segunda-feira, setembro 22, 2014

O Banco de Inglaterra admite-o abertamente: o dinheiro é apenas um reconhecimento de dívida e os bancos estão a encher-se à tripa forra.


Este Post é dedicado a todos os políticos, economistas, comentadores mediáticos (e outros que escrevem nas redes sociais) que, nas faculdades de economia ou de finanças que frequentaram, se limitaram a memorizar as sebentas que os professores lhes prescreviam, sem raciocinar um minuto sequer naquilo que estavam a empinar. O resultado não é difícil de adivinhar...



A Criação de Dinheiro na Economia Moderna


«Por que é que o Banco da Inglaterra, de repente admite tudo isto? Bem, uma razão possível é que isto é obviamente verdadeiro. O trabalho do Banco é o de gerir o sistema, e nos últimos tempos, o sistema não tem funcionado muito bem. É bem possível que tenham chegado à conclusão que por manter a versão fantasiosa da teoria económica oficial, que provou ser muito conveniente para os ricos, é simplesmente um luxo a que já não podem permitir-se

[E, acrescento eu, a divulgação deste «esquema» pela Internet já atingiu tais proporções que qualquer economista, político ou comentador que o defenda, passa por corrupto ou atrasado mental].




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A verdade está à vista: o dinheiro é apenas Dívida (IOU - I Own You - Eu devo-te), e os bancos estão a rebolar-se nele [no dinheiro].

A dose de honestidade do Banco de Inglaterra lança a base teórica para a austeridade pela janela fora.





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O Banco de Inglaterra admite: o dinheiro é apenas um reconhecimento de dívida e os bancos estão a encher-se à tripa forra.

"A verdade nua e crua: o dinheiro é apenas um reconhecimento de dívida e os bancos estão a encher-se à grande. A honestidade do Banco de Inglaterra arrasa a base teórica da austeridade."

Num artigo de David Graeber publicado a 18 de Março de 2014 no jornal britânico The Guardian, em que ele comenta o artigo do Banco da Inglaterra intitulado: «A criação monetária na economia moderna».


O artigo do Banco de Inglaterra resume-se a três pontos:

• A explicação de como a maioria do dinheiro na economia moderna é criado pelos bancos comerciais na concessão de empréstimos.

A criação de dinheiro, na prática, é completamente diferente de algumas ideias falsas muito difundidas - Os bancos não actuam simplesmente como intermediários, pagando aos aforradores os depósitos lá depositados, nem "multiplicam" o dinheiro do Banco Central para criar novos empréstimos e depósitos.

• A quantidade de dinheiro criado para a economia depende em última instância da política monetária do Banco Central. Em tempos normais, isso é feito através da definição das taxas de juro. O Banco Central também pode afetar a quantidade de dinheiro diretamente através da compra, usando dinheiro criado a partir do nada, de ativos ou "quantitative easing" [política monetária extrema, utilizada por alguns Bancos centrais, de comprar activos incluindo dívida pública ou dívida emitida por GSEs - grupo de instituições financeiras criadas pelo Congresso Norte-Americano, com o objectivo de facilitar o acesso ao crédito a alguns segmentos da economia].


Banco de Inglaterra



Como afirmei no meu último artigo, não estamos diante de algo novo. Numerosos pensadores independentes, como o recentemente falecido Margrit Kennedy, Bernard Lietaer, Ellen Brown ou Thomas Greco passaram décadas denunciando-o. Em geral, qualquer pessoa envolvida na área de moedas sociais ou complementares estão bem cientes disto. Também, recentemente, outras vozes muito pouco "alternativas" o afirmaram, como os economistas do FMI, Michael Kumhof e Jaromir Benes no seu «Plano de Chicago Revisitado» de 2012 e 2013.

A novidade é que seja o próprio Banco de Inglaterra a admiti-lo. O autor do comentário no The Guardian, o antropólogo David Graeber, autor do interessante livro "Dívida, os primeiros 5.000 anos", pergunta e responde a si mesmo:

«Por que é que o Banco da Inglaterra, de repente admite tudo isto? Bem, uma razão possível é que isto é obviamente verdadeiro. O trabalho do Banco é o de gerir o sistema, e nos últimos tempos, o sistema não tem funcionado muito bem. É bem possível que tenham chegado à conclusão que por manter a versão fantasiosa da teoria económica oficial, que provou ser muito conveniente para os ricos, é simplesmente um luxo a que já não podem permitir-se.

David Graeber, não adianta muito coisa quando avalia as consequências desta admissão. Mas esta admissão do banco de Inglaterra não só deita por terra a base teórica das políticas de austeridade, como, também, os pilares fundamentais dos modelos económicos atuais, a neutralidade da moeda, ou mesmo a sua própria natureza, pois ao considerar-se que o dinheiro é uma mercadoria serve de justificação para seja negociado no mercado.

Não devemos esquecer que o juro, na teoria económica actual, assenta na preferência temporal de possuir o dinheiro hoje do que no futuro, uma justificação completamente ligada à suposta falta de dinheiro, como uma mercadoria. O facto de que a verdadeira natureza do dinheiro ser, na verdade, um reconhecimento de dívida significa que a alocação de crédito com o qual se cria o dinheiro e que pode ser um mecanismo suficiente de alocação de recursos e de suporte aos mercados de capitais não tem razão de ser.

Dentro de pouco tempo, com alguma sorte, alguém numa destas instituições importantes irá fazer uma aritmética simples e vai-se dar conta de que a maior parte do dinheiro na economia é criado como um empréstimo com juros: em seguida, será reconhecido oficialmente que esta forma de criação de dinheiro, o crédito com juros é o verdadeiro motor que causa o crescimento económico e provoca as crises financeiras, quando o crescimento falha.




O dinheiro não é uma mercadoria - como as batatas, os automóveis ou os programas de computador. O dinheiro é criado a partir do nada (out of thin air) e quem o cria e o controla, tem o domínio do mundo.

4 comentários:

João disse...

Os detalhes desta questão são incrivelmente intuitivos sobre a forma como pensamos sobre o mundo que nos rodeia. O que devemos exatamente fazer com esta informação também é um pouco misterioso.

Se tivéssemos de decidir duplicar os gastos do governo através de prestações de um empréstimo, presumivelmente algo iria rebentar com a infraestrutura monetária? Ou seriam todos os países a fazê-lo?

Jorge M. disse...

O fato é que o dinheiro já não tem qualquer relação com a produção de bens ou serviços úteis. Este tem sido o caso das últimas décadas, e a tendência torna-se mais evidente a cada dia que passa. Adapta-se dois grupos principais: os bancos e ao Governo / Estado, que estão inextricavelmente interligados e mutuamente dependentes.

Tudo o resto é mais ou menos aparafusado dentro deste sistema profundamente pernicioso, mas só uma revolução global poderá pará-lo agora.

Anónimo disse...

A república de Weimar na Alemanha teve uma experiência interessante quando o governo começou a imprimir dinheiro para pagar as suas dívidas quando a economia estava completamente destroçada.

Varicela disse...

"Dentro de pouco tempo, com alguma sorte, alguém numa destas instituições importantes irá fazer uma aritmética simples e vai-se dar conta de que a maior parte do dinheiro na economia é criado como um empréstimo com juros: em seguida, será reconhecido oficialmente que esta forma de criação de dinheiro, o crédito com juros é o verdadeiro motor que causa o crescimento económico e provoca as crises financeiras, quando o crescimento falha.

O dinheiro não é uma mercadoria - como as batatas, os automóveis ou os programas de computador. O dinheiro é criado a partir do nada (out of thin air) e quem o cria e o controla, tem o domínio do mundo."

DINHEIRO = Dívida

Os bancos que recebem do banco central o dinheiro (proveniente de si mesmo-base monetária, ou como intermediário) têm uma dívida, e pagam juros!!! O problema é o respaldo da economia monetária com a economia real. Como em todos os problemas com desigualdades, surgem muitas dúvidas de quem está afastado, perto, etc.
Se eu não conseguir pagar um empréstimo (capital), tanto faz a classe do emprestador (agiota, benemérito, incompetente) para o nosso problema. Gastar dinheiro é diferente de criar alguma coisa de valor... A coisa começa sob o meu ponto de vista a fiar mais fininho por aqui.