quinta-feira, maio 21, 2009

Auschwitz - A Pequena Casa Vermelha e a Pequena Casa Branca

Antes de acabada a construção das quatro grandes câmaras de gás em Birkenau em 1943, o gaseamento dos judeus teve lugar em duas velhas casas rurais, descritas como a "Pequena Casa Branca" e a "Pequena Casa Vermelha". A Pequena Casa Vermelha estava localizada a norte do lugar onde a quarta câmara de gás, chamada Krema V, foi construída. A Pequena Casa Vermelha foi completamente destruída pelos nazis e nada sobrou dela. A Pequena Casa Vermelha foi o lugar onde aconteceu o primeiro gaseamento de judeus em Birkenau, que começou em Março de 1942. A Pequena Casa Branca ficou operacional como câmara de gás em Junho de 1942.

Artigo de Scrapbookpages

[Tradução minha]

As ruínas da "Pequena Casa Branca" - Bunker 2

A Pequena Casa Branca [Bunker 2] estava localizada a oeste da Sauna Central, que foi construída em 1943 para acomodar uma sala de chuveiros e numerosas câmaras de desinfecção usadas para matar os piolhos das roupas dos prisioneiros.

As ruínas da Pequena Casa Branca foram preservadas, como se pode ver nas fotos deste artigo. Na foto acima, podem-se ver quatro placas pretas que indicam aos visitantes em quatro línguas que se trata das ruínas da Pequena Casa Branca, chamada Bunker 2. A foto abaixo mostra uma placa que também identifica as ruínas.

Placa identifica as ruínas da "Pequena Casa Branca" - Bunker 2

Depois da Guerra, os antigos habitantes polacos de Birkenau regressaram para reconstruir as suas casas que tinham sido confiscadas pelos nazis e destruídas para construir as barracas de Birkenau. Os polacos levaram os tijolos das câmaras de gás destruídas e usaram-nos para reconstruir as suas casas. Os tijolos que podem ser vistos hoje no lugar do Bunker 2 pode ser uma reconstrução, porque os valiosos tijolos originais foram provavelmente removidos pelos habitantes polacos há sessenta anos.

As fotos deste artigo foram tiradas em Outubro de 2005; quando o autor deste texto visitou Auschwitz-Birkenau em 1998, a guia disse-lhe que as localizações da Pequena Casa Branca [Bunker 2] e da Pequena Casa Vermelha eram desconhecidas.

As ruínas mostram tijolos assentes directamente no chão, sem fundações, como se pode observar na foto abaixo:

Ruínas da Pequena Casa Branca


A Pequena Casa Branca [Bunker 2] estava dividida em quatro salas pequenas

Como mostram as quatro fotos acima, a Pequena Casa Branca [Bunker 2] estava dividida em quatro salas pequenas com capacidade para matar mil e duzentos judeus de cada vez, segundo Laurence Rees, o autor de "Auschwitz, a New History" [Auschwitz, uma História Nova]. Os gaseamentos eram feitos com Zyclon-B, um poderoso gás venenoso usado também em Birkenau para matar os piolhos das roupas dos prisioneiros numa tentativa de travar a disseminação do tifo. O Zyclon-B encontrava-se em forma de grânulos do tamanho de pequenas ervilhas. Os grânulos eram lançados para dentro das salas através de uma abertura na parede.

Segundo um livro intitulado "The Bombing of Auschwitz: Should the Allies Have Attempted It?" [O Bombardeamento de Auschwitz. Deveriam os Aliados Tê-lo Tentado?], de Michael J. Neufeld e Michael Berenbaum, o Bunker 2 tinha 17 metros de comprimento por 8 metros de largura. Cada uma das quatro câmaras de gás tinha 4,2 metros de comprimento por 2,1 metros de largura. O Bunker 1 [a Pequena Casa Vermelha] tinha 15 metros de comprimento por 6,4 metros de largura.

Reconstrução efectuada pela BBC, em 2005, da "Pequena Casa Vermelha" [Bunker 1]
Esta câmara de gás tinha capacidade para matar
oitocentas pessoas de cada vez

Sobreviventes afirmam que as quatro pequenas câmaras de gás na Pequena Casa Branca [Bunker 2] estavam disfarçadas de chuveiros. Esta casa encontrava-se num sítio remoto e provavelmente não possuía água corrente, portanto as vítimas não eram enganadas com este truque. As ruínas do Bunker 2 não mostram nenhuns sinais de canalizações ou escoadouros ligados a canos de esgotos.

Otto Pressburger, um sobrevivente de Birkenau, afirmou que os gaseamentos tinham sempre lugar à noite, nunca durante o dia, para que as vítimas não gritassem ou tentassem escapar das câmaras de gás. Citando Laurence Rees, Pressburger disse, "Só vimos os corpos na manhã seguinte empilhados junto das valas."

Pressburger trabalhou numa unidade especial de prisioneiros cuja tarefa era enterrar os corpos das vítimas que tinham sido gaseadas na Pequena Casa Branca e na Pequena Casa Vermelha. Ele afirmou que os homens das SS traziam os corpos para as valas durante a noite e na manhã seguinte, a sua unidade especial tinha de os enterrar.

Oscar Groening, um homem das SS que trabalhava em Birkenau, também afirmou que o gaseamento dos judeus nas duas casas rurais era executado à noite. Tal como afirmou Laurence Rees, Groening disse que tinha testemunhado um gaseamento numa noite depois de ter sido acordado por um alarme por causa de alguns judeus que tinham fugido quando se dirigiam para a câmara de gás. Ele viu as luzes acesas numa das casas rurais, e sete ou oito corpos em frente da casa. Groening pensou que aqueles corpos eram dos fugitivos que tinham sido apanhados e mortos a tiro.

Groening foi "dominado pela curiosidade", segundo Rees, e ele e os seus camaradas ficaram ali próximo para ver o que é que estava a acontecer na casa agrícola. Viram um homem das SS, usando uma máscara, deitar grânulos de Zyclon-B por uma janela na parede de um dos lados da casa. Ouviram gritar durante um minuto, seguido de silêncio. Então um homem das SS aproximou-se da porta e espreitou pelo óculo para ver se os prisioneiros estavam mortos.

Este sítio remoto era uma boa localização para a utilização de Zyclon-B, o qual era perigoso e podia matar os homens das SS que tinham de atirá-lo para dentro da casa. Até Março de 1942, o gaseamento de judeus era levado a cabo no Krema I no campo principal de Auschwitz. O Krema I estava situado entre o hospital das SS e o edifício da Gestapo, o que não constituía uma boa localização por causa da utilização do perigoso gás venenoso. Na sua autobiografia, Rudolf Höss, o comandante de Auschwitz-Birkenau, escreveu relativamente aos gaseamentos na Pequena Casa Branca:

"Centenas de homens e mulheres em plena flor da vida caminharam sem suspeitar para a morte nas câmaras de gás sob as floridas árvores de fruta dos pomares. Esta imagem da morte rodeada de vida continua comigo até hoje. Eu via-os como inimigos do nosso povo. A lógica para o Programa de Extermínio parecia-me correcta."

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Em 2005 a BBC produziu um documentário: 1942 - Hidden Slovakia History [1942 - A História Encoberta da Eslováquia], onde, a dada altura, mostra uma reconstituição da "Pequena Casa Vermelha", a câmara de gás que media 15 metros de comprimento por 6,4 metros de largura e que tinha capacidade para matar oitocentas pessoas de cada vez.

Este é um excerto do documentário da BBC - 2:58m

[Vídeo legendado por mim em português]

6 comentários:

anderson disse...

interessnte

Ana Camarra disse...

Diogo

Mais dúvidas, não é?!

beijos

Carlos Marques disse...

Um bocado exígua a pequena casa vermelha...

Diogo disse...

Ana,

Cada vez menos dúvidas. Cada vez menos...

Beijo



Carlos Marques,

Você estará, por acaso, a insinuar que não cabiam 800 pessoas na Pequena Casa Vermelha?

Abraço

Ricardo Zenner disse...

Se calhar, estavam a falar de judeus filiformes... Só assim caberiam 800 pessoas na Pequena Casa Vermelha. Esta gentalha nariguda quer tomar os outros por imbecis!

filipe disse...

O que entendeste publicar lembrou-me uma notícia recente, sobre a descoberta,por pedreiros que trabalhavam no local onde ficava o campo, de uma garrafa contendo um manuscrito assinado por sete ex-prisioneiros em Auschwitz. Segundo o testemunho de três sobreviventes, dos sete só um era judeu. Dá que pensar, esta amostragem, tão inesperada quanto involuntária para os seus autores.
A história, contada pelos sionistas e propagandeada pelos poderosos instrumentos do imperialismo, está mal contada. Tal como com tantos outros factos e acontecimentos históricos, é indispensável produzir o contraditório, sério, rigoroso, recusando aceitar as versões dominantes.
Um abraço.