quarta-feira, março 01, 2006

Bali - a al-Qaeda Australiana



O ataque bombista de Bali (Outubro de 2002)

O ataque em Bali na praia de veraneio de Kuta resultou em cerca de 200 mortes, sobretudo turistas australianos. O ataque à bomba foi alegadamente perpetrado pelo Jemaah Islamiah, um grupo que opera em vários países do sudeste asiático. Relatos de imprensa e declarações oficiais apontam para laços estreitos entre o Jemaah Islamiah (JI) e o Al Qaeda. O "dirigente operacional" do JI é Riduan Isamuddin, aliás Hambali, um veterano da guerra soviético-afegã, que foi treinado no Afeganistão e no Paquistão. Segundo um relato da UPI:

"A guerra [soviético-afegã] proporcionou oportunidades para figuras chave destes grupos, que estiveram no Afeganistão, experimentarem por si próprios a glória da jihad. Muitos dos radicais detidos em Singapura e na Malásia retiraram sua inspiração ideológica das actividades dos mujahideen no Afeganistão e no Paquistão".

Aquilo que tal relato deixa de mencionar é que o treinamento dos maujahideen no Afeganistão e no Paquistão foi uma iniciativa patrocinada pela CIA lançada no mandato do presidente Jimmy Carter em 1979, utilizando o ISI do Paquistão como um intermediário.


Ligações do JI à inteligência militar da Indonésia

Há indicações de que, além das suas alegadas ligações à Al Qaeda, o Jemaah Islamiah também tem ligações à inteligência militar da Indonésia, a qual por sua vez tem ligações à CIA e à inteligência australiana.

As ligações entre o JI e a Agência de Inteligência da Indonésia (BIN) são reconhecidas pelo International Crisis Group (ICG):

"Esta ligação [do JI ao BIN] precisa ser explorada mais completamente: isto não significa necessariamente que a inteligência militar estava a trabalhar com o JI, mas levanta uma pergunta acerca da extensão em que conhecia ou poderia ter descoberto mais acerca da JI do que reconheceu". (International Crisis Group, http://www.crisisweb.org/projects/showreport.cfm?reportid=845 , 2003)

O ICG, contudo, deixa de mencionar que o aparelho de inteligência da Indonésia tem sido, durante mais de 30 anos, controlado pela CIA.

No rescaldo das bombas de Bali em Outubro de 2002, um relato contraditório proveniente de altas patentes da Indonésia apontava para envolvimento tanto do chefe da inteligência militar indonésia, general A. M. Hendropriyono, como da CIA:

"A agência e o seu director, gen. A. M. Hendropriyono, são bem considerados pelos Estados Unidos e outros governos. Mas aqui ainda há altos responsáveis da inteligência que acreditam que a CIA estava por trás do bombismo".

Em resposta a tais declarações, a administração Bush exigiu que a presidente Megawati Sukarnoputri refutasse publicamente o envolvimento dos EUA naqueles ataques. Nenhuma retractação foi emitida. Não só a presidente Megawati permaneceu silenciosa acerca deste assunto como também acusou os EUA de ser:

"uma superpotência que forçou o resto do mundo a alinhar-se consigo... Nós vemos como a ambição de conquistar outras nações levou a uma situação em que não há mais paz a menos que todo o mundo obedeça à vontade daquele que tem o poder e a força".

Enquanto isso, a administração Bush utilizou os ataques de Bali para apoiar a sua campanha de medo:

"O presidente Bush disse 2ª feira que admite que o al-Qaeda fosse responsável pelo bombardeamento mortal na Indonésia e que está preocupado com novos ataques nos Estados Unidos".

As notícias [referentes ao ataque de Bali] chegavam enquanto responsáveis da inteligência americana advertiam que mais ataques como o bombardeamento indonésio podem ser esperados nos próximos meses, na Europa, no Extremo Oriente e nos EUA".


Encobrimento

As ligações do JI à agência de inteligência indonésia nunca foram postas em relevo na investigação oficial do governo indonésio — a qual foi guiada nos bastidores pela inteligência australiana e pela CIA.
Além disso, logo após o bombardeamento, o primeiro-ministro australiano John Howard "admitiu que as autoridades australianas foram advertidas acerca de possíveis ataques em Bali para preferiram não emitir uma advertência". Também em consequência dos bombardeamentos, o governo australiano optou por trabalhar com o Kopassus, as Forças Especiais da Indonésia, na assim chamada "guerra ao terrorismo".


Austrália: "Onda de indignação aproveitável"

Recordando a Operação Northwoods, o ataque de Bali serviu para desencadear "uma onda de indignação aproveitável". Ele contribuiu para inclinar a opinião pública australiana em favor da invasão americana do Iraque, e ao mesmo para enfraquecer o movimento de protesto anti-guerra. Na sequência do ataque de Bali, o governo australiano juntou-se "oficialmente" à "guerra ao terrorismo" conduzida pelos EUA. El e não só utilizou o bombardeamento de Bali como pretexto para integrar plenamente o eixo militar EUA-Reino Unido como também adoptou medidas policiais drásticas, incluindo o "perfilamento étnico" direccionado contra os seus próprios cidadãos:

O primeiro-ministro John Howard fez recentemente a extraordinária declaração de que está preparado para efectuar ataques militares preventivos contra terroristas em países asiáticos vizinhos que planeiam atacar a Austrália. Agências de inteligência australianas também estão muito preocupadas quanto à probabilidade de um ataque do al-Qaeda que utilizasse armas nucleares.

5 comentários:

carlos disse...

A Austrália de John Howard pertence ao grupo ECHELON, essa gigantesca rede de espionagem política e econômica mundial, que envolve cinco países (Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia).

No terrorismo, tal como na espionagem, este grupo mexe-se em uníssono.

Anónimo disse...

Best regards from NY!
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