domingo, janeiro 22, 2006

Graças a Deus que o nosso sistema eleitoral (ainda) não é igual ao americano

Hoje é dia de eleições. Graças a Deus que o nosso sistema eleitoral (ainda) não é igual ao americano. Se fosse, até o Garcia Pereira tinha hipóteses de ganhar.

O texto seguinte está em brasileiro.


Common Dreams
6 de Novembro de 2004

Thom Hartmann é um autor de sucesso ganhador do Project Censored Award que tem um programa de entrevistas no rádio transmitido diariamente em cadeia nacional, assim como uma página na Internet (www.thomhartmann.com). Seus livros mais recentes são "The Last Hours of Ancient Sunlight" (As Últimas Horas da Antiga Luz do Sol, Editora Sinais de Fogo, Portugal), "Unequal Protection: The Rise of Corporate Dominance and the Theft of Human Rights" (Proteção Desigual: A Ascenção da Domínio Corporativo e o Roubo dos Direitos Humanos), "We The People: A Call To Take Back America" (Nós o Povo: Um Apelo Para Devolver a América) e "What Would Jefferson Do?: A Return To Democracy" (O Que Jefferson Faria: Uma Volta à Democracia).


AS EVIDENCIAS MOSTRAM QUE O VOTO FOI FRAUDADO
por Thom Hartmann

Quando conversei com o candidato a deputado democrata pelo 16º
distrito da Flórida Jeff Fisher esta manhã (sábado 6 de novembro de
2004), ele disse que estava esperando o FBI chegar. Fisher tinha as
evidências, segundo ele, que não somente a eleição na Flórida havia
sido fraudada, mas por quem e como. E não só este ano, mas que estas
mesmas pessoas havia fraudado o pleito primário democrata em 2002 para
que Jeb Bush não tivesse que concorrer contra Janet Reno, que
representava uma ameaça real a Jeb, mas contra Bill McBride, de quem
Jeb ganharia.

- Foi um exercício para uma conquista a nível nacional - Fisher me
disse.

E as evidências se acumulam na conquista nacional ocorrida em 2 de
novembro de 2004. Kathy Dopp compilou as informações oficiais numa
tabela disponível em http://ustogether.org/Florida_Election.htm, e
observou coisas surpreendentes.

Enquanto as máquinas de votar de toque de tela de grande capacidade
pareciam produzir resultados onde a proporção Democrata/Republicano
batia com a votação Kerry/Bush, assim como os votos em papel
digitalizados nas comarcas maiores, nas localidades menores da Flórida
os resultados dos votos em papel digitalizados - alimentados num PC e
portanto mais vulnerável à fraude - pareciam se inverter.

Na comarca de Baker, por exemplo, com 12.887 eleitores registrados,
69,3% votaram no Partido Democrata e 24,3% no Republicano, mas a
votação foi de somente 2.180 votos para Kerry e 7.738 para Bush, o
oposto do que se viu no resto do país onde os democratas votaram em
massa em Kerry.

Na comarca de Dixie, com 4.988 eleitores registrados, 77,5% deles
votando no Partido Democrata e apenas 15% no Republicano, só 1.959
pessoas votaram em Kerry, mas 4.433 em Bush.

O padrão se repete em todo lugar - mas somente nas comarcas menores
onde, possivelmete, o pequeno número de eleitores não chamaria a
atenção. Em Franklin, 77,3% votaram nos democratas mas 58,5% em Bush.
Em Holmes, 72,7% votaram nos democratas, e 77,25% em Bush.

Ainda assim em localidades maiores, onde estas anomalias seriam mais
óbvias para a mídia, altos percentuais de votos para os democratas
equivaliam a altos percentuais para Kerry.

Mais análises visuais dos resultados podem ser vistas em
http://ustogether.org/election04/FloridaDataStats.htm, e
www.rubberbug.com/temp/Florida2004chart.htm.

E, embora as autoridades eleitorais não tivessem notado nenhuma
anomalia, em conjunto elas foram suficientes para fazer a Flórida
virar de Kerry para Bush. Se você simplesmente pegar os resultados e
inverter os números "anômalos" nestas localidades que parecem ter sido
fraudadas, o resultado mostra números semelhantes às pesquisas de
boca-de-urna: Kerry ganha, e ganha longe.

Estas pesquisas de boca-de-urna têm sido um problema para os
repórteres desde o dia da eleição.

Na noite da eleição, eu fazia uma cobertura ao vivo para a WDEV, uma
das rádios que transmitem meu programa, e, logo depois da meia-noite,
durante o boletim da Associated Press das 0:20, fiquei surpreso em
ouvir que a repórter Karen Hughes havia dito a George W. Bush que ele
havia perdido a eleição. As pesquisas eram claras: Kerry estava
ganhando por maioria esmagadora. "Bush ouviu o comentário
estoicamente" dizia a nota da AP.

Mas então os computadores começaram a mostrar algo diferente. Em
muitos estados chave.

Os conservadores vêem aqui uma conspiração: eles acham que as
pesquisas foram manipuladas.

Dick Morris, o mal-afamado consultor político da primeira campanha de
Clinton que passou para contultor Republicano e comentarista da Fox
News, escreveu um artigo para The Hill, a publicação lida por todo
político em Washington, em que ele faz duas observações brilhantes.

"As pesquisas de boca-de-urna quase nunca estão erradas" escreve
Morris. "Elas eliminam as duas maiores falhas em pesquisas ao separar
corretamente os eleitores de fato dos que pretendem votar mas não o
fazem, e ao substituir observações reais por conjeturas de avaliação
do índice de abstenção em diferentes partes do Estado".

Ele acrescenta: "Portanto, de acordo com as pesquisas de boca-de-urna
da rede ABC, por exemplo, Kerry deveria ganhar nos estados de Flórida,
Ohio, Novo México, Colorado, Nevada e Iowa, onde na realidade Bush
ganhou em todos. O único estado onde as pesquisas davam vitória para
Bush foi West Virginia, onde o presidente ganhou por 10 pontos.

E poucas horas depois de as pesquisas mostrarem uma clara vitória de
Kerry, quando os números de votos computadorizados começaram a vir de
vários estados a eleição estava decidida para Bush.

Como isso pode acontecer?

No programa de TV da CNBC "Topic A With Tina Brown", alguns meses
atrás, Howard Dean entrevistou Bev Harris, a avó de Seattle que criou
www.blackboxvoting.org na sua sala de estar. Bev chamou a atenção
para, independente de quantos votos forem tabulados (exceto os de
pequenas cidades em Vermont onde a contagem é manual), a contagem real
é feita por computadores. Sejam máquinas de leitura ótica da Diebold,
que lêem cédulas de papel preenchidas a lápis ou caneta pela mão do
eleitor, ou os leitores de cartões perfurados, ou as máquinas que
simplesmente registram os votos dados em tela de toque, em todos esses
casos os totais são enviados para uma máquina "tabuladora central".

Esta máquina tabuladora central é um PC com Windows.

"Num sistema de votação" explicou Harris a Dean em cadeia nacional,
"você tem todas as diferentes máquinas de votar em todos os locais de
votação, algumas vezes em localidades como a minha, mil locais de
votação numa única comarca. Todas essas máquinas alimentam uma única
máquina para somar todos os votos. Portanto, é claro, se você fosse
querer fazer alguma coisa que não deve ser feito, seria mais
conveniente fazê-lo nas 4000 máquinas ou apenas numa que concentra
elas todas?".

Dean aquiesceu em concordância retórica, e Harris continuou. "O que
causa surpresa é que o tabulador central é um simples PC, como o que
eu ou você usamos. É apenas um computador normal".

"Portanto," disse Dean "qualquer um que pode fraudar um PC poderá
fraudar esse tabulador central?".

Harris concordou, e mostrou como a Diebold usa um programa chamado
GEMS, que preenche a tela de um PC e efetivamente o transforma no
sistema tabulador central. "Este é o programa oficial que o Supervisor
da Comarca vê", disse ela, apontando para um PC que estava entre eles,
carregado com o software da Diebold.

Bev fez então Dean abrir o programa GEMS para ver os resultados de um
teste de uma eleição. Eles foram até a tela intitulada "Relatório de
Resumo da Eleição" e esperaram um momento enquanto o PC "somava todos
os votos de todas as seções", e então viram que nesta falsa eleição
Howard Dean tinha 1000 votos, Lex Luthor tinha 500, e Tiger Woods
nenhum. Dean tinha ganho.

"Naturalmente, você não pode fraudar este programa" observou Harris. A
Diebold desenvolveu um ótimo programa.

Mas está rodando num PC com Windows.

Então Harris fez Dean fechar o software GEMS, e, voltando ao Windows,
clicou no ícone "Meu Computador", escolheu "Disco Local C:", abriu a
pasta chamada GEMS, e abriu a sub-pasta "LocalDB" que, observou
Harris, "significa banco de dados local, isto é, o local onde estão os
votos". Harris fez então Dean dar um duplo clique num arquivo na pasta
"Votos do Tabulador Central", o que fez o PC abrir uma planilha de
votos num programa de banco de dados semelhante ao Excel.

Na linha "Soma dos candidatos", ela descobriu que numa seção Dean
tinha recebido 800 votos e Lex Luthor 400.

"Vamos invertê-los" disse Harris, e Dean cortou e arrastou os números
de uma célula para outra. "E," acrescentou magnanimamente, "vamos dar
100 votos a Tiger".

Fecharam o banco de dados, voltaram ao software oficial GEMS "de forma
legítima, você é o responsável na comarca e você está conferindo o
andamento de sua eleição".

Enquanto a tela mostrava a tabulação oficial, Harris disse "você pode
ver que agora Howard Dean tem apenas 500 votos, Lex Luthor tem 900, e
Tiger Woods 100". Dean, o vencedor, agora era o perdedor.

Harris ajeitou-se, sorriu e disse "nós acabamos de editar uma eleição,
e só levou 90 segundos".

O clipe com a entrevista pode ser visto em www.votergate.tv.

O que nos traz de volta a Morris e às incômodas pesquisas de
boca-de-urna que levaram Karen Hughes a dizer a George W. Bush que ele
tinha perdido a eleição de lavada.

A teoria da conspiração de Morris é que as pesquisas de boca-de-urna
"foram sabotadas" para fazer os eleitores dos Estados ocidentais não
se incomodarem em votar em Bush, já que as redes iriam prever o
resultado baseado nas pesquisas para Kerry. Mas as redes não fizeram
isso, nem tinham a intenção de faze-lo. Faz muito mais sentido que as
pesquisas estavam corretas - não foram feitas em PCs da Diebold - e
que os votos é que foram fraudados.

E não só para o candidato a presidente - Jeff Fisher pensa que isso o
atingiu e qualquer outro candidato democrata para a Câmara nos
estados mais fraudados.

Por enquanto, o único a chegar próximo desta história na mídia
nacional foi Keith Olbermann em seu programa de sexta-feira à noite em
5 de novembro, quando observou que era curioso que todas as
irregularidades das máquinas de votar encontradas até então eram
favoráveis a Bush. Enquanto isso, o Washington Post e outras mídias
estão se contorcendo sobre a teoria da bala única para explicar como
as pesquisas de boca-de-urna falharam.

Mas eu concordo em grande parte com Dick Morris da Fox. Ao fechar esta
matéria para The Hill, Morris escreveu no parágrafo final: "Este não
foi um simples erro. As pesquisas de boca-de-urna não podem estar tão
erradas em todo lugar como no dia da eleição. Eu suspeito de jogo
sujo".

http://www.commondreams.org/headlines04/1106-30.htm

5 comentários:

CBrito disse...

Estranho como todos os comentadores continuam a considerar os Estados Unidos da América como a "maior" e "mais liberal", no sentido politico do termo, democracia do mundo. Funcionando desta maneira, até o Manuel Alegre chegava rapidamente à presidencia. Ou o Mario Soares... Bom, deixemo-nos de brincadeiras, sera que a ONU vai acabar por decidir enviar observadores aquando das proximas eleiçoes nesta Republica(na) cada vez mais "bananière" (étoilée)?

Anónimo disse...

Aquelas décimas a mais de Cavaco não serão uma americanice?

Biranta disse...

Não Anonymous!
As décimas, a mais, de Cavaco, são apenas VIGARICE!
Bastava que os votos brancos e nulos contassem para o cálculo das percentagens, como acontece nas legislativas, para que Cavaco tivesse, apenas, 49,66% dos votos.
Claro que também há vigarice, sempre houve, nas eleições portuguesas. Lembro-me de ouvir estudantes contarem que, nas suas terras, todos os eleitores votavam, por interposta pessoa, que os "informava", na rua e à vista de todos, de que tinha descarregado o respectivo voto.
Agora, mais uma vez aconteceu e foi denunciado à CNE (sem consequências, como sempre). Em quantos lugares perdidos isso acontece? Mas há outras formas de burlar as eleições...
No total é bem capaz de perfazer as tais décimas...
Vejam os resultados REAIS, no meu blog...
Mas

Sofocleto disse...

Não há dúvida que em termos de vigarice estamos a anos luz dos americanos. Somos ainda muito artesanais. Não fazemos uso das mais modernas tecnologias. Assim nunca mais vamos a lado nenhum.

Anónimo disse...

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