quarta-feira, abril 30, 2008

Sobre a credibilidade das testemunhas do massacre de Judeus de Lisboa em 1506

Entre o reduzido número de historiadores que refere o «massacre de Judeus» de Lisboa em 1506, são normalmente citados como principais testemunhas os nomes de Solomon Ibn Verga e Samuel Usque:

Retirado do site JewishEncyclopedia.com:

Historiador e médico espanhol, Solomon Ibn Verga, viveu durante os séculos XV e XVI (…) viveu em Lisboa como Marrano (judeu espanhol ou português forçado a converter-se ao cristianismo na Idade Média e que geralmente mantinha a sua identidade judaica escondida), e que foi testemunha do massacre de Lisboa. Mais tarde, Solomon fugiu para a Turquia onde escreveu "Shebeṭ Yehudah", uma descrição das perseguições aos Judeus nos diferentes países e épocas. A obra "Shebeṭ Yehudah", contém uma descrição de 64 perseguições, além de narrativas de muitas controvérsias e uma descrição de costumes Judeus em diferentes países.

A "Shebeṭ Yehudah" foi pela primeira vez impressa em 1550. O valor histórico dos dados contidos em "Shebeṭ Yehudah" tem sido seriamente colocado em dúvida por Isidore Loeb ("R. E. J." xxiv. 1 et seq.). Loeb sustenta que, embora um escritor original, Solomon Ibn Verga não é sempre confiável, e que algum do seu material pertence ao domínio da lenda. Solomon Ibn Verga estava especialmente interessado em controvérsias religiosas entre Judeus e Cristãos. Mas mesmo estas parecem ser fictícias – com a excepção, talvez, da que aconteceu em Tortosa. A "Shebeṭ Yehudah" é, contudo, valiosa pelo folclore judeu e pelas tradições populares que contém.

O único dos contemporâneos de Solomon Ibn Verga que utilizou o seu trabalho parece ter sido Samuel Usque, na sua "Consolação às Tribulações de Israel " [The only one of Verga's contemporaries that made use of his work seems to be Samuel Usque, in his " Consolação às Tribulações de Israel " ("R. E. J." xvii. 270)].


Samuel Usque's Consolação às Tribulações de Israel as Pastoral Literature Engagée [Richard A. Preto-Rodas - University of South Florida]

Nem o ano de nascimento de Samuel Usque nem o da sua morte pode ser confirmado com alguma certeza. Sabe-se que nasceu em Lisboa nos princípios de 1500 (o «massacre» teve lugar em 1506), que fugiu à Inquisição para Itália em meados do século, e que morreu com sessenta e tal anos em Safed, um centro de estudos cabalísticos na Galileia do norte.

O trabalho de Samuel Usque, Consolação às Tribulações de Israel (1553), apresenta uma configuração pastoral, um tom plangente, uma caracterização trágica e uma certa pecha para uma representação visual cabalística.


Comentário:

Em suma, de duas das testemunhas chave do «Progrom de Lisboa» de 1506 ficamos a saber que:

a) O valor histórico dos dados que Solomon Ibn Verga utiliza na obra em que aborda o «massacre de Lisboa», "Shebeṭ Yehudah" é altamente duvidoso, que o autor não é confiável, que algum do seu material pertence ao domínio da lenda e que as suas controvérsias religiosas parecem ser fictícias.

b) Samuel Usque, no seu trabalho "Consolação às Tribulações de Israel", onde aborda o «massacre de Lisboa», utilizou os dados do pouco confiável Solomon Ibn Verga. E ficamos igualmente a saber que Usque tem uma certa queda para o tom lastimoso, trágico e para uma imagística cabalística.
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14 comentários:

xatoo disse...

1ª nota talvez para corrigires no titulo, massacre de 1503 para 1506.
2ª nota
"Samuel Usque" é uma reinvenção moderna emitida a partir dos EUA, a partir do lobie de influência judaico:
“Mais de quatro mil almas morreram(...)”, escreveu Samuel Usque em “Consolação às Tribulações de Israel” (1553).“Von dem Christeliche / Streyt, kürtzlich geschehe / jm. M.CCCCC.vj Jar zu Lissbona / ein haubt stat in Portigal zwischen en christen und newen chri / sten oder juden , von wegen des gecreutzigisten [sic] got"; reprodução a partir de cópia publicada pelo Hebrew Union College, Cincinnati, OH. O original, bastante raro, encontra-se na Houghton Library, Harvard University copiado de um panfleto anónimo, impresso na Alemanha (presumivelmente poucos meses depois do massacre de Lisboa)"

Diogo disse...

Obrigado Xatoo, já corrigi as datas. Qual é o link que refere o panfleto anónimo alemão que eu não consigo encontrar?

Abraço

xatoo disse...

a estorinha vem referida aqui:
http://ruadajudiaria.com/?p=171
Como deves saber o autor do blogue é um judeu que estudou e se radicou nos EUA.
Refere-se um documento original encontrado na Alemanha (uma fonte inesgotável de judeus), mas neste outro link do mesmo autor ele apenas apresenta o fac-simile de um documento desse tal judeu Samuel escrito em português arcaico:
http://ruadajudiaria.com/?m=200603

Marques Martins disse...

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Zorze disse...

Mais uma vez parabéns pelo artigo. O lado a que se pertence influencia sempre o modo de contar a História.

Zorze

Nicolaias disse...

Eu sei que os meus comentários têm vindo a ser algo desconcertantes, porém, não posso deixar de afirmar que está na hora de expandir a nossa visão da história humana para além da nossa espécie e para além de nosso planeta.

A perseguição que vimos a assistir ao longo da história tem dois lados: as perseguições contra os judeus e as perseguições feitas pelos próprios judeus.

Os judeus foram a raça geneticamente criada pelos anunaques iniciada em Adão e Eva: essa distinção tem feito toda a diferença até aos dias de hoje, mesmo que inconscientemente.

Basta lembrar as chacinas realizadas pelos judeus após se libertarem da escravidão do Egípto: quantas cidades foram completamente destruidas e quantos milhões de homens, velhos, mulheres e crianças foram mortos sem qualquer piedade? Toda a Bíblia é uma história de guerra e chacinas de um povo protegido por uma criatura que se dizia "deus", mas que não passa de um ser mesquinho e vil, sedento de sangue.

Ao seguir essa criatura, os judeus criaram uma carma colectivo que ecoa até aos dias de hoje.

Sugiro que leiam os 5 primeiros livros da Bilbia (pelo menos) de mente bem aberta e com a possibilidade de haverem presentes criaturas não terrenas, não-humanas, mas, também, não-divinas... ou seja, outras espécies de humanóides.

xatoo disse...

outras espécies de humanóides?
how about cónego Melo?

San Ju disse...

Soll das ein Versuch sein, das Massaker von Lissabon anzuzweifeln oder gar zu leugnen? Ein Holocaustleugner im Kleinen? Das Vorgehen ist typisch: zuerst werden mal die Zeugen angezweifelt.

1.) Zu den deutschen Flugblättern:
die wurden bereits 1506 gedruckt, es gibt keinen Grund die Augenzeugenschaft anzuzweifeln. Es werden deutsche Schiffsleute gewesen sein, die den Vorfall beobachtet hatten. Zudem erschien bereits 1507 eine zweite Flugschrift mit der Antwort des portugiesischen Königs, ebenfalls auf Deutsch.

2.) Zu Salomon Ibn Verga:
Verga floh 1492 aus Spanien nach Portugal. Er war wohl nicht direkt in Lissabon, kannte aber sicher Augenzeugen. Sein Buch Schebet Jaehuda beendete er 1520, gedruckt wurde es 1550 in der Türkei.

3.) Samuel Usque:
Er wurde um 1497 in Portugal geboren. Er war wohl zu jung um beim Massaker selbst dabei gewesen zu sein Er verliess Portugal 1530. Seine Consolação às tribulações de Israel sind zwar poetisch, er wird jedoch genügend Augenzeugen gekannt haben.

4.) Garcia de Resende:
Garcia wurde 1470 in Evora geboren. Er lebte am Königshof und wurde später zu einem offiziellen Chronist. In den Miscelãneas beschreibt er die Ereignisse: "Vi que em Lisboa se alçaram pouo baixo e villãos mais de quatro mil mataram dos que ouueram as mhúos delles viuos queimarmininos espedaçaram, fizeram grandes cruezas, grandes roubos, e vilezas em todos quantos acharam." Er bezeichnet sich also selber als Augenzeuge (Vi que...).

5.) Damião de Góis:
Geboren 1502 war kaum ein Augenzeuge. Wie Resende war er auch Page am königlichen Hof. Er unternahm im Auftrag des Königs Reisen nach Dänemark und Polen, war also eine Art Botschafter. Später schrieb er die Königschronik über Don Manuel. Es gibt keinen Grund seine Aussagen zum Massaker anzuzweifeln. Entweder kannte er Augenzeugen oder er berief sich auf Garcia de Resende.

5.) Jerónimo Osório:
er lebte von 1506-1580 und war Bischof der Algarve. Er wird sich in seiner Königschronik in erster Linie auf das Werk von Damião de Góis bezogen haben.

6.) die Briefe des Königs:
Es existiern verschiedene Brief des Königs, die sich ganz eindeutig auf die Ereignisse von 1506 beziehen: Cartas de dom Manuel vom 24., 26., 27., April 1506, vom 26. April, alle aus Evora, wo sich der König aufhielt. Briefe aus Setubal vom Mai 1506. Oder das Edito de Dom Manuel contra a cidade de Lisboa. usw...

Dies ist alles nachzulesen bei Yosef Hayim Yerushalmi, Le massacre de Lisbonne en 1506 et l'image du roi dans le Shebet Yehudah. In: Sefardica. Essais sur l’histoire des Juifs, des marranes & des nouveaux-chrétien d’origine hispano-portugaise. Paris 1998.

Studiert zuerst die Fachliteratur, bevor ihr versucht ein historisches Ereignis in Frage zu stellen.

Diogo disse...

Meu caro San Ju,

Não percebo nada de alemão. Sei que me aconselha a estudar melhor a história. Será que não podia deixar os seus comentários em português ou inglês?

San Ju disse...

Diego,

the book that you need to reed is also in english availabel:

Yosef Hayim Yerushalmi: Lisbon massacre of 1506 and the royal image in the Shebet Yehudah, Cincinnati 1976.

Yerushalmi was professor at Harvard University and at the Columbia University NY.

Diogo disse...

San Ju,

Assim é difícil o diálogo. Não quer discutir os aspectos referidos no post (em inglês ou português?) Se não percebe português, como é que percebeu o post?

Anónimo disse...

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