sábado, novembro 12, 2011

Um Movimento de cidadãos anuncia que vai realizar uma auditoria às contas portuguesas

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Miguel Sousa Tavares - Expresso 07/01/2006

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita

«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre.»


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Um grupo de cidadãos de diversos setores anuncia, terça-feira, a realização de uma Convenção de Lisboa, onde será apresentada a comissão que fará uma auditoria cidadã à dívida pública, sendo esta a primeira iniciativa do género em Portugal.

Em declarações à Agência Lusa, Raquel Freire - do Movimento 12 de Março - explicou que “pessoas de diversas sensibilidades, setores e movimentos sociais decidiram juntar-se porque estão conscientes que é urgente e fundamental que haja uma nova abordagem ao problema da dívida”.

Para além da cineasta Raquel Freire, entre os participantes desta iniciativa estão o economista José Maria Castro Caldas, o secretário-geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, a ex-secretária de Estado da Educação Ana Benavente, o ex-secretário de Estado das Finanças António Carlos Santos e o ex-deputado e economista José Guilherme Gusmão.

“Nós, cidadãos, evocando o direito da transparência democrática - direito fundamental à informação - queremos saber em nome de quê e porquê nos impõem estas políticas que destroem aquilo que é a base da democracia”, disse.

Segundo Raquel Freire, “há uma vastíssima plataforma de cidadãos e cidadãs que se juntaram nesta tarefa de querer defender a democracia e a transparência democrática” em Portugal.

“Uma auditoria cidadã vai ver o que é que dívida pública, em que é que foi gasto o nosso dinheiro até agora, como é que foi gasto, se foi gasto em prol dos cidadãos, se foi em prol de interesses privados, ou se foi, por exemplo, em atividades corruptas. Há também essa hipótese”, declarou à Agência Lusa.

A cineasta explicou que “para que se faça uma auditoria cidadã à dívida pública é preciso que haja uma comissão, que vai analisar tudo o que foi dívida pública até agora” no nosso país.

“Vamos anunciar terça-feira quem são os subscritores que vão lançar uma iniciativa de auditoria cidadã, a lançar num grande encontro com a população. Vamos fazer uma Convenção de Lisboa para a qual o povo português está convidado a participar”, antecipou.

Segundo Raquel Freire, este processo já foi feito, com sucesso, no Equador e na Islândia e está a ser feito na Irlanda, na Grécia, na França, na Bélgica.

“É um movimento internacional de cidadãos que se estão a juntar porque perceberam que os governos até agora andaram a gastar o dinheiro público de formas anti-democráticas. Nunca uma auditoria cidadã foi feita em Portugal”, enfatizou.

Para a participante nesta iniciativa “isto é uma questão de decisão política” porque, neste momento, “a democracia está em risco e os cidadãos têm que ser ativos”, sob pena de, se continuarem “a dormir”, podem acordar numa ditadura.

"Há dados que nós vamos pressionar o poder político para nos dar, e por isso vai haver uma petição; há dados que são públicos e há os que não são públicos e que teremos que apelar à cidadania das pessoas para que nos enviem informação", acrescentou.


Comentário

A soldo da Banca, Sócrates andou a semear dívidas astronómicas em obras inúteis: Centro Cultural de Belém, Casa da Música no Porto, Estádios do Euro 2004, Expo98, Aeroporto de Beja, Metro Sul do Tejo, Pontes, Submarinos, 700 quilómetros de Auto-Estradas excedentárias, TGVs projectados, mais de 140 Parcerias Público-Privadas (PPP), Projectos do novo Aeroporto de Lisboa (Ota e Alcochete), Empresas Públicas, Consultorias, etc. A mando da Banca, Passos Coelho anda agora a recolher os descomunais juros agiotas das ditas obras.


No Jornal Expresso de 1/9/2007, o jornalista Fernando Madrinha explicou sucintamente de que forma a Banca, a mais poderosa, interligada e influente quadrilha do planeta, utiliza a política e os políticos, os Media e os jornalistas para saquear os Estados Nacionais:

[...] «Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. [...] os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais
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13 comentários:

Helena Simões disse...

Obviamente, passaria pela cabeça de alguém minimamente informado que a "troika" chegaria aqui e nos emprestaria o necessário só pelo nosso sol??? Todos inclusive Catrogas, Passos Coelhos e Cª que andaram a insinuar que havia grandes buracos nos números apresentados pelo Governo demonstram bem como estavam a enganar os portugueses incautos deliberadamente

J. Lopes disse...

Afinal vamos despertando, ou melhor, uns quantos vão despertando o povo adormecido profundamente que só pretende bola e novelas. E cuidado com as televisões que também devem ser responsabilizadas em Portugal pelo estado de incultura e analfabetismo do PAÍS!

N disse...

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2119654

N disse...

http://www.youtube.com/watch?v=pSamFDR058Y&feature=channel_video_title

miguel disse...

Estamos a despertar.
Será?
A comissão está infiltrada por gente como Ana Benavente,Carvalho da Silva,etc.
Será que estamos a despertar...para novo engano?
Isto precisa uma operação mãos limpas.

alf disse...

os financeiros são uma mafia sem dúvida; a razão é porque são pessoas como as outras, que fazem tudo e mais qq coisa por dinheiro - como o empregado do call center que anda a enganar velhinhas, o mecânico de automóveis, o fiscal da câmara, o taxista, o advogado, o médico que passa análises para receber a comissão do hospital privado etc etc.

Porém, todas estas pessoas têm um comportamento altamente previsível e se fazem o que fazem é porque as deixam fazer - normalmente porque toda as pessoas vêm na possibilidade de corrupção a possibilidade de enriquecer, as pessoas querem tanto acabar com a corrupção como querem acabar com o euromilhões, ou seja, não querem acabar com a corrupção.

Mas a situação actual não tem nada a ver com isto. Isso é que é importante que se perceba. O que se passa é a exacta e incontornável consequência das medidas decididas pelos alemães desde o início do projecto europeu. Os financeiros são só o agente desta política.

Claro que podemos fazer esta guerra combatendo o seu agente. Esta comissão é uma boa notícia. Mas não vai resolver nada por si só e pode ser perigosa por desviar a atenção das pessoas do verdadeiro problema.

Porque, notem: imaginem que esta comissão descobria que metade da dívida devia ser riscada; que a dívida portuguesa era reduzida a metade; o que é que isso alterava as coisas?

NADA! Rigorosamente nada. Continuavamos a ter de ir aos mercados buscar dinheiro para a outra metade da dívida, os juros seriam incomportáveis e continuariamos com a Troika.

é por isso que o perdão de metade da dívida grega não é nada, é um truque, é só para encravar mais os gregos, é pó para os «maus» (os alemães e franceses)surgirem como «bonzinhos».

Estão a perceber? é que se levam muito tempo a perceber, depois já não há nada a fazer, já seremos todos escravos e não me lembro de alguma vez na História um povo de escravos ter conseguido, por si, deixar de o ser.

Diogo disse...

Alf disse: « O que se passa é a exacta e incontornável consequência das medidas decididas pelos alemães desde o início do projecto europeu. Os financeiros são só o agente desta política.»


É quase o oposto daquilo que você disse: existe um monopólio financeiro mundial, nas mãos de meia dúzia de famílias, que controlam toda a finança mundial. Os políticos, sejam alemães, americanos, franceses ou portugueses, não passam de fantoches desse monopólio. Quem tem o dinheiro é quem tem o poder. Lembre-se sempre disso, Alf!

Diogo disse...

N, só vou poder ver os vídeos em casa.


Miguel, isto estão a precisar de uma operação mãos armadas e decididas.

Zorze disse...

Isto tinha de passar mais do que uma transformação por uma profunda refundação. Mesmo que dizer que isto não interessa a ninguém que beneficie deste sistema. Obviamente que isto trespassa verticalmente toda a pirâmide dos níveis de conhecimento.

A informação tem de ser transparente e de acesso fácil. Por exemplo quem empresta a quem e em que condições.
Quem são "os mercados"? Quem são os investidores nele intervenientes, os seus nomes, que interesses representam?
A origem do dinheiro que investem massivamente.
Em que sectores da economia operam que gera recursos financeiros para aplicar.
Informação transparente da proveniência de capitais dos grandes fundos de investimento, bem como, dos seus gestores.

E fundamentalmente leis certas de maximização da informação de tudo o que intervém nos mercados financeiros.
E obviamente o legislador não poder trabalhar ou ter interesses nos grandes grupos económico/financeiros, por óbvia incompatibilidade.

Mas tudo isto "só e apenas", é tal e qual o discurso das Misses Universo, um mundo melhor para todos e onde não haja fome.

Abraço.

Hroque disse...

Zorze DISSE TUDO.
A isso adicionar apenas: o que Portugal precisa é de uma operação SEBO LIMPO.

Diogo disse...

Zorze, quanto a mim, haverá duas fases nos próximos 10, 20, 30 anos:

1 – A curto prazo, uma reacção violenta e mortífera contra a máfia financeira e respectivos lacaios na Política, nos Media e nos Tribunais, que controla quase toda a riqueza do planeta.

2 – A substituição do trabalho humano pela máquina a todos os níveis acabará com o capitalismo e a Banca. Será um regresso a uma organização pré-neolítica numa base tecnológica avançadíssima.


HRoque, de acordo. Para essa operação não é necessária a participação de toda a população cuja esmagadora maioria é ignorante ou desinformada. Mas as manifestações que vejo por todas as cidades em todo o mundo, levam-me a crer que a Internet está a ter um papel crescente na informação de muita gente. Estou, de algum modo, optimista.

Zorze disse...

Diogo,

"1 – A curto prazo, uma reacção violenta e mortífera contra a máfia financeira..." e seus derivados.

No curto prazo, este tipo de situação implicava gente com treino e organização para actuar de forma letal.
A pergunta: Onde está essa gente? Quem?

Considero mais provável, no curto prazo, a coisa ser de tal forma desorganizada e caótica, que pela quantidade desestruture o sistema, tornando "a coisa" incontrolável e por debaixo dos sucessivos casos pontuais que necessariamente acabarão por surgir, se vão levantando grupos semi-organizados com objectivos meio díspares.

Abraço.

Diogo disse...

Zorze,

Concordo contigo. De uma multidão crescente de revoltados, mas desestruturados e desordenados, é provável que surjam grupos mais organizados, mais informados (graças à Internet) e com objectivos mais específicos.

Abraço