quarta-feira, março 08, 2006

Teerão reage a ameaças dos EUA


Correio da Manhã - 8/3/2006

Os EUA podem ter o poder de causar danos e sofrimento, mas também são susceptíveis de sofrer danos e sofrimento. Assim, se os EUA desejam ir nesse sentido, desejamos que a disputa se mova nessa direcção”, assinalou o representante iraniano.

Javad Vaidi fez questão de sublinhar que na opinião de Teerão há duas opções a considerar: conseguir um compromisso e cooperar ou enveredar pela confrontação. ”Esperamos e não pouparemos esforços para realizar a primeira opção”, referiu.

Reagindo aos avisos feitos por Washington de não desistir de recorrer ao Conselho de Segurança da ONU como o próximo passo para resolver a crise nuclear iraniana e às ameaças de que o Irão poderá enfrentar pesadas consequências se não desistir dos seus propósitos, Teerão respondeu que, aconteça o que acontecer, não desistirá das suas investigações de enriquecimento de urânio.
Questionado sobre as respostas a dar a eventuais sanções que possam vir a ser aplicadas ao Irão, Javad Vaidi referiu que, nesse caso, Teerão poderá reconsiderar a sua política de exportações de petróleo, numa clara ameaça com a possibilidade de poder vir a usar o “ouro negro” como arma neste conflito de interesses.



Comentário:

A questão é que a Rússia e a China já não estão dispostos a ceder nem mais um milímetro à expansão americana. Está, portanto, muito em jogo no Irão. Aproximam-se tempos muito perigosos:

Já há muitos anos que os estrategas soviéticos deixaram de desafiar a marinha americana, seguindo os seus passos a cada navio, canhão ou dólar. Não estando em condições de competir no plano orçamental, optaram por uma solução estratégica defensiva. Começaram a procurar fraquezas no adversário e a desenvolver meios relativamente baratos de as explorar, aliás com êxito. Foi assim que desenvolveram vários mísseis terra-terra supersónicos, um dos quais, o SS-N-22, foi descrito como «o míssil mais assassino do mundo»

A marinha americana ainda não defrontou um adversário tão extraordinário como o Sunburn. As unidades americanas no Golfo já estão ao alcance dos Sunburn iranianos, para já não falar dos SS-NX-26 Yakhont, igualmente de fabrico russo (velocidade: Mach 2,9; alcance 290 km), que os iranianos também encomendaram. Todos os navios estão expostos e vulneráveis. Quando o cerco se fechar, todo o Golfo se transformará num temível campo da morte.

5 comentários:

Fragil disse...

Esta guerra nada tem a ver com o «passeio» de há três anos em terras iraquianas. Ninguém sabe como é que isto vai terminar.

RaizQuadrada disse...

Bonita salganhada!

contradicoes disse...

Meu caro amigo, não tenhamos ilusões que Bush não terá o atrevimento de se meter com o Irão, tal qual o fez com o
Iraque. Até porque temos todos a noção que a popularidade do Bush nos EUA está a descrecer acentuadamente à medida que lhe vão devolvendo militares em urnas. Não tenho qualquer dúvida que as suas ameaças não passarão disso mesmo, até porque também sabe que nem a Rússia nem a China lhe aparam o jogo se ele tiver a veleidade de se confrontar com o Irão. Daí achar que não nos devemos incomodar pois o Bush vai tentar querer resolver o problema diplomaticamente e nunca pela força
pois só tinha a perder. Com um abraço do Raul

Sofocleto disse...

Tem a certeza Raul? A administração Bush já mostrou que não tem qualquer pudor em sacrificar vidas americanas para levar por diante qualquer agenda que lhes dê jeito. Quanto à popularidade não é nada que uma trafulhice em eleições não resolva.

Espero sinceramente que tenha razão. Um abraço.

contradicoes disse...

A minha única certeza reside no facto de Bush ser um cobarde que quando atacou o Iraque sabia que deporia como efectivamente o conseguiu em pouco tempo o Saddam. Ele não tem dúvidas que o Irão possui armamento que poderia causar-lhe grandes dissabores
se ele o atacasse. Para além disso a
Russia e a China não ficariam impávidos e serenos a assistir à sua invasão tal como acontecu com o Iraque.