aqui dizer que estes assuntos são muito mais complexos...
Num país sem justiça (menos para os do sistema)(que se impede sub-repticiamente as pessoas de a procurarem), com um sistema fiscal predador e extorsionário (menos para...), com concorrência desleal (mercado aberto, China*...) (em que todos nós pagamos a sustentabilidade das grandes empresas, pelos benefícios fiscais que obtêm, etc), em que a corrupção ( e não falo daquele que foi pintar a casa à Maria e não declarou às finança) já nem é ocultada, os empresários que invistam em Portugal são mesmo estranhos. Felizmente que ainda há muitos, não sei se corajosos se loucos (não falo dos grandes que todos sustentamos, os do sistema)... aqui o estado não dinamiza a nossa economia, dinamiza as economias dos outros...
Resumindo.
No estado a que isto chegou, haver de vez em quando uns políticos que levem no trombone, é efectivamente muito bom. Porque as pessoas são motivadas por duas razões, a) interesse próprio b) medo.
Ora, o medo de poderem levar no trombone quando se pavoneiam numa rua ou num restaurante chique, e o interesse próprio de auto preservação, leva-os, não a ocultar, porque mais tarde ou cedo pode-se vir a saber e eles não são assim tão parvos (falo em termos gerais), mas, a actuar um pouco mais no benefício geral. Estimula-lhes a consciência, a ética... Simultâneamente aumenta a auto-estima dos portugueses... Pescadinha de rabo na boca...

* “Todos beneficiam com o livre comércio entre países (isto é a regra mais básica da economia internacional).”
Lol

Carlos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carlos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

>* “Todos beneficiam com o livre >comércio entre países (isto é a >regra mais básica da economia <internacional).”

Está longe de ser uma regra básica: é o teorema da vantagem comparativa de Ricardo. E de facto é um dos grandes argumentos a favor do free trade. Mas também não se deve assumir como demasiado evidente: como todos os teoremas da economia, o diabo está em ver se as condições assumidas no modelo são satisfeitas na prática...

(lá voltamos nós aos casos particulares)

A.

Anónimo disse...

Por manifesta falta de tempo (mas não por falta de consideração) vou responder muito abreviadamente:

Sobre este post do Sr. A:
"Note ainda: Para quem não gosta de assumir nada (teorias da conspiração) está a assumir muito acerca do PC e do BE."
O PCP tem inscrito nos seus estatutos os marxismo-leninismo como "guia supremo de acção política"; "actualmente" é a favor da democracia; marxismo quer dizer muitas coisas, leninismo só quer dizer uma - perfilha da democracia "burguesa" até as relações de poder se alterarem e ser possível instalar a ditadura do proletariado e o "Estado Socialista". O BE resulta da fusão de partidos maoístas ainda mais radicais - basicamente a ideia é usar a sociologia e a economia política como instrumentos de crítica social e alteração radical da realidade (incluindo atingir o "comunismo"). Não para promover o bem-estar e aceitar a liberdade negativa como princípio intocável. O PS, PSD, o CDS, etc., enfermam de muitos problemas que seria impossível discutir aqui com acuidade e profundidade, mas a recusa radical da civilização actual baseada na crença na sua total alteração guiada pela acção política centralizada não é um deles.

Sobre o post do Sr. Filipe Bastos:
O que está a descrever é um Estado policial em que os cidadãos não têm qualquer privacidade ou garantia; é uma subversão total da democracia representativa e basciamente o "grande poder" que diz que hoje pertence ao "capital" passaria direitinho para essas forças policiais omnipresentes e omnivigilantes; só que o grande capital não o acorda a meio da noite com uma arma e não o vai meter na prisão por "presunção de culpabilidade" - essa força repressiva rapidamente se tornaria ditatorial e incontrolável, porque ia alterar relações de poder mas não a natureza humana dos envolvidos.

Sr. Carlos e Sr. A.,:
A discussão do meu lado é a nível civilizacional. O modelo da banca que apresentei é só uma simplificação contra a teoria da conspiração de que "a banca é um roubo" e que o Estado devia nacionalizar a banca (que é a proposta de um partido). Não vou entrar em discussões técnicas porque esse debate implicaria longos argumentos sensatos e que teriam que ser avaliados por pros e contras. Só me interessam os argumentos insensatos - aqueles que NÃO se baseiam na imputação de intenções a agentes tidos por unificados e concertados (não exite "o grande capital", existem muitos empresários e a larguíssima maioria deles não é corrupta e não tem essa intenção de permanecer rica a todo o custo, mas existe um partido comunista português). Mas já agora: o keynesianismo é fundamental para resolver um problema muito sério de curto prazo - a partir daí é altamente discutível o seu valor; a teoria das vantagens comparativas é fundamental para resolver o grande problema económico de longo prazo - e a discussão dos prós e contras centra-se na minimização dos efeitos nocivos de curto prazo.

Presumo que daqui já se depreenda alguns aspectos da minha posição. Mas aí, sim, estamos a discutir políticas concretas e opções sensatas. Não estamos a discutir bater em políticos.

[Se tiver tempo depois elaboro um bocadinho]

Anónimo disse...

Correcção: "Só me interessam os argumentos SENSATOS - aqueles que NÃO se baseiam na imputação"

Anónimo disse...

Talvez alguém me consiga esclarecer o seguinte: porque é que o Estado Português não pode pedir directamente ao Banco Central Europeu? Porque é que o BCE empresta a 1% aos especuladores e eles emprestam-nos a 6 e a 7%? Nós não somos paraquedistas, nós somos (alegadamente) membros de pleno direito da UE e o BCE é o nosso banco que deveria servir os nossos interesses, senão para que é que serve se não pode emprestar aos seus membros? Talvez o anónimo (defensor da máfia financeira) me possa responder, mas não é com uma resposta do tipo: porque que é assim que os mercados funcionam". porque farto estou eu de saber que é assim, não percebo é porquê. Porque é que quando os mercados (leia-se os bancos) estiveram à rasca foi o Estado com o nosso dinheiro que os salvou, endividando-se a esses mesmos bancos, e agora, como forma de agradecimento, esses mesmos bancos que nós salvamos com o nosso dinheiro (onde é que estava o livre funcionamento dos mercados e a não interferência do estado?) vêm-nos cobrando juros exorbitantes. Eu sei que "não vale a pena queixar-se dos especuladores" e que eles precisam de dinheiro e de enriquecer, mas nós também, caramba! Portanto, repito a pergunta, porque é que não podemos pedir emprestado directamente ao BCE. E porque é que ninguém faz essa pergunta?

Carlos disse...

Sr A.
“Todos beneficiam com o livre comércio entre países (isto é a regra mais básica da economia internacional).”
São slogans tão lindos como nocivos os maus aproveitamentos que deles se fazem.

Anónimo 27 Dezembro, 2010 13:33
“Mas aí, sim, estamos a discutir políticas concretas e opções sensatas. Não estamos a discutir bater em políticos.”
Houve alguém que uma vez disse qualquer coisa do tipo; a guerra é a última etapa da diplomacia.
É tão triste como verdadeiro.

Daniel Simões disse...

Tantos comentários e tão longos demostram um desequilíbrio humano imenso, independentemente destes serem lógicos, ou não.
Que paciência, hein Diogo??? rsrsrsrs

Anónimo disse...

"Talvez alguém me consiga esclarecer o seguinte: porque é que o Estado Português não pode pedir directamente ao Banco Central Europeu? Porque é que o BCE empresta a 1% aos especuladores e eles emprestam-nos a 6 e a 7%? Nós não somos paraquedistas, nós somos (alegadamente) membros de pleno direito da UE e o BCE é o nosso banco que deveria servir os nossos interesses, senão para que é que serve se não pode emprestar aos seus membros?"
Muito, muito sucintamente.
1) O Banco Central Europeu é uma instituição comunitária, onde tem assento o governador do Banco de Portugal. Foi acordada por todos os países;
2) O Banco Central Europeu é mais que um banco comercial; é quem controla a massa monetária em circulação, ou seja, pode imprimir euros. Qualquer político no governo que queira "comprar eleitores" poderia, se pudesse aceder aos fundos do BCE dessa forma directa, simplesmente imprimir euros e distribui-los; aumentava salários nominais, pensões, essas coisas todas; acontece que isso provocaria inflação e no médio prazo esses efeitos desapareceriam; entretanto o Estado tinha acumulado dívida para com o BCE, porque esse dinheiro tinha sido só para aumentar artificialmente os rendimentos das pessoas e não para ser usado para novos investimentos. Ora, o Estado enquanto Estado não produz nada. O Estado para pagar uma dívida externa tem que se financiar internamente - basicamente, através de impostos, que podem ter outros nomes como "obrigações do tesouro" e afins mas que são só adiamentos de impostos. Portanto, segundo este modelo simplificado, é fácil perceber que esse empréstimo do BCE o que traria era impostos futuros e não resolveria nada porque o rendimento das pessoas seria comido pela inflação.

Anónimo disse...

3) Porque é que com os bancos comerciais é suposto isto não acontecer? Porque os bancos comerciais, PARA SOBREVIVEREM (e aqui entra obviamente a questão colocada pelo Sr. A quantos aos bancos que sobrevivem à custa de políticas duvidosas), têm que ter critérios não políticos (outro dos problemas de um BCE que emprestasse directamente aos Estados seria ter que adoptar critérios políticos que trariam ainda mais descriminação entre Estados com grande e pouco peso nas instituições) para emprestar o dinheiro - leia-se, só emprestam se os investimentos forem rentáveis. Isto é a teoria...na prática, como os homens não são perfeitos, há sempre conluios e afins. Tanto os banqueiros como os políticos são agentes com interesses próprios (lucro / reeleição); só que os segundos causam ainda mais dano que os primeiros e têm acesso a instrumentos de poder de que os outros carecem. Só que o "Estado" não anda aí com ferraris, os banqueiros andam - estão mais sujeitos à censura popular do que os agentes políticos.
4) O que aconteceu nesta crise foi exactamente uma aplicação da teoria keynesiana entendida como teoria de curto prazo: para evitar uma recessão que conduzisse ao colapso como em 1929, o BCE injectou massa monetária na economia; assim, impediu uma contracção de poder de compra que levasse ao ciclo vicioso de fecho de empresas/perda de poder de compra dos trabalhadores/fecho de outras empresas...etc etc. Só que essa massa monetária em circulação vai provocar inflação no médio prazo, portanto é preciso retirá-la de circulação. Como se faz isso? Aumentando as taxas de juro e assim tornando racional para as pessoas depositarem o seu dinheiro. Isto leva a uma contracção do investimento, mas quem investir agora tem outras vantagens que não teria numa situação melhor.
5) Keynes dizia: no longo prazo estamos todos mortos. Ele está. Mas os nossos descendentes não. E os países vão acumulando dívidas públicas colossais à conta de financiar investimentos públicos.
6) Basicamente tudo se resume assim: o que é mais nocivo - entregar ao poder político (que controla armas) a gestão da criação de riqueza ou entregá-la à livre interacção das pessoas? É evidente que tem que ser um meio termo, mas o primeiro tende a atrofiar a criação de riqueza (porque os políticos preferem equidade a eficiência para ganhar eleições) e a criar redes clientelares "público-privadas"; a segunda tende a aumentar a concentração da riqueza, mas o bolo a distribuir por todos também aumenta muito mais.

Sim, está tudo muito simplificado. Mas também está em linguagem acessível e resumida ao básico. As questões keynesianismo/monetarismo, etc, são extremamente discutíveis. A própria política do BCE também. Mas o que não é discutível é que há fortes razões objectivas para as coisas serem como são (pelo menos tão fortes como para não serem) e que, portanto, não se resume tudo a uma conspiração.

João Guerreiro disse...

O Desgoverno continua.
Agora nem os espanhóis podem passar pelas Scuts/portagens MAIS caras do mundo.
Acabou-se as reservas nos hóteis de cá.
Ontem já deram fogo a uma Scut, e pelo caminho que isto leva outras se seguirão.
Assim vai o Circo…

Anónimo disse...

Caro Anónimo,

não vou poder continuar a conversa tão cedo porque o trabalho volta a apertar e assim estará nos proximos dias. Mas penso que nos entendemos. Concordo com a sua visão geral do sistema (nos momentos normais, que não este), e com a perspectiva de qual a função das intervenções Keynesianas e quais alguns dos seus perigos. Vejo também que percebeu bem quais as minhas objecções correntes. A diferença entre nós parece-me ser apenas esta: o Sr. acha que as corrupções que afectam o sistema presentemente são business as usual - isto é, são aquelas falhas humanas que sempre estiveram no sistema, apenas talvez maiores em grau, mas não qualitativamente diferentes - continua a valer o argumento de que as acumulações de capital que ocorrem por meios ilícitos (as que são lícitas não me preocupam) são compensadas pela subida global de nivel de vida que arrasta toda a sociedade para cima. É nestes aspectos que eu discordo. Acho que o sistema só pode absorver compadrio e corrupção até certo ponto, e que passado esse ponto a diferença quantitativa torna-se qualitativa. Nessa altura deixa de haver benefícios globais e passa a haver só acumulação para alguns e à custa dos demais, e o sistema, tanto económico como político, tem que ser salvo por meios de excepção, ou cairá num ciclo descendente. Tal como nas "panes" económicas ("dynamo trouble") se usa de estímulos Keynesianos de excepção, também nas panes políticas existem meios de excepção. Note que quando a coisa aperta os industriais e financeiros de todos os tipos não se coíbem de se dirigir ao poder político pessoalmente para dobrar as regras. Usam a leverage que possuem. Também o povo comum possui uma certa leverage, e é essa que está a usar. Em ultimo caso possui a capacidade para atemorizar fisicamente governos corruptos e os variadissimos lobbies que sobre eles costumam exercer pressão diária - para lhes mudar a perspectiva de perdas e ganhos. Há muitos casos ao longo da história de democracia e do capitalismo em que a revolta popular serviu tais propósitos sem derrubar o sistema. Sim, terá o seu lado negro, tal como as forças mais usuais do capitalismo também o têm, mas tal como estas fazem parte da coisa total também a revolta popular faz parte. É tudo parte do ecossistema capitalista. Tal como é frequente num corpo humano, o problema não é as bactérias serem más ou os fungos serem maus, o que é mau é o desequilibrio entre as populações de microorganismos. Já considerou que se calhar este exacerbar da força (literalmente da força) popular pode não ser mais que a reacção natural aos exageros da pressão de outras forças económicas que à sua forma manipularam demasiado o sistema? Um ilícito combate e equilibra o outro. E que essas forças, com todas as suas desvantagens, podem ser não so aceitaveis como necessárias para repor o sistema no equilíbrio, tal como o sistema imunitário por vezes causa danos ao corpo com a urgência da sua reacção, e no entanto a reacção urgente é imprescíndivel para a sobrevivência desse mesmo corpo.

Seja como for, penso que percebemos onde divergimos. Já é alguma coisa. Com alguma pena, terei que me ficar por aqui.

(Não comento a parte relativa ao BCE - na qual discordo, de novo não nas afirmações gerais mas em relação às medias específicas que o BCE deveria estar a tomar, precisamente devido à situação específica, e no facto de que não há motivo para caracterizar esta crise dos estados de forma diferente à crise dos bancos, nem para agir de forma tão díspare face às duas. Mas não tenho mais tempo, e fico-me por dizer que aí discordaríamos fortemente, pelos mesmos motivos que antes.)

De saída, fico-me por desejar boa sorte a todos nós, nestes tempos tão "interessantes".

A.

Anónimo disse...

Vou regressar ao manicómio,isto cá fora está muito pior!

Anónimo disse...

Caro Sr. A.,

Não estava a defender nenhuma política económica em particular, estava só a responder à pergunta sobre o bloqueio à politização da cunhagem de moeda. Que tem prós e contras, como tudo o resto; mas que não é fruto de uma conspiração.

"Um ilícito combate e equilibra o outro."
Acho que aqui as águas se separam claramente. Eu defendo a total, absoluta e inquestionável submissão à Constituição e aos limites que prescreve à acção política (letra e espírito, sem "reservas mentais" como a de certos partidos). A analogia com os organismos não é aceitável porque cada ser humano é intrinsecamente digno - isto é, não pode ser tratado como um meio para resolver um problema sem um processo justo (dar-lhe pauladas não é aceitável, por muita asneira que tenha feito).

Também eu tenho estado a responder nos curtos intervalos de tempo de que disponho. Deixo aqui só uma nota: lutar pelo que queremos, sim; mas dentro do sistema, que é o melhor que alguma vez tivemos. Não vamos voltar à I República, porque aí os problemas que hoje são sobretudo de natureza económica passam a problemas políticos de fundo e vão ver que a instabilidade é infinitamente mais destrutiva para as vossas vidas e as vossas aspirações.

Melhores cumprimentos a todos e especialmente ao Sr. A.

Americo disse...

Será que podemos viver sem especuladores?

O Imperador Frederico Barba-Roxa (1122-1190), que reinou desde a Dinamarca até à Sicília, é o equivalente do D. Sebastião para os povos de língua alemã. A revolução monetária desse Imperador, contemporâneo de D. Afonso Henriques, ofereceu um bem-estar geral à Europa Central durante 300 anos, desde aproximadamente 1150 até 1450.
O cristão não podia emprestar dinheiro a juros. Não cristãos, pelo contrário, podiam. Criou-se assim uma dependência a um grupo de pessoas que, cumprindo as directivas das suas escrituras sagradas se especializaram no negócio do dinheiro. O Imperador Barba-Roxa determinou a anulação do pagamento de juros. O dinheiro, cunhado por Reis, Condes, Duques, etc, passou a ser recolhido uma ou duas vez por ano e trocado por novo dinheiro, mas por cada 12 moedas velhas que se entregavam, recebiam-se só umas 9 moedas novas, a diferença era arrecadada como imposto. Podemos pensar que isso é uma grande roubalheira, mas essa era a forma de pagar os impostos e era aplicado (para além disso pagava-se o dizimo - 10% da colheita). Nós entregamos cerca de metade do nosso vencimento ao Estado. O resultado é que deixou de ser vantajoso guardar o dinheiro. Toda a gente se queria desfazer dele antes do prazo da troca obrigatória. Oferecia-se dinheiro para a construção de catedrais e conventos das cidades que surgiam por toda a parte. Foi nessa época que surgiram as famosas catedrais góticas. Nunca se fundaram tantas cidades na Europa Central como nos séculos XII - XIV. As diferenças sociais minimizaram-se! A prosperidade surgia como resultado do trabalho e não da chulice e exploração daqueles que precisavam de ajuda financeira. Um tarbalhador rural tinha, por ano, entre 90 a 150 dias livres, durante os quais não precisava de trabalhar! Em certas profissões introduziram semanas de 4 dias de trabalho!! Nas minas não se trabalhava mais do que 6 horas seguidas (e ainda falam mal da Idade Média). Um trabalhador de Augsburgo, por exemplo, ganhava por dia para poder comprar 3 kg da melhor carne (comparar com os tempos de Salazar onde carne era só aos fins-de-semana). O povo comia 4 pratos, tanto ao almoço como ao jantar. As festas populares e familiares duravam diversos dias (esta-me mesmo a apetecer ir viver para a Idade Média!!!). Os agricultores usavam botões de prata e não eram raras as casas onde se comia em pratos de prata sem se ser fidalgo... Isto que acabaram de ler (se tiveram paciência) é uma citação bastante avacalhada do livro de Rainer Daehnhardt "Identidade Portuguesa" (capitulo 14). Tudo isto é capaz de ser interessante, mas se eu disser que o autor pensa que serão os portugueses que vão salvar o Mundo é capaz de não ajudar. Contudo, alternativas precisam-se. Não estou a falar de teorias de conspiração, mas de história. Terá sido mesmo assim, nos tempos do Barba-Roxa?

Americo disse...

Será que podemos viver sem especuladores?

O Imperador Frederico Barba-Roxa (1122-1190), que reinou desde a Dinamarca até à Sicília, é o equivalente do D. Sebastião para os povos de língua alemã. A revolução monetária desse Imperador, contemporâneo de D. Afonso Henriques, ofereceu um bem-estar geral à Europa Central durante 300 anos, desde aproximadamente 1150 até 1450.
O cristão não podia emprestar dinheiro a juros. Não cristãos, pelo contrário, podiam. Criou-se assim uma dependência a um grupo de pessoas que, cumprindo as directivas das suas escrituras sagradas se especializaram no negócio do dinheiro. O Imperador Barba-Roxa determinou a anulação do pagamento de juros. O dinheiro, cunhado por Reis, Condes, Duques, etc, passou a ser recolhido uma ou duas vez por ano e trocado por novo dinheiro, mas por cada 12 moedas velhas que se entregavam, recebiam-se só umas 9 moedas novas, a diferença era arrecadada como imposto. Podemos pensar que isso é uma grande roubalheira, mas essa era a forma de pagar os impostos e era aplicado (para além disso pagava-se o dizimo - 10% da colheita). Nós entregamos cerca de metade do nosso vencimento ao Estado. O resultado é que deixou de ser vantajoso guardar o dinheiro. Toda a gente se queria desfazer dele antes do prazo da troca obrigatória. Oferecia-se dinheiro para a construção de catedrais e conventos das cidades que surgiam por toda a parte. Foi nessa época que surgiram as famosas catedrais góticas. Nunca se fundaram tantas cidades na Europa Central como nos séculos XII - XIV. As diferenças sociais minimizaram-se! A prosperidade surgia como resultado do trabalho e não da chulice e exploração daqueles que precisavam de ajuda financeira. Um tarbalhador rural tinha, por ano, entre 90 a 150 dias livres, durante os quais não precisava de trabalhar! Em certas profissões introduziram semanas de 4 dias de trabalho!! Nas minas não se trabalhava mais do que 6 horas seguidas (e ainda falam mal da Idade Média). Um trabalhador de Augsburgo, por exemplo, ganhava por dia para poder comprar 3 kg da melhor carne (comparar com os tempos de Salazar onde carne era só aos fins-de-semana). O povo comia 4 pratos, tanto ao almoço como ao jantar. As festas populares e familiares duravam diversos dias (esta-me mesmo a apetecer ir viver para a Idade Média!!!).

Continua no próximo fascículo (se Deus quizer)

Americo disse...

Será que podemos viver sem especuladores?

O Imperador Frederico Barba-Roxa (1122-1190), que reinou desde a Dinamarca até à Sicília, é o equivalente do D. Sebastião para os povos de língua alemã. A revolução monetária desse Imperador, contemporâneo de D. Afonso Henriques, ofereceu um bem-estar geral à Europa Central durante 300 anos, desde aproximadamente 1150 até 1450.
O cristão não podia emprestar dinheiro a juros. Não cristãos, pelo contrário, podiam. Criou-se assim uma dependência a um grupo de pessoas que, cumprindo as directivas das suas escrituras sagradas se especializaram no negócio do dinheiro. O Imperador Barba-Roxa determinou a anulação do pagamento de juros. O dinheiro, cunhado por Reis, Condes, Duques, etc, passou a ser recolhido uma ou duas vez por ano e trocado por novo dinheiro, mas por cada 12 moedas velhas que se entregavam, recebiam-se só umas 9 moedas novas, a diferença era arrecadada como imposto. Podemos pensar que isso é uma grande roubalheira, mas essa era a forma de pagar os impostos e era aplicado (para além disso pagava-se o dizimo - 10% da colheita). Nós entregamos cerca de metade do nosso vencimento ao Estado. O resultado é que deixou de ser vantajoso guardar o dinheiro. Toda a gente se queria desfazer dele antes do prazo da troca obrigatória. Oferecia-se dinheiro para a construção de catedrais e conventos das cidades que surgiam por toda a parte. Foi nessa época que surgiram as famosas catedrais góticas. Nunca se fundaram tantas cidades na Europa Central como nos séculos XII - XIV. As diferenças sociais minimizaram-se! A prosperidade surgia como resultado do trabalho e não da chulice e exploração daqueles que precisavam de ajuda financeira.

Continua no próximo fascículo (se Deus quizer)

Americo disse...

Será que podemos viver sem especuladores? (parte II)

Um trabalhador rural tinha, por ano, entre 90 a 150 dias livres, durante os quais não precisava de trabalhar! Em certas profissões introduziram semanas de 4 dias de trabalho!! Nas minas não se trabalhava mais do que 6 horas seguidas (e ainda falam mal da Idade Média). Um trabalhador de Augsburgo, por exemplo, ganhava por dia para poder comprar 3 kg da melhor carne (comparar com os tempos de Salazar onde carne era só aos fins-de-semana). O povo comia 4 pratos, tanto ao almoço como ao jantar. As festas populares e familiares duravam diversos dias (esta-me mesmo a apetecer ir viver para a Idade Média!!!). Os agricultores usavam botões de prata e não eram raras as casas onde se comia em pratos de prata sem se ser fidalgo... Isto que acabaram de ler (se tiveram paciência) é uma citação bastante avacalhada do livro de Rainer Daehnhardt "Identidade Portuguesa" (capitulo 14). Tudo isto é capaz de ser interessante, mas se eu disser que o autor pensa que serão os portugueses que vão salvar o Mundo é capaz de não ajudar. Contudo, alternativas precisam-se. Não estou a falar de teorias de conspiração, mas de história. Terá sido mesmo assim, nos tempos do Barba-Roxa?

Anónimo disse...

Este é definitivamente o meu último post.

Americo: banqueiros não têm que ser especuladores. São banqueiros; podem ou não dedicar-se TAMBÉM à especulação (você também pode, se amealhar fortuna e estiver atento às falhas do sistema). Especuladores são pessoas que se dedicam a explorar as inconsistências da regulação estatal para obterem lucros por mera engenharia financeira (e não é nada fácil ser especulador...é preciso ter capital para aguentar especular contra autoridades públicas, ser tenaz e ter...bem...poucos escrúpulos relativamente às pessoas que sofrem com a especulação). A culpa da especulação é tanto das autoridades como dos especuladores.

Mas relativamente à Idade Média e cingindo-me à parte económica: se quiser viver sem computadores portáteis, internet, ipods, tvcabo e outros bens e serviços que existem e serão criados brevemente graças à existência de grandes concentrações de capital que permitem investimentos em investigação, desenvolvimento e novas técnicas de fabrico - se estiver disposto a abdicar do crescimento económico e do desenvolvimento, então sim. Se se sentir realizado a comer javalis, a passear pela floresta, a trabalhar nas minas e a construir monumentos a passo de caracol - força nisso! Mas um dia que venha uma intempérie ou uma pandemia mortífera, não espere encontrar centros de saúde, antibióticos e vacinas para o curar! Nem ande à procura de um emprego como webmaster!

Filipe Bastos disse...

A confusão de posts continua (o caro Diogo parece precisar de um pátio mais largo e inteligível, para todos os que vêm cá brincar e opinar, motivados pelos seus interessantes posts), por tal limito-me a responder ao Anónimo:

Não descrevi nenhum «Estado policial», isso é o que "Anónimos" acomodados como V.Exa. parecem pensar, de tudo o que não corresponde à bandalheira instalada, com a qual lucram e se sentem confortáveis.

Investigar todos os BENS DE LUXO, não perturba quem os adquiriu por meios legítimos.

Não tenho qualquer receio de ser investigado, pelo contrário: posso ser investigado todos os dias. Nunca tive nem pedi cunhas, nunca tive nada que não pudesse pagar, nunca fugi a contratos ou a impostos, e nunca recebi "apoios" ou ESMOLAS da UE, nem jamais as pedi. Sou um grande OTÁRIO, bem sei.

E pago impostos por obrigação, sem acreditar em quem os recebe e aplica - como a maioria dos contribuintes.

Assim, até me agradaria pensar como o caro Anónimo: que viesse um novo regime, que metesse todos os nossos CHULOS, TRAFULHAS e MAMÕES em alerta, à espera de serem acordados a meio da noite, como nas suas fantasias de regimes autoritários. Mereciam, de facto, tal sorte.

Mas não vou tão longe: não devemos descer ao nível de governos que inventam "terroristas" e epidemias fictícias, para vender armas e vacinas a papalvos, e a outros vendidos.

Não, falamos de algo mais prosaico: basta investigar de onde vieram certos imóveis, certos carros, certos barcos, enfim, certos BENS DE LUXO, que motivam a CANALHA que você desculpa, com todos os argumentos que - suspeito - nunca criaram qualquer valor, fora da sua carreira académica.

Basta ir aos bens de luxo - acima de determinado valor - para descobrir muitos PULHAS. Entre os visados, alguns hão-de justificar os bens com trabalho legítimo, outros com heranças, etc. Mas muitos outros, serão certamente apanhados.

Face ao estado deste país, creio que devíamos estabelecer um exemplo - um exemplo muito claro. A máxima é simples: QUEM NÃO DEVE, NÃO TEME.

A tudo o resto... aplica-se o velho ditado: "a porta da rua, é serventia da casa". Que vão - já deviam ter ido! Mas só após deixarem CÁ, o que chularam e/ou roubaram.

Zorze disse...

Diogo, desta vez acicataste a sério o animo de muitas alminhas. Esta caixa de comentários quase uma rede social misto de blog/luso/anónimos.
As imagens do ex-ministro grego a apanhar na careca, correram mundo e fomentam os comentários de diversas ordens. E tens aqui, uma amostra dessas diversas... Dirimir conceitos e factos históricos.

Por outro lado, enquanto continuar o torcionamento (por entidades secretas/ocultas) de alguns países, este pequeno "incidente" é apenas uma pequena amostra do que poderá aí vir.
Sem querer ser (mas sendo) apocalíptico, podemos estar à beira da selvajaria total. E isso pode ser facto.

Abraço.

Anónimo disse...

Caro Zorze,a selvajaria já existe.
Por enquanto,por parte de uma clique sobre a população em geral.
Quando se inverterem os termos chamar-se-á justiça.

Acompanho os argumentos do sr Filipe Bastos,excepto no que se refere à porta da rua.
Na minha opinião,para essa escumalha que rouba o futuro e o pão aos portugueses,só há uma porta,a da cadeia!

Anónimo disse...

a cambada ainda não percebeu que para este regime cair,tem que haver mesmo caos.

duas portagens já foram vandalizadas,uma com pneus a arder outro ao tiros.
Fodam nas todas.Não pode ser so o pessoal do norte a mexer se.

E aproveitar a confusão do ano novo.vandalizem,mostrem os dentes a estes filhos da puta cleptocratas.

Queimem,destruam,vandalizem,gravem,pintem nas paredes,queimem bandeiras da maçonaria e ponham no you tube.
Mexam se.

Americo disse...

Será que podemos viver sem especuladores (Parte III)

Nos anos 30 fizeram-se outras experiencias com dinheiro sem juros (a crise obrigou) com o objectivo de diminuir o desemprego. O exemplo de maior sucesso ocorreu na pequena cidade austríaca de Wörgl, com 3000 habitantes. Inspirando-se nas ideias de Silvio Gesell (economista que defendia a ideia de dinheiro sem juros, cujo livro: "A Ordem Económica Natural" quase de certeza não estará traduzido para português), a cidade emitiu 5000 "xelins livres" (leia-se, livres de juros) que tinham a garantia de 5000 xelins normais depositados num banco. Com esse dinheiro construi-se uma ponte, melhoraram-se estradas, pagaram-se salários e materiais, o dinheiro passou a ser aceite por toda a gente, incluindo empresários e comerciantes. O preço pelo uso desse dinheiro era de 1% ao mês, 12% ao ano. Esse custo era pago por aqueles que tinham o dinheiro em sua posse no final do mês. Esse pagamento era feito na compra de 1 selo que era colado à nota, sem esse selo a nota não tinha validade. Isso levou a que toda a gente tentasse desfazer-se das notas até ao fim do mês, até ficar só com o dinheiro normal. Até os impostos eram pagos antecipadamente. Durante 1 ano os 5000 xelins mudaram 463 vezes de mãos, correspondendo à uma circulação de mercadorias e serviços no valor de cerca de 2 300 000 xelins (5000 x 463). Já o xelim normal era transacionado cerca de 213 vezes por ano. Como resultado, numa altura em que muitos países da Europa lutavam contra o desemprego, a cidade de Wörgl viu o nível de desemprego descer 25%. O pagamento recebido pela municipalidade pelo uso do dinheiro atingiu 12% do valor total das notas emitidas, ou seja 600 xelins (12% de 5000 xelins). Esse dinheiro foi gasto em proveito público, ou seja, a favor da comunidade em vez de servir para enriquecer somente alguns dos seus membros. Quando o projecto despertou o interesse de mais de 300 comunidades da Austria o Banco Nacional da Austria interveio e pôs fim à experiência. (A Máfia não dorme).
Este exemplo encontra-se descrito no livro de Margrit Kennedy "Dinheiro sem Inflação nem Taxas de Juro" (Interest and Inflation-Free Money, capítulo THE FIRST MODEL EXPERIMENTS). A versão do livro em inglês está disponível para leitura online no site da autora. Também foi traduzido para 22 línguas, mas não encontrei nenhuma versão em português à venda. No emule há copias em inglês e alemão.

Americo disse...

Será que podemos viver sem especuladores (Parte III)

Nos anos 30 fizeram-se outras experiencias com dinheiro sem juros (a crise obrigou) com o objectivo de diminuir o desemprego. O exemplo de maior sucesso ocorreu na pequena cidade austríaca de Wörgl, com 3000 habitantes. Inspirando-se nas ideias de Silvio Gesell (economista que defendia a ideia de dinheiro sem juros, cujo livro: "A Ordem Económica Natural" quase de certeza não estará traduzido para português), a cidade emitiu 5000 "xelins livres" (leia-se, livres de juros) que tinham a garantia de 5000 xelins normais depositados num banco. Com esse dinheiro construi-se uma ponte, melhoraram-se estradas, pagaram-se salários e materiais, o dinheiro passou a ser aceite por toda a gente, incluindo empresários e comerciantes. O preço pelo uso desse dinheiro era de 1% ao mês, 12% ao ano. Esse custo era pago por aqueles que tinham o dinheiro em sua posse no final do mês. Esse pagamento era feito na compra de 1 selo que era colado à nota, sem esse selo a nota não tinha validade. Isso levou a que toda a gente tentasse desfazer-se das notas até ao fim do mês, até ficar só com o dinheiro normal. Até os impostos eram pagos antecipadamente. Durante 1 ano os 5000 xelins mudaram 463 vezes de mãos, correspondendo à uma circulação de mercadorias e serviços no valor de cerca de 2 300 000 xelins (5000 x 463). Já o xelim normal era transaccionado cerca de 213 vezes por ano.

Continua... (se Deus quiser)

Americo disse...

Será que podemos viver sem especuladores? (continuação parte III)

Como resultado, numa altura em que muitos países da Europa lutavam contra o desemprego, a cidade de Wörgl viu o nível de desemprego descer 25%. O pagamento recebido pela municipalidade pelo uso do dinheiro atingiu 12% do valor total das notas emitidas, ou seja 600 xelins (12% de 5000 xelins). Esse dinheiro foi gasto em proveito público, ou seja, a favor da comunidade em vez de servir para enriquecer somente alguns dos seus membros. Quando o projecto despertou o interesse de mais de 300 comunidades da Austria o Banco Nacional da Austria interveio e pôs fim à experiência. (A Máfia não dorme).
Este exemplo encontra-se descrito no livro de Margrit Kennedy "Dinheiro sem Inflação nem Taxas de Juro" (Interest and Inflation-Free Money, capítulo THE FIRST MODEL EXPERIMENTS). A versão do livro em inglês está disponível para leitura online no site da autora. Também foi traduzido para 22 línguas, mas não encontrei nenhuma versão em português à venda. No emule há copias em inglês e alemão.

Americo disse...

Respondendo ao anónimo que me acusava querer regressar à Idade Média, esquecendo-me que naquela altura não havia computadores, nem iPods, nem outras benesses na civilização. Aquilo que ele descreve já existe actualmente em larga escala nos países do terceiro Mundo e nós em Portugal também iremos ficar sem ipods e computadores e até sem casa e comida até que alteremos o modo como a economia funciona. Não sou a favor do regresso à Idade Média (nem à queima das bruxas), mas há coisas que se calhar fazia sentido copiar daqueles tempos. Como por exemplo ser o Estado a emitir o dinheiro. Dizem (as más línguas) que o negócio mais lucrativo que há é a emissão do dinheiro. Porque é que tudo o que é lucrativo tem de ser monopólio de privados? A emissão da moeda mundial, que é o dólar, está não mão duma entidade privada chamada de Reserva Federal. Na UE nem sequer faço a ideia de quem é. Porque é que não se há-de devolver aos Estados essa função?

Anónimo disse...

Ongoing,
e está no ir,
que este é o caminho.

Daniel Simões disse...

Uns dividem para conquistar... estes anónimos aborrecem para calar!!!

Anónimo disse...

Ahahaha!
Sem dúvida!
Fábulas.
Quem é conduzido à indigência vai-se entreter a teorizar todas estas artificialidades,enquanto digere a sopa dos pobres.
Este país quase só produz lunáticos.
Ahaha!